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  • Projeto Cais Mauá segue buscando investidores para revitalização

    Há nove anos o Cais Mauá – uma faixa de 60 metros e 3,2 quilômetros de extensão, com prédios e equipamentos portuários entre o Guaiba e o centro histórico de Porto Alegre – é uma área privada, concedida por 25 anos para um empreendimento comercial.
    Mas, fora os cercamentos e os esquemas de segurança que impedem a entrada, quase nada aconteceu.
    Há um ano foi autorizado e anunciado o inicio das obras. Algumas máquinas foram fotografadas no terreno.
    O novo gestor, recém assumido, disse na época que com as obras iniciadas para recuperação dos armazéns, já estava conversando com possíveis parceiros para ocupar os espaços comerciais.
    “As negociações podem incluir desde um pequeno comércio de cem metros quadrados até um supermercado”, disse Vicente Criscio, o gestor de então.
    Na semana passada, em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre,  o prefeito Nelson Marchezan surpreendeu os presentes ao anunciar que parte da área do Cais Mauá, ao lado da Usina do Gasômetro, será aberta ao público no dia do aniversário da cidade,  26 de março.
    O espaço contará com estacionamento para 600 veículos, “áreas de gastronomia, quadras de beach tênis e bancos para apreciar o pôr do sol”, informou o prefeito   .
    O novo diretor do Consórcio Cais Mauá, Eduardo Luzardo, estava presente e explicou que é uma espécie de “plano piloto” para atender “uma expectativa da população de Porto Alegre pela abertura dos portões do Cais Mauá”.
    Dois dias depois da notícia o Ministério Público de Contas advertiu que nenhuma intervenção pode ser feita na área do Cais Mauá antes que se apontem as fontes de financiamento para o projeto.
    Não foi possível saber se essa medida vai interferir nas obras anunciadas. A assessoria de imprensa do Consórcio informou que todos os pontos serão esclarecidos nos próximos dias.
    O projeto de revitalização, com a recuperação dos armazéns e todos os bens tombados pelo patrimônio público, está orçado em mais de R$ 140 milhões de reais.
    Captar esses recursos junto a investidores é o principal objetivo do Consócio Cais Mauá no momento. “Depois de tantos anos o projeto sofreu desgaste, mas a força da prefeitura e do governo Estado acelerou o processo”, afirmou Luzardo na ACPA..
    Sua expectativa é captar em quatro anos recursos junto a investidores privados para a restauração dos armazéns do cais, que é a primeira fase.
    Depois dessa etapa será feita a captação de recursos para a viabilização de um shopping center na área a lado da Usina do Gasômetro, que poderá ser a céu aberto.
    Além disso serão captados recursos também para a construção de duas torres comerciais do outro lado do Cais, próximas da Rodoviária.
    No total, o projeto vai exigir mais de R$ 500 milhões em investimentos.
     

  • Com lucro de R$ 1 bilhão, Banrisul diz que tem "apetite para investir"

    Vinte por cento a mais de lucro e menor inadimplência entre os grandes bancos foram destaques nos resultados de 2018 do Banrisul, apresentados nesta terça-feira.

    O banco público gaúcho obteve aumento de 20,3% no lucro líquido recorrente – que chegou a R$ 1,09 bilhão, “maior valor em 90 anos de história”.

    Percentualmente, foi um desempenho superior a alguns dos principais players privados nacionais: o lucro do Bradesco foi de 13,4%, a do Itaú Unibanco chegou a 3,4%.

    Segundo o presidente Luiz Gonzaga Veras Mota, há “apetite para financiar investimentos no Rio Grande do Sul”.

    “Temos mais de R$ 2 bilhões no BNDES em linhas para repasse no estado. Há uma confiança para a retomada da economia, e o banco está preparado para esse momento. Estamos prospectando operações, à disposição para quem quer desenvolver-se aqui”, declarou.

    A carteira de crédito do banco cresceu 8,6% em 2018.

    Mais do que cresceram  o Bradesco (7,8%) e o Itaú (7,9%). Na média nacional o mercado de crédito cresceu 5,5%, segundo o Banco Central.

    Através do crédito, o Banrisul injetou R$ 47,2 bilhões na economia gaúcha em 2018. O índice de cobertura, que chegou a 300%, também foi ressaltado:

    “Para cada real de inadimplência, temos três guardados. Isso nos dá segurança para seguir multiplicando a oferta de crédito”, pontuou. Bradesco (245%), Santander (241%) e Itaú (200%) tiveram performances inferiores ao Banrisul no ano que passou.

    Boa parte dos mais de R$ 34 bilhões em operações destinam-se ao varejo – tanto pessoas físicas como jurídicas. São 73,4% para essa parcela, ou R$ 25 bilhões.

    O setor imobiliário representa 12,1%, ou R$ 4,1 bilhões. Crédito rural (R$ 2,4 bilhões), câmbio (R$ 1,5 bilhão) e financiamento de longo prazo (R$ 920 milhões) completam a carteira.

    “No auge da crise, em 2015, houve uma baixa na oferta de crédito. Retomamos definitivamente agora, e ainda há muito espaço para crescer”, pontuou o executivo.

    A  redução da inadimplência foi outro fator importante no resultado do Banrisul: caiu pela metade em dois anos, chegando a 2,6%. Foi o melhor desempenho na comparação com os três principais bancos privados do país: Bradesco e Itaú atingiram 3,5%, e Santander chegou a 3,1%.

