O advogado Leonardo Lamachia disse ao JÁ pela manhã, quando ainda não se conhecia a decisão de Eduardo Leite, que o governador ainda não respondera ao pedido de uma audiência com os atuais gestores da empresa Cais Mauá, feito no dia 15 de maio, quando os procuradores entregaram seu relatório, recomendando a rescisão do contrato.
Os novos gestores da Cais Mauá do Brasil pediam uma reunião para apresentar um plano emergencial para destravar o projeto de revitalização do Cais Mauá, parado há 10 anos. “Ainda não houve qualquer manifestação do governo em relação a isso”, disse Lamachia. Sua expectativa era de que o governador ouviria a empresa antes de decidir.
O governador anunciou o rompimento em entrevista coletiva à tarde no Palácio Piratini.
Autor: Elmar Bones
Cais Mauá: governador decidiu sem ouvir a empresa concessionária
Associação Riograndense de Imprensa pede "convergência pela democracia"
Em nota alusiva ao Dia da Imprensa, neste 1 de junho, a Associação Riograndense de Imprensa faz um chamamento aos profissionais e empresas para “transformar em oportunidades as ameaças ao jornalismo independente”.
A nota assinada pelo presidente da ARI, Luiz Adolfo de Souza, e pelo presidente do Conselho Deliberativo, João Batista Filho, lembra que o primeiro jornal brasileiro, o Correiro Braziliense nasceu no exílio (em Londres) em 1808, para fugir à censura régia.
Eis a integra:
CONVERGENCIA PELA DEMOCRACIA
O ofício do jornalismo e a atividade da comunicação necessitam ampliar a convergência indispensável ao enfrentamento dos novos desafios representados pela proliferação de notícias falsas pelos novos hábitos de consumo de informação e pela polarização das manifestações repressoras e autoritárias sobre temas de grande interesse para a sociedade brasileira.
Também é preciso seguir atuando contra tentativas espúrias de cerceamento da liberdade de imprensa, garantia constitucional seguidamente atacada por interesses políticos e econômicos dissociados do ideal democrático.
Nesse contexto, a Associação Riograndense de Imprensa destaca a celebração de mais um Dia Nacional da Imprensa, neste 1o de junho, como momento para o jornalismo profissional e independente transformar tais ameaças em oportunidades.
A Lei Federal 9.831, sancionada em 13 de setembro de 1999, homenageia Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça e seu Correio Braziliense.
Este jornal, impresso em Londres a partir de junho de 1808, chegava ao Brasil Colônia na clandestinidade e era perseguido pela Censura Régia.
Apoiada também na Lei Estadual 11.300, de 29 de dezembro de 1998, a ARI promove a Semana Hipólito da Costa entre 1° e 7 de junho.
Entendem o seu Conselho Deliberativo e a Diretoria Executiva que os eventos organizados para registrar a data oferecerão à população gaúcha uma oportunidade de reflexão sobre a importância da prática jornalística livre e responsável como garantia da democracia e dos direitos dos cidadãos.
Porto Alegre, 1o de junho de 2019
Luiz Adolfo Lino de Souza Presidente da Diretoria Executiva
João Batista de Melo Filho Presidente do Conselho Deliberativo
Aprovada em reunião do Conselho Deliberativo realizada em 30/05/2019Cais Mauá: avaliação da empresa em R$ 230 milhões é referência para ação judicial
O advogado Leonardo Lamachia disse ao JÁ que a avaliação da empresa Cais Mauá do Brasil, feita por uma auditoria internacional será referência para a indenização pretendida numa ação judicial, a partir do rompimento unilateral do contrato anunciado nesta quinta-feira, 30, pelo governador Eduardo Leite.
O cálculo foi feito em 2017 pela Baker Tilly, empresa especializada na avaliação de ativos empresariais e chegou ao valor de R$ 230 milhões. Este seria o “valor de mercado” da Cais Mauá do Brasil, detentora da concessão do cais desde 2010.
Desse total, R$ 189 milhões corresponderiam ao FIP Cais Mauá, fundo controlador com 88% das ações da empresa.
