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  • Cais Mauá terá área de lazer aberta ao público no final de março

    O prefeito Nelson Marchezan Júnior anunciou em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre, que parte da área de dois hectares do Cais Mauá, ao lado da à Usina do Gasômetro, será aberta ao público em 26 de março, aniversário da Capital Gaúcha.

    O espaço contará com estacionamento para 600 veículos, áreas de gastronomia, quadras de beach tênis e bancos para apreciar o pôr do sol.

    Será temporário, por quatro anos, até que todos os armazéns sejam revitalizados e se chegue à execução do projeto original, que prevê shopping e torres comerciais.

    Com a entrega da primeira fase, a expectativa é que seja criada uma demanda que facilite a comercialização mais acelerada dos armazéns e do projeto completo.

    Para o diretor-presidente do Consórcio Cais Mauá, Eduardo Luzardo, existe uma expectativa da população de Porto Alegre pela abertura dos portões do Cais Mauá.

    “Uma pesquisa mostra que 99% da população nunca entrou na área dos armazéns. Por isso, nossa preocupação de entregar esse projeto piloto o mais rápido possível.”

    Atualmente, o objetivo do Consócio Cais Mauá é a captação de recursos de investidores. “Depois de tantos anos o projeto ficou desacreditado, mas a força da prefeitura e do governo Estado acelerou o processo”, afirma Luzardo.

    Sua expectativa inicial é que dentro do prazo de quatro anos, obtenha recursos junto a empresas privadas para a restauração dos armazéns do cais, que é a primeira fase.

    Depois dessa etapa será feita a captação de recursos para a viabilização de um shopping center na área a lado da Usina do Gasômetro, que poderá ser no modelo a céu aberto.

    Um shopping naquele local é muito contestado pelos críticos do projeto Cais Mauá. Além disso, serão captados recursos também para a construção de duas torres comerciais do outro lado do Cais, próximas da Rodoviária.

  • Polícia do Ceará diz que desmantelou "Tribunal do crime"

    Um agente penintenciário foi preso e outras cinco pessoas capturadas numa operação da Polícia Civil e com o apoio de outras forças de segurança que desarticulou um “tribunal do crime” num condomínio de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, na manhã desta quinta-feira (7).
    O agente, identificado como Paulo Rodrigues da Silva, foi detido em um dos apartamentos do Condomínio José Lino da Silveira, no bairro Planalto Horizonte, dominado pela facção criminosa Guardiões do Estado (GDE).
    “A participação dele vai ser apurada no final do procedimento. Hoje adianto que ele foi pego com arma de uso restrito, celulares, chips e uma quantidade de entorpecentes“, disse o Delegado Titular de Horizonte, Ed Carlos Sousa Lima.
    O agente penitenciário foi transferido para a Delegacia de Assuntos Internos.

    Carandiru

    Segundo a polícia, o condomínio que é conhecido como Carandiru, e era usado pelas lideranças da facção para fazer julgamentos, torturas e execução das vítimas.
    A Delegacia de Horizonte conseguiu um mandado coletivo de busca e apreensão para mais de 900 apartamentos.
    A polícia civil iniciou a operação porque teve a informação de que os criminosos estavam se preparando para atacar o Fórum de Horizonte.
    A ação é a continuidade de uma operação deflagrada há três semanas, durante a onda de ataques criminosos no Ceará, em janeiro. Segundo os agentes, com os detidos desta quinta-feira, já foram capturadas 12 pessoas, sendo oito por envolvimento com a fação criminosa e quatro por crimes ambientais. Do total, três são adolescentes.
    A operação teve a participação de 300 policiais e foi planejada e executada pela Coordenadoria de Polícia (Copol) da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), além da Diretoria Técnica Operacional (DTO).
    Apoiaram a ação a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar, a Perícia Forense do Estado (Pefoce) e a Força Nacional, com 30 viaturas e um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer).
    (com informações do Diário do Nordeste)

