Domínio do dólar está sendo lentamente erodido

A participação do dólar estadunidense caiu para 56,3% das reservas cambiais globais alocadas entre abril e junho de 2025, o que corresponde a uma queda de 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Esse percentual é o menor desde 1995, marcando uma mínima histórica de três décadas.

As quedas constantes alimentam um debate sobre se o dólar pode estar correndo o risco de perder seu status de moeda de reserva mundial preferida e o ponto central do sistema monetário global, embora a recente queda tenha ocorrido em grande parte devido a movimentos cambiais e não à venda ativa por parte dos bancos centrais, conforme o relatório de estabilidade financeira divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O índice DXY — uma medida de referência do desempenho do dólar estadunidense em relação ao euro e às moedas do Japão, Reino Unido, Canadá, Suécia e Suíça — caiu mais de 10% no primeiro semestre do ano, sua maior queda desde 1973.

O dólar desvalorizou 7,9% em relação ao euro no segundo trimestre e 10,6% no primeiro semestre. Ele caiu 9,6% em relação ao franco suíço no segundo trimestre e mais de 11% nos primeiros seis meses, seu pior desempenho no primeiro semestre em relação ao franco em mais de uma década.

Isso significa que, mesmo os bancos centrais não alterando seus portfólios, o valor de suas participações não denominadas em dólares aumentou, resultando em uma diminuição correspondente na moeda norte-americana.

O FMI vem destacando três fontes de vulnerabilidade no mercado global de câmbio que aumentam o risco de choques cambiais e reduzem a previsibilidade da liquidez em dólar.

  • Incerteza macrofinanceira, com instabilidade nas políticas monetárias, juros altos prolongados e volatilidade nas expectativas sobre crescimento global;
  • Expansão das instituições financeiras não bancárias, como fundos de investimento, fundos de hedge e plataformas de cripto ativos, que atuam fora da regulação tradicional.
  •    Riscos operacionais relacionados a tecnologia, cibersegurança e liquidez, especialmente em mercados emergentes.

Reservas internacionais

O uso do dólar nas reservas internacionais caiu de cerca de 71% em 1999 para 56,3% em 2025. A China, Rússia, Índia e países do Golfo têm ampliado liquidações em moedas locais, especialmente em comércio de energia. A expansão de ativos digitais e stablecoins também cria rotas financeiras fora do sistema bancário tradicional baseado no dólar.

Os países integrantes do bloco econômico BRICS estão usando moedas nacionais em 65% dos acordos comerciais mútuos. O presidente russo Vladimir Putin alertou que o uso político do dólar por Washington por meio de sanções e negação de acesso dos países ao sistema financeiro ocidental foi um “grande erro” que os forçará “a procurar outras alternativas, que é o que está acontecendo”.

Além disso, o dólar está se desvalorizando porque os fundamentos da economia estadunidense (juros, déficits e dívida) estão pressionados, enquanto cresce o movimento global de diversificação de moedas e ativos.

Em 2020, a participação do dólar nas reservas mantidas pelos bancos centrais já havia caído para 59% — naquele momento o nível mais baixo em 25 anos, de acordo com o levantamento do FMI.  Se as mudanças nas reservas dos bancos centrais continuarem, inevitavelmente afetarão os mercados de câmbio e principalmente de títulos do governo dos Estados Unidos.

O alerta do FMI reflete um sistema financeiro global mais complexo, fragmentado e vulnerável, no qual o domínio do dólar está sendo lentamente erodido, não por substituição direta, mas por diversificação de instrumentos e moedas.

 

Governo Lula registra um recorde com 58,1% da população ocupada

A taxa de desocupação de trabalhadores no trimestre móvel encerrado em agosto ficou em 5,6%, repetindo o menor patamar já registrado pela série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. No mesmo período do ano passado, o índice estava em 6,6%. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior taxa já registrada foi de 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19, no governo de Jair Bolsonaro.

O país tinha, no final de agosto, 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente da série. Isso representa 605 mil pessoas a menos na procura de trabalho, em relação ao trimestre móvel anterior, terminado em maio. O número de ocupados chegou a 102,4 milhões. Com esse resultado, o nível da ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 58,1%, se mantendo no nível mais alto da série histórica.

William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, acredita que a estabilidade é algo recorrente em trimestres de meio de ano, momento de transição entre o período de demissões de temporários contratados para as festas do final do ano anterior e as novas contratações para este ano.

“Pode se dizer que o mercado está acomodado, em um momento de calmaria, se preparando para tomar as decisões para o segundo semestre, quando começam as novas contratações. A Pnad vem mostrando que o mercado está aquecido, resistente à taxa de juros alta. É um momento em que ele está favorável ao trabalhador. Pela ótica do trabalhador, uma taxa de desocupação não aumentar é sempre um bom sinal”, ressaltou.

O número de empregados com carteira assinada também foi recorde e alcançou 39,1 milhões de pessoas, com alta de mais 1,2 milhão em relação ao mesmo período do ano passado. Esse índice deixa claro que o mercado de trabalho está aquecido. Com menor disponibilidade de mão de obra, os patrões são obrigados a oferecer mais benefícios para os trabalhadores, como a carteira assinada.

Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade – proporção de trabalhadores informais na população ocupada – ficou em 38%, acima dos 37,8% do trimestre móvel anterior. O mínimo aumento é explicado pelo crescimento do trabalhado por conta própria sem CNPJ, que chegou a 19,1 milhões de pessoas, 1,9% a mais que no trimestre móvel até maio.  

Pode ser um sinal de que pessoas estão apostando no trabalho autônomo, como os motoristas de Uber e trabalhadores com menor escolaridade, geralmente nas atividades de comércio e alimentação. “Uma parcela de desalentados (pessoa que não procura emprego por achar que não conseguirá vaga) pode ter migrado, em parte, para a informalidade”, acredita Kratochwill.

O Ministro do Trabalho informou que, entre 2022 a 2025, considerando Previdência, Fundo de Garantia e Sistema S, deixou-se de arrecadar mais de R$ 106 bilhões em decorrência da pejotização. Os adeptos a pejotização esquecem que, além de proteger o trabalhador, o fundo de garantia também é um instrumento de investimento, no momento, em especial no Minha Casa Minha Vida.

Outro sinal de que o mercado está mais favorável aos trabalhadores é que os serviços domésticos foi a única categoria analisada pelo IBGE cujo número de vagas recuou tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior como com igual período do ano passado. Em relação a maio, por exemplo, houve queda de 3% no número de pessoas ocupadas – ou menos 174 mil trabalhando em casas de família, que apresenta características de trabalho análogo à escravidão, uma realidade que persiste no Brasil.

