Banco do Brics financia construção do primeiro “hospital inteligente” do SUS; serão 14 em rede

O presidente da República Lula assinou nesta quarta-feira, 7/01, em Brasília, um contrato de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com o Novo Banco de Desenvolvimento (o “banco do Brics”) para a construção do “primeiro hospital inteligente do SUS”, segundo o ministro da Saúde.

Trata-se do “Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente” (ITMI), que terá ainda R$ 110 milhões do governo federal e R$ 55 milhões do Estado de São Paulo, num investimento total de R$ 1,9 bilhão.

Concebido para ser referência nacional e modelo de assistência em saúde totalmente digital para os países do BRICS, o hospital em São Paulo (SP) usará inteligência artificial, telemedicina e conectividade integrada.

O ITMI faz parte da “Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes”, que prevê investimento de R$ 4,8 bilhões e 14 unidades interligadas.

O projeto foi apresentado no Palácio do Planalto com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff,  que atualmente preside o NDB, Banco do BRICS.

Na cerimônia, Lula disse que “precisamos garantir que o povo mais humilde seja visto. É para eles que governamos e temos que melhorar a saúde. Todos precisam ter o mesmo acesso à mais alta tecnologia, ao melhor atendimento”.

Com inauguração prevista para 2029,  ITMI atenderá com foco em urgência e emergência, assistência especializada em medicina de emergência, terapia intensiva e neurologia. Serão 800 leitos: 250 de emergência, 350 unidades de UTI e 200 de enfermaria em geral, com capacidade para tratar cerca de 190 mil pacientes internados anualmente. Também estão previstas 25 salas cirúrgicas para a realização de 27 mil cirurgias por ano.
“Hoje damos um passo histórico para o SUS, colocando-o na nova fronteira tecnológica da saúde mundial. Com esse investimento, a população terá acesso ao que há de mais moderno em tecnologia da informação e inteligência artificial, capazes de acelerar diagnósticos, monitorar pacientes à distância e tornar o atendimento mais eficiente”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Viabilizado em tempo recorde, o financiamento foi garantido após articulações do Ministério da Saúde junto ao NDB, e autorização concedida, após aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX), do Ministério do Planejamento e Orçamento, em apenas seis meses. Isso representa uma redução de quatro vezes do prazo médio desse tipo de processo.
Dilma Rousseff destacou a importância da parceria tecnológica em saúde com China e Índia. Para ela, é fundamental que o Brasil compartilhe com os demais países do bloco suas experiências com a inovação em saúde. “Por estar na América Latina, esse hospital vai atrair a atenção de todos os outros países. Ele é uma construção muito pensada e tem uma escala compatível com sua ambição. A oferta de 800 novos leitos é bastante significativa para um projeto-piloto. Os novos projetos do BRICS serão baseados nele”, destacou.
Tecnologia para o SUS
O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente também abrigará um Centro Nacional para Pesquisa Translacional e Inovação com foco em medicina de precisão, ciência de dados em saúde, algoritmos clínicos, validação de dispositivos médicos e avanços tecnológicos.
(Com informações do Ministério da Saúde)

Moisés Barboza vai presidir a Câmara de Porto Alegre em 2026

Moisés Barboza, do PSDB,  conhecido como o “Maluco do Bem”, será o presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre em 2026.  E eleito na sessão desta segunda-feira (15/12), tomará posse no dia 5 de janeiro.

Barboza está em seu terceiro mandato e é vice-presidente no atual mandato. É presidente do PSDB em Porto Alegre, em segundo mandato. Natural de São Borja, tem 47 anos, é casado e tem dois filhos. Estudou na Escola Técnica de Agricultura (ETA) em Viamão e formou-se em Gestão Pública. É oficial R2 de Infantaria e líder da rede de ação social Malucos do Bem.

Mesa Diretora do próximo ano
(Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA )

A chapa única para a Mesa Diretora de 2026 recebeu 34 votos favoráveis. Os seguintes parlamentares serão integrantes da Mesa:

Moisés Barboza (PSDB, presidente);

Giovane Byl (Podemos, 1º vice-presidente);

Fernanda Barth (PL, 2ª vice-presidente);

Rafael Fleck (MDB, 1º secretário);

Ramiro Rosário (Novo, 2º secretário);

Aldacir Oliboni (PT, 3º secretário);

Roberto Robaina (PSOL, 4º secretário).