  • Dívidas acumuladas pelo governo gaúcho superam os R$ 110 bilhões

    Em documento entregue à Assembleia Legislativa nesta terça-feira, o governador Eduardo Leite estima em mais de R$ 110 bilhões o passivo que pesa sobre o governo do Rio Grande do Sul.
    As principais rubricas destacadas por Leite  são:
    -Restos a Pagar de pessoal e fornecedores, somados aos valores não pagos de dívida à União, de R$ 15 bilhões;
    -Divida com precatórios vencidos e saques de depósitos juriciais: R$ 26 bilhões
    -Dívida com a União e com instituições financeiras: R$ 72,3 bilhões
    Somados os três principais itens do passivo estadual chegam a R$ 113,3 bilhões.
    “Estamos aqui, um novo governo e um novo Parlamento, que alimentam novas esperanças, mas o que a população deseja mesmo é um novo futuro”, disse o governador em sua mensagem.
    Ainda esta semana, o governo deve propor uma Emenda à Constituição (PEC) retirando a exigência de plebiscito para a venda ou federalização de CEEE, Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Sulgás.
    A privatização das empresas é considerada vital para a adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal, primeiro passo para a busca do equilíbrio fiscal.
    “Um plebiscito joga para uma decisão da massa um tema complexo, que necessita análise de custos operacionais, de oportunidades de mercado, de alterações tecnológicas. Lança para a decisão de todos e, consequentemente, para a responsabilidade direta de ninguém”, defendeu o governador na tribuna.
     

     

  • Demissão do ministro do Turismo é mera formalidade, afirma Onix

    A demissão do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio,  publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (6), rendeu manchetes sensacionalistas mas é um fato irrelevante.
    Antônio, cujo nome de batismo é Marcelo Henrique Teixeira Dias, foi reeleito deputado federal pelo PSL de Minas Gerais no ano passado, com a maior votação do Estado: 230.008 votos.
    O decreto não traz justificativas para a medida, mas o chefe da Casa Civil Onix Lorenzoni esclareceu que a demissão é uma formalidade, para que  Alvaro Antônio tome posse na Câmara Federal.

    Ele é um dos quatro ministros de Bolsonaro que também é deputado e o único que ainda não havia sido exonerado pelo presidente para tomar posse no mandato de parlamentar.

    Os outros três ministros – Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Casa Civil; Tereza Cristina (DEM-MS), da Agricultura; Osmar Terra (MDB-RS), da Cidadania – foram exonerados para tomar posse e já foram nomeados novamente.

    Antônio está sob pressão desde segunda-feira, quando uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo denunciou um esquema de lançamento de candidaturas laranja com o objetivo de desviar recursos eleitorais do Fundo Partidário e beneficiar empresas relacionadas ao seu gabinete.
    Em sua conta no Twitter, Antônio afirmou, na segunda-feira, que foi “alvo de uma matéria que deturpa os fatos e traz denúncias vazias“.
    “Reforço que a distribuição do Fundo Partidário do PSL cumpriu rigorosamente o que determina a lei. Todas as contratações da minha campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, acrescentou.

  • Ceará: atentado interrompe trégua que não completou uma semana

    Um caminhão com mercadorias foi incendiado na madrugada desta segunda-feira, 4, no bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza.

    O veículo, que carregava trigo, estava estacionado na rua Teodomiro de Castro.

    O atentado interrompeu a trégua, que não chegou a completar uma semana, na guerra que o governo estadual deflagrou para reduzir o poder das facções criminosas a partir dos presídios.

    Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio ocorreu por volta das 2h55min. O fogo destruiu completamente o caminhão, que tinha placa de Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza).

    A onda de violência no Ceará, iniciada dia 2, durou quase todo o mês de janeiro. O último ataque havia sido registrado na terça-feira, 29, quando um ônibus foi incendiado no bairro Jangurussu.

    Em nota, a Secretaria de Segurança informou que a situação está sob controle e que atos isolados revelam desespero dos criminosos.
    (Com informações de O Povo)

  • Três dias decisivos para a recuperação de Bolsonaro

    Por acreditar numa informação oficial, o Jornal Nacional da Rede Globo, estreou com uma fake news, em 1º de setembro de 1969.
    Há cinco dias o presidente da República, general Artur da Costa e Silva, havia sofrido um “acidente cárdio vascular”. Naquela noite estava sem fala e só movia os olhos.
    Hilton Gomes, o primeiro William Bonner,  informou aos milhões de telespectadores que assistiam ao primeiro jornal em rede nacional da televisão brasileira que  o presidente da República dera sinais de melhora e que, segundo os médicos, retomaria suas funções nos próximos dias.
    O estado de Costa e Silva se agravou até a morte em 17 de dezembro daquele ano.
    Neste domingo, 3 fevereiro de 2019,  quase 50 anos depois, o noticiário baseado em informações oficiais tem um cheiro inequívoco de 1969.
    No sexto dia do pós-operatório do presidente Jair Bolsonaro, o boletim médico informou  que ele continua “usando uma sonda nasogástrica aberta, mas apresenta evolução clínica estável”.

