Autor: da Redação

  • Inscrições para o Enem 2020 começam na segunda-feira

    As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 começam na próxima segunda-feira (11) e vão até o dia 22 de maio. Elas poderão ser feitas por meio da página do Enem na internet.

    Enem digital

    A partir deste ano o Enem terá duas modalidades de provas, as impressas, com aplicação prevista para os dias 1º e 8 de novembro, e as digitais, para os dias 22 e 29 de novembro. O participante que optar por fazer o Enem impresso não poderá se inscrever na edição digital e, após concluir o processo, não poderá alterar sua opção.

    A estrutura dos dois exames será a mesma. Serão aplicadas quatro provas objetivas, constituídas por 45 questões cada, e uma redação em língua portuguesa. Durante o processo de inscrição, o participante deverá selecionar uma opção de língua estrangeira – inglês ou espanhol.

    Neste ano, será obrigatória a inclusão de uma foto atual do participante no sistema de inscrição, que deverá ser utilizada para procedimento de identificação no momento da prova. O valor da taxa de inscrição é de R$ 85 e deverá ser pago até 28 de maio.

    Isenção de taxa

    De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), todos os participantes que se enquadrarem nos perfis especificados nos editais, mesmo sem o pedido formal, terão isenção da taxa. A regra vale tanto para os participantes que optarem pelo Enem impresso quanto para os que escolherem o Enem digital e se aplica, inclusive, aos isentos em 2019 que faltaram aos dois dias de prova e não tenham justificado ausência.

    Portanto, no ato da inscrição para o Enem 2020, terão isenção de taxa os candidatos que estejam cursando a última série do ensino médio este ano, em qualquer modalidade de ensino, em escola da rede pública declarada ao Censo da Educação Básica; tenham feito todo o ensino médio em escolas da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada e tenham renda per capita familiar igual ou inferior a um salário mínimo e meio; ou declarem estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por serem membros de família de baixa renda e que estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), que requer renda familiar per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal de até três salários mínimos.

    Acessibilidade

    A Política de Acessibilidade e Inclusão do Inep visa dar atendimento especializado aos participantes que necessitarem. Para facilitar a compreensão no momento da inscrição, os atendimentos específicos (gestantes, lactantes, idosos e estudantes em classe hospitalar) foram incluídos na denominação “especializado”. As solicitações para esses atendimentos também deverão ser feitas entre 11 e 22 de maio. Os resultados serão divulgados em 29 de maio. Para os pedidos que forem negados, está prevista uma fase para apresentação de recursos. O resultado final estará disponível no dia 10 de junho.

    Os pedidos de tratamento por nome social serão feitos entre 25 e 29 de maio, com previsão de divulgação dos resultados em 5 de junho. O período para apresentação de recursos será entre 8 e 12 de junho e a disponibilização dos resultados finais em 18 de junho.

  • Viaduto dos Açorianos está interditado por ‘grave dano estrutural’
    Viaduto passa sobre a avenida Loureiro da Silva, 1ª Perimetral, no Centro de Porto Alegre. Foto: Cleber Dioni Tentardini/Arquivo JÁ

    Viaduto dos Açorianos está interditado por ‘grave dano estrutural’

    O Viaduto dos Açorianos, na Borges de Medeiros, sobre a avenida Loureiro da Silva, 1ª Perimetral, no Centro de Porto Alegre, foi interditado neste domingo, 10, por questões de segurança.

    Após vistoria pelos técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), foi constatado grave dano estrutural nos elementos do encontro sul da construção.

    Localizado  no Centro Histórico, o viaduto construído em 1973 possui 202 metros de comprimento, com cinco vãos livres, duas pistas de rolamento, três faixas de tráfego em cada uma, além de passeios públicos em ambos os lados e um divisor físico de concreto entre as pistas.

    Ferros expostos na estrutura

     

    Trânsito 

    A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informa que os veículos que circulam em direção ao Centro pela avenida Praia de Belas serão direcionados para a 1ª Perimetral, onde podem acessar a rua Gen. Lima e Silva, à esquerda, e seguem pela rua Cel. Fernando Machado até chegar à avenida Borges de Medeiros.

