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  • Senado aprova por unanimidade projeto que enquadra injúria racial como racismo

    Senado aprova por unanimidade projeto que enquadra injúria racial como racismo

    O Plenário do Senado aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (18) o projeto que tipifica a injúria racial como crime de racismo (PL 4.373/2020).

    De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e relatado pelo senador Romário (PL-RJ), o projeto também aumenta a pena para o crime e segue para a análise da Câmara dos Deputados.

    A proposta alinha a legislação ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em julgamento, já decidiu dessa forma.

    O texto incorpora ao Direito Penal o que o STF e tribunais e juízes em todo o Brasil já vêm consolidando: a injúria racial é crime de racismo e como tal deve ser tratada, em todos os seus aspectos processuais e penais.

    O projeto retira a menção à raça e etnia do item específico do Código Penal (art. 140) e insere novo artigo na Lei de Crimes Raciais, definindo pena de multa e prisão de dois a cinco anos.

    O projeto cita injúria por “raça, cor, etnia ou procedência nacional”. Hoje, o Código Penal prevê pena de um a três anos de cadeia, além da multa.

    Durante a discussão da matéria, Paim agradeceu o apoio dos senadores e lembrou citação da ministra do STF, Cármen Lúcia, quando do julgamento desse tema:

    — ‘Esse crime não é apenas contra a vítima, mas é uma ofensa contra a dignidade do ser humano”.  Que as gargalheiras que eram colocadas na garganta do povo negro também sejam rompidas — afirmou Paim.

    Na justificação da matéria, Paim argumenta que a injúria racial não é mencionada na Lei de Crimes Raciais (Lei 7.716, de 1989), embora esteja prevista no Código Penal (Decreto Lei 2.848, de 1940).

    Ele registra que a injúria racial não estaria plenamente equiparada aos delitos definidos no Código Penal, e que, por definição constitucional, são imprescritíveis e inafiançáveis.

    Por essa razão, acrescenta o autor, o racismo praticado mediante injúria pode ser desclassificado e beneficiado com a fiança, com a prescrição e até mesmo com a suspensão condicional da pena.

    Já o senador Romário destacou que o número de registros de injúrias raciais praticadas nos últimos anos corrobora com a necessidade de se tratar o assunto com maior rigor.

    Ele apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, que aponta 9.110 registros de crimes raciais em 2018 e 11.467 em 2019, com um aumento de 24,3%.

    Romário registrou ainda que a injúria racial é crime da mais elevada gravidade, pois atinge fortemente a dignidade e a autoestima da vítima.

    Ele observou que é uma  conduta que gera sentimento de revolta, fomenta a intolerância e não se compatibiliza com os valores de uma sociedade plural e livre de qualquer forma de discriminação ou preconceito.

    Romário acrescentou que a transposição desse item do Código Penal para a Lei de Crimes Raciais representa, além de segurança jurídica no enfrentamento da questão, uma prova adicional de que a sociedade quer combater a perpetuação de atos racistas, bem como punir mais severamente eventuais criminosos.

    — Racismo que se revela em termos ofensivos ainda utilizados na pouca presença de negros em postos de liderança ou na pouca referência à história negra e símbolos africanos em nossas escolas. Ainda testemunhamos, infelizmente, manifestações racistas em nossos estádios, em nossas ruas, espaços públicos e privados, mas deixaremos hoje aqui a lição para todos do que devemos ser: cada vez mais intolerantes com a intolerância. Hoje tratamos de dar um importante passo nesse sentido.

    Discussão
    As senadoras Zenaide Maia (Pros-RN) e Nilda Gondim (MDB-PB) classificaram o dia de votações no Plenário como “histórico”, pelos temas em enfrentamento ao racismo.

    Elas destacaram o trabalho dos senadores Paim e Romário como fundamental para o fortalecimento da democracia já que a medida oferece dignidade humana a todos os brasileiros.

    — É uma mudança que trata esse crime com a dureza que ele merece. Não existe injúria racial individualizada. Quando alguém é atacado por ser negro, a ofensa é racista. Então, injúria racial é racismo, sim, e como tal deve ser tratado — avaliou Zenaide.

    Igualdade
    O senador Lasier Martins (Podemos-RS) se somou no reconhecimento ao autor e relator e disse que, no Brasil, o futebol poder ser usado como ferramenta de combate ao racismo.

    — Um belíssimo exemplo disso foi dado ontem pelo Sport Club Internacional, de Porto Alegre, que prestou uma significativa homenagem ao Mês da Consciência Negra durante a partida disputada no Mato Grosso contra o Cuiabá usando, o Internacional, pela primeira vez em sua centenária e vitoriosa história, o uniforme na cor preta — disse o senador, observando que o clube gaúcho, com uniforme tradicionalmente colorado, se uniu aos esforços no combate ao racismo.

    Para o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), o projeto representa um grande avanço no sentido de sair do discurso e dar efetividade a premissa constitucional de que todos são iguais perante a lei.

    — Nós temos que entender que a orientação sexual, a cor da pele, o gênero não definem o caráter. O que define o caráter é o seu comportamento ético, o seu comportamento moral, a imagem, o que nós fizemos para construir um Brasil mais justo, fraterno, igualitário, inclusive plural.

