Autor: da Redação

  • Exames de Bolsonaro: processo já está no STF, Lewandowski será o relator

    O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o relator do processo que envolve a publicação dos exames que o presidente Jair Bolsonaro fez para o novo coronavirus.

    Segundo o presidente, os resultados foram negativos, mas ele até agora resiste em divulgar os laudos.

    O jornal O Estado de São Paulo ganhou na Justiça o direito de divulgar os exames, mas recursos dos advogados do presidente embargam a autorização.

    O STF, agora em última instância,  vai julgar a decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, que na sexta-feira  desobrigou Bolsonaro de apresentar  os exames feitos.

    O jornal recorreu da decisão argumentando que a medida “interrompeu a livre circulação de ideias e versões dos fatos, bloqueou a fiscalização dos atos dos agentes públicos pela imprensa e asfixiou a liberdade informativa”.

     

  • EUA restringem presença de jornalistas chineses no país

    O governo chinês manifestou “forte insatisfação” e “oposição resoluta” à decisão dos EUA de restringir os vistos para jornalistas chineses por um período não maior que 90 dias.

    Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 11 , o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian,  “exigiu que os Estados Unidos corrijam seus erros imediatamente”,  caso contrário, “a China terá de adotar contramedidas”, segundo a agência oficial de notícias.

    Esse atrito em torno da movimentação de jornalistas, em ambos os países, vem se avolumando no contexto da “Nova Guerra Fria”, entre as duas potências.

    Em fevereiro, os EUA impuseram restrições à imprensa estatal da China no país, descrevendo o trabalho dos jornalistas chineses como “propaganda”.

    Em março, Pequim expulsou 13 jornalistas americanos, correspondentes  do New York Times, do Washington Post e do Wall Street Journal.

    Zhao disse agora que “os EUA estão tão arraigados na mentalidade da Guerra Fria e preconceito ideológico que têm lançado rodadas sucessivas de supressão contra as mídias chinesas”.

    Lembrou que desde dezembro de 2018, os americanos  já rejeitaram o pedido de visto de mais de 20 jornalistas chineses sem explicar as razões.

    “Os EUA continuam falando sobre reciprocidade, mas a maioria dos jornalistas americanos na China recebem visto de imprensa e residência com validade de um ano”.

    Sob a nova regra emitida pelos EUA, os jornalistas chineses só podem obter vistos por uma estadia máxima de 90 dias.

    “Há alguma reciprocidade nisso?”, perguntou o porta-voz.

    “Os Estados Unidos se orgulham da liberdade de imprensa e da transparência da mídia, mas por que temem tanto os relatos da mídia chinesa?”  provocou?

    Os jornalistas americanos na China também reclamam constantemente das restrições ao seu trabalho no país.

     

     

  • BMW investe 620 milhões de dólares em centro global na China

    BMW investe 620 milhões de dólares em centro global na China

    O BMW Group planeja investir 4,4 bilhões de yuans (US$ 620 milhões) este ano na construção de sua nova fábrica em Shenyang, capital da Província de Liaoning, nordeste da China, informou o governo local.

    O investimento será usado para concluir o edifício principal da nova fábrica da BMW Brilliance Automotive (BBA), uma joint venture entre o BMW Group e a Brilliance China Automotive Holdings Ltd., de acordo com a comissão provincial de desenvolvimento e reforma.

    Com um investimento total de 28,3 bilhões de yuans, a nova fábrica deverá ser concluída em 2022, tornando a cidade num centro de fabricação global da BMW.

    A BBA produziu o seu carro número 3 milhões na linha de produção em Shenyang em 27 de fevereiro, depois de retomar a produção nas fábricas de Tiexi e Dadong da cidade em 17 de fevereiro. O carro era um híbrido plug-in.

    A China se tornou o maior mercado de vendas do mundo para a BMW, que vendeu mais de 720 mil carros em 2019.

