Autor: da Redação

  • Provas físicas são eliminatórias no concurso para soldado da Brigada Militar

    Provas físicas são eliminatórias no concurso para soldado da Brigada Militar

    Começaram os testes de capacitação física no concurso para os cargos de soldado da Brigada Militar.

    Essa etapa é eliminatória para preenchimento das 4 mil vagas abertas em edital.

    Ao todo, 4.109 candidatos irão participar dessa fase, que é a terceira prevista no edital, iniciada na sexta-feira (8/4) e que seguirá por 10 dias.

    A atividade é dividida em três etapas, que consistem em realizar cinco flexões de barra, 40 abdominais em 60 segundos, além percorrer 2.500 metros em 12 minutos, para candidatos do sexo masculino.

    As candidatas do sexo feminino devem executar 20 segundos de isometria na barra fixa, 32 abdominais em 60 segundos e percorrer 2.100 metros em 12 minutos. A banca examinadora acompanha a prova com cronômetro e avalia a correta execução das atividades.

    Os candidatos aprovados na segunda fase foram convocados para a terceira etapa por ordem crescente de classificação, devendo comparecer ao local de realização do exame com antecedência mínima de uma hora em relação ao horário fixado para o início da prova, portando documento de identidade.

    Todos os aprovados nesta etapa serão chamados posteriormente para a quarta fase, que consiste em teste psicológico, composto por duas etapas obrigatórias, testagem coletiva e entrevista individual, não necessariamente nesta ordem.

  • Lixo no lugar errado: multas chegam a mais de R$ 1 milhão por ano em Porto Alegre

    Lixo no lugar errado: multas chegam a mais de R$ 1 milhão por ano em Porto Alegre

    Em oito anos, de vigência do Código Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre, aprovado em 2014, fiscais da prefeitura já aplicaram maisde  R$ 9,6 milhões de multas, o que dá mais de R$ 1 milhão por ano, em média.

    Desse total, apenas R$ 2,3 milhões foram pagos.

    O restante, em atraso, está registrado como dívida ativa, que soma R$ 7, 2 milhões.  Uma das razões é que muitas das multas são aplicadas a catadores de lixo, carrinheiros e até moradores de rua.

    Os números foram divulgados pelo DMLU nesta quinta-feira, 7

    Entre abril de 2014 e o mesmo mês deste ano, foram feitas 67.570 abordagens e orientações a pessoas flagradas cometendo algum tipo de irregularidade.

    No mesmo período, foram aplicados 6.129 autos de infração.

    As multas  variam de R$ 444,26, para infração leve,  até R$ 7.108,13 em caso de infração gravíssima (valores de 2022).

    De acordo com o diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), Paulo Marques, em contrapartida ao endurecimento das penalidades, além das coletas regulares, o Departamento oferece Unidades de Destino Certo, também conhecidas como Ecopontos que recebem, gratuitamente, materiais diversos e realiza o Bota-Fora que atende mais de 200 comunidades em vulnerabilidade social.

    “Pedimos o apoio da população para fiscalização e denúncia de descartes irregulares de resíduos no sistema 156 e total adesão à separação dos materiais”, destaca Paulo Marques.

    A falta da separação correta dos resíduos pela população, dividindo resíduos orgânicos e recicláveis, causa graves impactos ambientais e financeiros aos próprios moradores da Capital.

    Todos os anos, quase R$ 9 milhões são gastos para aterrar resíduos com potencial de reciclagem.

     

  • Tráfico de armas: policiais militares são alvo de operação no Rio

    Tráfico de armas: policiais militares são alvo de operação no Rio

    A Delegacia de Homicídios da Capital cumpre hoje (7) 21 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Os alvos são seis policiais militares suspeitos de envolvimento com o tráfico de armas e com a exploração de máquinas de caça-níqueis.

    A ação começou com base em informações obtidas durante as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

    Apesar disso, a Polícia Civil afirma que a operação de hoje não tem nenhuma relação direta com as mortes.