Níveis historicamente baixos

A taxa de desocupação no Brasil atingiu níveis historicamente baixos por uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. Entre os principais motivos, destaca-se o mercado de trabalho brasileiro que absorveu trabalhadores em diferentes setores, quatro dos cinco grandes agrupamentos apresentaram resultado positivo. O setor de Serviços fechou o mês com 81.002 novos empregos; Comércio com 32.612; a Indústria 19.098 e Construção Civil ficou com 17.328.

Também o crescimento simultâneo do emprego com carteira assinada e do trabalho por conta própria amplia a ocupação total. Políticas como isenções para a indústria, programas de crédito subsidiado, e incentivos à construção civil e infraestrutura ajudaram a manter o nível de atividade e contratação. Programas sociais como Bolsa Família / Auxílio Brasil também sustentaram o consumo das famílias, aquecendo setores intensivos em mão de obra.

Além disso, a força de trabalho brasileira cresce menos, pois há menos jovens ingressando e mais pessoas saindo por aposentadoria. Isso reduz a pressão de oferta, facilitando quedas na taxa de desemprego mesmo com crescimento moderado da economia.

O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.488 no trimestre até agosto, considerado estável frente ao trimestre até maio, segundo o IBGE. Na comparação com igual trimestre de 2024, houve alta de 3,3%. Com isso, a massa total de rendimento médio real chegou a R$ 352,6 bilhões, avanço de 1,4% frente ao trimestre até maio e de 5,4% frente ao mesmo trimestre de 2024. 

É surpreendente que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiga reduzir o desemprego a cada trimestre com todas as travas criadas pela pressão dos representantes de uma elite neocolonial, participantes do governo de coalizão, como o arcabouço fiscal e meta de inflação, que limitam os investimentos, e a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, bem acima dos índices inflacionários, impossibilitando o aumento do volume de crédito mais barato. Todas essas medidas promovem mais concentração de renda. Sem esquecer um Congresso hostil formado em sua maioria por políticos de oposição caricatos e de extrema direita.

 

 

Todas as tecnologias digitais avançam nas empresas

A Pintec Semestral, pesquisa de inovação de empresas, mostrou que todas as tecnologias digitais avançadas tiveram aumento em suas taxas em 2024, comparando com 2022. A Computação em nuvem foi a tecnologia mais utilizada pelas empresas (77,2%). A Internet das coisas (50,3%), Inteligência Artificial (41,9%) e a Robótica (30,5%) vieram a seguir. Em 2022, os percentuais de utilização destas mesmas quatro tecnologias foram, respectivamente, 73,6%, 48,6%, 16,9% e 27,7%.

A Pintec Semestral é uma investigação experimental realizada a partir de 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), um serviço social autônomo criado para desenvolver ações que auxiliem o governo federal a implementar políticas industriais, como a Nova Indústria Brasil (NIB), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa busca informações sobre as atividades de inovação das empresas industriais brasileiras de 100 ou mais pessoas ocupadas, a cada seis meses.

O seu objetivo é complementar a Pintec tradicional, pesquisa realizada pelo IBGE que coleta dados sobre as atividades de inovação de empresas brasileiras para a construção de indicadores nacionais e setoriais. Por ser semestral, fornece indicadores em um tempo mais adequado, em especial sobre a adoção de tecnologias digitais, práticas ambientais e biotecnologia, ajudando a compreender e a orientar o desempenho inovador do país.

Em 2024, 97,9% das empresas que declararam utilizar algum tipo de tecnologia digital avançada relataram ter benefícios. O Aumento da eficiência foi o ganho mais apontado por 90,3%, alta de 2,7 pontos percentuais, em relação a 2022. Em segundo lugar, a Maior flexibilidade em processos administrativos, produtivos e organizacionais, o mais apontado em 2022 (89,8%), agora aparece com 89,5%. Nos dois casos, foram as empresas de maior porte as mais favorecidas por esses benefícios, respectivamente, por 95,9% e 92,9% das empresas com mais de 500 pessoas ocupadas.

Estratégia autônoma

A Estratégia autônoma da empresa, com 88,6%, foi o fator que mais contribuiu na adoção das tecnologias digitais avançadas em 2024. Em administração e inovação, estratégia autônoma é aquela que não surge de um planejamento formal da alta direção, mas sim de iniciativas que brotam de forma espontânea dentro da organização — normalmente vindas de colaboradores, equipes ou unidades que experimentam, inovam e encontram soluções práticas para problemas do dia a dia.

Esta edição da Pintec trouxe, ainda, uma nova informação: 9,1% das empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas utilizaram algum programa de apoio público relacionado à promoção de tecnologias digitais avançadas, e as empresas de maior porte foram as mais beneficiadas, proporcionalmente. Do total de empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas, 13,9% utilizaram algum programa, ao passo que 9,5% e 7,1%, respectivamente, das empresas de 250 a 499 e de 100 a 249 pessoas ocupadas obtiveram algum tipo de incentivo.

Além disso, quase todos os tipos de dificuldades para a adoção de tecnologias avançadas digitais apresentaram queda ante 2022. Altos custos das soluções tecnológicas foi o fator mais apontado (78,6%), com redução de 2.2 pontos percentuais ante 2022. A Falta de pessoal qualificado percebido por 54,2% recuou 0,4 ponto percentual. Já os Riscos associados à segurança e privacidade passaram de 49,5% para 47,2%. A Dificuldade de integração entre as áreas de negócio foi de 47,3%, em 2022, para 45,1%, em 2024. Contudo, a maior queda aconteceu no setor de Infraestrutura de telecomunicações adequadas que encolheu 6,5 pontos percentuais, passando de 41,2% para 34,7%.

Inteligência artificial

O percentual de utilização da Inteligência Artificial (41,9%) em 2024 não foi o maior, mas teve o maior crescimento: 25 pontos percentuais acima de 2022 (16,9%). As áreas que mais fizeram uso da Inteligência artificial foram Administração (87,9%), Comercialização (75,2%) e Desenvolvimento de projetos de produtos, processos e serviços (73,1%). A área de Produção (52,0%) veio a seguir, recuando 4.4 pontos percentuais frente a 2022 (56,4%).

