Luís Augusto Barcellos Lara,de 50 anos, natural de Bagé tomou posse nesta quinta-feira como 67º presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Lara, de 50 anos, cumpre o sexto mandato como deputado estadual, reeleito com 56.396 votos pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Sua base eleitoral, Bagé, lhe deu a maioria dos votos (20.836), seguida de municípios da região como Dom Pedrito (6.298) e Rosário do Sul (1.611). Registrou muitos votos também em Porto Alegre (2.642) e Pelotas (1.747).
Na última legislatura, Lara dedicou-se ao estudo detalhado da crise das finanças públicas no Rio Grande do Sul, que tem como consequência final a precarização dos serviços públicos essenciais como saúde, segurança, sem falar na falta de investimentos para gerar emprego.
Bacharel em Direito, Lara fez da Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, que presidiu durante duas oportunidades nos últimos quatro anos, “uma trincheira para vasculhar os vazamentos que tornam o orçamento do Estado incapaz de ordenar as receitas e direcionar as despesas para o que é essencial”.
Sua conclusão: “É preciso abrir a caixa preta dos incentivos fiscais”. Ele se diz tão convencido que chegou a indicar esse caminho para o governador, Ivo Sartori, e já recomentou o mesmo a Eduardo Leite.
Nas suas contas, os incentivos fiscais (redução de ICMS ou juros subsidiados a empresas) comprometem um terço da arrecadação estadual.
“É o dinheiro que falta para hospitais, segurança pública, emprego”, diz o deputado ao mostrar que o Estado é o que mais concede incentivos na Federação, supera 30% do orçamento.
A outra ponta do vazamento orçamentário está na sonegação fiscal, mostra Lara, preocupado com o desmonte dos mecanismos de fiscalização. “Então, abrir a caixa preta dos incentivos fiscais e reforçar o combate à sonegação é o principal pilar para vencermos a crise do Estado”, acredita Lara.
(Com informações da Assessoria de Imprensa)
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Lara na posse: "É preciso abrir a Caixa Preta dos incentivos fiscais"
Marlon Santos mantém discrição ao final do mandato
O deputado Marlon Santos (PDT) despediu-se da presidência e do Parlamento gaúcho com um discurso breve.
Em seguida deixou a sessão solene antes do seu final para viajar a Brasília, onde assume amanhã (1/2) seu primeiro mandato como deputado federal.
A discrição tem sido a marca de Marlon nos últimos meses. No final do ano ele recusou inclusive as tradicionais entrevistas que os jornais, rádios e tevês fazem para avaliar o ano político.
Ao que se diz na Assembléia, o deputado quer chegar à Brasilia sem chamar atenção para sua condição de médium, nesse momento em que um dos médiuns mais famosos do Brasil está envolvido em fatos negativos.
Ele teme que isso possa desviar a atenção do trabalho como parlamentar que se preparou para desenvolver na Câmara Federal, com foco nas questões das finanças públicas e do desenvolvimento do Estado.
Em sua breve fala nesta quinta-feira ele agradeceu à bancada do PDT, que o indicou à presidência e disse que o exercício do cargo neste ano “evidenciou que há esperança, e que vale a pena acreditar nos órgãos e instituições quando, à frente destes, estão pessoas de tamanha grandeza”."Semana Farroupilha será foco da ação cultural", diz novo presidente da AL
“Se quisermos que a Semana Farroupilha volte a ser grande, gerando emprego e renda até para o pessoal do carnaval temos que fomentar as suas atividades. Ela será o nosso foco, através delas vários eventos serão desencadeados”.
A declaração é do novo presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Luiz Augusto Lara, na entrevista coletiva que deu depois da posse, nesta quinta-feira, 31.
A Semana Farroupilha, no mes de setembro, comemora os feitos dos riograndenses na Revolução Farroupilha (1835/1845), principalmente com desfiles a cavalo na capital e em várias cidades do Estado.
Segundo Lara, o evento contempla todo o Estado e interessa a todos os deputados, além de preservar as tradições gáuchas..
Ligado ao movimento tradicionalista, Lara desfila a caráter todo o ano na Semana Farroupilha em Bagé, sua terra.
