Autor: Elmar Bones

  • Eleições 2026: Direita sai na frente com a bandeira da segurança

    Eleições 2026: Direita sai na frente com a bandeira da segurança

    A operação que matou 121 no Rio, há uma semana, foi mais do que uma ação de segurança pública, foi um lance político, de longo alcance.

    Com ela a extrema direita retomou o protagonisno na disputa pelo poder, que estará em jogo nas eleições presidenciais do ano que vem.

    “Bandido bom é bandido morto” é um slogan que seduz tanto a classe média que vive assustada quanto o morador da periferia, que vive assediado pelo crime.

    Está provado que essas operações violentas não são eficazes contra o crime organizado. Atingem os “soldadinhos” que são logo repostos. Há mão de obra abundante para o tráfico nas 1.900 favelas do Rio.

    Mas as comunidades acossadas pelo medo não podem esperar por soluções de longo prazo.

    O massacre do Rio e suas consequências – cresceu 10% a aprovação do governador Claudio Castro, 77% aprovaram a operação – encorajou prefeituras e governos alinhados à direita  a inundarem as redes sociais com suas “ações saneadoras”.

    O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, por exemplo, faz postagens diárias sobre seu programa de “higienização” de Florianópolis, devolvendo moradores de rua para sua  origem, triando quem entra na cidade.

    O governador Jorginho Melo segue no mesmo tom mostrando os resultados de sua política de tolerância zero com a bandidagem. Nesta semana, PM catarinense “neutralizou” mais  cinco traficantes, segundo os jornais.

    Na medida em que não tem solução a curto prazo, o tema da segurança, além do seu potencial de votos, representa para a extrema direita, no  caso de insucesso eleitoral, a possibilidade de um último recurso:  chamar a intervenção americana em nome do combate ao “narcoterrorismo” fora de controle.

     

  • Catedral da Sé lotada nos 50 anos da morte de Herzog

    Catedral da Sé lotada nos 50 anos da morte de Herzog

    Ato inter-religioso é dedicado à memória das vítimas da ditadura
    Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

    Para marcar este 25 de outubro, data em que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado pela ditadura militar há 50 anos, a Comissão Arns e o Instituto Vladimir Herzog realizaram um ato ecumênico que lotou a Catedral da Sé, no centro da capital paulista.

    No mesmo  local onde, dias depois da morte do jornalista, realizou-se a histórica cerimônia inter-religiosa de 1975, que desafiou o regime militar e reuniu cerca de 8 mil pessoas.

    Ivo Herzog, filho de Vladimir, afirmou que todos os familiares de vítimas da ditadura militar no país esperam que um processo legal seja levado a cabo. “[O que falta] é a investigação das circunstâncias dos crimes que foram cometidos, é um indiciamento dos autores dos crimes, estando vivos ou estando mortos, é o julgamento e a decisão do nosso poder judiciário se eles cometeram ou não cometeram crimes”, disse à imprensa.

    Ivo ressaltou que a revisão do parecer do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à Lei da Anistia de 1979 é uma luta da sociedade. Ele lembrou que a ADPF 320, que trata sobre a anistia, está nas mãos do relator, ministro Dias Toffoli, há mais de oito anos.

    “O Brasil tem uma tradição, desde que se tornou uma república, onde aconteceram vários golpes e ou tentativas de golpes. Todos esses eventos têm duas coisas em comum: a presença dos militares e a impunidade.”

    A ADPF 320 versa sobre a interpretação que o sistema judiciário e o Poder Público dão à Lei de Anistia. Protocolada em 2014 e ainda pendente de julgamento, a ação foi ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

    “Eu entendo que esse atraso, essa abstenção do ministro Toffoli, infelizmente, é uma cumplicidade com essa cultura de impunidade. E a noite de hoje, essa nossa manifestação, essa nossa indignação pelos agentes de Estado que cometeram atrocidades contra todos os entes queridos, os familiares a quem a gente dedica essa noite, sensibilize os ministros do STF, sensibilize o ministro de Dias Toffoli”, acrescentou Ivo.

