O prefeito Nelson Marchezan Júnior encaminhou à Câmara Municipal um projeto que altera a Lei Orgânica do Município, abrindo a possibilidade de concessão do saneamento básico de Porto Alegre à iniciativa privada. O projeto de emenda 10/2017 chegou à casa legislativa na última sexta-feira.
A proposta altera o segundo parágrafo do artigo 225 da Lei Orgânica, que trata do saneamento.
A lei determina que o serviço “será organizado, prestado, explorado e fiscalizado diretamente pelo Município” e impede a outorga “mediante concessão, permissão ou autorização, exceto à entidade pública municipal existente ou que venha a ser criada para tal fim.”
O projeto retira da lei o trecho que veda a concessão do serviço e a obrigatoriedade de fiscalização direta do Município.
Se aprovado, o novo texto fica assim: “O serviço público de que trata o caput deste artigo será organizado, prestado e explorado pela Administração Pública, podendo ser outorgado à entidade da Administração Pública Indireta, dotada de autonomia para o exercício de sua sua administração e gestão dos seus negócios. Bem como ser delegado ou contratualizado, nos termos da Constituição Federal”.
Na justificativa, o Executivo argumenta que o Plano Básico de saneamento Público de Porto Alegre prevê a necessidade de 2,7 bilhões de investimentos nos próximos 17 anos para a universalização do sistema.
Argumenta ainda que a própria Lei Orgânica diz que “incumbe ao Poder Executivo, na forma da lei, a prestação de serviços públicos, diretamente ou através de licitação, sob regime de concessão ou permissão”. Neste contexto, considera “norma extravagante”, a exceção aos serviços de água e esgoto.
Projeto está alinhado com plano federal do governo Temer
O projeto de passar o saneamento público para a iniciativa privada não é um ato isolado da gestão Marchezan. No ano passado, o presidente Michel Temer lançou o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que previa a concessão de diversos serviços públicos, incluindo o saneamento.
Na ocasião do lançamento, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), afirmou que o BNDES realizaria uma série de encontros com os governos estaduais para discutir quais seriam as melhores alternativas para a concessão do serviço ao setor privado. A então presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, afirmou que pelo menos dois terços dos estados brasileiros haviam sinalizado intenção de participar do projeto.
Em janeiro, foi realizada a primeira reunião entre o BNDES e a Associação Brasileira de Empresas Estaduais de Saneamento, para tratar das questões jurídicas.
Em sua justificativa, o prefeito Marchezan cita o apoio do Governo Federal a iniciativas deste tipo, conforme a Lei Federal 13.334/2016, que instituiu o PPI.
O saneamento básico é uma das áreas prioritárias do Programa Municipal de Parcerias (Propar/Poa). A gestão entende que são necessárias obras de estrutura nas conexões residenciais e na melhor separação das redes pluvial e cloacal, hoje misturadas em muitos pontos. A ideia é que uma empresa invista nestas obras e se remunere com a ampliação do número de residências que pagam a taxa de esgoto e de uma maior eficiência do serviço.
Investigado por esquema de corrupção, DEP foi extinto
Este mês, a Câmara de Vereadores aprovou uma série de medidas de reestruturação da máquina administrativa do Município. Entre elas, a extinção do Departamento de Esgotos Pluviais. Com a extinção, as atribuições do departamento ficam divididas entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), responsável pelas obras e projetos de engenharia referentes aos esgotos pluviais, e a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), responsável pela execução e conservação dos resíduos.
Na segunda-feira passada, a terceira fase da Operação Tormenta cumpriu 27 mandatos de busca e apreensão em Porto Alegre, em Alvorada e Viamão. Três pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
Entre os alvos da operação policial estão Tarso Boelter (PP), diretor-geral do DEP entre 2013 e 2016, Francisco Eduardo Mello dos Santos (PMDB), ex-diretor-adjunto do departamento, e Francisco José Ferreira Pinto, que é servidor do quadro e foi diretor de conservação do DEP.
A Operação investiga fraudes em contratos do departamento, onde empresas contratadas recebiam por serviços que não eram prestados. Segundo o delegado Max Ritter, o esquema desviou, desde 2011, pelo menos R$ 10 milhões dos cofres públicos.
Um dia antes, na sede do Comando Militar do Leste, no centro do Rio, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou a atuação das Forças Armadas no Rio de Janeiro, até dezembro.
“Tempos difíceis e extraordinários requerem medidas difíceis e extraordinárias”, foi a explicação do ministro.
Nesta sexta-feira, 28, ele detalhou o plano militar para fazer frente ao poder armado que toma conta de grandes regiões do Rio de Janeiro, com ramificações por quase todas as capitais do país.
Em seguida, 8.500 militares das Forças Armadas começaram a operar nas ruas e avenidas da Região Metropolitana do Rio.
“Desde o início da tarde, soldados do Exército estavam posicionados em pontos estratégicos, com apoio de motos, jipes e até blindados, fazendo blitzes, parando carros suspeitos e checando documentos”, registrou o Globo.
Segundo Jungmann, a “participação de Exército, Marinha e Aeronáutica” não será feita de uma forma “clássica” de ocupação, como é previsto em decretos de Garantia da Lei e da Ordem, os GLO, como foi nas Olimpíadas de 2016.
Após a explicação, o ministro disse que precisava se dirigir à sociedade civil e alertou para a possibilidade de represálias do crime organizado à atuação dos militares.
“É preciso ter em conta que dado o avanço e o ponto que chegou a criminalidade no Rio, sim, nós vamos ter reações. E é muito importante que a sociedade entenda que é preciso enfrentar”, ressaltou ou ministro.
A intervenção das Forças Armadas no Rio se dá num momento de esgotamento das Forças Públicas estaduais de segurança, com 90 policiais mortos em um semestre.
As intervenções anteriores, no complexo do Alemão e na favela da Maré não alteraram o quadro de domínio do crime organizado. Ele se retraiu e quando as forças se retiraram ele voltou. Jungman disse que foram gastos R$ 400 milhões nessas operações.
E hoje está muito fortalecido. Recentemente ocupou manchetes a apreensão de fuzis ultra-modernos que entravam clandestinamente pelo aeroporto do Galeão. Teriam entrado 28 cargas de 60 fuzis cada uma, antes da apreensão.
O jornalista Elio Gaspari em sua coluna no Globo estimou em 11 mil o número de fuzis que entraram no Rio pelas vias do crime.