    Desde o lançamento do BBA em 2003, a BMW investiu mais de 52 bilhões de yuans em Shenyang e concluiu a construção de duas fábricas de veículos, uma fábrica de powertrain e um centro de pesquisa e desenvolvimento.
    (Com informações da Xinhua)

  • ONU pede proteção a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica

    O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um apelo global para que se protejam mulheres e crianças “em casa”, desprotegidas pelo confinamento provocado pela pandemia da covid-19 que exacerba a violência doméstica.

    António Guterres pediu o estabelecimento de “sistemas de alerta de emergência em farmácias e lojas de alimentos”, os únicos locais que permanecem abertos em muitos países.

    “Devemos garantir que as mulheres possam pedir ajuda de maneira segura, sem que os que as maltratam percebam”, afirmou.

    “A violência não se limita ao campo de batalha”, disse Guterres num vídeo em inglês, com legendas em francês, árabe, espanhol, chinês ou russo. Ele elmbrou o apelo recente para um cessar-fogo em todos os teatros de guerra para melhor combater a doença.

    “Infelizmente, muitas mulheres e crianças estão particularmente em risco de violência exatamente onde deveriam ser protegidas. Nas suas próprias casas. É por isso que hoje apelo por uma nova paz em casa, nas casas, em todo o mundo”, afirmou o secretário.

    “Nas últimas semanas, à medida que as pressões econômicas e sociais pioraram e o medo aumenta, o mundo vive um surto horrível de violência doméstica”, disse.

    “Peço a todos os governos que tomem medidas para prevenir a violência contra as mulheres e forneçam soluções para as vítimas, como parte dos seus planos de ação nacional contra a covid-19”, acrescentou António Guterres.

    O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já infectou mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 68 mil.

    Dos casos de infecção, mais de 283 mil são considerados curados.

    Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar situação de pandemia.

  • Instituições mantêm canais para denúncia de violência contra mulher

    Instituições mantêm canais para denúncia de violência contra mulher

    Recomendada como a melhor forma de conter a propagação da covid-19, a permanência em casa pode potencializar fatores que contribuem para o aumento da violência contra as mulheres. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos meses, o número de assassinatos, agressões e abusos aumentaram em vários países. O que motivou a organização a recomendar que os governos nacionais adotassem medidas para conter a violência de gênero e para garantir a continuidade dos serviços de assistência às meninas e mulheres.

    Devido à subnotificação, os números de denúncias registradas no Brasil não são fiéis à real dimensão do problema. Ainda assim, levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que, desde que o novo coronavírus chegou ao Brasil, policiais passaram a atender a um maior número de chamados de emergências feitos por mulheres vítimas da violência doméstica em diversos estados.

    Em São Paulo, os atendimentos da Polícia Militar aumentaram praticamente 45%, saltando de 6.775 chamados, em março de 2019, para 9.817, no mesmo mês deste ano. A quantidade de feminicídios subiu 46% no estado paulista, passando de 13 para 19 casos, na comparação dos dois meses. No Rio Grande do Norte, os casos de lesão corporal dolosa (quando há intenção de ferir) aumentaram 34%, enquanto as ameaças contra mulheres cresceram 54,3%.

    Órgãos dos poderes Judiciário e Executivo (no âmbito federal, estadual e municipal) têm procurado manter o funcionamento das instituições às quais as mulheres vítimas de violência devem recorrer para obter ajuda. Vão de aplicativos como o SOS Mulher, desenvolvido para smartphones pelo Ministério Público do Amapá e pela Prefeitura de Macapá, à plataforma de mesmo nome, que o governo de São Paulo criou e que também inclui um aplicativo que permite às vítimas de violência doméstica pedir ajuda à polícia apenas apertando um botão do celular por cinco segundos. Conheça abaixo alguns dos principais serviços e saiba como acessá-los.

    Outra ferramenta para ajudar mulheres a se defenderem e denunciarem as agressões que estejam sofrendo, sem despertar a atenção do agressor é o assistente virtual que, por meio de um chatbot, que é programa de computador que tenta simular um ser humano na conversa com as pessoas, oferece uma forma silenciosa de as mulheres pedirem ajuda e de receberem orientações dentro de suas próprias casas.