     

    Fonte: Agência Senado

  • Semana da consciência negra: Câmara presta homenagem com 11 parlamentares negros no plenário

    Semana da consciência negra: Câmara presta homenagem com 11 parlamentares negros no plenário

    Pela primeira vez desde o início da pandemia, o plenário Otávio Rocha esteve lotado na sessão solene desta quarta-feira, em homenagem à semana da consciência negra.

    No evento foram homenageados personalidades negras de Porto Alegre. Cada vereador pode indicar três nomes para receber um diploma por sua trajetória.

    Seis vereadores negros suplentes assumiram a titularidade compondo assim a maior bancada negra da história da Câmara com onze parlamentares.

    Na tribuna, a vereadora Laura Sito, a única de raça negra que compõe a Mesa Diretora da casa destacou a data:  “É uma imensa alegria ver tanta cara preta sentada na Câmara. Me emociona e é a força da nossa luta por uma cidade antirracista. Em 248 anos da Casa, pela primeira vez temos eleita uma bancada negra. Fruto da luta de décadas”, acrescentou. Após sua fala na tribuna, Laura assumiu a presidência da sessão.

    Vereadores

    A vereadora Karen Santos (PSOL) destacou que a luta do povo negro não é apenas simbólica, mas cultural. “Racismo estrutural e institucional não é algo que se enfrente somente no mês da Consciência Negra. É no sistema de ônibus precário, do desmonte da saúde, da discussão do Plano Diretor, da discussão da LOA, que neste ano tem um orçamento irrisório”, protestou.

    Para Bruna Rodrigues (PCdoB), o dia é histórico para a Câmara Municipal. “Venho ocupar esta tribuna em nome de uma bancada 100% negra, feminista e periférica. É com muita emoção que, pela primeira vez na história da Câmara, podemos ser conduzidos por uma mulher negra. A gente tem que lutar para que isso se repita a cada legislatura”, afirmou.

    Matheus Gomes (PSOL) falou sobre a história dos 50 anos da Semana da Consciência Negra. “O dia serviu para desorganizar a falsa ideia de que nosso país era da democracia racial, da igualdade entre negros e brancos e que racismo era coisa dos Estados Unidos ou da África do Sul, com o apartheid. Nunca foi assim”, enfatizou o vereador.

    Reginete Bispo (PT) destacou que ver as galerias lotadas de negros, com suas indumentárias de terreiros, é muito emocionante. “Esse 20 de novembro é um momento de celebração, mas também de reflexão. Celebramos porque os que vieram antes de nós resistiram à escravidão, construíram alternativas para sobrevivermos à negligência do estado. Meritocracia, para nós, é privilégio de quem sempre se beneficiou da mão de obra negra nesse país”, lembrou.

    Sâmila Monteiro (Novo) contou que passou a vida ouvindo que os negros não poderiam alcançar lugar de destaque na sociedade. “Muito ouvi que não poderia estar no lugar onde estou e no que acredito. Tudo é possível quando a gente defende uma ideia que acredita. Ouvi de um professor que uma negra não poderia ser médica ou advogada porque ela teria muitas dificuldades. A gente pode ser tudo que quiser se trabalhar muito, andar contra a maré”, acrescentou.

    Grupo Palmares

    Naiara Silveira, filha de Oliveira Silveira, leu trechos de obras de seu pai, poeta, intelectual e militante negro, que integrou o Grupo Palmares, sendo um dos líderes da campanha pelo reconhecimento do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro.

    Conceição Fontoura, integrante do Grupo Cultural Palmares, contou sobre sua trajetória no grupo que foi fundado com objetivo de promover estudos sobre história, artes e outros aspectos culturais, particularmente em relação ao negro e ao mestiço de origem negra.

    *Com informações da Câmara

     

    Homenageados

    Airto Ferronato (PSB) indicou Izamel Terezinha Ferreira da Silva, Kamila Faleiro de Mello Bento e Jorge Roberto Farias Almeida;

    Aldacir Oliboni (PT) indicou Fátima Maria de Freitas Soares, Cleonice de Souza Cardoso e Maria Conceição Apóstolo Vidal;

    Alexandre Bobadra (PSL) indicou Juceli dos Santos Moreira, Rogério Peres da Cunha e Mauricio de Oliveira Anastacio;

    Alvoni Medina (Republicanos) indicou Pastor Paulo da Silva Lima, Vera Regina Almeida dos Santos e Viviane Pires Silva;

    Bruna Rodrigues (PCdoB) indicou Adelia Azeredo, Elis Regina Gomes de Vargas e Mãe Vera do Xapanã;

    Cassiá Carpes (PP) indicou Lucia Oliveira Martins Castêncio e Dinamárcia Ayres de Almeida.