A redução do foco cultural da Assembléia Legislativa ao fomento às festividades da Semana Farroupilha deve gerar críticas em setores culturais e meios intelectuais, muitos dos quais consideram a Semana Farroupilha um evento passadista, que revela uma visão distorcida da História.Tribunal suspende licitação para o transporte coletivo em Cachoeira
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) emitiu cautelar, na última sexta-feira (25), impedindo que a Prefeitura de Cachoeira do Sul prossiga com o processo licitatório para concessão de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
O relator da matéria, conselheiro Pedro Figueiredo, acatou denúncia que aponta violações legais no edital, elencando diversas falhas, com especial ênfase na inobservância do prazo mínimo de 30 dias para a entrega das propostas.
O relator entendeu, ainda, que as demais possíveis irregularidades da licitação indicadas pela empresa denunciante serão examinadas em momento oportuno, após a instrução do processo, que contará com eventuais esclarecimentos do Gestor.
O prefeito de Cachoeira do Sul, Sérgio Ghignatti, tem 15 dias para prestar esclarecimentos.
(Com informações da Assessoria)
Cachoeira concorrênciaObras do entorno da Arena do Grêmio ainda não têm acordo
Duas reuniões já ocorreram no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) sobre as obras de contrapartida no entorno da Arena, no bairro Humaitá.
Mas ainda não dá para prever uma solução para o impasse.
As obras estão paralisadas desde 2015, quando a OAS, construtora da Arena caiu nas malhas da Operação Lava Jato e entrou em recuperação judicial.
Dezesseis pessoas participaram, na manhã desta terça-feira, 29, da segunda reunião dirigida pelo relator do processo no TCE, conselheiro Cezar Miola, com presença de representantes da Prefeitura de Porto Alegre, do Departamento Jurídico do Grêmio, de empresas envolvidas e de técnicos do tribunal.
“Foram esclarecidos pontos que precisam ser superados antes do prosseguimento do processo que tramita no órgão de controle”, disse a nota da assessoria.
O Conselheiro Cezar Miola afirmou que ” vários aspectos foram elucidados”, mas “ainda há importantes elementos destacados pelos técnicos e pela Procuradoria do Município (PGM) que ainda precisam ser formalizados e incluídos no processo, principalmente os que se referem às alterações dos projetos e às garantias para a efetiva conclusão das obras”.
A empresa Karagounis Participações, construtora das sete torres residenciais erguidas no terreno junto à Arena, tem interesse em solucionar o impasse, para poder licenciar os imóveis e apresentou uma proposta à Prefeitura em junho do ano passado.
A empresa propõe repactuar as obras de infraestrutura que seriam feitas em contrapartida aos empreendimentos imobiliários na região..
O conjunto de obras prioritárias compreende a duplicação da avenida AJ Renner, a duplicação da avenida Padre Leopoldo Brentano e a reformulação de trecho da avenida Pedro Boessio.
Além disso, terá que ser construída uma nova sede para o posto da 2ª Companhia do 11º Batalhão da Brigada Militar e o desassoreamento da rede de drenagem, responsável pelos alagamentos de parte do bairro.
Em junho quando apresentou seu plano, a Karagounis informou que “foram aprovados projetos, orçamentos e garantias apresentados pela empresa para a execução dos trabalhos”.
A prefeitura de Porto Alegre, porém, informou que ainda faltava o aval do Ministério Público (MP) para que o acordo seja oficializado.
O MP questiona a redução das obrigações dos empreendedores e requer que as garantias sejam bem analisadas. Daí resulta o processo que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) está conduzindo.
Participaram da reunião:
Secretário-adjunto municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), Jose Luis Fernandes Cogo;
Procurador-adjunto da PGM, Nelson Marisco e o assessor Germano Bremm;
Carolina Kessler, Patricia Tschoepke, Felipe Malacarne, da Prefeitura;
Fábio Beling, Marco Teixeira, Viviane Grosser, Aramis Ricardo Costa de Souza, Elisa Cecin Rohenkohl, Leo Arno Richter, Tarciso Dal Ri e Andrea Doval da Costa, do TCE-RS;
Carlos Ronei Bortoli, da empresa Profill Eng e Andre Pinto, da Matricial Eng Consultiva
Gladimir Chiele, advogado que representa o Grêmio no processo.
Após nove meses em reforma, reabre Unidade de Saúde Lomba do Pinheiro
Finalizada a reforma, que durou nove meses, a Unidade de Saúde Lomba do Pinheiro voltou a atender a comunidade no endereço da avenida João de Oliveira Remião, 6111.