    Segundo a Polícia Civil, a ação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar. Até as 9h15, já tinham sido apreendidas armas e dinheiro em espécie.

    (Com informaçõs da Agência Brasil)

  • Surto de dengue em Porto Alegre: “alta infestação” já é registrada em 34 bairros

    Surto de dengue em Porto Alegre: “alta infestação” já é registrada em 34 bairros

    A detecção de mosquitos em armadilhas espalhadas na cidade mostra que 34 bairros de Porto Alegre apresentam alta infestação de Aedes aegypti, transmissor da dengue, sendo que seis estão em situação de alerta e cinco com infestação moderada de mosquitos detectados.

    A informação consta no boletim epidemiológico semanal arboviroses,  divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nesta quarta-feira, 6.

    De 2 de janeiro a 2 de abril, foram notificados 1.131 casos suspeitos da doença entre moradores de Porto Alegre, com 640 confirmações, sendo 624 casos contraídos na cidade.

    “O engajamento das pessoas é fundamental para revisar pátios e residências, evitando manter objetos que possam acumular água, transformando-se em criadouros do mosquito transmissor da dengue”, alerta a diretora de Vigilância em Saúde, Fernanda Fernandes.

    Os casos são registrados em todas as regiões da cidade, com prevalência nos bairros Jardim Carvalho, Vila Nova e Bom Jesus, localizados nos distritos sanitários Leste e Centro Sul, com 381 e 78 confirmações, respectivamente.

    O documento mostra que o pico de casos contraídos na cidade, até o momento, ocorreu na semana que vai de 13 a 19 de março. Eram 95 na semana do dia 12, passando para 296, 502 e 624 nas três semanas seguintes.

    Em função disso, a prefeitura criou uma força-tarefa para enfrentar o problema, e a participação da população é muito importante.

    No último sábado, 2, foram visitadas 1.080 residências em 32 bairros no Dia D contra a Dengue.

    Com a circulação viral, agentes de combate a endemias da Diretoria de Vigilância em Saúde orientam a população, fazendo busca ativa de outros casos suspeitos da doença ou de pessoas com sintomas compatíveis com a dengue, além da remoção mecânica de criadouros de mosquitos.s.

  • 31 de março de 1964: “Ninguém acreditava no golpe”

    31 de março de 1964: “Ninguém acreditava no golpe”

    O general Mourão Filho botou o golpe na rua às cinco hora da manhã do dia 31 de março de 1964. Ele ainda vestia seu roupão vermelho (diz no seu Diário), quando anunciou por telefone que ia marchar de Juiz de Fora com suas tropas para destituir o presidente da República no Rio de Janeiro.

    Como os jornais diários, que começaram a circular à hora em que Mourão disparava seus telefonemas, não traziam a notícia, o dia foi  de muitos de boatos e escassas informações.

    Em Porto Alegre, a primeira informação confiável de que havia um golpe em andamento chegou as 16h30, através do rádio ao comando do III Exército, que reservadamente colocou suas unidades em prontidão.(*Hélio Silva, “1964″),

    A notícia ficou restrita, no entanto. “Falava-se tanto em golpe, que ninguém acreditava nele”.

    A tal ponto, que a festa de aniversário do prefeito da cidade, Sereno Chaise, iniciou por volta das 19 horas e só foi interrompida por volta das dez, quando alguém cochichou ao ouvido do aniversariante a informação recebida do Rio. Ele tomou o microfone, deu o aviso e convocou a todos para se deslocarem até a prefeitura no centro da cidade e acompanhar os acontecimentos (Sereno Chaise, depoimento).

    Um comício foi improvisado, mas como pouco se sabia do que estava acontecendo, rapidamente ele se esvaziou. Um grupo que se dirigiu à sede do governo estadual encontrou a praça vazia, o Palácio Piratini  fechado, luzes apagadas, sem sinais de anormalidade. Foram todos para casa. Afinal, boato de que haveria um golpe não era novidade.

