Monumento que marca início da Revolução Farroupilha está abandonado em Guaíba

É de abandono o estado do Marco Farroupilha, estrutura em pedra  que assinala o ponto de partida dos revolucionários que tomaram o poder no Rio Grande do Sul em 1835 e sustentaram por quase dez anos uma guerra civil contra o império brasileiro.
“Desse lugar saiu na tarde de 18 de setembro de 1835 Gomes Jardim com 60 farrapos para tomar Porto Alegre”, diz o texto gravado na pedra que está quebrada e desgastada. A placa original em bronze foi roubada. A cerca que protegia o local foi arrancada.
Situado no final da rua Gomes Jardim, nos fundos da Celulose Riograndense, no bairro Balneário Alegria, em Guaíba, o monumento foi erguido em 1935, como parte das comemorações do centenário farroupilha.
Com a ampliação da fábrica, ele ficou isolado e com difícil  acesso, tanto que está fora do roteiro turístico da cidade. A empresa já sugeriu transferir o monumento para outro local, mas houve resistência da comunidade.
Quem foi Gomes Jardim
Gaúcho de Viamão, de 8 de março de 1784 – há registros de ele ter nascido em Triunfo, em 1773 –, José Gomes Vasconcelos Jardim era um bem-sucedido proprietário de terras, com charqueada e olaria em Pedras Brancas, atual município de Guaíba, onde residia. Sua casa foi eternizada em pintura por ser palco de uma das reuniões preparatórias à Revolução. Participou da invasão de Porto Alegre em 1835 e assumiu como presidente interino da República Rio-grandense, enquanto Bento Gonçalves, seu primo, permanecia preso. Trabalhou na organização administrativa da República Rio-grandense e foi deputado constituinte em 1843, em Alegrete. Era médico homeopata e foi a quem Bento recorreu em 1847 para curar sua pleura. Morreu em abril de 1854.
Confira o vídeo clicando aqui. 

Novos brigadianos passaram por 1.600 horas de treinamento

O governador Eduardo leite escolheu o largo da Catedral de Santo Ângelo, na região missioneira para encerrar a  a série de  24 formaturas da Brigada Militar pelo Rio Grande do Sul.
Desde o dia 26 de julho, se formaram 1.965 policiais militares que passam a reforçar a segurança pública no Estado.
Na praça em frente à Catedral, neste sábado, ocorreu a cerimônia com 58 novos soldados com a presença do governador Eduardo Leite, que pela manhã esteve na formatura da BM em Santa Rosa.
O governador destacou a importância do trabalho da Brigada Militar na redução dos índices da criminalidade no Estado, como o número de homicídios, que caiu 25,9% no primeiro semestre em relação ao ano passado, e o número de latrocínios, que foi o menor da década no mesmo período.
“Temos números positivos, mas estamos fazendo um grande esforço para melhorar ainda mais e para que o Rio Grande do Sul possa viver em paz. A força de vocês se mostra não só nas ações em combate ao crime, mas também nos crimes que deixam de ocorrer pela força da farda e do preparo de vocês”, observou.
Ao final do evento, o comandante da BM, coronel Mario Ikeda, disse que, encerradas as formaturas, começa a estratégia de lotação do novo efetivo.
“A partir da próxima semana, começaremos a distribuição efetiva pelo Estado, dentro dos parâmetros estabelecidos para melhor atender a população, aumentar a sensação de segurança e diminuir ainda mais os indicadores de criminalidade”, afirmou.
Como anunciado pelo governo do Estado antes mesmo da primeira formatura, realizada em Porto Alegre, o critério número 1 para lotação dos ingressantes da BM é que nenhuma cidade gaúcha tenha menos do que cinco PMs.
1.600 horas de treinamento
Para a formação como soldado, os concursados frequentaram mais de 1,6 mil horas-aula do curso superior de Tecnologia em Aplicação de Polícia Militar.
Durante oito meses aprenderam sobre conhecimentos específicos da atividade de policial militar, como direito penal, sociologia da violência, uso da força e da arma de fogo, defesa pessoal, medicina legal e policiamento ostensivo, entre outros temas.
(Com informações da Assessoria de Imprensa)

