“Cidade lajota” toma mais um espaço da “cidade esponja”

São pouco menos de 250 metros quadrados , na extremidade do parque da Redenção na confluência com a avenida José Bonifácio.

Foi cedido a um posto de gasolina num tempo em que não havia preocupações ambientais, embora alguns “malucos” já falassem em mudanças climáticas.

Depois de décadas e de inúmeras tentativas dos movimentos ambientalistas para removar aquele corpo estranho dali, chegou-se a um acordo e a Petrobras, a última concessionária do espaço, devolveu-o à prefeitura.

Em vez de reincorporá-lo ao parque ou utilizá-lo para alguma atividade relacionada ao parque a prefeitura decidiu novamente concedê-lo para uma atividade comercial.

Resultado: está recebendo uma base de lajotas, para a instalação de contêiners de fast food. É um pequeno terreno triangular num extremo da área, mas a impermeabilização de um espaço do parque da Redenção tem uma conotação simbólica, numa cidade como Porto Alegre, onde o que se recomenda é o conceito da cidade-esponja.

Grupo técnico tem 180 dias para estudar viabilidade do GPS brasileiro

Um grupo de especialistas vai estudar a viabilidade de o Brasil desenvolver seu próprio sistema de geolocalização por satélite, um empreendimento de altíssima complexidade e custo.

O grupo é formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de agências e institutos federais e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil.

Sua tarefa inicial é fazer um diagnostico das eventuais consequências do país depender de sistemas de posicionamento, navegação e tempo controlados por outras nações.

O grupo foi criado no início deste mês, por meio da Resolução nº 33, do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro.

Assinada pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, Marcos Antonio Amaro dos Santos, a resolução estabelece um prazo de 180 dias, contados a partir de 14 de julho, para que o grupo entregue ao ministro um relatório com suas conclusões e sugestões.

“O grupo ainda está se organizando”, explicou nesta segunda-feira (21), em entrevista à Agência Brasil, Rodrigo Leonardi, diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), um dos 14 órgãos e entidades que vão compor o grupo, que poderá convidar representantes de outras instituições aptos a contribuir com os objetivos estratégicos do grupo.

“Vamos procurar entender os gargalos, as dificuldades, os prós e contras de desenvolvermos um sistema destes”, acrescentou Leonardi, destacando a importância dos atuais sistemas de navegação por satélite – dentre os quais, o mais conhecido é o estadunidense GPS (do inglês, Sistema de Posicionamento Global), operado pela Força Espacial dos Estados Unidos.

“No Brasil, historicamente, priorizamos o debate acerca de outros aspectos espaciais, como a necessidade de termos satélites para monitoramento territorial. Agora, vamos discutir se queremos ou não ter nosso próprio sistema de navegação; o investimento necessário para fazê-lo e, se for o caso, a necessidade nacional de ter um sistema global ou um sistema regional, capaz de cobrir todo nosso território.

Qualquer que seja o caso, se o país concluir que deve fazer isso, o patamar de investimentos terá que ser muitas vezes maior que o atualmente investido no programa espacial brasileiro”, concluiu Leonardi, admitindo a complexidade da empreitada, que exige capacidade tecnológica para projetar, fabricar e lançar satélites capazes de transmitir, do espaço para a terra, sinais precisos.
Ruído
O grupo técnico foi criado uma semana antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que, a partir de 1º de agosto, os produtos brasileiros pagarão uma tarifa de 50% para ingressar em território estadunidense.

E duas semanas antes de as redes sociais serem tomadas pelo debate sobre a possibilidade de os Estados Unidos, em caso de uma guerra comercial, desligarem ou restringirem o sinal de seu sistema, o GPS (do inglês, Sistema de Posicionamento Global), para o Brasil.

“Este é um típico caso de ruído surgido nas mídias sociais, capaz de gerar ansiedade. E uma coincidência, porque já vínhamos discutindo o tema há tempos, de maneira que a criação do grupo não teve nenhuma relação com o que aconteceu depois”, afirmou Leonardi.

“Primeiro, porque não houve nenhum comunicado, de nenhuma autoridade norte-americana, sobre a remota possibilidade dos EUA restringirem o uso do GPS no Brasil. Depois porque, mesmo que isso acontecesse – o que seria uma situação muito drástica e improvável – há alternativas ao GPS”, assegurou o diretor da Agência Espacial Brasileira.
GNSS
Segundo Leonardi, a maioria das pessoas erra ao usar a sigla GPS como sinônimo de GNSS, do inglês Sistema Global de Navegação por Satélite, termo correto para se referir a qualquer conjunto (ou constelação) de satélites usado para fornecer serviços de posicionamento, navegação e temporização global.

“O GPS é o sistema de propriedade dos EUA, mas há outros, globais, como o Glonass [russo]; o Galileo [União Europeia] e o BeiDou [ou BDS], da China. Estes têm cobertura global e podem ser utilizados, inclusive, no e pelo Brasil. E há também algumas nações que possuem sistemas regionais, como a Índia [NavlC] e o Japão [Qzss]”, apontou Leonardi.

“Com isso em mente, é lógico cogitar que, em tese, os EUA poderiam degradar ou até mesmo restringir o sinal de seu GPS para determinadas regiões, mas esta seria uma medida tão drástica que, a meu ver, só se justificaria se a segurança nacional dos EUA estivesse sendo ameaçada”, ponderou o diretor da AEB.
“Primeiro porque as empresas estadunidenses que operam no Brasil, como aplicativos de transporte e de entrega, seriam afetadas. Outras nações também seriam prejudicadas, já que não há como limitar o sinal para todo um território sem afetar países fronteiriços. Fora que isso poderia causar acidentes, por exemplo, na aviação civil, custando vidas, inclusive as de norte-americanos. Para não falar das repercussões comerciais, já que outros países se perguntariam se deveriam continuar confiando no sistema norte-americano ou migrar para outros”, apontou Leonardi.

Multiconstelação
Professor da Universidade de Brasília (UnB), onde coordena o Laboratório de Automação e Robótica (Lara), Geovany Araújo Borges, concorda com a avaliação de que, tecnicamente, os EUA poderiam interromper o sinal do GPS ou mesmo tornar o sistema menos eficaz para uma determinada região, mas não crê que isso venha a ocorrer.

