Indicado pelo pai, sem preparo, sem currículo, envolvido em transações obscuras, alvo de inquéritos… Flávio Bolsonaro era um candidato improvável para enfrentalr Lula. Teve dificuldade até para achar um vice.
Se a imprensa tivesse feito as matérias que deveria (e poderia) fazer para mostrar quem era o candidato, ele, provavelmente, não sairia do chão.
Naquele primeiro momento , porém, em que a direita não definia um candidato e a reeleição de Lula já estava na rua, Flávio Bolsonaro se mostrou conveniente.
Um movimento tático: alimentava a polarização Lula-Bolsonaro, numa correlação desfavorável a Lula. Acirrando a polarização insana, abria espaço para o bom senso, uma terceira via.
Naquela altura as pesquisas já mostravam que os “nem Lula, nem Bolsonaro” eram mais 40 por cento do eleitorado.
A direita tinha um candidato forte, o governador de São Paulo, Tarcisio Freitas. Mas não podia prescindir dos 15 ou 20% de eleitores fiéis a Bolsonaro e Bolsonaro se manteve irredutivel, nem quando chamaram Michelle para vice-de Tarcísio, ele aceitou.
As interpretações são diversas mas o fato é que a terceira via não se materializou e a direita ficou refém do bolsonarismo, sem. alternativa fora de Flávio Bolsonaro para barrar o Lula IV.
Fez o que podia: abraçou-o e lhe deu uma formidável vitória no primeiro turno, elegendo todos os candidatos da familia.
No segundo turno, no mano a mano, Flávio Bolsonaro e o bolsonarismo ficaramu expostos – seu discurso, sua trajetória, suas ligações, seus compromissos…Ficou explícito o risco que representava sua eleição.
Esse sentimento levou à virada que elegeu Lula com uma vantagem de 4,4 milhões de votos.
Comprometido apenas com seus interesses, Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e deixou a direita nos braços do Lula IV.
E, pior, sem se dar conta da fraude que é o bolsonarismo, ainda acreditando que dele virá sua redenção.
