Autor: Elmar Bones

  • Privatização do DMAE: campanha quer chegar a 100 mil assinaturas para exigir plebiscito

    Privatização do DMAE: campanha quer chegar a 100 mil assinaturas para exigir plebiscito

    Uma “frente em defesa do DMAE”, liderada pelo Simpa, está colhendo assinaturas para que o projeto de privatização do Departamento Municipal de Águas e  Esgotos de Porto Alegre seja submetido a um plebiscito popular.

    A meta é ter 100 mil assinaturas para entrar com uma Ação Civil Publica e exigir uma consulta à população sobre o projeto do prefeito Sebastião Melo, de conceder a uma empresa privada autarquia municipal, responsável pelo abastecimento de água e a rede de esgoto em Porto Alegre, desde 1961.

    O projeto de privatização do DMAE ´é polemico e já enfrenta uma CPI na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

  • Após obstrução, Senado amplia para até dois mínimos a isenção de IR

    Depois de 48 horas de obstrução do plenário por bolsonaristas,  a primeira matéria que o Senado aprovou, nesta quinta-feira (7), foi o projeto de lei que isenta do pagamento do Imposto de Renda os trabalhadores que ganham até dois salários-mínimos, o que equivale a R$ 3.036.

    O texto agora vai para o presidente sancionar.

    Esse limite já estava em vigor pela medida provisória 1.294/2025, editada pelo governo federal, e cuja validade venceria na próxima segunda-feira (11).

    Caso a MP perdesse a validade, poderia prejudicar milhões de contribuintes – o IR passaria a ser obrigatório para aqueles que receberam, em média, R$2.606 por mês.

    O relator da matéria no Senado, o líder do governo Jacques Wagner (PT-BA), comemorou o resultado da votação, que foi aprovada em votação simbólica sem manifestações contrárias.

    “Depois, trabalharemos para aprovar a proposta de estender a isenção para quem ganha até R$ 5 mil”, explicou o relator.
    A proposta de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil reais está em tramitação na Câmara, aguardando votação no plenário.

    Já aprovada em Comissão Especial, o texto prevê ainda uma redução do IR para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

    A medida é outra das promessas de campanha do presidente Lula.

    A votação da matéria foi atrasada pelo motim da oposição, que ocupou as mesas diretoras dos plenários da Câmara e Senado após decretada a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

     

  • Gigante chinesa de drones entra no mercado da limpeza doméstica

    A gigante chinesa fabricante de drones DJI entrou pesado no mercado de limpeza doméstica inteligente. Nesta quarta-feira, 7/8, apresentou uma “série inaugural” de aspiradores de pó robóticos, expandindo sua experiência tecnológica além dos dispositivos aéreos.

    A nova linha de produtos, chamada série DJI ROMO, integra capacidades de varredura e limpeza, aproveitando as tecnologias de detecção ambiental proprietária da empresa e planejamento inteligente de caminhos originalmente aprimoradas para as operações de drones.

    “O ROMO representa a primeira mudança estratégica da DJI da inteligência aérea para o cenário de limpeza doméstica”, disse Zhang Xiaonan, porta-voz da DJI, com sede em Shenzhen.

    Embora os ambientes residenciais sejam diferentes dos ambientes aéreos, o princípio básico permanece idêntico – empregando navegação inteligente, percepção ambiental e controle de precisão para permitir que as máquinas atendam às pessoas de forma mais eficaz e inteligente, disse Zhang.

    A experiência em drones da empresa a posiciona para enfrentar os principais desafios da indústria de vácuo robótico, acrescentou a porta-voz.

    A empresa disse que espera que a série ROMO seja lançada nos mercados estrangeiros ainda este ano, embora datas e regiões específicas de lançamento permaneçam não confirmadas.

    As remessas globais de aspiradores de pó robóticos atingiram 20,6 milhões de unidades em 2024, um aumento anual de 11,2%, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado IDC.