    O número disponibilizado para ajudar mulheres de todo o país é o Whatsapp 11 – 944942415. O serviço é gratuito e válido para todo o país. Ali, após responder a algumas perguntas que identifiquem o grau de risco que ela corre, a vítima recebe o suporte apropriado.

    A ferramenta resulta de parceria entre o Instituto Avon, a Uber e a agência de publicidade Wieden+Kennedy. De acordo com Mariana Borga, diretora de criação da agência, a assistente virtual foi criada com a ideia de ter uma identidade que pudesse “se camuflar entre os contatos da vítima e, ao mesmo tempo, transmitisse o papel acolhedor da iniciativa”.

    Segundo os parceiros, se houver necessidade de a pessoa agredida ir até um hospital, unidade de saúde, delegacia ou um centro de assistência social e psicológica e orientação jurídica em situação de violência, ela receberá um código que dará direito a uma viagem gratuita no aplicativo da Uber para esse deslocamento.

    Ligue 180 e disque 100

    A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, é responsável por receber e analisar violações de direitos humanos de todo o Brasil. O órgão recebe também as denúncias de violência contra a mulher. Discando gratuitamente para os telefones 180 ou 100, a denunciante também pode receber orientações sobre seus direitos e outros serviços próximos. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias. A Ouvidoria Nacional também pode ser acionada por mensagem eletrônica, enviada para: ligue180@mdh.gov.br.

    Aplicativo Proteja Brasil

    Produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela então Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (atual Ministério dos Direitos Humanos), o aplicativo para smartphones e tablets continua disponível para sistemas Android e IOS.

    Gratuito, ele permite à usuária fazer denúncias direto pelo aplicativo, localizar órgãos de proteção nas principais capitais e se informar sobre seus direitos e diferentes tipos de violações. O aplicativo também recebe denúncias de locais sem acessibilidade, de crimes na internet e de violações relacionadas a outras populações em situação vulnerável. As denúncias são encaminhadas diretamente para o serviço de atendimento do governo federal.

    Centros de referência especializados

    São espaços públicos que prestam acolhimento, atendimento psicológico e social e orientação jurídica às mulheres em situação de violência. O atendimento não depende de encaminhamento de outro serviço, bastando à pessoa comparecer para ser atendida. Para saber o endereço e o telefone do serviço em uma determinada região, basta ligar, grátis e confidencialmente, para o Ligue 180.

    Casas-abrigo

    As casas-abrigo são locais destinados a abrigar, temporariamente e com segurança, mulheres em situação de violência doméstica e familiar, sob risco de morte iminente, bem como seus filhos (crianças e adolescentes – a idade máxima é variável conforme a Casa). O acesso ao serviço depende de encaminhamento por parte de outro serviço da rede de atendimento à mulher em situação de violência, como as delegacias especializadas de atendimento à mulher; Defensoria Pública; centros de Referência/ Especializados de Atendimento à Mulher e Centros de Referência de Assistência Social (Creas).

    Em alguns casos, o encaminhamento também pode ser feito por juizados especializados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e promotorias especializadas

    Levantamento do IBGE apontou que, em 2018, apenas 2,4% das cidades brasileiras contavam com este tipo de serviço – concentrado sobretudo nas cidades com mais de 500 mil habitantes, que detém 58,7% dos abrigos existentes à época. É possível se informar sobre o serviço telefonando para o Ligue 180. Como a localização das casas-abrigo é sigilosa, só com o encaminhamento de um outro órgão a pessoa é informada para onde se dirigir.

    Casas de acolhimento provisório

    Trata-se de um serviço de abrigamento temporário de curta duração (até 15 dias), não-sigiloso, para mulheres em situação de violência, acompanhadas ou não de seus filhos, que não correm risco iminente de morte. Atendem não só às vítimas de violência doméstica e familiar, mas também as que sofrem outros tipos de violência, em especial vítimas do tráfico de mulheres. O abrigamento provisório deve garantir a integridade física e emocional das mulheres, bem como realizar diagnóstico da situação da mulher para encaminhamentos necessários. Ligue 180 para se informar sobre as formas de acesso ao serviço na sua região.

