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  • Polícia não consegue desbloquear celulares dos suspeitos da matar Marielle

    A Justiça autorizou uma perícia particular nos cinco celulares apreendidos com Ronnie Lessa e Élcio Queiroz presos em março, apontados como autores dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

    Os telefones foram remetidos à Cellebrite, empresa de São Paulo. A polícia não conseguiu desbloquear os aparelhos, protegidos por senha.

    “O que falta à polícia não é tecnologia, é conhecimento. Pode haver documentos que estão na nuvem, e você pode ter acesso a eles”, segundo Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade.

    “A situação da perícia é crítica e vem piorando há anos”, afirma José Ricardo Bandeira, presidente do Conselho Nacional de Peritos. “Não se investe em inteligência e em perícia. Com isso, investigações são paralisadas, o que gera um baixo índice de resolução de casos”.

    Essa não é a primeira vez que a investigação do Caso Marielle expõe deficiências da polícia do Rio.

    Em abril, uma reportagem da GloboNews mostrou houve inutilização de prova encontrada na cena do crime.

    Um documento da Polícia Federal apontou que cápsulas recolhidas no local “não foram tratadas com o cuidado necessário”.

    Das nove cápsulas periciadas, os policiais encontraram fragmentos de impressões digitais em apenas uma.

    A PF disse que “os estojos passaram por algum exame prévio, já que foram marcados com caneta verde para indicar o código do lote de cada estojo”.

    Afirmou ainda que “o exame do estojo em que foi encontrado um fragmento de impressão digital revela ausência de cristais papilares nos locais marcados com caneta”.

    Isso, de acordo com a Polícia Federal, indica que a caneta “apagou” uma parte do fragmento.

    O PM reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos 13 disparos que mataram Marielle e Anderson; ele estava no banco de trás do Cobalt que perseguiu o carro da vereadora. O Ex-PM Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o carro na noite do crime.

    Ambos estão presos na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

  • Frente Global reúne deputados para enfrentar avanço da tuberculose

    Márcia Turcato
    Na contramão do cenário mundial, o Brasil vê a aumentar o número de casos de tuberculose desde 2017, passando de uma estimativa de 87 mil casos para cerca de 91 mil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
    De um modo objetivo, isso ocorreu porque a pobreza ampliou e a tuberculose aumentou junto com a crise.
    Além da derrocada econômica, houve redução do orçamento para o Sistema Único de Saúde (SUS) e a implementação da reforma da Previdência deverá aumentar o impacto sobre a saúde em geral.
    Aos indicadores econômicos somam-se os indicadores sociais que também atuam sobre o adoecimento da população vulnerável.
    Nessa conjuntura, o estado do Rio Grande do Sul se destaca pela coinfecção tuberculose/HIV, já que o vírus da aids, o HIV, compromete o sistema imunológico e aumenta o risco da pessoa contrair a tuberculose.
    No estado gaúcho, a taxa de tuberculose está em 45 casos por 100 mil habitantes.
    Esses números são maiores do que os apresentados nacionalmente, em torno de 32 a 33 casos por 100 mil habitantes.
    Infectologistas gaúchos justificam a elevada taxa de HIV alegando que o vírus que circula no estado é um subgrupo mais agressivo, mas isso nunca foi confirmado.
    Ao mesmo tempo, infectologistas de organizações internacionais que prestam consultoria ao Ministério da Saúde afirmam que a tese dos colegas gaúchos não tem fundamento e que o elevado número de casos estaria relacionado a precariedade do serviço na atenção primária, com diagnóstico e tratamento tardios.
    Com tantas dificuldades identificadas, é um desafio para a Frente Parlamentar Global de Tuberculose atingir as metas pactuadas com 210 congressistas brasileiros.
    No mundo, o compromisso foi assumido com 2.500  parlamentares de 153 países.
    A Frente Parlamentar Global, em inglês Global TB Caucus (GTBC), foi criada em 2014, tem sede em Londres, Inglaterra, e é presidida pelo deputado Nick Herbert. A iniciativa tem apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
    No Brasil, o trabalho da Frente Global é coordenado por Cíntia Dantas, que responde pelas três Américas. Dantas é graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC-Bahia) e mestre em Cooperação Internacional e  Desenvolvimento pela Universidade de Católica de Milão, Itália.
    “Nas Américas, A Frente Global trabalha para garantir que a tuberculose seja uma prioridade na agenda de saúde, especialmente no Brasil e no Peru, que são os únicos países da região considerados prioritários para a OMS”.
    Para isso, o grupo busca o compromisso de deputados e senadores para que implementem políticas públicas para enfrentar o problema e consigam financiamento público para realizar as ações.
    As prioridades da Frente Global para o enfrentamento da tuberculose no mundo são incluir o tema na pauta do G20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, com o objetivo de obter recursos de todo o tipo e mostrar que a doença pode ser uma ameaça para os países desenvolvidos se não for controlada nos países vulneráveis; que os compromissos assumidos junto a ONU/OMS sejam cumpridos, que é detectar e tratar 40 milhões de pessoas até 2022 em todo o mundo, sendo 3,5 milhões de crianças; no caso do Brasil, as metas são 418.700 tratamentos e 31.500 crianças até 2022, mas a análise do dados indica que esse número não deverá passar de 11 mil crianças. E, por último, investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
    No caso do Brasil, o investimento deveria ser de R$ 35 milhões até 2022, mas dados de 2017 publicados pelo Treatment Action Group (TAG) indicam um investimento de apenas R$ 2,2 milhões.
    A TAG é uma organização não governamental que monitora informações sobre HIV/aids e agravos oportunistas, foi criada em 1992 nos Estados Unidos.
    Tuberculose no Mercosul
    Análise de dados divulgada em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou 282 mil novos casos de tuberculose nas Américas, 11% deles entre pessoas que vivem com HIV.
    Ao todo, 87% dos casos se concentram em 10 países; Brasil, Peru e México informaram mais da metade do número total de casos. Estima-se que cerca de 6 mil pessoas morreram coinfectadas com HIV na região. De acordo com a OMS, a persistência da tuberculose se deve, em grande medida, às desigualdades sociais e econômicas que permanecem na região.
    Nas Américas, mais de 50 mil pessoas – quase metade delas com menos de 15 anos – não sabem que têm a doença e não receberam tratamento.
    O diagnóstico com teste rápido molecular, uma nova ferramenta que poderia ajudar a suprir essa lacuna, foi usado em apenas 13% dos casos detectados, um pouco acima dos 9% em 2016.
    Para enfrentar o agravo na América do Sul, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL/RS) recomendou formalmente ao Parlamento do Mercosul que os países membros do bloco, atendendo a um pedido da Frente Parlamentar Global de Tuberculose, se empenhem na implementação de meios de diagnóstico, tratamento, prevenção, pesquisa e troca de informações sobre a doença.
    Para a deputada gaúcha “o combate à tuberculose precisa ser uma prioridade, assim como o fortalecimento do sistema público de saúde para que o enfrentamento ao agravo seja feito de forma competente”.
    Melchionna é representante do Congresso do Brasil no Parlamento do Mercosul, integra a Frente Parlamentar Global e é titular do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.
    Além de discutir sobre mecanismos para enfrentar a tuberculose com os países do Mercosul e também no Congresso Nacional, a deputada conhece a gravidade do agravo em seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e em Porto Alegre, onde já foi vereadora.
    De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, para baixar as taxas de incidência da tuberculose no estado, ou seja, controlar a doença, é necessário um percentual de cura em casos novos de 85% e um abandono de, no máximo, 5%.
    Em 2017, o estado apresentou 61,3% de cura (mais de 20 pontos percentuais abaixo do que é preconizado) e a taxa de abandono ficou em 12,2%.
    Isso significa que existem mais pessoas doentes contaminando outras dentro de uma mesma área geográfica.
    Sem investimento
    Pesquisa do professor Davide Rasella, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), publicada em abril, projetou o impacto das medidas de austeridade fiscal sobre a cobertura da atenção primária em saúde.
    De acordo com o estudo, a redução da cobertura da Estratégia Saúde da Família, associada ao fim do Programa Mais Médicos e aos efeitos da Emenda Constitucional 95/2016- que congela os recursos para a saúde, pode significar, até 2030, um aumento de 8,6% na taxa de mortes prematuras (pessoas com menos de 70 anos) por causas sensíveis à atenção primária.
    São 50 mil mortes evitáveis a mais no período analisado, em decorrência de doenças infecciosas, como a tuberculose, deficiências nutricionais, diabetes e doenças cardiovasculares.
    O orçamento de ações e serviços públicos de saúde (ASPS) em 2019 é de R$ 120,4 bilhões, crescimento nominal de apenas 2,5% em relação aos valores empenhados em 2018.
    Excluídas as emendas impositivas (cuja destinação depende da relação entre o parlamentar e suas bases políticas), a variação é de apenas 1,2%, abaixo da inflação de 3,75%.
    Ou seja, o orçamento de saúde em 2019 sequer repõe a inflação de 2018.
    Para saber mais sobre o trabalho da Frente Parlamentar Global de Tuberculose clique aqui: http://www.globaltbcaucus.org/
     