    O relatório do 1º trimestre de 2025 da empresa mostrou que as vendas globais aumentaram para 5,1 milhões de unidades, um aumento de 11,9% em relação ao ano anterior.

    As marcas chinesas Roborock, Ecovacs, Dreame e Xiaomi conquistaram quatro dos cinco primeiros lugares por volume de remessas.

  • Filha de chineses, de 41 anos, é empresária-símbolo em campanha da indústria gaúcha

    Filha de chineses, de 41 anos, é empresária-símbolo em campanha da indústria gaúcha

    Carolina Chiao, CEO da Metalúrgica Fimac, de Gravataí foi a escolhida para representar as 52 mil indústrias gaúchas na campanha institucional lançada nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Rio Grandedo do Sul.

    Nas peças publicitárias que começam a ser veículadas nos principais meios de comunicação. Carolina narra na primeira pessoa sua trajetória que “reflete a diversidade do setor industrial gaúcho”.

    Ela tem 41 anos e é filha de imigrantes chineses que chegaram ao Brasil em 1981. Em 2010, com a morte do irmão que dirigia a empresa da familia, assumiu como gestora e transformou uma pequena fábrica num polo de inovação.

    Ela conta que nos primeiros anos, o faturamento era baixo, os custos altos e as entregas atrasavam. Em seu segundo ano à frente da Fimac, conseguiu zerar os atrasos e, progressivamente, estabelecer uma cultura de excelência. Hoje a Fimac é um exemplo.

    A campanha do Sistema FIERGS pretende “valorizar a força do setor industrial que responde por 855 mil empregos no Estado”.

    A iniciativa busca estimular um novo olhar sobre a indústria, com destaque para sua diversidade e sua importância para o desenvolvimento gaúcho.
    “Indústria RS: Feita por muitos. Forte por todos”, resume o conceito que orienta a campanha.

    “Queremos mostrar a força da nossa indústria por meio das pessoas que a constroem todos os dias. O nosso setor é um pilar para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e está em constante transformação, sempre buscando inovação e mais competitividade”, diz o  presidente Claúdio Bier.
    Segundo o diretor de Comunicação do Sistema FIERGS, Nilson Vargas, a campanha busca promover uma nova percepção sobre a indústria gaúcha. “Essa ação estimula um novo olhar sobre o setor como um ecossistema vivo, diverso e essencial para o desenvolvimento do estado. A indústria é feita por pessoas reais, que com seu trabalho transformam o Rio Grande do Sul”.

    Além dos anúncios veiculados a partir desta quinta-feira, a ação conta com um site (www.feitapormuitos.com.br) que complementa a estratégia e aprofunda a relevância da indústria gaúcha.
    As peças publicitárias valorizam o ecossistema da indústria, com destaque para o empresário, que será o personagem no lançamento da campanha.​

    A CAMPANHA
    A concepção do projeto foi realizada pela Diretoria de Comunicação do Sistema FIERGS, que também criou as peças gráficas.

    O desenvolvimento do anúncio de TV ficou sob responsabilidade da produtora gaúcha de filmes publicitários Mythago.

    Com direção de cena de Guido Antonini e direção de arte de Bernardo Zortea, os filmes trazem um cenário que é um híbrido entre o real e o simbólico. Um grande estúdio com luzes à mostra, cabos no chão e tripés no fundo.
    “Com liberdade para desenvolver e criar em cima da ideia inicial apresentada pela FIERGS, ajustamos algumas coisas, evoluímos outras e saímos de um ‘estúdio com cara de making of’ para um cenário moderno, com iluminações pontuais e aparentes e imagens que foram captadas na própria fábrica da Fimac”, descreve Antonini.

  • PPP da Usina: Prefeitura pagará R$ 5 milhões por ano à concessionária

    PPP da Usina: Prefeitura pagará R$ 5 milhões por ano à concessionária

    No edital para a concessão da Usina do Gasômetro,  ícone da paisagem urbana de Porto Alegre, o essencial ficou encoberto pela polêmica que ainda está nas manchetes: pode o município conceder um imóvel que é da União?