Lerner vê a orla: arquiteto recebe homenagem e visita obra que projetou

Um ano depois da inauguração, Jaime Lerner, arquiteto e urbanista responsável pelo projeto vai conhecer ao vivo  o trecho urbanizado da Orla Moacir Scliar.
É pouco mais de um quilômetro numa orla de mais de 70 quilômetros, mas mostrou-se suficiente para que o portoalegrense se reconciliasse com o Guaiba. Desde que foi aberto ao público atrai multidões nos fins de semana.
Lerner estará na capital para receber o Troféu Câmara Municipal, homenagem proposta vereador Valter Nagelstein (MDB),  nesta sexta-feira (09/08), às 17h, no Plenário Otávio Rocha do Legislativo.
Aos 82 anos, o curitibano Jaime Lerner é um arquiteto, urbanista e gestor urbano de renome internacional. Foi três vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná.
Como arquiteto obteve vários prêmios, como o 1º lugar no Concurso Nacional de Projetos para o Edifício-Sede da Polícia Federal, em Brasília (1967); 2º lugar no Concurso Internacional Eurokursaal, San Sebastian, Espanha (1966); e Silver Medal no International City Design Competition, University of Wisconsin, EUA (1989).
Em 2010, Jaime Lerner foi relacionado entre os 25 pensadores mais influentes do mundo pela Time Magazine e recebeu a Medalha de Urbanismo da L’Académie D’Architecture, da França.
Em 2011, em reconhecimento por sua liderança, visão e contribuição no campo da mobilidade urbana sustentável, ele recebeu o prêmio Leadership in Transport Award, agraciado pelo International Transport Forum at the OECD.
(com informações da Assessoria).
 

Gilmar ataca procuradores e diz que Lava Jato se tornou "organização criminosa"

Em entrevista à rádio Gaucha na manhã desta quarta-feira, o ministro Gilmar Mendes fez o mais duro ataque já feito aos juízes e procuradores que atuam na operação Lava Jato.
A reação de Gilmar foi motivada por novos vazamentos das gravações em poder do Intercept, publicadas ontem pelo El Pais.
Nas conversas, entre o coordenador das investigações, procurador Deltan Dallagnoll e outros procuradores revela-se que estavam buscando indícios para implicar Gilmar Mendes, motivando até o seu impeachment.
“Vivemos a maior crise do judiciário desde a democratização”, desabafou Gilmar em entrevista ào Timeline.
“O consórcio entre juizes e procuradores no âmbito da Lava Jato caracateriza uma organização criminosa. Não me surpreenderia se inventassem uma conta minha no exterior ou um cartão de crédito”.
O ministro disse que nem tudo perde a validade com o escandalo dos vazamentos, mas que muita coisa está contaminada: “Sabe-se lá o que esse grupo fez nessas delações premiadas. Eles se organizaram para ganhar dinheiro. Essa coisa se tornou muito lucrativa. E ainda não sabemos tudo”.
“Quantos não foram delatados por influência deles, quanto não foi manipulado nessas delações premiadas”.
O pior, segundo o ministro, é que há uma “espécie de anomia” em relação ao que vem ocorrendo. “Os órgãos correcionais simplesmente não funcionam”, disse Gilmar
Ele afirmou que os procuradores não tem mais condições de exercer suas funções.
Pôs em dúvida inclusive as decisões do TRF4, onde o ex-presidente Lula foi julgado: “Ninguém sabia que juizes e procuradores eram sócios quando o tribunal julgou os processos”.
Quando perguntado se se referia a Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato e hoje Ministro da Justiça, disse apenas: “Juiz não é chefe de força-tarefa”.
Leia aqui o que publicou  El Pais http://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/05/politica/1565040839_880977.html

IBGE põe 1.200 pesquisadores na rua para fazer "mapa da saúde"