    Bolsonaro continua com sonda, fez tomografia e não tem complicações neste domingo (3) — Foto: Reprodução
    “O presidente está sem dor e sem sinais de infecção”, informa laconicamente o boletim.

    “Uma tomografia de abdome que descartou complicações cirúrgicas”.

    Ele está em jejum ora  e nutrição parenteral exclusiva. “Realiza fisioterapia respiratória e motora no quarto e segue com as medidas de prevenção de trombose venosa”. É evidente a cautela dos médicos.

    Na verdade, houve uma piora depois de uma evolução satisfatória nos cinco primeiros dias.

    Na quinta- feira o porta-voz Otávio do Rêgo Barros, chegou a dizer que o problema era fazer Bolsonaro atender à recomendação dos médicos. “O presidente é difícil, ele está falando já. A despeito do médico dizer para ele ficar calado, ele já está falando.”

    “Hoje ele despachou tête-à-tête com o doutor João. Eu diria que ele vem tentando se adaptar-se à essa recomendação, mas o espírito dele é liderar pelo exemplo, pela conversa, pela convicção daquilo que vem pondo aos seus ministros. Eu tenho de reconhecer que é difícil e ainda ele se domina nessa questão de falar, mas tem procurado atender aos ditames que os médicos lhe impõem”, completou otimista.

    A assessoria de imprensa distribuiu uma foto do presidente com a caneta na mão, aparentemente despachando em seu expediente presidencial.

    Na sexta-feira (1) Bolsonaro divulgou um vídeo em que aparece chorando ao ouvir uma dupla cantando “Evidências”, de Chitãozinho e Chororó.
    Também na sexta, o presidente fez sua primeira vídeoconferência no gabinete provisório montado no hospital, com o ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno.
    Bolsonaro em reunião por vídeoconferência direto do hospital com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno — Foto: Divulgação/Presidência da República

    No sábado, porém, surgiram as complicações. O presidente teve vômicos e náuseas. O intestino delgado havia paralisado, havia excesso de suco gástrico no estômago. Os médicos colocaram uma sonda pelo nariz para retirar o excesso de líquido. 

    Na manhã de domingo, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, postou que Bolsonaro tinha acordado “bem e animado” e foi replicado pelo pai na rede social.

    “Hoje meu pai acordou bem e animado! Agradeço aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e todos os envolvidos em sua melhora! Pela manhã só notícias boas! Muito obrigado a todos pelas orações e carinho! Um forte abraço a todos e até mais tarde!”, escreveu Carlos.

    Numa matéria atualizada às 12h15, a Folha de São Paulo informou que as náuseas e vômitos eram consequência da paralisação do intestino delgado. “Não é uma reação normal do organismo decorrente da retomada da função intestinal, como disseram os assessores”.

    O cirurgião  Antônio Macedo, chefe da equipe que operou Bolsonaro, falou à Folha e disse que a complicação era “uma resposta do organismo a uma cirurgia longa e com muita manipulação”. Se for isso, é possível a recuperação exige em três dias.

    Mas há outras hipóteses, entre elas a temível fístura que exigiria refazer tudo inclusive retomar a bolsa de colostomia. Aí já ficaria cheirando a Tancredo.

  • Burocracia enquadra o carnaval de rua em Porto Alegre: só pode sambar quem tem licença

    O Carnaval de Rua de Porto Alegre terá 26 blocos habilitados a desfilar neste ano. .
    A lista dos “habilitados” já foi publicada no Diário Oficial do Município, mas ainda há recursos em julgamento.
    O carnaval de rua 2019 começa no dia 16 de fevereiro e segue até o dia 24 de março, todos os desfiles devem acontecer entre 8h e 21h.
    O calendário a ser divulgado posteriormente pela Secretaria Municipal da Cultura (SMC), inclui também os circuitos centralizados e os eventos do carnaval do circuito comunitário-descentralizado.
    Blocos habilitados:
    – Gonhas da Folia
    – Panteras do Samba
    – Galo do Porto
    – Areal da Baronesa do Futuro
    – Os Dinobicos
    – Bloco da Malvina
    – Puxa que é Peruca
    – As Cores da Cidade
    – Olha o Passarinho do Mário
    – Maria do Bairro
    – Bloco do Isopor
    – Império da Lã
    – Bloco do Bartira
    – Ai, que Saudade do meu Ex
    – Rua do Perdão
    – Banda DK
    – Cia. do Trago
    – Filhos do Cumpadi Washington
    – As Virgens do Bolinha
    – Afro Tchê
    – Bloco do OP
    – Bloco B Loukos
    – Tem Tudo Para Dar Errado
    – Bloco do Guerreiro
    – Deixa Falar
    – Ziriguidum Batucada Social

