Autor: Elmar Bones

  • Fiergs diz que "tentativa de greve não tem amparo legal"

    A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul emitiu nota nesta quinta, 13: “A tentativa de realizar uma greve geral amanhã, dia 14, não tem amparo legal, pois não se trata de mobilização de uma categoria e sim sob o pretexto de ser contra a Reforma da Previdência. Portanto, é um movimento nitidamente político”. 

    Essa é a posição da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) ao analisar  a pretendida paralisação  marcada para esta sexta-feira.
    Segundo o presidente da entidade, Gilberto Porcello Petry, “além da ilegalidade, há grupos de sindicalistas que se utilizam do bloqueio de vias de trânsito, estradas e garagens do transporte coletivo para dar a falsa impressão de adesão de trabalhadores da iniciativa privada”.
    O movimento também é inoportuno quando, lamentavelmente, existem no País mais de 13 milhões de pessoas desempregadas.
    “Se quisermos ajudar a mudar o Brasil temos que olhar criticamente para essas tentativas de greve”, disse Petry.
    A FIERGS também esclarece que a legislação prevê o desconto do dia parado dos salários dos trabalhadores, já que a falta é entendida como suspensão do contrato de trabalho, de acordo com a Lei nº 7.783/1989.

  • EPTC informa que "expectativa é a normalidade na circulação dos ônibus.

    Sobre o serviço do transporte público para esta sexta-feira, 14, na Capital, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informou que o Associação dos ransportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) comunicou o funcionamento normal dos coletivos.
    “Com o apoio da Brigada Militar, a EPTC realizará todos os esforços possíveis para garantir a regularidade no atendimento à população, com a expectativa da normalidade da circulação de ônibus. Informações serão prestadas à população pelo fone 118, 24 horas, além do twitter oficial da empresa @EPTC_POA”, diz a nota emitida às 18 horas.
     

  • Crise da Lava Jato turbina a greve contra reforma da Previdência

    Contra a reforma da Previdência, contra os cortes na educação e por mais empregos, as centrais sindicais organizam greve geral nesta sexta-feira (14).
    A crise produzida pela divulgação de mensagens que comprometem a imparcialidade do ministro Sérgio Moro, quando juiz condutor da Lava Jato, que condenou Lula, deu uma outra dimensão ao protesto.
    Estão marcados  atos em mais de 200 cidades do país. Confira no mapa produzido pelo Armazém Memória e Comissão Justiça e Paz de SP com apoio da CUT e UNE.
    Bancários, trabalhadores e trabalhadoras da educação pública e privada, eletricitários, metalúrgicos, petroleiros, químicos e urbanitários de todas as regiões do país já anunciaram a adesão à greve geral.
    Motoristas, cobradores, metroviários, ferroviários, portuários e demais categorias ligadas ao setor de transportes, como aeroviários, também aderiram à paralisação em todo o país.
    Em entrevista ao Portal CUT, o presidente da Central, Vagner Freitas, mandou o recado para a classe trabalhadora:
    “A greve geral é de todos. Sexta-feira não é para ir trabalhar, é dia de ficar em casa. É dia de cruzar os braços e dizer que não aceitamos os ataques aos nossos direitos, à soberania nacional e à democracia”.
    Confira as categorias que vão parar em todo o Brasil:
    Bancários
    Sexta-feira os bancos não abrem em todo país. Os bancários e bancárias aprovaram, em assembleias, a participação na greve geral contra a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL).
    Veja onde os bancários vão parar: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Pernambuco, Paraíba, Dourados (MS), Mogi das Cruzes (SP), Acre, Alagoas, Baixada Fluminense (RJ), Bahia, Belo Horizonte, Brasília, Campina Grande, Ceará, Florianópolis, Guarulhos (SP), Ipatinga (MG), Juiz de Fora (MG), Jundiaí (SP), Macaé (RJ), Mato Grosso, Pará, Niterói (RJ), Patos de Minas (MG), Piauí, Piracicaba (SP), Rondônia, Santos (SP), Taubaté (SP), ABC Paulista (SP), Teófilo Otoni (MG), Uberaba (MG), todas as cidades do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Goiás, Maranhão e Mato Grosso do Sul, entre outras cidade em que os trabalhadores estão aprovando adesão à greve geral.
    Educação Pública
    Não vai ter aula nas escolas públicas Estaduais em todas as Regiões do país. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) cerca de 4,5 milhões de trabalhadores da educação pública vão cruzar os braços nos 26 Estados e no Distrito Federal.
    Em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Brasília 100% da categoria não vai para escola. Professores, professoras e o pessoal da administração vão participar de várias atividades durante o dia, como aulas públicas, passeatas, panfletagens, assembleias e atos políticos.
    Os alunos não serão prejudicados pela paralisação, já que em grande parte das escolas a aula já tem data para ser reposta. O movimento estudantil está ajudando a mobilizar mais gente para a greve geral em defesa da educação pública e de qualidade.
    A paralisação, segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), é uma extensão das grandes mobilizações que aconteceram nos dias 15 e 30 de maio contra os cortes da educação, mas também participarão das paralisações do dia 14 contra os ataques aos direitos da classe trabalhadora.
    O Fórum Nacional Popular da Educação, que reúne mais de 35 entidades nacionais, também está mobilizando o movimento e emitiu uma nota em defesa da luta por direitos e por uma educação pública e de qualidade.
    Educação Particular
    Em diversos Estados do país, cerca de 2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, entre professoras e funcionárias administrativos, de escolas particulares já anunciaram a paralisação. Em São Paulo, mais de 33 escolas vão fechar suas portas, segundo a Federação dos Professores do Estado de São Paulo e as trabalhadoras e os trabalhadores da rede anunciaram que as aulas serão nas ruas, como é o caso de Sorocaba.
    Em outros Estados, como Goiás, Brasília, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco centenas de escolas também aderiram.
    Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE), há um reforço das escolas e universidades católicas para participar da luta contra a reforma da Previdência, como orientou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que já anunciou publicamente sua posição contrária a medida de Bolsonaro, que se aprovada, acaba com aposentadoria de milhares de brasileiros e brasileiras.
    Eletricitários
    Os 14 mil trabalhadores e trabalhadoras do sistema Eletrobras prometem “um dia de luta e doação para o Brasil”, numa referência à nota da direção da estatal que notifica o desconto de um dia na folha de pagamento de quem aderir à greve geral.
    Segundo o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), a categoria vai participar dos atos que ocorrem nas capitais dos estados, porém, promete que a população não vai ficar sem atendimento em caso de emergência no setor.
    Metalúrgicos
    O transporte parando ou não, os cerca de 550 mil metalúrgicos e metalúrgicas de 15 Estados de todas as Regiões do país vão ficar em casa na Greve Geral, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM).
    No Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão e Bahia as empresas metalúrgicas estarão fechadas em protesto contra os ataques do governo contra a classe trabalhadora.
    Petroleiros
    Todas as 13 bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP) vão cruzar os braços. Segundo a entidade, haverá adesão dos trabalhadores próprios e terceizados do Sistema Petrobras na Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro (Duque de Caxias e Norte Fluminense/Bacia de Campos), Minas Gerais, São Paulo (Campinas, Mauá, Barueri, Guararema, São Caetano e capital), Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
    A maioria da base petroleira vai começar a parar a partir do primeiro minuto do dia 14, ou seja, a meia noite e um minuto.
    Todas as refinarias vão parar – da maior, a Replan, até a menor, que fica em Mauá. Já viram o segundo turno fechadas.
    Trabalhadores Químicos
    Na Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Sergipe, São Paulo, no Amazonas e Rio Grande do Sul os cerca de 430 mil trabalhadores e as trabalhadoras do ramo químico da CUT, como petroquímicos, vidreiros, papeleiros, farmacêuticos, os que trabalham com minério e entre outros vão cruzar os braços a partir das 03 horas da manhã do dia 14 de junho.
    Segundo a Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT (CNQ-CUT), as máquinas de grandes empresas do ramo não vão funcionar nas primeiras horas do dia também e grande parte da categoria irá participar dos atos políticos que estão sendo organizados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.
    Saneamento, energia e gás
    A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), que representa mais de 50 sindicatos, acredita que os 200 mil trabalhadores ligados aos setores de energia, gás e elétrico, no país vão aderir à greve geral contra a reforma da Previdência.  São trabalhadores de companhias estaduais de saneamento e federais do setor elétrico, além do gás.