    Delegacias especializadas

    Unidades especializadas das polícias civis dos estados, as delegacias da mulher realizam ações de prevenção, proteção e investigação dos crimes de violência doméstica e violência sexual contra as mulheres. Nelas, é possível registrar boletins de ocorrência, solicitar medidas protetivas de urgência, entre outros serviços. Infelizmente, a maioria das cidades brasileiras ainda não conta com este tipo de atendimento especializado.

    Levantamento divulgado pelo IBGE no ano passado apontou que, até o fim de 2018, em 91,7% dos municípios não tinha delegacia especializada. Para saber se sua cidade ou região conta com o serviço, ligue gratuitamente para o telefone 180, ou para o 197, da Polícia Civil, que também pode informar os horários de funcionamento. Em muitas localidades, na falta de delegacias especializadas, há, nas delegacias comuns, núcleos ou postos de atendimento que contam com equipe para atender mulheres em situação de violência.

    Violência sexual

    Há, no Sistema Único de Saúde (SUS), serviços de saúde especializados no atendimento às mulheres de qualquer idade, vítimas de violência sexual. Segundo normas técnicas, devem contar com equipes multidisciplinares (psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos) aptas a lidar com estas situações. Além do apoio psicossocial, estas unidades oferecem assistência à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis – incluindo o HIV. A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) pode informar o telefone e o endereço do serviço médico em cada localidade.

    Patrulhas e rondas Maria da Penha

    Trata-se de serviço de patrulhamento especializado que, em geral, funciona 24 horas por dia, atuando para coibir a violência contra as mulheres, fiscalizando especialmente o cumprimento de medidas protetivas. Em algumas unidades da federação, o serviço é realizado pelas guardas municipais. Normalmente, a inclusão no serviço acontece por meio de decisão judicial, mas muitas patrulhas já atuam a partir de acionamento via rádio e aplicativos – mesmo que a mulher não tenha medida protetiva em vigor. Na ausência do serviço, contudo, a Polícia Militar deve ser imediatamente acionada pelo telefone 190 – sobretudo em caso de urgência.

    Defensorias especializadas

    As defensorias públicas são órgãos do Poder Judiciário encarregadas de atender pessoas que não possuem condições financeiras para pagar pelo serviço de um advogado. Entre elas, há estruturas voltadas exclusivamente à prestação de assistência jurídica gratuita às mulheres em situação de violência, garantindo orientação jurídica adequada e acesso à Justiça. São os Núcleos Especializados no Acolhimento e Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar (Nudems). Nas localidades onde não há Defensoria Pública Especializada, o caso é atendido pela equipe não especializada disponível. O modo mais fácil de se informar sobre endereços e telefones do serviço, além do horário de funcionamento, também é telefonar para o Ligue 180.

    Promotorias especializadas

    As promotorias especializadas em violência doméstica e familiar contra a mulher são as unidades especializadas do Ministério Público (MP), encarregado de atender à população nos casos previstos em lei. Nas promotorias é possível solicitar o início ou o prosseguimento de investigações e a concessão, pela Justiça, de medidas protetivas de urgência nos casos de violência contra a mulher.

    As promotorias também podem fiscalizar a prestação de serviços e o estabelecimentos públicos e privados que integram a rede de atendimento à mulher em situação de violência. O atendimento não depende de encaminhamento de outro serviço, bastando à pessoa interessada comparecer ao órgão – cujo endereço e horário de funcionamento também pode ser consultado por meio do telefone 180 ou ligando para o Ministério Público em sua cidade ou região.

    Juizados especializados

    Os juizados ou varas especializadas são órgãos da Justiça responsáveis por processar, julgar e executar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, conforme previsto na Lei Maria da Penha. Para ter acesso ao Juizado/Vara, é necessário que o caso de violência seja judicializado – ou seja, depende de registro de Boletim de Ocorrência ou de alguma ação do Ministério Público ou da Defensoria Pública (ver item anterior). A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) poderá informar o telefone e o endereço do serviço.