“Se fizessem isso sem aviso prévio, os norte-americanos assumiriam o risco de contrariar seus próprios interesses em território brasileiro”, endossou Borges, acrescentando que boa parte dos sistemas e equipamentos eletrônicos modernos são capazes de receber o sinal de mais de um sistema de geolocalização. De maneira geral, os sinais enviados pelos satélites que integram os diferentes sistemas em operação são captados por receptores embutidos em veículos, aeronaves, espaçonaves, navios, munições guiadas de precisão, aplicativos e telefones celulares, além de equipamentos de monitoramento de uso industrial, civil e militar.
“A maioria dos aparelhos celulares, por exemplo, já é multiconstelação, ou seja, é capaz de receber, automaticamente, o sinal de diferentes sistemas. De forma que, em termos de localização, nossos celulares seguiriam funcionando normalmente se deixássemos de receber o sinal do GPS. A mesma lógica vale para muitos outros sistemas [dependente de serviços de posicionamento, navegação e temporização global]: se o sistema de sincronização for redundante, o impacto será limitado”, disse Borges, defendendo a importância de um país dispor de tecnologias próprias neste setor.

Ele lembra que, independentemente das intenções norte-americanas ou de haver alternativas ao GPS, hoje o Brasil depende de outras nações neste que é um campo estratégico.

“Várias áreas perdem com isso. Não só porque um país independente tem que ter um setor de defesa aeroespacial forte, como porque o desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais beneficia outros segmentos, como, por exemplo, a medicina, a indústria e a agropecuária”, comentou o professor, assegurando que o Brasil dispõe de mão de obra qualificada e capacidade de desenvolver, a longo prazo, seu próprio sistema.
“Nosso problema não é RH [recursos humanos]. É dinheiro. Temos pessoal capacitado. A questão é se temos condições de bancar um projeto desta envergadura. Principalmente porque, qualquer coisa neste sentido que comecemos hoje, demorará a vingar. Até mesmo porque alguns países não aceitarão exportar certos componentes essenciais. Então, teremos que, paralelamente, desenvolver nossa indústria de microeletrônica, investir mais em educação básica e assegurar que este projeto seja uma política de Estado. Neste sentido, ainda que tardia, é positiva a criação de um grupo de especialistas para debater o tema”, finalizou Borges.

Saúde: Estratégia do Cuidado Paliativo completa um ano no SUS

Porto Alegre é pioneira, iniciou em 1979. No mundo, foi Londres, em 1960.
Márcia Turcato
A cidade de Porto Alegre é pioneira no Brasil em Cuidados Paliativos, com um serviço funcionando no Hospital de Clínicas desde 1979.

A estratégia do cuidado paliativo tem foco no alívio da dor, no controle de sintomas e no apoio emocional do paciente.
No Brasil, cerca de 600 mil adultos e 34 mil crianças precisam de atenção em saúde que permita a melhora da qualidade de vida daqueles que enfrentam doenças graves, crônicas ou em finitude.
Para atender pacientes nessas condições e também oferecer apoio aos familiares e cuidadores, o Ministério da Saúde lançou em maio de 2024 a Política Nacional de
Cuidados Paliativos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) com a intenção de criar 1,3 mil equipes em todo o território nacional.

Um ano depois do lançamento da política, das 24 unidades da federação, apenas 11 solicitaram capacitação para implementar equipes de cuidados paliativos nas unidades do SUS.

São elas: Amapá, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Pará, Acre, Ceará, Distrito Federal, Maranhão e Mato Grosso.

Os demais estados já oferecem esse atendimento e a Bahia, inclusive, dispõe de um hospital público inteiro para essa finalidade, o Hospital Estadual Mont Serrat, em Salvador, o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente aos cuidados paliativos, inaugurado em janeiro deste ano.
O serviço pioneiro implementado em Porto Alegre foi uma iniciativa da médica anestesiologista e professora Mirian Martelete e começou com o nome de Serviço da
Dor, em 1979 e, em 1983 surgiu o Serviço de Cuidados Paliativos, no Hospital de Clínicas, atendendo pacientes privados, conveniados e do SUS.

Esse serviço especializado também está disponível na Santa Casa de Porto Alegre desde 2013. Aléḿ disso, a Santa Casa passou a oferecer residência médica em cuidados paliativos em 2019.
A ação do Ministério da Saúde, mesmo louvável, é tardia. O Brasil ocupa o penúltimo lugar no ranking de 81 nações que avalia a qualidade da morte de cidadãos.

O projeto do governo federal prevê financiamento de cerca de R$ 900 milhões para custear a criação de cerca de 1,3 mil equipes de assistência em cuidados paliativos em diversos estados.
De acordo com informação da UNESP- Universidade do Estado de São Paulo, a recomendação da Associação Europeia de Cuidados Paliativos é que sejam oferecidos dois serviços especializados a cada grupo de 100.000 habitantes.

No Brasil, a oferta é de um serviço para cada 1,6 milhão de pessoas na rede pública, e um serviço para cada 1,4 milhão na rede privada.
O ranking foi publicado em 2022 no Journal of Pain and Symptom Management e leva em consideração fatores como políticas públicas, qualificação de equipes,
educação da população sobre cuidados paliativos e acesso a medicamentos.

A pesquisa, realizada com base na opinião de 181 especialistas de 81 países, reflete a percepção sobre a oferta de cuidados paliativos no mundo.
Santa Casa
O Serviço de Cuidados Paliativos da Santa Casa atende a todos os hospitais da instituição, incluindo emergência, SUS, convênios e atendimento particular, além de
serviço ambulatorial adulto e pediátrico.

Cerca de 80% dos pacientes são do SUS, encaminhados ao serviço pelos médicos das unidades públicas de saúde. O atendimento conta com equipe multiprofissional especializada, formada por enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, assistentes
sociais, dentistas e assistente espiritual, explica o chefe do setor, o médico intensivista João Luiz de Souza Hopf , formado em 2007 na Universidade de Caxias do Sul, RS, e com especialização em luto.

“O foco do cuidado paliativo não é a doença, é a pessoa”, explica. O atendimento liderado por Hopf realiza avaliação individualizada e humanizada do paciente com doença ameaçadora à vida em todas as suas fases, perinatal, neonatal, pediátrico, adulto e geriátrico.