     
     

  • Presídio onde houve massacre tinha 145 detentos à espera de julgamento

    Subiu para 62 o número de mortos no Centro de Recuperação de Altamira, no Pará Cinquenta e oito foram mortos numa ala do presídio, invadida por uma facção rival na madrugada de segunda-feira : 16 foram decapitados e 42 morreram asfixiados no  incêndio provocado pelos invasores.
    Os últimos quatro mortos foram estrangulados por rivais na quarta-feira, dentro do caminhão-cela que transferia um grupo de detentos para outra cadeia.
    Segundo o secretário de segurança, Uálame Machado, a viagem ocorreu normalmente até o município de Novo Repartimento, quando o sinal das câmeras de monitoramento do baú do caminhão começou a falhar.
    Os detentos estavam separados em quatro celas dentro do veículo, cujo interior é monitorado por câmeras de vídeo. “Em Marabá, foi averiguada a situação de três mortos e um, que se tentou salvar, mas morreu”, disse Machado..
    De acordo com a Segup, os mortos são da mesma facção (Comando Classe A) que atacou integrantes do Comando Vermelho, facção rival.
    O massacre no presídio de Altamira, sudeste do Pará, começou após um grupo de presos render  um agente penitenciário que encontrou facas e estoques durante revista. Após a rendição do agentes, integrantes do facção criminosa Comando Classe A (CCA) invadiram o anexo onde estavam detentos que pertenciam ao Comando Vermelho (CV) e os homicídios foram realizados com as armas brancas que estavam escondidas.
    Um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) considera o presídio de Altamira como superlotado e em péssimas condições. No dia do massacre, havia 311 custodiados, mas a capacidade máxima é de 200 internos.
    Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará, dos 311 presos, 145 ainda aguardavam julgamento.
    (Com informações de O Liberal)

  • Ouro roubado foi extraído em Minas e pertencia a mineradora canadense

    Parte dos 718.8 kg de ouro roubados no terminal de carga do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, pertencia à mineradora canadense Kinross, a quinta maior do mundo.
    O metal foi extraído de uma mina de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais.
    A mina é uma das maiores do Brasil. No ano passado, ela bateu recorde de produção: 14,7 toneladas de ouro.
    A assessoria da empresa informou que o metal precioso estava em trânsito para terceiros, e que tem a expectativa de que o valor seja coberto pela seguradora do provedor de transporte –no caso, a transportadora Brinks.
    Num comunicado a clientes, a Brinks afirma que “as autoridades de alguns aeroportos do país estabelecem restrições ao emprego de vigilância armada”, e que “não tem autonomia para definir as condições em que determinadas operações são realizadas”.
    O comunicado diz que “em face dos níveis crescentes das atividades criminosas do país, se vê obrigada a interromper temporariamente suas operações em determinados aeroportos”.
    Presos
    A polícia divulgou o nome de um dos três suspeitos presos, que ainda não havia sido identificado: Peterson Brasil. Ele teria convidado o encarregado do despacho no aeroporto Peterson Patrício para participar do assalto. Patrício disse no primeiro depoimento à polícia que foi mantido refém pelos bandidos.
    Os três tiveram prisão temporária de 5 dias decretada na tarde desta segunda.
    O terceiro preso é Célio Dias, proprietário do estacionamento onde os criminosos deixaram duas caminhonetes usadas para transportar o ouro. No local foram encontrados, escondidos sob um ônibus e dentro de uma sacola plástica, um carregador de fuzil com munição, dois gorros e cinco luvas avulsas.