Com dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem, dentista, técnico de saúde bucal e agente comunitário de saúde, o serviço atende das 8h às 12h e das 13h às 17h, de segunda a sexta-feira, totalizando duas equipes de saúde da família. )
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou pintura interna e externa, colocação de novas divisórias, readequação do layout interno, climatização do ambiente com instalação de ar-condicionado, troca de lâmpadas com melhoria na iluminação, adequação da sala de vacinas, recebimento de móveis e equipamentos de informática obtidos a partir de emendas parlamentares.
Como o prédio é locado, ficou a cargo da proprietária a colocação de piso cerâmico em toda a área da unidade de saúde.
“São duas equipes de saúde da família que atendem 6.297 moradores cadastrados da região”, comenta o coordenador de Atenção Primária da SMS, Thiago Frank.
Durante a reforma, aprovada no ano passado junto aos conselhos Locais e Distrital de Saúde, a US Lomba do Pinheiro manteve as atividades nas dependências da US Panorama.
Riscos de Bolsonaro não se restringem à sala de cirurgia
O presidente da República está no hospistal por conta de uma facada que levou na campanha eleitoral, quando participava de uma manifestação em Juiz de Fora, em Minas.
As investigações, até agora, não são conclusivas e, embora haja um réu confesso, há quem duvide que a facada ocorreu.
Esse episódio já seria uma boa metáfora da situação em que se encontra o Brasil em 2019. Mas há muito mais…
Por causa do ferimento que lhe trespassou o intestino, Jair Bolsonaro passou a portar uma “bolsa de colostomia”, que recolhia urina e fezes até que as lesões internas cicatrizassem.
Nesta segunda-feira ele passou pela terceira cirurgia – a primeira de emergência para estancar a hemorragia interna que poderia matá-lo, a segunda para reconstituir as áreas lesadas e prevenir uma infecção.
E agora esta, para “reconstrução do trânsito intestinal”, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, um dos mais avançados do país.
O presidente entrou na sala das cirurgia pouco antes das sete horas da manhã, com uma previsão de três a quatro horas de operação. Ao meio dia, quando já se completavam cinco horas, os noticiários informavam que “o presidente ainda está sendo operado”.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, divulgará um boletim assim que os médicos liberarem. Não foi divulgado o nome dos médicos.
O presidente ficará no Hospital Albert Einstein por 10 dias, pelo menos.
Mas a crise política não lhe dará tréguas. É visível sua preocupação em não deixar o vice em seu lugar mais do que as 48 horas indispensáveis para sua mínima recuperação.
Depois disso, ele pretende trabalhar normalmente, despachando com ministros e assessores, além de transmitir orientações para a equipe ministerial.
O Hospital Albert Einstein organizou um espaço para o presidente despachar.
Segundo o porta-voz, existe um dispositivo montado pelo gabinete de Segurança Institucional com equipamentos, possibilidades técnicas para Bolsonaro orientar seus ministros e seus órgãos e despachar.
Por enquanto, o vice-presidente, Hamilton Mourão, estará na Presidência da República. Mourão conduziu a reunião ministerial, que Bolsonaro passou a realizar uma vez por semana no Palácio do Planalto.
A cirurgia com certeza é o maio risco que Bolsonaro enfrenta. É um risco que diz respeito à sua sobrevivência ou capacidade física. Mas os riscos políticos envolvendo sua posição não são pequenos.
Esta semana, por exemplo, deve emergir um personagem que aparece ligado ao presidente e à sua familia em situações perigosas: o ex-segurança e motorista Fabricio Queiroz.
Queiroz escapou de depor até agora alegando problemas de saúde. Mas depois que ele apareceu num vídeo dançando no quarto do hospital, a expectativa é de que apareça para falar nos próximos dias.
A dança de Queiroz, vazada pelas redes, não foi entendida. Talvez fosse um recado para os que o protegem, que podem dançar também se ele abrir a boca.Secretária que estava no carro com Marielle levou familia para o exterior
Fernanda Chaves, a secretária que estava no veículo em que Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados, em março do ano passado, falou à TVT. Ela critica a falta de respostas em relação ao crime.Fernanda, que atuou na CPI das Milícias, criticou a postura da família Bolsonaro (PSL), que já elogiou e homenageou milicianosAguardando respostas, a jornalista e ex-assessora de Marielle, Fernanda Gonçalves Chaves, lembra de como a presença da parlamentar incomodava nos corredores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
“Ela era uma mulher negra, favelada e lésbica, ou seja, o corpo dela trazia todas as suas lutas. Só por isso ela já causava um incômodo no espaço ocupado por homens brancos ricos”, diz, ao relembrar também os diversos casos de assédio que sofriam na Casa.