    Os ativos totais do Banrisul subiram em 5,6%, somando avanço de 30% nos últimos quatro anos. E o retorno sobre os ativos (ROA) também animou a diretoria, pois o resultado está em linha com as grandes instituições financeiras nacionais. Com média anual de 1,5%, o percentual ficou em cerca de 1,7% nos últimos dois trimestres – desempenho semelhante a Bradesco, Itaú e Santander, com 1,6%, 1,6% e 1,7%, respectivamente.

    (Com informação da Assessoria de Imprensa)

    Crédito da foto: David Pires.

  • Pedido de CPI foi arquivado mas Judiciário seguirá sob pressão

    Em apenas um dia da semana passada, o senador estreante Alessandro Vieira (PPS-SE), conseguiu as 27 assinaturas necessárias para uma CPI, imediatamente apelidada de “Lava Toga”,  para investigar os ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
    Na segunda-feira, porém, depois de um fim de semana de conchavos houve uma reversão: três senadores retiraram o apoio à apuração: Tasso Jereissatti (PSDB-CE), Kátia Abreu (PDT-TO) e Eduardo Gomes (MDB-TO).
    O movimento obrigou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre(DEM-AP), a arquivar o pedido de investigação.
    O arquivamento, contudo, significa apenas uma “trégua temporária”.
    O senador Vieira informou que estuda outras maneiras de obter apoio a investigação, se apresentando um novo pedido com outras 27 assinaturas ou apenas substituindo as que foram retiradas.
    “Essa não é uma demanda de um ou outro senador, mas de toda a sociedade. Não pode haver democracia se um poder for imune ao debate, críticas e fiscalizações”, afirmou.
    A ação do senador coincide com uma série de manifestações nas redes sociais, principalmente entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tentam minar a credibilidade das altas cortes e especialmente do STF.
    Há ao menos outras duas ofensivas em curso, que vão testar seu poder de fogo nas próximas semanas e meses.
    Movimentos sociais e ativistas prometem apresentar mais uma série de pedidos de impeachment de ministros do STF, que tramitam pelo Senado. Enquanto isso, na Câmara, há um movimento incipiente para derrubar a Proposta de Emenda à Constituição que aumentou de 70 para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória dos ministros do STF e de tribunais superiores.
    Se revogada a chamada PEC da Bengala, o Governo Bolsonaro poderia indicar até quatro nomes para o STF até o fim do mandato –uma das agitadoras da campanha é a deputada Bia Kicis (PSL-DF).
    “Ativismo judicial” e Gilmar Mendes
    No requerimento em que solicitava a abertura da CPI, o senador Vieira ressaltava quatro razões para investigar as Cortes, que ele as definiu como distorções do funcionamento dos tribunais:
    1) uso abusivo de pedidos de vista para retardar ou inviabilizar decisões do plenário;
    2) o frequente desrespeito ao princípio do colegiado;
    3) a distinção entre o lapso de tramitação de pedidos, a depender do interessado e;
    4) a participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura.
    “Temos até ministros empresários. E isso não pode, o magistrado só pode ser juiz ou professor, qualquer atividade fora disso é irregular”, disse o senador.
    Há 20 anos, uma CPI do Judiciário foi a responsável por ajudar a polícia a desvendar os desvios de 169 milhões de reais da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
    O caso resultou na futura condenação do então senador Luiz Estevão e do juiz Nicolau dos Santos Neto, que ficou nacionalmente conhecido como Lalau.
    Na frente dos movimentos sociais e ativistas, o primeiro alvo de pedidos de impeachment deve ser Gilmar Mendes, que já teve cinco requerimentos do tipo arquivados pelo Senado em anos anteriores.
    Uma reportagem da revista Veja da semana passada apontou Mendes e sua esposa, a advogada Guiomar Mendes, como investigados por auditores da Receita Federal por delitos como corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência.
    O documento obtido pela revista mostra que os fiscais da Receita afirmam, de forma genérica que “o tráfico de influência normalmente se dá pelo julgamento de ações advocatícias de escritórios ligados ao contribuinte ou seus parentes, onde o próprio magistrado ou um de seus pares facilita o julgamento”.
    Assim que a informação vazou, Mendes pediu que o Supremo tomasse providências.
    No mesmo dia, o Ministério da Economia determinou a abertura de uma sindicância para investigar os investigadores. Em nota, a Receita negou que haja provas contra Mendes e a mulher.
    Em sua defesa, o ministro negou qualquer irregularidade, afirmou que a Receita não pode se transformar na Gestapo (a polícia política do nazista alemão Adolf Hitler), reclamou de abuso de poder e que é alvo de ataques de sua reputação.
    Outros pedidos devem ser apresentados contra os ministros Toffoli e Ricardo Lewandowski. O anúncio foi feito pelo advogado e jurista Modesto Carvalhosa em sua conta no Twitter.  Ele é autor de outros dois pedidos que acabaram arquivados.
    Dos 11 ministros da atual composição do STF, oito já foram alvos de 20 pedidos de impeachment desde o ano de 2008, todos arquivados pelo presidente da ocasião.
    Além de Mendes, Toffoli e Lewandowski, já houve tentativas de destituição de Roberto Barroso, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Edson Fachin e Rosa Weber. Apenas Celso de Mello, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes não responderam a nenhuma representação.
    O principal argumento para o arquivamento era “inépcia da inicial”, ou seja, que não havia a comprovação de delitos cometidos pelos denunciados.
    (Com informações do Senado, G1 e El País)
     

