Higino Barros
Em tempos de Donald Trump, estreia hoje no Canal Curta, às 20 horas, o documentário “A Palestina Brasileira”. Segundo seu diretor, Omar Luiz de Barros Filho, o Matico, o filme registra a presença da comunidade árabe-palestina no sul do Brasil, bem como suas ligações afetivas, culturais e políticas com o destino da terra de origem.
Segundo dados da comunidade árabe, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com maior população oriunda da Palestina, de 35 mil a 50 mil imigrantes. Ela está espalhada na Grande Porto Alegre, principalmente em Sapucaia e Canoas, seguidas de Pelotas, a região do Chuí e região fronteiriça. Em geral exercem atividades no comércio, mantendo práticas culturais e ligações afetivas com a região de onde são oriundos, reproduzindo um comportamento de seis milhões de imigrantes palestinos pelo mundo inteiro.
O filme focaliza seis famílias abrigadas no solo gaúcho da Cisjordânia atualmente ocupada por Israel. Todas elas mantém laços com parentes e amigos que ficaram em território árabe. “Procuramos fazer uma abordagem diferenciada, já que as memórias, lembranças e outras questões mostradas fornecem uma explicação para o conflito. São personagens retratados que dão continuidade às aspirações palestinas. São eles a continuação da história”.
Laços com a terra
Entre essas famílias, o diretor do documentário cita o caso da família Badra, de Santana do Livramento, proprietária do tradicional jornal A Plateia, que foge um pouco do estereótipo do imigrante palestino, pois tem origem cristã e não muçulmana, como é comum. Focaliza também a família Dahla, de Uruguaiana, cujos filhos e netos costumam passar temporadas na Palestina. “Todos têm em comum essa preocupação de manter laços com a terra que deixaram”, observa Matico.
O filme levou três anos para ser concluído, é falado em espanhol, português e árabe, e terá cópias legendadas em espanhol, italiano e inglês, visando esses mercados. Durante dois anos o Canal Curta terá a exclusividade de sua exibição. Ele é fruto de edital da Ancine, com financiamento do BRDE e BNDES, que tem incentivado a realização de filmes com garantia de exibição, no caso a televisão.
Matico considera que o tema, embora visto do ponto de vista local, tem repercussão global. “Enquanto houver o conflito, haverá alguém interessado nessa história, que não seja a versão da mídia comprometida com os interesses israelenses. Ela nunca será datada e tem um público potencial de seis milhões de árabes espalhados pela diáspora palestina, interessados em ver como são retratados”, finaliza.
SERVIÇO
Estreia: Canal Curta!,
Hora: 20h;
Duração: 77 minutos;
Roteiro e Direção: Omar L. de Barros Filho;
Produção: Caco Schmitt;
Direção de Fotografia: Ivo Czamanski.

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