Autor: Elmar Bones

  • Manifesto pede que governo rescinda contrato com Cais Mauá

    A Associação dos amigos do Cais Mauá (Amacais) divulgou nesta segunda, 15, um manifesto intitulado “A hora do Cais”.
    O documento afirma que o Governador do RS, Eduardo Leite, tem nas mãos a oportunidade de “enfrentar com coragem, lucidez e devoção ao interesse público a questão que há anos angustia a comunidade gaúcha”.
    A Amacais indica, como o jornal JÁ mostrou na reportagem “Cais Mauá quer renegociar contrato que descumpre há nove anos.”, que os atrasos e descumprimentos contratuais são unicamente devidos “à incapacidade do empreendedor” e alerta para “vários delitos graves na gestão do Consórcio”.
    Tais como o descumprimento da obrigação de preservação e manutenção dos bens tombados sob sua responsabilidade; a não apresentação das garantias financeiras para execução do projeto, exigidas no Edital; a inadimplência do Consórcio Cais Mauá no pagamento dos aluguéis e arrendamentos previstos; a negligência na manutenção da constituição acionária e da identidade técnica e administrativa do consórcio que venceu a licitação.
    O documento aponta que diversas irregularidades do processo estão judicializadas, com investigação em curso da Policia Federal sobre supostas fraudes na captação de recursos junto aos fundos de pensão e uma Ação Civil Pública questionando a validade da lei que liberou o regime urbanístico para o projeto vencedor da licitação.
    O manifesto critica o judiciário e chama de “deplorável” a postura do jornal Zero Hora: “espanta-nos a morosidade e a displicência com que as autoridades judiciárias tratam assunto de tamanha gravidade para a identidade e o destino desta Capital”.
    “No contexto em que empresários “tubarões” agridem a cidade e o estado, em que autoridades “bananas” contemporizem indefinidamente com postergações, degradações e descumprimentos do projeto, e jornalistas “lacaios” não cessam de adular a empresa e negligenciar a investigação das causas desta catástrofe evidente, parece ser muito honrosa a alcunha de “caranguejo” para distinguir aos cidadãos e cidadãs que, com tenacidade infatigável, não abrem mão de zelar pelo bem público, às claras, com fatos concretos e o melhor dos bons propósitos: propiciar a superação deste drama insólito e a imediata retomada da revitalização do cais do porto”.
    Faça o download do manifesto: Amacais – A hora do Cais.

  • Cais Mauá quer renegociar contrato que descumpre há nove anos

    O cais, com três quilômetros de extensão junto ao centro histórico de Porto Alegre está abandonado, porque a empresa que fazia a segurança do local foi dispensada.
    Os armazéns e as instalações portuárias, tombadas pelo patrimônio histórico, se deterioram visivelmente.
    Pela Carta de Estruturação Financeira, item 14 do edital de licitação, antes de iniciar a obra, o consórcio deveria comprovar pelo menos R$ 140 milhões, estimados para a primeira etapa da revitalização do cais.
    O procurador geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, em Inspeção Especial desde 2010, já cobrou diversas vezes a comprovação dessa garantia inscrita no contrato, sem uma resposta satisfatória.
    O contrato de concessão, assinado em 2010, passou ao controle do Consórcio Cais Mauá, uma área pública , com uma estrutura de prédios e equipamentos históricos, no ponto mais cobiçado da capital.
    As condições eram generosas: enquanto a receita não chegasse a um certo valor, o consórcio pagaria R$ 3 milhões por ano de aluguel. Depois, pagaria 1,95% da receita.
    O consórcio, sem dinheiro, pediu e ganhou dispensa do aluguel até dezembro de 2017, quando recebeu a licença de instalação que permitia iniciar as obras.
    Anunciou com pompa e circunstância o início das obras em março de 2018, mas quase nada aconteceu, além da troca de gestores do fundo de investimento, que mantém o consórcio Cais Mauá.
    Sem pagar o aluguel, mesmo depois da dispensa por sete anos, sem conseguir manter a guarda do local, deixando deteriorar-se armazéns e equipamentos, sem os recursos que precisaria ter para tocar a obra estimada em mais de R$ 300 milhões, o Consórcio Cais Mauá propôs ao governo uma revisão do contrato.
    Quer retirar das exigências a Carta de Estruturação Financeira, de garantias antes do início das obras: quer que o prazo de 25 anos de concessão comece a contar a partir de 2018, quando foi emitida a licença de instalação.
    Quer também alterar o cronograma do projeto, terceirizando uma parte da área concedida para eventos e serviços. E quer incluir um estacionamento para 400 carros.
    O governador Eduardo Leite recebeu nesta quinta-feira.11, o relatório do grupo de trabalho que designou para avaliar a questão do Cais Mauá.
    O grupo trabalhou 60 dias. Um dos assessores levou um calhamaço de 700 páginas, só para dar uma ideia da trabalheira que foi reconstituir a tortuosa evolução da concessão para revitalização do Cais Mauá, desde o início.
    O relatório mais sucinto encerra com um parecer em que são apresentadas duas alternativas para a decisão do governador.
    Ou fazer a repactuação no contrato, nas bases que o concessionário está propondo. Ou rescindir o contrato e chamar nova licitação. Há um movimento ainda difuso de grupos locais por esta solução.
    Antes de decidir, Leite quer ouvir, na próxima semana, a Procuradoria Geral do Estado e os representantes do concessionário.
    “Só uma coisa é certa neste momento”, disse o superintendente do Porto de Rio Grande, Fernando Estima, que falou em nome do Grupo de Trabalho depois da reunião com o governador: “A revitalização do Cais Mauá vai sair do papel”.
    O primeiro projeto de revitalização do Cais Mauá, desde que se tornaram inviáveis as operações portuárias, foi apresentado no governo Alceu Collares, há  30 anos.
     