    O Instituto Vladimir Herzog – que entrou como amicus curiae da ADPF em dezembro de 2021 – compreende que a atual interpretação da Lei de Anistia assegura a impunidade dos crimes de lesa-humanidade cometidos por agentes da ditadura militar e está em desacordo com os tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

    Ato inter-religioso na Igreja da Sé lembra a morte do jornalista Vladimir Herzog, em dia 25 de outubro de 1975. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
    Ivo afirmou ainda que o tema da anistia tem sido sequestrado pela extrema-direita. “Anistia é um perdão. A anistia de 1979, por si só, é uma aberração, porque o regime autoritário da época nunca reconheceu que cometeu nenhum crime. Como anistiar quem não cometeu crime? A mesma coisa está acontecendo novamente com esses que estão sendo julgados pelo 8 de janeiro. Eles não admitem que cometeram crime”, disse.

    O presidente em exercício Geraldo Alckmin esteve na cerimônia deste sábado. “A morte do Vladimir Herzog foi o resultado do extremismo do Estado que, ao invés de proteger os cidadãos, os perseguia e matava. Por isso, fortalecer a democracia, a justiça e a liberdade”, disse Alckmin.

    Questionado se era a favor da revisão da Lei da Anistia de 1979, ele afirmou: “acho que já demos bons passos nessa questão”.

    Ivo Herzog destacou que a presença de Alckmin reafirma o compromisso do Estado com a democracia. “Há 50 anos, quando mais de 8 mil pessoas vieram a essa catedral demonstrar sua indignação contra a barbárie que foi cometida contra o meu pai, havia muito medo, medo do Estado. Havia dezenas de atiradores de plantão aguardando que qualquer manifestação, qualquer desordem justificasse um massacre”, lembrou.

    “Hoje, na pessoa do presidente, Geraldo Alckmin, nós temos o Estado de mãos dadas com a gente, para reafirmar o compromisso com a democracia, reafirmar o compromisso com a justiça, reafirmar o compromisso com os direitos humanos, reafirmar o compromisso com a verdade.”

    O assassinato de Vlado

    O jornalista Vladimir Herzog foi assassinado pela ditadura militar há 50 anos, no dia 25 de outubro de 1975. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
    Vladimir Herzog foi torturado e morto nas dependências do Doi-Codi – órgão de repressão da ditadura militar subordinado ao Exército -, onde havia sido preso sem ordem judicial. Diretor de Jornalismo da TV Cultura na época, Vlado, como era conhecido entre colegas e amigos, havia se apresentado voluntariamente, na manhã de 25 de outubro de 1975, ao órgão de repressão.

    “Eu estava fechado em uma cela forte, eu ouvia uma pessoa sendo torturada e a pergunta era basicamente ‘quem são os jornalistas?’. [Eu me questionava:] ‘Quem pode ser a essa altura? Quem tinha pra ser preso já foi preso ou fugiu’”, lembra o jornalista Sérgio Gomes.

    Ele estava preso no Doi-Codi na data em que Vlado foi assassinado. “Afinal, tem uma hora que para tudo, silêncio, remanejam as pessoas de um lugar para o outro, e é a hora que tiram o cadáver e fazem a simulação do suicídio”, relatou.

    Desde a morte de Herzog, sua esposa, Clarice Herzog, esteve à frente das denúncias sobre o assassinato político do marido.

    No dia 31 de outubro de 1975, foi realizado um ato na Catedral da Sé, um marco na resistência democrática conduzido por líderes religiosos como o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, com o apoio do jornalista Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Cinco décadas depois, o novo ato inter-religioso na Sé é dedicado à memória de todas as vítimas da ditadura.

    Na tarde de hoje, jornalistas fizeram uma passeata desde o auditório Vladimir Herzog, na sede do sindicato da categoria em São Paulo (SJPSP), até a Sé para participar do evento na catedral.