Para mapear as condições saúde dos brasileiros, cerca de 1.200 entrevistadores do IBGE vão visitar, a partir deste mês de agosto até dezembro, mais de 108 mil residências em 3.200 municípios de todas as regiões do país.
Esta é a segunda edição da Pesquisa Nacional de Saúde.
Além de perguntas sobre o domicílio, serão abordadas questões como estilo de vida e
acesso à saúde, como explica o diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Macário.
O objetivo da pesquisa é obter informações para formulação de políticas e programas de saúde pública.
Os entrevistadores estarão uniformizados com colete e crachá de identificação do IBGE. Eduardo Macário lembra que não devem ser repassadas informações como dados bancários e CPF.
A primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde ocorreu em 2013.;
 
](Com informações da EBC)

Amazonia vai ter novo sistema para monitorar o desmatamento

O governo prepara mudanças nos “sistemas de medição usados para avaliar o desmatamento no país”, segundo a Agência Brasil.
“O objetivo é eliminar as inconsistências verificadas no sistema atual, que, algumas vezes, conta a mesma área de maneira duplicada”, conforme a nota divulgada pela agência oficial.
Na quinta feira (1º), no Palácio do Planalto, Bolsonaro voltou a dizer que os dados relativos ao desmatamento de junho apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o  Inpe, não são reais.

O diretor do Instituto, Ricardo Magnus Osório Galvão, exonerado do cargo, segue defendendo os números apresentados pelos pesquisadores sobre o desmatamento e que indicam crescimento expressivo. Ele tem apoio da comunidade científica.
O Inpe foi acusado por  Bolsonaro de mentir sobre dados do desmatamento e agir a “serviço de alguma ONG”. Galvão rebateu as acusações e criticou declarações e o comportamento do presidente.

“Ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade, ele faz em duas partes. Na primeira, ele me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do Inpe não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados”.

Na sexta-feira Galvão foi chamado pelo ministro da Ciência e Tecnologia: “Frente ao ministro Pontes eu não tive que defender nada. Ele concorda inteiramente com os dados do Inpe e sabe como são os dados do Inpe. O ministro é uma pessoa de alta capacidade técnica, um engenheiro”.
Novo monitoramento
O novo sistema, segundo o ministro do Meio Ambiente, vai ser usado, ainda, para melhorar a fiscalização na Amazônia e também para que a população que ali mora possa usar a floresta respeitando seus limites.
Para Ricardo Salles, “é preciso levar em conta também a questão sócio-econômica da região”.
Salles disse ainda que “não é possível estimar no momento a área desmatada em função das inconsistências, tais como a superposição de dados”.
A contratação do novo sistema de imagens de alta resolução será feita pelo Ibama.
Legalização do garimpo
Na mesma tarde, em live no Facebook, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo está preparando um projeto para legalizar o garimpo no país. Ele não deu detalhes. Disse que o tema será levado à apreciação do Congresso.
“Nós estamos trabalhando, via Ministério das Minas e Energia, num projeto que vai passar pela Câmara e pelo Senado. Eu não vou impor nada, a gente espera que tenha uma aceitação”, disse. “Por que o nosso garimpeiro não pode, de forma legal, pegar uma bateia e peneirar areia num lugar qualquer e tirar o ouro para seus sustento?”,
A ideia inclui viabilizar a permissão para que haja exploração mineral também em áreas indígenas, o que hoje não está previsto na legislação.  “No que depender de mim, eu quero que o índio, se quiser garimpar na sua terra, que garimpe”, acrescentou.
O Artigo 231 da Constituição Federal condiciona atividades minerais no território indígena à prévia autorização do Congresso Nacional e à concordância da população indígena que vive no território. Pela Constituição, as reservas tradicionais demarcadas são de “usufruto exclusivo” dos indígenas, incluindo as riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
(Com informações da Agencia Brasil, Forum, Sul 21)

Torres de 130 metros na orla do Guaiba, a polêmica anunciada

Os diretores do Hype Studio Arquitetura, Fernando Balvedi e Maurício Santos, fizeram no Instituto dos Arquitetos/Rs  uma apresentação do projeto que  Sport Club Internacional encomendou para a a área junto ao estádio Beira  Rio.
A implantação do que está planejado depende de mudança no Plano Diretor para alterar o limite de altura fixado para a orla e permitir uso residencial.