O médico conta que as pessoas costumam associar cuidado paliativo a enfermidades oncológicas, mas há outros agravos que necessitam dessa atenção, como doença pulmonar crônica, demência, risco gestacional e deficiências que colocam a vida do paciente em risco. “Não abreviamos a vida, mas não prolongamos o sofrimento do paciente”. A psicóloga Francine Rossignolo Londero, da equipe de Hopf, trabalha no Hospital da Criança Santo Antônio, uma das unidades da Santa Casa de Porto Alegre, e explica que a relação do profissional de saúde com o paciente, sua família ou
cuidador, precisa ser humanizada para que se estabeleça um vínculo de afeto e confiança entre as pessoas porque chegará o momento de comunicar um diagnóstico ou um óbito. E alerta, “na dúvida, se você não tem certeza do que vai dizer, não diga nada, apenas escute o que o paciente ou o familiar tem a dizer”.
Todas as quintas-feiras, às 11h, a equipe de Cuidados Paliativos da Santa Casa se reúne para compartilhar experiências e também promover o auto cuidado e
momentos confraternização que ajudam o profissional da saúde a enfrentar a responsabilidade de conviver diariamente com pessoas com quem estabelecem um
vínculo e sabem que, talvez, estejam vivendo o último dia de suas vidas. E como diz o título de um dos livros da médica geriatra especializada em luto, Ana Cláudia
Quintana Arantes, “a morte é um dia que vale a pena viver”.
História
De acordo com a OMS- Organização Mundial da Saúde, em definição de 1990 e atualizada em 2002, “cuidados paliativos consistem na assistência promovida por
uma equipe multidisciplinar e objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares diante de uma doença que ameaça a vida”.

Essa abordagem surgiu como um movimento na década de 1960, em Londres, Inglaterra, com a médica Cicely Saunders que criou o conceito de “dor total”,
abrangendo os aspectos físico, psicológico, social e espiritual.

Ela criou a fundação St. Christopher’s Hospice em Londres. Mas, de fato, ela adotou a abordagem holística
da atenção ao paciente bem antes.

Em 1948, aos 20 anos, quando ainda era enfermeira, Cicely se apaixonou por um paciente com câncer em estágio terminal e passou a dedicar a ele o que agora é
reconhecido como cuidado paliativo. Em 1965, a médica foi agraciada como Oficial da Ordem do Império Britânico. Ela desenvolveu câncer de mama, mas trabalhou até o último dia de sua vida, sendo atendida com cuidados paliativos, e faleceu no St. Christopher’s em 14 de julho de 2005.
Perguntas frequentes (site da Santa Casa)
Cuidado Paliativo é apenas para pacientes com doenças terminais?
Os Cuidados Paliativos, de acordo com definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) editada em 2002, são uma abordagem ou tratamento que melhora a
qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida independente da fase em que a doença se encontra.
Idealmente, esta abordagem deve iniciar no momento do diagnóstico de uma doença grave e acompanhar durante toda sua evolução.
Cuidado Paliativo é apenas para pacientes com câncer?
Ao contrário do que muitos pensam, cuidados paliativos não é só para paciente com doenças oncológicas, mas sim para todo paciente que faz diagnóstico de uma
doença ameaçadora à vida e em qualquer fase da vida.
Cuidado Paliativo tem relação com eutanásia?
A prática de Cuidados Paliativos não significa eutanásia e não tem relação alguma com o trabalho de Cuidados Paliativos. A eutanásia é proibida por lei em nosso país,
sendo considerada crime.
Cuidado Paliativo só é realizado no hospital?
Não, cuidados paliativos podem ser realizados através de atendimento ambulatorial e domiciliar, além do hospitalar.
Quando iniciar acompanhamento com cuidados paliativos?
Em decorrência de uma doença ameaçadora à vida, é indicado iniciar acompanhamento da abordagem de cuidados paliativos o mais precocemente possível em conjunto com o acompanhamento do especialista.

Veneno de cobra para curar câncer? É o que cientistas gaúchos estão pesquisando

Por Márcia Turcato

Veneno de cobra como medicamento para combater o câncer. É exatamente isso que a farmacêutica Elizândra Braganhol está fazendo com a verba de um edital público lançado com o objetivo de desenvolver novas tecnologias no Rio Grande do Sul.

Professora da UFCSPA- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, junto com sua equipe ela realiza bioprospecção em oncologia e também em gastronomia a partir do estudo do veneno de serpentes peçonhentas e de uma planta muito comum no litoral, a salicórnia, conhecida como sal verde ou aspargo do mar.

“Tanto os peptídeos do veneno das cobras como as moléculas da salicórnia têm propriedades medicinais e podem ser utilizadas como princípios ativos de medicamentos. Acredito que, no máximo em dois anos, a pesquisa esteja concluída”, explica a pesquisadora.

Encerrada essa fase, os medicamentos entram em pesquisa clínica mediante aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), quando são testados em pessoas para avaliar níveis de segurança e tolerância.

No momento seguinte, é testada a eficácia do produto. E, se tudo der certo, na sequência os medicamentos são novamente apresentados à Anvisa para aprovação e registro.

“Já sabemos que a salicórnia potencializa a regeneração dos tecidos, ela ajuda na cicatrização, então pode ser utilizada em curativos. E o medicamento obtido do veneno de cobra poderá ser administrado de várias formas, uma delas é o spray nasal”, diz a professora Braganhol, entusiasmada com os rumos da pesquisa, realizada em rede colaborativa com as universidades do Pampa (Unipampa), de Rio Grande (FURG), de Pelotas (UFPEL), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Santa Cruz (Unisc).

A professora da UFCSPA é uma referência em pesquisa oncológica. Ela é  sócia e co-fundadora da BNT Medicine, uma startup que tem o propósito de desenvolver soluções avançadas para o tratamento oncológico e com ampla experiência em biologia celular e molecular e desenvolvimento de modelos pré-clínicos de patologias.

As serpentes utilizadas na pesquisa são onze, 10 delas são da Amazônia e uma é do Rio Grande do Sul, uma jararaca. O trabalho de investigação já confirmou que o veneno tem propriedades anti tumoral, ou seja, pode combater o câncer. O foco do estudo é o tumor cerebral. O uso do veneno de cobra como medicamento para o câncer é inédito no mundo. O que já existe no mercado é o uso do veneno para tratamento da hipertensão arterial.

Poucos sabem que foi em um laboratório brasileiro, em pesquisa com veneno da jararaca, que a indústria farmacêutica desenvolveu o captopril, o remédio mais usado para tratar a hipertensão arterial.

Os venenos são também uma fonte de cobiça pelo potencial de gerar riquezas e, por isso, muitas serpentes do Brasil são vítimas de biopirataria.