O restante se refere à participação de três empresas espanholas reunidas na holding CSS (em torno de 10%) e à Contern, empresa do grupo Bertin, em recuperação judicial, que tem menos de 1%.Lula: "Guedes precisava criar vergonha"
A entrevista de Lula à Folha de São Paulo e ao El País está sendo dissecada, à esquerda e à direita, com repercussão internacional.
A Globo tenta ignorar, mas é o fato político mais importante depois da eleição de Bolsonaro.
Ele diz a certa altura:
Ah, o povo tá devendo? Tire todo o penduricalho da dívida do povo e ele paga apenas o principal no banco e você vai perceber que as pessoas voltam a comprar. Um país que não gera emprego, não gera salário, não gera consumo, não gera renda, quer pegar do aposentado e do velhinho R$ 1 trilhão? O Guedes precisava criar vergonha.
Onde ele fez esse curso de economia dele? Se ele quiser me visitar aqui, eu discuto com ele esse problema dos pobres sem causar prejuízo aos pobres”..Cais Mauá tinha apenas R$ 4 milhões quando anunciou o início das obras
O Fundo Cais Mauá dispunha de apenas R$ 4 milhões em março de 2018, quando anunciou o início das obras, cuja primeira etapa estava orçada em R$ 140 milhões.
Um mês depois, metade desse dinheiro foi bloqueado pela Justiça. O restante foi gasto em despesas correntes.
Essas informações foram prestadas pelo ex-diretor do Consórcio Cais Mauá, João Carlos Mansur, em depoimento, segunda-feira 22, à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as irregularidades nas aplicações do PreviPalmas, Fundo de Previdência dos Funcionários Municipais de Palmas, capital do Tocantins.
Pelo contrato de concessão da área, o empreendedor deveria apresentar uma garantia de R$ 400 milhões antes de iniciar as intervenções no porto.
A CPI em andamento na Câmara Municipal de Palmas investiga o desvio de mais de R$ 58 milhões do fundo para aposentadoria dos servidores públicos municipais.
Do total, segundo apurou a CPI, R$ 30 milhões foram aplicados no Cais Mauá, em Porto Alegre (RS), alvo de investigação da Polícia Federal (PF).
Mansur declarou que geriu o fundo do Cais Mauá por apenas dois meses, tendo renunciado após ser deflagrada a Operação Gatekeeper, da Polícia Federal, em abril de 2018..
Mansur declarou que a REAG Investimentos administrou o fundo do Cais Mauá entre o final de fevereiro até abril de 2018 e que, durante o período, o fundo dispunha de R$ 4 milhões, dos quais R$ 2 milhões sofreram bloqueio judicial, a pedido do próprio PreviPalmas.
O restante dos recursos foi utilizado para pagamento de despesas ordinárias. O ex- gestor se comprometeu, perante os membros da CPI, a enviar relatório discriminado dos levantamentos contábeis e financeiros realizados sob sua gestão. A CPI colhe novos depoimentos na próxima segunda-feira, 29.
(Com informações da Câmara de Vereadores de Palmas)
Há 20 anos ameaças fermentam na internet

Por Tiago Lobo
No fórum Dogolachan, localizado na primeira camada da Deep Web, uma parte da internet invisível aos motores de busca como o Google, adolescentes intitulados Incels (celibatários involuntários na sua linguagem), trocam informações e pedem dicas de forma anônima. Os assuntos variam desde a compra facilitada de armas, esquemas de bombas caseiras, tipos de ácidos para agredir pessoas, até troca de conteúdo pedófilo e dicas para planejar e cometer atentados terroristas.
Há um espaço, inclusive, que funciona como um confessionário. Um “padre” responde às confissões dos usuários. Um deles pede, por exemplo, ajuda após 9 dias de celibato para se livrar do vício pela masturbação que teria o tornado “impuro”…
O fórum é terreno fértil onde apologia ao crime é rotina. De lá que partiram incentivos para tragédias que mobilizam o país desde o final dos anos 90.
Até novembro de 1999, “tiroteios em massa” não eram uma realidade no Brasil. Isso era tido como um problema da terra do Tio Sam, nada Tupiniquim.
A partir de 20 de abril daquele ano o chamado “Massacre de Columbine” inundou a pauta na imprensa internacional: dois adolescentes mataram 12 alunos e um professor, feriram outras 21 pessoas para depois se suicidarem em uma escola do Colorado, Estados Unidos. Desde 1996 os adolescentes alimentavam um site onde compartilhavam mapas e estratégias sobre o jogo de tiro “Doom”. No final de 97 já havia conteúdo sobre como construir bombas caseiras e postagens que descreviam o ódio que a dupla sentia da sociedade.