A área de 2,5 hectares está dentro de espaço sob controle do Internacional.
O projeto inclui duas torres, onde serão construídos um hotel e flat e apartamentos e escritórios que estão causando muita polêmica entre os moradores de Porto Alegre.
A maior torre deverá ter até 130 metros de altura ou 43 andares. Se construída será a maior do Rio Grande do Sul. Hoje, é possível construir na região até 52 metros de altura, 17 andares.
Os diretores do Hype Studio, depois da apresentação, participaram de um debate na noite de quinta-feira, 01/8, no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS).
Santos explicou que foi pensada a melhor solução e não simplesmente aumentar o número de andares. “É preciso ficar claro que nossa proposta de mudança na volumetria foi para um terreno que não é comum, uma exceção”
O Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) ainda não foi votado pelo Conselho do Plano Diretor. Além disso, depende de apreciação na Câmara de Vereadores e análise do projeto arquitetônico e licenças ambientais na prefeitura.
A crítica de alguns arquitetos participantes do debate é em relação a quebra de um paradigma que poderá ter consequências para toda a região próxima da Orla do Guaíba.
A Multiplan, dona do BarraShoppingSul irá construir 19 torres no entorno do Jockey Club, além das obras do projeto Pontal.
O presidente do IAB-RS, Rafael Passos, sugeriu a realização de uma consulta pública com a possibilidade de uma análise mais elaborada do projeto.
 
 

Polícia não consegue desbloquear celulares dos suspeitos da matar Marielle

A Justiça autorizou uma perícia particular nos cinco celulares apreendidos com Ronnie Lessa e Élcio Queiroz presos em março, apontados como autores dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

Os telefones foram remetidos à Cellebrite, empresa de São Paulo. A polícia não conseguiu desbloquear os aparelhos, protegidos por senha.

“O que falta à polícia não é tecnologia, é conhecimento. Pode haver documentos que estão na nuvem, e você pode ter acesso a eles”, segundo Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade.

“A situação da perícia é crítica e vem piorando há anos”, afirma José Ricardo Bandeira, presidente do Conselho Nacional de Peritos. “Não se investe em inteligência e em perícia. Com isso, investigações são paralisadas, o que gera um baixo índice de resolução de casos”.

Essa não é a primeira vez que a investigação do Caso Marielle expõe deficiências da polícia do Rio.

Em abril, uma reportagem da GloboNews mostrou houve inutilização de prova encontrada na cena do crime.

Um documento da Polícia Federal apontou que cápsulas recolhidas no local “não foram tratadas com o cuidado necessário”.

Das nove cápsulas periciadas, os policiais encontraram fragmentos de impressões digitais em apenas uma.

A PF disse que “os estojos passaram por algum exame prévio, já que foram marcados com caneta verde para indicar o código do lote de cada estojo”.

Afirmou ainda que “o exame do estojo em que foi encontrado um fragmento de impressão digital revela ausência de cristais papilares nos locais marcados com caneta”.

Isso, de acordo com a Polícia Federal, indica que a caneta “apagou” uma parte do fragmento.

O PM reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos 13 disparos que mataram Marielle e Anderson; ele estava no banco de trás do Cobalt que perseguiu o carro da vereadora. O Ex-PM Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o carro na noite do crime.

Ambos estão presos na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Frente Global reúne deputados para enfrentar avanço da tuberculose