    Cláudia Araújo (PSD) indicou Maria José Oliveira de Andrade, Ilson Renato Gomes Marques e Gilberto Cunha Machado;

    Claudio Janta (SD) indicou Carlos Roberto Santana (Pai Betinho) e Ana Alice Nepomuceno dos Santos (Mãe Ana de Oxalá);

    Comandante Nádia (DEM) indicou Fernanda Rodrigues dos Santos, Ricardo Pacheco da Silva e Rita de Cassia Bernardes;

    Daiana Santos (PCdoB) indicou Fernanda Souza de Bairros, Maria Inês Rodrigues e Nega Lu (in memoriam);

    Felipe Camozzato (Novo) indicou André Luis de Oliveira Ribeiro e Angela Medeiros dos Santos;

    Giovane Byl (PTB) indicou João Dias, Denise Neves das Flores e Rogério Amaro Mendonça;

    Idenir Cecchim (MDB) indicou Clóvis André Silva da Silva, Jorge Luiz Ramão e José Carlos Rodrigues de Oliveira (Zé Cartola);

    Jessé Sangalli (Cidadania) indicou Camila Pereira Rodrigues, Luiz Gonzaga Pinto da Gama e Thomas Sowell;

    Jonas Reis (PT) indicou ialorixá Marli Charão de Bará Lanã, Thaís Maria Ferreira Sampaio “Pérola” e Professor Edson Rodrigues Garcia;

    José Freitas (Republicanos) indicou Vitória Marques, Suzana de Souza e Francisco Isaias;

    Kaká D’Avila (PSDB) indicou Daniel Mença, Paulo Eduardo M. Vicente e Fábio Luiz Alves Pedroso;

    Karen Santos (PSOL) indicou Carla Maria Domingues Rodrigues Soares; Maria Iara Santos Deodoro e Alcino Evelásio da Rosa (in memoriam);

    Laura Sito (PT) indicou Vera Daisy Barcellos, Maria Noelci Teixeira Homero e Issac Delivan Lopes Ortiz;

    Leonel Radde (PT) indicou Ubirajara Carvalho Toledo, Maria Iara Santos Deodoro e Gleidson Renato Martins;

    Lourdes Sprenger (MDB) indicou Patrícia da Silva Pereira, Paulo Ismael Silva da Cruz e Maria da Graça Gomes Paiva;

    Mácio Bins Ely (PDT) indicou Jacira Costa, André Luis Freitas Duarte e José Itarajara Duarte Ferreira;

    Mari Pimentel (Novo) indicou Efigênia Teiroba Moreira, Marco Túlio Aniceto França e Paulo Cruz;

    Matheus Gomes (PSOL) indicou Marlice Corrêa, Richard Evandro Guterres Alves e Carmen Bicca dos Santos;

    Mauro Zacher (PDT) indicou Vitúlia Gonçalves, Valácio de Oliveira e Marco Antonio Rodrigues Paschoal;

    Moisés Barboza (PSDB) indicou Eva Domingos (Tia Evinha), Robinson Jorge Fernandes Jairo (Jairão) e Pai Ricardo d’Oxum;

    Mônica Leal (PP) indicou Elisete Maretto, Ângela Chaves dos Santos e Deise Nunes;

    Pablo Melo (MDB) indicou Juciane Afrausino, Ereson Neto Romero e Tania Regina Neves de Paula (in Memoriam);

    Pedro Ruas (PSOL) indicou Carmem Regina de Moura, Irlanda Gomes e Carlos Augusto da Silva Dias;

    Ramiro Rosário (PSDB) indicou Andrea Campos, Kelly Ramos e Rafael Rodrigues Saraiva;

    Roberto Robaina (PSOL) indicou Cristiane Machado Marques, Gilvandro Antunes e Márcio Chagas da Silva;

     

  • Prédio do Paço Municipal será museu dos 250 anos de Porto Alegre

    Prédio do Paço Municipal será museu dos 250 anos de Porto Alegre

    O gabinete do prefeito  e do vice vão sair do prédio que há 120 anos é o endereço da Prefeitura de Porto Alegre, na Praça Montevideo, número 10.

    O prédio, de estilo eclético, tombado pelo patrimônio público, será  transformado  no Museu da Cidade, concentrando as atividades comemorativas dos 250 anos de Porto Alegre.

    Seus atuais ocupantes irão para a nova sede do Executivo municipal, no edifício de 18 andares que pertencia ao grupo Habitasul e foi trocado por uma dívida de R$ 24 milhões em impostos, segundo informações de assessoria de imprensa.

    A mudança ainda não tem data. Mas o secretário Rogério Beidacki, da Secretaria Extraordinária dos 250 anos,  acredita que “em janeiro ou fevereiro estará concluída”,

    As negociações com a Habitasul foram concluídas há um mês e o prédio na esquina das ruas João Manuel e Siqueira Campos, também no Centro Histórico, precisa de adaptações para abrigar o gabinete do prefeito e várias repartições que hoje funcionam no prédio antigo.

    Além do que hoje funciona na Prefeitura Velha, outras secretarias e órgãos que ocupam prédios alugados serão transferidos para a nova sede. Um deles é a Secretaria Extraordinária dos 250 anos, hoje em imóvel alugado.

    A intenção é concentrar os vários órgãos administrativos, facilitando para o contribuinte e reduzindo pela metade os gastos com imóveis alugados pelo Município que atualmente  superam R$ 9 milhões.

    “Além de diminuir os valores despendidos em locação, irá concentrar vários órgãos públicos em um só local, gerando economia e eficiência para a administração”, diz o vice-prefeito Ricardo Gomes, que coordenou a negociação com a Habitasul.