    Parada de ônibus interditada na avenida Borges de Medeiros

    Para quem trafega via Borges em direção à Zona Sul será permitido acessar a rua Demétrio Ribeiro, à esquerda, para chegar à rua José do Patrocínio e alcançar a Perimetral para então seguir via avenida João Pessoa. Ou, no sentido oposto, em direção à Orla do Guaíba para seguir pela av. Edvaldo Pereira Paiva, ou retornar na Câmara dos Vereadores, para seguir na Loureiro da Silva até a rua Antônio Klinger Filho e chegar à av. Borges de Medeiros.

    As duas paradas de ônibus do trecho, uma em cada sentido, estão desativadas temporariamente, enquanto os coletivos e lotações realizarão os mesmos desvios.

    As informações serão atualizadas, em tempo real, pelo twitter @EPTC_POA.

  • Gravação da reunião de Bolsonaro com ministros já está com o STF
    O ministro Celso de Mello, vai decidir sobre a gravação. Foto: EBC

    Gravação da reunião de Bolsonaro com ministros já está com o STF

    O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu na sexta-feira à noite a cópia da gravação de uma reunião, realizada no dia 22 de abril, entre o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, ministros e presidentes de bancos públicos.

    O registro da reunião foi solicitada pelo ministro, que determinou que a gravação  seja mantida em segredo de Justiça.

    A divulgação da gravação pode ser constrangedora para o governo Bolsonaro, por manifestações inconvenientes inclusive com ofensas ao STF.

    No despacho proferido na terça-feira (5), Celso de Mello pediu a cópia da gravação à Secretaria-Geral e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República ao atender o pedido de diligência feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura as declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, sobre suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

    A reunião foi citada por Moro em depoimento à PF na semana passada.

    Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da Polícia Federal.

    As imagens da reunião foram entregues pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral, em um HD externo. De acordo com documento que comprova a entrega, a mídia “contém o inteiro teor, sem qualquer edição ou seleção de fragmento” da gravação da reunião.

    Durante a semana, antes da entrega, a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu restrições ao envio da gravação. Na primeira petição, a AGU pediu que a entrega fosse revogada “pois nela foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”.

    Ontem (7), o órgão pediu que o ministro também analisasse a possibilidade de entregar somente uma parte da gravação da reunião.

    No início da tarde de hoje, a AGU solicitou que seja definida a cadeia de custódia, ou seja, por quais órgãos o vídeo deve passar até que seja periciado.

    Após receber as manifestações do órgão, Celso de Mello pediu parecer da PGR sobre o assunto.

     

  • Força-tarefa apura compra de respiradores pelo Governo de SC

    O Ministério Público de Santa Catarina, a Polícia Civil e o Tribunal de Contas do Estado formalizaram uma Força-Tarefa para investigar a aquisição pelo Estado, por dispensa de licitação com pagamento antecipado, de 200 ventiladores pulmonares (processo de dispensa de licitação SES 37070/2020) e seus desdobramentos, incluindo procedimentos conexos e correlatos.

  • Justiça suspende atividades nas empresas BRF e Minuano em Lajeado

    Atendendo pedidos do Ministério Público em ações civis públicas ajuizadas pelo promotor de Justiça Sérgio Diefenbach, na última segunda-feira, 04, a Justiça decidiu, liminarmente, pela paralisação de atividades dos frigoríficos BRF e Minuano, em Lajeado.

    No caso da BRF, a juíza Carmen Luiza Rosa Constante Barghouti determinou nesta sexta-feira, 08, a paralisação integral, no prazo de 48h de toda a atividade na planta industrial da empresa por 15 dias, com a fixação de multa diária no valor de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

    Conforme a decisão, deverá ser mantida a força necessária a manutenção de todo o aparelhamento, com as medidas de contingência, higienização e proteção já ajustadas nos Termos de Ajustamento de Conduta. No período de paralisação das atividades, a demandada deverá reorientar os monitores, de modo a torná-los atuantes e efetivos, capazes de identificar o descumprimento das regras e proceder a correção das mesmas, bem como estabelecer procedimentos padronizados de cada operação. Os animais que se encontram a caminho para o abate deverão ser remanejados para outras unidades da empresa.