Internet das coisas foi a segunda tecnologia avançada mais utilizada em 2024. A maior proporção de empresas que a utilizaram concentra-se na área de Produção (82%), com alta de 4,9 pontos percentuais frente 2022 (77,1%). Nas áreas de Administração (72,2%), Desenvolvimento de projetos de produtos, processos e serviços (67,9%), Logística (65,5%) e Comercialização (61,6%), houve redução ante 2022.

Em 2024, das 10.167 empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas, 27,8% (ou 2.823 empresas) fizeram uso de Análise de Big data em suas áreas/funções de negócios. A utilização desta tecnologia cresceu 4,4 pontos percentuais ante 2022 (23,4%).

A pesquisa revela que, das 10.167 empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas nas empresas industriais em 2024, 3.098 (30,5%) empregaram robótica em suas atividades. A utilização desta tecnologia cresceu 2,8 pontos percentuais frente a 2022 (27,7%).

Em 2024, o uso da Robótica foi mais presente nas áreas de Produção (92,8%) e de Desenvolvimento de projetos (55,6%). O percentual de utilização na área de Produção cresceu ante 2022 (90,4%) mas o de Desenvolvimento de projetos diminuiu, pois era de 63,1% em 2022.

Banco Central mantém taxa básica de juros em 15%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter nesta semana a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, em 15% ao ano, com apoio unânime da diretoria sob a presidência de Gabriel Galípolo, como já tinha acontecido na reunião anterior, em julho passado. O nível dos juros básicos é o maior em 19 anos, desde julho de 2006, e está entre os três maiores do mundo.

Nos últimos 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 5,13%. Portanto o ganho real para os bancos e fundos de investimentos é de 9,87 pontos percentuais acima da inflação. Só uma mídia corporativa como a brasileira pode defender que a razão da alta dos juros é para reduzir a inflação. Ao contrário, a redução da taxa de juros aumentaria geometricamente o consumo, o crédito, aproveitando a diferença de quase 10 pontos percentuais entre inflação e taxa de juros.

Um conjunto de amarras como a taxa de juros e arcabouço fiscal, entre outros, limitam os investimentos. O motivo principal é enfraquecer o governo Lula. Outro pouco falado e muito simples é que o mercado interno forte inviabiliza o neoliberalismo concentrador de renda. Esse projeto sempre foi apoiado pela elite empresarial brasileira e foi potencializado no governo Bolsonaro (2019/2022). Por isso, ainda continuamos majoritariamente uma economia neocolonial agroexportadora de commodities com multinacionais explorando nossas riquezas minerais.

A diferença nesse momento é que o Brasil está no grupo Brics, defensor de um mundo multipolar, com parcerias comerciais avassaladoras principalmente com China e Rússia. O mundo não é mais unipolar, apesar do governo Donald Trump e seu tarifaço tentar um controle que não existe mais.  

O Brasil atravessa por um momento histórico para fortalecer sua soberania, com apoio de parte importante do empresariado que defende a política neoliberal, atendida em muitos pontos pelo governo de coalizão de Lula, mas não aceita partidos ligados ao crime organizado e uma família que fica de joelhos para as aves de rapina do imperialismo que pretende jogar o país novamente ao século IX.

Tudo pela meta

No comunicado habitual, o Copom avisou que deve manter a taxa atual por “período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”.  A meta de inflação é de 3,0%, com limite de tolerância de 1,5% a 4,5%.

É o argumento perfeito para manter a taxa de juros no atual nível com a desculpa da inflação. Não é coincidência que essa estrutura com margem de tolerância vem desde que o regime de metas foi adotado em 1999, período neoliberal de Fernando Henrique Cardoso na presidência da República. A meta da inflação de 4,50% ao ano foi estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2005 e permaneceu nesse patamar até 2018.

Em 2019, assume a presidência Jair Bolsonaro, que provoca mais arrocho fiscal e reduz a meta de inflação para 4,25% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais. Em 2024, já no governo Lula, o CMN reduz ainda mais a meta de inflação para 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O CMN é composto atualmente por três membros: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o preside; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

O regime de metas resulta em decisões do Copom que lembram um movimento de moto-contínuo. A Selic pode baixar até 10% ao ano. A partir daí, o mercado financeiro com o apoio da mídia corporativa faz uma pressão brutal, denuncia descontrole da inflação, e provoca a elevação da taxa até em torno de 15% ao ano.

Os números mostram isso. Durante o governo Bolsonaro a taxa Selic ficou em 13,75% ao ano de julho de 2022 até junho de 2023. Depois começou a baixar para 13,25% até 11,75% em dezembro de 2023 por causa das eleições presidenciais.  

A partir de janeiro de 2023, o governo Lula continuou a redução da taxa Selic de 11,25% até 10,50% em agosto. Em setembro sobe para 10,75%, acaba o ano em 12,25% e janeiro de 2025 passa para 13,25% e chega aos 15% atuais.  

Em algum momento o Galípolo deve começar a baixar a taxa básica, mas os números não devem mudar muito desse histórico. Assim, o ganho real está garantido para os bancos e grandes fortunas, através de fundos de investimentos, que são os maiores compradores do Tesouro Selic, título público federal de renda fixa negociado pela plataforma do Tesouro Direto, que tem como característica principal acompanhar a taxa Selic.

 

 

 

 

 

 

 

 

América Latina responde às ameaças do governo Trump

No mês passado, os Estados Unidos (EUA) enviaram pelo menos oito navios da Marinha e um submarino de ataque para uma região próxima da Venezuela, com cerca de quatro mil soldados envolvidos na operação com o argumento de combate ao narcotráfico.

Aparecendo no programa ‘Talking with Correa’ da RT nesta semana, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a operação dos EUA “não é sobre tráfico de drogas… eles precisam de petróleo e gás”. Ele disse ao anfitrião, o ex-presidente equatoriano Rafael Correa, que “a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo… a quarta maior reserva de gás”. Ele também observou que seu país tem o potencial de ostentar as “maiores reservas de ouro do mundo”.

Em 1853, algo parecido aconteceu quando a armada estadunidense, comandada pelo comodoro Matthew C. Perry (1794-1858) apareceu com os seus temíveis “navios negros” no porto de Uraga, exigindo a abertura de portos japoneses. Na história do Japão foi um evento fundamental e suas consequências econômicas foram profundas e transformadoras.

Sob a ameaça militar, em 1854 o Xogunato Tokugawa foi forçado a assinar o Tratado de Kanagawa (paz e amizade) e, mais importante, em 1858, o Tratado de Amizade e Comércio (Harris Treaty) com os Estados Unidos, seguido por acordos similares com outras potências (Reino Unido, Rússia, França e Holanda).

