Bolsonaro aposta em confronto com o Congresso para reverter desgaste

Fica evidente, agora, que a declaração do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança da presidência, não foi um descuido, uma frase casual que “vazou”.
“Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente o tempo todo. Foda-se”, disse Heleno, na quarta-feira, 19, em conversa com o ministro da Economia, Paulo Guedes e o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo.
A fala do general foi captada em transmissão ao vivo em cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio do Planalto.
A irritação do general Heleno era motivada pela pressão do Parlamento por derrubar os vetos do presidente Jair Bolsonaro ao orçamento impositivo. Sem os vetos, os deputados e senadores teriam mais controle sobre os recursos do orçamento.
O vídeo compartilhado por Jair Bolsonaro nesta terça-feira, convocando para atos marcados no dia 15 de março contra “os políticos de sempre” e “os inimigos do Brasil” dá o verdadeiro sentido à frase do general
Diz a mensagem “15 de março. Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.
O vídeo de 1 minuto e 40 segundos traz cenas do atentado sofrido por Bolsonaro na campanha presidencial e o texto que diz:
“Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas”.
“Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, completam as legendas.
O protesto contra o Congresso, segundo o jornal O Globo é uma sugestão do general Heleno, irritado com as dificuldades que o governo enfrenta na votação do orçamento no Congresso.
Na mesma quarta-feira, 19, Heleno se reuniu com o presidente e teria proposto “convocar o povo às ruas”.
A manifestação já estava sendo incentivada por bolsonaristas desde antes da manifestação do general Heleno.
A manobra repete o estilo adotado por Bolsonaro desde a sua campanha eleitoral e vai levantar a hipótese de “crime de responsabilidade”, pois o presidente  não pode cometer atos que atentem contra a Constituição e contra o “livre exercício do Poder Legislativo”.
Desgatado por suas manifestações desastradas, pelas acusações de envolvimento com milicianos, pela desarticulação entre os ministros e, principalmente, pela estagnação da economia, o presidente busca um fato de impacto para desviar as atenções.
É uma manobra de risco, principalmente porque expõe o viés autoritário e militarista do governo.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se manifestou no Twitter prevendo uma possível crise institucional pelo fato de o próprio presidente convocar uma manifestação.
“A ser verdade, como parece, que o próprio Pr tuitou convocando uma manifestação contra o Congresso ( a democracia) estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto de tem voz, mesmo no Carnaval, com poucos ouvindo,” escreveu FHC.
Bolsonaro, porém, apenas  compartilhou o vídeo que recebeu em seu celular.
De folga no Guarujá, litoral paulista, durante o carnaval, o presidente testou sua popularidade passeando de moto pela cidade, cumprimentando e posando para fotos com apoiadores.  Ele partilhou as imagens de homenagens de apoiadores durante o Carnaval.
A festa, porém, teve mais registros de protestos contra ele, inclusive com uma escola de samba do Rio de Janeiro, São Clemente, fazendo uma crítica direta a sua figura, protagonizada pelo humorista Marcelo Adnet.
A crise aberta na semana passada pelas falas do general Heleno contra o Congresso, assim como a convocação do ato do dia 15, também abriram outra frente de tensão dentro do Exército.
O ex-ministro da Secretaria do Governo, General Santos Cruz, mostrou-se irritado com a divulgação de um banner sobre a manifestação que sugere o apoio do Exército ao ato.
Nele, se lê “Vamos as (sic) ruas em massa. Os generais aguardam as ordens do povo. Fora Maia e Alcolumbre”.
Santos Cruz partilhou a imagem na segunda, 24, e escreveu em seu twitter: “IRRESPONSABILIDADE Exército Brasileiro – instituição de Estado, defesa da pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas é usar de má fé, mentir, enganar a população.”

 

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Comentários

Uma resposta para “Bolsonaro aposta em confronto com o Congresso para reverter desgaste”

  1. Avatar de Mauro
    Mauro

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