    Durante o período de suspensão das atividades, a empresa deve proceder a higienização e descontaminação de toda a unidade industrial, inclusive sistemas de refrigeração de ar, veículos próprios e de terceiros, espaços internos e externos da unidade (estacionamento, paradas de ônibus, acessos à empresa, etc), segundo critérios e orientações dos órgãos de vigilâncias sanitárias do Estado e Município de Lajeado e da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia, com a fixação de multa diária no valor de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

    A BRF deverá elaborar um plano de retomada gradativa das atividades para implementação após o período de suspensão das atividades, observando as orientações dos órgãos responsáveis, o qual somente será efetivado após análise e aprovação do Ministério Público e homologação judicial, sob pena de se prorrogar a suspensão das atividades até a sua completa adequação.

    MINUANO

    Com relação à Minuano, o juiz Marcelo da Silva Carvalho acolheu parcialmente o pedido do MP nesta quinta-feira, 07, e determinou a paralisação parcial da atividade humana na área de produção (sala de cortes, pendura e sangria) da empresa, planta em Lajeado, pelo período de 15 dias, limitando o número de funcionários a 50% do total naquele setor, com o afastamento da planta dos demais 50% para evitar a manutenção de aglomerações em outros setores, podendo manter os turnos de trabalho já fixados a critério da empresa, a contar de 36 horas da intimação da decisão.

    De acordo com o juiz, a higienização e descontaminação de toda a unidade industrial, inclusive sistemas de refrigeração de ar, veículos próprios e de terceiros, espaços internos e externos da unidade (estacionamento, paradas de ônibus, acessos à empresa, etc), segundo critérios e orientações dos órgãos de vigilâncias sanitárias do Estado RS e Município de Lajeado e da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia.

    Determinou também a elaboração de plano de retomada integral das atividades para implementação após o período de suspensão parcial das atividades, observando as orientações dos órgãos pertinentes, sob pena de se prorrogar a suspensão parcial das atividades até a sua completa adequação ou mesmo paralisar totalmente a planta. Para isso, deverá a empresa testar para Covid-19 todos os funcionários, em especial aqueles em atividade.

    Os trabalhadores, inclusive os terceirizados, deverão ser acompanhados intermitentemente, prestando e repassando todas as informações aos gestores de saúde dos respectivos domicílios, em especial dados epidemiológicos.

    Por fim, determinou a correção das irregularidades apontadas no laudo de inspeção no prazo de cinco dias.

    Na decisão, o juiz destaca que “ao final de 15 dias, ou mesmo antes, em havendo redução ou aumento dos índices de contaminação na empresa, por dados a serem fornecidos pelo Município de Lajeado diariamente, a decisão poderá ser revista, seja para aumentar ou reduzir o percentual de trabalhadores afastados, ou mesmo paralisar totalmente as atividades da empresa”.

    (Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul)

  • Justiça suspende obras em loteamento no entorno de lagoa em Garopaba

    Estão suspensas, por decisão liminar obtida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), quaisquer atividades públicas ou privadas no entorno da área originalmente ocupada pela Lagoa das Capivaras, no município de Garopaba.

    Na ação, que busca a recuperação da área degradada, o Ministério Público aponta que obras para a implantação de loteamento irregular resultaram em aterramento do olho d’água e de áreas úmidas associadas à Lagoa das Capivaras e a supressão de vegetação nativa.

    A justiça determinou a apresentação, no prazo de 30 dias, dos projetos de execução e das licenças ambientais que autorizaram retificar ou canalizar cursos d’água, implantação de drenagem, corte de vegetação e da intervenção para a abertura de ruas e declaração de utilidade pública para as intervenções na área próxima à Lagoa das Capivaras.

  • Bancários dizem que filas revelam também a precarização da Caixa

    As entidades que representam os funcionários da Caixa Federal divulgaram uma Nota de Esclarecimento, a respeito das dificuldades para o atendimento aos trabalhadores que buscam o auxilio emergencial.