    “Hoje é um dia muito especial, muito emocionante. Logo após o assassinato de Herzog, no dia 25, houve uma assembleia no sindicato, em que centenas de jornalistas decidiram organizar o ato do dia 31 de outubro na Catedral da Sé, que foi aquele primeiro grande ato contra a ditadura militar, pós AI-5. Rememorar essa caminhada, fazer essa atividade, foi muito bonito, com pessoas de diferentes gerações, colegas jornalistas”, disse Thiago Tanji, presidente do SJPSP.

    “É importante lembrar que as pessoas que torturaram, assassinaram o Vladimir Herzog, não foram condenadas, não foram investigadas, então a nossa luta contra impunidade é sobre o passado, mas também no presente, contra os golpistas do passado e do presente. Realizar essa atividade com uma catedral cheia, um lugar significativo na luta pela democracia, é muito especial”, finalizou.

    Diversas pessoas que estiveram no primeiro ato e voltaram para a catedral 50 anos depois foram aplaudidas de pé. Também compareceram ao local nomes como Luiza Erundina, Eugênia Gonzaga, Amelinha Teles, Jurema Werneck, Fernando Morais, José Dirceu, Ivan Valente, Sérgio Gomes, Eduardo Suplicy, José Genoíno, Paulo Teixeira, Paulo Vannuchi, Rui Falcão, Ariel de Castro Alves, José Trajano, Juca Kfouri, Andre Basbaum, José Carlos Dias e Frei Chico.

    No começo da cerimônia deste sábado, por volta das 19h, os presentes acompanharam apresentação do Coro Luther King, que foi seguida de manifestações inter-religiosas, com a presença de dom Odilo Pedro Scherer, da reverenda Anita Wright – filha de Jaime Wright, e do rabino Rav Uri Lam. O ato foi intercalado por músicas executadas pelo coral e discursos.

    Ainda na catedral, houve a exibição de vídeos especialmente produzidos para a ocasião, com imagens de manifestações e de vítimas do Estado desde a ditadura militar até os dias atuais. Entre os vídeos, estava a leitura de uma carta de Zora Herzog, mãe de Vlado, feita pela atriz Fernanda Montenegro, para o juiz Márcio José de Moraes, que reconheceu o direito à indenização para a família de Vladimir Herzog pela União.

  • Missão gaúcha foi aos EUA em busca de solução para um problema conhecido há mais de 80 anos

    Missão gaúcha foi aos EUA em busca de solução para um problema conhecido há mais de 80 anos

    Há mais de 80 anos está identificado e diagnosticado o fenômeno climático das estiagens que ocorrem em regiões do Rio Grande do Sul.

    De seis em seis ou sete anos, por uma série de fatores meteorológicos, essas estiagens se agravam e configuram uma seca severa que castiga tanto os moradores das cidades quanto os produtores rurais, que perdem suas safras e veem morrer o gado no campo sem pasto.

    Avaliando dados meteorológicos de mais de um século, a pesquisa de 1942, coordenada pelo geólogo Mariano Sena Sobrinho, diagnosticou o fenômeno das secas periódicas, constatando que não é um problema de falta, mas de má distribuição da água das chuvas e de dificuldade para acumulação da água, pelas características do solo, arenoso, com poucas elevações, e vegetação rasteira.
    As soluções seriam simples segundo aponta o estudo intitulado “As Estiagens na Faixa da Fronteira”:
    “Verificamos então que para prevenir ou atenuar as consequências danosas das estiagens periódicas e prolongadas que tem se repetido mais ou menos de sete em sete anos na faixa da fronteira (Campanha) é necessário um programa de:

    1)Armazenamento de águas na superfície, nas estações mais convenientes (inverno e primavera), por meio de construção de açudes e barragens onde for exequível em bases econômicas.

    2)Captação de águas subterrâneas por meio de furos de sonda, trabalho esse que já vem sendo executado por intermédio da Diretoria de Produção Mineral desde 1947.

    Desde então, a cada  periodo de seca forte, o governo reconhecia a gravidade do  problema e anunciava grandes programas de construção de centenas (até milhares) de barragens, açudes e poços artesianos.