“Apesar do risco de letalidade do veneno das serpentes, quando ocorre algum acidente, ele também pode agir como uma rica fonte de moléculas e ser amplamente explorado em relação ao seu potencial terapêutico”, afirma a pesquisadora.

Estratégias de inteligência artificial e ferramentas de nanotecnologia serão utilizadas no trabalho para agilizar o processo e aumentar a seletividade da medicação sobre o tumor. Com a nanotecnologia o medicamento pode ser direcionado exatamente para o local do tumor, otimizando o produto e aumentando a segurança.

Aspargo do mar

A salicórnia é uma planta tolerante à água salgada e faz parte da flora costeira de muitas regiões do Brasil e de outros países de clima ameno. Ela também é conhecida pelos nomes de sal verde, porque acumula o sal existente em áreas marinhas,  e aspargo do mar. A planta tem propriedades antioxidante, antitumoral e diurética e também pode ser utilizada na alimentação.

Essa plantinha é objeto de estudo na rede coordenada pela UFCSPA. A salicórnia tem um metabolismo que permite que ela sobreviva em ambientes adversos, como a zona costeira, que é um lugar de elevada salinidade. “Essa característica da planta despertou nosso interesse e já sabemos que ela tem propriedades terapêuticas para ser aplicada no tratamento do câncer”, explica a pesquisadora Elizândra Braganhol.

A professora da UFCSPA destaca que a pesquisa com a salicórnia se vale da biodiversidade do Rio Grande do Sul, valorizando o recurso existente no estado, o conhecimento científico local e impulsionando a geração de negócios a partir do desenvolvimento de medicamentos e sua colocação no mercado para beneficiar o público que precisa de um tipo específico de tratamento. O propósito do estudo é desenvolver um medicamento anti tumoral e cicatrizante.

Atualmente, para consumo na gastronomia, o aspargo do mar pode ser encontrado em alguns restaurantes do Rio de Janeiro, como o Oteque, o Grado e o Escama e também pode ser entregue a domicílio pela D’Alga. A salicórnia pode ser consumida desidratada, para salpicar nos pratos, e ao natural, como mini aspargos. Ela tem textura crocante, sabor salino e a presença do iodo, combinando muito bem com peixes e frutos do mar.

O projeto de pesquisa da professora Elizândra Bragonhol recebeu o nome de “Saúde, meio ambiente e comunicação: desenvolvendo um modelo de economia sustentável baseado em biotecnologia para a reconstrução do Rio Grande do Sul”. Ela concorreu ao edital da Fapergs*, no âmbito da recuperação do estado em consequência da enchente de 2024, e recebeu R$ 1,5 milhão, suficientes para o desenvolvimento das duas frentes de pesquisa: medicamentos a partir do veneno de cobra e da salicórnia e também para o uso da planta na gastronomia.

Para o desenvolvimento de outras fases do estudo, como a pesquisa clínica, a identificação do meio para o transporte do medicamento (pílula, injetável e/ou aspiração) a professora da UFCSPA conta com recurso do Finep/MCTI**, que também é suficiente para concluir o trabalho. Uma raridade, porque as universidades federais sofreram contingenciamento e a maioria delas reclama da falta de verba. Felizmente não é o caso da UFCAPA, que tem laboratórios equipados, funcionando perfeitamente, e prontos para entregar resultados para a sociedade.

*Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul

**Financiadora de Estudos e Projetos/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

Projeto que facilita licenciamento ambiental: “É o maior retrocesso em 40 anos”

Autolicenciamento para obras de médio porte,  fim da responsabilização por impactos ambientais indiretos e  redução da participação social nos processos de licenciamento – estes são os principais “retrocessos” apontados pelo secretário excecutivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. no projeto da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental

O projeto foi aprovado nesta quarta-feira (22) por larga maioria no Senado. O texto terá que voltar à Câmara Federal, porque foi alterado pelos senadores.

“O texto fragiliza os licenciamentos e traz retrocessos ambientais já rejeitados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse o secretário geral do MMA, em Seminário promovido por organizações a sociedade e pesquisadores na Universidade de Brasília (UnB),  na semana passada, quando o projeto entrou na pauta de votação do Senado.

O projeto, apontado por seus defensores como “um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil”, é alvo de críticas de ambientalistas, que ainda citam o fim de licenças para atividades agropecuárias como outro retrocesso do texto.

Capobianco destacou que o projeto contraria o que foi consolidado pela Constituição no tema da proteção ambiental e citou a criação, pelo projeto, da Licença por Adesão e Compromisso (LAC) que, para o secretário, permite o autolicenciamento com autorizações automáticas.

Para o secretário do MMA, o projeto de lei trará insegurança jurídica porque os licenciamentos via LAC serão questionados na Justiça..

“Temos vários casos em que o Supremo já derrubou leis estaduais que estabeleceram Licenças por Adesão e Compromisso, declarando essas legislações inconstitucionais”, acrescentou.

Capobianco disse ainda que é “absolutamente incompreensível” que o projeto inclua a possibilidade de licenças via LAC para empreendimentos de médios portes e impactos. Ele criticou ainda a ausência de regulação para o setor da mineração. “Terá que haver uma outra lei para regulamentar a mineração. Enquanto isso, vamos ter um vácuo legal”, disse.

Segundo o secretário, o governo tentou no Senado  “minimizar” os efeitos negativos do texto, mas destacou que o tempo é curto, uma vez que o processo foi acelerado. “O tempo para se influenciar é curto”, comentou em sua palestra.

“Esse projeto é o maior retrocesso em 40 anos na legislação ambiental”, segundo  Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atual coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima,

Tramitação

O PL tramitou de forma simultânea nas comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura (CAR) sob as relatorias dos senadores Confúcio Moura (MDB) e Tereza Cristina (PP-MS), com apoio do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).

Participação Social

A redução do papel dos conselhos estaduais, municipais e do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) nos processos de licenciamento  é “muito grave”, segundo João Paulo Capobianco, porque limita a participação social, aumentando o poder do Estado nos processos licitatórios.

Impactos Indiretos

Outro ponto do projeto de lei “absolutamente gravíssimo”, segundo Capobianco, é o que exclui da responsabilidade do empreendimento pelos impactos ambientais indiretos. “O empreendedor não terá nenhuma responsabilidade de adotar medidas para minimizar os impactos indiretos. Nós vamos transferir para o poder público o custo total de se adotar medidas mitigatórias”.

