Autor: Cleber Dioni Tentardini

  • Deputados anunciam medidas para revogar extinção de fundações estaduais

    Em audiência pública, quinta-feira (07) na Assembleia Legislativa, os deputados Luiz Fernando Mainardi (PT), Luciana Genro (PSol) e Juliana Brizola (PDT) anunciaram aos servidores públicos medidas que visam revogar a extinção de quatro fundações estaduais que ainda não tiveram seus CNPJs encerrados.
    Os parlamentares vão apresentar ao governador Eduardo Leite um relatório sobre a situação de risco do patrimônio material e imaterial das instituições.
    A orientação é para que o assunto retorne ao Legislativo em forma de projeto de lei para retomar as atividades da fundações de Ciência e Tecnologia (Cientec), Zoobotânica (FZB), Piratini (TVE e FM Cultura) e Planejamento Metropolitano (Metroplan).
    No caso da instituições que já foram fechadas efetivamente, como a Fundação de Economia e Estatística (FEE), apenas o Executivo tem a competência para decidir retomar suas atividades.
    Durante a audiência, os parlamentares apresentaram um resumo do relatório e ouviram manifestações de representantes das fundações.

    A deputada Luciana Genro (PSOL) destacou a disposição dos trabalhadores em preservar o patrimônio e os serviços prestados, levando em conta que o estado não perca as parcerias, convênios e cooperações com outros órgãos e instituições. “Existem várias propostas para garantir, por um lado, os direitos dos trabalhadores que estão sendo aviltados, e os serviços prestados pelas fundações”, ponderou a deputada, incluindo também a UERGS como espaço capaz de aglutinar a produção das fundações, em especial a Cientec. Segundo ela, “está claro que não houve economia de recursos públicos”, ressaltando que a luta deve ser retomada diante de avaliação de que as propostas em curso têm chance de prosperar.

    Deputados e representantes sindicais durante audiência. Fotos: Vinicius Reis/Agência ALRS

    A deputada Juliana Brizola (PDT) reforçou a necessidade de ser retomado o debate tendo em vista que não houve a comprovação da economicidade anunciada, combinado com o discurso de sucateamento do serviço público, resultando na aceleração da precariedade de saúde, educação e segurança.
    O deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) disse que serão solicitadas informações ao Tribunal de Contas e ao governo a respeito da situação dos serviços prestados pelas fundações, a situação dos servidores e os bens materiais e imateriais. E junto ao governo, será solicitado grupo de trabalho com a representação dos servidores das fundações para a construção de alternativas.
    As fundações deixaram de cumprir suas obrigações por força da lei aprovada na Assembleia Legislativa em dezembro de 2016, mas liminares da Justiça têm resguardado os direitos dos servidores e o encerramento definitivo das atividades. Muitos servidores foram distribuídos para diversos órgãos da administração direta e em sua maioria continuam recebendo seus vencimentos e desempenhando outras funções.

    Homenagem

    Servidores da Fee prestaram homenagem ao colega Roberto Rocha. Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

    No início do debate, o funcionário Roberto Rocha, da FEE, recebeu homenagem póstuma. Ele foi um dos defensores da Fundação e o responsável, pouco antes de falecer, em outubro, pelo reingresso do RS no Sistema Nacional de Estatísticas, coordenado pelo IBGE, depois de o estado ter sido excluído pela terceirização do cálculo do PIB, resultado da contratação da FIPE para a produção dos indicadores do Estado.

    Jornalista Lirian Sifuentes, da TVE. Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

    A alegada economia de R$ 120 milhões, indicada pelo ex-governador José Ivo Sartori, não se confirmou, afirmaram as representações da Cientec, FEE, Piratini, FZB, do Sindicato dos Engenheiros RS (Senge), Semapi e CUT. Pelo Ministério Público de Contas, participou Mateus Bassani, que reforçou a disposição do MPC para ouvir as demandas dos presentes na audiência .
    A diretora do SEMAPI, Cecília Bernardi, reiterou a disposição de diálogo da entidade, tendo em vista a fragilidade dos servidores diante da insegurança a que estão submetidos, apontando para a irresponsabilidade dos gestores que promoveram as extinções. Disse que os servidores nunca foram responsáveis pelo furo das contas públicas, explicando que foi intencional a confusão entre as funções de estado e de governo para desmontar estruturas.
    Até mesmo a Procuradoria-Geral do Estado participou dessa mistificação, afirmou. Bernardi relatou o quadro de angústia e sofrimento dos servidores, defendendo a reabertura do diálogo para modernizar o estado “mas sem jogar fora o arcabouço de conhecimento e sem punir os servidores”.