Esta será a primeira vez que Moisés Barboza irá presidir o Legislativo. Atual vice-presidente da Câmara, ele está em seu terceiro mandato consecutivo como vereador da Capital.

Ministro diz que Lula pediu “rigor absoluto” na fiscalização das concessionárias de energia

Em nota emitida no domingo (14) o Ministério de Minas e Energia, advertiu a Enel de que poderá perder a concessão no estado de São Paulo se “não cumprir as obrigações previstas em contrato”.

“O Governo do Brasil não tolerará falhas reiteradas, interrupções prolongadas ou qualquer desrespeito à população, especialmente em um serviço essencial como o fornecimento de energia elétrica”, diz a nota.

O “rigor absoluto na fiscalização e na garantia da qualidade dos serviços de distribuição de energia elétrica” é “uma determinação do presidente Lula”,  segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O ministro afirmou que, desde 2023, vem alertando a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre problemas recorrentes na atuação da Enel e cobrando fiscalização rigorosa. E mencionou o Decreto nº 12.068, de 2024, que endureceu as regras de fiscalização das distribuidoras de energia elétrica em todo o país, com contratos mais severos e exigentes quanto à qualidade do serviço prestado aos consumidores.

A nota do Ministério foi motivada pela demora no restabelecimento da energia elétrica após a passagem de um ciclone extratropical pelo Estado.

No dia do ciclone, na quarta-feira (10), cerca de 2,2 milhões de clientes ficaram sem energia. Os ventos, que chegaram a 98km/h em algumas regiões, derrubaram mais de 300 árvores. Muitas delas caíram sobre a rede de fios, destruindo cabos e postes.  Nesta segunda-feira, cinco dias depois dos eventos, ainda há mais de 60 mil clientes sem energia em São Paulo.

Em comunicado aos consumidores, a Enel disse que a energia foi restabelecida neste domingo para 99% dos clientes da companhia.

No Rio Grande do Sul, ao final de uma CPI, o deputado Miguel Rossetto (PT)encaminhou ao Ministério Público Federaldo Sul um pedido formal de investigação sobre as conjunto de denúncias envolvendo a CEEE Equatorial.

A solicitação foi acompanhada da Declaração de Voto apresentada por Rossetto ao final dos trabalhos da CPI, na qual defende a cassação da concessão da empresa por má gestão e descumprimento contratual.

Rossetto explicou que as informações reunidas pela CPI revelam “um quadro de degradação sistêmica do serviço, com impacto direto sobre milhões de consumidores gaúchos”.

Entre os elementos que justificam a atuação do MPF, o deputado apontou:

– Não atendimento de conjuntos elétricos e repactuação de metas, resultando na redução de exigências originalmente pactuadas com a agência reguladora.

– Cálculo excessivo e pouco transparente dos expurgos, mecanismo que exclui interrupções elétricas das metas de qualidade e que teria sido utilizado de forma a mascarar a real piora do serviço.

– Fraudes em certificados de qualificação e treinamento de trabalhadores, apontadas como fator relacionado a acidentes graves, incluindo casos fatais.

– Cobranças indevidas a consumidores vulneráveis, como o chamado “golpe do poste”, prática usada para impor valores indevidos sobretudo às populações mais pobres.

No documento entregue ao MPF, o deputado também faz referência ao precedente nacional envolvendo a Enel Distribuição São Paulo, caso em que o Tribunal de Contas da União recomendou à ANEEL a avaliação de intervenção administrativa devido a irregularidades semelhantes às identificadas pela CPI na CEEE Equatorial.

A Equatorial é uma  holding brasileira conhecida por reestruturar empresas de energia deficitárias e operar em vários estados brasileiros, como MA, PA, PI, AL, RS (CEEE-D) e GO. 

A Enel é uma multinacional italiana uma das maiores do setor elétrico global, atuando em geração, distribuição, comercialização e energias renováveis, com forte presença no Brasil, onde controla a antiga Eletropaulo em São Paulo e outras distribuidoras. Tem capital aberto mas é controlada pelo governo italiano.

Em retaliação ao governo, oposição derruba vetos de Lula e restabelece o “PL da Devastação”.

Em votação conjunta no Congresso Nacional, nesta quinta-feira (27), foram derrubados  os vetos do presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025),  o chamado  “PL da Devastação”.