    Em alguns casos, a administração municipal deixará de gastar com aluguel, em outros serão liberados imóveis para venda. Os gabinetes do prefeito e do vice-prefeito serão os primeiros a mudarem-se para a nova sede.

    A Prefeitura de Porto Alegre instalará um centro administrativo no prédio de 18 andares da que foi da Habitasul / Foto: Alex Rocha/PMPA

    A negociação com a Habitasul seguiu as diretrizes e benefícios do programa RecuperaPoa. Com o acordo, firmado no dia 25 de outubro passado e homologado pelo Judiciário, serão extintos cerca de 30 processos judiciais. As ações mais antigas tramitam desde 2003.

    Os imóveis que estavam penhorados nas execuções fiscais, serão adjudicados para o Município, ou seja, recebidos como pagamento da dívida, e a propriedade transferida à Prefeitura.

    A maioria do débito era de IPTU, de uma área sem construção vizinha à Arena do Grêmio, mas também foram envolvidos passivos de ITBI.

    A Habitasul já comunicou a transação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, a partir de agora, passa a contar um prazo de 30 dias para que a empresa cumpra um cronograma de desocupação gradual do prédio. Parte dele está em uso por empresas do grupo.

    A prioridade é levar para o novo centro administrativo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), que ainda ocupa um prédio em condições precárias na Avenida Borges de Medeiros. Depois que a Smoi deixar o local, a Prefeitura colocará à venda o terreno localizado em área nobre, ao lado do shopping Praia de Belas.

    Outras secretarias que atualmente estão espalhadas pela cidade, muitas delas pagando aluguel, serão transferidas para o novo prédio: Segurança, Mobilidade Urbana e de Parcerias, entre outras a serem anunciadas.

    As negociações contaram com a participação das secretarias da Administração e Patrimônio, Fazenda e Procuradoria-Geral do Município (PGM). O vice-prefeito afirma que o edifício estará em condições de uso brevemente.

    “Está pronto para ocuparmos. O prédio tem habite-se, tem PPCI, está em dia. Alguns andares estão prontos para mudar, outros teremos de entrar com algum mobiliário e eventual ajuste pontual. Está em excelente estado”, salienta Gomes.

    Em 30 dias, quando encerrar o cronograma de desocupação da Habitasul, a Prefeitura deverá iniciar os trabalhos de adaptação parcial do prédio para receber os pontos de rede interna de computadores. Isso será feito pela Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa).

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • No cenário pós-pandemia não poderá imperar a miséria, diz Lula na Espanha

    No cenário pós-pandemia não poderá imperar a miséria, diz Lula na Espanha

    “Para qual tipo de normalidade as sociedades modernas pretendem voltar em um eventual cenário pós-pandemia”?

    A pergunta foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na abertura do seminário Cooperação a Multilateral e Recuperação Regional pós-Covid-19, nesta quinta-feira, 18, em Madri, na Espanha.

    “Não poderá ser a volta para um mundo onde impera a miséria”, defendeu o petista.

    “Antes do primeiro caso de Covid-19, o mundo já estava doente, vítima de um vírus, igualmente mortal, chamado desigualdade”, disse.

    Lula condenou o que considera uma inaceitável concentração de renda no planeta, enquanto milhões de famílias convivem com “a mais cruel das chagas mundiais, a fome”.

    “É urgente uma reconstrução profunda do mundo, sobre os alicerces da igualdade, da fraternidade, do humanismo, dos valores democráticos e da justiça social”, argumentou Lula.

    “Porque mesmo que sobrevivam à Covid, 800 milhões de pessoas hoje não conseguem escapar de outro terrível flagelo: a fome”, afirmou o ex-presidente, reiterando que ele mesmo já sofreu os efeitos do temor “dos que não sabem se poderão comer amanhã”.

    “Sei a dor que a fome provoca no ser humano, porque vivi na pele”, disse. “Nasci numa das regiões mais pobres do Brasil, filho de uma mãe pobre, analfabeta e lutadora, que criou seus oito filhos sozinha. Enfrentei a fome, o trabalho infantil, o desemprego, as injustiças”, relatou.

    O evento contou com a presença do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Ele afirmou, em discurso no seminário, que Lula voltará a ser presidente do Brasil.

    Nesta sexta-feira, 19, o ex-presidente Lula reúne-se com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa, em Madri. Lula também terá encontros com os trabalhadores espanhóis, representados pelas confederações sindicais CCOO (Confederación Sindical de Comisiones Obreras) e UGT (Unión General de Trabajadores).

    A Espanha é o último dos quatro países visitados pelo ex-presidente, que cumpriu este mês agenda na Alemanha, Bélgica e França.

    Foto: Ricardo Stuckert/PT

     

  • Combate à Covid: governo libera ocupação em locais abertos e fechados no RS

    Combate à Covid: governo libera ocupação em locais abertos e fechados no RS

    O governo do Estado anunciou, nesta quarta-feira (17/11), “atualizações nos procedimentos de combate à covid”, depois de um ano e meio de contrôle rigoroso.

    Diante da estabilização dos números da pandemia no RS, o Gabinete de Crise passa a fazer recomendações a respeito de quais protocolos devem ser adotados – com exceção de algumas regras obrigatórias que ainda deverão ser seguidas por todas as pessoas.