    Com a volta da chuva, o assunto sumia do noticiário, as verbas iam para outras demandas mais urgentes e o programa de prevenção da seca ficava no papel.
    Até porque, como o fenômeno era cíclico, o governo sabia que a próxima estiagem seria problema do seu sucessor. Resultado: um atraso de décadas em irrigação e gigantescas perdas em safras, pesadas indenizações aos produtores…

    Só que no presente, com a aceleração das mudanças climáticas essa imprevidência se tornou insustentável.  As secas se tornaram mais frequentes e o volume de chuva ainda mais irregular.

    Nas duas últimas décadas,  foram pelo menos seis estiagens fortes e, desde 2023, cerca de dez temporais com altos volumes de chuvas. As perdas nas lavouras nos dois ultimos anos chegam aos R$ 10 bilhões.

    A irrigação, então, volta ao noticiário e às preocupações urgentes do governo.

    No dia 20 deste mes, uma comitiva liderada pelo vice-governador Gabriel Souza, chegou aos Estados Unidos para uma “imersão” no assunto.

    “A grande variação da disponibilidade hídrica tornou-se uma preocupação frequente da população, dos produtores rurais e dos gestores públicos. Diante de cenários cada vez mais desafiadores, o governo gaúcho vem implementando políticas públicas de incentivo à reserva de água e de adaptação para a resiliência climática”, diz a nota que o governo estdual distribuiu para justificar a jornada de uma semana da “missão técnica do governo do Estado ao Nebraska (EUA)”.

    Segundo a nota, “a comitiva gaúcha, liderada pelo vice-governador Gabriel Souza, iniciou as atividades com uma imersão sobre o panorama da agricultura irrigada no país e no mundo. A apresentação foi conduzida pelos pesquisadores Ivo Zution Gonçalves e Christopher Neale, da Universidade do Nebraska, em Lincoln, referência mundial em pesquisas sobre irrigação e uso eficiente da água”.

    O vice-governador explicou “a importância da agenda técnica para ampliar o conhecimento sobre práticas e tecnologias aplicáveis à realidade do Rio Grande do Sul”. “O Nebraska tem a maior área irrigada dos Estados Unidos e, por isso mesmo, é importante estarmos aqui durante toda esta semana para conhecer melhor as pesquisas e as tecnologias desenvolvidas neste Estado. Queremos levar esse aprendizado para o Rio Grande do Sul, já que a irrigação é uma área estratégica para nós. O Estado vem sendo afetado com frequência crescente pelas estiagens e, por isso, é fundamental ampliarmos a área irrigada das nossas lavouras, especialmente de soja e de milho, garantindo segurança produtiva e sustentabilidade ao nosso agronegócio”, destacou Gabriel.

    A comitiva também visitou o Greenhouse Innovation Center, da Universidade do Nebraska–Lincoln (UNL), uma das mais avançadas instalações de pesquisa agrícola dos Estados Unidos. Apresentado pelo diretor de Relações Industriais, Ryan Anderson, o espaço reúne modernas estufas, laboratórios e sistemas automatizados de análise de plantas voltados ao desenvolvimento de tecnologias de alta precisão para o setor. Os estudos realizados no centro têm como objetivo acelerar o melhoramento genético das plantas, identificando variedades mais produtivas e resistentes a estresses climáticos. Após os testes em ambiente controlado, as espécies seguem para ensaios de campo, onde são avaliadas em condições reais de cultivo.

    O secretário da Agricultura, Edivilson Brum, destaca que o principal objetivo da viagem é buscar novas tecnologias e técnicas para irrigação que possam ser aplicadas no Rio Grande do Sul. “Nada melhor do que ir ver de perto a realidade de lugares que são referência no mundo da irrigação e uso de recursos hídricos. O agro representa 40% do PIB gaúcho e é fundamental buscarmos mecanismos e ideias que possam mitigar os efeitos sentidos pelos produtores, principalmente em períodos de estiagem”, enfatizou.