    O prédio da antiga usina é patrimônio da União, em “concessão de uso” ao município de Porto Alegre desde 1982. Interpretações divergentes dos termos da concessão alimentam a polêmica.

    Não causou estranheza que a “gestão compartilhada” prevista na concessão do prédio histórico implique num repasse de R$ 95 milhões do poder municipal para a concessionária que vai “administrar o espaço” por  20 anos.

    O município já investiu milhões na infindável reforma do prédio. E vai pagar quase R$ 5 milhões por ano para uma empresa “administrar o  espaço”?

    A concorrência deve ocorrer no fim de agosto.

  • Apoio de Trump a Bolsonaro pode causar mais estragos do que o tarifaço

    Apoio de Trump a Bolsonaro pode causar mais estragos do que o tarifaço

    O alvo dos ataques de Donald Trump ao Brasil é o BRICS.

    Esse bloco, hoje com 11 países e quase metade do PIB mundial, desafia a hegemonia americana, sustentada pelo dólar, a moeda de referência do comércio mundial.

    No BRICS, os países estão buscando negociar em suas próprias moedas, numa relação que dispensa o dólar.

    A cooperação em torno de interesses comuns substitui a competição, muitas vezes agressiva, que caracteriza o capitalismo americano, financeirizado, concentrador.

    A eleição de Trump  dá a dimensão da crise desse modelo, levado ao extremo.  Despreparado, mal informado e, por isso mesmo, arrogante, o “homem cenoura” desconcerta o mundo.

    Caiu até no golpe de Bolsonaro que promete afastar o Brasil do BRICS, se ele Bolsonaro (ou um dos seus) chegar à presidência em 2026. Como se fosse simples assim.

    Para começar, a China é hoje o principal parceiro no comércio e em projetos estratégico no Brasil, que por sua vez tem um papel angular para os interesses chineses no continente americano.

    Por exemplo, esse acordo,  para a construção de um corredor ferroviário, que atravessa o Brasil a partir do litoral da Bahia até o Peru é tudo o que o agronegócio do centro-oeste almeja. Ele é um dos acordos selados em julho, em Brasilia, dois dias antes do tarifaço de Trump. Apenas um, dos 37 “acordos de cooperatação” assinados entre Lula e Xi-Jinping.

    A reação de Trump diante de uma realidade que lhe foge ao controle é a de um menino mimado. O problema é que ele é o presidente dos Estados Unidos e suas decisões, sensatas ou disparatadas, afetam  todo o mundo.

    Não será difícil para o mercado e a diplomacia mitigarem e provavelmente compensaram com vantagens os estragos do tarifaço na economia. Não é improvável, inclusive, que Trump volte atrás.

    Já no terreno político, esse engajamento leviano de Trump com a causa bandida dos Bolsonaro, pode causar estragos imprevisíveis num momento em que o Brasil luta para se estabilizar.

    Por enquanto, o efeito é o contrário do esperado. A manifestação arrogante de Trump, mexeu com os velhos brios nacionalistas e o bolsonarismo golpista ficou na contramão.  Bandeiras dos Estados Unidos voltaram a ser queimadas em manifestações e mesmo aliados se afastaram de Bolsonaro.

    Mas Bolsonaro é um agitador profissional. Com o aval de Trump, não é uma tornozeleira que vai tirá-lo de cena, ao contrário.

    (E.B.)

  • Água do Guaiba está suja: DMAE reduz vazão para 35 bairros

    Água do Guaiba está suja: DMAE reduz vazão para 35 bairros

    O DMAE decidiu reduzir a vazão da Estação de Tratamento de Água (ETA) São João, neste sábado, 5.

    A restrição foi, causada “pelo excesso de turbidez do Guaíba”, segundo a assessoria de imprensa e pode “acarretar em baixa pressão e/ou falta d’água na área atendida pelo sistema”.