Aconteceu o que as organizações de defesa ambiental temiam: a reabilitação dos dispositivos que autorizam autolicenciamento amplo, emissão automática de licenças e execução de grandes obras sem estudos ambientais.

Também ficaram em risco direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Eles podem ser ignorados nos processos de licenciamento caso seus territórios ainda não estejam demarcados ou titulados.

A restauração do texto original, segundo os ambientalistas, permite que estados e municípios definam sozinhos os empreendimentos que podem ser licenciados automaticamente, sem análise prévia de impactos.

Obras em áreas sensíveis da Amazônia, como estradas e hidrovias, podem avançar sem salvaguardas, ampliar emissões de gases do efeito estufa, contrariando os compromissos defendidos pelo Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

“A derrubada dos vetos é um ataque aos fundamentos da nossa política ambiental, conflitando com tudo o que o país defendeu na COP30. Colegiados como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o próprio papel regulamentar da União ficam esvaziados”, afirmou Suely Araújo, do Observatório do Clima.
As entidades classificam a votação como o maior retrocesso ambiental em 40 anos.

“A  derrubada dos vetos pode nos levar ao precipício ambiental e climático, com mais desastres como os de Mariana e de Brumadinho”, disse Mauricio Guetta, da Avaaz.
“Derrubar os vetos significa ignorar a ciência, ampliar a insegurança jurídica e fragilizar a governança ambiental do país”, segundo Clarissa Presotti, do WWF-Brasil.

Para as organizações, manter os vetos era essencial para evitar insegurança jurídica, conflitos socioambientais e impactos climáticos irreversíveis, além de garantir coerência com a agenda internacional apresentada pelo Brasil em Belém.

Segundo Natalia Figueiredo, da Proteção Animal Mundial, “as incontáveis perdas à nossa biodiversidade promovidas por essa derrubada serão responsabilidade dos legisladores”.

PL da Devastação

A lei com novas regras de licenciamento ambiental foi aprovada na Câmara dos Deputados em julho deste ano, incorporando 29 emendas do Senado ao Projeto de Lei nº 15.190, e contava com apoio do agronegócio e de setores empresariais.

No dia 8 de agosto, o presidente Lula sancionou o projeto de lei com 63 vetos, convencido de que as medidas garantiriam “proteção ambiental e segurança jurídica”.

No mesmo dia, também foi assinada a Medida Provisória  1.308, para permitir licenciamento simplificado de projetos e obras consideradas “estratégicas” pelo governo. Ambientalistas criticam a MP por entender que ela cria atalhos para empreendimentos como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a pavimentação de estradas e a liberação de outros projetos que passariam a ser aprovados por decisão meramente política.

No dia 18 de setembro, o Observatório do Clima publicou um levantamento que identificou 833 emendas do Congresso à MP. Cerca de 75% das propostas retomam dispositivos rejeitados pelo presidente Lula e 80% representam retrocessos ambientais.

Para a instituição, a estratégia permite usar a MP como atalho para reconstruir integralmente o “PL da Devastação” e incluir novos dispositivos sem debate público ou controle social.

 

Pedimos ao ChatGPT uma avaliação da COP30; veja o resumo que ele fez

A COP30 lançou um chamado histórico para que a humanidade se una em um “mutirão” contra as mudanças climáticas.

Houve aprovação de um pacote ambicioso de decisões para fortalecer a implementação do Acordo de Paris, com foco em mitigação, adaptação, finanças, tecnologia e capacitação.

Foi aprovada a triplicação do financiamento para adaptação das populações mais vulneráveis.

Também foi lançado um programa de trabalho de dois anos para tornar mais previsíveis os recursos públicos para países em desenvolvimento.

No aspecto financeiro, discutiu-se uma reforma para mobilizar capital privado e público.
Avançou a criação de princípios para “interoperabilidade de taxonomias” sustentáveis — para alinhar padrões financeiros sustentáveis entre países.

Transição justa 

Criação do Mecanismo de Belém para Transição Justa, para apoiar países na transição para economias sustentáveis de forma inclusiva.
Reconhecimento da necessidade de que a transição energética leve em conta justiça social, inclusão de comunidades vulneráveis, povos indígenas, e governos subnacionais.
Foram adotados “indicadores voluntários” para medir o progresso na construção de resiliência, dentro da meta global de adaptação.