O Xogunato Tokugawa foi o governo militar do Japão que durou de 1603 a 1868, estabelecido por Tokugawa Ieyasu. Este período foi marcado por um governo centralizado sob a autoridade do xogum em Edo (atual Tóquio), um sistema feudal chamado bakuhan, e um rigoroso isolamento do Japão do resto do mundo.

A consequência da ação dos Estados Unidos para a economia japonesa foi a abertura forçada do país ao comércio exterior e desencadeou uma série de transformações radicais. Os tratados impuseram condições humilhantes ao Japão. Os portos de Shimoda, Hakodate, Nagasaki, Yokohama, Kobe e Niigata foram abertos ao comércio estrangeiro. Os cidadãos estrangeiros no Japão estavam sujeitos às leis de seu próprio país, e não às leis japonesas, minando a soberania nacional.

O Japão perdeu o direito de definir suas próprias tarifas de importação. Estas foram limitadas a uma taxa máxima de 5%, tornando o país incapaz de proteger suas indústrias nascentes da concorrência estrangeira.

A abertura abrupta teve efeitos imediatos e, em muitos casos, devastadores. O Japão tinha uma taxa de câmbio ouro/prata diferente do resto do mundo. Os comerciantes estrangeiros exploraram essa diferença, comprando grandes quantidades de ouro japonês e prata, levando a uma enorme fuga de reservas e à desvalorização da moeda.

A chegada da frota estadunidense enviada sob o governo do presidente Franklin Pierce, resultou na assinatura do Tratado de Kanagawa. Agora, o presidente Donald Trump tenta repetir a façanha na Venezuela. Os tempos mudaram ou nem tanto assim?

Momento de união

Durante a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), que promoverá a colaboração entre os nove países amazônicos e os nove Estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Gustavo Petro, criticaram os Estados Unidos pelo avanço militar em direção à Venezuela. Para Lula, o continente não pode ser omisso e tem que “falar de igual para igual” com os estadunidenses. “Vamos ficar calados agora e ver essas bombas caindo e matando nossas crianças ou vamos parar e nos unirmos? Lula referia-se a um míssil lançado pelos Estados Unidos sobre uma lancha civil, com 11 mortes, no mar do Caribe.

Os movimentos dos EUA visam estancar o envolvimento dos Brics na região, especialmente a China. O comércio China-América Latina passou de US$ 18 bilhões em 2002 para US$ 315 bilhões em 2020, atingindo US$ 518,4 bilhões em 2024. Além disso, a China implementou mais de 200 projetos de infraestrutura e diversos empreendimentos industriais na região, gerando mais de um milhão de empregos locais.

O Porto de Chancay, no Peru, que entrou em operação no final de 2024, com investimento de US$ 3,6 bilhões (R$ 17,8 bilhões), é o primeiro porto com maioria de capital chinês na América Latina. Através da Rota Amazônica será possível uma ligação direta e mais rápida para o transporte de mercadorias entre a Ásia e a América Latina, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. O projeto envolve cinco rotas bioceânicas – um corredor de transporte que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile – que encurtarão a distância entre o Brasil e a China em aproximadamente 10 mil quilômetros.

Além da Venezuela, a bola da vez é o Brasil. Nesta semana, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo de Donald Trump está disposto a usar “poderes econômicos e militares” para “proteger a liberdade de expressão no mundo”, uma referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em nota publicada nas redes sociais, afirmou que as perseguições do violador dos direitos humanos Alexandre de Moraes continuam… Washington responderá de forma adequada a essa “caça às bruxas”. Já o presidente Donald Trump afirmou estar surpreso com a decisão da Corte brasileira.

Também em nota nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro respondeu à ameaça de Marco Rubio e disse que a declaração não “intimidará” a democracia brasileira: “O Brasil continuará a defender sua soberania de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem.”

Desfile militar

Neste clima pesado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva organizou nesta semana uma cúpula virtual do Brics para, na justificativa oficial, coordenar estratégias focadas no multilateralismo, em resposta à nova política dos Estados Unidos de aumentar tarifas sobre seus parceiros comerciais.​​​ O que realmente foi discutido, com a participação dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, não vazou.

O Brics foi fundado em 2006 pelo Brasil, Rússia, Índia e China, com a África do Sul se juntando a ele em 2011. Em 1º de janeiro de 2024, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também se tornaram membros, assim como a Indonésia em 6 de janeiro de 2025. São países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

Uma semana após o poderoso desfile militar, em Pequim, do Dia da Vitória da China, para marcar o 80º aniversário de sua vitória na Segunda Guerra Mundial, em 3 de setembro, os chineses e os estadunidenses mantiveram um diálogo de alto nível sobre diplomacia e segurança militar.

Nesta semana, o ministro da Defesa chinês, Dong Jun, conversou por vídeo com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, a pedido deste último. Também o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, conversou por telefone com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ambas as conversas, com poucas horas de diferença, atraíram ampla atenção global. 

Em editorial, o Global Times afirma que “em um cenário de turbulência global e frequentes conflitos regionais, o aumento da frequência da comunicação de alto nível entre a China e os EUA não apenas reduz significativamente o risco de mal-entendidos e erros de cálculo, mas também cria condições favoráveis ​​para enfrentar desafios globais, como a segurança pública global e cadeias de suprimentos estáveis.”

Manchetes recentes noticiaram submarinos russos ausentes de bases ou operando furtivamente — às vezes em grupos. Agências de notícias e análises descrevem movimentações, reposicionamentos e preocupações da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em inglês NATO. Não há evidência pública e verificável de que submarinos nucleares russos estejam “perdidos” de modo que os EUA não consigam localizá-los de forma definitiva.

 

Xi Jinping propõe governança global com igualdade soberana entre países

O presidente chinês, Xi Jinping, propôs nesta semana a Iniciativa de Governança Global (GGI) na reunião da “Organização de Cooperação de Xangai Plus”, em Tianjin, China. “Espero trabalhar com todos os países por um sistema de governança global mais justo e equitativo e avançar em direção a uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade,” afirmou.

“Embora as tendências históricas de paz, desenvolvimento, cooperação e benefício mútuo permaneçam inalteradas, a mentalidade da Guerra Fria, o hegemonismo e o protecionismo continuam a assombrar o mundo”, disse Xi, acrescentando que novas ameaças e desafios só aumentam, e o mundo se encontra em um novo período de turbulência e transformação. “A governança global chegou a uma nova encruzilhada.”