    O manancial (Guaiba) apresenta alterações decorrentes da cheia nas últimas semanas. Por isso, o tratamento está levando mais tempo para ser concluído – reduzindo a capacidade da ETA,  de 2,3 mil para 1,6 mil litros por segundo.

    O objetivo da redução de vazão é, justamente, manter a qualidade da água fornecida à população.

    Área atendida pelo Sistema São João: Anchieta, Auxiliadora, Boa Vista, Chácara das Pedras, Costa e Silva, Cristo Redentor, Farrapos, Floresta, Higienópolis, Humaitá, Jardim Carvalho, Jardim Europa, Jardim Floresta, Jardim Lindoia, Jardim Itu, Jardim Sabará, Jardim Leopoldina, Jardim São Pedro, Mario Quintana, Morro Santana, Navegantes, Parque Santa Fé, Passo da Areia, Passo das Pedras, Rubem Berta, Santa Maria Goretti, Santa Rosa de Lima, São Geraldo, São João, São Sebastião, Sarandi, Três Figueiras, Vila Ipiranga e Vila Jardim.

    (Imformações da Assessoria de Imprensa)

  • Reitora Márcia Barbosa: “A universidade não pode parar”

    Reitora Márcia Barbosa: “A universidade não pode parar”

    Em entrevista ao JÁ, a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, comenta a crise financeira das universidades públicas federais e fala sobre seu projeto para mobilizar a sociedade em defesa da instituição.

    A reitora também anunciou a busca de recursos para a criação do  Centro de Gestão de Risco Climático e Ambiental, no campus de Tramandaí. Mais uma razão para o orçamento da UFRGS não sofrer cortes.

    Por Márcia Turcato

    A reitora Márcia Babora tem muitos planos e não os tem sozinha, conta com uma equipe dedicada e o engajamento daqueles que a elegeram.

    A principal pauta nesse momento é resgatar o orçamento da universidade para permitir que ela continue minimamente funcionando. E isso significa honrar as bolsas de estudo, pagar os serviços terceirizados e garantir  as refeições dos restaurantes terceirizados, os RU. Até sexta-feira, dia seis de junho, a UFRGS precisa receber R$ 22 milhões para não colapsar.

    Em 139 anos de ensino superior público no Rio Grande do Sul, a física e pesquisadora Márcia Barbosa, é a segunda mulher a ser reitora.

    No estado gaúcho, o ensino superior público iniciou com a criação da Escola de Engenharia em 1896, seguida pela Faculdade de Medicina, em 1898, que foram incorporadas à UFRGS- Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1934, ano da sua criação. Somente na virada do século a universidade teve uma reitora, foi Wrana Maria Panizzi, com mandado de 1996 e 2004. Ela era professora da Faculdade de Arquitetura.

    As universidades federais vivem um dilema. A maioria sofreu corte de verba e assédio moral durante o governo de Jair Bolsonaro.

    Com a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva, as universidades federais, como é o caso da UFRGS, imaginaram que teriam uma experiência mais respeitosa. Mas isso não aconteceu porque o Congresso Nacional tornou-se um obstáculo concreto.

    Em março deste ano, os congressistas vetaram o orçamento das universidades federais e impuseram um corte que, para a UFRGS chegou à soma de R$ 8,5 milhões.

    Na sequência, sob o tensionamento de corte nos gastos públicos, o Executivo estabeleceu um repasse de verbas em apenas três parcelas, a primeira em maio, a segunda entre junho e novembro e a última em dezembro, enquanto os compromissos da universidade são mensais. A manobra do Congresso fez com que o Executivo emitisse o Decreto n.° 12.488, dispondo sobre a programação orçamentária e financeira das universidades.

    No caso da UFRGS, de acordo com o Portal da Transparência e antes da publicação do decreto, o orçamento previsto para 2025 era de R$ 2,40 bilhões, com aportes mensais.