    Àquela altura o major Confúcio Pamplona, à paisana, entregava ao general Adalberto Pereira dos Santos um papel pardo escrito de próprio punho pelo general Castelo Branco com os objetivos da “revolução”:

    a) restaurar a legalidade,

    b)restabelecer  a Federação,

    c) eliminar o plano comunista da posse do poder, em desenvolvimento; defender as instituições militares, estabelecer a ordem para o advento das reformas legais.

    Comandante da 6ª. Divisão de Infantaria, a principal força do III Exército no Sul, Adalberto era o chefe militar da conspiração no Estado. Pressionava inclusive o comandante geral, general Benjamin Galhardo, para que não reconhecesse o novo comandante que Jango havia nomeado naquela tarde para o III Exército, o general Ladário Telles. Telles deveria chegar a Porto Alegre na noite de 31 de março. Em vez de passar o cargo, Galhardo deveria prendê-lo.

    Perto da meia noite, quando já estava para chegar o avião, Galhardo voltou atrás: “Eu não tomo uma decisão”, foi a frase que Krieger ouviu. O general Adalberto Pereira dos Santos passou a informação a Poti Medeiros, Secretário de Segurança e este informou o governador Meneghetti, que decidiu deixar a capital.  “Poucas são as possibilidades de resistência em Porto Alegre, cujo bravo povo está ameaçado pelas forças da violência e da opressão”, dizia o manifesto que Meneghetti deixou ao sair, para se por a salvo em Passo Fundo, a 300 quilômetros da capital.

    O general Telles chegou a Porto Alegre a 1h20 da manhã,  já no dia primeiro de abril. Enfrentou resistências, mas por fim  conseguiu assumir o comando, na madrugada.

    Uma de suas primeiras providências seria transferir o general Adalberto, de volta ao Rio. O general alegou que não poderia viajar imediatamente por causa de uma irmã, doente. No dia seguinte,  saiu de Porto Alegre e foi para Cruz Alta, depois para Santa Maria, onde as guarnições eram favoráveis ao golpe.

    Na manhã de 1 de abril, o governador Ildo Meneghetti deixa o Palácio Piratini. Saída discreta, sem escolta. Antes de partir deixou folhas em branco assinadas.

    Uma delas seria usada para responder ao comandante do III Exército, que no mesmo dia requisitou a Brigada Militar, a força  estadual, que fora decisiva na resistência ao golpe em 1961. O secretário do Interior, Mario Mondino, datilografou na folha assinada por Meneghetti uma resposta evasiva e não cumpriu a ordem.

    Enquanto isso, Meneghetti chegava ao 2º. Batalhão de Caçadores da Brigada Militar em Passo Fundo. Requisitou a rádio local e divulgou notas incitando o povo a apoiar a revolução. À noite, num comício improvisado, Meneghetti discursou: “As forças revolucionárias colocaram um ponto final no comunismo que estava tomando conta do Brasil”.

    Na manhã do dia 2 de abril, o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, declara a aliados:  “A revolução está vitoriosa, mas temo  que pelo mito da legalidade haja derramamento de sangue. Se me derem cobertura declararei vaga a Presidência da República”.

    À tarde numa sessão de três minutos, declarou que Jango havia abandonado o país (na verdade, estava voando para Porto Alegre).  À noite o deputado Rainieri Mazzilli, presidente do Congresso foi empossado como presidente.  Para Krieger,“a solução almejada pela Nação fora obtida com a quebra momentânea da legalidade, imediatamente restabelecida”.

    No Rio, uma junta controlava a situação militar: Costa e Silva, Augusto Redemaker e Correia de Melo – um general, um vice-almirante e um brigadeiro. Em Brasília, um presidente interino, Rainieri Mazzilli, fora empossado às pressas pelo Congresso, às 3h50 da madrugada.

    O golpe estava consumado.

     

  • 31 de março de 1964: general conta em seu diário como deflagrou o golpe, pelo telefone

    31 de março de 1964: general conta em seu diário como deflagrou o golpe, pelo telefone

    A uma e meia da madrugada de 31 de março de 1964, general Olympio Mourão Filho desiste de tentar dormir e retoma as anotações em seu diário*.