Lançamento do Global Implementation Accelerator (“Acelerador Global de Implementação”): focado em ações de alto impacto, como redução de metano, remoção de carbono com soluções baseadas na natureza, energia renovável, baterias, digitalização, entre outras.
Criação do Technology Implementation Program (TIP): para apoiar países em desenvolvimento na implementação de tecnologias priorizadas para a ação climática.
Inclusão social e justiça climática

A COP30 reforçou a participação de mulheres, povos indígenas e comunidades afrodescendentes nas decisões climáticas.
Também reconheceu o papel fundamental de governos subnacionais (estados, cidades) no combate às mudanças climáticas.
Foi adotado um novo Plano de Ação de Gênero & Clima, para aumentar a influência das mulheres nas políticas climáticas.
Florestas e biodiversidade

A COP30 colocou uma ênfase especial na Amazônia,  reforçando a conexão entre natureza (florestas, biodiversidade) e clima.

Um dos processos anunciados foi o desenvolvimento de um “Roadmap Florestal e Climático” para deter e reverter o desmatamento.
Saúde e clima

A COP30 integrou a saúde na agenda climática, destacando impactos como doenças respiratórias, insegurança alimentar, saúde mental e acesso à água.

Reconhecimento de que a crise climática demanda uma abordagem de saúde pública, especialmente para populações vulneráveis.]

Apesar dos avanços, a transição dos combustíveis fósseis não teve um consenso claro: não foi acordado um plano global vinculante para eliminação rápida de combustíveis fósseis.

A meta de financiamento ainda é objeto de tensão: países em desenvolvimento pressionam por recursos mais previsíveis e robustos.

Progressos foram limitados em metano: ainda que alguns países tenham compromisso voluntário para reduzir metano, a cobertura não é global e há falta de medidas vinculantes.

Tensões geopolíticas permanecem, especialmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, o que dificulta acordos mais ambiciosos.

Em síntese, a COP30 representa uma virada simbólica, com um novo momento de mobilização global (“mutirão”) para transformar compromissos climáticos em ação concreta.
Há avanços importantes em financiamento climático, especialmente para adaptação, e em mecanismos para uma transição justa.
No entanto, não houve uma decisão firme e unificada sobre o fim dos combustíveis fósseis, o que mostra limites nas negociações.
A conferência reforçou a importância da justiça climática, da participação social (mulheres, indígenas, governos locais) e da conexão entre meio ambiente, saúde e desenvolvimento.

COP30 começa com muita expectativa mas ainda longe da meta para conter aquecimento global

Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035. Mas a maioria ainda está longe do necessário para conter o aquecimento global. Apenas dois – China e Nova Zelândia – têm planos compatíveis com o limite de 1,5°C, e quase 90 países sequer apresentaram novos compromissos.

No domingo, véspera do início oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, divulgou sua décima e última carta à comunidade internacional, chamando os países para “um ciclo de ação” no enfrentamento da crise climática global. “Estamos concluindo um ciclo de palavras, para que o mundo abra um ciclo de ação”, disse o embaixador, que é o “presidente designado” da conferência.

Na carta, ele relembrou a trajetória de discussões sobre a crise climática, iniciadas com a ECO-92, no Rio de Janeiro. “Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, escreveu

Corrêa do Lago fez um resumo das cartas anteriores, nas quais foram delineadas as prioridades centrais para a COP30: reforçar o multilateralismo e o regime climático; conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real; e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

Na carta, o embaixador conclamou as nações e os diversos atores a estarem “conscientes do privilégio e da oportunidade de transformar as negociações de um fórum de debate adversarial em um laboratório de soluções” — um mutirão global pelo progresso compartilhado”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (10), tem início as negociações da COP 30, que girarão em torno das definições das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). As NDCs são metas de mitigação, ou seja, compromissos adotados pelos países para redução de emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

Até o momento 79 países já divulgaram suas NDCs. Eles são responsáveis por 64% das emissões. Os 118 restantes, são responsáveis por 36%. A expectativa é que a agenda de mitigação da crise climática avance com ações mais concretas de financiamento dos países em desenvolvimento.

COP30 começa com muita expectativa mas ainda longe da meta para conter aquecimento global

Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035. Mas a maioria ainda está longe do necessário para conter o aquecimento global. Apenas dois – China e Nova Zelândia – têm planos compatíveis com o limite de 1,5°C, e quase 90 países sequer apresentaram novos compromissos.