    ***

    (…) Confira os locais e horários das mobilizações em todo país:
    Acre | Alagoas | Amapá | Amazonas | Bahia | Brasília | Ceará | Espírito SantoGoiás | Mato Grosso | Mato Grosso do Sul | Minas Gerais | Pará | Paraíba | Paraná | Pernambuco | Piauí | Rio de Janeiro | Rio Grande do Norte | Rio Grande do Sul | Rondônia | Roraima | Santa Catarina | São Paulo | Sergipe | Tocantins

    Acre

    Mobilização com piquete no local de trabalho de algumas categorias às 7h da manhã. Depois, tem ato na Praça da Revolução, no centro de Rio Branco, às 9h, de onde sairá um cortejo em defesa da Previdência pública e solidária e da educação pública e mais empregos. À noite, no Cine Recreio tem noite cultural e show na Gameleira.


    Alagoas

    O ato político terá concentração às 15h na Praça do Centenário, uma das principais de Maceió. Os alagoanos e as alagoanas também vão se manifestar contra a intenção do governo Bolsonaro de privatizar o setor de saneamento básico no país, o que inclui a distribuição de água à população.


    Amapá

    Às 08h começa a paralisação de várias categorias e às 15 horas terá um ato “Lula Livre” na Praça da Bandeira, em Macapá.


    Amazonas

    Ato será às 15h, na Praça da Saudade em Manaus.


    Bahia

    O ato político será às 14 horas na Rótula do Abacaxi, na capital baiana.
    Também terá mobilização em outros municípios:
    Paulo Afonso
    Juazeiro
    Senhor do Bonfim
    Serrinha
    Conceição do Coité
    Alagoinhas
    Catu
    Pojuca
    São Sebastião do Passé
    Candeias
    Santo Amaro
    Camaçari
    Feira de Santana
    Jacobina
    Ipirá
    Cruz das Almas
    Santo Antonio de Jesus
    Valença
    Vitória da Conquista
    Ilhéus
    Itabuna
    Guanambi
    Urandi
    Jiquié
    Itapetinga
    Barreiras
    São Desidério
    Oliveira dos Brejinhos
    Eunápolis
    Porto Seguro
    Itamaraju
    Teixeira de Freitas
    Mucuri


    Brasília

    No Plano Piloto não vão ter transporte. Os cerca de 12 mil rodoviários, condutores e cobradores aprovaram em assembleia na sexta-feira (7) cruzarão os braços por 24 horas.
    Não vai ter ato político organizado pela CUT, mas os sindicatos filiados estão organizando aulas públicas, assembleias, piquetes, panfletagens e muito diálogo com a população sobre reforma da Previdência, corte na educação, desemprego, acesso a terra e sobre as privatizações.


    Ceará

    Em Fortaleza, além das paralisações previstas, acontecerá a Marcha Estadual da Classe Trabalhadora contra a Destruição da Previdência na Praça da Bandeira, no Centro, a partir das 10h30.
    Outros municípios também se organizaram para fazer ato político.
    Altaneira – 09h, Calçadão
    Aquiraz – 7h30, Rodoviária
    Barreira – 8h30, Praça dos Taxistas
    Beberibe – 8h, Câmara dos Vereadores
    Canindé – 7h, Posto Estrela
    Cascavel – 8h, Praça de São Francisco
    Caucaia – 8h, Praça da Matriz
    Chorozinho – 9h, Praça da Escola Padre Enemias
    Crateús – 7h, Praça da Matriz
    Horizonte – 7h, Estádio Domingão
    Icó – 8h30, Sede do Sindicato dos Servidores Municipais
    Iguatu – 8h, Praça da Caixa Econômica Federal
    Jucás – 8h, Praça Getúlio Vargas
    Iracema -7h, Praça Casimiro Costa Moraes (Mangueira)
    Itapipoca – 8h, Praça do Cafita
    Jaguaribara  – 7h, Escola Estadual Liceu
    Juazeiro do Norte – 7h30, CREDE (Rua São Pedro com Rua Rui Barbosa) 8h Russas Secretaria da Saúde
    Limoeiro do Norte – 8h, INSS (Ao lado da Honda)
    Madalena – 8h, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR)
    Maracanaú – 8h, Praça da Estação de Maracanaú
    Milhã – 8h30, Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
    Monsenhor – 8h, Tabosa  – Sindicato dos Servidores Públicos
    Nova Russas – 8h, Praça da Macavi
    Pacujá – 8h, Sede do Sindicato dos Servidores Municipais
    Quixadá – 8h, Praça da Catedral
    Senador Pompeu  – 8h, Praça da Juventude
    Sobral – 8h, Praça de Cuba
    Tabuleiro do Norte – 8h, Igreja Matriz
    Tauá  – 8h, EEM Liceu Lili Feitosa
    Trairi  – 8h, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SISPUMT)


    Espírito Santo

    Sindicalistas e representantes das frentes estão fazendo reuniões para decidir local do ato.


    Goiás

    Goiânia – 10h, Coreto da Praça Cívica;
    Cidade de Goiás – 8h, ato na Praça do João Francisco
    Formosa – 8h, na praça Anísio Lobo;
    Silvânia – 8h, na Feira Coberta Central;
    Itapuranga – 8h, Centro Cultural Cora Coralina;
    Jataí – 09h – Concentração Sintego de Jataí


    Mato Grosso

    A concentração do protesto será na Praça Ipiranga, em Cuiabá, às 14 horas
     


    Mato Grosso do Sul

    Em Campo Grande com concentração às 09 horas na Praça do Rádio Clube
     

    Minas Gerais

    O ato unificado da CUT e demais centrais e sindicatos será às 11h, com concentração na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte.
    Em João Monlevade, a concentração será na Praça Domingos Silvério, conhecida como Praça dos Aposentados às 14h. Em seguida terá caminhada pelas avenidas Getúlio Vargas e Wilson Alvarenga seguido com um ato político em frente ao INSS.


    Pará

    O ato será às 10 horas na Praça da República

     

    Paraíba

    CUT e demais centrais, além das frentes estão decidindo o local e horário do ato

    Paraná

    Curitiba às 11h em Frente ao Palácio Iguaçu com caminhada para a Praça Santos Andrade
     

    Pernambuco

    O ato será no cruzamento da Rua do Sol com Rua Guararapes, no Centro do Recife, às 14 horas.
    Piauí
    A concentração para a Greve Geral está marcada para às 8h no INSS, proximo a Praça Rio Branco.
    Rio de Janeiro
    Na capital, às 11h aulas públicas no Calçadão de Campo Grande,  Taquara, Saens Peña, Antero de Quental e Largo do Machado.E na escadaria da ALERJ às 13:30h – Aula pública sobre a reforma da previdência, com Elaine Behring / ASDUERJ – ANDES-SN
    Ato a partir das às 15 horas na Candelária e caminhada para a Central do Brasil.
    Vários municípios também vão fazer atos descentralizados:
    Subsede do SinproRio às 00:01h
    Centro do Rio às 05h no INTO
    Volta Redonda às 5h da manhã, na porta da CSN
    Arco da Reduc  às 07h
    Angra dos Reis às 05h em frente a ampla sindical
    Barra do Piraí às 9h no Largo
    Cachoeiras de Macacu às 09h na Rodoviária
    Barra Mansa a partir de 9h na Praça da Matriz
    Arraial do Cabo às 9h na Praça do Guarani.
    Mendes terá  aula Pública às 9:00 – na Praça Dr. João  Nery elaborada pelos professores da rede estadual e às 10:30 – Ato e passeata no entorno do centro da cidade. Vale ressaltar que a rede municipal de Eng. Paulo de Frontin participa das atividades em Mendes
    Rio das Ostras às 10h na Praça José Pereira Câmara no centro
    Duque Caxias às 10h na Praça do Relógio
    Petrópolis às 17h na Praça da Inconfidência (com caminhada)
    Sulfluminense fará ato às 17 horas na Praça Juarez Antunes em VR
    Niterói concentração nas barcas às 14h para ir juntxs para o ato unificada da capital
    Itaperuna 15h30 na Pracinha da Rodoviária
    Campos dos Goytacazes ato público às 15h no Pelourinho, em frente à Caixa Econômica Centro.
    Região dos Lagos concentração às 15h na Praça Porto Rocha
    Macaé em frente à antiga Câmara Municipal  com show político cultural
    Valença ato às 17h na Rua dos Minérios.