     

  • CPI começou quente com denúncia e testemunho de empresário que pagou popina

    CPI começou quente com denúncia e testemunho de empresário que pagou popina

    • O primeiro depoimento à CPI do DMAE, em 14 de julho, foi da deputada Luciana Genro (PSOL) ouvida como testemunha. Ela relatou a denúncia que lhe foi  apresentada em 2023, pelo empresário Luís França, então executivo da empresa MG, que prestava serviços à Prefeitura de Porto Alegre.

    A MG tinha contrato com o Dmae desde 2019, para fazer a manutenção do sistema de manejo das águas pluviais.

    Conforme a deputada, o diretor-geral do Dmae de 2021 a 2023, Alexandre Garcia, teria cobrado 5% do valor do contrato com a empresa MG em propina.

    O pagamento da empresa era retido e só liberado mediante o pagamento da propina. “O que o França nos relatou é que teria sido feito esse acordo com o Marcos Aurélio, dono da empresa MG, de pagar propina de 5% em cash e que o Fabrício Tavares seria o intermediário”, afirmou Genro.

    Fabrício Tavares foi vice-prefeito em Pelotas, de 2009 a 2012, e participou do governo Eduardo Leite de 2015 a 2016.

    Segundo Luciana, a propina era paga através de um contrato de advocacia de fachada, desde 2021. A deputada apresentou comprovantes de pagamentos, além de áudios trocados entre Fabrício Tavares e Luís França.

    Levada ao Ministério Público, em agosto do ano passado, a denúncia deu origem a uma ação penal contra Alexandre Garcia e Fabrício Tavares.

    Os membros da CPI não fizeram perguntas à depoente.

    Na sequência foi ouvido o empresário Luís França. Ele relatou que trabalhava na empresa MG como diretor-executivo há cinco anos e tinha contato direto com o proprietário, Marcos Aurélio Garcia.

    Segundo ele, em janeiro de 2021 existiam duas ou três faturas do contrato da MG com o Dmae em atraso, de cerca de R$ 1,2 milhão cada. “Os funcionários estavam parados e eu como diretor-executivo tinha que resolver”, explicou. Ele disse que buscou o diretor do Dmae, Alexandre Garcia, que mencionou não se sentir confortável para pagar a empresa, já que os funcionários estavam em greve.

    Na reunião, descobriram ter um conhecido em comum, Valnei Tavares (político em Pelotas), pai de Fabrício Tavares, que, de acordo com França, intermediou o esquema de propina de 5% do valor do contrato.

    “Fui procurado pelo Fabrício Tavares, filho do Valnei. Na primeira conversa ele não foi tão explicito, não falou claramente o que ele queria”, revelou. Conforme França, o esquema inicial seria uma propina de 10%, mas que Fabrício disse que conseguiu a 5%. “Eu não tenho autonomia nenhuma com relação ao financeiro”, respondeu França e que isso deveria ser tratado diretamente com o dono da empresa, Marcos Aurélio. Fabrício ganhava 1% do valor, recebido via depósito bancário, em sua conta. “E os outros 4%, era exigência, tinha que ser entregue em dinheiro, porque existia, segundo o Fabrício, uma outra pessoa que não era o Alexandre (Garcia)”, explanou.

    França reportou que produziu prova de tudo o que pôde e que havia um “chefe” de Alexandre Garcia, Agostinho Meirelles – ex-secretário de Estado do governo Eduardo Leite.

    O empresário disse que resolveu tornar pública a denúncia no final de 2023, a fim de proteger sua integridade física e de sua família, e por isso procurou a deputada Luciana Genro (PSOL) e o vereador Roberto Robaina (PSOL), isso após também procurar a Prefeitura, em 2022, na Secretaria de Transparência e Controladoria. “Eu soube posteriormente porque o Ministério Público me chamou pelo encaminhamento que a Prefeitura deu ao MP dessa documentação”, explicou quanto ao andamento da denúncia. O MP ofereceu denúncia em agosto de 2024, que tornou réus Alexandre Garcia e Fabrício Tavares. “O Ministério Público confirmou: R$ 517 mil de propina em seis, sete meses”, detalhou.