No domingo, véspera do início oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, divulgou sua décima e última carta à comunidade internacional, chamando os países para “um ciclo de ação” no enfrentamento da crise climática global. “Estamos concluindo um ciclo de palavras, para que o mundo abra um ciclo de ação”, disse o embaixador, que é o “presidente designado” da conferência.

Na carta, ele relembrou a trajetória de discussões sobre a crise climática, iniciadas com a ECO-92, no Rio de Janeiro. “Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, escreveu

Corrêa do Lago fez um resumo das cartas anteriores, nas quais foram delineadas as prioridades centrais para a COP30: reforçar o multilateralismo e o regime climático; conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real; e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

Na carta, o embaixador conclamou as nações e os diversos atores a estarem “conscientes do privilégio e da oportunidade de transformar as negociações de um fórum de debate adversarial em um laboratório de soluções” — um mutirão global pelo progresso compartilhado”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (10), tem início as negociações da COP 30, que girarão em torno das definições das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). As NDCs são metas de mitigação, ou seja, compromissos adotados pelos países para redução de emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

Até o momento 79 países já divulgaram suas NDCs. Eles são responsáveis por 64% das emissões. Os 118 restantes, são responsáveis por 36%. A expectativa é que a agenda de mitigação da crise climática avance com ações mais concretas de financiamento dos países em desenvolvimento.

COP30 começa com muita expectativa mas ainda longe da meta para conter aquecimento global

Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035. Mas a maioria ainda está longe do necessário para conter o aquecimento global. Apenas dois – China e Nova Zelândia – têm planos compatíveis com o limite de 1,5°C, e quase 90 países sequer apresentaram novos compromissos.

No domingo, véspera do início oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, divulgou sua décima e última carta à comunidade internacional, chamando os países para “um ciclo de ação” no enfrentamento da crise climática global. “Estamos concluindo um ciclo de palavras, para que o mundo abra um ciclo de ação”, disse o embaixador, que é o “presidente designado” da conferência.

Na carta, ele relembrou a trajetória de discussões sobre a crise climática, iniciadas com a ECO-92, no Rio de Janeiro. “Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, escreveu

Corrêa do Lago fez um resumo das cartas anteriores, nas quais foram delineadas as prioridades centrais para a COP30: reforçar o multilateralismo e o regime climático; conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real; e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

Na carta, o embaixador conclamou as nações e os diversos atores a estarem “conscientes do privilégio e da oportunidade de transformar as negociações de um fórum de debate adversarial em um laboratório de soluções” — um mutirão global pelo progresso compartilhado”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (10), tem início as negociações da COP 30, que girarão em torno das definições das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). As NDCs são metas de mitigação, ou seja, compromissos adotados pelos países para redução de emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

Até o momento 79 países já divulgaram suas NDCs. Eles são responsáveis por 64% das emissões. Os 118 restantes, são responsáveis por 36%. A expectativa é que a agenda de mitigação da crise climática avance com ações mais concretas de financiamento dos países em desenvolvimento.

Professora da UFRGS vai ser a voz do pampa na COP 30 em Belém

Márcia Turcato

Tatiana Mora Kuplich, tecnologista da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, é a mulher que vai falar sobre o bioma Pampa em evento no âmbito da COP 30, a conferência internacional sobre mudanças climáticas, em Belém, de 10 a 21 de novembro.

A fala de Tatiana, “Mudanças Climáticas e a Resiliência dos Biomas”, será no dia 12 de novembro, no Museu Emílio Goeldi, a convite do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Graduada em Biologia pela UFRGS- Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doutora e professora da UFRGS na pós graduação em Sensoriamento Remoto, Tatiana acumula conhecimento sobre o Pampa gaúcho, que tem uma área total de 194 mil km quadrados. No Pampa vive uma população de 6 milhões de pessoas e a perda da vegetação nativa já chega a 60%.

O pampa ocupa 69% da área do Rio Grande do Sul e apenas 2,3% do Brasil. No entanto, concentra 9% da biodiversidade do país, abrigando 12.500 espécies da fauna, da flora, bactérias e fungos. Deste total, 622 espécies estão criticamente ameaçadas de extinção.

As monoculturas são responsáveis pela supressão do campo nativo, como as lavouras de soja de arroz e a silvicultura, a de eucalipto para uso na construção civil, por exemplo. “Mesmo assim”, explica Tatiana, “o Pampa consegue manter suas características”.