  • Bolsonaro agride a história para atacar presidente da OAB

    “Se o presidente da OAB quiser saber como o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele”.
    Foi a frase bombástica que Jair Bolsonaro escolheu para sua entrevista desta segunda-feira.
    O presidente da OAB é Felipe Santa Cruz, filho de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, militante da Ação Popular que desapareceu na ditadura, aos 26 anos.
    O corpo dele nunca apareceu. Segundo relato do delegado Cláudio Guerra à Comissão Nacional da Verdade, foi incinerado, junto com outros dez companheiros numa usina em Campos.
    Os escassos registros que existem dão conta que ele foi preso no dia 23 de fevereiro de 1974 por agentes da polícia política,.
    A versão de Bolsonaro, inverossímel,  é de que Fernando Santa Cruz foi morto pelos próprios companheiros de guerrilha. Ele sabe que é uma versão inconsistente, mas o que interessa é a polêmica.
    “Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar às conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio a desaparecer no Rio de Janeiro”, complementou.
    Realmente, o pai do presidente da OAB militou no movimento estudantil e participou da Juventude Universitária Católica (JUC), movimento da Igreja reconhecido pela hierarquia eclesiástica, e depois integrou a Ação Popular Marxista e Leninista, organização de esquerda contrária ao regime.
    Fernando desapareceu em um encontro que teria no Rio de Janeiro, em 1974, com um colega militante, Eduardo Collier Filho, da mesma organização. Segundo o livro “Direito à memória e à verdade”, produzido pelo governo federal, Fernando e o colega foram presos juntos em Copacabana por agentes do DOI-CODI-RJ em 23 de fevereiro daquele ano.
    Em 2011, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro já havia dito que os militares não eram culpados pela morte de Fernando Santa Cruz. Em uma palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF), o então parlamentar disse Santa Cruz deve “ter morrido bêbado em algum acidente de carnaval”.
    O ataque de Bolsonaro a Felipe Santa Cruz foi motivado pela a atuação da OAB no caso de Adélio Bispo e perguntou qual era a intenção da entidade. Segundo o presidente, a ordem teria impedido o acesso da Polícia Federal ao telefone de um dos advogados do autor da facada.
    “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados [do Adélio]? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”, questionou o presidente.
    O que a OAB fez foi defender as prerrogativas do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior que atuou na defesa de Adelio Bispo.
    Em dezembro do ano passado, sob justificativa de tentar identificar quem estaria financiando a defesa do autor do atentado, a PF em Minas Gerais cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao advogado.
    Foram apreendidos na ocasião livros caixa, recibos e comprovantes de pagamento de honorários e de seu aparelho telefônico. Na ocasião, a OAB disse que ação da PF em locais ligados a Zanone “viola prerrogativas da advocacia”.
    Em março, o desembargador Néviton Guedes, do TRF1,  atendeu a pedido Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil  e da OAB de Minas Gerais e suspendeu apurações sobre a suposta cumplicidade do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, com o atentado contra o presidente.
    À tarde, apesar dos documentados desmentidos que surgiram a respeito da morte de Fernando Santa Cruz, Bolsonaro voltou a falar no assunto numa gravação enquanto cortava o cabelo. “São informações que eu soube através de quem participou do nosso lado e viu o que aconteceu naquele momento”, justificou.

  • Sem salário e sem garantia de emprego, professores contratados vivem na incerteza