Márcia Turcato
Na contramão do cenário mundial, o Brasil vê a aumentar o número de casos de tuberculose desde 2017, passando de uma estimativa de 87 mil casos para cerca de 91 mil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
De um modo objetivo, isso ocorreu porque a pobreza ampliou e a tuberculose aumentou junto com a crise.
Além da derrocada econômica, houve redução do orçamento para o Sistema Único de Saúde (SUS) e a implementação da reforma da Previdência deverá aumentar o impacto sobre a saúde em geral.
Aos indicadores econômicos somam-se os indicadores sociais que também atuam sobre o adoecimento da população vulnerável.
Nessa conjuntura, o estado do Rio Grande do Sul se destaca pela coinfecção tuberculose/HIV, já que o vírus da aids, o HIV, compromete o sistema imunológico e aumenta o risco da pessoa contrair a tuberculose.
No estado gaúcho, a taxa de tuberculose está em 45 casos por 100 mil habitantes.
Esses números são maiores do que os apresentados nacionalmente, em torno de 32 a 33 casos por 100 mil habitantes.
Infectologistas gaúchos justificam a elevada taxa de HIV alegando que o vírus que circula no estado é um subgrupo mais agressivo, mas isso nunca foi confirmado.
Ao mesmo tempo, infectologistas de organizações internacionais que prestam consultoria ao Ministério da Saúde afirmam que a tese dos colegas gaúchos não tem fundamento e que o elevado número de casos estaria relacionado a precariedade do serviço na atenção primária, com diagnóstico e tratamento tardios.
Com tantas dificuldades identificadas, é um desafio para a Frente Parlamentar Global de Tuberculose atingir as metas pactuadas com 210 congressistas brasileiros.
No mundo, o compromisso foi assumido com 2.500  parlamentares de 153 países.
A Frente Parlamentar Global, em inglês Global TB Caucus (GTBC), foi criada em 2014, tem sede em Londres, Inglaterra, e é presidida pelo deputado Nick Herbert. A iniciativa tem apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o trabalho da Frente Global é coordenado por Cíntia Dantas, que responde pelas três Américas. Dantas é graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC-Bahia) e mestre em Cooperação Internacional e  Desenvolvimento pela Universidade de Católica de Milão, Itália.
“Nas Américas, A Frente Global trabalha para garantir que a tuberculose seja uma prioridade na agenda de saúde, especialmente no Brasil e no Peru, que são os únicos países da região considerados prioritários para a OMS”.
Para isso, o grupo busca o compromisso de deputados e senadores para que implementem políticas públicas para enfrentar o problema e consigam financiamento público para realizar as ações.
As prioridades da Frente Global para o enfrentamento da tuberculose no mundo são incluir o tema na pauta do G20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, com o objetivo de obter recursos de todo o tipo e mostrar que a doença pode ser uma ameaça para os países desenvolvidos se não for controlada nos países vulneráveis; que os compromissos assumidos junto a ONU/OMS sejam cumpridos, que é detectar e tratar 40 milhões de pessoas até 2022 em todo o mundo, sendo 3,5 milhões de crianças; no caso do Brasil, as metas são 418.700 tratamentos e 31.500 crianças até 2022, mas a análise do dados indica que esse número não deverá passar de 11 mil crianças. E, por último, investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
No caso do Brasil, o investimento deveria ser de R$ 35 milhões até 2022, mas dados de 2017 publicados pelo Treatment Action Group (TAG) indicam um investimento de apenas R$ 2,2 milhões.
A TAG é uma organização não governamental que monitora informações sobre HIV/aids e agravos oportunistas, foi criada em 1992 nos Estados Unidos.
Tuberculose no Mercosul
Análise de dados divulgada em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou 282 mil novos casos de tuberculose nas Américas, 11% deles entre pessoas que vivem com HIV.
Ao todo, 87% dos casos se concentram em 10 países; Brasil, Peru e México informaram mais da metade do número total de casos. Estima-se que cerca de 6 mil pessoas morreram coinfectadas com HIV na região. De acordo com a OMS, a persistência da tuberculose se deve, em grande medida, às desigualdades sociais e econômicas que permanecem na região.
Nas Américas, mais de 50 mil pessoas – quase metade delas com menos de 15 anos – não sabem que têm a doença e não receberam tratamento.
O diagnóstico com teste rápido molecular, uma nova ferramenta que poderia ajudar a suprir essa lacuna, foi usado em apenas 13% dos casos detectados, um pouco acima dos 9% em 2016.
Para enfrentar o agravo na América do Sul, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS) recomendou formalmente ao Parlamento do Mercosul que os países membros do bloco, atendendo a um pedido da Frente Parlamentar Global de Tuberculose, se empenhem na implementação de meios de diagnóstico, tratamento, prevenção, pesquisa e troca de informações sobre a doença.
Para a deputada gaúcha “o combate à tuberculose precisa ser uma prioridade, assim como o fortalecimento do sistema público de saúde para que o enfrentamento ao agravo seja feito de forma competente”.
Melchionna é representante do Congresso do Brasil no Parlamento do Mercosul, integra a Frente Parlamentar Global e é titular do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.
Além de discutir sobre mecanismos para enfrentar a tuberculose com os países do Mercosul e também no Congresso Nacional, a deputada conhece a gravidade do agravo em seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e em Porto Alegre, onde já foi vereadora.
De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, para baixar as taxas de incidência da tuberculose no estado, ou seja, controlar a doença, é necessário um percentual de cura em casos novos de 85% e um abandono de, no máximo, 5%.
Em 2017, o estado apresentou 61,3% de cura (mais de 20 pontos percentuais abaixo do que é preconizado) e a taxa de abandono ficou em 12,2%.
Isso significa que existem mais pessoas doentes contaminando outras dentro de uma mesma área geográfica.
Sem investimento
Pesquisa do professor Davide Rasella, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), publicada em abril, projetou o impacto das medidas de austeridade fiscal sobre a cobertura da atenção primária em saúde.
De acordo com o estudo, a redução da cobertura da Estratégia Saúde da Família, associada ao fim do Programa Mais Médicos e aos efeitos da Emenda Constitucional 95/2016- que congela os recursos para a saúde, pode significar, até 2030, um aumento de 8,6% na taxa de mortes prematuras (pessoas com menos de 70 anos) por causas sensíveis à atenção primária.
São 50 mil mortes evitáveis a mais no período analisado, em decorrência de doenças infecciosas, como a tuberculose, deficiências nutricionais, diabetes e doenças cardiovasculares.
O orçamento de ações e serviços públicos de saúde (ASPS) em 2019 é de R$ 120,4 bilhões, crescimento nominal de apenas 2,5% em relação aos valores empenhados em 2018.
Excluídas as emendas impositivas (cuja destinação depende da relação entre o parlamentar e suas bases políticas), a variação é de apenas 1,2%, abaixo da inflação de 3,75%.
Ou seja, o orçamento de saúde em 2019 sequer repõe a inflação de 2018.
Para saber mais sobre o trabalho da Frente Parlamentar Global de Tuberculose clique aqui: http://www.globaltbcaucus.org/
 
