Em fevereiro de 1981, o Coojornal, de propriedade da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, reproduziu um relatório reservado do Exército sobre as operações de combate aos movimentos armados que tentaram enfrentar o regime.
Os fatos haviam ocorrido dez anos antes, mas a censura proibiu publicá-los à época, eram inéditos para a opinião pública.
Os documentos não foram desmentidos, ao contrário. A comprovação de que eram autênticos ( e “obtidos de modo ilícito”) foi um dos argumentos da acusação aos jornalistas, que se negaram a revelar sua fonte.
Foram condenados Elmar Bones e Osmar Trindade, que assinavam a matéria, e dois colegas, Rafael Guimarães e Rosvita Saueressig que haviam se envolvido no recebimento e preparação do material.
Os quatro foram condenados com base na Lei de Segurança Nacional a um ano e meio de reclusão e recolhidos a um presídio em Porto Alegre.
Num clima já de abertura política, com anistia e movimentos por eleições diretas, foram libertados por habeas corpus 20 dias depois.
Mas o processo foi o início de uma perseguição que acabou com o jornal e a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre dois anos depois.

Deixe uma resposta