     

  • Uma sátira ao abandono do cais

    Com licença da administração pública, que lhes cedeu a primeira quadra da Avenida Sepúlveda, junto à Avenida Mauá, na frente do cais do Porto, o Coletivo Prosperarte passou a tarde do último sábado (3º) filmando o videoclip “De Bananas, Lacaios e Tubarões”, a ser lançado nas redes sociais na primeira quinzena de abril. A filmagem objetivava dar conteúdo ao samba-enredo do Bloco Cais Cais Cais.

    Escrito pelo historiador Francisco Marshall e o sociólogo João Volino Correa,  o clip de cinco minutos é uma sátira ao que ocorre há dez anos com o projeto de revitalização do Cais Mauá, cedido pelo governo do Estado a um consórcio privado que não consegue realizar suas promessas. O título da peça refere-se às personagens envolvidas na história: empresários representados por tubarões, lacaios que os ajudam na administração pública e “bananas” que acreditam que tudo vai dar certo e dão de ombros diante do fracasso dos empreendimentos.

    “Enquanto o consórcio está aí parado sem cumprir o contrato, os armazéns do cais estão se deteriorando, sem manutenção”, reclamava Francisco Marshall, enquanto instruía os atores sobre o que fazer a cada tomada da gravação. Em diversas cenas aparece um grupo de “caranguejos”, representando os funcionários que “travam a máquina pública” – palavras do prefeito Nelson Marchesan Jr. em pronunciamento feito no cais Mauá em março de 2018, num evento de retomada do projeto de revitalização e que, no fundo, serviu como pontapé inicial da campanha à reeleição de José Ivo Sartori.

    A “caranguejada” que “trava” a máquina pública, exasperando as autoridades (Foto: Geraldo Hasse)

    Naquele evento, com cerca de 200 pessoas presentes, a candidatura de Sartori parecia ir de vento em popa, mas acabou mal. Já o projeto do Cais Mauá, animado por uma nova administração, parecia prestes a decolar, apesar de carregar um prejuízo de R$ 50 milhões em seu balanço contábil. Agora, pelo que murmuram alguns caranguejos, o consórcio vem atrasando o pagamento de compromissos mensais.