    Fúlvio Cristian é professor de história, contratado da Escola Aldo Locatelli, na Zona Leste de Porto Alegre. Começou a lecionar em abril e, até julho, não recebeu um centavo pelo seu trabalho. Os meses sem pagamento se devem à morosidade do processo de admissão pela Secretaria de Educação.
    Além de não saber como vai cair o primeiro salário, Cristian já sabe que estará desempregado no fim do ano letivo, em dezembro, quando o contrato se encerra.
    “Fica bem difícil chegar ao fim do ano e não saber se volto. Se pelo menos dissessem que não vão pagar em janeiro e fevereiro, e que depois eu retorno ao emprego… mas nem isso”, desabafa.
    A realidade de Fúlvio é a de muitos educadores(as) da rede estadual. Por determinação do governo Eduardo Leite, todos os novos contratos emergenciais têm sido firmados por tempo determinado – os chamados contratos fechados.
    Na modalidade, o trabalhador(a) recebe de março a dezembro e fica sem emprego nos meses que antecedem o ano letivo. Não tem direito a férias remuneradas nem garantias de retorno ao quadro da Seduc.
    “Para comida e deslocamento eu tenho que pegar dinheiro emprestado. E quando eu receber, não sei como vai ser. Vão pagar todo o montante devido ou vão parcelar? E o imposto de renda, como fica?”, indaga Fúlvio.
    Pior: mesmo no caso de readmissão, o educador(a) precisará passar por todo o processo de contratação novamente, e só receberá o primeiro salário meses depois.
    Direções denunciam
    A ausência de concursos públicos e a radical precarização dos contratos tem deixado muitas escolas sem educadores(as), que não aceitam trabalhar sem perspectiva de continuidade.
    Na EEEF Souza Lobo, na Zona Norte da capital, faltam professores(as) para as séries iniciais, artes e supervisão, bem como uma merendeira.
    “A Secretaria de Educação está levando um tempo interminável para responder nossas solicitações”, conta a diretora Karla Bolson. “Uma das professoras está sem receber desde o início do ano. Levaram três meses só para responder que o cadastro tinha algo errado. Toda hora é um documento diferente faltando. Aí tu faz, refaz e eles levam mais três meses para responder”, explica.
    Karla lembra que, como diretora, tem prazos a cumprir e não pode faltar com suas atribuições, sob pena da escola ser penalizada. “Eu tenho compromisso com a vida funcional dos profissionais que estão na escola, e não sinto esse retorno da mantenedora. Com esse governo piorou infinitamente”, desabafa.
    A diretora conta, ainda, que a escola fechou duas turmas do 3º ano em 2019 e que outras duas serão encerradas no próximo ano. “Eu me sinto enrolando os pais, porque eles estão me enrolando, então é um ciclo vicioso”, finaliza.
    A vice-diretora da EEEF Aldo Locatelli, Mariane Rocha Dias, relata as mesmas dificuldades. Duas turmas de 9º ano e uma 8º estão sem aulas de português desde maio, faltam duas professoras de anos iniciais, a biblioteca está sem uma profissional e há uma vaga em aberto para merendeira.
    “No dia em que a única merendeira da escola não vem, somos nós que preparamos a comida. Então oferecemos frutas ou bolachas, pois não podemos cozinhar. E ainda temos que fazer um relatório explicando por que não oferecemos a merenda prevista no cardápio da Seduc”, afirma.
    A diretora também critica a morosidade do governo.
    “A resposta da Seduc é que eles não tem quem mandar. Estão naquele enxuga enxuga de outras escolas para mandar um professor para cá. Não contratam, não chamam os nomeados, não abrem contratos, então é essa a situação”, observa.
    A professora Ester Correa estava há 10 anos como contratada na escola. Perdeu uma das matrículas de 20h e, depois, foi recontratada por tempo determinado. Nesta última matrícula, está desde fevereiro sem receber.
    “Eu trabalho 40h, mas estou recebendo 20h. O que se faz com isso? Fora o desconto do Banrisul, o teu salário vira nada. Para vir trabalhar, uso o cartão do meu marido. Se eu dependesse do meu salário para comer, eu não comeria, não tem como”, conta.
    O que diz a Seduc
    Contatada pelo CPERS, a Seduc enviou a seguinte nota por meio da sua assessoria de comunicação:
    “Há casos hoje no Estado de licenças e aposentadorias que acabam gerando a necessidade de preenchimento de vagas e a reorganização dos quadros de recursos humanos das instituições de ensino – cerca de 19 mil casos atualmente, representando cerca de um terço dos 60 mil profissionais que atuam na rede pública estadual.
    A Seduc reitera que está empenhada em resolver a situação, caso a caso, e está trabalhando, juntamente com as Coordenarias Regionais de Educação (CREs), para restabelecer a normalidade no atendimento aos estudantes.”
    O que diz o CPERS: 
    O CPERS é terminantemente contrário à modalidade de contratação por tempo determinado, que precariza os já fragilizados contratos emergenciais.  É uma estratégia que gera insegurança no ambiente de trabalho e descontinua o aprendizado de estudantes, que perdem suas referências na escola.
    É, ainda, um instrumento extremado de assédio, que deixa educadores(as) reféns da instabilidade e vulneráveis a pressões das CREs e da Seduc, enfraquecendo a organização coletiva e a luta por direitos. Tal política nefasta é implementada apesar do problema crônico de falta de educadores(as) – para o qual o governo não apresenta soluções mesmo após transcorrido meio ano letivo. 
    Não é possível que, além de trabalhar com salários atrasados há 44 meses e congelados há mais de quatro anos, não tenhamos o mínimo de tranquilidade para desenvolver o processo educacional e garantir a qualidade do ensino.
    A desorganização do ano letivo não é por acaso. Consta, no planejamento da Seduc, a meta de reduzir duas mil turmas até o final de 2019. Seriam cinco mil turmas a menos até o fiml do governo. 
    Mas faltou ao governador combinar com a realidade. Somente neste ano, a rede pública recebeu 30 mil estudantes a mais do que em 2018. A conta não fecha.
    Por isso nós defendemos a realização imediata de concursos públicos. É a única forma de garantir segurança jurídica e dar a contratados(as) a oportunidade de acessar a carreira. A Constituição Federal é clara: a estabilidade depende da investidura em concurso.
    O Conselho Geral do CPERS deliberou pela criação de comitês em defesa dos contratados(as) em cada núcleo da entidade. O Sindicato também orienta para que os educadores(as) mandem denúncias de falta de professores(as) e funcionários(as) para o e-mail secgeral@cpers.org.br.
      
     
     
     
     