Na noite de 3 de novembro, pouco mais de 6 meses depois de Columbine, cerca de 30 pessoas assistiam ao filme O Clube da Luta na sala 5 do cinema do Shopping Morumbi, em São Paulo. Um estudante de medicina de 24 anos começou a atirar até esvaziar o pente de uma submetralhadora, matando três pessoas e ferindo outras quatro. Ele foi imobilizado quando ficou sem munição e logo em seguida foi detido pela polícia.
Advogados de defesa, na época, tentaram alegar insanidade, o que o tornaria ininputável: alguém que não tem discernimento sobre certo e errado, e possibilitaria o cumprimento da pena em um hospital psiquiátrico. Alegaram também que ele havia sofrido influência de um jogo de tiro, o clássico Duke Nukem: não colou e ele foi condenado a 120 anos e seis meses de prisão.
Um psiquiatra contratado pela família afirmou que o jovem sofria de Transtorno de Personalidade Esquizoide (TPE), caracterizado pelo distanciamento e desinteresse no convívio social e uma gama limitada de emoções em seus relacionamentos interpessoais.
Membro de família da classe média alta de Salvador, o “atirador do shopping” começou a apresentar indícios de depressão e ideação suicida aos 13 anos: queixava-se à mãe que não tinha amigos. Aos 15, durante um intercâmbio nos E.U.A, foi mandado de volta pela família que o acolheu no exterior por conta da sua agressividade e, ao retornar, passou a agredir fisicamente os próprios pais chegando a fraturar a costela de um deles.
Por recomendação médica, foi morar sozinho em São Paulo, para ter “uma vida social independente”. Na faculdade de medicina (seguindo os caminhos do pai), ingressou como aluno brilhante e foi decaindo. Introspectivo e com reações desproporcionais às brincadeiras dos colegas foi ficando sozinho. Um professor o definiria como uma pessoa “apática, diferente”. Nas primeiras férias da faculdade tentou suicídio, depois teve que sair da pensão onde morava por agredir um colega, na sequência ameaçou o porteiro de um apartamento que os pais lhe alugavam e passou a ter alucinações.
Cinco dias antes do crime, resolveu largar a medicação psiquiátrica por conta própria e fazia uso frequente de cocaína. A polícia encontraria 37 papelotes da droga no apartamento do estudante, que não pagava o condomínio havia dois meses.
Três anos depois do julgamento, a pena foi reduzida a 48 anos e nove meses de prisão por uma tecnicalidade da legislação. Hoje ele segue preso, institucionalizado no Hospital de Custódia e Tratamento de Salvador, destinado a doentes mentais.
Logo após ser detido, policiais do 96º DP perguntaram se havia alguma namorada ou amigos para avisá-los da situação do atirador. “Eu não gosto de ninguém”, ele respondeu.
A primeira escola
A cidade de Taiúva, a 363 km de São Paulo foi o palco para o primeiro tiroteio em massa dentro de uma escola que o Brasil registra. Às 14h40min do dia 27/01/2003, um jovem de 18 anos armado com um revólver calibre 38 e 105 projéteis invadiu o pátio da sua ex-escola e disparou quinze vezes contra alunos, professores e funcionários. Após ferir cinco estudantes, zelador e vice-diretora, se matou com um tiro na cabeça. Uma das vítimas ficou tetraplégica.
O colégio estadual Coronel Benedito Ortiz, cena do crime, foi frequentado pelo atirador durante toda sua vida escolar. À época a diretora da escola, Maria Luiza Gonçalves Oliveira disse para a imprensa que eram muito amigos e que “ele nunca deu problemas, era educado, sempre andou bem vestido”.
A polícia concluiu que o atirador teria cometido o crime motivado por revolta, devido ao bullying que sofria por ter “problemas com peso”. Em 1999, segundo a diretora Oliveira, o jovem conseguiu emagrecer quase 30 quilos.
Filho único de família simples, o pai trabalhava no campo e a mãe dona-de-casa, o atirador de Taiúva era tido como bom aluno, sem problemas com disciplina e sem inimigos. Saía pouco e não tinha namorada.