    O empresário disse acreditar que “essa é só a ponta do iceberg” e garantiu que se mantinha à disposição para seguir contribuindo com os trabalhos da CPI. “Sempre que eu puder colaborar eu vou. Sou um grão de areia em uma praia gigantesca, mas nunca vou poder ser acusado de não ter feito a minha parte”, finalizou.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa da CMPA)

     

  • Intoxicação por metanol: 29 casos confirmados, 12 óbitos sob investigação

    Intoxicação por metanol: 29 casos confirmados, 12 óbitos sob investigação

    Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil
    Brasília

    O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira (10), que o Brasil tem 29 casos confirmados de intoxicação por metanol por ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. São cinco pessoas a mais do que na última quarta (8).

    Dos 29 casos confirmados, 25 foram registrados em São Paulo, três no Paraná e um no Rio Grande do Sul.

    Ao todo, há 217 notificações em investigação, um número menor do que no último balanço (quando havia 235 suspeitas).

    Segundo o balanço, cresceu também o número de casos suspeitos descartados. Agora são 249. Até o momento, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são os únicos estados com casos confirmados por esse tipo de intoxicação.

    Suspeitas
    O estado de São Paulo investiga, neste momento, 160 notificações, o que representa 73,73% do total. Em seguida, aparecem Pernambuco com 31 suspeitas, Rio Grande do Sul (4), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (4), Rio de Janeiro (3), Espírito Santo (3), Goiás (2), Alagoas (1), Bahia (1), Ceará (1), Minas Gerais (1), Rio Grande do Norte (1) e Rondônia (1).

    Óbitos
    O balanço do Ministério da Saúde informou que não houve outra confirmação de morte causada pela ingestão de metanol desde a última quarta-feira (8). As cinco pessoas que morreram eram do estado de São Paulo.

    No entanto, 12 óbitos estão sob investigação (um caso a mais do que na última quarta).  Os casos suspeitos são no Ceará (1), em Minas Gerais (1), no Mato Grosso do Sul (1), em Pernambuco (3) e em São Paulo (6).

     

  • Operação da Polícia Federal contra abuso sexual de crianças abrange 16 Estados

    Operação da Polícia Federal contra abuso sexual de crianças abrange 16 Estados

    A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (8), em ação conjunta com as polícias civis de 16 estados, a Operação Nacional Proteção Integral III. O objetivo é identificar suspeitos envolvidos em crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes praticados, sobretudo, pela internet.

    Em nota, a corporação informou o cumprimento simultâneo de 182 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva em todo o país.

    Até a última atualização, haviam sido registradas 19 prisões em flagrante, duas apreensões de menores e uma vítima resgatada.

    Participam da ação 617 policiais federais e 273 policiais civis dos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espirito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.

    Integração
    “A ação reforça a integração entre forças policiais federais e estaduais e demonstra o compromisso conjunto de defesa da infância e da adolescência. A Operação Proteção Integral III dá continuidade às edições anteriores, deflagradas em março e maio de 2025, evidenciando o trabalho permanente da Polícia Federal nessa frente de combate”, informou a PF.
    Dados da corporação indicam que, entre janeiro e setembro deste ano, foram cumpridos mais de 1.630 mandados de prisão de foragidos condenados por crimes sexuais.

    “A Polícia Federal alerta pais e responsáveis sobre a importância de acompanhar e orientar o uso da internet por crianças e adolescentes, conversando abertamente sobre riscos e ensinando como agir diante de contatos inadequados em ambientes virtuais. A prevenção e a informação são as ferramentas mais eficazes para garantir a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes”, concluiu a Polícia Federal.

    (Com Agência Brasil)

  • Mosquitos modificados geneticamente vão combater a dengue no Distrito Federal

    Mosquitos modificados geneticamente vão combater a dengue no Distrito Federal

    Mosquitos com a bactéria Wolbachia foram soltos, nesta terça-feira (9), para ajudar no combate à dengue, zika e chikungunya no Distrito Federal e nos municípios goianos de Valparaíso de Goiás e Luziânia.