  • Ricardo Boechat : uma voz dissidente que se cala

    É irrelevante a questão da licença para transportar passageiros, que o helicóptero que caiu com Boechat não teria.
    Ele estava autorizado a voar para filmagens, aeroreportagem e aerofotogrametria., Transportar um passageiro não ia interferir em nada, fere apenas a burocracia.
    O piloto Ronaldo Quattrucci era experiente, extremamente cuidadoso segundo relato de colegas.
    O que aconteceu? Esta é a questão que só uma investigação responderá..
    A morte prematura de Ricardo Boechat, aos 66 anos, deixou perplexo o meio jornalístico que sentiu a perda de uma referência, num momento em que o governo alimenta um clima de desconfiança com a imprensa.
    O vídeo de Boechat criticando o voto de Jair Bolsonaro, no impeachment de Dilma Rousseff, circulou nas redes hoje. Diz que para ganhar os holofotes, o então deputado Bolsonaro não hesitava em dizer “barbaridades”..
    Bolsonaro dedicou seu voto à memória do coronel Ulstra, reconhecido torturador. “Não há o que justifique a citação ao torturador. Torturador não tem ideologia…são covardes assassinos não devem ser citados em momento algum”, disse então Boechat no jornal da Band.
    As reações que a morte do jornalista provocou nas hostes bolsonaristas são mais um indicativo do ambiente hostil à imprensa, capaz de ir até não se sabe onde.
    O helicóptero caiu no início da tarde na Rodovia Anhanguera, na região do Rodoanel. Os dois ocupantes da aeronave morreram no local.

     As primeiras conclusões indicam que  o piloto do helicóptero tentou fazer um pouso de emergência na rodovia e bateu num caminhão vazio, com placas de Caxias do Sul para onde retornava depois de entregar uma carga de fazinha de trigo.,

    O Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) vai investigar o acidente.

  • Que vergonha!

    A autoestima brasileira foi parar no fundo do poço, onde a economia está de plantão

    GERALDO HASSE

    Liderados pelo chefe do Executivo, secundados pelos chefes do Congresso e com o Judiciário deixando rolar, os poderes da república estão demolindo descarada e impunemente antigas conquistas populares e técnicas nas áreas ambiental, cultural, previdenciária, social, trabalhista e outras mais.

    Todos os bacanas das cúpulas que deveriam zelar pela qualidade de vida da maior parte da população praticam tais maldades na maior caradura enquanto dão entrevistas ou respostas cínicas sobre a recuperação da economia.

    No governo, o troféu de maior cara-de-pau está entre os superministros Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça, ambos operando como se tivessem sido previamente programados por forças externas: Moro, pelo moralismo dominante; Guedes, pelo Mercado autossuficiente. São dois “donos-da-verdade” que precisam ser oportunamente confrontados e desmascarados. Bom seria se isso acontecesse até o 1º de maio.

    Do jeito que estão sendo armadas as “reformas”, já se sabe quem serão os beneficiados (uma minoria de abonados), ficando o mico para os que se situam na base da economia. Sendo as coisas repartidas de forma desigual, como costumam fazer governos assim conservadores, tão cedo a economia não sairá do buraco.

    As necessidades das maiorias estão sendo vilipendiadas. É uma avalanche inacreditável de projetos e práticas antidemocráticos, na contramão do que se convencionou ser o interesse público.

    Por contrariar a Constituição, as medidas tomadas no contrafluxo dos governos petistas devem ser contestadas pelos organismos da sociedade civil, a começar pela ABI, a Fenaj, OAB, CUT e outras centrais sindicais. Fazem falta a voz da Igreja Católica, o pronunciamento da universidade, o protesto dos artistas e dos estudantes.

    O silêncio popular começa a se confundir com acomodação e omissão.

    Se não houver reação ao desmanche, os poderosos do momento cometerão livremente o crime de lesa-pátria configurado em medidas como a entrega do pré-sal às petroleiras estrangeiras, a venda de estatais que logo estarão agindo como a Vale, cuja ação deletéria na mineração ameaça as populações vizinhas e o meio ambiente.

    O governo federal está claramente a favor dos crimes ambientais. Não é só por pregar a licença fácil para obras predatórias. É também por facilitar a livre atuação da indústria de agrotóxicos que envenenam abelhas, alimentos, pessoas e os recursos hídricos na superfície e no subsolo.

    Já a curto prazo, o laissez faire oficial vai se refletir na queda das exportações brasileiras de carnes, grãos e frutas. Até o mel, que rende quase R$ 100 milhões de dólares por ano ao Brasil, está em vias de ser recusado internacionalmente por conter resíduos de venenos agrícolas. Teremos nós brasileiros que consumir as recusas e as sobras de outros países.

