Pesquisa e “panelaços” retratam desgaste de Bolsonaro frente a crise

Bolsonoaro e parte da comitiva no jantar com Trump. Foto: Agência Brasil

Já são 23 os integrantes da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos há duas semanas infectadas pelo novo coronavirus.

Entre elas estão seis auxiliares diretos do presidente, além de três ministros.

Bolsonaro, porém, já fez dois testes e, segundo ele, até agora o resultado é negativo. Bolsonaro disse que poderá fazer um segundo teste, se seu médico assim determinar.

Na entrevista coletiva à imprensa na sexta=feira, um repórter perguntou se e ele iria divulgar o laudo médico que  resultou negativo. Bolsonaro ironizou  (“agradeço seu interesse pela minha saúde”) e desconversou.

O jornalista insistiu, ele titubeou para responder e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, se antecipou dizendo que divulgar o laudo é “uma decisão pessoal que o presidente poderá tomar ou não, de a cordo com seu médico”.

Por enquanto, os efeitos do coronavirus em relação a Bolsonaro se restringem à sua popularidade, que vem caindo desde o início por conta do seu comportamento, definido como “errático” na imprensa.

Nesta segunda-feira, por exemplo, houve uma série de trapalhadas em relação à Medida Provisória assinada pelo presidente para amenizar os efeitos da crise na economia e no emprego.

Um dos artigos da MP, que permitia às empresas dispensarem seus empregados por até quatro meses sem pagar salários, provocou  tantas críticas que o presidente se viu obrigado a revogá-lo poucas horas depois.

Ele também minimizou a pandemia, chegando a falar em “histeria” e chamar a Covid 19 de “gripezinha”.

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira, retrata o desgaste que a crise vem causando em sua popularidade.

O desempenho de Bolsonaro em relação à pandemia foi avaliado como ótimo/bom por 35% dos entrevistados na pesquisa, enquanto 33% consideram “ruim ou péssima” sua atuação frente à crise.

O percentual de aprovação é  20 pontos inferior ao desempenho do Ministério da Saúde, com atuação avaliada como ótima/boa por 55%.

Segundo o Datafolha, a avaliação de Bolsonaro também é inferior ao dos governadores no enfrentamento da crise.

Desde o dia 15 de março, quando chegou a incentivar manifestações públicas e abraçou apoiadores, contrariando as recomendações do próprio governo, as redes sociais  refletem o desgaste crescente.

Bolsonaro tentou mudar de postura na semana passada, convocando entrevistas coletivas ao lado dos seus ministros no Palácio do Planalto.

Apareceu com máscara de proteção junto aos seus auxiliares e tentou colar sua imagem às ações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recebe elogios pela atuação da pasta nesta crise.

Outro sintoma desse desgaste são os “panelaços” que há sete dias se repetem no início da noite nas principais cidades brasileiras, acompanhados dos gritos de “fora Bolsonaro”. Na noite desta segunda-feira não foi diferente

Contaminados

Os 23 contaminados que integraram ou tiveram contato com a comitiva de Bolsonaro nos EUA são os seguintes, segundo o G1:

-Marcelo Thomé da Silva de Almeida, presidente da Federação de Indústrias de Rondônia
-Major Mauro César Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente
-Coronel Gustavo Suarez da Silva, diretor adjunto do Departamento de Segurança do GSI
-Filipe Martins, assessor especial da Presidência
-Embaixador Carlos França, chefe do cerimonial da Presidência
-Sergio Segovia, presidente da Apex
-Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia
-Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional
-Daniel Freitas, deputado federal
-Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg)
-Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia
-Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
-Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República
-Nelsinho Trad (PSD-MS), senador
-Nestor Forster, encarregado de negócios do Brasil nos Estados Unidos
-Samy Liberman, secretário Especial Adjunto de Comunicação Social da Presidência
-Francis Suarez, prefeito de Miami
-Sérgio Lima, publicitário que trabalha com a família Bolsonaro na criação do partido Aliança pelo Brasil
-Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro
-Quatro integrantes da equipe de apoio da comitiva

 

 

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