    A ação marcou a inauguração da biofábrica do método Wolbachia, localizada a 10 quilômetros de Brasília.

    A tecnologia insere a bactéria nos mosquitos Aedes aegypti e impede o desenvolvimento do vírus no organismo do inseto, reduzindo a transmissão.

    Quem explica é o secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante Lacerda.

    “A produção é de um mosquito com a bactéria, que se chama Wolbito. A ideia é que a gente possa fazer a soltura desses mosquitos em massa para fazer uma mudança dessa população de mosquitos. Hoje, os Aedes aegypti que estão circulando têm a capacidade de transmitir várias doenças. Mas o Wolbito, a partir do momento que ele entra nesse mosquito, impede a replicação desses vírus. Então, obviamente, você reduz drasticamente a possibilidade desse vírus de transmitir essa doença.”
    No primeiro semestre de 2025, houve redução de 75% nos casos de dengue e de 73% das mortes pela doença no país. Apesar da queda nos números, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alerta que não é o momento de baixar a guarda.

    “Por isso que nós estamos lançando agora, a partir do mês de setembro, toda a ação nesse segundo semestre de orientação à população. Esse período, que é o período de menor transmissão, é exatamente, na opinião do Ministério da Saúde, o melhor momento para conscientizar as pessoas, orientar as pessoas, fazer os levantamentos de dados, de onde está a concentração dos mosquitos, do impacto do aumento da temperatura média das cidades na multiplicação dos mosquitos e na multiplicação dos casos.”

    A nova fábrica vai beneficiar dez regiões do Distrito Federal, além dos dois municípios goianos, impactando mais de 750 mil pessoas. A unidade tem uma das maiores operações do método Wolbachia no Brasil, com capacidade para produzir 6 milhões de mosquitos adultos por semana.

    O material é distribuído semanalmente em 20 mil potinhos, com a liberação envolvendo 26 viaturas e 52 servidores por dia.

    Método Wolbachia
    No Brasil, 16 cidades já implementaram a técnica. Em julho, Curitiba (PR) inaugurou a maior biofábrica Wolbachia do mundo.

    Em Niterói, no Rio de Janeiro, dados recentes mostram uma redução de 88% nos casos de dengue após a adoção da estratégia.

    Até o fim do ano, a novidade deve ser lançada em Natal (RN), Uberlândia (MG) e Presidente Prudente (SP).

     

  • Ruy, Jaguar, Verissimo, Mino Carta… logo agora?

    Ruy, Jaguar, Verissimo, Mino Carta… logo agora?

    Sempre achei que certas pessoas alcançam uma condição que se tornam arquétipos e não deveriam morrer ou, pelo menos, deveriam ter um prolongado tempo para servir de referência a muitas gerações, para que a evolução fosse mais rápida.

    Claro, não é assim e cá estamos nós, no espaço de um mês,  diante da morte do Ruy Ostermann,  do Jaguar,  Luis Fernando Verissimo, Mino Carta…

    A morte não os aniquila, ainda bem. Restam suas obras, seus ensinamentos, sua inspiração.  Mas logo agora?

    Neste momento em que o Brasil vive o maior desafio de sua história, perder alguns de seus melhores intérpretes! É sacanagem! (E.B.)

  • Um mês do tarifaço: Brasil tem superávit de U$ 6,3 bilhões em agosto

    Um mês do tarifaço: Brasil tem superávit de U$ 6,3 bilhões em agosto

    Apesar do tarifaço de Trump, que reduziu em 18,5% as vendas para os Estados Unidos, o Brasil teve um ganho de US$ 6,133 bilhões no comércio com outros países neste agosto de 2025, segundo dados oficiais divulgados hoje (4/9).

    Foram US$ 29,861 bilhões exportados e US$ 23,728 bilhões em importações. Um crescimento de 3,9% na comparação com agosto do ano passado.

    Nos oito meses do ano, as exportações totalizam US$ 227,583 bilhões e as importações, US$ 184,771 bilhões, com saldo positivo de US$ 42,812 bilhões, mais de 10%  numa corrente de comércio de US$ 412,354 bilhões.