    Rio Grande do Norte

    Em Natal, o ato político será na calçada do Midway às 15 horas e termina com um show político cultural na praça de Mirassol.
    Açu – 7h30 ao lado do INSS
    Angicos – 15h, em frente a Rodoviária
    Caicó – 7h30 na Praça da Alimentação, no centro.
    Mossoró – 7h, Assembleia unificada na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do RN (Sinte/RN)
    Fernando Pedrosa – em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais
    Outros municípios também prometem atos, como em Caraúbas, Pau dos Ferros, Apodi, Canguaretama, São Paulo do Potengi.
    Rio Grande do Sul
    A concentração do ato político será às 17h, seguida de ato, às 18h, na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre. Outros municípios também farão protestos:
    Alegrete
    9h30 – Concentração na Praça Nova, seguida de caminhada até o Centro.
    Caxias do Sul
    16h30 – Ato público na Praça Dante.
    Cruz Alta
    9h30 – Concentração na Praça da Matriz.
    Erechim
    14h – Concentração na Praça dos Bombeiros, seguida de caminhada até a frente do INSS.
    Farroupilha
    10h – Concentração na Praça Central.
    Frederico Westphalen
    14h – Concentração na Praça da Matriz.
    Ijuí
    9h – Concentração praça da República
    Lajeado
    8h30 – Ato na Avenida Piraí, no bairro São Cristóvão, seguido de caminhada até o centro.
    Osório
    8h – Concentração no Instituto Federal, seguida de caminhada até o Largo dos Estudantes, onde durante todo o dia haverá atos e manifestações.
    Pelotas
    14h – Concentração no Mercado Público, seguida de atos e manifestações.
    Rio grande
    17h – Ato no Largo Dr. Pio.
    Santa cruz do sul
    8h – Concentração da Praça Getúlio Vagas.
    Santa rosa
    8h30 – Ato na Praça da Independência.
    17h – Aula Pública na Praça da Bandeira, seguida de marcha Luminosa.
    Santo Ângelo
    9h30 – Concentração da Praça da Catedral;
    11h – Caminhada até a agência do INSS;
    15h – Mateada da Cidadania junto à Catedral, com apresentações culturais;
    19h30 – Aula Pública na URI
    Três de maio
    9h30 – Concentração na Praça da matriz, seguida de caminhada e ato público da Praça da Bandeira
    Rondônia
    O ato político será a partir das 08h, na Praça das 3 Caixas d’Água
    Roraima
    Em Roraima tem programação de atividades.
    O ato da capital será às 15h, com passeata até a Praça do Centro Cívico
    Em Roraima tem uma série de atividades já marcadas:
    6h– Café da manhã coletivo – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
    7h30 – Ato na frente do Ibama
    13h30– Concentração no Portão da UFRR (Entrada da Av. Ene Garcez).
    16h– Ato “Contra a Reforma da Previdência”, na Praça do Centro Cívico.
    18h às 22h – Show musical e Cultural “Nenhum Direito à Menos” na praça do centro cívico.
    Santa Catarina
    Blumenau – 10h, na Praça do Teatro Carlos Gomes
    Joinville – 9h, na Praça da Bandeira
    Florianópolis – concentração às 16h, em local no centro a definir
    Caçador –  14h, na Praça Nossa Senhora Aparecida
    Criciúma – 14h, na Praça da Chaminé
    Itapema – 15h, na Praça da Paz
    Rio do Sul – 9h, concentração em frente à Rodoviária
    Itajaí – 13h, na Praça Arno Bauer
    Chapecó – 9h, na Praça Coronel Bertaso
    Pinhalzinho – 9h, na Praça Central
    Dionísio Cerqueira – A partir das 9h, no Salão Paroquial
    São Carlos – 10h30, na Praça Matriz
    Faxinal dos Guedes – 13h30, na Praça Municipal
    Maravilha – 8h, na Praça Matriz
    Xanxerê – 13h30, na Praça Tiradentes
    Santiago do Sul – 16h, na Praça Municipal
    Irati – 13h, na Praça Municipal
    Xaxim – 8h, na Praça Frei Bruno
    São Domingos – 8h30, na Praça Central
    Passos Maia – 8h, na Praça Municipal
    Joaçaba – 8h30, na praça da Prefeitura
     

    São Paulo

    Capital – São Paulo
    16h – Ato em frente ao Masp
    Itapeva
    14h – Ato com concentração na Praça Anchieta
    Campinas
    17h – Ato no Largo do Rosário – Marielle Franco
    Limeira
    8h – Concentração em frente ao INSS (Rua Pres. Prudente, 150) para caminhada
    Osasco
    9h – Ato no Largo de Osasco, próximo à estação da CPTM
    Santos
    17h – Ato em frente à Estação Cidadania
    Ubatuba
    14h – Ato na Praça Bip – Feira de hortifrut
    Bragança Paulista
    10h – Ato na Praça Raul Leme, no centro
    Sorocaba
    8h – Ato com concentração em frente à Apeoesp (Rua Maranhão, 130 – Santa Terezinha)
    10h – Ato na Praça Coronel Fernando Prestes
    Vale do Ribeira
    6h – Ato em frente à Mosaic Fertilizantes, em Cajati
    Registro
    16h – Ato na Praça Joya
    Presidente Prudente
    8h – Concentração na Rotatória Museu com caminhada iniciando na Av. Manoel Goulart
    Mirante do Paranapanema
    8h – Praça Sebastião Farias
    São Carlos
    11h – Ato na Praça do Mercado Municipal
    Araraquara
    16h – Ato/passeata com concentração na Praça Santa Cruz
    Matão
    9h – Ato/passeata com concentração na Praça Dr. Leonidas Caligola Bastilha (em frente à Igreja Matriz)
    Bauru
    9h – Ato em frente à Câmara Municipal
    Ribeirão Preto
    11h – Ato em frente à Câmara Municipal (Av. Jerônimo Gonçalves, 1200)
    Piracicaba
    6h30 – Terminal Central de Integração
    Americana
    10h – Praça Basílio Rangel
    Salto
    7h – Ato em frente à Apeoesp
    Jundiaí
    9h – Ato na Praça Nossa Senhora do Desterro
    Bragança Paulista
    10h – Praça Raul Leme
    Itapevi
    9h – Praça Carlos de Castro
    Sergipe
    Em Aracaju, vários protestos serão realizados desde a madrugada e também no turno da manhã. À tarde, a partir das 15h, na Praça General Valadão.
    Tocantins
    Em Palmas, a partir das 8h, na Avenida JK, próximo ao Colégio São Francisco.