Fernanda estava no veículo no dia em que a vereadora foi assassinada, em março do ano passado, e ficou ferida pelos estilhaços. Ela foi a convidada do Entre Vistas, da TVT, nesta terça-feira (22), gravado no Café do Sindicato dos Bancários, na região central de São Paulo.
Além de Juca Kfouri, fizeram parte da bancada de entrevistadores o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Moisés Selerges e Monica Seixas, codeputada estadual eleita em São Paulo com a bancada ativista.
Assessora parlamentar com atuação na CPI das Milícias, Fernanda conta que sentia um clima de insegurança para a família, então foi para o exterior, mas com a expectativa de retornar rapidamente ao Brasil.
“Eu acreditava nisso porque nos dias que se seguiram ao atentado surgiram imagens do carro envolvido no crime, então despertava uma esperança de resolução num tempo rápido. Achava que, em duas semanas, já teria o indicativo dos envolvidos”, afirma.
Fernanda fala também sobre a mudança em sua vida após o atentado. Apesar de um processo complicado, como a própria jornalista define, ela diz ter encontrado um modo de seguir em frente. “Tive muito amor da minha família, estamos todos mais próximos. Ao mesmo tempo que você vive o horror, um outro lado ascende. Então você escolhe para qual lado vai olhar”, conta.
Depois de 10 meses fica difícil acreditar que vão solucionar o caso, acrescenta. “As autoridades precisam entregar essa resposta, se não vamos passar o atestado de incompetência”, aponta.
Na manhã de ontem, uma operação policial no Rio de Janeiro realizou a prisão de ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle e de Anderson Gomes. Os presos são integrantes da milícia considerada a mais perigosa e antiga do estado, chamada Escritório do Crime.
Com seu histórico de investigação sobre milicianos, Fernanda critica a postura do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que já elogiou, em 2003, um grupo de extermínio que atuava na Bahia. “Muitas autoridades consideram as milícias como um ‘mal menor’. Isso é um fato incômodo, que cria insegurança e indignação profundas. Quem vive nos espaços controlados por esses grupos sabe a situação imposta, você paga taxas para sobreviver”, lamenta.
O Entre Vistas vai ao ar todas as terças-feiras, às 21h. Pode ser visto no Youtube (www.youtube.com/redetvt) e na página da TVT no Facebook.Ataques no Ceará atingem escola e posto de saúde
Mais uma noite e uma madrugada de ações criminosas em diferentes cidades do Ceará.
Em menos de 12 horas, na noite e madrugada de quinta-feira, um posto de saúde, uma escola municipal, um posto de combustíveis, dois tratores e, pelo menos, dois ônibus foram incendiados em três municípios.Já no Posto de Saúde de Olho d’Água, os invasores roubaram um botijão de gás, cortaram os fios de alguns aparelhos eletroeletrônicos, danificaram teclados de computadores e espalharam parte dos medicamentos e produtos farmacêuticos armazenados.
Em Fortaleza, por volta das 21h de ontem, dois homens armados assaltaram os clientes de um posto de gasolina do bairro Papicu e puseram fogo em um dos carros estacionados no local.
Os próprios funcionários do estabelecimento conseguiram apagar as chamas, mas os criminosos escaparam sem ser identificados.
Também na capital, dois homens invadiram o prédio do Centro Social Urbano (CSU), no bairro Pici, e incendiaram dois tratores estacionados. Segundo testemunhas, os criminosos fugiram em uma motocicleta.
O fogo foi apagado por policiais militares, com a ajuda de vizinhos. Ainda em Fortaleza, um ônibus e uma van abandonada foram incendiados nos bairros Pedras e Dias Macedo, respectivamente.
A quinta ocorrência foi registrada em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, onde um micro-ônibus foi incendiado no bairro Jardim Bandeirante.Ataques
Este foi o vigésimo quarto dia da onda de ataques no estado, que começou no último dia 2, quando ônibus, veículos, prédios públicos, estabelecimentos bancários e edificações em vias públicas passaram a ser alvo da ação organizada de criminosos.