    LEMBRETE DE OCASIÃO

    “O reajuste das aposentadorias e pensões pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – 3,43% no ano passado – não preserva o poder de compra dos aposentados, o que fere o Artigo 201, parágrafo 4º da Constituição.”
    Carla Oliveira, consultora jurídica da Associação Brasileira de Aposentados e Pensionistas

  • Cooperativa dos Apicultores elege presidente por unanimidade

    O apicultor José Adair de Souza, que trabalha na estação experimental da UFRGS em Eldorado do Sul, é o novo presidente da Cooperativa dos Apicultores do Sul (Coapisul) para o biênio 2019/2020. Braço direito do professor Aroni Sattler, diretor do Departamento de Apicultura da Faculdade de Agronomia de Porto Alegre, Adair foi eleito por unanimidade dos votos dos 10 associados presentes — em terceira chamada — na manhã do sábado, dia 19 de janeiro. Com isso, a sede da Coapisul, que estava em Arroio dos Ratos, volta para a sede rural da UFRGS, no Km 146 da BR-290.

    Fundada em 2005 por uma assembléia de 44 apicultores, a cooperativa tem atualmente 88 associados, número incomum em um segmento em que a maioria das associações apícolas municipais ou regionais – cerca de 90 no Rio Grande do Sul – possui de 20 a 40 filiados, sendo tocadas por uma minoria de abnegados. “Na verdade, apenas meia dúzia se dedica pra valer”, diz o veterano Ciro Deretti, presidente da Coapisul nas duas últimas gestões, de 2015 a 2018.

    Militar aposentado, Deretti mexe com as abelhas melíferas desde os anos 1960. Explorou a apicultura até mesmo quando serviu ao Exército na Amazônia. Passado dos 80 anos e sem condições físicas de tocar o ofício apícola, ele vive o drama de muitos apicultores que ficam velhos sem ter um descendente ou parente apto a manter seu apiário. Por falta de sucessor familiar, está disposto a vender sua centena de colmeias e, também, o sítio de quatro hectares que possui no Cerro do Roque, no município de Minas do Leão, na zona carbonífera. “Gostaria de passar adiante o pacote completo – enxames, caixas e o sítio – para alguém comprometido com a atividade apícola”diz ele, salientando que não venderia “para um aventureiro”. Com milhares de eucaliptos adultos, “o sítio tem potencial para produzir 10 toneladas de mel por ano”, afirma Deretti.

    Presidência da Coapisul é o ápice da carreira de Adair | Tânia Meinerz

    José Adair de Souza, o novo presidente da Coapisul, mora e trabalha na estação experimental de Eldorado do Sul desde que, há mais de 15 anos, foi convidado pelo professor Aroni a deixar o campus da Agronomia na capital, onde trabalhava. À medida que se firmou como auxiliar de pesquisas do professor, ganhou confiança para produzir mel a partir de um enxame ganho de presente. Atualmente, possui mais de 300 colmeias, que maneja em parceria com amigos da vizinhança da estação experimental, onde se sente literalmente em casa.  Uma das coisas que lhe dá segurança como presidente da Coapisul é ter o professor Aroni como tesoureiro.

    Na estação experimental de Eldorado do Sul, onde a apicultura ganhou alento a partir de 2010 graças a um convênio com o setor florestal da Celulose Riograndense, foram instalados em anos recentes alguns equipamentos para processamento do mel produzido nos eucaliptais vizinhos por parceiros da indústria de celulose de Guaíba. Uma casa-de-mel foi instalada no prédio cedido pelo departamento de suinocultura da UFRGS, que extinguiu o chiqueiro ali existente. Faltam ainda equipamentos e instalações suficientes para se obter a autorização do Ministério da Agricultura para envasar ali mesmo o alimento-remédio feito pelas abelhas a partir das flores. Por isso, a produção apícola da região carbonífera, cuja fonte principal são os eucaliptos, é embalada em entrepostos de municípios próximos como Ivoti, Novo Hamburgo e Viamão.

  • Presidente despacha no hospital e fala com o vice por telefone

    O presidente Jair Bolsonaro seguiu durante a sexta-feira dando sinais de que está em plena recuperação e tem condições de exercer a Presidência, apesar de ainda estar numa Unidade Semi-Intensiva,  submetido a cuidados rigorosos e com visitas restritas.
    O dreno, no abdômen e, principalmente, a sonda pelo nariz que o incomodava, foram retirados nesta sexta-feira.
    “Hoje foi o melhor dia que o presidente passou”, avaliou o porta-voz da Presidência Otávio do Rêgo Barros.
    Uma foto foi distribuída no início da tarde pela assessoria da presidência. Nela o presidente aparece com o abdômen inchado mas com bom aspecto, despachando com

    o  ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, Jorge Oliveira.

    Bolsonaro continua usando antibióticos para tratar a pneumonia, mas hoje não fez exame de imagem para avaliar a evolução da doença, segundo Barros. A nutrição está sendo feita via parenteral, associada à ingestão oral de líquidos como caldos de carne e de galinha, além de gelatina.
    Estão mantidas as medidas de prevenção de trombose venosa e os exercícios respiratórios, de fortalecimento muscular e períodos de caminhada fora do quarto.
    As visitas permanecem restritas. No entanto,  segundo a EBC, o ministro da Infraestrutura esteve no hospital nesta tarde para tratar de assuntos da pasta. Bolsonaro “conversou hoje com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, por telefone”.
    Não há previsão da visita de mais ministros no final de semana.
    No fim da tarde a Agência Brasil informou que  Bolsonaro ainda recebeu no Hospital Albert Einstein,o subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Antônio de Oliveira Francisco, para assinar dois decretos.
    Um deles concederá indulto humanitário a condenados que, após encarceramento, vieram a sofrer de graves condições de saúde.
    O outro antecipará benefícios previdenciários e assistenciais aos atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos da empresa Vale no município de Brumadinho e suas repercussões na bacia do Rio Paraopeba.
    Em seu twitter Bolsonaro postou a foto e comemorou: “O Brasil não pode parar”
     

    Jair M. Bolsonaro

    @jairbolsonaro

    Sem sonda, alimentado, em recuperação plena, necessária e sem distorções. Agora despachando com o Ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes e com o Subchefe de Assuntos Jurídicos, Jorge Francisco de Oliveira. O Brasil não pode parar! ????