    “O Congresso obriga o governo a fazer o corte para depois oferecer migalhas via emenda parlamentar”, avalia a reitora. Pode até haver quem considere bom negociar individualmente a emenda parlamentar para colocar o recurso em uma iniciativa do seu interesse. “Mas isso não é política pública, isso não é um projeto de ensino”, argumenta Márcia Barbosa, que é membro das Academias Brasileira e Mundial de Ciências.

    Após idas e vindas da reitora  e outros representantes de universidades ao MEC- Ministério da Educação, para negociar o cancelamento do repasse escalonado e a recomposição do orçamento, no dia 27 de maio o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou que o governo federal fará a recomposição de R$ 400 milhões no orçamento de 2025 das universidades e institutos federais, além da  liberação de R$ 400 milhões que estavam retidos.

    O ministro não explicou de qual rubrica o recurso será remanejado. Mas, o certo é que alguém sairá perdendo. Ao anunciar o recuo, o ministro Camilo Santana também atribuiu as dificuldades do atual contexto orçamentário ao aumento do número de matrículas e à crescente demanda por assistência estudantil. Mas não fez nenhuma crítica à ação dos parlamentares.

    O recuo do governo foi resultado direto da pressão de estudantes e servidores das federais, além do alerta feito pelos docentes e reitores para os riscos do arrocho no orçamento das universidades. “Foi uma vitória principalmente do movimento de educação pública, da Andifes- Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, da UNE- União Nacional dos Estudantes, para que o governo voltasse e buscasse alternativas”, avalia Márcia Barbosa.

    Para a reitora, de fato o  governo fez alguns anúncios importantes. “O mais urgente foi a retirada do limite mensal de 1/18 do orçamento, voltando para 1/12, a segunda questão foi a recomposição dos cortes efetuados pelo Congresso Nacional, que, no caso das universidades, representa aproximadamente R$ 250 milhões”.

    No entanto, Márcia Barbosa destaca que o MEC está muito focado no ensino médio, com a bolsa Pé de Meia, e na campanha midiática para que os estudantes façam a inscrição  no ENEM- Exame Nacional do Ensino Médio. “Mas é a universidade que faz o sucesso do Brasil”, afirma a reitora.

    Campanha em defesa da UFRGS

    A realização de uma grande campanha de mobilização social para mostrar a importância da universidade na vida das pessoas e do país é o grande sonho da reitora Márcia Barbosa. “O governo deveria mostrar jovens graduados trabalhando nas suas áreas de formação e apoiando financeiramente suas famílias, além de gerar riqueza para o Brasil”.

    “Precisamos de uma campanha que mostre isso, precisamos que a comunidade de 50 mil pessoas da UFRGS, mais uns 150 mil contando com seus familiares, percebam sua própria importância e o poder que têm com o voto. Os parlamentares também deveriam perceber o poder que temos”, diz a reitora. No Brasil, as universidades públicas são responsáveis por cerca de 30% das formações. E ela já escolheu um nome provocativo para a campanha; “A universidade é foda”.

    “Algumas pessoas não gostaram quando eu sugeri esse nome em uma reunião interna, mas mantenho a proposta”, diz. E completa, “a universidade não sabe se comunicar, temos de mostrar a riqueza que existe aqui. O primeiro passo dessa estratégia será dado em breve, com a ampliação das atividades de extensão, para trazer a comunidade para dentro do espaço universitário.

    Enchente e inovação

    Um ano após a enchente, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) viajaram para a Holanda em busca de soluções tecnológicas para impedir novas inundações, desconsiderando os recursos já existentes na comunidade acadêmica, como o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS.

    “Os gestores são imediatistas, querem contratar uma solução pronta, sem debate público, sem troca de ideias, sem ouvir a comunidade, mas a UFRGS já teve uma audiência com o prefeito e ofereceu sua expertise”, esclarece a reitora, “mas ainda não fomos convidados a fazer parte da Sala de Situação*”.