“Vai destravar o Brasil”

Os senadores favoráveis ao projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil argumentam que, atualmente, existem muitas normais contraditórias que dificultam os empreendimentos, sendo necessária uma legislação nacional para unificar e padronizar o processo de licenciamento no país. “Essa lei vai destravar o Brasil”,  disseram senadores que votaram a favor.

Além disso, os parlamentares reclamam que os licenciamentos atuais são burocráticos, demoram anos, e dificultam o desenvolvimento econômico.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse que o país não pode se desenvolver com a morosidade nos licenciamentos ambientais.

Mineração no Pampa: MPF pede anulação da licença de instalação em Lavras do Sul

Em recurso ao TRF 4, o Ministério Público Federal voltou a pedir a  anulação da licença de instalação já concedida ao  projeto Fosfato Três Estradas, para mineração em Lavras do Sul.

O projeto, da empresa Águia Fertilizantes, pretende explorar uma jazida de mais de 100 milhões de toneladas de fosfato, matéria-prima essencial para a produção de adubos e correção do solo, que o Brasil importa.

 

Na divisa entre os municipios de Lavras do Sul e D. Pedrito, a 320 km de Porto Alegre, o projeto Três Estradas abrange uma área de 15 mil hectares

A expectativa é de que sejam produzidas 300 mil toneladas por ano, ou cerca de 15% da demanda do Rio Grande do Sul.

 

A empresa Águia Fertilizantes anunciou investimentos iniciais de cerca de R$ 35 milhões na Fase 1 do projeto, prevista para 18 anos de duração, com geração de 100 empregos diretos na operação.

O projeto foi iniciado em 2011, teve licença de instalação em 2017, mas ainda enfrenta muita resistência de movimentos sociais e ambientalistas, pelo potencial de danos ao meio ambiente e à saúde das comunidades locais.

Em 2021, o MPF já havia recomendado à Fundação Estadual de Proteção Ambiental a anulação da licença concedida ao projeto, “pelas inconsistências apontadas em laudos produzidos por peritos do MPF”.

A recomendação não foi seguida. O MPF, então, abriu um inquérito civil e, no ano seguinte, entrou na Justiça Federal, incluindo as comunidades de agropecuaristas (pequenos criadores e agricultores familiares)  que vivem na região e têm, garantido em lei, o direito de serem ouvidos no processo de licenciamento.

No último dia 22 de outubro, a juíza Aline Cristina Zimmer, da 1ª Vara Federal de Bagé, negou o pedido de nulidade da licença ambiental de instalação, já concedida ao Projeto Fosfato Três Estradas.

A juíza reconheceu a necessidade de estudos complementares sobre pontos técnicos relacionados ao meio ambiente, mas sobre os agropecuaristas considerou que “não era possível concluir que se tratava de uma comunidade tradicional”.

Em seu recurso,  o MPF reitera as deficiências apontadas nos estudos  de impacto ambiental e destaca o direito dos moradores tradicionais da região de serem ouvidos no processo de licenciamento do projeto. “Os povos indígenas e as comunidades tradicionais têm o direito de ser consultados sempre que medidas legislativas ou administrativas possam afetá-los diretamente”.

Há risco que famílias produtoras de alimentos fiquem sem condições de sobreviver no local e de impacto nos muitos rios da região, área conhecida como “berço das águas”, além da perda de vegetação nativa do bioma Pampa, já bastante atingido pelas monoculturas.

Segundo o MapBiomas, anualmente, o Pampa perde em torno de 150 mil hectares de campos nativos por ano, convertidos em lavouras, prioritariamente de soja, ou transformados em áreas de cultivo de eucalipto.

“A criação da mina invade o espaço dos pecuaristas familiares que produzem alimento saudável, além de interferirem nos rios da região com a construção de grandes barragens’”, afirma Vera Colares, integrante da Associação para Grandeza e União de Palmas (AGrUPa).

Ela ressalta que os vários pedidos de audiências públicas no distrito de Três Estradas, em Lavras do Sul, e em Dom Pedrito, não foram atendidos.

“O governo estadual nunca fala com as comunidades afetadas pelos projetos de mineração. Pedimos audiência com o governador e não fomos atendidos. Os empreendedores fizeram algumas reuniões tentando convencer a comunidade das ‘vantagens’ do empreendimento. A mina também atua nas comunidades através das escolas, financiando eventos e artistas, entre outras ações para angariar simpatias e mascarar os efeitos adversos que a mineração causa. Também faz um trabalho com parlamentares de todas as esferas em nível local, estadual e federal, de modo a aprovar a legislação de seu interesse, bem como utilizar recursos públicos para financiar sua atividade que, isso sim, poderiam ser utilizados em atividades que trouxessem desenvolvimento sustentável”, afirma Vera.

No parecer encaminhado à 3a.Turma do Tribunal Regional Federal, que vai julgar o recurso, o procurador Vitor Hugo Gomes da Cunha afirma que “o comprometimento da vida no território por ameaças externas (como a mineração) leva ao adoecimento destas comunidades e coloca em risco a continuação da reprodução desse modo de saber, fazer e viver, colocando em risco (…) também o patrimônio cultural imaterial da vida campeira”.

O procurador ainda registra que “outras instâncias do governo estadual – como a Secretaria de Meio Ambiente e o Conselho Estadual de Direitos Humanos – “já  reconheceram os agropecuaristas familiares de Três Estradas como comunidade tradicional”.

O julgamento do recurso ainda não tem data marcada.

Contemplação de flores, tradição milenar que aquece o turismo na primavera chinesa

A contemplação de flores, uma tradição milenar na China, é o segmento mais ativo da economia do turismo naquele país, nos meses da primavera que lá está começa em março.

Em fevereiro e março, na plataforma Qunar, especializada em serviços de viagens, as buscas por “observação de flores” mais que triplicaram em comparação ao mesmo período de 2024.

A tradição de contemplar flores vem de longe. Acredita-se que, já na Dinastia Tang (618-907), os chineses cultivavam o hábito de ir aos arredores da cidade com amigos e familiares para apreciar as flores e venerar as fadas florais.

Wuhan, capital de Hubei, – que ficou conhecida no mundo inteiro, como a cidade onde a epidemia da covid começou – é famosa por suas cerejeiras em flor e uma das cidades que recebem  milhares de turistas de todo o pais. Eles enfrentam longas filas para entrar no Jardim de Cerejeiras do Lago Leste, onde mais de 10.000 cerejeiras de mais de 60 espécies recepcionam os visitantes com sua fragrância e flores em plena floração.