    Repassa as últimas 48 horas, vividas sob grande tensão.

    Há quase uma semana ele se considera pronto para o golpe, mas desconfia que o estão traindo.

    Esperava um manifesto do governador de Minas, Magalhães Pinto, que seria a senha para colocar as tropas na rua.

    Em vez de mandar o texto para ele antes, o governador entregou o manifesto à imprensa. E o conteúdo não era o que haviam combinado!

    “Eu estava uma verdadeira fúria”, anotou. “Meu peito doía de rachar. Tive que por uma pílula de trinitrina embaixo da língua”

    Olympio Mourão Filho, general de três estrelas, está em sua casa, em Juiz de Fora, onde há sete meses comanda a poderosa 4.a  Região Militar, uma das principais forças terrestres do Exército brasileiro. Está mesmo descontrolado:

    “Idiotas. O chefe militar sou eu. Magalhães não terá desculpa perante a História…e o Guedes ( general Carlos Luís Guedes, comandante em Belo Horizonte), um falastrão vaidoso que aceitou um papel triste… Fizeram isso, bancando os heróis porque sabiam que eu era a própria revolução. Do contrário não se atreveriam a dar um passo irresponsável, arriscando uma revolução tão bem planejada, num momento de vaidade”

    Depois da explosão, acalma-se:.

    “Acendi o cachimbo e pensei: não estou sentindo nada e, no entanto, em poucas horas deflagrarei um movimento que poderá ser vencido porque sai pela madrugada e terá que parar no caminho.  Não faz mal…”

    Em seu plano original, Mourão previa sair no início da noite, com 2.300 homens, para chegar ao Rio de Janeiro antes de clarear o dia e tomar de surpresa o prédio do Ministério da Guerra e o Palácio das Laranjeiras, onde se encontrava o presidente João Goulart.

    Há uma semana “estava pronto”, mas vinha sendo retardado pelas manobras do governador Magalhães que, mineiramente, temia se envolver numa aventura.

    Mourão ainda fazia anotações em seu diário, quando tocou a campainha de sua casa. Eram dois emissários do governador.

    Vinham dizer que Magalhães já havia “dado o passo”, Minas se levantara contra Goulart.  Com aquele manifesto ambíguo?

    Impaciente, ele os despacha rapidamente e volta ao diário, sente que estão lhe passando a perna:

    “Vou partir para a luta às cinco da manhã…  Ninguém me deterá. Morrerei lutando. Nosso sangue impedirá a escravização do Brasil. Por consequência seremos, em última análise, vitoriosos ! E o mais curioso de tudo isto é que, passada a raiva (já estou normal, bebi água e café) não sinto nada, nem medo, nem coragem, nem entusiasmo, nem tristeza, nem alegria. Estou neutro”

    Anotou alguns nomes num papel e, quando o relógio marcou cinco horas, chamou a telefonista de plantão na central de Juiz de Fora: “Quero prioridade absoluta e rápida para as ligações que vou pedir. Estou mandando a PM ocupar a Estação e a senhorita não diga palavra a ninguém”.

    Considerou-se em ação: “Eu já havia desencadeado a Operação Silêncio”, anotou.

    No primeiro telefonema tentou alcançar o coronel Everaldo Silva, que estava de prontidão no QG…”O telefone estava enquiçado. Tõcou então para o  major Cúrcio e mandou desencadear a “Operação Popeye”, o plano militar que ele, Mourão, havia traçado e ao qual batizara com o apelido que ganhara no quartel, pelo uso constante do cachimbo.

    Em seguida,  convocou os coronéis Jaime Portela e Ramiro Gonçalves para que se apresentassem imediatamente no quartel (nenhum dos dois apareceu; Mourão foi encontrá-los dois dias depois, quando chegou ao Rio, no gabinete do general Costa e Silva, que já havia assumido o comando militar do levante).

    A seguir,  ligou para o almirante Silvio Heck, comandante da Marinha: disse que estava partindo em direção ao Rio, para depor o presidente.