  • Itaboraí: o drama de uma cidade dominada pela milícia

    Em 2010, o censo do IBGE contou 107.527 habitantes em Itaboraí, ainda uma pacata cidade da região metropolitana do Rio.
    Desde então a população itaboraiense mais que dobrou com pessoas atraídas pelo projeto do Comperj, “o maior complexo petroquímico do Brasil”, que começou a ser instalado no município..
    Hoje, Itaboraí tem quase 250 mil habitantes e, além dos engarrafamentos no trânsito, falta de postos de saúde, escolas, saneamento básico, enfrenta o poderio de milícias adotam métodos de requintada crueldade para manter o seu poder sobre a população.
    Dois dos milicianos presos revelaram uma parceria entre a milícia e policiais militares do batalhão local: os traficantes de drogas, em vez de serem levados para a prisão, são entregues à milícia, para execução sumária.
    Esses fatos vieram à tona no início de julho, quando a Polícia Civil  prendeu 42 milicianos de uma lista de 74 procurados pela Justiça. Num cemitério clandestino foram encontrados 14 cadáveres de um total de 50 mortes atribuídas a milicia.
    Milicianos presos descreveram em detalhes a prática, batizada pelo bando de “venda de cabeças”. Cada “cabeça” rende uma recompensa. Um PM recebeu um carro BMW pela entrega de um líder do tráfico.
    Após capturar suspeitos em operações da PM, os policiais levavam os detidos para os milicianos, que matavam os presos e enterravam em cemitérios clandestinos.
    Os milicianos muitas vezes eram chamados por soldado do 35º BPM para operações conjuntas em áreas dominadas pelo tráfico.
    Nessas ações — chamadas de “botes” pelo bando — o objetivo era matar traficantes para roubar dinheiro, armas, joias, relógios e o que mais a quadrilha encontrasse.
    Desaparecimentos
    A investigação da Polícia Civil concluiu que, em 2018, “começaram as ondas de mortes e desaparecimentos de indivíduos rotulados pelos milicianos como marginais, usuários de drogas ou até mesmo meros desocupados, sob o pretexto recorrente de que estariam realizando uma ‘limpeza da escória social’”, conforme eles mesmos chamavam.
    Ao longo do último um ano e meio, os milicianos chegaram a matar parentes de traficantes e até pessoas que praticavam pequenos furtos.
    Apesar da dita “limpeza” de criminosos e do pagamento das taxas de segurança pelos moradores, Itaboraí não ficou mais segura.
    Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), houve um aumento de 113% no número de pessoas desaparecidas de 2017 para 2018, quando a milícia passou a atuar na região.
    Já os homicídios cresceram de 95 em 2017 para 131 — um incremento de 37%.
    Os roubos de cargas, por exemplo, dispararam: passaram de 126 em 2017 para 296 no ano seguinte, 136% de aumento.
    Já os roubos de carros cresceram 9%, de 966 para 1.217.
    Na contramão, as prisões pelo crime de tráfico de drogas na área sob influência do grupo minguaram.
    Um levantamento feito pela Delegacia de Homicídio mostra que as prisões de traficantes nos sete bairros dominados pela milícia passaram de nove em 2017 para três em 2018.
    Um caso com testemunhas
    As dez da noite de uma sexta-feira,  Marcos Antônio do Amparo Vieira, de 16 anos, estava sozinho em casa, no bairro Caluge.
    Sua mãe havia saído para uma festa. Ele ouviu batidas na porta da frente e foi atender.
    Ao abrir a porta, um homem vestido de preto e com o rosto coberto por uma touca deu um tiro com uma pistola em seu braço. Uma poça de sangue se formou na sala. Marcos Antônio foi amarrado e colocado por outros dois homens, também encapuzados, no banco de trás de um carro preto. O veículo partiu em velocidade. O jovem nunca mais foi visto.
    A cena foi descrita por vizinhos a parentes do jovem que, nos últimos quatro meses, peregrinaram, sem sucesso, por delegacias e pelo Instituto Médico-Legal (IML) atrás de respostas sobre seu paradeiro.
    Num depoimento prestado à Polícia Civil e ao Ministério Público, um miliciano preso, que aceitou colaborar com as investigações, admitiu que o adolescente foi torturado antes de ser morto pelos paramilitares.
    Entretanto, até agora nenhum dos corpos encontrados pela Divisão de Homicídios (DH) em cemitérios clandestinos da milícia foi identificado como sendo o de Marcos Antônio.
    A Divisão de Homicídios (DH) levantou 24 casos de desaparecimentos de jovens na área dominada pela milícia que ainda não foram desvendados.
    No entanto, de acordo com policiais da especializada, o número é maior, já que muitas famílias não procuraram a polícia para registrar o desaparecimento por medo de represálias dos paramilitares.
    Milicianos presos afirmaram, em depoimento, que o bando passou a enterrar corpos das vítimas em cemitérios clandestinos nos bairros Itamarati e Visconde para ocultar os crimes.
    Dois locais foram apontados, durante os relatos, como pontos de desova. Dos 18 corpos encontrados até agora, só três puderam ser identificados por parentes, por conta da presença de tatuagens. (do jornal Extra)
    Executado com um machado
    O mototaxista Jonathas Freitas de Mendonça, de 19 anos, desapareceu em 5 de abril depois de ser perseguido no bairro Nova Cidade por homens num carro preto.
    Testemunhas contaram a parentes do jovem que, durante a fuga, ele foi baleado e caiu da moto. Ao tentar se esconder numa casa, foi capturado e colocado no porta-malas do veículo.
    Semanas antes da perseguição, Jonathas denunciou, à DH, ameaças que mototaxistas de Itaboraí sofriam por não pagar taxas estipuladas pela milícia — o bando cobrava R$ 20 semanais de cada profissional para que pudessem circular pela cidade.
    Em 12 de junho, um depoimento de dez páginas prestado por um miliciano preso no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP detalhou o suplício a que foi submetido o mototaxista: Jonathas foi “picotado, vivo, com um machado” e teve seu coração arrancado.
    Com medo, parentes de Jonathas não quiseram falar à imprensa. Seu corpo até hoje não foi encontrado.
    Funcionários do IML de São Gonçalo contam que diariamente parentes de mortos pela milícia vão à unidade tentar identificar cadáveres encontrados em Itaboraí. Como a maior parte dos corpos está em decomposição, a identificação só vai ser possível a partir de exames de DNA — cujos resultados não têm prazo para sair.
    (Com informações do IBGE, Uol, Extra e G1

  • Versão que implica Manuela DÁvila é antecipada em editorial de O Globo

    Em artigo postado às 4h30 da madrugada deste sábado, 27, o jornalista Merval Pereira, do Conselho Editorial das Organizações Globo, aponta a nova etapa das investigações da Polícia Federal sobre o hackeamento de telefones de autoridades brasileiras.
    Ele diz que os investigadores não acreditam que Walter Delgatti Neto, que confessou o crime, tenha passado os arquivos ao The Intercept sem receber nada em troca, como ele afirmou em seu primeiro depoimento.
    “Chegamos agora a esse ponto de seguir o dinheiro”, diz Merval Pereira.
    E dá a pista de por onde poderão seguir as apurações:
    “Ao revelar que Manuela  d’Ávila, a ex-candidata a vice do petista Fernando Haddad na eleição de 2018, foi a intermediária entre ele e o editor do The Intercept Brasil Glenn Greenwald, o hacker Walter Delgatti colocou-a na chamada sinuca de bico”.
    “Ter intermediado a entrega do produto de um crime para um jornalista pode implicar cumplicidade, na visão de alguns. Há, porém, quem considere que a ex-deputada apenas agiu como uma pessoa que informa a um jornalista sobre um fato de que teve conhecimento”.
    “O problema muda de figura no caso de ter havido um pagamento nessa cadeia de informantes. Não parece provável que um estelionatário seja movido apenas por “fazer justiça, trazendo a verdade para o povo”.
    “Se o grupo atuou sob encomenda de alguém, quem contratou é cúmplice, co-autor do crime”.
    “Se Manuela d’Ávila participou da negociação para a compra do material, poderá ser acusada de cumplicidade. E, se um partido político foi o negociador da compra, será  possível enquadrá-lo criminalmente, mas duvidoso o resultado”.
    “Um caso assim aconteceu durante a campanha presidencial de 2006, quando um grupo de petistas foi flagrado comprando, em dólar, um dossiê que supostamente implicaria o candidato tucano José Serra em falcatruas no ministério da Saúde”.
    “No caso presente, se Walter Delgatti insistir nessa versão fantasiosa, a Polícia Federal poderá usar seu Telegram para confronta-lo com as conversas que teve com Manuela d’Ávila e Glenn Greenwald”.
     