Desde março, o turismo com tema de flores tem dominado as plataformas de viagens online, com cidades publicando “mapas de flores” para orientar os visitantes e impulsionar as economias locais.

De acordo com os governos locais, 11 atrações de observação de flores em Hubei receberam mais de 5,21 milhões de visitantes desde março, um aumento de 22,69% em relação ao ano passado.

Durante o Festival Qingming, de três dias, entre 4 e 6 de abril, o local panorâmico do Lago Leste recebeu quase 1,17 milhão de visitantes, um aumento de 25,58% em relação a 2024.

Um visitante posa para selfies em um jardim de cerejeiras na Nova Área de Gui’an, província de Guizhou, sudoeste da China, em 25 de março de 2025. (Xinhua/Liu Xu)

 

O jardim de peônias na antiga cidade de Luoyang, com 1.400 anos de idade, na província de Henan, no centro da China, fica lotado de visitantes, alguns dos quais vestidos com trajes tradicionais, uma cena que lembra a Dinastia Tang.

O Jardim Botânico das Ruínas da Cidade das Dinastias Sui e Tang é o local do 42º Festival das Peônias, onde mais de 300.000 peônias de mais de 1.400 variedades recepcionam os visitantes.

Turistas tiram fotos de flores de peônia no Jardim Botânico das Ruínas da Cidade das Dinastias Sui e Tang, em Luoyang, província de Henan, centro da China, em 30 de março de 2025. (Foto de Li Weichao/Xinhua)

 

“Desenvolvemos mais de 200 produtos em 10 categorias com o tema peônias, e as vendas de uma única loja ultrapassaram 20 milhões de yuans no ano passado. Alguns de nossos produtos foram até vendidos para o Canadá”, disse Li Zhaolin, fundadora da loja, que mora no local. Ela observou que, no futuro, desenvolverão mais produtos para vender no mercado internacional, para que mais pessoas se apaixonem pelas peônias de Luoyang.

Esta foto, tirada em 6 de março de 2025, mostra flores de cerejeira no Jardim de Cerejeiras do Lago Leste, em Wuhan, província de Hubei, no centro da China. (Foto de Zhao Jun/Xinhua)

 

Turistas posam para fotos em meio a flores desabrochando no condado de Xuan’en, província de Hubei, centro da China, em 8 de abril de 2025. (Foto de Wang Fajun/Xinhua)

(Com informações da Xinhua).

 

Contemplação de flores aquece o turismo na primavera chinesa

A contemplação de flores, uma tradição milenar na China, é o segmento mais ativo da economia do turismo naquele país, nos meses da primavera que lá está começa em março.

Em fevereiro e março, na plataforma Qunar, especializada em serviços de viagens, as buscas por “observação de flores” mais que triplicaram em comparação ao mesmo período de 2024.

A China tem a tradição de contemplar flores desde os tempos antigos. Acredita-se que, já na Dinastia Tang (618-907), os povos cultivavam o hábito de ir aos arredores da cidade com amigos e familiares para apreciar as flores e venerar as fadas florais.

Wuhan, capital de Hubei, que ficou conhecida no mundo inteiro, como a cidade onde a epidemia da covid começou, é famosa por suas cerejeiras em flor e uma das cidades que recebem  milhares de turistas de todo o pais. Eles enfrentam longas filas para entrar no Jardim de Cerejeiras do Lago Leste, onde mais de 10.000 cerejeiras de mais de 60 espécies recepcionam os visitantes com sua fragrância e flores em plena floração.

Desde março, o turismo com tema de flores tem dominado as plataformas de viagens online, com cidades publicando “mapas de flores” para orientar os visitantes e impulsionar as economias locais.

De acordo com os governos locais, 11 atrações de observação de flores em Hubei receberam mais de 5,21 milhões de visitantes desde março, um aumento de 22,69% em relação ao ano passado.

Durante o Festival Qingming, de três dias, entre 4 e 6 de abril, o local panorâmico do Lago Leste recebeu quase 1,17 milhão de visitantes, um aumento de 25,58% em relação a 2024.

Um visitante posa para selfies em um jardim de cerejeiras na Nova Área de Gui’an, província de Guizhou, sudoeste da China, em 25 de março de 2025. (Xinhua/Liu Xu)

 

O jardim de peônias na antiga cidade de Luoyang, com 1.400 anos de idade, na província de Henan, no centro da China, fica lotado de visitantes, alguns dos quais vestidos com trajes tradicionais, uma cena que lembra a Dinastia Tang.

O Jardim Botânico das Ruínas da Cidade das Dinastias Sui e Tang é o local do 42º Festival das Peônias, onde mais de 300.000 peônias de mais de 1.400 variedades recepcionam os visitantes.

Turistas tiram fotos de flores de peônia no Jardim Botânico das Ruínas da Cidade das Dinastias Sui e Tang, em Luoyang, província de Henan, centro da China, em 30 de março de 2025. (Foto de Li Weichao/Xinhua)

 

“Desenvolvemos mais de 200 produtos em 10 categorias com o tema peônias, e as vendas de uma única loja ultrapassaram 20 milhões de yuans no ano passado. Alguns de nossos produtos foram até vendidos para o Canadá”, disse Li Zhaolin, fundadora da loja, que mora no local. Ela observou que, no futuro, desenvolverão mais produtos para vender no mercado internacional, para que mais pessoas se apaixonem pelas peônias de Luoyang.

Esta foto, tirada em 6 de março de 2025, mostra flores de cerejeira no Jardim de Cerejeiras do Lago Leste, em Wuhan, província de Hubei, no centro da China. (Foto de Zhao Jun/Xinhua)

 

Turistas posam para fotos em meio a flores desabrochando no condado de Xuan’en, província de Hubei, centro da China, em 8 de abril de 2025. (Foto de Wang Fajun/Xinhua)

(Com informações da Xinhua).

 

Audiência Pública sugere travar construções na Lagoa da Conceição

DUDA HAMILTON
A audiência pública sobre a situação ambiental da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, expôs contradições entre pesquisadores, professores, ambientalistas e representantes de órgãos públicos do Estado e município.

Unanimidade, porém, sobre a gravidade do acidente ambiental provocado pelo rompimento, em janeiro de 2021, de uma estação de tratamento de esgotos, de responsabilidade da Casan.