  • Cais Mauá: meio século para ficar pronto, 40 anos de uso, quase 20 de abandono

    O projeto original denominava-se “Porto Alegre Porto de Mar”, visava melhorar o acesso da navegação marítima ao porto da capital.
    Foi lançado em 1904, cento e quinze anos atrás. Previa 3.200 de cais, 14 armazéns. Mas só começou a sair do papel em 1911, com o projeto original reformulado, reduzindo  para 1733 metros a extensão do cais. Desse total seriam: 416 metros para a navegação fluvial (calado de 2 metros), 917 metros para a navegação costeira (calado de 4 metros) e 400 metros para navios de longo curso (calado acima de 5 metros).
    Em 1918, estavam construídos apenas 66 metros, quatro anos depois recebeu os primeiros guindastes e, em 1930, já tinha quase 2 mil metros de cais  construídos e se equiparava ao porto de Rio Grande em movimento de navios e cargas.
    Só 30 anos depois, em 1960, foi integrado ao Sistema Portuário  Nácional e só foi dado por concluído em 1962. Aí já eram três cais acostáveis (Mauá, Navegantes e Marcirlio Dias) num total de 8 mil metros. e um calado de 17 pés (5 metros  e 17 centímetros), menos da metade de Rio Grande (calado de 40 pés).
    Ou seja, levou 58 anos para ser construído, depois que ficou pronto, manteve 40 anos de operações, até 2002, quando começou a ser desativado. Está há quase 20 anos inativo, sendo que nos últimos nove anos em completo abandono.

  • Gaspari compara crise da Lava Jato à "República do Galeão"

    As grandes corporações da mídia estão empenhadas em desidratar a crise que se abriu com a divulgação de conversas do então juiz Sérgio Moro com os procuradores durante a Lava Jato.
    O enfoque geral é esse: mais grave do que o revelado nas conversas é a “ação criminosa da invasão ilegal de telefones privados”.  Mesmo que se revelem alguns “deslizes”, o importante é preservar a Lava Jato, simbolo do combate à corrupçao.
    Na contramão desse jogo de abafa, que tirou o assunto da manchete dos principais jornais, Elio Gaspari, em sua coluna no Globo, nesta quarta-feira compara a crise deflagrada com os vazamentos da Lava Jato a um dos episódios mais turbulentos da história do país, a chamada República do Galeão, em 1954, quando se montou um Inquérito Policial Militar para incriminar o presidente Getúlio Vargas, que acabou se suicidando
    “As conversas impróprias de Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol enodoaram a Lava-Jato e fragilizaram a condenação imposta a Lula pelo tríplex do Guarujá”, diz Gaspari.
    “Basta ler o que se tem lá e verificar que o fato grave é a invasão criminosa do celular dos procuradores”, disse Moro.
    O colunista rebate: “O fato grave é ver um juiz, numa rede de papos, cobrando do Ministério Público a realização de “operações”, oferecendo uma testemunha a um procurador, propondo e consultando-o a respeito de estratégias”.

    Além de tudo, “precisam explicar o conteúdo de suas falas. Sem explicações, a presença dos dois nos seus cargos ofende a moral e o bom senso. No caso de Moro, ofende também a lei da gravidade. Ele entrou no governo amparando Jair Bolsonaro e agora depende de seu amparo. Se o capitão soltar, ele cai”.

    Uma das revelações mais tenebrosas das mensagens é aquela em que, dias depois de divulgar o conteúdo do grampo de uma conversa da presidente Dilma Rousseff com Lula, Moro diz :“não me arrependo do levantamento do sigilo, era a melhor decisão, mas a reação está ruim”.

    “O viés militante de Moro e Dallagnol na Lava-Jato afasta-os do devido processo legal, aproximando-os da República do Galeão, instalada em 1954 em cima de um Inquérito Policial Militar que desaguou no suicídio de Getúlio Vargas”.
  • Decisão sobre liberdade de Lula foi transferida para o plenário

    A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu nesta terça-feira, 11, remeter ao plenário da Corte a questão da prisão automática em segunda instância, adotada pelo TRF-4 e que levou o ex-presidente Lula à cadeia.
    O TRF-4 é a segunda instância de processos da Operação Lava Jato e condenou o ex-presidente Lula no caso do “triplex do Guarujá”.
    A discussão no caso é se o TRF-4 pode determinar a detenção automática de réus após condenação em segunda instância.
    O Supremo já firmou o entendimento a favor da possibilidade de prisão, mas não de sua obrigatoriedade, observou o ministro Ricardo Lewandowski. Lewandowski votou para anular todas as prisões impostas por súmula do TRF-4 sobre o tema, como a do ex-presidente Lula.
    A decisão da Segunda Turma de deixar a definição do caso para o plenário prolonga a espera de Lula por uma medida que o tire da prisão da Lava Jato.
    Durante a sessão, o decano do STF, ministro Celso de Mello, cobrou o julgamento do mérito de três ações que tratam da possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. “Entendo que é mais do que necessário que o plenário do STF venha a julgar as três ações declaratórias de constitucionalidade para que se defina em caráter definitivo essa questão delicadíssima”, disse Celso de Mello.Ainda não há previsão de quando o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, marcará o julgamento dessas três ações.
    (Com informações do Estadão)
  • Crise da Lava Jato chega ao Supremo com julgamento do habeas de Lula

    A imprensa tradicional tentou minimizar a crise detonada pelo concorrente Intercept Brasil com a revelação de mensagens entre o juiz  Sérgio Moro com os procuradores em Curitiba durante  a Operação LavaJato.
    O site do Globo só deu manchete depois que Sérgio Moro deu entrevista dizendo que não via nada demais na troca de mensagens com os procuradores. A tarde o destaque já era outro: “Caixa vende ações da Petrobrás: saiba se vale à pena”.
    Merval Pereira, do Conselho Editorial, desde cedo dizia que “vazamentos ilegais não mudam decisões da justiça”.
    Em ação coordenada, o governo Bolsonaro se moveu em bloco em defesa de Moro e a idéia de uma CPI no Congresso foi considerada “inútil”.
    Mas as manchetes dos principais sites no início da noite já não deixavam dúvidas sobre a extensão do terremoto político que os vazamentos do Intercept começaram a causar:
    “2a. Turma deve decidir no fim de junho se Moro foi parcial no julgamento de Lula”
    “Defensores da Reforma tentam blindá-la contra efeitos da crise da Lava Jato”.
    “Conselho do Ministério Público abre investigação disciplinar contra Dallagnol”
    “OAB recomenda afastamento de ex-juiz e procurador”
    “Conversas de Moro com procuradores e ação de hacker serão investigadas”.
    “2a. Turma do Supremo deve julgar pedido de Lula nesta terça”.

    Este julgamento, de um pedido feito no ano passado, coloca a crise da Lava Jato dentro do Supremo. O pedido é um habeas corpus que aponta a suspeição do ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro e questiona a atuação dele durante o processo no qual o ex-presidente foi condenado.

    E isso é apenas o começo. Segundo o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, o que divulgaram até agora é  um por cento do que têm em arquivos digitais.

  • Mensagens divulgadas pelo Intercept implodem a Operação Lava Jato

    Mensagens trocadas por meio do Telegram entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, divulgadas neste domingo pelo site Intercept Brasil, detonam a imparcialidade das investigações que levaram à prisão de Lula e jogam gasolina na crise política brasileira.

    Apesar do esforço de alguns jornais, como o Globo e o Estadão, de minimizar o impacto, atribuindo o vazamento a ações criminosas de hackers, o conteúdo dos diálogos e troca de informações são arrasadores para a credibilidade de Moro e os procuradores, especialmente o coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol.

    As mensagens foram passadas ao Intercept por uma “fonte anônima” e os autores da reportagens, entre eles Glenn Greenwald, jornalista americano fundador do site, garantem que não tem relação com a invasão do celular denunciada pelo Juiz Sérgio Moro na semana passada.

    Já se diz que é a maior crise institucional da história do país.