     

  • Hacker diz que obteve com Manuela D'Ávila o telefone de Glenn Greenwald

    A Polícia Federal vazou para a TV Globo, agora à tarde, a íntegra do depoimento de Walter Delgatti  Neto, o líder do grupo que está preso por hackear telefones do ministro Sérgio Moro, do procurador Deltan Dallagnol e outras autoridades, inclusive o presidente Bolsonaro.
    Ele diz que obteve o telefone do jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept, através da deputada federal Manuela D’Ávila, do PCdoB, cujo número obteve na lista de contatos da ex-presidente Dilma Rousseff na conta do Telegram, que ele também invadiu.
    Diz que sempre se comunicou com Glenn de maneira virtual, sem revelar a própria  identidade e que não recebeu qualquer pagamento pelo repasse das mensagens.
    Glenn Greenwald, do Intercept, começou a publicar o conteúdo das mensagens em 9 de junho.
    A seguir, leia a íntegra do depoimento que reproduzimos do G1:.
    TERMO DE DECLARAÇÕES DE WALTER DELGATTI NETO:
    AO(S) 23 DIA(S) DO MÊS DE JULHO DE 2019, NESTE(A) POLÍCIA FEDERAL – SEDE, EM BRASÍLIA/DF, ONDE SE ENCONTRAVA LUIS FLAVIO ZAMPRONHA DE OLIVEIRA, DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL, MATR. 8220, COMPARECEU WALTER DELGATTI NETO, SEXO MASCULINO, FILHO(A) DE (XXX), NASCIDO(A) AOS 23/03/1989, NATURAL DE ARARAQUARA/SP, CPF (XXX), RESIDENTE À (XXX), RIBEIRÃO PRETO/SP, ACOMPANHADO DO DEFENSOR PÚBLICO JORGE MEDEIROS DE LIMA, MATR. 0519/DPU.
    INQUIRIDO(A) A RESPEITO DOS FATOS, RESPONDEU: QUE EM MARÇO DE 2019 FEZ UMA LIGAÇÃO PARA SEU PRÓPRIO NÚMERO DE TELEFONE E PERCEBEU QUE TEVE ACESSO AO CORREIO DE VOZ; QUE SEMPRE UTILIZOU OS SERVIÇOS DE VOIP (VOZ SOBRE IP) TENDO EM VISTA SER UM SERVIÇO BEM MAIS BARATO PARA EFETUAR LIGAÇÕES TELEFÔNICAS; QUE APÓS TER PESQUISADO NA INTERNET CONTRATOU O SERVIÇO DA EMPRESA BRVOZ POR APRESENTAR OS PREÇOS MAIS BAIXOS; QUE PRECISAVA ENTRAR EM CONTATO COM O SEU MÉDICO E FEZ A EDIÇÃO DO NÚMERO CHAMADOR, DENTRO DO SISTEMA DA EMPRESA BRVOZ, COLOCANDO O SEU PRÓPRIO NÚMERO (XXX); QUE APÓS CONSEGUIR EFETUAR A LIGAÇÃO PARA SEU MÉDICO, REALIZOU UMA LIGAÇÃO PARA SEU MESMO NÚMERO, VEZ QUE MANTEVE NO SISTEMA BRVOZ COMO NÚMERO CHAMADOR O TELEFONE (XXX); QUE ENTÃO PERCEBEU QUE TEVE ACESSO AO SEU CORREIO DE VOZ, TENDO ESCUTADO TODAS AS MENSAGENS QUE ESTAVAM GRAVADAS; QUE SEMPRE VALIDOU O ACESSO DO SEU TELEGRAM POR MENSAGEM DE VOZ, MOTIVO PELO QUAL PERCEBEU QUE PODERIA CONSEGUIR OS CÓDIGOS DO TELEGRAM DE OUTRAS PESSOAS POR MEIO DO ACESSO A MENSAGENS ARMAZENADAS EM CORREIOS DE VOZ;
    QUE APÓS TER TESTADO ESSE MEIO DE OBTENÇÃO DE CÓDIGO DE ACESSO EM SUA PRÓPRIA CONTA DO TELEGRAM, RESOLVEU TENTAR OBTER O CÓDIGO DO TELEGRAM DA CONTA VINCULADA AO NÚMERO DO TELEFONE DO PROMOTOR DE JUSTIÇA MARCEL ZANIN BOMBARDI; QUE O PROMOTOR MARCEL ZANIN FOI O RESPONSÁVEL PELO OFERECIMENTO DE UMA DENÚNCIA CONTRA O DECLARANTE PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS RELACIONADO A MEDICAMENTOS PRESCRITOS E CONSUMIDOS DESDE A SUA INFÂNCIA; QUE TOMA REGULARMENTE OS REMÉDIOS ALPRAZOLAM E CLONAZEPAM; QUE TAIS MEDICAMENTOS FORAM APREENDIDOS EM SUA RESIDÊNCIA EM UMA OPERAÇÃO POLICIAL QUE INVESTIGAVA CRIMES RELACIONADOS À INTERNET; QUE FOI ABSOLVIDO NESSE PROCESSO EM TODAS AS INSTÂNCIAS; QUE TENDO EM VISTA OS ATOS ILÍCITOS COMETIDOS PELO PROMOTOR NO PROCESSO CONTRA O DECLARANTE, RESOLVEU ACESSAR A CONTA DE TELEGRAM DE MARCEL ZANIN; QUE OBTEVE CONVERSAS DE CONTEÚDO DE INTERESSE PÚBLICO REALIZADAS PELO PROMOTOR DE JUSTIÇA, MARCEL ZANIN BOMBARDI; QUE NESSAS CONVERSAS, MARCEL ZANIN COMETE SUPOSTAS IRREGULARIDADES NO EXERCÍCIO DE SUA FUNÇÃO; QUE O CONTEÚDO DAS CONVERSAS DO PROMOTOR MARCEL ZANIN BOMBARDI FOI ARMAZENADO EM SEU NOTEBOOK E UM CLOUD (nuvem) da Dropbox; QUE resolveu não publicar o material obtido na conta do TELEGRAM de MARCEL ZANIN por temer ser vinculado ao ataque, tendo em vista que morava em uma cidade pequena e era conhecido por ter conhecimento avançados em informática;
    QUE através da agenda da conta do TELEGRAM do Promotor MARCEL ZANIN teve acesso ao número de um Procurador da República, cujo nome não se recorda, o qual participava de um grupo do TELEGRAM denominado “VALORIZA MPF”; QUE se recorda que o criador desse grupo era o Procurador da República ROBALINHO; QUE através da agenda da conta TELEGRAM de um dos Procuradores da República que participava do grupo “VALORIZA MPF” conseguiu acesso ao número telefônico do Deputado Federal KIM KATAGUIRI; QUE através da agenda do TELEGRAM do Deputado Federal KIM KATAGUIRI obteve o número do Ministro do STF ALEXANDRE DE MORAES; QUE, do mesmo modo, teve acesso ao código da conta do TELEGRAM vinculada ao Ministro do STF ALEXANDRE DE MORAES e obteve o número telefônico do ex-Procurador Geral da República RODRIGO JANOT; QUE por meio da agenda do TELEGRAM de RODRIGO JANOT obteve então os telefones de membros da Força Tarefa da Lava Jato no Paraná, dentre os quais os Procuradores da República DELTAN DALLAGNOL, ORLANDO MARTELLO JÚNIOR e JANUÁRIO PALUDO; QUE todos os acessos às contas do TELEGRAM das autoridades públicas acima mencionadas ocorreram entre março e maio de 2019; QUE somente armazenou o conteúdo das contas de TELEGRAM dos membros da Força Tarefa da Lava Jato do Paraná, pois teria constatado atos ilícitos nas conversas registradas; QUE dentre as conversas registradas pode citar assuntos relacionados ao Procurador da República DIOGO CASTOR, que foi afastado por ter financiado um outdoor em Curitiba/PR; QUE pode afirmar que não realizou qualquer edição dos conteúdos das contas de TELEGRAM das quais teve acesso; QUE acredita não ser possível fazer a edição das mensagens do TELEGRAM em razão do formato utilizado pelo aplicativo; QUE através da agenda do TELEGRAM do Procurador DELTAN DALLAGNOL teve conhecimento do número de telefone utilizado pelo Ministro SÉRGIO MORO; QUE obteve o código do TELEGRAM e criou uma conta no aplicativo vinculada ao número telefônico do Ministro SÉRGIO MORO; QUE também através da agenda do Procurador DELTAN DALLAGNOL teve acesso aos números telefônicos de membros do TRF 2, tais como o Desembargador ABEL GOMES e o Juiz Federal FLÁVIO;
