Os incidentes do fim de semana acrescentam novos traços ao cenário de conflito social que está se desenhando no Brasil na esteira do coronavirus.
Começou na sexta-feira em Brasilia, com uma passeata noturna ostentando tochas, estandartes e outro símbolos que lembram a Klu Klux Klan, organização racista norte-americana.
No domingo a já tradicional carreata na Esplanada dos Ministérios e a manifestação na frente do palácio do governo com faixas e cartazes contra o Supremo Tribunal Federal e pedindo intervenção militar.

O presidente no ato que pedia intervenção militar
O presidente num helicóptero sobrevoou o evento, acenando para os manifestantes. Depois, montou num cavalo da Polícia Militar e cavalgou no meio da manifestação. Foi comparado a Benito Mussollini, sargento que se tornou ditador italiano, fundador do fascismo.
Em São Paulo, torcidas de times rivais se uniram numa manifestação pela democracia na avenida Paulista, onde também se concentraram grupos bolsonaristas pedindo fechamento do STF e a volta da ditadura militar.
“O objetivo do protesto era bem claro, era a favor da democracia, era fazer uma manifestação pacífica. Porque a gente entende o que está posto no Brasil é uma guerra de narrativas”, disse o organizador do Somos Democracia, Danilo Pássaro.
Ele contou à Agência Brasil que estava combinado com a PM a dispersão às 14h, mas algumas pessoas ficaram na avenida. O grupo reunia, entre outros, torcedores de times de futebol, incluindo de torcidas organizadas.
Segundo Danilo Pássaro, havia um grupo usando símbolos neonazistas e roupas camufladas que passou no meio do que havia restado da manifestação a favor da democracia, o que acabou gerando provocação e tumulto, quando então a PM interveio.
A tropa de Choque da PM foi deslocada para a Paulista. Os manifestantes espalharam materiais na avenida para impedir o avanço da polícia. Alguns reagiram jogando objetos contra os PMs.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado informou que houve “briga generalizada na avenida” e que a “PM atuou para impedir o conflito entre os grupos antagonistas”.
A Polícia Militar teve lançar bombas de gás e balas de borracha para impedir o confronto entre os dois grupos
Pelos registros policiais, um homem de 43 anos foi levado para a Santa Casa após ser agredido. Cinco pessoas suspeita da agressão foram detidas e levadas ao 78° Distrito Policial (DP).
No Rio de Janeiro, manifestantes se concentraram na frente do Palácio Guanabara, sede do governo em protesto pela morte de João Pedro, de 14 anos, numa operação policial.
Ele estava em casa, com amigos, quando foi atingido por uma bala de fuzil num tiroteio da polícia com traficantes no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo.
A manifestação começou às 15h e ocorria pacificamente com os integrantes carregando faixas contra a morte de negros em confrontos com a polícia.
Em nota, a secretaria disse que a manifestação transcorreu “de forma pacífica”, mas que “na dispersão um grupo mais exaltado começou a arremessar pedras no Palácio Guanabara e nos policiais militares”.
A polícia lançou bombas de gás e usou spray de pimenta nos manifestantes. Houve muita correria nas ruas próximas ao Palácio.
Em Porto Alegre, manifestantes pró e contra o presidente Bolsonaro realizaram atos de protesto no centro da cidade. Os bolsonaristas concentraram-se nos arredores dos quartéis do Comando Militar do Sul. Os grupos em defesa da democracia se concentraram na Esquina Democrática.
Cercados por um forte aparato de segurança, os dois grupos trocaram provocações a 50 metros de distância um do outro. Durante a dispersão, um homem que dizia estar armado discutiu com militantes anti-Bolsonaro e foi derrubado após levar uma rasteira.
Ele acabou fugindo e o princípio de tumulto se desfez com a chegada de policiais militares. A Brigada Militar isolou pelo menos seis quarteirões da região.