    O detalhamento das alterações foi apresentado ao Conselho de Crise, composto pelos chefes dos Poderes, entidades comerciais, dirigentes de hospitais e representantes de universidades.

    “Diante da estabilidade duradoura dos indicadores em patamares baixos, decidimos dar esse passo, com cuidados, sem dar chance para uma nova onda e novas restrições. Estamos reduzindo as exigências para que, se mais adiante for necessário restringir mais, tenhamos maior colaboração das pessoas, que estarão cientes de que as medidas não estarão sendo adotadas por acaso. É preciso que todos colaborem e continuem se cuidando”, disse o governador.

    A partir dessa determinação, a abordagem com relação ao combate à pandemia de coronavírus passa a priorizar a responsabilidade de cada pessoa pela proteção individual e coletiva.

    Fica retirado, por exemplo, o teto de ocupação dos locais, tanto abertos como fechados, bem como a previsão de multas para descumprimento.

    No entanto, há quatro protocolos que deverão ser cumpridos. O decreto com o detalhamento será publicado até sexta-feira (19/11), com vigência a partir de 0h de sábado (20/11).

    • Usar máscara bem ajustada e cobrindo boca e nariz, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas. O uso obrigatório de máscara é definido pela Lei Federal 14.019, de julho de 2020.

    • Manter e garantir o isolamento domiciliar de pessoas e seus contactantes com suspeita de Covid-19 até acesso à testagem adequada e, em caso de confirmação, evitar a realização de atividades fora de casa.

    • Disponibilizar água e sabão ou álcool 70% para público e trabalhadores, para limpeza frequente das mãos

    • Apresentar o comprovante vacinal antes de entrar e para permanecer em eventos e atividades de maior risco ou aglomeração.

    “Retiramos essas restrições, mas isso não significa que está tudo bem. Observamos uma estabilização importante e entendemos que podemos dar esse passo. Precisamos que toda a população adote essas medidas, mantendo os cuidados, para evitar que tenhamos de dar um passo atrás. Estamos avançando, mas a pandemia ainda não acabou, e seguiremos monitorando diariamente os dados, como fizemos desde o início, em março de 2020”, disse o vice-governador Ranolfo, ao conduzir o Gabinete de Crise.

    O comprovante vacinal seguirá obrigatório em atividades de maior risco ou aglomeração, como competições esportivas, eventos de entretenimento (festas) e casas noturnas, cinemas, teatros, shows e demais ambientes de espetáculo, feiras, exposições e congressos, parques de diversão, temáticos, aquáticos e de aventura, jardins botânicos e zoológicos, além de outros atrativos turísticos. Para as demais atividades, se torna uma recomendação.

    Municípios com 90% da população adulta com o esquema vacinal completo ficam autorizados a adotar o comprovante de vacinação como recomendação, e não exigência, em todas as atividades, incluindo as de maior risco. No entendimento do Gabinete de Crise, o percentual de 90% de vacinados representa maior segurança quanto ao risco de contágio.

    “Os municípios que chegaram a 90% do esquema completo já vacinaram praticamente todas as pessoas, é o índice recomendado em qualquer campanha vacinal. Nesses locais, com esse contingente imunizado, as pessoas estão mais protegidas, por isso podemos colocar em prática esse novo modelo de diferenciar pelo andamento da vacinação. No Estado, 277 municípios já alcançaram coberturas vacinais acima da média do RS, que é de 87,3%”, disse a secretária da Saúde, Arita Bergmann.

    O Sistema 3As de Monitoramento será mantido, com acompanhamento constante dos indicadores da Covid-19 para que, caso necessário, sejam emitidos Avisos ou Alertas às regiões. Inclusive, no caso de piora de indicadores, o governo do Estado mantém a prerrogativa de adoção de medidas adicionais, como a retomada de restrições.

    Panorama da vacinação no RS

    Neste momento, 82,7% da população gaúcha adulta de 18 anos ou mais e 65,2% da população residente total já recebeu o esquema completo de vacinação (duas doses ou dose única).

    A população vacinável no RS (maiores de 12 anos) é de 9.750.642 e 7.352.003 já receberam o esquema completo, o que corresponde a uma cobertura vacinal de 75,4%.

    • Clique aqui e confira o monitoramento diário da vacinação no RS.

    Para alcançar a cobertura de 90% da população vacinável, é necessário imunizar ainda 1.423.574 pessoas – cerca de 1/6 dessa população.

    Entre os óbitos por Covid-19 na população de adultos jovens (18 a 39 anos) a partir de setembro de 2021, mais de 90% ocorreram entre pessoas não vacinadas ou sem vacinação completa. Isso reforça o entendimento de que a vacinação contra a Covid é eficaz.

    Protocolos gerais obrigatórios

    • Usar máscara bem ajustada e cobrindo boca e nariz, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas.

    • Manter e garantir o isolamento domiciliar de pessoas e contactantes dessas pessoas com suspeita de Covid-19 até acesso à testagem adequada e, em caso de confirmação, evitar a realização de atividades fora de casa.

    • Disponibilizar água e sabão ou álcool 70% para público e trabalhadores, para limpeza frequente das mãos.