  • Quem quer adotar um cavalo? Quinze estão disponíveis no abrigo da EPTC

    Mais dois cavalos abandonados nas ruas de Porto Alegre foram recolhidos na semana passada por agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
    Os animais apresentavam sinais de maus-tratos, sendo uma égua com fratura na paleta e um macho com ferimentos em uma das patas.
    Eles estão no abrigo da EPTC, localizado na zona Sul, onde recebem tratamento veterinário, além de alimentação adequada.
    Atualmente, o abrigo conta com 26 cavalos acolhidos, sendo 15 deles considerados aptos para adoção.
    Os pedidos para adoção podem acontecer pessoalmente no Setor de Atendimento ao Cidadão da EPTC, localizado na avenida Erico Veríssimo, 100, em frente ao Ginásio Tesourinha, de segunda à sexta-feira, das 9h às 16h.
    Os interessados entram em uma lista de espera.
    Denúncias sobre cavalos que sofrem maus-tratos na via, ou abandonados nas vias da cidade, podem ser encaminhadas pelos fones 156 e 118.
    A área de acolhimento de animais recolhidos pela EPTC fica localizada na Estrada Chapéu do Sol, 2.400, região sul de Porto Alegre.

  • Produtos da colônia invadem a praia em Torres

    Até domingo (03/02) quem for a praia em Torres  poderá conhecer
    o que de melhor é produzido nas propriedades rurais no interior do Estado na
    Feira Estadual da Agricultura Familiar, na Praça XV de Novembro.
    Neste sábado (02/02), a feira funciona das 12h às 24h, e no domingo das 10 às 17h.
    Ao todo participam 36 famílias de agricultores, de 27 municípios, que
    produzem compotas, conservas, vinhos, panificados, ovos, mel, linguiça,
    salame, queijos e outros derivados de leite, cachaça, geleias, biscoitos, flores,
    erva-mate, entre muitos outros produtos, além de flores.
    Deste total, três empreendimentos são de Torres: Mulheres em Ação, Orquisel e Afarve.
    Este é o primeiro ano que o Grupo de Artesanato Rural em Bananeira e
    Porongo Mulheres Rurais em Ação, de Torres, participa da Feira.
    O grupo é composto de sete mulheres que moram no meio-rural. Elas são produtoras e
    fazem artesanato para comercializar com a intenção de agregar renda e
    resgatar este tipo de artesanato que não é mais produzido no litoral.
    “Este é um trabalho que vem sendo desenvolvido há dois anos, desde a organização das pessoas, promoção de cursos com matéria-prima rural, participação em feiras e
    eventos municipais e que está culminando com esta feira estadual”, explica a
    extensionista da Emater/RS-Ascar em Torres, Sônia Cruz.
    Além do grupo, existem agricultores que percorreram muitos quilômetros para
    mostrar seus produtos aos consumidores como é o caso da família de Miguel
    Sobucki, de Sete de Setembro, que andou mais de 700 quilômetros até Torres
    para ofertar aos consumidores conservas, sucos e polpas de butiá, jabuticaba,
    pitanga, uvaia e de outras frutas.
    Para a diretora administrativa da Emater/RS, Silvana Dalmás, as feiras são o momento de colher os resultados de um trabalho que, às vezes, leva anos até que a agroindústria consiga se regularizar.
    “Tanto para Emater, que acompanha todo este processo, quanto para o próprio agricultor, estas feiras representam o coroamento deste esforço e eles têm o produto deles em contato direto com o consumidor. Além disto, é uma oportunidade para o
    agricultor buscar novos mercados”, ressalta Silvana.
    A diretora comenta ainda a importância de as entidades trabalharem em
    conjunto: “Com a união de todos, foi possível, por exemplo, conseguir a flexibilização da legislação, no ano passado, para facilitar a adesão das prefeituras ao sistema, permitindo que as agroindústrias possam comercializar em todo o Estado e não apenas no município”, esclarece.
    Segundo Silvana, este trabalho de flexibilização foi realizado em conjunto, sem
    que se abrisse mão das exigências ambientais, sanitárias e tributárias,
    garantindo aos consumidores produtos de qualidade.
    “Em seis anos de Susaf havia 30 prefeituras habilitadas e em seis meses de flexibilização, este número passou para 80”, completa.
    A feira é promovida pela Emater/RS-Ascar, Fetag/RS, Sindicato dos
    Trabalhadores Rurais de Torres e Prefeitura.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Ativismo acionário, nova forma de luta ambiental, denuncia a Vale

    Um grupo de acionistas da Vale denunciou a própria mineradora, nesta quarta-feira (30), na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão vinculado ao governo federal responsável pela fiscalização e regulação do mercado da bolsa de valores.