    Segundo a nota, as enormes filas que se formam diante das agências revelam a  situação dos mais pobres, com  a redução dos direitos trabalhistas e o desemprego que atingem milhões de trabalhadores.

    Mas, diz a nota, as filas refletem também a precarização da estrutura de atendimento da caixa que nos últimos cinco anos perdeu 15 mil funcionários.

    LEIA A NOTA:

    As filas formadas diariamente em frente às agências da Caixa Econômica Federal, para o pagamento do auxílio emergencial, têm revelado o drama de milhões de brasileiros, que hoje dependem do benefício para sobreviver, e, além disso, têm exposto as dificuldades de garantir atendimento digno e seguro.

    O problema da população ganha visibilidade, mas as enormes dificuldades enfrentadas por bancários e bancárias para encarar esse desafio continuam sem a atenção necessária. Ao contrário, apesar do imenso esforço para continuarmos trabalhando e atendendo o público, somos alvos de críticas infundadas por total desconhecimento da realidade atual da categoria.

    Os funcionários da Caixa têm consciência do seu papel social e orgulho de fazer parte de um banco público que, há mais de 150 anos, presta serviços à população mais necessitada.

    Não há recusa ou falta de empenho no atendimento, apesar da recente redução de pessoal: nos últimos cinco anos, 15 mil funcionários deixaram o banco. Com esse quadro, a Caixa assume a responsabilidade de acolher as 50 milhões de pessoas habilitadas para receber o auxílio emergencial. Outros 26 milhões estão na fila, aguardando análise. Calcula-se que o número total de beneficiados possa chegar a 90 milhões de brasileiros.

    Estes números trazem à tona o quadro de precarização do mercado de trabalho no país, fruto dos ataques aos direitos do trabalhador realizados nos últimos anos através da Reforma Trabalhista e de outras medidas. Quase metade da população brasileira está à margem do mercado formal de trabalho.

    Os bancários têm enfrentado riscos diários, atendendo a filas inesgotáveis, para que os benefícios cheguem às mãos dos mais necessitados. Mesmo sem as condições ideais de segurança, os empregados da Caixa têm se desdobrado para executar a missão que lhes foi confiada.

    O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e as diversas associações de funcionários da Caixa, preocupados com a segurança e a saúde dos empregados, têm realizado incessantes cobranças e negociações para que não faltem nas agências equipamentos de proteção, como barreiras de acrílico, máscaras e álcool gel. E garantimos avanços nesse sentido.

    Temos, ainda, insistido na necessidade de agendamento do atendimento, no investimento em campanhas informativas, na contratação de empresas para organização e triagem nas agências, além da incorporação das demais instituições financeiras no pagamento do auxílio, sendo que nenhuma dessas reivindicações, que minimizariam os problemas enfrentados, tenham sido atendidas até o momento.

    Mesmo diante de todas as dificuldades, seguimos cumprindo nosso papel. Muitos bancários estão adoecendo, três já perderam a vida no município. Manter as agências abertas tem sido um esforço diário para os funcionários e o fechamento se dá apenas em caso de suspeita concreta de contaminação de um funcionário por coronavírus. Portanto, nesses casos, a suspensão do atendimento se torna necessária para que haja descontaminação da agência, garantindo a volta ao funcionamento com segurança para bancários e clientes.

    Diante dessa realidade, nos causa profunda indignação saber que um jornalista é capaz de afirmar que “qualquer espirro leva ao fechamento de agências da Caixa”. Além de mentirosa, essa é uma fala absolutamente desrespeitosa com a nossa categoria.

    Lamentamos profundamente que órgãos de comunicação prestem um desserviço num momento tão grave quanto o que vivemos. Assim como respeitamos os jornalistas, que têm papel importante e continuam em suas funções durante a pandemia, exigimos respeito ao nosso esforço diário, pois arriscamos nossa saúde e nossa vida para cumprir, com profissionalismo e consciência, o papel que nos cabe.

    Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro
    Associação de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal (APACEF)
    Associação de Gerentes da Caixa Econômica Federal (AGECEF)
    Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (APECEF)
    Associação dos Advogados da Caixa Econômica Federal (ADVOCEF)
    Associação dos Servidores do Ex-BNH e CEF (ASAS-BNH)
    Associação dos Técnicos Sociais da Caixa (SOCIAL CAIXA)
    Associação Nacional dos Avaliadores de Penhor da Caixa Econômica Federal (ANACEF)
    Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (ANEAC)
    Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (FENAE)
    Federação Nacional das Associações de Gestores da Caixa (FENAG)
    União Nacional Economiários Inativos (UNEI CEF)

  • “Será que conseguiremos voltar à vida normal?”

    “Será que conseguiremos voltar à vida normal?”

    Por BBC

    Pode ser que a Covid-19 não seja a pandemia mais grave a atingir a humanidade nos próximos anos.

    “Acho que a pandemia do novo coronavírus está mais para um ensaio geral da big one (a maior, ou a grande pandemia), essa sim uma pandemia que pode matar bilhões”, diz Eduardo Massad.

    Médico, físico, professor emérito de Informática Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e professor titular de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele recorre a fórmulas, estudos epidemiológicos e registros históricos para afirmar que o novo coronavírus não será um golpe na expectativa de vida da humanidade, um dos critérios para eleger a maior das pandemias.

    PESTE NEGRA

    Para ele, a peste negra passou perto disso, até mais que a gripe espanhola, pelo impacto demográfico que causou na Europa.

    Da Covid-19, diz, a sociedade tirará lições fundamentais de distanciamento social e, especialmente, pesquisas sobre como se comporta essa doença respiratória, algo essencial contra a possível “grande gandemia” futura.

    Na avaliação de Massad, uma vacina precisaria estar previamente à mão contra a próxima epidemia, porque ela provavelmente também atacaria os pulmões, porém de forma avassaladora.

    Recluso em sua casa em São Paulo, Massad esmiúça sua teoria, sem esquecer preocupações imediatas, de médio e de longo prazo quanto aos destinos da Covid-19.

    BBC News Brasil – O que seria a ‘Grande Epidemia’?

    Eduardo Massad – A Grande Epidemia seria uma pandemia de proporções catastróficas que poderia matar algo como 2 bilhões de pessoas no mundo em um ano. Ela causaria uma queda significativa na expectativa de vida da humanidade: da média atual de 72 anos para aproximadamente 58 anos. Essa possibilidade existe e se baseia, em parte, em eventos históricos como a peste negra.

    Estima-se que, em menos de três anos, essa infecção tenha matado entre 30% e 60% da população da Europa. No total, pode ter reduzido a população mundial de 475 milhões para 350 milhões no século 14. A população europeia demorou cerca de 200 anos para retomar o nível anterior e algumas regiões, como Florença, recuperaram o patamar apenas no século 19.

    BBC News Brasil – Por que a certeza (ou a presunção) de que haverá uma epidemia ainda maior que esta? Quais os sinais, circunstâncias ou evidências que fazem com que o sr. e outros cientistas prevejam isso?

    Massad – Não há no momento evidências que indiquem o possível aparecimento de uma doença com impacto maior que a Covid-19. O que há são indícios baseados na sequência histórica de aparecimento de infecções com altas taxas de letalidade, principalmente nos últimos 20 anos.

    A presunção da ocorrência de uma pandemia maior que a atual tem também como base a possibilidade teórica de mutações de vírus de transmissão respiratória a partir de cepas zoonóticas como o H5N1 (gripe aviária), com letalidade maior que 50%, e que poderiam, dadas as condições de alta interação com animais infectados em alguns locais, passar a ser transmitidos entre humanos.

    Caso um vírus como o H5N1 venha a se transmitir entre humanos por via respiratória, com as mesmas taxas de contágio que apresenta entre as aves, eis aí um forte candidato ao big one.

    BBC News Brasil – Que tipo de organismo transmitiria a Grande Epidemia?

    Massad – Seria um vírus respiratório de RNA com elevadas taxas de mutação e adaptabilidade, grande letalidade, alta taxa de contágio e transmitido diretamente de pessoa para pessoa, um conjunto particular de características.