A China está pronta para trabalhar com a Rússia para construir um sistema de governança global mais justo e razoável, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun. Ele confirmou que a China está disposta a cooperar com a Rússia em diversas áreas para explorar o enorme potencial das relações sino-russas. O porta-voz acrescentou que Pequim deseja que os dois países “desempenhem conjuntamente um papel ativo na resolução de grandes questões internacionais e regionais”, mantenham a estabilidade estratégica global, defendam a imparcialidade e a justiça internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou seu apoio ao projeto de reforma da governança global proposto pela China, saudando-o como uma iniciativa oportuna que visa promover laços positivos entre os países que participaram da última cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).

Putin também enfatizou que o mundo multipolar proposto por Moscou e Pequim e o novo sistema de governança global não implicariam a ascensão de novas potências hegemônicas. “Todos os países participantes da comunidade internacional devem ter direitos iguais e ocupar uma posição igual”, disse o presidente russo. Também sugeriu que os contornos de um novo mundo multipolar já tomaram forma.

É uma resposta do Sul Global, sob a liderança da China e Rússia, ao comércio mundial em alvoroço com as idas e vindas do tarifaço que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, aplicou em vários países em razão de seu déficit comercial. Sul Global é um termo geopolítico que descreve países em desenvolvimento da África, Ásia, América Latina e Oceania que enfrentam desafios históricos e socioeconômicos comuns, como colonialismo, desigualdade e dependência econômica.

Como afirma o governo chinês, o “América em primeiro lugar” não pode privar outras nações dos direitos de desenvolvimento e ficar acima das regras internacionais. Um esforço dos Estados Unidos para conter principalmente a China, líder do Brics, resistindo a uma mudança para uma ordem multipolar com esferas de influência distintas.

Antes do tarifaço, os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas; a Organização Mundial da Saúde (OMS); a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas; a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e bloquearem a nomeação de árbitros para o órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que paralisou esse mecanismo essencial para resolver disputas comerciais.

A razão comum desses atos é a lógica central da política externa do governo Donald Trump: unilateralismo e America First.  Trump vê instituições multilaterais como restrições à soberania estadunidense. Para ele, acordos e organismos internacionais impunham obrigações que limitam a liberdade de ação dos EUA e, muitas vezes, beneficiam “rivais”.

No documento conceitual sobre a Iniciativa de Governança Global, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da China, consta que o cenário internacional atual está passando por mudanças e turbulências. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o multilateralismo estão sendo desafiados. O déficit na governança global continua a crescer.

As instituições internacionais existentes mostraram três deficiências:

Primeiro, grave sub-representação do Sul Global. A ascensão coletiva de mercados emergentes e países em desenvolvimento exige o aumento da representação do Sul Global e a reparação da injustiça histórica.

Segundo, a erosão da autoridade. Os propósitos e princípios da Carta da ONU não foram efetivamente observados. Resoluções do Conselho de Segurança foram contestadas. Sanções unilaterais, entre outras práticas, violaram o direito internacional e perturbaram a ordem internacional.

Terceiro, a necessidade urgente de maior eficácia. A implementação da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável está seriamente atrasada. Questões como as mudanças climáticas e a exclusão digital estão se tornando mais salientes. Lacunas de governança existem em novas fronteiras, como inteligência artificial (IA), ciberespaço e espaço sideral.

O presidente Xi destacou cinco princípios da Iniciativa de Governança Global:

  1. Manter o compromisso com a igualdade soberana. Esta é a premissa fundamental da governança global. A igualdade soberana é a norma mais importante que rege as relações entre Estados,  princípio observado pela ONU e por todas as outras instituições e organizações internacionais. A essência da igualdade soberana é que todos os países, independentemente de tamanho, força ou riqueza, devem ter sua soberania e dignidade respeitadas, seus assuntos internos livres de interferência externa, o direito de escolher independentemente seu sistema social e caminho de desenvolvimento e o direito de participar, tomar decisões e se beneficiar do processo de governança global como iguais. O fortalecimento da democracia deve ser promovido nas relações internacionais para que o sistema de governança global reflita melhor os interesses e aspirações da maioria dos países e para aumentar a representação e a voz dos países em desenvolvimento.
  2. Manter o compromisso com o Estado de Direito internacional. Esta é a salvaguarda fundamental para a governança global. Os propósitos e princípios da Carta da ONU são normas básicas universalmente reconhecidas das relações internacionais. Eles devem ser defendidos inabalavelmente. Em áreas emergentes, as regras internacionais devem ser formuladas com base em amplo consenso. O direito e as regras internacionais devem ser aplicados de forma igual e uniforme, sem qualquer duplicidade de critérios ou imposições. A autoridade e a solenidade do direito internacional devem ser mantidas. Os principais países, em particular, devem assumir a liderança na defesa  do Estado de Direito internacional.
  3. Manter o compromisso com o multilateralismo. Este é o caminho básico da governança global. O multilateralismo é o conceito central do sistema internacional existente e da ordem internacional. O princípio da ampla consulta e da contribuição conjunta para benefício compartilhado deve ser mantido. Os assuntos globais devem ser decididos por todos, o sistema de governança construído por todos e os frutos da governança compartilhados por todos. A prática do unilateralismo deve ser rejeitada. A ONU é a plataforma central para a prática do multilateralismo e o avanço da governança global, cujo papel deve ser aprimorado, não enfraquecido. Outras instituições multilaterais globais e regionais devem explorar seus respectivos pontos fortes e desempenhar um papel construtivo. Todos os arranjos discriminatórios e excludentes devem ser evitados.
  4. Manter o compromisso com a abordagem centrada nas pessoas. Este é o valor fundamental da governança global. Os povos de todas as nações são os atores fundamentais da governança global, e seu bem-estar é o seu benefício final. O sistema de governança global deve atender às necessidades das pessoas e fomentar consistentemente sua confiança e crença em um futuro estável para ser amplamente apoiado e eficaz. Deve buscar melhorias por meio de reformas para inspirar, entre os povos de todos os países, um maior senso de realização por meio do desenvolvimento comum acelerado, um maior senso de segurança por meio de uma resposta mais eficaz aos desafios comuns da humanidade e um maior senso de bem-estar por meio do avanço dos interesses comuns de diferentes países e comunidades. 
  5. Manter o compromisso com resultados reais. Este é um princípio importante da governança global. Uma governança global eficaz é essencialmente aquela que resolve problemas reais. Dadas as estreitas ligações entre várias questões, a governança global deve ser realizada de forma mais coordenada, sistemática e holística. Deve-se abordar tanto as causas raiz quanto os sintomas para encontrar soluções sustentáveis. Deve-se abordar questões urgentes e levar em consideração os desafios de longo prazo. Os países desenvolvidos devem assumir seriamente suas responsabilidades e fornecer mais recursos e bens públicos. Os países em desenvolvimento, por sua vez, devem se unir para se fortalecer e fazer o melhor pelo mundo.

