Segunda onda mete medo e o desemprego avança

A segunda onda de coronavírus assombra o mundo. Na Europa novamente bloqueios, lockdown e manifestações contrárias ao novo fechamento da economia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que as mortes diárias por Covid-19 em território europeu aumentaram quase 40% na última semana.

De certa forma, a segunda onda já era razoavelmente esperada depois das grandes reaberturas na Europa. No Brasil ainda estamos na primeira onda, mas com número de mortos próximo dos 500 por dia, patamar considerado ainda muito alto. Mesmo assim, o comércio, serviços, cinemas, shoppings estão abrindo porque não tem como mantê-los fechados por mais tempo, com o risco de não abrirem mais. Esta já é uma realidade e basta olhar o número de estabelecimentos fechados por todas as cidades. Uma segunda onda no Brasil será devastadora.

Isso faz crescer incerteza em relação ao andamento da atividade econômica no Brasil para os próximos meses. Economistas reiteram necessidade de planejamento mais confiável, por parte do Ministério da Economia, para lidar com a atual crise. Recentemente, numa sessão temática semipresencial no Plenário do Senado, sobre o cenário atual, participantes afirmaram que a crise sanitária demonstrou a disfuncionalidade das regras fiscais brasileiras.

Na opinião de economistas convidados, o engessamento do orçamento em função do teto de gastos não é adequado para momentos de crise. Eles demonstraram apoio à proposta (PEC 36/2020) do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que cria regras fiscais mais flexíveis, especialmente para educação e saúde.

Setor formal afetado

O choque inicial do novo coronavírus tornou real uma situação extrema em que a maior parte das ocupações informais foi paralisada por um longo período, devido à quarentena e ao isolamento social. Agora, o setor formal passou a responder pela maior parte das ocupações perdidas no país no trimestre móvel encerrado em agosto, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgados nesta sexta-feira, 30/10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, o país perdeu 4,27 milhões de ocupações no trimestre móvel até agosto, frente aos três meses anteriores. Desse total, três milhões eram empregos com carteira assinada ou ocupações formais, como CNPJ, como empregadores e autônomos, o correspondente a 71% dos postos fechados.

A taxa de desemprego chegou a 14,4% no trimestre de junho a agosto de 2020 foi a mais alta da série histórica iniciada em 2012, crescendo 1,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (12,9%). O número de desempregados chega a de 13,8 milhões de pessoas, que representa um aumento de 8,5%, ou mais 1,1 milhão de pessoas, frente ao trimestre móvel anterior (12,7 milhões) e subiu 9,8% (1,2 milhão de pessoas a mais) em relação mesmo trimestre de 2019 (12,6 milhões).

A população ocupada de 81,7 milhões, a menor da série, caiu 5% (menos 4,3 milhões de pessoas), em relação ao trimestre anterior e 12,8% (menos 12 milhões de pessoas), frente ao mesmo trimestre de 2019. O nível de ocupação de 46,8%, também foi o mais baixo da série, caindo 2,7 pontos percentuais frente ao trimestre anterior e de 7,9 pontos percentuais contra o mesmo trimestre de 2019.

Um dos poucos otimistas com a situação atual é o ministro Paulo Guedes. “A doença está descendo, a economia está voltando, e está voltando em ‘V’, a criação de empregos está se dando a um ritmo bastante impressionante”, disse ele.

Atividades em queda

Frente ao trimestre móvel anterior, a população ocupada diminuiu em oito dos dez grupamentos de atividades analisados pela PNAD Contínua:

Indústria: 3,9%, ou menos 427 mil pessoas;

Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 4,7%, ou menos 754 mil pessoas;

Transporte, armazenagem e correio: 11,1%, ou menos 507 mil pessoas

Alojamento e alimentação: 15,1%, ou menos 661 mil pessoas;

Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas: 3,3%, ou menos 337 mil pessoas;

Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 4,4%, ou menos 740 mil pessoas;

Outros serviços: 11,6%, ou menos 510 mil pessoas;

Serviços domésticos: 9,4%, ou menos 477 mil pessoas;

 

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