    Parte 1
    O Intercept Brasil publicou hoje três reportagens explosivas mostrando discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava Jato, coordenada pelo procurador renomado Deltan Dallagnol, em colaboração com o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, celebrado a nível mundial.
    Produzidas a partir de arquivos enormes e inéditos – incluindo mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens – enviados por uma fonte anônima, as três reportagens revelam comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer.
    O material publicado hoje no Brasil também foi resumido em duas reportagens em inglês publicadas no Intercept, bem como essa nota dos editores do The Intercept e do The Intercept Brasil.
    Esse é apenas o começo do que pretendemos tornar uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, do procurador Deltan Dallagnol e da força-tarefa da Lava Jato – além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detêm um enorme poder político e econômico dentro e fora do Brasil.
    A importância dessas revelações se explica pelas consequências incomparáveis das ações da Lava Jato em todos esses anos de investigação. Esse escândalo generalizado envolve diversos oligarcas, lideranças políticas, os últimos presidentes e até mesmo líderes internacionais acusados de corrupção.
    O mais relevante: a Lava Jato foi a saga investigativa que levou à prisão o ex-presidente Lula no último ano. Uma vez sentenciado por Sergio Moro, sua condenação foi rapidamente confirmada em segunda instância, o tornando inelegível no momento em que todas as pesquisas mostravam que Lula – que terminou o segundo mandato, em 2010, com 87% de aprovação – liderava a corrida eleitoral de 2018. Sua exclusão da eleição, baseada na decisão de Moro, foi uma peça-chave para abrir um caminho para a vitória de Bolsonaro. A importância dessa reportagem aumentou ainda mais depois da nomeação de Moro ao ministério da Justiça.
    Moro e os procuradores da Lava Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusados por tantos outros de ser ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na justiça com o objetivo político de evitar que Lula retornasse à presidência e destruir o PT. Moro e os procuradores têm negado, com a mesma veemência, qualquer aliança ou propósito político, dizendo que estão apenas tentando livrar o Brasil da corrupção.
    Mas, até agora, os procuradores da Lava Jato e Moro têm realizado parte de seu trabalho em segredo, impedindo o público de avaliar a validade das acusações contra eles. É isso que torna este acervo tão valioso do ponto de vista jornalístico: pela primeira vez, o público vai tomar conhecimento do que esses juízes e procuradores estavam dizendo e fazendo enquanto pensavam que ninguém estava ouvindo.
    As reportagens de hoje mostram, entre outros elementos, que os procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre seu desejo de impedir a vitória eleitoral do PT e tomaram atitudes para atingir esse objetivo; e que o juiz Sergio Moro colaborou de forma secreta e antiética com os procuradores da operação para ajudar a montar a acusação contra Lula. Tudo isso apesar das sérias dúvidas internas sobre as provas que fundamentaram essas acusações e enquanto o juiz continuava a fingir ser o árbitro neutro neste jogo.
    O único papel do Intercept Brasil na obtenção desse material foi seu recebimento por meio de nossa fonte, que nos contatou há diversas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”) e nos informou de que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas.
    Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso.
    O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo.
    Ao fazer esses julgamentos, empregamos o padrão usado por jornalistas em democracias ao redor do mundo: as informações que revelam transgressões ou engodos por parte dos poderosos devem ser noticiadas, mas as que são puramente privadas e infringiriam o direito legítimo à privacidade ou outros valores sociais devem ser preservadas.
    A bem da verdade, ao produzir reportagens a partir desses arquivos, somos guiados pela mesma argumentação que levou boa parte da sociedade brasileira – aí incluídos alguns jornalistas, comentaristas políticos e ativistas – a aplaudir a publicidade determinada pelo então juiz Moro das conversas telefônicas privadas entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (em que discutiam a possibilidade do ex-presidente se tornar ministro da Casa Civil), logo reproduzidas por inúmeros veículos de mídia. A divulgação dessas ligações privadas foi crucial para virar a opinião do público contra o PT, ajudando a preparar o terreno para o impeachment de Dilma em 2016 e a prisão de Lula em 2018. O princípio invocado para justificar essa divulgação foi o mesmo a que estamos aderindo em nossas reportagens sobre esse acervo: o de que uma democracia é mais saudável quando ações de relevância levadas a cabo em segredo por figuras políticas poderosas são reveladas ao público.
    Mas a divulgação feita por Moro e diversos veículos da imprensa dos diálogos privados entre Lula e Dilma incluíam não apenas revelações de interesse público, mas também comunicações privadas de Lula sem qualquer relevância para a sociedade – o que levou muitas pessoas a argumentarem que a divulgação tinha o propósito de constranger pessoalmente o ex-presidente. Ao contrário deles, o Intercept decidiu manter reservada qualquer comunicação ou informação relacionada a Moro, Dallagnol e outros indivíduos que seja de natureza puramente privada e, portanto, desprovida de real interesse público.
    Nós tomamos medidas para garantir a segurança deste acervo fora do Brasil, para que vários jornalistas possam acessá-lo, assegurando que nenhuma autoridade de qualquer país tenha a capacidade de impedir a publicação dessas informações.
    Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.
    Tendo em vista o imenso poder dos envolvidos e o grau de sigilo com que eles operam– até agora –, a transparência é crucial para que o Brasil tenha um entendimento claro do que eles realmente fizeram. A liberdade de imprensa existe para jogar luz sobre aquilo que as figuras mais poderosas de nossa sociedade fazem às sombras.
    Parte 2
    Um extenso lote de arquivos secretos revela que os procuradores da Lava Jato, que passaram anos insistindo que são apolíticos, tramaram para impedir que o Partido dos Trabalhadores, o PT, ganhasse a eleição presidencial de 2018, bloqueando ou enfraquecendo uma entrevista pré-eleitoral com Lula com o objetivo explícito de afetar o resultado da eleição.
    Os arquivos, a que o Intercept teve acesso com exclusividade, contêm, entre outras coisas, mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram. Neles, os procuradores da força-tarefa em Curitiba, liderados por Deltan Dallagnol, discutiram formas de inviabilizar uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski porque, em suas palavras, ela “pode eleger o Haddad” ou permitir a “volta do PT” ao poder.
    Os procuradores, que por anos garantiram não ter motivações políticas ou partidárias, manifestaram repetidamente nos chats a preocupação de que a entrevista, a ser realizada a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, ajudaria o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad. Por isso, articularam estratégias para derrubar a decisão judicial de 28 de setembro de 2018, que a liberou – ou, caso ela fosse realizada, para garantir que fosse estruturada de forma a reduzir seu impacto político e, assim, os benefícios eleitorais ao candidato do PT.