 

 

 

Criptomoedas são próximo alvo contra crime organizado

Com a megaoperação expondo fintechs como ferramenta do PCC (Primeiro Comando da Capital, considerada a maior organização criminosa do Brasil), a próxima fronteira deve ser justamente o sistema cripto. O governo federal já fala em integrar exchanges (como Mercado Bitcoin, Binance, BitPreço, etc.)  ao Drex, o real digital,  que deverá ser  emitido pelo Banco Central (BC), ainda em fase de testes.

Uma exchange, no contexto financeiro e de criptoativos, é uma plataforma digital onde compradores e vendedores podem negociar e trocar ativos, como criptomoedas e outros instrumentos financeiros, atuando como intermediária entre as partes.

Diferente do Pix (que é só um sistema de pagamento instantâneo), o Drex é moeda de fato, com lastro direto no real. Uso previsto para contratos inteligentes, pagamentos programáveis, integração com bancos, fintechs e tokenização de ativos, processo de transformar um ativo real (imóvel, ação, título público, obra de arte, ouro etc.) em um token digital registrado.

A ideia é que essas plataformas digitais se conectem ao Drex para que toda compra/venda de cripto no Brasil passe pelo sistema regulado do BC e possam ser rastreadas em tempo real. Desta forma, evitar a lavagem de dinheiro através de movimentações de stablecoins – criptomoedas como Bitcoin ou Ethereum – por serem fáceis de transferir fora do sistema bancário e usadas pelo crime organizado (como no caso do PCC).

 O GAFI (grupo internacional antilavagem) pressiona o Brasil a adotar a chamada Travel Rule, obrigando exchanges a reportar remetente/destinatário em cada transação acima de certo valor.

O Pix e as fintechs são a porta de entrada mais usada hoje no Brasil, mas não podemos esquecer que a criptomoeda ainda é um caminho mais livre para o PCC e outros grupos. A tendência é que o governo use a narrativa da megaoperação para apertar a regulação também nesse setor. De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) da Receita Federal e do Banco Central, o Bitcoin e outras criptomoedas são consideradas valores mobiliários, ou seja, títulos que geram remuneração.

O criptoativo é um ativo digital protegido por criptografia que existe em um registro eletrônico, sendo suas operações registradas numa rede descentralizada. O crime organizado usa criptomoeda pela desintermediação, transações sem passar por bancos ou fintechs reguladas. “P2P” significa peer-to-peer, ou ponto a ponto, refere-se a uma tecnologia que permite a comunicação direta entre computadores ou pessoas sem um servidor centralizado. As carteiras são identificadas por chaves, não por CPF/CNPJ, embora rastreáveis em blockchain pública, uma tecnologia de registro distribuído (Distributed Ledger Technology – DLT). Blockchain funciona como um livro-caixa digital público e imutável, onde todas as transações ficam registradas em blocos encadeados de forma criptografada.

É possível enviar valores ao exterior sem controle cambial, mesmo sendo essencial que todas as transações estejam devidamente declaradas à Receita Federal. Inclusive, determinadas criptomoedas já viraram moeda paralela em mercados ilegais, como a USDT, que mantém o valor do dólar estadunidense ou USDC, considerada uma versão digital do dólar.

Marco Legal das Criptomoedas

 No entanto, é preciso ressaltar que o Brasil já tem o Marco Legal das Criptomoedas (Lei 14.478/2022), em vigor desde 2023, que obriga exchanges a se registrarem e seguirem regras de PLD/FT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo).

O problema é que as exchanges “offshore”, plataformas fora do Brasil, ainda aceitam cadastro superficial, sem KYC robusto. KYC (sigla para Know Your Customer , ou “Conheça seu Cliente” em português) é um processo de verificação de identidade obrigatório para empresas, especialmente no setor financeiro, que serve para confirmar se um cliente é quem diz ser.

A PLD/FT coloca o Banco Central como regulador e a CVM no caso de tokens considerados valores mobiliários. Grandes exchanges no Brasil (Mercado Bitcoin, Binance, BitPreço etc.) já aplicam KYC rigoroso. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) recebe relatórios de operações suspeitas também desse setor.

Mesmo assim, ainda há brechas para o PCC, além das exchanges fora do Brasil que não exigem verificação, como a compra/venda direta entre pessoas, difícil de rastrear. Utilização de mixers ou tumblers, serviços que misturam os fundos de vários investidores para obscurecer o rasto da origem das moedas digitais, tornando mais difícil o rastreamento de transações e a associação a uma fonte original.

Tem, ainda as criptos de privacidade como a Monero (XMR), uma criptomoeda focada em oferecer anonimato total nas transações, ocultando remetente, destinatário e valor através de tecnologias como assinaturas em anel e endereços furtivos. muito mais difíceis de rastrear que Bitcoin ou Ethereum.  

Já as stable wallets são carteiras digitais de cripto que não precisam estar conectadas a um banco ou exchange regulada. Podem ser custodiais, com o controle da plataforma digital ou não custodiais, quando o usuário controla as chaves privadas. Neste caso, o usuário movimenta milhões sem precisar “avisar” a nenhum banco ou regulador.

Portanto, a megaoperação chamada “Carbono Oculto”, deflagrada na quinta-feira, 28, que desmantelou um imenso esquema de fraude, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis, é o começo de uma reação do Brasil civilizado contra ameaça da barbárie do submundo do crime instalado no Congresso, partidos e infiltrado na economia, com o objetivo de jogar o Brasil de volta ao século IX.

Essa operação impactou diretamente a Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, com significativa infiltração do PCC na economia formal do país. Foram mobilizados 1.400 agentes para cumprir 200 mandados de busca e apreensão contra 350 alvos espalhados por oito a dez estados. A investigação aponta que o esquema movimentou aproximadamente R$ 52 bilhões em postos de combustíveis entre 2020 e 2024, enquanto a sonegação fiscal superou os R$ 7,6 bilhões. É isto que está em jogo no Brasil nas próximas eleições. Um jogo perigoso e muito pesado. 