     

  • Senador quer CPI para "abrir a caixa preta do Poder Judiciário"

    O Senado pode ter uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Poder Judiciário. O requerimento para averiguar a atuação dos tribunais superiores foi protocolado nesta quinta-feira (8) pelo senador Alessandro Vieira (PPS-SE).
    O pedido destaca que “não se trata de perquirir as atribuições do Poder Judiciário, mas, sim, de investigar condutas que extrapolem o exercício regular dessas competências”.
    O parlamentar propõe averiguar o abuso de pedidos de vista ou expedientes processuais para retardar ou inviabilizar decisões de plenário, a diferença do tempo de tramitação de pedidos a depender do interessado e o excesso de decisões contraditórias para casos idênticos.
    Ele também sugere que seja investigado o desrespeito ao princípio do colegiado, a diferença do tempo de tramitação de pedidos, a depender do interessado e a participação de ministros em atividades econômicas incompatíveis com a Lei Orgânica da Magistratura.
    “Nosso objetivo é abrir a caixa-preta deste Poder que segue intocado, o único que segue intocado na esfera da democracia brasileira. E só existe democracia quando a transparência chega a todos os lugares. A democracia não pode ser seletiva”, afirmou o senador, no plenário. Nos bastidores, a investigação vem sendo chamada de “Lava Toga”.
    “Nossos tribunais superiores se transformaram em um aglomerado de decisões monocráticas, o que gera uma loteria. Se o cidadão que vai apresentar uma ação é sorteado para o ministro “X”, ele tem a decisão para um lado; se é para o ministro “Y”, é para o outro. O colegiado já decidiu o assunto e eles desrespeitam. Isso precisa ser resolvido. E, para resolver isso, a gente precisa estudar, compreender e propor eventualmente uma lei”, defendeu.
    Se o requerimento for lido em plenário, o grupo deverá ser composto por 10 titulares e seis suplentes que vão trabalhar por 120 dias, com limite orçamentário de R$ 30 mil.
    Procuradas pela reportagem, a Associação Nacional dos Juízes Federais (Ajufe) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) não quiseram comentar o assunto. O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, não retornou as ligações e a assessoria do Conselho Nacional de Justiça também não se pronunciou.

    Brumadinho

    Ontem (7) também foi protocolado no Senado um requerimento para a criação de uma CPI sobre as causas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). No caso desta CPI, que tem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), como um dos signatários, há um compromisso da parte dele de que o requerimento seja lido em plenário na próxima terça-feira (12). A partir daí é dado sinal verde para a instalação do colegiado.
    (Com informações da EBC)

  • Bolsonaro posta foto para mostrar que não precisa passar cargo a Mourão

    A foto que o presidente Jair Bolsonaro postou na manhã desta sexta-feira (8) em sua conta no Twitter é um gesto político.

    Forçando um sorriso por trás da sonda introduzida pelo nariz, Bolsonaro segura uma colher com gelatina. Ele escreveu:

    “Nas últimas horas tive o prazer de voltar a comer. Ontem pela noite um caldo de carne e hoje uma boa gelatina. Estou feliz, apesar de não ser aquele pão com leite condensado kkkk. Bom dia a todos!”

    Esta é a primeira vez que o presidente recebe alimento. Bolsonaro vinha recebendo líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral.

    O objetivo da mensagem é barrar os movimentos do vice-presidente, general Hamilton Mourão, que na véspera insinuou que poderia assumir a presidência se a febre que Bolsonaro apresentou fosse mesmo provocada por uma pneumonia.

    “Vamos aguardar para ver o que é esse questão da pneumonia”, disse Mourão no início da noite de quinta-feira, depois que os médicos confirmaram uma piora no estado de saúde do presidente.

    Ele fez questão também de dizer aos jornalistas que não tem conversado com Bolsonaro: “Ele não está falando”.

    Submetido a uma cirurgia de mais de sete horas e que foi mais complicada do que o previsto, Bolsonaro fez questão de reassumir o cargo 48 horas depois e chegou a distribuir fotografias, como se estivesse despachando com assessores.

    Para mostrar que estava bem recebeu visitas e até uma dupla de música sertaneja entrou no quarto da unidade de tratamento semi-intensivo para cantar uma música preferida do presidente.

    Logo em seguida porém manifestaram-se as complicações, primeiro náuseas e vômito e, depois, febre.

    Ele foi operado há 11 dias para retirar uma bolsa de colostomia e refazer a ligação entre o intestino delgado e parte do intestino grosso, atingidos por uma facada durante a campanha eleitoral.