  • Cais Mauá: novo controlador negocia mudança no contrato de concessão

    O consórcio Cais Mauá do Brasil divulgou duas maquetes mostrando como será o primeiro espaço a ser entregue ao público na área concedida, nove anos depois do contrato assinado para a revitalização do cais central do porto de Porto Alegre.
    Os empreendedores já chamaram essa primeira intervenção de “Plano Piloto” e agora chamam “Marco Zero”. Os críticos do projeto estão chamando de “puxadinho”.
    A intervenção vai alcançar 2 dos mais de 80 hectares que compreendem a área concedida por 25 anos. Vai custar R$ 5 milhões que, na expectativa do Consórcio, deflagrarão um projeto estimado em R$ 550 milhões.
    Será uma área de lazer e gastronomia, com instalações em containers, além de estacionamento pago com 600 vagas”.
    “O ‘marco zero’ não estava na proposta original de revitalização do cais, mas é importante iniciativa para ganhar credibilidade”, disse o  presidente do consórcio Cais Mauá do Brasil, Eduardo Luzardo.
    “O marco zero, na verdade, é o primeiro movimento para tentar trazer investidores”, disse ao JC o sócio-diretor de riscos e compliance da LAD Capital, Luiz Felipe Terra Favieri.
    A LAD é a atual gestora do FIP, o fundo de investimento que tem 88%  do consórcio Cais Mauá do Brasil. A espanhola GSS (que antes era majoritária) detém hoje 8% e a Contern que tinha 10%, agora tem 4%.
    Segundo declarou Favieri “algumas cláusulas do contrato original da revitalização possuem vícios de origem e precisam ser renegociadas com o governo do Estado”.
    “O tema já está sendo tratado com representantes do poder Executivo”, disse ele.
    Uma das mudanças que o consórcio quer introduzir no contrato de concessão diz respeito ao prazo.
    No contrato assinado assinado em 2010, a concessão por 25 anos passaria a contar daí a dois anos, prazo estimado para a reforma.
    Os empreendedores querem descontar os sete anos que decorreram entre a assinatura e a licença para o início das obras. Mas há mais de ano com a licença eles não conseguiram iniciar a obra..
    Outra mudança que já foi tentada sem sucesso é na cláusula que obriga apresentar garantias de R$ 400 milhões antes de mexer nos armazéns tombados pelo patrimônio público.
    Essa alteração enfrenta uma oposição decidida do Ministério Público de Contas, ante os indícios de que a condição financeira do Consórcio para arcar com as responsabilidades do projeto é incerta.
    “O Cais vem de um estresse muito grande. Assumimos, implementamos um diagnóstico e verificamos falhas como falta de liquidez, de credibilidade e necessidade de ajustes contratuais”, reconheceu Favieri em entrevista ao Correio do Povo.

    No “marco zero” todo o investimento será por conta das empresas que se instalarão no local. O consórcio receberá um percentual do faturamento.
    Entre os parceiros estão: Safe Park, DC Set, Estapar e Tornak.
    O “marco zero” foi anunciado para o aniversário de Porto Alegre, neste dia 26. Agora ficou para setembro.
    O novo diretor adianta que a área do Cais Mauá não ficará fechada até lá. “Começarão a acontecer coisas pontuais, por exemplo, em um final de semana um evento de jazz ou de gastronomia”.
    (Com informações do Jornal do Comércio, Correio do Povo e O Sul)
     

  • Lula tenta romper o silêncio mas imprensa impõe censura

    A autodenominada “imprensa profissional” tem barrado as declarações de Lula nos últimos dias, quando o ex-presidente tenta romper o silêncio que lhe é imposto.
    Uma pesquisa no google na tarde deste sábado, 16, revela que apenas a IstoÉ entre os considerados veículos nacionais registrou a nota que Lula “mandou divulgar sobre o massacre desta quarta-feira (13) em uma escola de Suzano (SP), que teve oito mortos, além dos dois atiradores”.
    Na mensagem, Lula expressa “toda solidariedade aos alunos e trabalhadores” do colégio e aos “familiares das vítimas que hoje enfrentaram essa terrível tragédia”.
    “Que aqueles que incentivam a cultura do ódio e da violência entendam que não precisamos de mais armas para que massacres como o de Suzano não se tornem cotidianos em nosso pais. O Brasil precisa de paz”, disse o ex-presidente.
    Os noticiaristas de O Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, que vasculham as redes sociais em busca de tiroteios verbais devem ter reportado aos editores. A polícia não censurou, os “profissionais” censuraram.
    Não fossem os “não alinhados” , Lula não teria falado.
    Nesta quinta feira, 15 foi uma Carta aos Trabalhadores e Trabalhadoras da Ford em São Bernado.
    Lula toca num ponto que fica encapsulado e não aparece no noticiário sobre a crise das fábricas de automóveis. Ele diz que a empresa fechar milhares de postos de trabalho, sem a menor responsabilidade social, “após anos de incentivos fiscais que beneficiaram sua operação em nosso país”.
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    Fica a questão: se o ex-presidente consegue fazer suas mensagens virem a público, cabe à “imprensa profissional” achar que ele não pode se manifestar?