Entre as  sugestões urgentes estão: suspensão de novas licenças ambientais para novos empreendimentos imobiliários; aumento da fiscalização ambiental na região da Lagoa e definição de prazo para que a companhia de saneamento – Casan –  retire a estrutura emergencial instalada há quatro anos no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.

Participaram do encontro na Assembleia Legislativa, lideranças da Lagoa e lideranças ambientais da capital, professores e pesquisadores da UFSC, representantes da Casan, Floram e ministérios públicos Estadual e Federal, que expuseram seus pontos de vista e sugeriram ações para minimizar o desastre ambiental, ocorrido há quatro anos.
Outro encaminhamento importante é de que a empresa de saneamento divulgue, de maneira ampla, os estudos e dados sobre o rompimento da barragem da Estração de tratamento de Esgotos (ETE).

Em consequência desta ruptura, foram despejados na Lagoa da Conceição mais de 100 milhões de litros de matéria orgânica, inundando casas e ruas, como a avenida das Rendeiras.
De forma emergencial, em julho de 2021, foi instalada pela Casan uma tubulação para extravasar o excesso de efluente, evitando assim novos transbordamentos.
Passados quatro anos, a tubulação emergencial continua lá, dentro do Parque Natural das Dunas, sem ação dos governos estadual e municipal.

Segundo a professora do departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, Michele de Sá Dechoum, o lançamento de efluentes nas dunas está impactando a biodiversidade do Parque. “É urgente que se encontre outra solução e que o equipamento emergencial seja retirado do local o mais rápido possível, pois afeta fortemente a fauna e a flora do Parque”.
Na audiência pública foi definida a data de dezembro de 2025 para a Casan solucionar o problema da tubulação emergencial. Mas a Casan, representada pela
gerente de Meio Ambiente, Andreia Senna, não apresentou proposta para a retirada da tubulação antes do final de 2026.
Em nota ao JÁ, a assessoria de imprensa da Companhia informou que a vazão resultante da obra emergencial é variável, sendo mais elevada em períodos de chuvas.

“O custo aproximado até agora desta emergência é de R$ 715 mil e compreende a aquisição e instalação das bombas, o acionamento das bombas, a rede de energia e o emissário de efluente tratado”, diz a nota.

Sobre o gasto mensal, a assessoria respondeu: “O valor é de R$ 21.680,00, basicamente o custo de energia, uma vez que a mão de obra é da própria empresa”.
Lideranças locais afirmam que a ETE, inaugurada em 1988, foi projetada para atender 4 mil habitantes e está defasada. Atualmente vivem na Bacia Hidrográfica
da Lagoa da Conceição mais de 10 mil pessoas. “O cenário é catastrófico”, disse o professor da UFSC, Paulo Horta.

Contaminantes

Outra divergência que resultou na solicitação da audiência foi a divulgação de um estudo detectando nas águas da Lagoa da Conceição altas concentrações de 35 substâncias contaminantes, entre elas antibióticos, anti-
inflamatórios, cafeína e cocaína. Desenvolvido pela equipe da professora Silvani Verruck, da UFSC, o trabalho foi apresentado na audiência, como uma preocupação
emergente, e está baseado em três frentes: Avaliação das contaminantes (já realizado), Resistência a antimicrobianos na água e no pescado e a
Descontaminação da água com o REACQUA – equipamento já testado, capaz de descontaminar a água utilizando um destilador solar.
Em resposta, a Casan informou ainda que todos os relatórios de monitoramento do bombeamento e recuperação de áreas degradadas, realizados pela empresa, são encaminhados à Floram, órgão da Prefeitura Municipal responsável pelo Meio Ambiente.

Na audiência foi solicitada a transparência destes documentos, bem como projetos para solucionar o problema até o final deste ano.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Assembleia Legislativa, o deputado Marquito vê necessidade urgente de retomar os programas de investigação e fiscalização das ligações irregulares da rede pluvial do entorno da Lagoa. “Recebi denúncias, por exemplo, de uma moradora do Canto da Lagoa de que são lançados diretamente efluente sem tratamento na Lagoa da Conceição”.
Nos próximos dias, está prevista uma visita de todos que participaram da mesa da audiência, até os pontos mais críticos da Bacia Hidrográfica da Lagoa e encontrar solução para os problemas que estão fazendo morrer um dos pontos turísticos mais visitados de Florianópolis, a Lagoa da Conceição, de onde muita
gente tira seu sustento.

Encaminhamentos da audiência
*Criação de um grupo de trabalho.
*Visita técnica ao local com autoridades presentes na audiência.
*Debate entre pesquisadores, CASAN e autoridades sobre os impactos do
desastre.
*Pesquisas desenvolvidas sobre o assunto serão apresentadas em reunião  ampliada da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da
Assembleia Legislativa.
*Não liberação de novas licenças da Floram para construção de empreendimentos e aumento da fiscalização ambiental na região.
*Casan deve divulgar de maneira pública os estudos e dados deste incidente e de outros envolvendo a Bacia Hidrográfica da Lagoa.
*Definição de prazo para que a Casan retire a estrutura emergencial do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa.

*Publicação de planos de manejo das unidades de conservação de Florianópolis.
*Instalação de equipamento adequado para a contenção de contaminantes na saída da macrodrenagem do Rio Vermelho.

Pampa ameaçado: Fórum Internacional avalia perdas de campos nativos

O menor e mais ameaçado bioma brasileiro – o Pampa – é o tema do  Fórum Internacional de Meio Ambiente, nos dias 26 e 27 de março, em Porto Alegre.

Em sua 13ª edição, o fórum é organizado pela Associação Riograndense de Imprensa e faz parte da programação dos 90 anos da entidade.

“Bioma Pampa: Clima, conservação e atividades econômicas” reúne ambientalistas, produtores e agentes públicos. Local: Memorial da Assembleia Legislativa do RS.

Na abertura, os pesquisadores Jefferson Simões e Francisco Aquino falam das mudanças climáticas que estão criando novos desafios para o equilíbrio ambiental.

Dois jornalistas, o argentino Gustavo Veiga e o uruguaio Victor Bacchetta, fazem um balanço da situação em seus países.

O Pampa Sul-Americano perdeu 20% de sua vegetação campestre entre 1985 e 2022, segundo levantamento do MAPBiomas com base em imagens de satélite.  São 9,1 milhões de hectares de campos nativos.