    (Com informações de Alex Rodrigues e Alana Gandra, da Agência Brasil)

     

  • SC teve mais de 4 mil casos de violência doméstica no mês da mulher

    SC teve mais de 4 mil casos de violência doméstica no mês da mulher

    Em apenas 22 dias, 4.124 denúncias de violência doméstica foram comunicadas à Secretaria de Estado de Segurança Pública em Santa Catarina. Isso quer dizer que todos os dias, em média, 188 pessoas podem ter sofrido algum tipo de abuso dentro do contexto do próprio lar. A grande maioria das vítimas é mulher, e os principais algozes, seus maridos, companheiros ou pais de família.

    Este retrato ainda é superficial, pois nem todos as situações são relatadas e, segundo a própria SSP, este mês teria sido atípico por conta da quarentena imposta pelo combate ao coronavírus. Se ficar em casa protege da covid-19, ao mesmo tempo expõe muitas mulheres ao risco da violência. Foi durante a quarentena que mais um bárbaro assassinato vitimou uma médica de 60 anos em Itapema, norte do estado, no último dia 20 de março. A médica foi estrangulada pelo próprio marido na casa onde ambos se resguardavam.

    No Paraná, a Polícia Militar (PM) identificou um aumento dos casos de violência doméstica no primeiro fim de semana após o início do período de confinamento. 217 registros foram realizados entre os dia 20 e 21 de março. No final de semana anterior, este número foi 189.

    No estado do Rio de Janeiro, o número de casos saltou para 50%.

    Já em Santa Catarina, o mais recente boletim divulgado pela Secretaria de Segurança pública fala em queda de 35,6% nos registros de violência doméstica, mas compara apenas dois dias: o dia 16 de março, quando 154 boletins teriam sido registrados, e o dia 22.

    Para a coordenadora da Câmara Temática Mulheres na Arquitetura, Juliana Dreher, a falta de privacidade das vítimas pode inibir o registro de ocorrências. “Confinadas em casa, na maioria das vezes junto com o agressor, há uma subnotificação pois a vítima não vai conseguir fazer a denúncia sem que ele fique sabendo”, observa.

    Antes mesmo da pandemia e a despeito das campanhas em evidência país afora, os números deste tipo de violência vem mostrando crescimento. O feminicídio fez 1.310 vítimas fatais no Brasil no ano passado, segundo apurou a Folha de São Paulo. Em 2018, este número foi de 1.222.

    A coordenadora da Câmara Temática Mulheres na Arquitetura do CAU/SC, Juliana Dreher, faz um alerta: a violência não escolhe classe social. “Existe uma negação que a violência doméstica ocorra em algumas classes sociais, mas todas as mulheres podem passar por situações como esta”, afirma a arquiteta, que integra o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM-Fpolis).

    Acompanhamento na capital

    O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cremv), da Prefeitura de Florianópolis está oferecendo atendimento online por telefone, e-mail e WhatsApp. Todas as mensagens são respondidas por profissionais do Centro, como psicólogas e assistentes sociais. O atendimento é oferecido pelo telefone e WhatsApp 48 99957 2148 das 10h às 16h. Quem preferir também pode entra em contato através do e-mail cremv@pmf.sc.gov.br e da fanpage www.facebook.com/cremv.cremvfloripa.1

    Tipos de violência contra a mulher

    Violência contra a mulher – é qualquer conduta – ação ou omissão – de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.

    Veja os tipos de violência previstos no artigo 7º da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha)

    Violência de gênero – violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.

    Violência doméstica – quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.

    Violência familiar – violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).

    Violência física – ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.

    Violência institucional – tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.

    Violência intrafamiliar/violência doméstica – acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.

    Violência moral – ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.

    Violência patrimonial – ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.

    Violência psicológica – ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.

    Violência sexual – acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.

    Como registrar boletim de ocorrência

    1-    Acessar o site da Polícia Civil www.pc.sc.gov.br

    2-  Busque a Delegacia Virtual e verifique na listagem que fica no centro da página qual é o crime.

    3-    A partir daí é só responder com alguns cliques como ocorreu o fato.

    Se não encontrar o crime:

    Registre a sua ocorrência na opção “Outras Ocorrências”. O registro então será encaminhado pelo operador e despachado por um delegado de polícia.