    Desde o início da operação, em 2013, Dallagnol e o MPF tentaram passar uma imagem de que Moro atuava com imparcialidade e distância dos acusadores. “Sempre avaliou os pedidos do Ministério Público de modo imparcial e técnico”, escreveu o procurador, sobre o então juiz, em seu livro de memórias. A Procuradoria-Geral da República endossou essa narrativa. “Assim, inviável a declaração de nulidade de todos os atos praticados no curso da ação penal processada e julgada pelo Juízo Criminal Federal de Curitiba, que se manteve imparcial durante toda a marcha processual”, escreveu a PGR em parecer pró-Moro.
    Mas a proximidade com o juiz facilitou o trabalho do Ministério Público, e o próprio Dallagnol já admitiu isso. “Demos a ‘sorte’ de que o caso caísse nas mãos de um juiz como Sergio Moro”, escreveu Dallagnol no Twitter e no seu livro.
    OS DIÁLOGOS
    “VIRAM ISSO????”, escreveu no Telegram Athayde Ribeiro Costa, um dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná. “PqP!”, respondeu Roberson Pozzobon, membro da equipe e do grupo FT MPF Curitiba 2, no qual procuradores da Lava Jato de Curitiba discutiam estratégias para as investigações que transformaram a política brasileira.
    As mensagens eram uma reação à notícia “Diretor da Odebrecht que acompanhava Lula em suas viagens será solto hoje”, publicada naquele 16 de outubro de 2015 no blog de Lauro Jardim, do Globo.
    Minutos depois, Dallagnol usou o chat privado do Telegram para discutir o assunto com Moro, até então responsável por julgar os casos da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba.
    “Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”, escreveu Dallagnol.
    “Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia”, alertou o então juiz. Nove minutos depois, Moro deu outra dica ao procurador: “Teriam que ser fatos graves”.
    Depois de ouvir a sugestão, Dallagnol repassou a mensagem de Moro para o grupo de colegas de força-tarefa. “Falei com russo”, anunciou, usando o apelido do juiz entre os procuradores. Em seguida, os investigadores da Lava Jato passaram a discutir estratégias para reverter a decisão, mas Alencar não seria preso novamente, numa demonstração clara de que os diálogos entre Moro e Dallagnol influenciaram diretamente os desdobramentos da operação.
    Um mês depois, Sergio Moro enviou uma questão a Deltan Dallagnol pelo Telegram. “Olha está um pouco dificil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes dos colaboradores augusto, barusco emario goes na acao penal 5012331-04? O efeito pratico é impedir a execução da pena”, reclamou a Dallagnol. Em teoria, o juiz não deveria ter interesse em resultados do processo, como, por exemplo, o aumento ou redução de penas de um acusado – nem muito menos tirar satisfação com o Ministério Público fora dos autos.
    Num despacho publicado às 14h01, o juiz chamou o recurso do MPF de “obscuro”. Minutos depois, às 14h08, Dallagnol respondeu pelo Telegram. Moro rebateu, também pelo aplicativo de mensagens: “Na minha opiniao estao provocando confusão. E o efeito pratico sera jogar para as calendas a existência [da] execução das penas dos colaboradores”.
    Em 21 de fevereiro de 2016, Moro se intrometeu no planejamento do MP de forma explícita. “Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas”, afirmou Moro, numa provável menção às fases seguintes da Lava Jato. Dallagnol disse que haveria problemas logísticos para acatar a sugestão. No dia seguinte, ocorreu a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.
    Dias depois, Moro cometeu um deslize de linguagem que revela como a acusação e o juiz, que deveria avaliar e julgar o trabalho do MP, viraram uma coisa só. “O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?”, escreveu o juiz em 27 de fevereiro, usando a primeira pessoa do plural, dando a entender que as reações do juiz e do MP deveriam ser coordenadas.
    Em 31 de agosto de 2016, Moro mais uma vez escancarou seu papel de aliado dos acusadores ao questionar o ritmo das prisões e apreensões. “Não é muito tempo sem operação?”, perguntou o então juiz ao procurador às 18h44. A última fase da Lava Jato havia sido realizada 29 dias antes – a operação Resta Um, com foco na empreiteira Queiroz Galvão.
    A periodicidade – e até mesmo a realização de operações – não deveria ser motivo de preocupação do juiz, mas Moro trabalhava com Dallagnol para impulsionar as ações do Ministério Público, como comprovam os diálogos e comentários habituais nas conversas entre os dois.
    “É sim”, respondeu Dallagnol mais tarde. A operação seguinte ocorreu três semanas depois.
    ‘ESTOU REPASSANDO. A FONTE É SERIA’
    O MINISTRO DA JUSTIÇA DE BOLSONARO parece ter cruzado a fronteira que separa juiz e investigador numa conversa de 7 de dezembro de 2015, quando ele passou informalmente uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigasse. “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, escreveu Moro.
    “Obrigado!! Faremos contato”, respondeu Dallagnol pouco depois. “E seriam dezenas de imóveis”, acrescentou o juiz. O procurador disse que ligou para a fonte, mas ela não quis falar. “Estou pensando em fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa”, cogitou Dallagnol. Ao que tudo indica, o procurador estava considerando criar uma denúncia anônima para justificar o depoimento da fonte ao MP. O juiz Sergio Moro poderia condenar a solução – ou ficar quieto. Mas endossou a gambiarra: “Melhor formalizar entao”, escreveu Moro.
    Mais um sinal de que ele trabalhava em coordenação com a acusação veio numa troca de mensagens em 13 de março de 2016, quando manifestações contra o governo de Dilma Rousseff tomaram as ruas. O juiz revela o desejo de “limpar o congresso”.
    Dallagnol – 22:19:29 – E parabéns pelo imenso apoio público hoje. […] Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. […].
    Moro – 22:31:53. – Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.
    22:48:46 – Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.
    Três dias depois, Dilma tentaria nomear Lula para a Casa Civil, e Moro divulgaria a famosa conversa gravada entre a então presidente e o ex-presidente. Naquela manhã, Dallagnol e Moro conversaram sobre a divulgação dos áudios e se consultaram sobre a estratégia.
    Dallagnol – 12:44:28. – A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeacao, confirma?
    Moro – 12:58:07. – Qual é a posicao do mpf?
    Dallagnol – 15:27:33. – Abrir
     
    As críticas à divulgação dos áudios foram fortes e, seis dias depois, o procurador e o juiz ainda discutiam o assunto:
     
    Dallagnol – 21:45:29. – A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito…
    […]
    Moro – 22:10:55. – nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim.
    Uma semana depois da conversa, porém, Moro pediu desculpas pela decisão.
    O juiz voltaria a dar conselhos ao MP em 21 de junho de 2016. Deltan Dallagnol apresentou uma prévia impressionante dos indícios de corrupção revelados pela delação de 77 executivos da Odebrecht, que implicavam 150 políticos, incluindo nomes como Michel Temer, Dilma, Lula, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin. “Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus”, disse Moro, usando a expressão em latim para um ditado do meio jurídico – “acabe-se o mundo [mas] faça-se justiça”. “Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova. Espero que LJ sobreviva ou pelo menos nós”, completou.
    Outro conselho veio em em 15 de dezembro de 2016, quando o procurador atualizou o juiz sobre as negociações da delação dos executivos da Odebrecht.
    Dallagnol – 16:01:03 – Caro, favor não passar pra frente: (favor manter aqui): 9 presidentes (1 em exercício), 29 ministros (8 em exercício), 3 secretários federais, 34 senadores (21 em exercício), 82 deputados (41 em exercício), 63 governadores (11 em exercício), 17 deputados estaduais, 88 prefeitos e 15 vereadores […].
    Moro – 18:32:37 – Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do mp e judiciário.
    ‘NÃO PODE COMETER ESSE TIPO DE ERRO AGORA’
    EM MARÇO DE 2017, Moro escreveu a Dallagnol para sugerir por baixo dos panos um caminho para a investigação da Lava Jato – o que, na teoria, só poderia ser feito dentro dos autos. “Prezado, a Deputada Mara Gabrili mandou o texto abaixo para mim, podem dar uma checada nisso. Favor manter reservado”, disse o então juiz.
    Seguia-se uma longa mensagem de Gabrilli, do PSDB de SP e atualmente senadora, em que ela sugere que o publicitário Marcos Valério, preso após os processos do Mensalão, fosse ouvido a respeito do assassinato de Celso Daniel, ocorrido em 2002. Daniel era prefeito de Santo André, cidade do ABC paulista, berço político de Lula e do Partido dos Trabalhadores.
    Menos de uma hora depois, Moro ouviu que o apelo da então deputada seria levado em conta pela Lava Jato. “Falei com Diogo, que checará”, respondeu Dallagnol, fazendo referência ao procurador Diogo Castor de Mattos.
    Dois meses depois, em 8 de maio de 2017, Curitiba parecia à beira de uma guerra civil. Dali a dois dias, Lula se sentaria pela primeira vez diante de Moro para depor, como réu, no caso do triplex. Diante da chegada de caravanas de apoio ao petista – e, em menor número, de fãs de Moro e da Lava Jato –, a secretaria de Segurança Pública do Paraná montou um gigantesco esquema que incluiu até atiradores de elite no dia do julgamento.
    Em meio ao clima de tensão, Moro disparou uma mensagem a Dallagnol em que, duramente, o cobrava sobre a intenção de adiar em cima da hora o depoimento do ex-presidente. “Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando”, escreveu, às 19h09. “Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem”, completou.
    Dallagnol só respondeu no dia seguinte, às 8h41. “Passei o dia fora ontem. Defenderemos manter. Falaremos com Nivaldo”, ele prometeu. Referia-se a Nivaldo Brunoni, juiz de primeira instância que cobria as férias do relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, João Pedro Gebran Neto. Naquele mesmo dia, Brunoni rejeitou pedido da defesa do petista para adiar o interrogatório.
    Dois dias depois, uma outra conversa que revela o clima de camaradagem entre juiz e acusação. “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”, teclou Dallagnol. Moro respondeu antecipando a sua decisão: “Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo”.
    Em 26 de junho, seria a vez de Moro ditar a estratégia para o Ministério Público Federal manter preso João Vaccari Neto, tesoureiro do PT que ele condenara, mas que seria absolvido por falta de provas, no dia seguinte, pelo TRF4.
     