Luto nacional
O caso que teve maior repercussão na imprensa e comoção pública, levando a então presidente Dilma Roussef a decretar luto nacional, teve início na manhã de 7 de abril de 2011.
Um rapaz com 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, invadiu a instituição armado com dois revólveres calibres .32 e .38 e abriu fogo contra alunos deixando 12 crianças mortas (10 meninas e 2 meninos) e 17 feridas. Uma sobrevivente que foi entrevistada pela TV Record logo após o crime revelou que o assassino atirava nas meninas para matar e nos meninos para ferir.
Após ser baleado na perna por um policial, o atirador se matou.
Os investigadores apuraram que a motivação seria vingança por conta do bullying que sofria. O jovem já havia chamado de “irmão” o atirador que matou 32 pessoas na Universidade Virginia Tech, nos E.U.A., em 2007. Este último venerava os autores de Columbine. O autor do massacre em Realengo também se identificava com o atirador de Taiúva.
Ele chegou a deixar um vídeo onde dizia ter sido vítima de “bullying”. “Muitas vezes, aconteceu comigo de ser agredido por um grupo e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria sem se importar com meus sentimentos”, declarou em a nota suicida. Nela também havia instruções de como deveriam ser feitas a retirada de seu corpo e o sepultamento. Nenhuma pessoa “impura” poderia tocar no cadáver. Análises do computador do jovem mostraram que ele constantemente fazia pesquisas sobre terrorismo e se identificava com Osama Bin Laden.
15 dias após o massacre nenhum familiar compareceu ao Instituto Médico Legal para liberar o corpo do atirador: ele foi enterrado como indigente.
Padrões se repetem
Mesmo com um intervalo de tempo, parece que o efeito de um atentado em massa se desdobra em cascata.
Em setembro de 2011, 5 meses após Realengo, uma criança de 10 anos atirou contra sua professora e, em seguida, cometeu suicídio na escola Professora Alcina Dantas Feijão, no município de São Caetano do Sul, do ABC paulista. O crime ocorreu às 15h50min, após uma discussão em sala de aula. A arma foi um revólver calibre .38 que pertencia ao pai da criança, um guarda civil. Ambos foram socorridos com vida, mas após duas paradas cardíacas o menino foi declarado morto às 16h50. A professora sobreviveu. Os investigadores chegaram a afirmar que o menino era “manco”, que sofria gozações dos colegas e esta seria a motivação do crime, mas abandonaram a tese.
Em outubro de 2017 um adolescente de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro ao disparar uma pistola .40 da mãe, que assim como o pai, era policial militar. O crime ocorreu no Colégio Goyases, em Goiânia (GO). Segundo os colegas, o jovem era constantemente chamado de “fedorento”.
Este ano, o ataque ocorrido na escola paulista Raul Brasil, em Suzano, no dia 13 de março, deixou 10 mortos e 11 feridos, por dois jovens encapuzados que abriram fogo nas dependências da instituição. Suspeita-se que os atiradores tenham sido frequentadores do Dogolachan, onde são celebrados como heróis.

Acompanhe as reportagens da série:Repressão aos crimes virtuais desafia polícia gaúcha

Por Tiago Lobo
Ameaças inspiradas no atentado de Suzano pegaram as forças policiais do RS de surpresa. Desde junho de 2010, com a criação da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), foi a primeira vez que a Polícia Civil Gaúcha teve que investigar possíveis tiroteios em massa no Estado. Com falta de efetivo e investimento em tecnologia, a Civil conseguiu reagir antes que o pior acontecesse.
Com aproximadamente 500 procedimentos abertos, entre inquéritos e termos circunstanciados, a pasta comandada a pouco mais de um mês pelo Delegado André Anicet, conta apenas com quatro policiais entre inspetores e escrivães. Apenas um deles possui formação em área relacionada: sistemas de informação.
A DRCI atua a partir de denúncias. Entre os principais casos estão golpes na internet (estelionato) e extorsão sexual – quando uma pessoa é chantageada por alguém de posse de fotos nuas, por exemplo.