    QUE não se recorda de ter acessado contas de TELEGRAM de Delegados da Polícia Federal lotados no estado de São Paulo; QUE não obteve nenhum conteúdo das contas de TELEGRAM do Ministro SÉRGIO MORO e dos Magistrados Federais do estado do Rio de Janeiro; QUE também teve acesso ao conteúdo das contas do TELEGRAM de membros do Ministério Público Federal que atuam no caso “GREENFIELD”; QUE não encontrou nada ilícito no conteúdo das conversas dos Procuradores da República que atuam no caso “GREENFIELD”; QUE em um domingo, mais precisamente na comemoração do Dia das Mães de 2019, procurou o jornalista GLENN GREENWALD para enviar o conteúdo das contas do TELEGRAM dos Procuradores da República DELTAN DALLAGNOL, ORLANDO MARTELO JÚNIOR, DIOGO CASTOR e JANUÁRIO PALUDO; QUE resolveu procurar o jornalista GLEEN GREENWALD por saber de sua atuação nas reportagens relacionadas ao vazamento de informações do governo dos EUA, conhecido como o caso SNOWDEN; QUE conseguiu telefone do jornalista GLENN GREENWALD através da ex-candidata MANOELA D’ÁVILA; QUE obteve o telefone da MANOELA D’ÁVILA através da lista de contatos do TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEFF; QUE por sua vez conseguiu o telefone da ex-presidente DILMA ROUSSEFF através da lista de contato do TELEGRAM do ex-governador PEZÃO; QUE não se recorda como teve acesso ao número de telefone do ex-governador PEZÃO; QUE até hoje mantém em seu computador os atalhos de acessos das contas de TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEFF e do ex-governador PEZÃO; QUE não armazenou nenhum conteúdo das contas do TELEGRAM da ex-presidente DILMA ROUSSEF e do ex-governador PEZÃO, tendo em vista que eram contas com poucas mensagens; QUE na manhã do Dia das Mães de 2019, ligou diretamente para MANOELA D’ÁVILA afirmando que possuía o acervo de conversas do MPF contendo irregularidades; QUE ligou para MANOELA D’ÁVILA diretamente da sua conta do TELEGRAM e disse que precisava do contato do jornalista GLENN GREENWALD; QUE a princípio MANOELA D’ÁVILA não estava acreditando no DECLARANTE, motivo pelo qual fez o envio para ela de uma gravação de áudio entre os procuradores da República ORLANDO e JANUÁRIO PALUDO; QUE no mesmo domingo do Dia das Mães, cerca de 10 minutos após ter enviado o áudio, recebeu uma mensagem no TELEGRAM do jornalista GLENN GREENWALD, que afirmou ter interesse no material, que possuiria interesse público; QUE começou a repassar para GLENN GREENWALD os conteúdos das contas de TELEGRAM que havia obtido; QUE como o acervo era muito volumoso, optou, juntamente com o GLENN GREENWALD alterar o método de envio do material; QUE assim, criou uma conta no Dropbox, enviou o material e repassou a senha para GLENN GREENWALD; QUE em nenhum momento passou seus dados pessoais para GLENN GREENWALD; QUE GLENN GREENWALD ou qualquer jornalista de sua equipe conhece o DECLARANTE; QUE nunca recebeu qualquer valor , quantia ou vantagem em troca do material disponibilizado ao jornalista GLENN GREENWALD; QUE o material disponibilizado ao GLEEN GREENWALD foi obtido exclusivamente pelo acesso a contas do TELEGRAM; QUE a partir do acesso que teve a contas do TELEGRAM de diversas autoridades públicas; QUE conhece GUSTAVO HENRIQUE ELIAS DOS SANTOS, SUELEN PRISCILA DE OLIVEIRA e DANILO CRISTIANO MARQUES desde a infância em Araraquara/SP; QUE nenhum momento repassou para GUSTAVO, SUELEN ou DANILO a técnica que criou para acessar contas do TELEGRAM; QUE sabe dizer que GUSTAVO utiliza o sistema BRVOZ para realizar ligações por VOIP; QUE não sabe dizer se GUSTAVO utiliza o sistema BRVOZ para realizar eventuais ligações de números predeterminados ou editados; QUE utilizou nome de DANILO para efetuar o contrato de aluguel do imóvel que reside; QUE todas as contas vinculadas ao referido imóvel, tais como luz e internet, ficaram em nome de DANILO; QUE não possui nenhuma conta de criptomoedas; QUE não possui conta do Bitcoin; QUE não tentou fazer o acesso a conta de TELEGRAM de nenhuma outra autoridade pública além daquelas citadas anteriormente no presente termo; QUE entretanto, também acessou o conteúdo do TELEGRAM do ex-presidente LULA, tendo acesso apenas a sua agenda do aplicativo; QUE não possui qualquer registro dos ataques realizados à conta do TELEGRAM do ex-presidente LULA; QUE não acessou a conta do TELEGRAM da deputada federal
    JOICE HASSEMAN, do Ministro da Economia PAULO GUEDES ou de qualquer outra autoridade do atual Governo Federal; QUE respondeu na justiça a dois processos criminais, um por falsificação e outro por tráfico de drogas de remédios, tendo sido absolvido em ambos; QUE foi condenado a pena de 1 ano e de 2 meses no processo de estelionato que correu na 1ª Vara Criminal de Araraquara/SP; QUE recorreu da sentença e está aguardando o resultado do recurso no Tribunal de Justiça; QUE perguntado se conhece [RASURADO] se reserva ao direito de permanecer em silêncio; QUE não possui formação técnica na área de informática, sendo um autodidata; QUE não exerce nenhuma profissão remunerada, obtendo seus rendimentos de aplicações financeiras que possui; QUE perguntado como obteve recursos para compor suas aplicações financeiras, afirmou não saber; QUE também realiza trabalhos de formatação para colegas de faculdade; QUE realizou operação de câmbio no Aeroporto de Brasília e do Rio Grande do Norte, tendo em vista a necessidade de adquirir dólares para um amigo; QUE perguntado qual o amigo seria esse, se reserva ao direito de permanecer em silêncio; QUE perguntado se comprou dólares a pedido de [RASURADO], se reserva ao direito de permanecer em silêncio. Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Foi então advertido(a) da obrigatoriedade de comunicação de eventuais mudanças de endereço em face das prescrições do Art. 224 do CPP. Encerrado o presente que, lido e achado conforme, assinam com o(a) declarante e comigo CINTHYA SANTOS DE OLIVEIRA, Escrivã de Polícia Federal, Mat. 9803, que o lavrei.