    Moro – 18:24:25 – Diante das absolvição do Vaccari seria talvez conveniente agilizar julgamento do caso do Skornicki no qual ele tb está preso e condenado. Parece que está para parecer na segunda instância
    Dallagnol – 20:54:53 – Providenciamos tb nota de que a PRR vai recorrer
    20:57:31 – Tem outras tb no TRF. Alguma razão especial para apontar esta?
    Moro – 23:20:53 – Porque Vaccari tb foi condenado nesta?!
    A LEITURA DAS conversas mostra como Moro e Dallagnol ficaram próximos ao longo dos anos. Entre as últimas mensagens a que o Intercept teve acesso, Moro conversa em tom de amizade com o procurador – que tratava o atual ministro como “Caro juiz” no início dos diálogos.
    Moro – 15:28:29. – Cara, recebi uma fotos de vc fantasiado de superhomem com um tal de Castor, não sei o que faço mas a Mônica Bergamin está perguntando se vc preferiu o Superman i, oi ou Iii?
    Dallagnol – 22:47:06. – Kkkkkkk
    22:47:28 – Tá no face tb?
    22:48:10 – Se tiver, preciso tirar… ela está me difamando, era na verdade de príncipe que eu estava rs
    Mas também houve momentos tensos entre os dois. Em março de 2016, Moro irritou-se com o que considerou um erro da Polícia Federal. “Tremenda bola nas costas da Pf”, digitou o então juiz. As justificativas apresentadas por Dallagnol não o convenceram. “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora.”
    Um ano depois, Moro, aparentemente irritado com uma das procuradoras da força-tarefa da Lava Jato, fez um pedido delicado a Dallagnol:
    Moro – 12:32:39. – Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem.
    Dallagnol – 12:42:34. – Ok, manterei sim, obrigado!
    ‘MORO NÃO É MODELO DE JUIZ IMPARCIAL’
    AS CONVERSAS ENTRE MORO E DALLAGNOL enviadas pela fonte anônima compreendem um período de dois anos entre 2015 e 2017. Já no grupo de procuradores citado neste texto, o FT MPF Curitiba, o conteúdo dos chats totaliza o equivalente a um livro de 1.700 páginas.
    Juristas ouvidos pelo Intercept disseram que a proximidade entre procuradores e juízes é normal no Brasil – ainda que seja imoral e viole o código de ética dos magistrados.
    “Pela Constituição, o processo penal brasileiro é acusatório. Na prática, é inquisitivo”, cravou Lenio Streck, advogado, jurista, pós-doutor em Direito e professor de Direito Constitucional na Unisinos, no Rio Grande do Sul. “O juiz acaba sendo protagonista do processo, age de ofício [ou seja, sem ser provocado por uma das partes], busca provas. Isso acaba fazendo com que o MP, também com postura inquisitiva, acabe encontrando um aliado estratégico no juiz. É um problema anterior, de que a Lava Jato é um sintoma.”
    Aprovado em 2008 pelo Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, o Código de Ética da Magistratura Nacional determina, em seu primeiro artigo, que juízes atuem “norteando-se pelos princípios da independência, da imparcialidade” e “do segredo profissional”, entre outros.
    O capítulo 3 do código, que trata exclusivamente da imparcialidade, diz, no artigo oitavo: “O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”. O artigo seguinte determina que o juiz, “no desempenho de sua atividade, cumpre dispensar às partes igualdade de tratamento, vedada qualquer espécie de injustificada discriminação.”
    Em várias decisões, o Supremo Tribunal Federal ratificou decisões que proíbem juízes de promover investigações. “A Constituição de 1988 fez uma opção inequívoca pelo sistema penal acusatório. Disso decorre uma separação rígida entre, de um lado, as tarefas de investigar e acusar e, de outro, a função propriamente jurisdicional. Além de preservar a imparcialidade do Judiciário, essa separação promove a paridade de armas entre acusação e defesa, em harmonia com os princípios da isonomia e do devido processo legal”, diz a ementa da ação direta de inconstucionalidade 5104, relatada pelo ministro Roberto Barroso.
    As conversas sugerem que o juiz deu acesso privilegiado à acusação e ajudou o Ministério Público a construir casos contra os investigados, o que pode ser usado pela defesa dos acusados na Lava Jato. Esse foi, por exemplo, o argumento da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao recorrer da condenação e ao denunciar Sergio Moro na Comissão de Direitos Humanos da ONU. “O juiz Moro atuou com pré-julgamento, pois ele foi o juiz de investigação de Lula”, disse o advogado que representou o ex-presidente na ONU, Geoffrey Robertson, na época em que o petista foi condenado em segunda instância. A defesa de Lula vem, sem sucesso, questionando a imparcialidade de Moro no Supremo Tribunal Federal.
    “O juiz brasileiro, em regra, é um juiz formal, mais distante, mas tem mais proximidade com o MPF, porque são ambos funcionários públicos. Existe um desequilíbrio nesse sentido”, afirmou o advogado Antônio Sérgio Pitombo, que já defendeu na Justiça o atual chefe de Moro, Jair Bolsonaro.
    “Conheço o juiz Moro há muitos anos. Não é um modelo de juiz imparcial, tem um viés de favorecer a acusação. [Mas] O ponto sobre Lava Jato nunca foi o juiz Moro, mas o Tribunal Regional da Quarta Região [responsável por julgar na segunda instância os processos da operação] nunca corrigir o juiz Moro. Juízes com esse ímpeto [punitivista] sempre tivemos no Brasil. Mas nunca tivemos um tribunal tão leniente [com a primeira instância] como o TRF4. Ali parecia haver um pacto ideológico entre tribunal e juiz. O tribunal achava bonito aquilo”, criticou Pitombo.
    O relator dos processos da Lava Jato no TRF4, o juiz de segunda instância João Pedro Gebran Neto, é amigo pessoal de Moro e, via de regra, se alinha ao atual ministro em suas sentenças.
    Muitas das decisões tomadas por Moro ainda podem ser questionadas pelas defesas de condenados na Lava Jato e revistas em tribunais superiores.
    Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens, para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.

  • Assembleia decide: bancários vão à greve geral dia 14

    Na noite desta quinta-feira, 6/6, no auditório da Casa dos Bancários foi aprovado em assembléia, por unanimidade, a participação na greve geral, da próxima sexta-feira, 14/6.
    Na quinta-feira, 13/6, a partir das 18h, no auditório da Casa dos Bancários, haverá uma Plenária de organização da participação dos bancários na greve que começa no dia seguinte.
    A greve geral, chamada pelas centrais sindicais, ocorre contra os ataques do governo Bolsonaro à aposentadoria, à educação, em defesa dos empregos e das empresas públicas.
    A pauta central são as mudanças na reforma da Previdência, contidas na PEC 06/19, apresentada pelo governo federal em 20 de fevereiro à Câmara dos Deputados.
    A aposentadoria aos 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, com 40 anos ou mais de contribuição, para o benefício integral praticamente acabam com o direito à aposentadoria.
    O tom da assembleia foi de indignação e de mobilização. Segundo o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, dissemina-se a mentira de que a reforma da Previdência vai fazer o país economizar R$ 1 trilhão em 10 anos e, como num passe de mágica, fazer a economia do Brasil voltar a crescer.
    O presidente lembrou que, desde 2016, os trabalhadores têm sofrido derrotas seguidas e são induzidos a acreditar em melhoras de suas condições com uma estratégia de discurso que agora se repete com a reforma da Previdência. Duas delas ocorreram ainda no governo Temer. A aprovação da Terceirização e da reforma Trabalhista precarizaram as relações de trabalho. As duas foram vendidas na grande mídia como a salvação da economia no Brasil e da retomada dos empregos.
    “Vamos conversar com os trabalhadores. Muitos pensam que a reforma da Previdência vai resolver o problema do baixo crescimento no Brasil. Estão contaminados pelo discurso das grandes redes de TV. Quando propuseram a reforma Trabalhista disseram que iam produzir 2 milhões de empregos por ano. O que aconteceu foi que o desemprego aumentou, chegando a quase 13 milhões de pessoas”, argumentou Gimenis.
    O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, também participou da assembleia. Claudir lembrou que, desde a retomada da democracia no Brasil, com o fim da Ditadura Militar, nos anos 1980, os bancários estão na linha de frente das grandes disputas sociais por direito no Brasil. Aora, podemos passar para a história como os trabalhadores que receberam direitos, como a aposentadoria, o salário mínimo e o 13º, que não conseguimos sustentar esses direitos”, assinalou.
    Calendário de Mobilização
    Quinta-feira, 13/6| 18h | Plenária de Mobilização à Greve Geral no auditório da Casa dos Bancários (rua General Câmara, 424, Centro Histórico de Porto Alegre
    Sexta-feira, 14/6 | 0h | Greve geral em todo o Brasil.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Deputados visitam minas de carvão preparando audiência pública