    Nesse período, o vice-presidente tem se movimentado com desenvoltura, recebendo representantes estrangeiros e líderanças sindicalistas e fazendo declarações pontuais que revelam divergência com a visão do presidente. Disse, por exemplo, que a liberação de Lula para ir ao enterro do irmão mais velho, na semana passada, era uma “questão humanitária”.

    Pneumonia

    Segundo boletim médico divulgado na tarde de quinta-feira (7), Bolsonaro teve episódio isolado de febre e foi submetido a uma tomografia de tórax e abdome que mostrou “boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia”.

    Um novo antibiótico foi incluído no tratamento e deve ser administrado por sete dias.

    “O presidente continua sem dor, com sonda nasogástrica, dreno no abdome e recebendo líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral.”

    Segundo o porta-voz, “o estado de saúde do presidente é o esperado dentro desse pico térmico que lhe acometeu na noite de ontem [quarta]”. “Por precaução os médicos fizeram exame de imagem, incluso tomografia por contraste. O pulmão tinha uma imagem que era compatível com pneumonia.”

    Rêgo Barros afirmou: “O presidente vem recebendo administração de antibiótico de amplo espectro. Médicos optaram por acrescentar uma nova medicação. Esta ação vai debelar essa pneumonia que foi encontrada em seu pulmão”.

    Cronologia da internação

    Segunda-feira (28/1)

    Jair Bolsonaro foi submetido a uma terceira cirurgia no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo. O procedimento terminou após sete horas e ocorreu “com êxito”, segundo informou o Palácio do Planalto.

    Foram retirados de 20 a 30 centímetros do intestino grosso de Bolsonaro na parte que ligava o intestino delgado à bolsa de colostomia, que foi retirada.

    Terça-feira (29/1)

    Bolsonaro seguiu na UTI do Hospital Albert Einstein após a retirada da bolsa de colostomia. Ele recebeu analgésicos para controle da dor e não apresentou sangramentos ou complicações, ficando sem febre ou sinais de infecção.

    Quarta-feira (30/1)

    Bolsonaro reassumiu a presidencia da República e passou a despachar de um escritório que foi montado no mesmo andar onde está internado no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo.

    Quinta-feira (31/1)

    O porta-voz da presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que Bolsonaro estava tentando se manter sem falar, mas não estava muito obediente: “O presidente é difícil, ele está falando já. A despeito do médico dizer para ele ficar calado, ele já está falando”.

    Sexta-feira (1º/2)

    O boletim médico do dia informou que o presidente teve boa evolução clínica. “Já apresenta sinais de início dos movimentos intestinais”. “Segue com dieta parenteral (endovenosa) exclusiva, sem infecção ou outras complicações. Realiza fisioterapia respiratória e períodos de caminhada fora do quarto. Por ordem médica, o paciente segue com visitas restritas.”

    Sábado (2/2)

    O presidente teve náuseas e vômigo e os médicos precisaram colocar uma sonda nasogástrica.

    Domingo (3/2)

    Bolsonaro continua com a sonda, com evolução clínica estável. De acordo com o boletim médico, o presidente ficou sem dor e sem sinais de infecção. Bolsonaro foi submetido a uma tomografia de abdome que descartou complicações cirúrgicas. Ele está em jejum oral e nutrição parenteral exclusiva.

    Segunda-feira (4/2)

    Bolsonaro teve febre e passou a tomar antibiótico. A alta prevista para quarta-feira (6) foi adiada, segundo o porta-voz Otávio Rêgo Barros. O boletim médico informou que o presidente passou a tomar antibióticos e foram realizados novos exames de imagem. Identificou-se uma coleção líquida ao lado do intestino na região da antiga colostomia. Foi submetido à punção guiada por ultrassonografia e permanece com dreno no local. O presidente apresentou movimentos intestinais e teve dois episódios de evacuação.

    Terça-feira (5/2)

    O presidente teve melhora e começou a receber líquido por via oral. Apresentou aumento da movimentação intestinal, o que possibilitou o início de injeção de líquido por via oral. “Os exames laboratoriais apresentam melhora. O paciente segue com antibióticos e dreno no abdome”, disse o boletim médico.

    Quarta-feira (6/2)

    O presidente apresentou quadro clínico estável, sem dor ou febre com melhora dos exames laboratoriais e de imagem, segundo boletim médico divulgado nesta quarta-feira (6). Ele também voltou a caminhar no corredor do Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo.

    Quinta-feira (7/2)

    O boletim médico registra que Bolsonaro teve febre e uma tomografia detectou uma pneumonia. Segundo os exames, a pneumonia teve origem bacteriana. Foi acrescentado um novo antibiótico no tratamento do presidente.