As ameaças pelo estado vieram à tona a partir da repercussão de Suzano. Até então, segundo o delegado e o inspetor Amaral, que está há 3 anos na delegacia, ameaças de tiroteios em escolas não eram uma realidade no RS.
A escalada começou a partir do alerta à Rede Marista. A maioria das ameaças partiram de adolescentes passando trotes. A polícia segue recebendo e apurando denúncias, mas o volume vem caindo.
Os autores podem responder por apologia ao crime, ameaça, associação criminosa e até responder por ato terrorista. Mobilizar forças de segurança a partir de um mero trote e provocar alarde e pânico na sociedade também é crime.
O delegado revela, com certa cautela, que de todas as denúncias recebidas até agora, duas eram potencialmente mais preocupantes. Anicet ressalta que mensurar potencial é difícil, mas nestes dois casos os autores teriam meios para perpetrar um ataque – ambos já foram identificados e detidos.
“O caso do colégio Marista foi uma mera ameça, uma Fake News”, revela o delegado.
A apuração de crimes praticados na internet começa com algumas técnicas específicas de coleta de dados e informações. Em dado momento do inquérito ela se torna um trabalho de investigação tradicional.
Atualmente o próprio delegado pode solicitar à plataformas como Facebook, Twitter e outras redes sociais, assim como empresas de telefonia, dados cadastrais de um suspeito. Informações mais detalhadas que permitam o rastreio do endereço de IP de um computador, por exemplo, ainda requerem ordem judicial. O que é visto como um entrave em casos urgentes.
Apesar do efetivo reduzido, a DRCI não age sozinha. Além das delegacias locais da Polícia Civil que atuam nas investigações, ela conta com relatórios do Gabinete de Inteligência Estratégica e da Secretaria de Segurança Pública para fazer cruzamentos de dados e estabelecer, por exemplo, se as ameaças às escolas do estado possuem alguma conexão entre si.
Investigações em andamento, mas pelo tom do delegado não parece ser o caso.
A Polícia Civil do RS ainda não possui tecnologia para rastrear usuários na Deep Web, como no fórum Dogolachan, de onde já partiram algumas ameaças, por isso as investigações contam com a ajuda da população. Denúncias levam aos autores.
Apesar disso o Delegado ressalta que, ao contrário da crença popular, “não é verdade que a Deep Web é irrastreável. Não temos estrutura pra isso no momento, mas é possível”.
O WhatsApp, por exemplo, também não é invisível ao monitoramento da polícia. Ela não pode acessar o conteúdo de trocas de mensagens por conta da criptografia da ferramenta, mas consegue saber quem e quando um suspeito se comunicou com outro pelo aplicativo.
“Acredito que o futuro da criminalidade é digital”, afirma o delegado. Pelo visto o da investigação também: o inspetor Amaral, por exemplo, conta que pediu para integrar a DRCI após alguns anos na Homicídios. Ele realizou uma capacitação via Ministério da Justiça para operação de um software desenvolvido pela polícia Canadense para rastrear conteúdo pedófilo na surface (a internet que todos nós navegamos) e Deep Web.
O caso de maior repercussão nos últimos três anos da pasta foi gerado por desinformação:
“A Baleia azul se tornou potencialmente ofensiva por causa da mídia”, opina o Inspetor.
A exposição da imprensa levou o DRCI a instaurar um inquérito para investigar se havia organização criminosa nesse caso. Suspeitos foram monitorados, identificados e apurou-se que não havia crime.
O “jogo da Baleia Azul” foi um boato que chegou ao Brasil em 2017, com a ideia de que levaria crianças a cometerem suicídio, o que supostamente já havia acontecido na Rússia.
Mas fique tranquilo: tudo não passou de um boato que a imprensa repercutiu sem apurar devidamente. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, o presidente da ONG Safernet, Thiago Tavarez, esclareceu que “essa notícia falsa que nasceu na Rússia e chegou ao Brasil de forma sensacionalista e alarmista acabou servindo de gatilho para um efeito de imitação”. Com a “Boneca Momo” (google it) não foi diferente.
Se apenas cinco servidores compõem uma das delegacias mais importantes em um momento de repercussão de tiroteios em massa planejados e incentivados pela Deep Web, o inspetor Amaral relata a sua surpresa ao se deparar com a estrutura da delegacia da mesma pasta no Rio de Janeiro, capital. 30 policiais, plantão 24h, atendimento especializado e estrutura qualificada.