    • Apresentar o comprovante vacinal antes de entrar e para permanecer em eventos e atividades de maior risco ou aglomeração.

    Protocolos gerais recomendados

    • Manter uma distância segura de no mínimo 1 metro (um braço estendido) em relação a outras pessoas que não fazem parte do convívio diário.

    • Dar preferência à realização de atividades em locais abertos ou garantir a renovação natural do ar, com portas e janelas bem abertas ou sistema de circulação de ar.

    • Completar a vacinação, tomando a primeira e a segunda doses, bem como dose de reforço quando estiver no prazo.

    • Exigir e apresentar comprovante vacinal antes de entrar e para permanecer em quaisquer atividades, como medida de proteção e sensibilização coletivas sobre a importância da vacinação.

    • Fazer teste para Covid-19 antes da participação em atividades com maior aglomeração de pessoas e apresentar o comprovante negativo ao ingressar no local.

    • O ideal é que o teste seja realizado o mais próximo possível da atividade ou evento em que seja obrigatório, no máximo nas 72 horas anteriores.

    • O comprovante negativo a ser apresentado deve ser o de um teste antígeno para Covid com coleta de swab nasal, que pode ser tanto com teste rápido de antígeno ou por exame para Covid-19 por RT-PCR.

  • Macron recebe Lula como chefe de Estado

    Macron recebe Lula como chefe de Estado

    O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido nesta quarta-feira, 17, pelo presidente da França, Emmanuel Macron, com recepção de chefe de Estado, no Palácio dos Elísios, residência oficial do governo francês, em Paris.

    Na pauta, a urgência climática e questões globais como a fome e a pobreza. Também conversaram sobre o futuro da União Europeia e a integração da América Latina.  O encontro acontece no momento em que a relação do governo de Jair Bolsonaro e França está abalada.

    O governo de Macron não dá qualquer validação à política ambiental de Bolsonaro. Ele chegou a vetar o acordo comercial com o Mercosul, falando em ‘crime de ecocídio’ por parte do Brasil.

    Além disso, existe o contencioso pessoal entre os dois presidentes, principalmente pelas grosserias de Bolsonaro à estética da esposa do presidente Macron, professora e primeira-dama da França, Brigitte Marie-Claude Macron.

    Na terça-feira, 16, primeiro dia na França, Lula almoçou com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo. À noite, ele discursou no renomado Instituto de Estudos Políticos de Paris. Lá, ele falou sobre sua visão sobre o papel do Brasil “no mundo de amanhã”.

    Lula recebeu o prêmio Coragem Política, da revista Politique Internationale, em Paris. Mais do que um reconhecimento pessoal, essa é uma homenagem a coragem do povo brasileiro, que ao longo séculos enfrentou com grande determinação a opressão e as injustiças.

    A viagem do ex-presidente pela Europa prevê ainda uma passagem pela Espanha, onde participará de uma conferência e se reunirá com lideranças políticas.

    Fotos de Ricardo Stuckert

  • CPI dos Medicamentos aprova relatório mas não divulga nome das empresas indiciadas por preços abusivos

    CPI dos Medicamentos aprova relatório mas não divulga nome das empresas indiciadas por preços abusivos

    Três laboratórios e 68 farmácias e distribuidoras foram apontadas no relatório final da CPI dos Medicamentos que foi aprovado nesta-terça, 16, pela Assembleia do RS.

    Foram 41 votos a favor e nenhum contra o relatório que pede o indiciamento dessas empresas por praticarem preços abusivos na venda de remedios, aproveitando-se da pandemia.

    O nome das empresas foi mantido em sigilo por decisão do presidente da CPI, deputado Thiago Duarte.

    As investigações da CPI constataram que a venda de medicamentos e insumos de combate à Covid-19 a hospitais tiveram aumentos de até 10 mil por cento.

    O documento será encaminhado ao Ministério Público, para abertura de inquérito que pedirá à Justiça a punição dos réus.

    O vice presidente da presidente da CPI Clair Kuh lembrou que, segundo os representantes de todos os hospitais ouvidos, remédios  foram vendidos por preços abusivos, especialmente no período mais crítico da pandemia.  “Tenho a certeza de que o Parlamento gaúcho cumpriu o seu papel”, destacou.

    Luciana Genro (PSOL) ressaltou a importância do trabalho da CPI, mas. Lamentou que setores estratégicos, como o de medicamentos, fiquem à mercê da ação criminosa de empresas que se aproveitam do desespero de hospitais e cidadãos para colocar os preços lá em cima. “Infelizmente esta é a lógica do capitalismo”, disse a deputada socialista, concluindo que o legislativo cumpriu seu papel de “tentar coibir quando esses abusos criminosos acontecem”.

    Faisal Karam (PSDB), que foi o relator da CPI, explicou que o documento já estava à disposição dos parlamentares, mas que, a pedido do deputado Frederico Antunes (PP), a votação foi postergada na semana passada para que todos pudessem ter acesso ao relatório, podendo consultar inclusive os anexos, no gabinete do deputado Dr. Thiago Duarte, com os nomes das empresas a serem indiciadas.

