BC é contra imprimir dinheiro para recuperar economia

A pandemia do novo coronavírus foi o imponderável que surgiu na frente do projeto liberal-financista do governo Bolsonaro, que reduz o Estado, precariza o trabalho, saúde e educação pública, fortalece o domínio do capital através da concentração de renda e avança no processo de desindustrialização. O resultado é a nação brasileira voltando ao modelo de organização econômica próximo da Plantation (monocultura para exportação), espaço a ela destinada na geopolítica imperialista, com a miséria espalhada por todos os cantos.

Ao contrário do projeto do Governo Bolsonaro, o mundo no pós-pandemia precisará de um Estado forte para enfrentar uma crise econômica e o desemprego. A Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentou esta semana dois cenários e no melhor deles o comércio internacional declinará 13% em 2020. No pior, 31,9%.

No entanto, a agenda de reformas liberais e concentradoras de renda continuam na mesa dos burocratas do governo federal, esperando a pandemia passar. Esta semana, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, avisou que a agenda das reformas é essencial para a economia brasileira e – mesmo com a pandemia da covid-19 – não pode ser totalmente abandonada.

O presidente do BC afirmou, ainda, que imprimir dinheiro para conter a crise do coronavírus não é a melhor saída. Ele saiu do economês “expandir a base monetária” e repetiu linguagem mais popular utilizada pelo secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central no governo Lula. Meirelles, que foi um dos principais executivos internacionais do americano BankBoston, deu um recado ao governo federal: é hora aumentar fortemente suas despesas para conter o impacto do coronavírus sobre a saúde e a economia.

Para Meirelles, a retração da economia agora será tão brutal que não existe risco de inflação, caso a autoridade monetária emita moeda para ajudar a turma do andar de baixo da economia. Ele entende que o Banco Central tem grande espaço para expandir a base monetária e recompor a economia. “Não há risco nenhum de inflação nessa situação”, completou em entrevista à BBC News Brasil.

O economista André Lara Resende, um dos pais dos planos Cruzado e Real, disse recentemente que “a atual política econômica do governo brasileiro está asfixiando e destruindo o Estado, o que elimina a chance de se criar uma economia de mercado saudável. “Esse viés fiscalista é fruto de mitos e de um liberalismo anacrônico de Chicago dos anos 1960.” Recado direto ao Chicago boy, ministro Paulo Guedes.

Segundo a agência Reuters, os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do G7 se comprometeram nesta semana a ampliar as ações fiscais e monetárias pelo tempo necessário para restaurar o crescimento e a confiança, abalados pelo coronavírus. O Reino Unido pagará até 80% dos salários dos empregados.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que vários governos de todo o mundo já desembolsaram US$ 8 trilhões em medidas de estímulo fiscal desde o início da crise. Nos últimos dois meses, mais de US$ 100 bilhões saíram dos mercados emergentes. O montante é três vezes maior do que o registrado na crise financeira global de 2008-2009.

Enquanto isso, no Brasil, os informais ainda estão envolvidos com uma burocracia de pura crueldade para receber 600 reais. O restante das medidas favorece bancos, sugere endividamento das pessoas e empresas ou antecipam valores que seriam recebidos no futuro.

Apesar das medidas anunciadas nas últimas semanas pelo governo federal, a maioria (60%) dos donos pequenos negócios que já buscou crédito no sistema financeiro desde o início da crise do Coronavírus teve o pedido negado. E ainda há bastante desconhecimento dos empresários a respeito das linhas de crédito que estão sendo disponibilizadas para evitar demissões (29% não conhecem as medidas oficiais e 57% apenas ouviu falar a respeito).

Esses dados foram revelados pela segunda pesquisa “O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios”, realizada pelo Sebrae entre os dias 3 e 7 de abril. O levantamento, que ouviu 6.080 empreendedores de todo o país, mostrou que além da dificuldade de acesso a crédito, os pequenos negócios também enfrentam queda no faturamento.

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