“Ninguém ganha eleição só com o funcionalismo, mas ninguém ganha eleição contra o funcionalismo”
A frase, atribuída a Pedro Simon, define o dilema do governo Eduardo Leite que, no início de um ano eleitoral, vê se formar uma frente de servidores com uma pauta de reivindicações que ele não pode atender.
Leite não é candidato, mas seu vice, Gabriel Souza, é o candidato à sucessão de um governo que o funcionalismo deplora. Qual vai ser o resultado eleitoral disso?
De acordo com o Relatório de Pessoal do Tesouro do Estado, o quadro de funcionários do serviço público estadual é composto por cerca de 358,7 mil vínculos (considerando que um servidor pode acumular mais de uma vaga, como professores).
Se contar seus dependentes diretos chega a um milhão de pessoas, num universo de 8,5 milhões de eleitores gaúchos.
Numericamente seria decisivo em qualquer eleição se não fosse um universo fragmentado.
A escolha do voto costuma se dividir de acordo com o setor da carreira: servidores da Educação e Saúde alinham-se eitoralmente à partidos de esquerda e centro-esquerda (como PT, PCdoB, PSOL e PDT). Segurança e Judiciário tendem a um alinhamento maior com partidos de direita e centro-direita (como PL, PP, Republicanos e MDB). Pautas ligadas à segurança pública e à preservação de privilégios corporativos aproximam esses servidores de discursos conservadores e liberais na economia.
O funcionalismo gaúcho raramente se une em torno de uma ideologia política comum, mas demonstra forte unidade e poder de pressão quando pautas salariais ou de direitos trabalhistas entram em jogo.
Nesses momentos, frentes amplas se alinham e podem decidir uma eleição. Depois da Copa esse movimento tende a ficar mais visível.