 
 

Presídio onde houve massacre tinha 145 detentos à espera de julgamento

Subiu para 62 o número de mortos no Centro de Recuperação de Altamira, no Pará Cinquenta e oito foram mortos numa ala do presídio, invadida por uma facção rival na madrugada de segunda-feira : 16 foram decapitados e 42 morreram asfixiados no  incêndio provocado pelos invasores.
Os últimos quatro mortos foram estrangulados por rivais na quarta-feira, dentro do caminhão-cela que transferia um grupo de detentos para outra cadeia.
Segundo o secretário de segurança, Uálame Machado, a viagem ocorreu normalmente até o município de Novo Repartimento, quando o sinal das câmeras de monitoramento do baú do caminhão começou a falhar.
Os detentos estavam separados em quatro celas dentro do veículo, cujo interior é monitorado por câmeras de vídeo. “Em Marabá, foi averiguada a situação de três mortos e um, que se tentou salvar, mas morreu”, disse Machado..
De acordo com a Segup, os mortos são da mesma facção (Comando Classe A) que atacou integrantes do Comando Vermelho, facção rival.
O massacre no presídio de Altamira, sudeste do Pará, começou após um grupo de presos render  um agente penitenciário que encontrou facas e estoques durante revista. Após a rendição do agentes, integrantes do facção criminosa Comando Classe A (CCA) invadiram o anexo onde estavam detentos que pertenciam ao Comando Vermelho (CV) e os homicídios foram realizados com as armas brancas que estavam escondidas.
Um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) considera o presídio de Altamira como superlotado e em péssimas condições. No dia do massacre, havia 311 custodiados, mas a capacidade máxima é de 200 internos.
Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará, dos 311 presos, 145 ainda aguardavam julgamento.
(Com informações de O Liberal)