A violência é uma reação de facções criminosas à nomeação do secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, e ao anúncio de medidas para reforçar a segurança nos presídios, como a não separação de presos em presídios por facção e o bloqueio total de celulares.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, 430 suspeitos de participar dos ataques já foram detidos desde o começo dos ataques. A pasta, no entanto, não informou quantos destes permanecem detidos.
Para tentar conter os ataques, o governo estadual convocou cerca de 1.200 policiais militares da reserva para voltar ao serviço. No dia 13, o governador Camilo Santana sancionou leis que facilitam a adoção de medidas como a convocação dos militares reservistas; o pagamento de recompensa a quem fornecer informações que resultem na prisão de bandidos ou evitem ataques criminosos no estado.(Com informações da Agência Brasil)
CNN Brasil: uma dupla vitória da direita internacional
Eduardo San Martin, de Nova York
A criação da CNN Brasil parece ter impressionado a mídia nacional mais pelo anúncio de futuros 400 empregos e maior concorrência numa atividade em franca retração econômica, do que pelo que realmente significa politicamente.
A CNN vendeu uma franquia para atuar no Brasil.
Não é uma filial da Cable News Network dos Estados Unidos, como a BBC Brasil
é parte, material e editorial, da British Broadcasting Corporation.
Seria uma espécie de “emissora associada”.
O comprador é Rubens Menin Teixeira de Souza, um magnata da construção civil de Belo Horizonte, conhecido por dois motivos: aparece na revista Forbes com uma fortuna pessoal de $ 1,12 bilhões (em 2018) e ´é apoiador entusiasta de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro.
Assim, a CNN Brasil deve ter ampla autonomia editorial em relação à matriz, já que dificilmente chamará o presidente do Brasil de “político de extrema direita” ou de “Trump dos Trópicos”, como faz a coirmã norte-americana.
O modelo editorial da franquia brasileira seria o da concorrência da CNN nos EUA, a Fox News, do também bilionário Rupert Murdoch. Isto é, um canal ostensiva e
exaltadamente conservador.
Na Fox News, os comentaristas não poupam opositores a suas ideias,
batem boca (quando não cortam a palavra) de todo liberal ou personalidade
mais à esquerda, que se arrisque a enfrentar a feras.
Os entrevistados tendem a ser políticos ou porta vozes da direita americana. É o canal preferido (e mais amigo) de Donald Trump e seus seguidores.
A notícia da CNN no Brasil é música nos ouvidos de Steve Bannon, o orquestrador do que ele chamou de Movimento, uma confederação informal de grupos de extrema direita de diversos países.
Steve Bannon, o fundador da agência de notícias falsas contra a esquerda Breitbart, é tido como o estrategista responsável pela vitória de Donald Trump no Estados Unidos, em 2016.
Dali, ele partiu para criar o “movimento” de renovação da direita, escolhendo atuar em 13 democracias mais vulneráveis.
Desde então, orientou a vitória nas urnas e ascenção ao poder de correligionários na Itália, Austria, Espanha, Hungria, Polônia, Ucrânia e, agora, na presidência do Brasil, o filé mignon da América do Sul.
Em todas estas campanhas eleitorais, a arma de Bannon foi a mesma: excelente
entendimento técnico e capacidade de manipulação da opinião pública nas mídias digitais (e convencionais), pela criação e difusão de fake news, calúnias abjetas e mentiras descaradas.
A primeira vitória desta onda neoconservadora representada pela CNN Brasil é que Jair Bolsonaro, a atual menina dos olhos do movimento de Bannon, deve contar com o apoio de um canal de comunicação de massa com credibilidade internacional e sem bagagem política ou culpa no cartório no Brasil, como a Globo, Record, SBT.
Esta CNN Brasil – isenta de passado – já deve fazer sentir sua presença nas eleições municipais de 2020.
A outra vitória da direita é de ordem ideológica. Será uma CNN conservadora, pró “Tropical Trump”, a primeira do gênero.
Nos Estados Unidos e países onde atua, a CNN é um canal de notícias considerado
“liberal” pelos moderados e de esquerda pela direita linha dura.
Esta percepção talvez decorra do fato de ser um canal de TV mais recente (criada
em 1980) e historicamente mais independente, com linha editorial relativamente mais equilibrada, inquisitiva, abrangente, inclusiva.
Ou seja, com várias das características daquilo os Olavos de Carvalho e ideológos da
nova direita condenam como “marxismo cultural”.