    Contribuiu para o superávit de agosto a queda de 2% nas importações (na comparação com agosto do ano passado).

    Segundo o MDIC, as exportações, no mês de agosto, apresentaram crescimento expressivo de 11% para o Reino Unido, de 43,82% para o México; de 40,37% para a Argentina; de 31% para a China e de 58% para a Índia.

    As maiores quedas registradas foram de 43,8% para a Bélgica; de 31,3% para a Espanha; de 30,44% para a Coreia do Sul e de 17,1% para Singapura.

    Em relação aos Estados Unidos, o mês registrou uma queda de 18,5% no volume de exportações. Os dados chamam atenção para o minério de ferro que apresentou uma queda de 100%, com nenhuma exportação para os Estados Unidos.

    A maior queda foi nas vendas de aeronaves e partes de aeronaves, que tiveram uma redução de 84,9%. Em seguida o açúcar com queda de 88,4% e motores e máquinas não elétricos que tiveram redução de 60,9%.

    Já a carne bovina fresca teve queda de 46,2%; máquinas de energia elétrica com redução de 45,6%; celulose teve redução de 22,7%, produtos semiacabados de ferro e aço, com queda percentual de queda 23,4%; óleos combustíveis com queda de 37%; e madeira que registrou queda nas exportações de 39,9%.

    De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, a queda ocorreu em razão da antecipação nas vendas, em julho, antes do início do tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump.

    “Atribuo isso muito à antecipação que ocorreu em julho, quando houve uma carta no dia 9 de julho afirmando que as tarifas iam aumentar em 50% para o Brasil e isso gerou incerteza entre os exportadores e tivemos crescimento das exportações para os Estados Unidos de 7%”, explicou.
    (Com infrmações da Agência Brasil)

  • Agricultura familiar: mulheres são 90% nos projetos que vão receber R$ 500 milhões

    Agricultura familiar: mulheres são 90% nos projetos que vão receber R$ 500 milhões

    Foram anunciados nesta quinta-feira (4) na Expointer, em Esteio, os primeiros projetos selecionados no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) de 2025, na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS).

    O PAA é um dos programas que ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU, estimulando a produção de alimentos de forma sustentável, gerando renda para no campo.

    O investimento total previsto é de 1,9 bilhão. Agora foram anunciados  R$ 500 milhões para todo o país, sendo cerca de R$ 400 milhões  para a Compra com Doação Simultânea, garantindo a aquisição de aproximadamente 46 mil toneladas de produtos como hortifrutigranjeiros, grãos, oleaginosas e pescados.

    Estima-se que quase 2 mil cooperativas e associações fornecedoras sejam contempladas, o que compreende mais de 39 mil agricultores familiares incluídos nos projetos. Apenas nesta primeira etapa, serão em torno de 3,1 mil unidades recebedoras beneficiadas.

    Os outros R$ 100 milhões serão aplicados na modalidade Compra Direta e também para dar apoio às Cozinhas Solidárias.

    O número de mulheres incluídas nos projetos inscritos ultrapassou a marca de 36 mil integrantes, representando mais de 91% dos participantes.

    Os assentados da reforma agrária, mais de 10 mil produtores, representam 27% das propostas contempladas.

    Já os povos indígenas e quilombolas somaram, juntos, uma quantidade superior a 10,4 mil agricultores, ou seja, eles integram cerca de 26% dos projetos selecionados.

    Emendas parlamentares

    No evento na Expointer, os deputados federais Daiana Santos, Denise Pessôa, Heitor Schuch, Maria do Rosário e Reginete Bispo, fizeram a assinatura do Termo de Compromisso de Destinação de Emenda Parlamentar ao PAA, a fim de destinar cerca de R$ 5,9 milhões ao Programa.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

     

     

     

     

     

     

     

    Elmar Bones da Costa

    19:17 (há 1 hora)

    para Edegar

    O ministro anunciado não foi? O que aconteceu?


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