    Em seguida alcançou o deputado Armando Falcão , para que avisasse Carlos Lacerda,  governador da Guanabara,  o mais notório inimigo do  governo Goulart.

    Falcão,  astuto conspirador,  ligou para o general Castello Branco, que era o líder militar da insurreição e que evitara sempre se envolver com Mourão.

    Castello, que não tinha tropas, tentou falar com Amaury Kruel, o comandante do II Exército, a maior força  militar do país. “Isso não passa de uma quartelada do Mourão, não entro nessa”, disse Kruel, quando foi alcançado por emissários.

    Nesse meio tempo, Castello recebeu uma ligação do general Antonio Carlos Muricy, “conspirador tonitroante”, mas sem comando.

    Muricy diz que foi chamado a Minas por Mourão, que está rebelado. Castello aconselha que vá “para prevenir qualquer bobagem”.

    Enquanto isso, Mourão segue anunciando o golpe por telefone. Ao final de sua saraivada de chamadas,  fez questão  de registrar que “estava de pijama e roupão de seda vermelho”.

    E  não esconde o  “orgulho pela originalidade”:

    “Creio ter sido o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijama”.

    Subiu um lance de escada até o quarto onde estava seu amigo Antonio Neder, “que dormia como um santo”. Gritou:  “Acabo de revoltar a  4a Divisão de Infantaria e a  4ª Região Militar”.

    O amigo “entre espantado e incrédulo”, perguntou: “Você agiu certo? Tem elementos seguros?”.

    Mourão responde: “Vocês, paisanos, não entendem disso”. Eu estou agindo  certo, pode crer”.  Na verdade não tinha certeza de nada, nem mesmo se conseguiria tirar suas tropas do quartel.

    Entrou no banheiro,  fez a barba e leu alguns salmos da Bíblia, como fazia todos os dias. Estava aberta no versículo 37, o Salmo de David : “A prosperidade dos pecadores acaba e somente os justos serão felizes”.

    Leu e transcreveu em seu diário o salmo  inteiro:

    “Não te indignes por causa dos malfeitores , nem tenhas inveja  dos que obram em iniquidade. Por que cedo serão  ceifados como erva e murcharão como a verdura. Confia no senhor e faze o bem: habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deixa a ira e abandona o furor, não de indignes para fazer o mal”.

    A leitura da Bíblia remete o general à rua doutor Bozzano, em Santa Maria, 1522, onde morava em março de em 1962, onde tomou sua decisão de impedir a tomada do Brasil pelo “comunismo de Brizola”.

    Ele vinha contando os dias: foram dois anos dois meses e 23 dias desde o início de sua conspiração, em Santa Maria, até ali naquele banheiro de onde ia partir para derrubar o governo.

    “Eu era um homem realizado e feliz. Não pude deixar de ajoelhar-me no banheiro e agradeci a Deus a minha felicidade, havia chegado a hora de jogar a carreira e a vida pelo Brasil!”

    Entrou no chuveiro, banhou-se calmamente. Só então vestiu o uniforme de campanha e foi tomar café com Maria, sua mulher (“Não consigo me lembrar se o Neder tomou café conosco”, diz ele nos registros que fez dias depois).

    A essa altura a notícia de um golpe militar se espalhava rapidamente, mas o comandante  do levante ainda não saíra de casa.

    “A insurreição estava envolta numa nuvem que se parecia ora com uma quartelada sem futuro ora com uma tempestade de boatos”(Gaspari).

    ***

    O fechamento do aeroporto de Brasilia pouco depois das nove horas da manhã do dia 31, confirmou a boataria. O governo acionava seu dispositivo de segurança para conter um golpe.

    Por volta das dez horas, ainda sem saber direito o que realmente estava acontecendo, o general Castello Branco, saiu de seu apartamento, em Ipanema, no Rio.