A Lei nº 14.876, sancionada em 2024 pelo governo federal, retirou a silvicultura da lista de atividades de risco ambiental. Desse modo, a área utilizada para plantar eucalipto, ou outra vegetação exótica, não precisa passar por estudo de impacto ambiental nem por licenciamento, ampliando a vulnerabilidade do bioma.

Um fato alarmante e que ilustra o alerta da especialista, é que a partir do cruzamento dos dados da supressão de vegetação nativa detectado pelo sistema Prodes/INPE no bioma Pampa, entre 2018 e 2022, e as bases de dados emitidas pelos órgãos ambientais na esfera estadual e pelo Ibama, federal, observa-se que 94% da perda da vegetação do bioma  ocorreu sem autorização do órgão ambiental responsável. Esses dados indicam que o Pampa seja, possivelmente, o bioma brasileiro mais ameaçado na atualidade. Apesar do cenário sinistro, o objetivo do governo federal é alcançar a meta de desmatamento zero até 2030, conforme estabelece o Decreto Federal Nº 11.367 de 01 janeiro de 2023.

“As áreas agrícolas são mal manejadas, os rios são assoreados”, diz Tatiana. E explica: “se houvesse preservação, a inundação no Rio Grande do Sul não teria acontecido na proporção que vimos em 2024. Além disso, o bioma armazena gás carbônico no solo, que é um processo conhecido como sequestro de carbono, melhora a fertilidade e estrutura do solo, criando um ambiente mais resiliente e sustentável”. E conclui: “o cenário atual mostra que não estamos cuidando do Pampa, precisamos de mais unidades de conservação e de maior fiscalização”.

Unidades de conservação

Em parte, a supressão da vegetação nativa do Pampa pode ser explicada pelo fato do Rio Grande do Sul ter apenas 49 Unidades de Conservação (UCs), elas integram o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), que abrange UCs federais, estaduais, municipais e particulares do bioma Pampa. Esta é a região brasileira com a menor cobertura por UCs, protegendo apenas 3,03% de sua área. Vulnerável, o Pampa fica exposto a eventuais fraudes, como a declaração de Área Rural Consolidada, que dispensa a preservação de 20% da vegetação nativa, como determina a legislação.

Em 2023 a supressão de vegetação nativa do bioma Pampa foi de 654,58 km quadrados, o equivalente a 65.400 campos de futebol, conforme mostra mapeamento feito pelo INPE. No acumulado de 2001 a 2023, a supressão foi de 114.164,65 km quadrados, ou 11,4 milhões de campos de futebol. O Pampa tem 11 sistemas ecológicos identificados: campo arbustivo, campo com areias, campo de barba-de-bode, campo de espirilos, campo de solos rasos, campo graminoso, campo litorâneo, sub-montano atlântico, floresta de araucária, floresta subtropical costeira e floresta subtropical interior.

O bioma Pampa existe há dezenas de milhares de anos, é típico do Rio Grande do Sul, e se estende ao Uruguai e também à Argentina. “É um bioma que convive muito bem com o pastejo do gado. Na região há propriedades rurais familiares com criação de gado, e isso é típico, o modo de vida de centenas de pessoas não prejudica o bioma”,  diz Tatiana, e explica: “este modo de vida pampeano precisa ser olhado com cuidado e ser respeitado. O Pampa não pode ser uma área fragmentada, tem de ser contínua. O campo funciona como um sistema de proteção”.

Carta do Pampa

A pecuarista Vera Colares atua na defesa da produção familiar, sustentável e harmônica com a natureza. Ela promove a valorização dos produtos locais e busca inserir os pequenos pecuaristas nas políticas públicas, estimulando o modo de vida tradicional e a importância da atividade para a conservação dos campos nativos.

Assim como a irmã, Márcia, Vera é uma referência no Sul do Brasil quando se fala em Pampa. Márcia é a coordenadora da União Pela Preservação do Rio Camaquã (UPP Camaquã) e Vera é a presidenta da Associação para Grandeza e União de Palmas (Agrupa).
Vera Colares defende a pecuária como atividade compatível com a conservação do bioma Pampa, onde os animais pastam livremente em campos nativos, prática apoiada pelos especialistas do bioma, porque o pastejo é uma atividade natural do Pampa, praticada há milhares de anos, como confirmaram pesquisas feitas a partir da análise do solo de áreas de  turfas, que armazena material em decomposição, além de fixar gás carbônico.