  • Tribunal europeu manda abrir os estudos sobre riscos do glifosato

    Uma corte europeia determinou nesta quinta-feira (07/03) que cidadãos têm o direito de ter acesso a estudos sobre os efeitos do herbicida glifosato, amplamente utilizado na agricultura. A reportagem é da Deutsche Welle.
    O Tribunal Geral da União Europeia (TGUE) em Luxemburgo decidiu que a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) deve permitir o acesso a estudos de toxicidade e fatores de risco de câncer do herbicida contra o qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta em 2015, classificando-o como “provavelmente cancerígeno”.

    Tanto a agência alimentar europeia, a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA, na sigla em inglês) quanto o Instituto Alemão de Avaliação de Risco não encontraram confirmação para essa classificação da OMS. O glifosato é alvo de protestos de ambientalistas mundo afora.

    Com a sentença, o tribunal anulou duas decisões da agência alimentar europeia, que havia rejeitado o acesso a detalhes sobre estudos que a EFSA realizou sobre o glifosato, com base no argumento de que a divulgação das pesquisas poderia prejudicar os interesses comerciais das empresas que forneceram dados para as pesquisas – entre outros, a americana Monsanto, que foi comprada pela gigante fitossanitária e farmacêutica alemã Bayer. Além disso, segundo a EFSA, não existia um interesse público que justificasse a divulgação.
    O glifosato é o herbicida mais utilizado e polêmico do mundo e é usado por multinacionais como a Monsanto. A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, aprovou em novembro de 2017 a renovação da licença do glifosato no bloco até 2022, apesar de oposição de países como a França.
    A solicitação de acesso a distintas partes dos estudos da EFSA sobre o impacto ambiental e de saúde do glifosato haviam sido feitas por um cidadão europeu e pelos eurodeputados Heidi Hautala, Michèle Rivasi, Benedek Jávor e Bart Staes.
    Os requerentes lembraram no pedido que o Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIIC) concluiu em março de 2015 que o glifosato apresentava potencial risco de causar câncer. Apesar disso, segundo o tribunal, em novembro de 2015, análises conduzidas por especialistas da EFSA haviam concluído que o glifosato não apresentava nenhum risco cancerígeno para o ser humano.
    O Tribunal Geral da UE defendeu em sua decisão que o público deve ter acesso “não só à informação sobre as emissões (…) como também sobre as consequências de mais ou menos longo prazo dessas emissões sobre o meio ambiente, assim como sobre os efeitos das citadas emissões sobre os diferentes organismos daqueles a quem o produto é destinado”.
    A decisão, à qual cabe recurso no Tribunal de Justiça da União Europeia (ao qual o TGUE está associado), também define que o acesso aos estudos é “revestido de um interesse público superior à proteção de interesses comerciais de pessoa física ou jurídica”.
    Os juízes luxemburgueses afirmaram que o interesse público não é de apenas saber o que foi liberado no meio ambiente, mas também quais os efeitos ambientais do glifosato. Como é o princípio ativo de herbicidas usados na União Europeia desde sua liberação, em 2002, haveria resquícios da substância em plantas, na água e em alimentos, disseram os magistrados.
    Após o pronunciamento da sentença, o eurodeputado espanhol Florent Marcellesi, do partido verde espanhol Equo, avaliou que a decisão representa “uma vitória na luta contra o secretismo quando há riscos ao meio ambiente e sanitários de produtos perigosos como o glifosato”.

    “Graças à publicação de todos os estudos disponíveis, no futuro outros especialistas independentes terão a possibilidade de realizar um controle duplo sobre a ciência que está por trás das avaliações dos pesticidas”, acrescentou.