Cade permite comercialização da soja de áreas desmatadas na Amazônia

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) suspendeu esta semana a Moratória da Soja, um acordo voluntário que proibia a compra de soja produzida em áreas desmatadas na Amazônia após 2008. Essa suspensão é uma medida cautelar (provisória) e ocorre enquanto o Cade investiga a possibilidade de formação de cartel no mercado de soja. 

A suspensão teria sido motivada por uma representação encaminhada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, que aponta uma possível prática de cartel organizada por empresas ligadas à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC).

Junto a suspensão, foi instaurado um inquérito administrativo de conduta anticompetitiva para investigar 30 empresas do setor, integrantes do Grupo de Trabalho da Soja. As empresas investigadas também foram proibidas de coletar, armazenar, compartilhar e disseminar informações comerciais ou sobre a Moratória da Soja, assim como membros não podem compartilhar relatórios, listas e documentos sobre o tema.

Entre os argumentos,  produtores que têm terras legalmente desmatadas (antes de 2008 ou em outras regiões fora da Amazônia Legal) podem vender soja normalmente. Já agricultores que abriram áreas após 2008, mesmo que dentro do Código Florestal e com autorização legal, ficam impedidos de acessar o mercado das grandes tradings. Isso cria desigualdade entre produtores da mesma região e distorção concorrencial.

Segundo apuração da SG/Cade, empresas privadas concorrentes criaram o chamado Grupo de Trabalo da Soja com a finalidade de monitorar o mercado e viabilizar um acordo que estabelecesse condições para a compra da commodity no país.

Durante a suspensão da moratória será permitido que a soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia seja comercializada, o que pode gerar impactos negativos para o meio ambiente e a imagem do Brasil devido a proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, também chamada de COP30, que acontece em novembro, na cidade de Belém.

As representadas no processo administrativo foram intimadas a apresentar defesa. Ao final da instrução, a Superintendência-Geral emitirá um parecer conclusivo e encaminhará o caso ao Tribunal do Cade. Existe ainda a possibilidade de ser fixado um acordo determinado Termo de Cessação de Conduta (TCC) entre o Cade e as representadas.

Caso sejam condenadas, as associações poderão pagar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões; para as empresas, as multas variam entre 0,1% a 20% do valor do faturamento bruto da empresa no último exercício anterior à instauração do Processo Administrativo.

Agressão ao meio ambiente

Em nota, o ministério do Meio Ambiente, afirma que a Moratória da Soja é um importante acordo voluntário entre associações de empresas e sociedade civil, com o apoio do governo, para produção de soja na Amazônia. De acordo com o MMA, esse é um instrumento pioneiro e reconhecido internacionalmente, com vigência de quase 20 anos. “A perenidade do acordo indica seu sucesso e a ausência de elementos que possam, por si só, caracterizar um cartel de compra que motive uma medida preventiva”, reforça.

Ao manifestar preocupação com a decisão, destaca o princípio de defesa do meio ambiente previsto na Constituição Federal, “inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços.” A nota ressalta os critérios estabelecidos pelo acordo voluntário para uma produção sustentável de soja no bioma Amazônia, como a utilização apenas de áreas consolidadas de desmatamento para plantação da cultura, exceto as embargadas por ilegalidade, além da proibição de trabalho em condições análogas à escravidão.

O acordo assinado em 2006, considera o ano de 2008 como marco para a proibição de novos desmatamentos para produzir soja, liberando a produção agrícola em áreas desmatadas anteriormente. “A experiência da Moratória da Soja demonstrou que é possível expandir a produção agrícola de forma competitiva, com ganhos de produtividade, respeito à legislação e proteção dos direitos humanos”, informa a nota.

Segundo o governo, entre 2006 e 2023, houve expansão da produção de soja na Amazônia de 427%, enquanto no restante do Brasil ela cresceu 115%. A maior parte, 97,6% do desmatamento ocorrido nesse período no bioma não foi associado à soja.

Com Agência Brasil e Ministério da Justiça e Segurança Pública

Dançando com o lobo

“Temos que dançar com o lobo”, afirmou o então presidente da China, Jiang Zemin. Os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington e a guerra dos Estados Unidos (EUA) ao terrorismo mudaram o panorama mundial. A China percebe um reforço na presença militar norte-americana na Ásia Central, com uma contínua redisposição de forças estadunidenses da Europa para a região Ásia-Pacífico. Por isso, apoiou o apelo de Washington para cooperação internacional e ação conjunta, incluindo a adoção de resoluções do Conselho de Segurança da ONU condenando os ataques.  Naquele momento, a China dependia da paz para poder dedicar energia a sua prioridade de desenvolvimento interno. 

Passados 24 anos, o lobo continua agressivo, mas o cenário mudou. Durante a segunda administração Donald Trump (até agosto de 2025), os EUA impuseram tarifas a cerca de 190 países e territórios, dos quais o Brasil e a Índia receberam as mais elevadas. Desta vez, o objetivo principal dos ataques é a manutenção do domínio do dólar no comércio internacional, que financia a dívida pública norte-americana.

No entanto, agora existem outros lobos também com dentes afiados. Na 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro em julho passado, sob presidência do Brasil, houve avanços na identificação de caminhos para a integração dos sistemas de pagamento entre os membros do bloco, incluindo a criação de um ecossistema financeiro próprio.

A iniciativa de desdolarização é um passo concreto para proteger os países do bloco contra sanções unilaterais principalmente dos Estados Unidos e garantir maior autonomia monetária e financeira, relevante no contexto de ameaças protecionistas. 

O ciclo do domínio do dólar, que começou após o final da Segunda Guerra Mundial, está em declínio. Naquele momento, os EUA eram responsáveis por mais da metade de toda a capacidade industrial mundial e possuíam a maior parte do ouro disponível. Por isso, forçaram a decisão de lastrear as moedas que giravam no comércio global ao dólar, abandonando a libra.

Atualmente, a dívida pública dos EUA está em US$ 36,2 trilhões (R$ 196 trilhões), o equivalente a 120% do PIB, segundo o Tesouro dos EUA. O Federal Reserve elevou os juros, aumentando o rendimento dos títulos, preocupado com o refinanciamento da dívida.

A China e outros países têm reduzido suas reservas em títulos públicos norte-americanos por motivos geopolíticos e de diversificação. A crescente dívida pública dos EUA gera preocupações sobre a sustentabilidade a longo prazo. Investidores buscam alternativas, como títulos de outros países ou ativos não tradicionais como criptomoedas e ouro.

Sul Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente chinês, Xi Jinping, que está disposto a trabalhar com o Brasil para estabelecer um exemplo de unidade e autossuficiência entre os principais países do Sul Global e construir conjuntamente um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.