    Normalmente, quanto maior a letalidade de uma doença, menor sua capacidade de se espalhar. Isso porque, para se espalhar, ela precisa manter as pessoas infectadas por um período suficientemente longo. Se mata muitas pessoas, joga (fora) o bebê com a água do banho, como se diz.

    Provavelmente seria uma zoonose, uma doença que tenha sofrido uma mutação num animal e passasse a se transmitir entre humanos. E seria por via respiratória, exatamente como o coronavírus atual.

    Acho que a existência de um reservatório animal pioraria esse quadro e aumentaria o perigo. Haveria um “depósito” de vírus representado, por exemplo, por ratos, aves e morcegos, que se espalharia para a população humana pelo fato de convivermos com eles ou até por nos alimentarmos deles.

    BBC News Brasil – O que o leva a crer, neste momento, que a Covid-19 não é a Grande Epidemia, e sim um ensaio geral?

    Massad – Com base em projeções de modelos matemáticos, não acredito que o número de mortes passe de 1 milhão ao cabo de toda a Covid-19.

    Isso ainda não é suficiente para ter um impacto significativo na expectativa de vida da humanidade, frente a um total de aproximadamente 60 milhões de mortes anuais no mundo decorrentes de todas as outras causas.

    BBC News Brasil – Vírus são potencialmente mais letais que bactérias? Por quê?

    Massad – Vírus não são necessariamente mais letais que bactérias, mas como regra geral isso é verdade. Por serem bastante simples e terem taxas de mutação muito altas, os vírus têm muita flexibilidade genética para escapar da ação do sistema imune de pessoas saudáveis.

    Pessoas com outras doenças prévias são mais vulneráveis, por diversas razões, ao ataque de vírus e outros agentes patogênicos. Lembrando que as mutações ocorrem por acaso, em geral por radiação cósmica, e aquelas que aumentam a capacidade do organismo de se adaptar a um certo ambiente permanecem, eventualmente se fixando na espécie. Esse é o mecanismo de seleção natural proposto por Darwin em 1859.

    BBC News Brasil – A peste negra foi transmitida por uma bactéria. Por que foi tão letal?

    Massad – A peste negra, de fato, foi causada por uma bactéria e não por um vírus. Mas foi extremamente letal pelo desconhecimento de sua causa e pelas condições de higiene da época, o que facilitava a proliferação de ratos, seus reservatórios.

    A bactéria da peste é transmitida dos ratos aos humanos pela pulga que vive no roedor. Além disso, as pessoas na época eram muito mal alimentadas, o que as tornava mais suscetíveis à infecção.

    Não existe vacina eficiente, e a peste, também conhecida como peste bubônica, ainda hoje é endêmica em vários países do mundo. Não significa, entretanto, que tenha o mesmo potencial de pandemia que teve no passado.

    BBC News Brasil – Qual o vírus mais letal de todos até agora?

    Massad – O vírus mais letal que existe é o da raiva. Tem letalidade de virtualmente 100%. Há alguns relatos de sobreviventes, mas são muito poucos. Mas, devido ao seu complicado mecanismo de transmissão, somente pela saliva do animal infectado, causa um número baixo de mortes. No Brasil, temos algumas dezenas de casos fatais de raiva por ano, consequentes de transmissão do vírus por mordidas de morcegos hematófagos.

    O HIV é muito letal sem tratamento, mas também tem um mecanismo de transmissão muito complicado. Ainda assim, estima-se que 32 milhões de pessoas já tenham morrido de aids no mundo desde seu aparecimento.

    A varíola é outro exemplo de vírus letal. É possível que tenha causado entre 300 e 500 milhões de mortes só no século 20. Para você ter uma ideia, em 1967 ocorreram 15 milhões de casos da doença. Felizmente foi erradicada pela vacinação universal levada a cabo pela Organização Mundial de Saúde nos anos 1960 e 1970. Seria uma candidata ao posto de Grande Epidemia. O que nos salvou foi a vacina.

    BBC News Brasil – Por que a Grande Epidemia não foi o ebola?