    A EFSA declarou que considera positiva a decisão, já que ela gera orientação com o acesso público dos documentos. Segundo a agência, a decisão deverá ser minuciosamente analisada – afirmação também feita por um porta-voz da Bayer.
    Já o eurodeputado Martin Häusling alertou que, “se forem encontradas evidências de que o glifosato é realmente cancerígeno, isso seria um escândalo com amplas mudanças: o glifosato teria de ser proibido imediatamente”, ponderou.
    No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs na semana passada a manutenção da licença para o glifosato, mas com restrições de uso e novas medidas de controle. A equipe técnica da agência concluiu que não há evidências suficientes para classificar o herbicida de cancerígeno.
    A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

  • Pontal vende 98% das salas comerciais nos primeiros 30 dias

    O empresário Saul Veras Boff revelou ao JÁ os resultados do primeiro mês de vendas do Parque do Pontal, o empreendimento de R$ 300 milhões na Orla do Guaiba que já rendeu uma das maiores polêmicas da história de Porto Alegre.
    Em trinta e seis dias, foram vendidas 98% das 227 salas comerciais na torre central e 50% do hotel que terá a bandeira da cadeia Hilton e a gestão da Boa Vista, que administra uma das maiores cadeias de hotéis do mundo.
    As 163 lojas do shopping, que terá uma mega store da Leroy Merlin, estão em negociação para aluguel. Ele só diz que “são disputadas”.
    “Os resultados superam nossas melhores expectativas”, resume.

    Maquete do Projeto: uma torre de 83 metros, um shopping horizonal (life center) e um parque de 30 hectares

    Saul tem boas razões para estar exultante. Foram 14 anos, até conseguir dar a “volta por cima”, num negócio sem precedentes na história do empreendedorismo gaúcho.
    O empresário lembra bem do leilão em 2005, quando se decidiu pelo negócio adquirindo a área de 60 hectares à beira do Guaíba para implantar o “Pontal do Estaleiro”.
    “O terreno tinha passado por quatro leilões” conta ele. “Num deles, um comprador arrematou, mas não pagou. No quinto, fui o único candidato. Quando bateu o martelo, fui aplaudido pelos funcionários do falido Estaleiro Só, que só tinha aquele terreno para pagar a indenização deles”.
    A indenização dos 600 funcionários do Estaleiro Só, era um assunto que ganhava manchetes dos jornais de Porto Alegre e mesmo nas páginas econômicas dos jornais nacionais.

    Uma das mais antigas e tradicionais empresas do Rio Grande do Sul, o Estaleiro Só foi símbolo de uma época de prosperidade no Rio Grande do Sul. Teve origem numa fundição que fazia lampiões e se tornou um dos maiores estaleiros do país.
    Faliu, depois de lenta agonia financeira, não tinha como pagar os funcionários. A Justiça arrestou o terreno onde funcionavam as oficinas e o estaleiro, às margens do Guaiba, num sítio ligado às origens de Porto Alegre, a meio caminho da Zona Sul.
    A BMPar, de Saul  Boff, arrematou por R$ 7,2 milhões a área de 60 mil metros quadrados, que ainda tinha os escombros de antigos prédios do estaleiro.
    Pretendia fazer um conjunto moderno de edificações para fins comerciais e residenciais, deixando no entorno uma generosa área de recreação acessível ao público.”Até um hotel para a terceira idade estava previsto”.
    O poder público se mostrou sensível à importância do empreendimento e a Câmara de Vereadores aprovou uma alteração no artigo 470 do Plano Diretor da Capital (uma espécie de emenda constitucional municipal), para permitir edifícios de mais de 10 andares na área.
    Um consagrado arquiteto e urbanista, Jorge Debiaggi, autor de vários estudos para a Orla, assinava o projeto do “Pontal do Estaleiro”  apresentado um ano depois.
    O  projeto de Jorge Debiagi ficou no papel