As irmãs Colares participaram ativamente do 13º Fórum Internacional de Meio Ambiente-FIMA promovido pela Associação Rio-grandense de Imprensa (ARI) em Porto Alegre, em março. O evento encerrou com a divulgação de uma carta em defesa do bioma. Foram dois dias de debates com a participação de pesquisadores, técnicos, ONGs, empresários, políticos, jornalistas e moradores da região, que trouxeram propostas convergentes sobre como realizar a preservação do bioma.
A Carta em Defesa do Pampa pede que o Poder Público, em todas as esferas,  trabalhe proativamente para manter a integridade do Bioma Pampa, promova a pecuária extensiva, preferencialmente orgânica, ouvindo a sociedade civil, que é partícipe essencial para  qualquer transformação social que promova o bem-estar coletivo em bases ecológicas e permanentes. Íntegra da carta aqui https://fima.org.br/?p=1397

O evento contou ainda com a participação do cineasta Rogério Atama Rodrigues, da Atama Filmes, diretor do documentário Sobreviventes do Pampa (https://www.youtube.com/watch?v=o-hsP0IJwV8) filme com 35 depoimentos.

Protagonizado por agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas, o longa entrevista esses moradores, apresentando os laços íntimos e a conexão profunda construída no território. Logo na abertura do filme, o narrador explica que a palavra Pampa tem dois sentidos. Quando se fala sobre a terra, é a Pampa, quando se fala do povo e das atividades praticadas no bioma é o Pampa. E, talvez por ser “uma terra feminina, seja tão agredida e violentada,  numa sociedade machista como é a nossa”.

Por meio dos relatos em Sobreviventes do Pampa, é visível a urgência da preservação do bioma e a importância da fauna e da flora local. O filme é um documentário que fortalece a importância das ações de conservação de um ecossistema importante para o equilíbrio ecológico da região.

 

Filha de Trump anuncia resort para super ricos em uma ilha da Albânia

Ivanka Trump e seu marido Jared Kushner anunciaram um ambicioso projeto hoteleiro em uma antiga ilha militar na Albânia.

Um investimento de mais de US$ 1 bilhão está levantando uma série de preocupações ambientais, segundo Le Monde
Com uma fortuna conjunta estimada em US$ 7,1 bilhões pela Forbes em 2024, Ivanka,  filha do presidente americano, – e seu marido Jared Kushner acabam de adquirir uma ilha chamada Sazan. É um território albanês de 560 hectares localizado entre os mares Adriático e Jônico. O casal planeja construir um complexo hoteleiro ultraluxuoso reservado a uma clientela seleta. Um antigo local militar, ainda hoje sob o controle das forças armadas albanesas, a ilha poderia, portanto, passar por uma transformação espetacular.

Um projeto faraônico estimado em US$ 1,4 bilhão , já aprovado preliminarmente pelo governo albanês.

Há críticas, porém.  A Ilha de Sazan faz parte do Parque Marítimo Nacional Karaburun-Sazan, uma área protegida por lei. Como tal, qualquer atividade num raio de dois quilómetros da sua costa deve preservar a biodiversidade local.

Um dos críticos é Olsi Nika, biólogo marinho e diretor da ONG EcoAlbania. “Qual será o impacto das grandes obras públicas, da construção de docas, do tráfego de iates e do escoamento de águas residuais neste local? “, pergunta ele em entrevista ao Guardian .

Jared Kushner minimizou: ” Todos estão imaginando o pior . Mas, quando virem nossos planos, nossa lealdade e nosso respeito pelo meio ambiente , acho que as pessoas ficarão encantadas “.

Embora o acesso à ilha pareça claramente reservado a uma clientela muito rica , o casal ainda planeja abrir certas áreas ao público. “Estamos criando um produto de luxo de altíssima qualidade. Mas também acho que podemos desenvolver certos aspectos da ilha para permitir que os visitantes venham e desfrutem de sua gastronomia e de suas trilhas “, completa Kushner.

Já apelidada de “Ilha Trump” pelos albaneses, Sazan pode muito bem se tornar um novo símbolo da expansão imobiliária internacional da família Trump. E isso provavelmente é apenas o começo: segundo o The Guardian, Jared Kushner também está interessado no antigo prédio do Ministério da Defesa em Belgrado, Sérvia, com a intenção de convertê-lo em um hotel de luxo.

(Com informações do Le Monde e The Guardian)