    Massad – O ebola poderia ter sido, mas sua letalidade muito alta não foi compensada por uma taxa ainda maior de transmissão. A doença do vírus ebola é uma doença grave, com uma taxa de letalidade que pode chegar até 90%. Afeta seres humanos e primatas não-humanos, os macacos, gorilas e chimpanzés.

    Foi identificada pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em uma aldeia perto do Rio Ebola, na República Democrática do Congo, e outro em uma área remota do Sudão. O principal fator que impediu o ebola de ser a Grande Epidemia é ele não ser transmitido pelo ar, mas sim por contato com fluidos e outras secreções orgânicas. Há que se ter muita proximidade com as secreções ou sangue das vítimas para pegar a doença.

    BBC News Brasil – As precárias condições de higiene e habitação contribuíram muito para a proliferação da peste negra. Acha que essas mesmas condições, ainda presentes em várias cidades do mundo, poderiam contribuir para a disseminação da Grande Epidemia?

    Massad – Da mesma forma que as condições precárias de higiene contribuíram e ainda contribuem para a proliferação da peste negra, poderiam contribuir, em várias regiões menos favorecidas do mundo, para a disseminação da Grande Epidemia.

    Assim como o coronavírus se espalha mais facilmente em condições de aglomerações suscetíveis, uma infecção respiratória, como imaginamos ser a grande pandemia, teria sua disseminação muito facilitada por aquelas condições.

    BBC News Brasil – Que ensinamentos a pandemia atual pode trazer para evitarmos a Grande Epidemia?

    Massad – Acho que a principal lição desta epidemia são os ensinamentos de como implementar medidas de distanciamento social. Além disso, vários mecanismos sobre a patogenicidade do coronavírus, os mecanismos de desenvolvimento da doença, serão úteis no enfrentamento de outros vírus respiratórios com vistas à produção de uma vacina, por exemplo.

    BBC News Brasil – O que o senhor mais teme em relação à pandemia de coronavírus?

    Massad – Eu dividiria minhas preocupações entre imediatas e de médio e longo prazo. Além, é claro, do total de mortos ao final da pandemia, minha preocupação imediata é como faremos para relaxar as medidas de distanciamento social. A China está enfrentando grande dificuldade na tentativa de romper o isolamento. Será que conseguiremos voltar à vida normal?

    Já minhas preocupações de médio e longo prazo dizem respeito aos efeitos econômicos das medidas de distanciamento e dos impactos sobre a saúde mental das populações atingidas por elas. À ansiedade pelo medo da doença somam-se os efeitos de uma quarentena prolongada por várias semanas enfrentada por um número enorme de pessoas ao redor do mundo.

    Veja o exemplo da Índia, que colocou, ou pelo menos está tentando colocar, mais de 1 bilhão de pessoas em quarentena. Os efeitos dessas medidas só serão conhecidos mais adiante.

    Finalmente, temo que a imunidade pós-exposição não seja permanente, ou seja, pessoas que tenham tido a doença possam readquiri-la mais tarde.

  • Correio do Povo demite quatro jornalistas e reduz salários
    Jornalista Thamara de Costa Pereira trabalhou por 24 anos no jornal. Foto: Divulgação

    Correio do Povo demite quatro jornalistas e reduz salários

    A jornalista Thamara de Costa Pereira, colunista social do Correio do Povo, anunciou nesta tarde de quarta-feira sua saída do jornal.

    Reconhecida por sua atuação junto aos clubes sociais por duas décadas, Thamara começou trabalhando no jornal na Central de Textos, em 1996, foi editora do Caderno Variedades em 1998 e, em 2002, passou a assinar a coluna de Clubes.

    Outros dois repórteres e um fotógrafo foram demitidos do Correio do Povo, segundo afirmou o gerente de RH do jornal, Renato Guzzo, ao portal Coletiva.net.

    As mudanças no Grupo Record RS incluíram ainda reduções de salários e da carga horária dos seus profissionais em 25%, segundo Guzzo.

    Na segunda-feira, também foram demitidos funcionários da Rádio Guaíba, entre eles três repórteres.