    Seis blocos sinuosos que lembravam velas ao vento, com 14 andares cada um erguidos diante de um cenário majestoso, no ponto mais largo do Guaíba. Metade abrigaria escritórios comerciais, metade apartamentos para a classe média alta. Shopping, hotel e áreas de lazer completavam o conjunto. .
    “A inspiração vinha do Jaime Lerner, que fala do conceito “tartaruga” no planejamento urbano. Significa colocar debaixo do mesmo casco todas as atividades vitais: comércio, serviços, residências, espaços de lazer”.
    Mas o Plano Diretor, que mudara para permitir maiores alturas e prédios comerciais, não previa edifícios de apartamentos na orla.
    A ideia das torres encobrindo a vista e, talvez mais que isso, a possibilidade de uns poucos endinheirados comprando um camarote exclusivo defronte ao famoso por do sol do Guaíba, chocou o sentimento democrático da cidade.
    Movimentos comunitários e de defesa ambiental, alguns com histórica militância como a Agapan, se levantaram contra o projeto. Uma aguerrida frente de ONGs se mobilizou para barrar na Câmara a mudança que viabilizaria o empreendimento.
    O enfrentamento, que teve episódios de agressividade na Câmara, com denúncias de propina, culminou com a proposta de um plebiscito: a população seria chamada a decidir.
    “Eu gostei da ideia”, diz Boff. “Tínhamos uma pesquisa que dava 86% da população a favor do projeto”
    Mas um plebiscito, organizado pelo Tribunal Regional Eleitoral, com voto obrigatório, urnas eletrônicas em toda a cidade, foi orçado em  R$ 7 milhões, dinheiro que a Prefeitura não tinha.
    O prefeito José Fogaça, então, optou por uma “Consulta Popular”. promovida pela prefeitura, como nas eleições dos conselhos tutelares, com 300 urnas.
    Saul lembra: “Eu disse aqui nesta mesa: os votantes nessa consulta não elegem um vereador. E nós vamos perder de quatro a um, porque numa consulta desse tipo só vai a militância”.
    Compareceram 22.619 porto-alegrenses às urnas num domingo, em 2009. Quase 18 mil disseram NÂO ao “Pontal do Estaleiro”. O projeto estava enterrado. Menos para Saul Veras Boff.
    “Eu sempre acreditei no potencial daquele espaço, propus um projeto misto, com apartamentos residenciais,  porque achei que era o mais adequado. Não foi aprovado, tratei de adaptar, pois meu interesse é fazer tudo dentro da lei”.
    Um novo arquiteto, especializado na construção de shoppings horizontais foi contratado e, em junho de 2018, dez anos depois da derrota na consulta popular e depois de 14 versões e inúmeras adaptações, o projeto foi protocolado na prefeitura para as devidas licenças.
    Parque do Pontal ligará shopping até a margem do Guaíba / Divulgação

    Investimento de R$ 300 milhões, o projeto agora chamado “Parque do Pontal”  uma torre comercial de 83 metros de altura (20 andares), com hotel, centro de eventos, hub de saúde (consultórios, clínicas e laboratórios) e salas comerciais.
    Um shopping horizontal e uma área verde de 30 mil metros quadrados com 700 metros de extensão à beira d´água completam o conjunto.
    Na apresentação do novo projeto à imprensa, o diretor Leandro Melnick, da Construtora Melnick, que vai executar a obra explicou: “Foi um licenciamento traumático, mas vencemos todas as etapas, já temos todas as garantias, falta só a licença de instalação para o início das obras”.
    Autorizadas semanas depois, as obras começaram em janeiro de 2019, com previsão é de entrega em 40 meses, ou seja no final de 2021. “Quando estiver pronto, com aquele parque entregue à população, vão agradecer pela minha insistência”, diz Saul.
     
     
     
     
     