    Sofia Cavedon (PT) lembrou que a ideia de realização da CPI surgiu na Comissão de Saúde da Casa. Para a parlamentar, todas as oitivas, visitas e documentos que compõem o relatório da CPI são elementos fundamentais para que os setores competentes possam punir os culpados. “Que esse relatório possa ser levado à sério”, defendeu.

    Pepe Vargas (PT) também parabenizou os integrantes da CPI pelo trabalho realizado, que constatou crime contra a economia popular e crime contra a saúde pública. Lembrou que, na semana passada, alguns deputados ficaram preocupados com a lista dos eventuais indiciados, que não teve divulgação pública. “Nenhum parlamentar foi impedido de ter acesso a essa lista, só não foi dada divulgação pública aos nomes”, explicou.

    Pedro Pereira (PSDB) avaliou que foi um ato criminoso o aumento abusivo dos preços dos medicamentos e insumos durante um momento de dor, desespero, sofrimento e morte pela qual passou o povo brasileiro. Parabenizou o trabalho feito pela CPI e disse que é papel da Casa inibir esse tipo de ação.

    Giuseppe Riesgo (Novo) disse que, apesar de reconhecer o trabalho árduo dos colegas da CPI, sua bancada não se sentia confortável de votar favoravelmente ao relatório. Avaliou que não parece adequado que não se indique quem está sendo indiciado, já que os nomes das empresas não foram divulgados publicamente.

    — Todos que estão nessa lista como denunciados têm vendas comprovadas de preços exorbitantes. E a grande maioria de preços acima da tabela CMED (lista de medicamentos comercializados no Brasil com preços de custo) — discursou o deputado Dr. Thiago Duarte (DEM), que presidiu a CPI.

    Durante a investigação, mais de cem gestores de hospitais foram ouvidos pela comissão de inquérito e apontaram preços abusivos de medicamentos. O texto com as sugestões de indiciamentos será levado por um grupo de deputados para os órgãos de investigação, como Ministério Público estadual, Procon, Anvisa e ministérios da Saúde, Justiça e Economia.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa e GZH)

     

     

  • Lula recebe em Paris o prêmio Coragem Política 2021 

    Lula recebe em Paris o prêmio Coragem Política 2021 

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Paris nesta terça-feira, 16, para participar como palestrante durante a conferência sobre o Brasil no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po). A conferência “Qual o lugar do Brasil no mundo de amanhã?” marca os dez anos do título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu da Sciences Po. O ex-presidente foi o primeiro líder latino-americano a receber esse título de uma das instituições mais respeitadas do mundo na área de ciência política e social.

    Na quarta-feira, 17, pela manhã, Lula receberá o prêmio Coragem Política 2021, concedido pela revista Politique Internationale, por sua gestão na Presidência da República, “marcada pelo desejo de promover a igualdade”. A premiação é concedida apenas em ocasiões extraordinárias e entregue quando o conselho da publicação, uma das principais do mundo na área das relações internacionais, reconhece que alguma personalidade se destaca globalmente por sua coragem de pensamento e ação na política.

    Além de premiar sua atuação contra a desigualdade social e racial como presidente do Brasil, a revista aponta a tenacidade do ex-presidente ao enfrentar a perseguição política e judicial, “esforços recompensados com a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular as suas condenações”.

    Parlamento Europeu

    Na segunda-feira, 15, Lula da Silva falou em Bruxelas, na Bélgica, que Jair Bolsonaro “representa uma peça importante da extrema direita mundial”. Acrescentou que as forças progressistas e sociais-democratas do mundo precisam se unir para derrotar a extrema direita. “O mundo precisa de democracia, de paz e não de guerra, precisa de livros e não de armas.”

    Líder nas pesquisas para as eleições de 2022, Lula participou no Parlamento Europeu de um evento organizado pela Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), grupo que reúne eurodeputados sociais-democratas e que controla a segunda maior bancada da Casa.

    Segundo ele, Bolsonaro é uma cópia malfeita de Trump, representa hoje uma peça importante na extrema direita fascista e nazista mundial. “O Brasil não merecia passar pelo que está passando”, disse Lula durante a coletiva, ao lado da eurodeputada espanhola Iratxe García Pérez, que lidera o grupo S&D no Parlamento Europeu.

    “Hoje estou inocente e livre”, continuou Lula. Ele também direcionou críticas ao ex-juiz Sergio Moro, que recentemente também sinalizou que pretende concorrer à Presidência em 2022. Lula afirmou que o ex-magistrado e ex-aliado de Bolsonaro conduziu um “julgamento político” e que Moro já tinha ambições políticas à época dos procedimentos judiciais.

    O ex-presidente Lula chegou dia 11 à Europa, com uma série de eventos e manteve diálogos sobre o cenário atual no mundo e na América Latina. Ele começou sua viagem pela Alemanha e em seguida teve agendas na Bélgica. Hoje está na França e depois vai para Espanha.

    Além dos eventos, o ex-presidente está tendo uma série de reuniões e encontros. Em Berlim, Lula se reuniu com Martin Schulz, ex-líder do Partido Social Democrata (SPD) da Alemanha e ex-presidente do Parlamento Europeu. Já em Paris, Lula se reunirá com a prefeita Anne Hidalgo.