    A universidade está desenvolvendo um projeto para trabalhar com professores da educação básica para integrar temas como mudanças climáticas e meio ambiente em todas as disciplinas, e não apenas como uma matéria isolada. A ideia é formar crianças e jovens para, com eles, desenhar um novo modo de viver.

    Além disso, a universidade conta hoje com projetos como o Observatório das Consequências Jurídicas das Enchentes e Inundações (OCJE), que realiza estudos técnicos especializados e consultorias para entidades públicas e privadas sobre temas jurídicos ligados aos efeitos sociais das cheias porque existe um componente de racismo ambiental na catástrofe climática.

    “O que isso significa?”, pergunta a própria reitora, e responde: “significa que se você já vive em uma área de risco, será mais impactado. Você será o último a voltar para casa. Mesmo que receba dinheiro para reconstruir, terá menos condições”. Muitas vezes, na reconstrução, tudo é feito igual ao que era antes, o que perpetua a fragilidade das pessoas e das estruturas.

    A UFRGS lançou nesta quinta-feira, 5 de junho, um Protocolo para Eventos Meteorológicos. Ele estabelece procedimentos a partir do alerta emitido pela Defesa Civil, passando pelo Comitê Climático, para definir  níveis de como a universidade irá atuar. O nível verde indica atividades mantidas, o amarelo permite que a UFRGS fique aberta mas flexibiliza algumas atividades e o vermelho determina que todas as atividades da universidade sejam suspensas. A estratégia será construída para todo o estado a partir dos diversos campus da UFRGS (centro, vale, saúde, esefid e litoral), usando dados meteorológicos.

    Para fortalecer sua capacidade de monitorar eventos climáticos, a UFRGS já apresentou um projeto à Finep- Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com custo estimado de R$ 10 milhões, para a construção do Centro de Gestão de Risco Climático e Ambiental, que será abrigado no Ceclimar-  Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos, no campus da UFRGS em Tramandaí.

    *A sala de situação é um espaço, físico ou virtual, que serve como centro de comando para monitorar, analisar e responder a eventos críticos e inesperados em tempo real. É utilizada em diversas áreas, como saúde, segurança pública, defesa civil e gestão de crise, para reunir equipes multidisciplinares e auxiliar na tomada de decisões.

    BOX

    Emenda parlamentar não é política pública

    A reitora Márcia Barbosa, que já foi secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), na entrevista ao JÁ também comentou sobre os convênios financiados via emenda parlamentar individual do MCTI no período de 2010 a 2019. Trata-se de um estudo da reitora, em fase de revisão para publicação em revista científica. O estudo mapeou os convênios firmados e analisou as destinações dos recursos enviados para regiões mais desenvolvidas, como o Sudeste, que possui maior maturidade tecnológica.

    Apesar de reconhecer que as emendas são instrumentos importantes, a reitora salienta que elas não são políticas públicas, políticas de Estado. A avaliação e o monitoramento constante da implementação das políticas públicas são fundamentais no processo decisório institucional, porque produzem informações para o aprimoramento das ações governamentais.

    A emenda parlamentar, entretanto, é um instrumento que permite aos deputados e senadores realizarem alterações no orçamento anual. As emendas individuais impositivas apresentadas ao projeto de lei orçamentária anual (PLOA) podem destinar recursos a órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta da União, dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, consórcio público, organização da sociedade civil ou serviço social autônomo. Elas são chamadas impositivas porque a União é obrigada a executá-las quando aprovadas.

    A reitora revela que “um ponto relevante a ser destacado é que as emendas parlamentares individuais utilizadas para financiar os projetos na área de ciência, tecnologia e inovação são destinadas a projetos de baixo nível de prontidão tecnológica e que não se observa o progresso dos projetos apoiados”. Esse é o risco do orçamento da União ser compartilhado por um Congresso que não está alinhado às políticas de Estado.

  • Por que não interessa à imprensa o intercâmbio cultural entre os países do BRICS?