    Foi  para o Ministério da Guerra,  no centro, onde tinha seu gabinete de trabalho, no sexto andar.  De lá ainda insistiu com o general Carlos Luís Guedes, comandante em  Belo Horizonte,  e o governados Magalhães Pinto para que detivessem  Mourão. “Senão voltarem agora serão derrotados”.

    Guedes, depois em suas memórias, tentou associar-se à iniciativa de Mourão, dizendo que àquela hora também já estava rebelado, mas a verdade é que até aquele momento Mourão estava sozinho, e  assim continuaria um bom tempo.

    Guedes naquelas alturas ainda  tentava saber se os americanos estavam dispostos a ajudar imediatamente com “blindados, armamentos leves e pesados , munições, combustíveis, aparelhagens de comunicações…”.

    Para mais tarde, informou, precisaria de equipamento para  50 mil homens!

    Ao meio dia, já se movimentavam tropas do governo para atacar Mourão.

    “Na avenida Brasil principal saída do Rio e caminho para Juiz de Fora, marchavam duas colunas de caminhões.  Numa iam 25 carros cheios de soldados, rebocando canhões de 120 mm…Noutra, em  22 carros ia o Regimento Sampaio, o melhor contingente de infantaria da Vila Militar. De Petrópolis, a meio caminho entre o Rio e Mourão, partira o  1º.Batalhão de Caçadores” (Gaspari).

    Fardado, de capacete, Mourão foi fotografado no início da tarde, no QG da 4ª. Divisão de Infantaria.

    No Rio correu o boato que o dispositivo militar do governo, mandara prender Castello Branco.  Sessenta oficiais da Escola Militar da Praia Vermelha formaram um comando para protegê-lo. Os expedicionários instalaram-se no sexto andar, em torno de Castello  .

    “Desligaram os elevadores principais e bloquearam as passagens de quatro pavimentos. A revolta controlava os corredores do quinto ao oitavo andar, enquanto o governo funcionava no resto”.

    No décimo andar,  o gabinete do ministro da Guerra estava vazio, ele estava hospitalizado.

    Quando os carros de choque da Polícia do Exército chegaram  para desalojar os revoltosos, eles já estavam fora.

    Castello, acompanhado do  general Ernesto Geisel  já estavam alojados num “aparelho”, comandando  no golpe.

    Chamado por Mourão, o general Antonio Carlos Muricy fora  incumbido de chefiar a vanguarda da tropa que desceria em direção ao Rio.

    Ao inspecionar os homens de que dispunha, Muricy  percebeu que mais da metade eram recrutas e a munição dava para poucas horas.

    Enquanto isso, Mourão enfrentava dificuldades para levar as tropas à rua. O comandante do  10º Regimento de Infantaria,  coronel Clóvis Calvão não apoiava o levante.  Mourão contornou o impasse dando férias ao coronel, colocando um dos seus no lugar.

    Dois outros coronéis e o comandante da Escola de Sargento de Três Corações, também rechaçaram a ordem de botar a tropa na rua e foram para casa.

    Nada disso influiu no apetite do general. A uma da tarde, ele foi para casa almoçar e não dispensou sequer a sesta.

    “Tinham-se passado oito horas  desde o momento em que se considerara insurreto. Salvo os disparos telefônicos e a movimentação de um pequeno esquadrão de reconhecimento que avançara algumas dezenas de quilômetros, sua tropa continuava onde sempre estivera: em Juiz de Fora.” (Gaspari)

    O embaixador americano soube da rebelião a essa hora.  Imediatamente avisou o Departamento de Estado: “(…) pode ser a última hora para apoiar uma ação contra Goulart”.

    “Ele não é bem visto no Exército e provavelmente não liderará uma conspiração contra o governo, em parte porque não tem muitos seguidores. É visto como uma pessoa que fala mais do que pode fazer”.(Documento do Departamento de Estado ao secretário Dean Rusk de 31 de março).

    O general Mourão ainda é um personagem enigmático e seu papel no golpe não está bem dimensionado.  Ele se considerava o mentor, o realizador de tudo, o que certamente não foi.