  • Denúncias de violência contra a mulher cresceram com isolamento, diz ministra

    Denúncias de violência contra a mulher cresceram com isolamento, diz ministra

    A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, associa o isolamento social, recomendado pelo Ministério da Saúde e determinado pelos governos estaduais, para conter o avanço do novo coronavírus, ao aumento dos casos de violência doméstica contra a mulher no país.

    “Nos preocupa muito a expectativa do aumento da violência contra a mulher, o que já aconteceu em outros países, especialmente os países da Europa”, disse.

    Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), a média diária entre na primeira quinzena de março foi de 3.045 ligações recebidas e 829 denúncias registradas, contra 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias registradas na segunda quinzena, um aumento percentual de 8,47%.

  • Mundo tem 3,8 milhões de casos de covid-19; Brasil é 6º em mortes
    Socorro a paciente com dificuldade de respiração. Foto: Bruno Kelly / Reuters /Agência Brasil

    Mundo tem 3,8 milhões de casos de covid-19; Brasil é 6º em mortes

    O acumulado de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus em todo o mundo chegou a 3,8 milhões. O balanço foi divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na manhã de sábado (9). Há uma semana eram 3,2 milhões de casos, o que representa um aumento de 20%. Há um mês, havia 1,43 milhão de casos. Em 30 dias, o acréscimo foi de 265%.

    As mortes chegaram a 265,8 mil em todo o planeta. Há uma semana, eram registrados 230,1 mil óbitos. Em sete dias, o crescimento foi de 15%. Há um mês, a OMS anunciava 85,7 mil mortes. De lá até agora, o índice mais do que triplicou.

    A pandemia está concentrada sobretudo na Europa e nas Américas. O primeiro continente concentra 1,68 milhão de casos confirmados. Já a segunda região reúne 1,63 milhão de pessoas infectadas. Em seguida vêm a área definida como Mediterrâneo, com 246 mil, o Pacífico do Oeste, com 158 mil, o Sudeste Asiático, com 90,8 mil, e a África, com 40,5 mil.

    Brasil

    O Brasil assumiu a sexta colocação em número de mortes, com 9,14 mil. O país só fica atrás da França (26,18 mil), Espanha (26,25 mil), Itália (30,2 mil), Reino Unido (31,24 mil) e Estados Unidos (69,88 mil).

    Em relação ao número de casos confirmados, o Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial da OMS, com 135,1 mil. Acima do país estão Turquia (135,56 mil), França (136,57 mil), Alemanha (168,55 mil), Rússia (198,67 mil), Reino Unido (211,36 mil), Itália (217,18 mil), Espanha (222,85 mil) e Estados Unidos (1,24 milhão).

    (Com informações da Agência Brasil e do site da OMS)

  • STF vai decidir se Bolsonaro tem que mostrar os exames
    Bolsonaro minimizou a pandemia porque estava imunizado? Só o laudo pode esclarecer. Foto: PR

    STF vai decidir se Bolsonaro tem que mostrar os exames

    Os exames de Jair Bolsonaro para o coronavirus devem ser o próximo capítulo da “guerra” do presidente da República com o STF, o Supremo Tribunal Federal.

    Quem pede os laudos na Justiça é o jornal O Estado de São Paulo, com base na Lei de Acesso à Informação. Até agora, Bolsonaro resiste em mostrar os exames que fez.  O STF é o último recurso.

    Em primeira instância, no dia 22 de abril, a juiza Ana Lúcia Pinto, da 14ª Vara da Justiça Federal em São Paulo  acolheu a demanda do Estadão.

    Ela deu 48 horas para Bolsonaro apresentar “os laudos de todos os exames a que se submeteu para a detecção da Covid-19, inclusive aqueles eventualmente realizados com o uso de pseudônimo”.

    Os advogados da União recorreram ao Tribunal Regional Federal da 3a. Região, que confirmou a sentença  e deu  cinco dias para apresentação dos laudos, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

    Para o tribunal, “todos os documentos que se relacionam ao conjunto de atos e condições de um agente político como o presidente da República são relevantes para a história do país”.