  • Segunda condenação reforça Lula como líder da oposição ao governo Bolsonaro

    Lula está preso na Polícia Federal em Curitiba desde abril do ano passado.
    Cumpriu dez meses de uma sentença que o condenou a nove anos e meio de prisão no processo referente ao tríplex do Guarujá (SP) que, ele sustenta, nunca foi seu.
    A segunda condenação, expedida nesta quarta-feira, 6, pede mais 12 anos e 11 meses de prisão para o ex-presidente, no processo sobre o sítio de Atibaia (SP), que ele também nega que seja seu.
    Esta segunda sentença, é da juíza Gabriela Hardt, que substitui temporariamente o juiz Sérgio Moro, agora ministro da Justiça.
    O ex-presidente foi enquadrado nos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
    A nova condenação não tem efeito prático imediato para a situação do líder petista. Sua defesa ainda pode recorrer. 
    O efeito é político e se irradia em várias direções.
    De um lado, a questão da prisão após condenação em segunda instância, quando ainda cabem recursos. O tema é controverso e o Supremo Tribunal Federal (STF) terá que se pronunciar sobre ele, porque se choca com a Constituição
    O agora ministro da Justiça, Sérgio Moro, quer consagrar o princípio da prisão já em segunda instância em seu “pacote anti-crime”. Esse, no entanto, tende a ser um dos pontos que pode fazer o pacote patinar no Congresso. E aí, o TSF terá que entrar em cena.
    Em outra direção, os efeitos da condenação favorecem a situação política de Lula.
    Em primeiro lugar, acendem a militância que já está promovendo manifestações no país inteiro.
    Uma segunda condenação, nos termos em que se apresenta, sem provas cabais, dá força à tese de que é um caso de perseguição política.
    “Lula não é um preso político, Lula é um refém”, disse o advogado Luís Eduardo Greenhalgh, um dos defensores do ex-presidente.
    Lula volta às ruas e manchetes e, mais importante, volta a ter destaque no cenário internacional como líder da oposição ao governo Bolsonaro.

    Réus podem apelar em liberdade
    Em sua decisão, juíza Hardt destaca que a culpabilidade de Lula “é elevada”.
    “O condenado recebeu vantagem indevida em decorrência do cargo de Presidente da República, de quem se exige um comportamento exemplar enquanto maior mandatário da República”, escreveu a juíza.
    “A prática do crime corrupção só nos quatro contratos citados na presente denúncia envolveu a destinação R$ 85.431.010,22 ao núcleo de sustentação da Diretoria de Serviços da Petrobrás – diretoria vinculada ao Partido dos Trabalhadores”, diz o texto da condenação.
    Segundo Hardt, “o crime foi praticado em um esquema criminoso mais amplo no qual o pagamento de propinas havia se tornado rotina”.
    Lula foi condenado uma vez por corrupção ativa, “pelo recebimento de propinas em prol do Partido dos Trabalhadores pagas pela Odebrecht”, e duas vezes pelo crime de corrupção passiva, “pelo recebimento de R$ 700 mil em vantagens indevidas da Odebrecht” e “pelo recebimento de R$ 170 mil em vantagens indevidas da OAS”.
    Já pelo crime de lavagem de dinheiro, Lula foi condenado duas vezes: pela “reforma feita pela Odebrecht no sítio” e pela “reforma feita pela OAS no sítio”.
    O Ministério Público, na denúncia, acusou o ex-presidente de ter recebido 1,02 milhões de reais através das obras do sítio feitas pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Schanin. Segundo a acusação, o imóvel pertencia a Lula, algo que o petista sempre negou e cuja posse atribuía a um amigo.
    Segundo Gabriela Hardt, “restou amplamente comprovado pela instrução dos autos que a família do ex-presidente Lula era frequentadora assídua no imóvel, bem como que o usufruiu como se dona fosse, inclusive mais do que seu proprietário formal, Fernando Bittar. Este inclusive confirmou que este fato ocorreu ao menos a partir de 2012”.
    “Portanto”, escreve a juíza, “sendo proprietário ou não do imóvel, é fato incontroverso que foram efetuadas reformas e comprados objetos para atender interesses de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua família”.
    Junto com Lula, foram condenadas outras 11 pessoas, entre elas Emílio e Marcelo Odebrecht, pai e filho responsáveis pela condução da empreiteira que leva seu sobrenome.
    A juíza não decretou nenhuma prisão a partir das condenações. “Assim, os réus poderão apelar em liberdade ante a ausência de elementos para a decretação da prisão preventiva. Por óbvio, a situação dos réus presos por outras condenações não se altera neste momento em razão desta sentença”, explica Hardt na decisão.
    A defesa do ex-presidente informou que vai recorrer de uma decisão condenatória “que atenta aos mais basilares parâmetros jurídicos e reforça o uso perverso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, prática que reputamos como ‘lawfare”.
    Na nota, o advogado Cristiano Zanin diz que “a sentença segue a mesma linha da sentença proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro, que condenou Lula sem ele ter praticado qualquer ato de ofício vinculado ao recebimento de vantagens indevidas, vale dizer, sem ter praticado o crime de corrupção que lhe foi imputado”.
    Segundo Zanin, “uma vez mais a Justiça Federal de Curitiba atribuiu responsabilidade criminal ao ex-presidente tendo por base uma acusação que envolve um imóvel do qual ele não é o proprietário, um ‘caixa geral’ e outras narrativas acusatórias referenciadas apenas por delatores generosamente beneficiados”.
    Ato com Haddad em São Paulo
    Em ato pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, Fernando Haddad, falou da parcialidade da Justiça Federal:

    “Estou falando como um cidadão preocupado com os destino do país, que não quer ver o desrespeito à imparcialidade da Justiça”, disse Haddad. Ele lembrou, em primeiro lugar, que Lula foi impedido de assumir o cargo de ministro da Casa Civil (pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em 2016).
    “Queremos justiça, que toda decisão de um juiz seja baseada em provas, não em convicções.”
    Haddad também mencionou que o ex-presidente teve sigilos quebrados sem autorização judicial, foi conduzido coercitivamente a prestar depoimento “sem ter resistido a um único chamado da Justiça” (em março de 2016) e, por último, foi impedido de enterrar o seu irmão, Vavá, que morreu na semana passada.
    “Num ano em que mais de 170 mil presos foram autorizados a enterrar os seus parentes. Por que existe direito para todo mundo e um Direito só para o Lula?”
    Se o petista, preso em Curitiba desde 7 de abril do ano passado, está impedido de dar entrevista até por escrito, “alguma coisa está muito errada”, disse Haddad.
    “O Lula é investigado há 40 anos. Se a justiça tivesse trazido a público uma conta em dólar no exterior, uma mala de dinheiro, ou um ato dele, do presidente da República, se demonstrasse cabalmente que ele contrariou claramente o interesse nacional em proveito de alguém, ninguém estaria aqui hoje”, acrescentou.
    “Seríamos solidários, mas não estaríamos pedindo uma revisão dessa decisão. Se cometeu um erro, paga, de acordo com a lei, mas nos limites da lei. Não existe prisão perpétua no Brasil, por exemplo. Não vemos no processo um ato dele que contrariasse o interesse nacional ou público.”
    O ex-prefeito paulistano afirmou que os advogados do ex-presidente vão recorrer nacional e internacionalmente “a todos os fóruns abertos a nossa provocação, porque estamos pedindo justiça, não estamos pedindo injustiça”.
    Participaram do ato em São Paulo inúmeras lideranças petistas e de movimentos sociais, como o ex-senador e atual vereador Eduardo Suplicy, o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, presidente estadual do PT, o coordenador da Frente Brasil Popular Raimundo Bonfim e o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), entre outros.
    Em Curitiba
    Na capital paranaense, os senadores Humberto Costa (PE) e Jaques Wagner (BA) falaram à imprensa, após visita a Lula. “Ao fim e ao cabo, as pessoas querem destruir o legado do PT. Política é isso mesmo, são ondas. Estamos vivendo uma onda conservadora aqui e no mundo”, disse Wagner. “Estou falando de onda conservadora do ponto de vista de valores. É só olhar o ministério do atual presidente.”
    Para ele, essa onda, que também “está pouco se importando com a pobreza”, vai pouco a pouco se dissipar. “Isso vai acabar aparecendo na cabeça do povo. Já deve ter muita gente desiludida. E a cada mês que passa vai aumentar.”
    Perguntado sobre o tema, Wagner disse que não pode prever o que o Supremo Tribunal Federal poderá decidir em 10 de abril, quando deve julgar as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, sobre prisão após condenação em segunda instância. Caso o tribunal reverta a atual jurisprudência e entenda que o condenado só pode ser preso após decisão dos tribunais superiores, Lula seria solto.
    Apesar de tudo, segundo o senador Humberto Costa, Lula “está muito bem disposto”. “Pela segunda vez foi condenado num processo cheio de fragilidades, onde a própria pessoa que julga diz que as razões definitivas para que ele fosse condenado são um tanto indeterminadas.”
    O senador por Pernambuco afirmou que Lula “tem convicção de que mais cedo ou mais tarde a justiça deve se fazer”. “Esperamos que nos tribunais superiores a justiça possa ser feita”, concluiu.
    Manifestações programadas
    Quinta (7)
    Porto Alegre
    Local: Esquina Democrática
    Horário: 12h
    São Paulo
    Local: Diretório Nacional do PT – R. Silveira Martins, 132, Sé – próximo ao metrô Sé.
    Horário: 17h
    Curitiba
    Local: Vigília Lula Livre
    Horário: 17h
    Florianópolis
    Local: Em frente à Catedral – Centro de Florianópolis
    Horário: 16h
    Cuiabá
    Local: PT-MT – Rua Estevão Alves Corrêa, 197, Santa Helena
    Horário: 18h30
    Belo Horizonte
    Local: Praça Sete de Setembro
    Horário: 17h
    Palmas
    Local: Sede do Diretório Estadual – 106 Norte – Alameda 17, Lote 35
    Horário: 18h
    Sexta-feira (8)
    Recife
    Local: Armazém do Campo – Av. Martins de Barros, 387
    Horário: 14h
    Vitória
    Local: Praça Vermelha – Centro
    Horário: 14h
    Campo Grande
    Local: Sede do PT – Rua das Graças, 2320 B – Santa Fé
    Horário: 18h
    Campina Grande (PB)
    Local: STIUP – Rua Taváres Cavalcante, 199 – centro
    Horário: 17h
    Aracaju
    Local: Sede do PT Sergipe – Av. Barão de Maruim, 704
    Horário: 18h
    Sábado (9)
    Maceió
    Local: Clube Fenix
    Horário: 20h
    Macapá
    Local: Sede Campestre do Sindsep
    Horário: 19h
    Ribeirão Preto (SP)
    Local: Av. Santa Luzia, 120 – Sumaré
    Horário: 18h
    São José dos Campos (SP)
    Local: Espaço Kita Oka (Av. Paulista, 3 – Jardim Esplanada)
    Horário: 12h
    Uberlândia (MG)
    Local: Sede do PT – Rua Cruzeiro dos Peixotos, 817
    Horário: 12h