  • Queda de ministro trava pauta política e não deixa o governo começar

    É unânime a opinião de cronistas e comentaristas políticos em Brasília: está fora do governo o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, um dos homens mais próximos do presidente Jair Bolsonaro.
    Muitos preveem até que sua exoneração estará em edição do Diário Oficial desta segunda-feira, 18.
    O ministro, em todo caso, disse que só se considerará exonerado quando “ler o papel assinado”.
    A queda do Gustavao Bebianno começou no início de janeiro quando uma reportagem da “Folha de S. Paulo” apontou quatro candidatas do  PSL de Minas que teriam sido usadas como “laranjas”, com o consentimento do então presidente do partido no Estado, o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.
    As quatro candidatas, apurou o jornal, receberam R$ 279 mil durante a campanha e, mesmo assim, tiveram pouco mais de dois mil votos.
    Na pista desse desvio, a Folha descobriu em Pernambuco, uma candidata que fez apenas dois votos, dela e do marido, embora tenha recebido R$ 400 mil do fundo partidário.
    O repasse do dinheiro teria sido autorizado por Bebianno, à época presidente nacional  do PSL, o partido nanico que na onda Bolsonaro  saiu das últimas eleições com o presidente da República, 52 deputados federais e quatro senadores.
    O fundo partidário é dinheiro público, o mau uso é crime eleitoral grave. A posição de Bebianno, no núcleo do governo, multiplicava a gravidade do caso.
    Candidatos “laranja”,  patrocinados pelo ministro da Secretária Geral, o homem funcionalmente mais perto do chefe de um governo eleito com a bandeira do combate à corrupção? Acendeu a luz vermelha.
    Bebianno se declarou tranquilo, os fatos quando devidamente apurados iriam provar a lisura no uso do dinheiro da campanha.
    Na quinta à noite, porém, a “candidata laranja” de Pernambuco apareceu no Jornal Nacional e não tinha um álibi convincente.
    Apertado pelos repórteres sobre o impacto dentro do governo, Bebianno disse que havia falado três vezes com Bolsonaro sobre o assunto, dando a entender  que não havia desgaste entre ele e o presidente.
    Depois de 17 dias internado, para uma cirurgia que durou sete horas, Bolsonaro recebera alta naquela quinta-feira. Ia desembacar em Brasilia, no dia seguinte, e tinha aquela declaração do ministro jogando no seu colo as “laranjas” do PSL.
    Imediatamente, Eduardo Bolsonaro, que  acompanhava o pai no hospital, desmentiu o ministro, inclusive divulgando a gravação de uma ligação na qual o presidente diz que não pode conversar com o ministro por recomendação médica. Numa entrevista posterior, Bolsonaro confirmou o desmentido do filho.
    Na fim tarde de sexta-feira, Bolsonaro se reuniu com Bebianno disposto a removê-lo do ministério. Ofereceu-lhe um cargo na Itaipu Binacional, onde um conselheiro pode ganhar R$ 45 mil. Bebianno recusou e a reunião se encerrou sem uma decisão.
    “A tendência é a exoneração”, disse Bebianno no sábado de manhã. Mas queria ver o papel assinado.
    Ao longo da crise seu estado de ânimo foi se alterando. Depois da reunião com o presidente, postou nas redes sociais um texto falando em lealdade, dando a entender que Bolsonaro fora desleal com ele.
    Depois falou a “interlocutores” que vazaram para os repórteres declarações dramáticas. “Me enganei com Bolsonaro”, “Tenho que pedir desculpas por ter acreditado nele”. “É uma pessoa louca…”
    Tudo isso alimentou a falta de novidades no fim de semana.
    Na tarde de domingo, quando Brasília começa a pensar no dia seguinte, suas declarações já eram mais brandas e já não alimentavam as expectativas de que  Gustavo Bebianno, o ex-professor de artes marciais, ao cair, vá promover algum estrondo que abale o governo.
    “É hora de esfriar a cabeça”, disse ele aos repórteres que o interpelaram quando saía para almoçar.
    O grave é que sai Bebianno, mas o problema dos candidatos “laranja” não se estanca (há pelo menos um ministro, o do Turismo, na berlinda) .
    E a vitória do filho do presidente, com a exoneração de Bebianno, contrariando os auxiliares mais próximos, contribui para aumentar a confusão num governo que diz ter reformas urgentes para aprovar mas não consegue começar.
     (Com informações da EBC, G1, Folha de S. Paulo) 

  • Bolsonaro deixa hospital para reassumir um governo em chamas

    O presidente Jair Bolsonaro “volta ao trabalho” nesta quinta-feira, segundo informou seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
    Sua foto, sorridente, deixando o hospital Albert Einstein, em São Paulo, foi distribuída no início da tarde de quarta.
    Aos 63 anos, Bolsonaro esteve 17 dias hospitalizado, depois de uma terceira cirurgia, para reparar os danos da facada que levou em Juiz de Fora durante a campanha presidencial.
    A bolsa de colostomia, que o acompanhou na reta final da campanha, na vitória, na posse  e nos primeiros vinte dias de governo, foi dispensada e suas funções intestinais restabelecidas numa cirurgia de sete horas.
    Ele reassumiu o cargo 48 horas depois, mas foi só formalidade, para não deixar o vice, general Hamilton Mourão aquecer a cadeira presidencial. Mesmo agora, fora do hospital, ele tem condições restritas.