    O TRF3 entendeu também que não cabe a invocação da intimidade, da privacidade e do caráter personalíssimo da informação, porque o 31 da Lei de Acesso à Informação autoriza a obtenção dos exames médicos.

    Nessas hipóteses, “as informações pessoais podem ser liberadas sem o consentimento do interessado, quando forem de interesse público”.

    A AGU, então, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, o STJ, última instância  para questões não diretamente relacionadas à Constituição.

    Na sexta-feira, 8,  ao final do expediente, o  ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) desobrigou Bolsonaro de apresentar os laudos dos exames que fez desde 7 de março, quando visitou os Estados Unidos e 23 pessoas de sua comitivas foram contaminadas.

    Para o ministro, “a administração pública não pode ser compelida a apresentar o resultado de exames de saúde de pessoa física ocupante de cargo público, pois isso extrapola seu âmbito de atuação”.

    Antes de julgar o caso, o ministro Noronha já havia manifestado sua  posição em entrevista. Um dia antes, ele disse ao Jota, portal especializado:

    “Não é porque o cidadão se elege presidente ou ministro que não tem direito a um mínimo de privacidade. A gente não perde a qualidade de ser humano por exercer um cargo de relevância na República. Outra coisa, já perdeu até a atualidade, se olhar, não sei como está lá, o que adianta saber se o presidente teve ou não coronavírus se foi lá atrás os exames?”.

    Depois disso, a AGU recorreu ao STJ, e o caso foi distribuído a Noronha.

    O fato foi invocado para demonstrar que o ministro arranhou  a Lei Orgânica da Magistratura, em seu artigo 36, inciso III:

    “É vedado ao magistrado:

    III – manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.

    A decisão ainda comporta recurso ao Supremo Tribunal Federal, o STF, que tem sido um dos alvos das investidas autocráticas do presidente. Será o embate da próxima semana.

    Quando Bolsonarao fez os primeiros testes, em março, a CNN dos Estados Unidos chegou a noticiar que o resultado fora positivo, dando como fonte da informação um dos filhos do presidente. A notícia foi prontamente desmentida, mas o laudo nunca foi mostrado.

    Quando começou o processo na Justiça, o presidente declarou que se sentiria “violentado” se tivesse que revelar os exames.

    Quando a ação ainda estava na primeira instância, a União chegou a apresentar um relatório médico, feito por profissional da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmando que Bolsonaro não tinha sido infectado.

    Os laudos que atestavam o fato, porém, não foram anexados. A Justiça considerou o relatório insuficiente.

    No dia 30 de abril, Bolsonaro afirmou, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que pode ter tido coronavírus, mas não sentiu.

    Desde o início da pandemia, o presidente realiza periodicamente passeios nas ruas, cumprimentando cidadãos. Ele também faz críticas a medidas de isolamento determinadas por estados e municípios.

    A crítica contudente  feita na semana passada pela revista Lancet ao comportamento do presidente brasileiro frente à pandemia torna especialmente delicada essa questão do laudo de Bolsonaro.

    Reconhecida mundialmente pelos critérios científicos que orientam seus artigos, a Lancet publicou um relatório especial em que conclui: Bolsonaro por suas ações e omissões, é “uma ameaça” à luta contra o coronavirus no Brasil.

    A Lancet destacou que a “desconsideração e o desrespeito” de Bolsonaro  em relação às recomendações da Organização Mundial da Saúde atrapalham a resposta do país à pandemia. Suas atitudes, segundo a revista, despertam confusão na população.

    Essa percepção da comunidade científica internacional tende a potencializar a questão dos laudos dos exames de Jair Bolsonaro para o coronavirus.

  • Rio Grande do Sul terá modelo de distanciamento controlado com níveis de restrições

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apresentou o modelo de distanciamento controlado para enfrentamento ao coronavírus, que passa a valer a partir de segunda-feira, 11.

    Prevê quatro níveis de restrições, representados por bandeiras nas cores amarela, laranja, vermelha e preta, que irão variar conforme a propagação da doença e a capacidade do sistema de saúde em cada uma das 20 regiões pré-determinadas.

