Consenso de Washington sai de cena

Aos 83 anos, faleceu domingo,11/4, em Washington, o economista inglês John Williamson que, em 1989, cunhou o termo “Consenso de Washington” para classificar as 10 medidas econômicas recomendadas na época pelas instituições sediadas na cidade, Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. O objetivo era reformar a economia dos países em desenvolvimento, atendendo principalmente os interesses do grande capital.

Casado com uma brasileira, Williamson falava fluentemente o português. Morou no Rio entre 1978 e 1981 e foi colega, como professor da PUC do Rio, de Pedro Malan e Armínio Fraga. Foi um dos fundadores do mestrado em economia da PUC do Rio, berço dos economistas do Plano Real. Ele apenas criou o nome “Consenso de Washington”, mas nem era um economista liberal.

De maneira geral, as propostas do Consenso foram as que nortearam as políticas neoliberais dos países da América Latina, voltadas basicamente a dar autonomia ao mercado, diminuir a regulação e controle da economia, reduzir o tamanho do estado e aumentar a abertura para o exterior. Nas décadas seguintes, essas medidas levaram a uma brutal concentração de renda na região e no mundo.

Nos anos 1980, governos da direita ideológica, comprometidos com laissez-faire, chegaram ao poder.  Ronald Reagan, eleito para a presidência dos EUA (1981/1989) e Margareth Thatcher (1979-1990), na Grã-Bretanha, eram os mais destacados. Em discurso na Associação Nacional de Evangélicos, em Orlando, Flórida, no dia 8 de março de 1983, Reagan usou pela primeira vez a expressão “império do mal” ao se referir à União Soviética. Para os neoliberais, o capitalismo assistencialista, com ações como o Plano Marshall do pós-guerra, havia chegado ao fim, coincidentemente no mesmo momento da desintegração da União Soviética, em 1991.

É irônico que a morte de Williamson aconteça quando o FMI e o Banco Mundial incentivam um novo e informal Consenso de Washington às avessas, com uma guinada na posição das instituições multilaterais em direção a mais gasto público para sair da crise econômica provocada pela pandemia. John Keynes na veia.

Além disso, o FMI adota uma visão favorável ao  pacote de resgate de US$ 1,9 trilhão do presidente dos Estados Unidos.  E Joe Biden apresentou  um novo pacote de estímulos à economia do país de US$ 2,3 trilhões, focado em investimentos em infraestrutura.

A proposta tem como objetivo colocar o setor corporativo dos EUA como financiador de projetos que coloquem milhões de norte-americanos para trabalhar em obras, bem como no combate à mudança climática e na promoção de serviços sociais.

Algo muito próximo do que aconteceu em 1933, quando 24,9% da massa trabalhadora norte-americana estava desempregada devido à crise de 1929, com o crash da Bolsa de Valores.

O recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, promoveu ousadas inovações contidas em uma série de programas denominado New Deal, que incluíam medidas expansionistas, rompendo definitivamente com o liberalismo e inaugurando a fase de práticas keynesianas, com intervenção estatal, ativismo monetário e fiscal. Isto permitiu a superação da Grande Depressão.

Pelo jeito, o último bastião do neoliberalismo no mundo ficará na mão do ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes.

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