  • Hacker diz que entregou arquivos ao Intercept mas nada cobrou

    A Polícia Federal passou ao Globo que o “suposto  hacker” Walter Delgatti Neto confessou: “foi ele quem passou para o site The Intercept os arquivos com  mensagens entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol,entre outras autoridades”.
    Delgatti, segundo essa versão, afirmou que decidiu entregar as informações para a revista eletrônica inspirado no exemplo do ex-analista de inteligência Edward Snowden.
    Snowden se tornou famoso depois de repassar para os jornais “The Guardian” e “Washington Post” provas sobre espionagem extraídas do serviço de inteligência dos Estados Unidos contra chefes de governo e políticos em vários países, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff.
    Delgatti disse à Polícia Federal, na terça-feira, que nada cobrou pelos arquivos. Ele teria passado uma parte dos dados ao Intercept usando o aplicativo Telegram. Depois, criou um mecanismo específico para repassar os arquivos mais pesados.
    Em nota divulgada na terça-feira, o Intercept afirmou que “não comenta assuntos relacionados à identidade de suas fontes anônimas”.
    Delgatti não mencionou em seu depoimento  a intenção de vender informações ao PT ou para qualquer outro comprador.
    Essa hipótese foi levantada pelo depoimento do DJ Gustavo Santos, também preso na mesma operação. Ele disse que Delgatti, seu amigo, manifestara, há três meses, desejo de vender “o produto para o PT”
    A polícia aguarda os laudos periciais e checagem de  alguns dados antes de concluir a apuração do caso.
    Com histórico de abandono familiar e usuário de remédios contra depressão, Delgatti teria, segundo amigos, propensão para distorcer parte da realidade e, com isso, projetar uma imagem exageradamente positiva dele mesmo. Santos disse que, num determinado momento, Delgatti se gabou de  estar de posse das mensagens de Moro.
    Segundo a Polícia, Delgatti  teria atacado aplicativos de  cerca de mil celulares de autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, inclusive o presidente Bolsonaro.
    (Com informações do G1)