    O monitoramento será diário, mas a atualização da bandeira ocorrerá semanalmente, divulgada sempre aos sábados, valendo para a semana seguinte.

    “O coronavírus está aí e permanecerá por mais alguns meses. Teremos de conviver com essa situação, e a imensa maioria da população ainda não entrou em contato com o vírus, ou seja, não tem sistema imunológico preparado para a doença. Se o vírus circular menos, exigirá menos do nosso sistema de saúde e, assim, conseguiremos prestar atendimento a todos que tenham necessidade”, explicou o governador.

    Cada região será avaliada por meio de 11 indicadores consolidados em dois grandes grupos, com pesos iguais na definição das cores de bandeira.

    • propagação (velocidade do avanço, estágio da evolução e incidência de novos casos sobre a população);
    • capacidade de atendimento (capacidade de atendimento e mudança da capacidade de atendimento).

    As cores

    Amarela – risco médio/baixo.
    A região encontra-se com alta capacidade do sistema de saúde e baixa propagação da doença.

    Laranja – risco médio.
    Significa que a região está com um dos dois cenários: média capacidade do sistema de saúde e baixa propagação do vírus ou alta capacidade do sistema de saúde e média propagação do vírus.

    Vermellha – risco alto.
    A região encontra-se em um dos dois cenários: baixa capacidade do sistema de saúde e média propagação do vírus ou média/alta capacidade do sistema de saúde, porém alta propagação do vírus.

    Preta – risco altíssimo.
    Região encontra-se com baixa capacidade do sistema de saúde e alta propagação do vírus.

    Regiões

    Foram definidas 20 regiões, a partir da junção de algumas das 30 Regionais de Saúde (R01, R02, R03 etc.), de tal modo que existam hospitais de referência para leitos de UTI dentro de cada uma das novas regiões.

    Os agrupamentos levam o nome da respectiva cidade mais populosa:

    1. Santa Maria (R01 e R02)
    2. Uruguaiana (R03)
    3. Capão da Canoa (R04 e R05)
    4. Taquara (R06)
    5. Novo Hamburgo (R07)
    6. Canoas (R08)
    7. Porto Alegre (R09 e R10)
    8. Santo Ângelo (R11)
    9. Cruz Alta (R12)
    10. Ijuí (R13)
    11. Santa Rosa (R14)
    12. Palmeira das Missões (R15 e R20)
    13. Erechim (R16)
    14. Passo Fundo (R17, R18 e R19)
    15. Pelotas (R21)
    16. Bagé (R22)
    17. Caxias do Sul (R23, R24, R25 e R26)
    18. Cachoeira do Sul (R27)
    19. Santa Cruz do Sul (R28)
    20. Lajeado (R29 e R30)

    Setores

    O modelo divide as atividades econômicas em 12 grupos, sendo que cada um é dividido em tipos e subtipos.

    Por exemplo, “Serviços” tem 14 tipos diferentes, entre os quais “artes, cultura, esportes e lazer”, que está subdividido em quatro subtipos: “casas noturnas, bares e pubs”; “eventos, teatros, cinemas”; “academias”; e “clubes sociais e esportivos”.

    Confira os grupos:

    • Administração pública
    • Agropecuária
    • Alojamento e alimentação
    • Comércio
    • Educação
    • Indústria da construção
    • Indústria de transformação e extrativista
    • Saúde
    • Serviços
    • Serviços de informação e comunicação
    • Serviços de utilidade pública
    • Transporte

    Regras gerais

    Para a abertura de estabelecimentos ao público, deverão ser observadas na íntegra:
    • as regras previstas nos Decretos de Calamidade, especialmente o de nº 55.154, de 16 de abril;
    • as Portarias da Secretaria de Saúde (SES) para atividades específicas;
    • os atos das autoridades municipais competentes, fundamentados com respaldo em evidências científicas e em análises sobre as informações estratégicas em saúde.

    Deverão ser adotadas medidas eficazes de fiscalização do cumprimento das três regras acima e dos protocolos delas decorrentes.

    Recomenda-se que todos os estabelecimentos elaborem planos de contingência para a operação das atividades em conformidade com os protocolos que seguem.