    Fim de um ciclo, por Thamara Pereira

    Depois de 24 anos, saio do Correio do Povo por conta desta nova ordem que vem se desenhando no jornalismo e no mundo. Em nome das gestões consideradas eficientes, as adequações mais esdrúxulas são implementadas e vão engolindo tudo pela frente. Por conta disso, as empresas inventam nomenclaturas, estabelecem modelos e tudo vai ganhando outra forma. O jornalismo não se enquadra neste padrão que serve para produtos e serviços. A atividade é diferente e nem sempre agrada a todos. E, é isso que faz a profissão tão apaixonante. Mas tem sempre alguém querendo enquadrar o jornalismo no padrão desejado, atendendo este ou aquele interesse. Depois, essas mesmas pessoas vão reclamar por falta de liberdade de expressão. Está tudo nos livros de história, basta ler. Bem, mas isto é outro assunto.
    Voltando à minha pauta, deixo o Correio do Povo com a certeza de que fiz o bom jornalismo. Realizei o sonho de trabalhar num veículo de comunicação que tem uma larga história no país e que por lá passaram grandes nomes da imprensa gaúcha. Nos últimos 18 anos, assinei a coluna de Clubes e a página de Gastronomia por mais de 20 anos. Graças à coluna de Clubes, passei a percorrer um roteiro muito especial da cidade. No início, pensei que só cobriria eventos sociais. Mas logo em seguida descobri uma infinidade de pautas que este setor permite. Alguns clubes movimentam receitas superiores as de boa parte dos municípios do Estado. Fazem obras, empregam muita gente e, claro, promovem festas. Toda a semana, em tempo de normalidade, tem um ou mais eventos (particulares ou do próprio clube) sendo realizados para cerca de 400 pessoas. Neste caso, dá para observar a movimentação da economia. A realização de um evento mexe com a indústria da moda, da gastronomia (bufês, bebidas, cozinheiros, garçons e etc), floriculturas, fotógrafos, artistas, táxis, carros de aplicativos, salões de belezas e outras atividades informais. No esporte, os clubes sociais brasileiros são responsáveis por 80 % das medalhas olímpicas. Tem também as ações beneficentes que todos clubes marcam presença decisiva para pessoas que vivem em vulnerabilidade social. E fazem tudo isso sem perder o foco da sua missão maior: reunir pessoas em ambiente saudável para o lazer, práticas esportivas e eventos sociais e culturais.
    Com a quarentena, os clubes todos fechados, inconscientemente, preparei a minha despedida. Fugindo das queixas de não ter o que publicar, optei por apresentar perfis de dirigentes de clubes, atletas e personalidades que atuam neste universo. Nesse período, apesar de todas as adversidades, contei lindas histórias de quem faz os clubes serem lugares diferenciados na comunidade.
    Assim, só me resta agradecer por ter aprendido tanto com dirigentes, funcionários, assessores de imprensa e as muitas pessoas que convivi em todos esses anos. Com o carinho que tenho recebido, fica a certeza que seguiremos juntos.

  • Confira a transmissão do debate “Governo Bolsonaro: crise permanente e ameaça de autogolpe”

    Confira a transmissão clicando aqui.

    Cartaz_comite_debateA edição de maio dos “Debates Mensais Sobre Conjuntura Econômica”, que ocorre a partir das 18 horas de sexta-feira, dia 8 de maio e terá transmissão pelos canais do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito (Facebook e Youtube) e também pelas redes sociais da Rede Soberania, Brasil de Fato e Jornal JÁ Porto Alegre. O tema do encontro será Governo Bolsonaro: crise permanente e ameaça de autogolpe, com a participação dos debatedores convidados Cláudio Couto e Silvia Capanema. Os mediadores serão a Socióloga Naia Oliveira e o cientista político Benedito Tadeu César.

    Debatedores: Cláudio Couto, cientista político, professor da FGV EAESP, editor do canal de YouTube e do podcast “Fora da Política Não há Salvação”.
    Silvia Capanema, historiadora, professora da Universidade Paris-13 Sorbonne Paris Nord, vereadora da cidade de Saint-Denis, presidente e co-fundadora da RED-Br (Rede Europeia pela Democracia no Brasil).

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