    Oito deputados, sete deles integrantes da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, inclusive a presidente, Zilá Breitenbach, participaram da “visita técnica” ao local onde a Copelmi pretende instalar a mina Guaiba, para extrair carvão a céu aberto de uma jazida, a 70 quilômetros de Porto Alegre.
    Na base de um projeto ambicioso, que projeta investimentos de 4 bilhões de dólares no Estado, a mina Guaiba está também no centro de uma grande polêmica, pelos riscos ambientais decorrentes da mineração.
    A visita, no dia do meio ambiente, foi proposta pelo deputado Gabriel de Souza, do MDB..
    Assessores técnicos, jornalistas  e diretores da Copelmi completaram a lotação de 42 lugares do ônibus que saiu da frente da Assembléia, às nove horas de quarta-feira, 5 de junho.

    O roteiro incluiu  visita a uma mina em final de operação, no município de Butiá (foto) e ao aterro sanitário em Minas do Leão, onde o lixo de 140 cidades gaúchas, inclusive Porto Alegre, é depositado na cava de uma mina já esgotada.
    Uma parte já consolidada do aterro, está acoplada a uma usina, que produz 8 MW de energia elétrica a partir do gás metano gerado pelo lixo em decomposição.
    A deputada Zilá, ocupando interinamente também a presidência da Assembléia,  falou da importância da ida dos deputados à região nessa etapa do projeto, que está em licenciamento ambiental e ainda passará por duas audiências públicas, uma delas na Assembléia.
    “Isso nos deixará mais preparados para o debate”, explicou, lembrando que a comissão de meio ambiente há muito acompanha junto aos órgãos técnicos do Estado o processo de licenciamento do projeto.
    “Estamos abrindo as portas, para que todos os detalhes do projeto sejam debatidos e esclarecidos”, disse o diretor da Copelmi, Roberto Faria aos convidados.
    Da quarta geração de uma família que minera carvão há mais de 100 anos no Rio Grande do Sul, Roberto Faria é responsável pela condução política do projeto da mina Guaiba, para explorar uma jazida de 200 milhões de toneladas de carvão que a Copelmi tem entre os municípios de Charqueadas e El Dorado.
    “O carvão desta reserva é o que tem maior viabilidade técnica e econômica para abastecer um polo carboquímico, que é o caminho para um uso mais nobre do nosso carvão”, disse ele.
    O polo carboquímico, que teria que contar com tecnologia e financiamento estrangeiros, é a segunda etapa do projeto para o qual se estima um investimento de mais de 4 bilhões de dólares.
    A carboquímica é considerada uma “rota limpa” para o uso do carvão. O mineral passa por uma “queima pobre”, em que se reduz o oxigênio, para liberar o chamado gás de síntese,  usado para geração de energia ou desdobrado em outras matérias primas, como a uréia e o metanol, que o Rio Grande do Sul importa.
    A Copelmi começou a desenvolver o projeto com a sul-coreana Posco, em 2014, quando visitou também plantas na China e na Alemanha, integrando uma comitiva do governador Tarso Genro.
    Em 2018 firmou um protocolo com a Ais Products, norte-americana, fornecedora de gases industriais, que produz gás de síntese em cinco plantas, na China, nos Estados Unidos e no Japão, movimentando 15 bilhões de dólares por ano.
    Na mineração,  a Copelmi ostenta um desempenho de padrão internacional. Da sociedade que manteve com a inglesa Rio Tinto Company, absorveu  um padrão mundial  na recuperação de áreas degradadas com a mineração. A lavra é feita em tiras e à medida que avança, a área escavada vai sendo recomposta. “Estive na Alemanha, não devemos nada a eles”, disse Roberto Faria.
    A mineração de carvão numa área tão próxima do rio Jacuí e do Parque do Delta, no entanto,  levanta questionamentos.
    O deputado Sebastião Mello, que acompanhou a visita, levantou a questão da proximidade da mina com o rio Jacui, que desemboca no Guaiba bem na altura de uma das estações de captação de água para a população de Porto Alegre. “Análises foram feitas pelo DMAE e concluiram que não há risco de comprometimento”, respondeu Faria.
    Citou um exemplo da qualidade da água que sai do processo de mineraçao: em Butiá, num período de sêca a Corsan fez testes na água de um lago formado numa cava de mineração e aprovou para o consumo, desde que devidamente tratada.
    Numa entrevista ao Jornal do Comércio nesta quarta feira o professor  Rualdo Menegaz, coordenador do Atlas Ambiental de Porto Alegre, dramatizou a questão: disse que o Guaiba, único manancial de água de que os portoalegrenses dispõem, já estão no limite de cargas poluentes. Qualquer acréscimo pode ser fatal.
    A empresa, no entanto, garante que nenhum efluente resultante do processo de mineração chegará ao rio, antes de tratamento que permitirá devolver ao rio a água limpa, sem qualquer contaminação.
    Além do carvão, serão extraídos areia e cascalho da mina que alcança uma extensão  de 4,3 mil hectares. O  ponto mais próximo estaria a 535 metros do Delta do Jacuí, mas os órgãos licenciadores exigiram um recuo de 100 metros, o que reduziu a reserva a ser minerada de 210 milhões de toneladas para 160 milhões de toneladas.
    Um dos pontos mais polêmicos do projeto é que na área a ser minerada há um assentamento simbólico para o MST, o  Assentamento Apolônio de Carvalho, homenagem a um líder histórico das lutas populares. As negociações tem sido intermediadas pelo INCRA.
    A Copelmi fez um levantamento e diz que as áreas em que está o assentamento sofrem alagamentos e o abastecimento de água é precário. A empresa se compromete em reassentá-lo  em outra área  com mais infraestrutura.
    O Eia Rima, que está em análise há quase cinco anos  tem seis mil páginas. Nele trabalharam 92 técnicos.
    A comitiva de deputados e jornalistas visitou também a Fazenda Butiá, apresentada pela empresa como um caso exemplar de seus cuidados com as áreas mineradas.
    A mina foi aberta em 1987 e se esgotou em 2010. A área já está quase toda recuperada  O proprietário planta soja e cria gado de corte. “A produtividade está na média da região, 60 sacos de soja por hectare”, garante Alexandre Grigorieff, diretor de operações  da Copelmi, há 35 anos na empresa.  Os campos verdejantes que se descortinam da estrada tornam difícil imaginar que havia uma cratera negra ali.
    Na recobertura do terreno minerado tenta-se na medida do possível reconstituir a topografia original. Ainda há qualquer coisa de artificial na paisagem recém reconstituida, mas a vegetação sem dúvida é exuberante.
    Nessa mina foram 500 hectares reabilitados, restando  pouco mais de um ano de operação, quando o último buraco estará esgotado. Lá embaixo, na enorme cava, um trânsito intenso de caminhões que descem e sobem carregados de carvão para o benficiamento (trituraçao)  a sete quilômetros dali.