    Em janeiro de 1962, quando ele se declarou em conspiração,  o movimento para depor o governo  já funcionava a pleno no Rio de Janeiro. Ele mesmo tentou se integrar  ao grande movimento conspiratório, mas por  se considera “o comandante” e por ser indiscreto em seus atos e palavras, foi sendo afastado. Ele mesmo registra isso em seu diário.

    Para o historiador Hélio Silva, Mourão era um “homem bom, sofredor, pitoresco, capaz de assomos de cólera”.

    Em suas memórias, Mourão Filho diz que foi “acordado” para o perigo comunista num jantar oferecido ao governador Leonel Brizola, quando este falou de seus planos a ele e ao general Osvino Ferreira Alves, comandante do I Exército, brizolista, que passava suas férias em Santa Maria, em 1962.

    Brizola havia frustrado a primeira tentativa de golpe com o movimento da “Legalidade”, um ano antes, e se preparava para disputar a sucessão de João Goulart.

    Na versão de Mourão, o golpe foi contra Brizola, mais do que contra Jango,

    *“Diário de um revolucionário”, Olympio Mourão Filho, L&PM Editores, 1978.

  • Ato pelas liberdades democráticas vai marcar 58 anos do golpe militar

    Ato pelas liberdades democráticas vai marcar 58 anos do golpe militar

    Ato “em defesa das libertades democráticas” vai marcar os 58 anos do golpe militar de 1964 em Porto Alegre, nesa sexta-feira, 1.

    Diversas entidades e movimentos sociais, sindicais e estudantis estão envolvidas na manifestação que denuncia, também a precarização dos serviços públicos em Porto Alegre.

    O início está marcado para as 10h em frente ao Instituto de Educação Flores da Cunha (Osvaldo Aranha, 527).

    O movimento, convocado pelo ANDES, Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, juntamente com o Fórum dos Servidores Públicos do RS e  coletivos de diversos segmentos, como UNE,  Assufrgs Sindicato,  DCE-UFRGS, APG-UFRGS e Fórum Sindical, Popular e da Juventudes, marcará o encerramento do 40º Congresso do ANDES, que começou no domingo (27/3).

    Após a concentração, haverá caminhada até a Esquina Democrática, importante símbolo de luta e soberania popular.

    Jornada de lutas

    A manifestação faz parte da jornada de lutas em defesa dos serviços públicos, que tem reunido o funcionalismo em intensa mobilização contra o projeto de esvaziamento de áreas como Educação, Saúde e Assistência Social.

    Entre as vitórias já celebradas pela categoria está o adiamento da votação da PEC 32, da Reforma Administrativa.

    Confira:

    Ato em defesa das liberdades democráticas e do serviço público em Porto Alegre

    Sexta-feira, 01/04

    Hora: 10h

    Local concentração em frente ao Instituto de Educação, com caminhada até a Esquina Democrática

     

  • Leite anuncia reajuste de 6% ao funcionalismo; defasagem supera 50%, segundo os sindicatos

    Leite anuncia reajuste de 6% ao funcionalismo; defasagem supera 50%, segundo os sindicatos

    Em jantar com deputados da base aliada na noite de terça-feira (29), o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou reajuste de 6% aos servidores(as) estaduais.

    O governador deixa o cargo nesta quinta-feira, 31, para tentar viabilizar sua candidatura à Presidência da República e apresentou aos aliados os projetos que encaminhará para aprovação  da Assembléia Legislativa.

    “A proposta é uma vergonha”, segundo nota publicada no site do CPERS .  “Em sua maioria, os servidores(as) públicos estaduais estão sem reajuste salarial há sete anos. Para recuperar o poder de compra precisam de um reajuste de 56,29%”.

    Segundo dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),  o Rio Grande do Sul foi, o quarto estado com maior volume de arrecadação em 2021, com total de R$ 51,3 bilhões arrecadados.

    Ficou atrás apenas de São Paulo (R$ 219 bi), Minas Gerais (R$ 79 bi) e Rio de Janeiro (R$ 58 bi) (Tabela 1).