    Segundo eles, a CVM deve punir a empresa por enganar os investidores ao omitir riscos e informações relevantes sobre seus negócios em Minas Gerais, no Pará e no Maranhão.

    A iniciativa da denúncia é da Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, uma rede de entidades composta por sindicatos, movimentos de quilombolas, organizações não governamentais, movimentos populares e ambientalistas.

    Há sete anos, uma das estratégias do grupo é a intervenção na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de Acionistas da Vale, explica Carolina de Moura, integrante do Movimento Águas e Serras de Minas Gerais e presidente da Associação Comunitária da Jangada.

    “A gente compra ações da empresa para poder entrar na assembleia. A gente estuda os relatórios de administração, a política, o mercado global e faz votos contrários aos relatórios que a empresa aponta, mostrando falhas em documentos deles, com base no que a gente acompanha nos territórios”, relata a militante.

    Ano após ano, os acionistas minoritários críticos têm alertado a empresa que a combinação da extração desenfreada de minérios com redução de custos geraria acidentes e tragédias. “É uma ação muito difícil de ser realizada. Os relatórios de administração são publicados muito perto da data [da assembleia]. São calhamaços que a gente tem que estudar. É um conteúdo denso, de difícil compreensão.”

    Moura conta que a rede tem que lutar para poder se expressar nas reuniões com a diretoria. “Todo ano a gente pede que nossos votos sejam protocoladas na íntegra na ata da assembleia. É do ativismo mais difícil que eu faço”, conta.

    Eles já votaram, por exemplo, contra a distribuição de dividendos para os acionistas e defenderam que o lucro fosse totalmente destinado à recuperação da Bacia Rio Doce, em Minas Gerais.

    Após o rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, o rio foi contaminado por minérios e resíduos. O grupo também apoiou o Programa Barragem Zero, proveniente de um relatório de 2009 da vale, que recomendou que a companhia reaproveitasse os rejeitos por meio da filtragem adicional de minérios.

    Nova denúncia

    Na denúncia desta quarta (30), o coletivo pede à CVM a instauração de um inquérito administrativo para apurar o fornecimento de informações sobre os riscos socioambientais de seus empreendimentos aos investidores.

    Os acionistas críticos citam o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho (MG) — crime ocorrido na última sexta-feira (25) e que deixou, até o momento, 99 mortos e 259 desaparecidos — como um episódio de omissão dos riscos envolvidos. Eles alegam que, com isso, a mineradora praticou manipulação de mercado.

    Segundo o documento, “a empresa, em várias oportunidades, foi alertada pela sociedade civil de que o rigor no processo de ampliação e continuidade da mina do Córrego do Feijão estava aquém do necessário, considerando-se o tamanho e potencial poluidor do empreendimento”. A denúncia também aborda o rompimento da barragem do Fundão, em 2015. O texto diz que o fato revela “uma negligência da empresa em monitorar as barragens e corrigir problemas identificados”.

    O grupo argumenta ainda que a Vale não menciona a sua responsabilidade nos fatores de risco que gera às localidades nas quais atua, o que seria um “instrumento artificial para garantir a cotação de seu valor mobiliário, em verdadeira prática fraudulenta”.

    A assessoria de imprensa da CVM confirmou o recebimento da denúncia. Segundo o órgão, o próximo passo é a análise se caso deve ser levado a julgamento. Se prosseguir para o júri, um colegiado vai analisar o mérito da denúncia.

    Caso seja considerada procedente, as punições estão previstas artigo 11 da Lei 6.385, que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários, podendo ser aplicadas advertências, multas, inabilitação temporária ou proibição temporária.

    A própria CVM abriu dois processos administrativos para apurar comunicações feitas pela mineradora Vale relativas à tragédia de Brumadinho. A mineradora já foi processada nos Estados Unidos por omitir informações a seus acionistas sobre a situação de instabilidade da Barragem do Fundão, em 2015.

    As ações da empresa caíam 24% no primeiro pregão após o rompimento da barragem em Brumadinho. A empresa teve a maior perda da história do mercado de ações brasileiro, de R$71 bilhões. Apesar disso, as ações da Vale já voltaram a subir e fecharam o pregão desta quarta-feira (30) em alta de 0,85%.

    (Do Brasil de Fato)