“Eles estão anos-luz na nossa frente”, afirma Amaral.
Além de conduzir investigações, a delegacia ainda presta atendimento ao público: mas nem todas as pessoas que visitam a delegacia são vítimas ou deveriam estar lá… Muitas vezes não há crime: “Qual a legislação aplicável para lançar um site?”, “como deixar meu site seguro?”, “celulares que falam sozinhos” e etc despendem um tempo dos policiais para assuntos que não são trabalho de polícia.
Pergunto aos dois: com o atual efetivo da delegacia de repressão a crimes informáticos é possível dar conta? Eles não hesitam e despejam um “não” com certa frustração.
“Acho que o maior investimento em termos de Polícia e repressão deveria ser em tecnologia e pessoal. O caso Marielle, por exemplo, foi praticamente uma investigação cibernética”, defende o delegado. “Esperamos ter mais gente agora com um novo concurso. A equipe é pequena”.
“Há motivo para pânico?”, pergunto: “as pessoas tem que ter o cuidado de sempre e se suspeitarem de alguma coisa denunciarem”, é a recomendação do delegado Anicet.
Denuncia de ameaças de tiroteios em massa podem ser feitas pelo telefone 08005102828Cartão de crédito consignado, mais uma brecha para endividar aposentados
A Caixa Econômica Federal acaba de lançar o cartão de crédito consignado.
A taxa de juros ficará em 2,85% ao mês e é baixa se comparada a do cartão de crédito tradicional que muitas vezes supera os 15%.
O limite será de até 1,4 vez o valor recebido mensalmente e só valerá para aposentados do INSS, ou seja, se a pessoa recebe R$ 2 mil de benefício o seu limite será de R$ 2,8 mil.
Como regra oficial, aposentados, pensionistas e servidores públicos podem se endividar com o consignado em até 30% do que recebem mensalmente.
“O grande problema é que, esta é mais uma ferramenta para os aposentados se endividarem. A regra dos 30% não vale para este cartão de crédito consignado, ou seja, a dívida poderá ser somada. Na prática, vamos supor que uma pessoa ganha R$ 2 mil e já no limite de R$ 600,00 por mês de dívida. Ela ainda poderá ficar devendo mais R$ 2,8 mil neste novo cartão de crédito”, explica o financista Fabrizio Gueratto.
Apesar da taxa de juros no cartão consignado da Caixa ser de 2,85% é importante lembrar que, a poupança, rende neste mesmo período apenas 0,38%.
Outro ponto importante é o endividamento da população brasileira. “Atualmente,temos mais de 60% das famílias brasileiras endividadas. É o maior patamar desde 2015. O cartão de crédito é o principal motivo para 78% das famílias. Em muitas destas famílias o aposentado virou a única fonte de renda e este possui muita facilidade para conseguir dinheiro emprestado. Esses fatores combinados acabam virando uma bola de neve. Além disso, grande parte destes recursos é para o consumo, o que é pior ainda. Dívida somente em uma emergência, entretanto, dentro do planejamento financeiro, esta possibilidade já deveria estar prevista e uma reserva financeira já precisava ter sido guardada. Infelizmente o brasileiro vive como se não houvesse amanhã e acha normal estar endividado”, comenta.
O cartão de crédito pode ser uma boa alternativa para o acúmulo de benefícios como milhagens e cashback. “Por exemplo, se uma pessoa vai comprar um saco de pão na padaria, não importa se ela pagará em dinheiro ou no cartão de crédito ou débito. O valor será o mesmo. Já que não tem a possibilidade de desconto, neste caso, é melhor pagar pela forma que gera mais benefício, no caso, o cartão de crédito. Porém, ele só é útil para quem tem controle dos gastos. Hoje as próprias bandeiras dos cartões oferecem aplicativos em que é possível controlar o limite em tempo real. Um passo importante seria a obrigação da instituição financeira em fornecer gratuitamente um curso de educação financeira, com o conteúdo fiscalizado pelo Banco Central, antes de qualquer brasileiro pegar um empréstimo”, finaliza Fabrizio Gueratto, do Canal 1Blhão Educação Financeira.
(Com informações da Assessoria de Imprensa)