O pampa se estende por todo o território uruguaio e parte do argentino, e a porção brasileira corresponde a 17,6 milhões de hectares e representa mais de 60% do Rio Grande do Sul.

A maior perda proporcional de vegetação campestre, ocorreu no Brasil, com 2,9 milhões de hectares – o equivalente a 58 vezes a área do município de Porto Alegre (RS).

Significa que em menos de quatro décadas, houve uma uma perda de 32% da área existente em 1985.

O principal fator dessa mudança é a expansão das áreas agrícolas para o plantio monoculturas – a soja e o eucalipto, cuja área ocupada no RS cresceu mais de 1.500%  em quatro décadas..

Em 1985, a área total ocupada pelos campos no RS era de 9,1 milhões de hectares e reduziu para 6,2 milhões de hectares em 2022.

Para o jornalista João Batista Santafé Aguiar, diretor do Departamento de Política Ambiental da ARI, o Pampa está sob ameaça, “seja pela expansão da agropecuária e silvicultura; pela expansão de projetos de mineração; pela remoção da cobertura vegetal nativa e degradação do solo; pela urbanização e infraestrutura, pois as rodovias fragmentam o habitat natural; e, é claro, pelas mudanças climáticas.”

Além das perdas ambientais, há também perdas econômicas pela expansão indiscriminada das monoculturas. Os produtores de uvas, azeite de oliva e mel, por exemplo, são diretamente prejudicados pelo uso maciço de herbicidas “que contém o composto 2,4-D, um dos componentes do agente laranja, usado como desfolhante na guerra do Vietnã e, lamentavelmente, nas nossas lavouras de soja”, como explica a jornalista Daniela Sallet, vice-diretora de Meio Ambiente da ARI.

Inscrições gratuitas: fima.org.br.

PROGRAMAÇÃO

26/3/2025 – quarta-feira

10H: “Clima: história e impacto das mudanças no Pampa”

13h30min — Atuação da URCAMP em prol do Pampa

  • Guilherme Collares, Pró-Reitor de Pesquisa, Extensão e Inovação da URCAMP – Centro Universitário da Região da Campanha / Fundação Átila Taborda

14h – Painel I – Panorama para a regularização ambiental no Pampa para os próximos anos

  • José Nunes — Mediador — Jornalista, Presidente da ARI
  • Domingos Velho Lopes — Diretor Vice-Presidente da FARSUL.
  •  — “Conquistas para o desenvolvimento sustentável do Bioma Pampa”
  • Patrícia Maldaner Cibils — Procuradora do Estado do RS — “Bioma Pampa e Reserva Legal”
  • Alexandre Krob — Coordenador Técnico do Instituto Curicaca — “As cicatrizes feitas no Pampa pela omissão pública com o Cadastro Ambiental Rural”
  • Rodrigo Dutra — Chefe da Divisão de Fiscalização Ambiental do IBAMA RS – “A importância do Programa de Regularização Ambiental para o RS”

15h30 – Painel II – O potencial da pecuária no Pampa: preservação e recuperação ambiental, geração de renda e produção de alimentos

  • Luiz Adolfo Lino de Souza — Mediador — Jornalista – Presidente do Conselho Deliberativo da ARI
  • Angela Escosteguy – Médica Veterinária — IBEM – Instituto do Bem-Estar “A importância da Pecuária no Pampa”
  • Valério Pillar – Professor da UFRGS / Rede Campos Sulinos – “Bioma Pampa: origens e ameaças à sua biodiversidade”
  • Miguel Guedes —Engenheiro Agrônomo / Fazenda São Miguel, Mostardas, RS — “Pecuária Regenerativa no Pampa: sistema intensivo a pasto com melhoramento do campo nativo

27/3/2025 – quinta-feira 

9h – Painel III  “Projetos e práticas que interferem na conservação do Pampa”

  • Luiza Chomenko – Mediação – Bióloga
  • Adriano Severo Figueiró – Professor da UFSM – “Projetos de (Des)Envolvimento para o Pampa Brasileiro: Ameaças e Resistências”. 
  • Marcos Borba – Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Sul — Bagé, RS — Agroecologia, Redes e Território: a pecuária familiar e a conservação do Pampa”
  • Marcia Colares – coordenadora do grupo UPP Camaquã – União Pela Preservação do Rio Camaquã. “Histórico da luta contra a mineração e panorama das ações na área ambiental no território”.
  • Vera Colares – presidente da Associação para Grandeza e União de Palmas -AGrUPa – “Pecuária familiar para preservação do Pampa.
  • Participação Especial do Cineasta Rogério Atama Rodrigues, da Atama Filmes, diretor do filme “Sobreviventes do Pampa“, comentando o lançamento da obra.

13h30min – Painel IV – “O Pampa nos meios de comunicação

  • João Batista Santafé Aguiar – Mediador – Jornalista – Diretor de Meio Ambiente da ARI e editor do AgirAzul.com
  • Sérgio Roberto Pereira da Silva – Jornalilsta – Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental UFRGS/CNPQ “Apontamentos sobre a cobertura midiática acerca do Bioma Pampa”. 
  • Gustavo Veiga – Jornalista (Argentina) – Página 12 – Buenos Aires –  “A cobertura ambiental na imprensa argentina “ 
  • Nilson Correa – Empresário e Jornalista – Editor do jornal Folha do Sul
  • Victor L. Bacchetta – Jornalista (Uruguai) – El Zumbido – Montevideo – “Extrativismo no Pampa e os meios de comunicação”.

15h30min– Painel V –  “Potencial Turístico e Comercial do Pampa

  • Magali Schmitt –  Mediadora – Jornalista – Diretora da ARI e assessora do Comitesinos
  • Ana Maria Moreira Marchesan – procuradora de Justiça / MPRS – “Patrimônio Cultural no Pampa
  • Renato Fernandes–  presidente  do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) – “O futuro da olivicultura no Brasil” 
  • Patricia de Freitas Ferreira – Comitê Gestor do Geoparque de Caçapava do Sul“Geoparque Caçapava: conhecer para valorizar e cuidar.”
  • Gabriela Hermann Potter – Produtora rural e empresária –  “Vinícola Guatambu: valorizando o Bioma Pampa por meio do Vinho, do Turismo e da Sustentabilidade

— Veja minibio dos palestrantes e painelistas

— Transmissão ao vivo pelo Canal da ARI no YouTube

Local: Memorial da Assembleia Legislativa do RS.