É uma resposta, segundo Lula, “ao objetivo do presidente Trump de desmantelar o multilateralismo, onde acordos são feitos coletivamente dentro das instituições, e substituí-lo pelo unilateralismo, onde ele negocia individualmente com outros países.”

Esse foi o objetivo dos EUA ao abandonarem o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas; Organização Mundial da Saúde (OMS); da Comissão de Direitos Humanos da ONU e da UNESCO, e bloquearem a nomeação de árbitros para o órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que paralisou esse mecanismo essencial para resolver disputas comerciais.

Xi disse ainda que a China apoia o povo brasileiro na defesa de sua soberania nacional e apoia o Brasil na salvaguarda de seus direitos e interesses legítimos, e conclamou todos os países a se unirem e se oporem resolutamente ao unilateralismo e ao protecionismo.

O presidente chinês destacou que o mecanismo do Brics é uma plataforma-chave para a construção de consenso no Sul Global e parabenizou o Brasil por sediar com êxito a cúpula do Brics realizada recentemente.

Ações malévolas

Com a tentativa do governo estadunidense de interferir no judiciário ameaçando nossa soberania, pressionando pela anistia para Jair Bolsonaro antes mesmo dele ser condenado e agora revogar o visto de entrada no país de funcionários brasileiros que atuaram no programa Mais Médicos, mostra a real face do imperialismo norte-americano.

Washington vê os Brics não como um clube econômico neutro, mas como uma ameaça estratégica crescente, e o Brasil é fundamental para o controle da América Latina pelos EUA. Trump utilizou Bolsonaro como pretexto para taxar as exportações brasileiras.

Os EUA sempre se utilizaram de uma minoria local que não tem compromissos com a defesa de seu território, muito menos sua soberania. Em troca oferecem parte da pilhagem realizada. A família Bolsonaro é apenas mais uma, como tantas no mundo, utilizadas pelo governo estadunidense.

Um exemplo é o presidente das Filipinas desde 2022, Ferdinand Marcos Jr., apelidado de Bong Bong, filho do ditador Ferdinand Marcos, que governou de 1965 até ser deposto em 1986. Bong Bong concedeu aos EUA acesso a quatro novas bases militares, elevando para nove. Uma das bases fica a apenas 400 quilômetros da região chinesa de Taiwan.

Soberania e segurança

Está na hora do governo brasileiro proteger sua soberania, aumentar sua segurança e interesses para o desenvolvimento do país. A diversificação de parcerias econômicas é uma prioridade. O tarifaço do governo Trump afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano, o que representa somente 4% das exportações brasileiras.

A autossuficiência tecnológica é fundamental, investindo pesadamente em pesquisa e desenvolvimento para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e o desenvolvimento de chips e softwares domésticos.

Nessa mesma linha, defender uma maior segurança cibernética, com a proteção de infraestruturas críticas e dados sensíveis contra possíveis ataques ou espionagem estrangeira.

Também retomar o controle da Eletrobras e a Petrobras voltar a ter uma rede de postos de gasolina, tirar suas ações da Bolsa de Nova York, reduzir a distribuição de dividendos e parar de exportar petróleo bruto e importar refinado.  

É urgente promover a conscientização sobre a soberania nacional através do sistema educacional e da mídia estatal, reforçando a unidade nacional.

Incentivar uma mídia independente que defenda os interesses nacionais. O Partido dos Trabalhadores (PT) até tentou, sem muita convicção, enfrentar a mídia corporativa, mas até agora não conseguiu.

 Essas medidas devem ser um compromisso do Brasil para proteger sua soberania e garantir seu desenvolvimento pacífico, sem se deixar influenciar por pressões externas.

Estados Unidos monitoram a soberania brasileira

Mais uma vez a embaixada estadunidense usou as redes sociais para fazer ameaças às instituições brasileiras. “O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, diz a mensagem da embaixada.

É uma intimidação explícita aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes vai levar ao plenário da Primeira Turma da Corte o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a decisão que determinou a sua prisão domiciliar.

 O Ministério das Relações Exteriores convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, pela quarta vez para dar explicações sobre as ameaças do governo de Donald Trump contra “aliados de Moraes no Judiciário”. O governo entende que as manifestações dos órgãos do Estado do país norte-americano representam clara ingerência em assuntos internos e são ameaças inaceitáveis às autoridades brasileiras.

Quem faz o trabalho sujo, completando as ações do governo norte-americano, é a extrema direita bolsonarista, numa contínua tentativa de golpe, com o apoio de parte da elite brasileira, entreguista desde os tempos da invasão dos portugueses. 

A extrema direita bolsonarista beija a bandeira estadunidense e ainda promete entregar o que resta do estado brasileiro, terras raras, Petrobras, autonomia das Big Techs, além da retirada do Brasil do Brics. Uma combinação de políticas neoliberais, que se desmancham no ar, com um viés autoritário, enquanto o cenário global avança rumo a uma ordem multilateral. Ao mesmo tempo, provoca uma discussão interna no conservadorismo brasileiro: Vamos entregar os anéis, os dedos e tudo mais e voltar ao Brasil do século XIX?

Totalitarismo

Os movimentos da extrema direita bolsonarista atrelada aos interesses do governo Trump nos levam aos escritos do cientista político estadunidense Steven Levitsky, da Universidade de Harvard, autor do livro Como as democracias morrem. Ele disse que o retorno ao poder de Donald Trump direciona os Estados Unidos a deixar de ser uma democracia e se converter no que ele chama de “um regime autoritário competitivo”, no qual as eleições seguem existindo, mas sem que as regras do jogo sejam devidamente cumpridas. 

Hannah Arendt é uma das pensadoras mais influentes do século XX no estudo do totalitarismo, tema central de sua obra As Origens do Totalitarismo (1951). Arendt argumenta que o totalitarismo não é simplesmente uma forma extrema de ditadura ou autoritarismo, mas um sistema político inédito, baseado no terror, na ideologia e na destruição da esfera pública e da individualidade. 

Segundo ela, as ideologias totalitárias fornecem uma explicação supostamente científica da história, justificando a eliminação de “inimigos objetivos”. O terror não é apenas um meio de reprimir opositores, mas um instrumento para eliminar grupos considerados “indesejáveis”.

O totalitarismo dissolve as instituições políticas e sociais que permitem o debate e a ação coletiva, substituindo-as por uma estrutura de poder monolítica. A propaganda e a mentira sistemática corroem a realidade factual.