    Por que não interessa à imprensa o intercâmbio cultural entre os países do BRICS?

    Ministros da Cultura dos países que formam o BRICS estiveram reunidos quinta e sexta feira da semana passada em Brasilia para discutir intercâmbio e projetos conjuntos.

    Não houve interesse da imprensa. Nenhum dos grandes “jornais” do país sequer registrou o encontro.

    A formação desse grupo de “paises emergentes”, como eles próprios se autodefinem, é o maior acontecimento geopolítico do século 21.

    O grupo começou com quatro países – Brasil, Russia, India e China – e foi batizado BRIC em 2001 pelo economista britânico Jim O’Neill num artigo para investidores.

    O “apelido” pegou e ganhou um “S” com a adesão de novos integrantes.

    Hoje são 11 países* membros e nove “parceiros” (potenciais integrantes) que propõem uma reforma da governança econômica e financeira internacional, “de modo a refletir o aumento do peso relativo dos países emergentes na economia mundial”.

    No conjunto, eles representam uma populaçâo de 4,6 bilhões de pessoas, mais de metade da população do planeta terra e a soma de seus PIBs chega a 40% de economia mundial (o G7, por exemplo, dos sete mais ricos do mundo tem 28%).

    No ano passado, o crescimento médio do PIB dos Brics foi de 4% enquanto a média mundial cresceu de 3,3%. O PIB dos sete mais ricos cresceu, na média, 1,7%).

    Em 1º de janeiro o Brasil assumiu a presidência do BRICS e será a sede  da “Cúpula de Chefes de Estado” programada para julho, no Rio de Janeiro.

    Estão previstas mais de 100 reuniões ministeriais e técnicas, que deverão ocorrer entre fevereiro e julho de 2025, em Brasília, em preparação para a Cúpula dos Chefes de Estado.

    Na reunião com os ministros da cultura em Brasilia, foram abordadas as prioridades do Grupo de Trabalho de Cultura: Cultura e Economia Criativa, Direitos Autorais e Inteligência Artificial; Cultura, Mudança do Clima e Agenda de Desenvolvimento Pós-2030; Retorno de Bens Culturais; Festivais e Alianças do BRICS.

    Por quê o desinteresse?

    *Integrantes do BRICS e a população de cada um

    Brasil: 215 milhões
    Rússia: 145 milhões
    Índia: 1,417 bilhão
    China: 1,426 bilhão
    África do Sul: 60 milhões
    Arábia Saudita: 38 milhões
    Egito: 114 milhões
    Emirados Árabes Unidos: 10 milhões
    Etiópia: 125 milhões
    Indonésia: 278 milhões
    Irã: 87 milhões

  • Gasto per capita em saúde no Rio Grande do Sul é 30% menor do que em Santa Catarina

    Gasto per capita em saúde no Rio Grande do Sul é 30% menor do que em Santa Catarina

    Em audiência pública na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, o secretário municipal Fernando Ritter comparou os recursos destinados à saúde pelos governos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. “Praticamente o mesmo valor, em números absolutos”, disse ele.

    Conforme o orçamento de 2025, os dois estados vizinhos vão aplicar em saúde pouco mais de R$ 7 bilhões cada um.

    A diferença é que Santa Catarina tem pouco mais de 8 milhões de habitantes, enquanto o Rio Grande do Sul tem uma população de mais de 11 milhões.

    Além disso, com um orçamento na casa dos R$ 85 bilhões o Rio Grande destina 9% à saúde (3% a menos do que o mínimo constitucional, conforme reconhece o próprio Tribunal de Contas do Estado), enquanto Santa Catarina, com orçamento de R$ 56 bilhões aplica 14,2% em saúde*.

    Significa que o gasto per capita na saúde dos catarinenses é de 750 reais por habitante, enquanto no Rio Grande do Sul é de  545 reais para cada gaúcho, uma diferença de quase 30%.

    *Dados da Lei Orçamentária Anual para 2025