    Segundo o Cpers, os 6% que o governador promete representam menos de 1% ao ano desde o último reajuste, há sete anos.

    “Vale destacar, que neste mesmo período, o preço da Cesta Básica – calculada pelo Dieese, com base nos custos médios da capital – aumentou de R$ 342,62 para R$ 695,91; o equivalente a 103,1%”, diz a entidade..

  • Eduardo Leite deixa o governo apostando numa frente para sustentar sua candidatura à presidência

    Eduardo Leite deixa o governo apostando numa frente para sustentar sua candidatura à presidência

    Numa entrevista coletiva com 60 veículos inscritos, o governador Eduardo Leite anunciou na tarde desta segunda-feira,(28) que vai deixar o cargo de governador do Rio Grande do Sul, mas não vai sair do PSDB.

    Ele disse que renuncia para explorar “todas as possibilidades” que se abrem para sua carreira política: candidato à presidência por uma coligação de centro direita, candidato ao senado pelo Rio Grande do Sul ou, em último caso, ser candidato à reeleição, para defender seu governo.

    Leite deixou clara sua prioridade ao anunciar que vai percorrer o país para propor “um novo olhar sobre o Brasil”.

    João Dória, já escolhido como candidato do PSDB, é um obstáculo a essa ambição. Mas Eduardo Leite acredita que “as prévias não tem exclusividade” (na indicação do candidato) e que “acima das prévias está o Brasil e seu futuro”.

    Ele deu sinais que confia numa grande frente do “centro democrático”, reunindo PSDB, PMDB, União Brasil, PSD, Cidadania e “outros”, que está se formando e pode atropelar a pré-candidatura de João Dória, que até agora aparece sem expressão nas pesquisas. Não é só uma questão de projeto, antes há uma questão eleitoral, sugeriu.

    À frente dessa ampla aliança, ele se tornaria não a terceira, mas  a “primeira via”, acima da polarização estabelecida entre Lula e Bolsonaro.

    Aparentemente, o que tem fortalecido o nome de Eduardo Leite entre às alternativas à polarização, é o elevado índice de intenção de voto em Lula por parte da juventude, registrado nas últimas pesquisas.

    Ele citou reiteradamente sua condição de líder jovem (é governador aos 36 anos) e disse que pretende percorrer o Brasil “pelos jovens”.

     

     

  • Eduardo Leite diz que fica no PSDB; Dória fala em golpe para derrubar sua candidatura

    Eduardo Leite diz que fica no PSDB; Dória fala em golpe para derrubar sua candidatura

    O governador Eduardo Leite, do RS, telefonou domingo (27) à noite para o presidente do PSD, Gilberto Kassag e avisou que vai ficar no PSDB. A informação foi publicada na manhã desta segunda-feira,28, pela repórter  Andréa Sadi, do G1, tendo Kassab como fonte

    O anúncio de que deve ficar no PSDB  está previsto para esta segunda-feira (28), na entrevista coletiva que o governador convocou para às 14 horas.

    Leite, que perdeu as prévias no PSDB para João Doria, quer ser candidato à Presidência da República.

    Para isso, no entanto, precisa esperar Doria abrir mão da candidatura – o que o governador de São Paulo já disse que não fará.

    Nas tratativas para ficar no PSDB, Leite ouviu de adversários de Doria, do grupo do deputado Aécio Neves, que Doria vai abrir mão da candidatura. Mas, na verdade, trata-se de um projeto de “golpe” em curso para tentar tirar Doria do páreo. Dória tem repetido que para desistir da candidatura só se for um “golpe” da ala aecista do PSDB.

    No domingo (27), Dória afirmou que a articulação de parte minoritária de integrantes do PSDB que querem tirá-lo da disputa presidencial na eleição de 2022 é uma “tentativa torpe, vil, de corroer a democracia e fragilizar” o partido.

    Aliados de Doria preveem uma briga judicial caso haja essa tentativa para anular as prévias. Sobre Leite ficar no PSDB, no entanto, Doria considera uma decisão acertada.

    (Com informações do G1)