    Mourão recebe Bolsonaro em Brasilia: muy amigos
    Segundo o filho, Bolsonaro vai manter um ritmo reduzido de trabalho e ter contato com poucas pessoas, “por conta da atual fragilidade do sistema imunológico”.
    As manchetes da noite de quarta-feira dão idéia do ambiente que o presidente vai encontrar na sua volta ao Palácio do Planalto:
    “Bolsonaro endossa postagens do filho Carlos: ministro Bebianno mentiu”.
    O caso é exemplar: Gustavo Bebianno, Secretário Geral da Presidência, sob denúncias de fraude eleitoral, disse à imprensa que falou por telefone com o presidente.
    Carlos, o filho que esteve com Bolsonaro durante todo o dia desmentiu e o pai confirmou o filho. O ministro entrou em fritura, mas declarou que não se demite.
    Outra bomba: “Onyx Lorenzoni diz que Bebianno é serio, responsável e correto”.
    É provável que Lorenzoni, ministro chefe da Casa Civil, tenha feito essa declaração antes do presidente ter se manifestado pelo twitter endossando a afirmação do filho Carlos (que Bebiano mentiu).
    Lorenzoni saiu em defesa de Bebianno, do PSL, pela influência que ele tem na Câmara, onde o governo vai precisar de votos para aprovar a reforma da Previdência. Trombou sem querer com o presidente.
    Mas como é que fica um chefe da Casa Civil defendendo um ministro que o presidente confirma que é mentiroso?
    “Alguém tinha dúvida de que Jair Bolsonaro teria muita dor de cabeça com os seus filhos? Era evidente que aqueles egos enormes causariam problema. O que não se imaginava é que seria tão cedo”, escreveu Ascânio Seleme, no Globo.
    Ele lembra que ainda não é tudo. Há o “Caso Queiroz”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro e é uma bomba que ainda não foi desativada. E a reforma da Previdência, sobre a qual não há consenso e está prometida para antes do carnaval.
    Com a saúde frágil, um ministério batendo cabeças, um vice no qual não confia, filhos mordidos pela mosca azul, e uma pressão enorme por mudanças, Jair Messias Bolsonaro volta a Brasilia numa situação nada invejável.
     

  • Projeto Cais Mauá segue buscando investidores para revitalização

    Há nove anos o Cais Mauá – uma faixa de 60 metros e 3,2 quilômetros de extensão, com prédios e equipamentos portuários entre o Guaiba e o centro histórico de Porto Alegre – é uma área privada, concedida por 25 anos para um empreendimento comercial.
    Mas, fora os cercamentos e os esquemas de segurança que impedem a entrada, quase nada aconteceu.
    Há um ano foi autorizado e anunciado o inicio das obras. Algumas máquinas foram fotografadas no terreno.
    O novo gestor, recém assumido, disse na época que com as obras iniciadas para recuperação dos armazéns, já estava conversando com possíveis parceiros para ocupar os espaços comerciais.
    “As negociações podem incluir desde um pequeno comércio de cem metros quadrados até um supermercado”, disse Vicente Criscio, o gestor de então.
    Na semana passada, em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre,  o prefeito Nelson Marchezan surpreendeu os presentes ao anunciar que parte da área do Cais Mauá, ao lado da Usina do Gasômetro, será aberta ao público no dia do aniversário da cidade,  26 de março.
    O espaço contará com estacionamento para 600 veículos, “áreas de gastronomia, quadras de beach tênis e bancos para apreciar o pôr do sol”, informou o prefeito   .
    O novo diretor do Consórcio Cais Mauá, Eduardo Luzardo, estava presente e explicou que é uma espécie de “plano piloto” para atender “uma expectativa da população de Porto Alegre pela abertura dos portões do Cais Mauá”.
    Dois dias depois da notícia o Ministério Público de Contas advertiu que nenhuma intervenção pode ser feita na área do Cais Mauá antes que se apontem as fontes de financiamento para o projeto.
    Não foi possível saber se essa medida vai interferir nas obras anunciadas. A assessoria de imprensa do Consórcio informou que todos os pontos serão esclarecidos nos próximos dias.
    O projeto de revitalização, com a recuperação dos armazéns e todos os bens tombados pelo patrimônio público, está orçado em mais de R$ 140 milhões de reais.
    Captar esses recursos junto a investidores é o principal objetivo do Consócio Cais Mauá no momento. “Depois de tantos anos o projeto sofreu desgaste, mas a força da prefeitura e do governo Estado acelerou o processo”, afirmou Luzardo na ACPA..
    Sua expectativa é captar em quatro anos recursos junto a investidores privados para a restauração dos armazéns do cais, que é a primeira fase.
    Depois dessa etapa será feita a captação de recursos para a viabilização de um shopping center na área a lado da Usina do Gasômetro, que poderá ser a céu aberto.
    Além disso serão captados recursos também para a construção de duas torres comerciais do outro lado do Cais, próximas da Rodoviária.
    No total, o projeto vai exigir mais de R$ 500 milhões em investimentos.