    Crédito foto: Ricardo Stuckert/PT

  • Prévias do PSDB: Dória encerra campanha com entrevista e jantar em Porto Alegre

    Prévias do PSDB: Dória encerra campanha com entrevista e jantar em Porto Alegre

    O governador João Doria encerra sua campanha nas prévias do PSDB no território de seu principal adversário na disputa, o governador Eduardo Leite, do RS.

    Nesta terça-feira, em Porto Alegre, o tucano participará de encontro com a militância e lideranças tucanas gaúchas. E às 18h, concederá entrevista coletiva no Plaza São Rafael Hotel.

    O governador paulista falará de suas propostas para o desenvolvimento do País, com geração de emprego e proteção social, bem como sua visão de futuro para o Brasil.

    Às 19h, no Plaza São Rafael, Doria será recebido em jantar oferecido por lideranças e militância tucanas que o apoiam nas prévias para ser o candidato do PSDB a Presidente da República.

    O Rio Grande do Sul é o 20º estado visitado por João Doria nas prévias do PSDB. Após a agenda na capital gaúcha, Doria retorna a São Paulo.

    Os tucanos definirão, no dia 21 novembro, o candidato do partido que disputará a Presidência da República em 2022. Doria e o governador gaúcho, Eduardo Leite, são os favoritos na disputa. O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre, mas sem chances de vencer.

     

     

  • Lula confirma negociações para ter Geraldo Alkmin como vice em 2022

    Lula confirma negociações para ter Geraldo Alkmin como vice em 2022

    O ex-presidente Lula, pré candidato à presidência pelo PT,  aproveitou uma entrevista no parlamento europeu, nesta segunda-feira (15), para fazer um aceno público ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), cotado nos últimos dias para ser um possível vice-presidente na sua chapa em 2022.

    “Eu tenho uma extraordinária relação de respeito com o Alkmin. Eu fui presidente quando ele foi governador, e nós conversamos muito”, disse Lula. “Não há nada que aconteceu entre eu e o Alckmin que não possa ser reconciliado.”

    Em coletiva de imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica, Lula disse não temer que o tucano, que concorreu contra Lula nas eleições de 2006, o traia, como se costumou a definir a atuação de Michel Temer, vice de Dilma Rousseff (2011-2016), que assumiu seu cargo após um processo de impeachment.

    “O vice é uma pessoa que tem que ser levado muito a sério na relação com o presidente – porque o vice pode ser presidente, e podem acontecer muitas coisas. Depois, ele tem que ser uma pessoa que soma, e não que diverge com o presidente.”

    O que antes era apenas especulação já começa a tomar contornos de uma possibilidade real: uma chapa entre Lula e Geraldo Alckmin na eleição presidencial de 2022.

    As conversas entre lideranças partidárias neste sentido, já noticiadas desde abril, se tornaram destaque na mídia nos últimos dias, confirmadas por Luiz Marinho (PT), presidente do PT paulista.

    “O momento é de conversas, diálogo, construções de pontes. Para o primeiro e o segundo turnos. Assim é a política. Sabemos identificar quem são nossos adversários para a retomada do Brasil da esperança”, disse o petista, que é ex-prefeito de São Bernardo do Campo, ao jornal Diário do Grande ABC.

    Marinho, assim como outros correligionários que têm falado sobre o assunto, porém, procurou ponderar: “Tem muita água para correr sob a ponte das eleições. Aguardemos”.

    Outras lideranças petistas do estado que são próximas a Marinho têm visto a possibilidade de uma aliança entre Lula e Alckmin com bons olhos. “A elaboração de uma chapa desse porte também sinalizaria ao centro político, que é um movimento importante. Sei que ainda estamos no campo da especulação, mas sou simpático a ideia”, afirmou, também ao Diário do Grande ABC, o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira.

    Apesar dos embates políticos do passado, Lula diz que “sempre” gostou do ex-governador e que Alckmin seria “o único tucano que gosta de pobre”.

    Ambos já teriam se encontrado ao menos três vezes este ano para discutir a possibilidade. A maior rejeição de Lula está justamente em São Paulo, estado que Alckmin já governou por 12 anos, em mandatos diferentes. Uma ida do tucano para o PSB seria uma das condições para viabilizar a chapa.

    Alckmin teria dito a aliados que Lula não é uma ameaça à democracia como Bolsonaro e que a “atitude extrema” de estar ao lado dele seria justificada pela oposição ao presidente. A maior dificuldade para o avanço dessas conversas, no entanto, seria o fato de que o ex-governador teria interesse em, mais uma vez, disputar o Palácio dos Bandeirantes.

    De saída do PSDB e flertando com o PSD de Gilberto Kassab, a articulação para que Alckmin fosse candidato a vice na chapa de Lula passaria por sua filiação ao PSB, legenda historicamente aliada ao PT.

    Essas articulações vão ao encontro do que o pré-candidato ao governo de SP, Fernando Haddad (PT), declarou em encontro com trabalhadores da saúde de que, apesar de gostar de Guilherme Boulos (PSOL), os seus programas políticos são distintos e que tem conversado com Alckmin nos últimos tempos.

    Em entrevista recente ao programa Fórum Onze e Meia, o deputado federal José Guimarães (PT-CE) afirmou que existem conversas sendo feitas em São Paulo, mas que ainda é muito cedo para se falar em candidaturas à vice.