    Desprezo à gestão das fundações

    Engenheiro João Vivian, do Senge. Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

    O diretor do Senge, João Leal Vivian, leu histórico da tramitação do processo legislativo que resultou na extinção da Cientec, mesmo com todo o conjunto de prestação de serviço da instituição ao avanço do desenvolvimento tecnológico do estado. Lamentou que o modelo de subvenção praticado na Cientec ao longo de sua história tenha sido desprezado, como de resto aconteceu também nas práticas de gestão adotadas pelas demais fundações, “simplificaram as equações complexas em receita e despesa, o que é erro grave”. Conforme o servidor, o desequilíbrio financeiro provocado deve ser responsabilizado. Está em curso a possibilidade de a UERGS ocupar a sede da CIENTEC, na rua Washington Luiz, assim como o aproveitamento de parte da estrutura e da tecnologia da fundação, conforme adiantou a vice-reitora da UERGS, Sandra Lemos.

    Apelo da Fundação de Proteção Especial

    O grupo de servidores e servidoras da Fundação de Proteção Especial pediu ajuda diante do grave quadro de desmonte da instituição, uma vez que clínica psiquiátrica particular foi contratada pela Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, ao custo de R$ 10 milhões durante seis meses, para alojar grupo de pessoas com deficiências abrigadas na FPE. Por sugestão da deputada Luciana Genro, o assunto será tratado na comissão para encaminhamento de providências.

    Servidores da Fundação de Proteção Especial pediram atenção dos deputados. Foto: Vinicius Reis/Agência ALRS

     

  • Projeto O Museu vai à Escola, do MCN, comemora 20 anos

    Educadores e pesquisadores do Museu de Ciências Naturais (MCN) comemoraram 20 anos do Projeto O Museu vai à Escola, junto à comunidade escolar do Tiradentes, colégio estadual da Brigada Militar, em Porto Alegre.
    Essa edição teve mostra de grupos de algas, mamíferos, plantas herborizadas, além da apresentação do kit didático de “vertebrados fósseis do RS”. Também teve palestra do biólogo Roberto Oliveira sobre as serpentes do Rio Grande do Sul.

    Alunos conferem o kit de vertebrados fósseis do RS

    Márcia Severo Spadoni, da Seção de Educação Ambiental e Museologia do MCN, diz que o objetivo é aproximar os estudantes do mundo científico, através do contato com peças de acervo. “Um museu como o nosso, com trabalhos fantásticos, tem um papel fundamental na sociedade e, portanto, tem que ir além das pesquisas e de suas coleções”, diz a educadora ambiental, formada em História com especialização em psicopedagogia.
    Roberto falou sobre as serpentes no Rio Grande do Sul

    Coleções são referências no país e exterior *
    As coleções científicas do MCN são consideradas pelos especialistas o maior acervo de material testemunho da biodiversidade dos ecossistemas terrestres e aquáticos do RS. A coleção de insetos, por exemplo, é considerada a melhor do Estado, com cerca de 400 mil exemplares, e está entre as cinco melhores do Brasil, no que diz respeito à conservação e organização.
    Além da quantidade, a qualidade das coleções é outro fator que chama a atenção dos pesquisadores de fora. Acervos conservados, atualizados e devidamente identificados frequentemente rendem elogios aos servidores, ambos indissociáveis das coleções.
    O Museu realiza ainda outras atividades como Ciência na Praça e Museu de portas abertas, que oportuniza visitas guiadas às coleções. O MCN está aberto para visitação de terça a domingo, das 10h às 17h.
    Conheça um pouco mais na reportagem Coleções da Zoobotânica somam mais de 600 mil exemplares da fauna e flora nativas.
    * Do livro Patrimônio Ameaçado (2019)

  • Marcada audiência pública para avaliar situação das fundações extintas por Sartori 

    Uma ​audiência ​pública para debater ​a​ situação​ das ​f​undações ​estaduais extintas no governo Sartori,  e dos seus servidores, foi marcada para 7 de novembro, no Plenarinho da Assembleia Legislativa.

    ​​A audiência​ foi proposta pelos parlamentares Luiz Fernando​ Mainardi​ (PT)​, Luciana Genro ​(PSol) ​e Juliana Brizola​ (PDT)​,​ que visitaram nos últimos meses a FEE (Fundação de Economia e Estatística), Fepagro (Pesquisa Agropecuária) e Cientec (Ciência e Tecnologia) em junho; Fundação Piratini (TVE e FM Cultura), em agosto; e Zoobotânica, em setembro.
    A partir dos debates na audiência, um relatório será apresentado ao governador Eduardo Leite pelos deputados.

    “A tentativa do governo anterior não se realizou. Não houve nem enxugamento da máquina, nem economia e os serviços que eram prestados estão paralisados ou em risco”, disse o deputado Mainardi após a última visita, na Fundação Zoobotânica.

    “Parece-me, após essas visitas, que a decisão de Sartori foi mais ideológica do que pragmática. Não deu certo. Servidores e cidadãos estão sendo prejudicados. Não tem sentido manter um erro que é reconhecido por todos”, conclui. ​

    Leia também: Comissão quer audiência pública para rever extinção de fundações