Categoria: Geral

  • Habitação em Porto Alegre: quase 300 mil vivem em áreas irregulares

    Sem título de propriedade, sem serviços básicos, sob ameaça de remoção, eles formam uma sub-cidade à margem da cidadania
    São 484 núcleos e vilas irregulares em Porto Alegre , segundo o Mapa da Irregularidade Fundiária, feito pelo Demhab. Totalizam mais de 75 mil domicílios, onde moram quase 300 mil habitantes*.
    Esses números indicam que nos últimos 30 anos houve um aumento de 361 vilas e núcleos irregulares em Porto Alegre, o que corresponde a um crescimento de 291%, nos últimos 30 anos, quase 10% ao ano. Essa taxa equivale a cinco vezes mais do que o crescimento total da população, que é menos de 2%  ao ano no período.
    Uma política excludente, reiterada nas últimas décadas, obrigou a população mais empobrecida a “optar pela irregularidade”.  O poder público foi sempre ágil na remoção dos moradores, mas lento e quase sempre precário no reassentamento deles.
    Além da situação irregular quanto á propriedade, estima-se que entre 16 a 18 mil famílias  (cerca de 70 mil pessoas) moram em áreas de risco, sob ameaça constante de deslizamento de terra, de inundação  e outros.
    *Os números são de um estudo de 2009, os mais recentes disponíveis no site do Demhab.
    Com os recursos atuais, solução só em 64 anos
    Quase ausente do noticiário e, por conta disso, quase ausente das campanhas eleitorais, a questão da habitação popular em Porto Alegre é crônica e cresce sem parar.
    Não é à toa que se vê tanta gente dormindo na rua e que as notícias de “invasões” pipocam no noticiário de todos os dias.
    Em 2016, segundo o Movimento Nacional de Luta pela Moradia, há em Porto Alegre 26 ocupações com processos de reintegração de posse correndo na Justiça. Duas apenas são áreas públicas, as demais são propriedades privadas.
    Pesquisas indicam a maioria dos atuais ocupantes são egressos de outras ocupações, de onde foram expulsos mediante a reintegração de posse. Muitos estão em programas de reassentamento que estão paralisados ou nunca saíram do papel.
    Na ocupação do terreno da ex-Avipal na Cavalhada, por exemplo, cerca de 80 famílias eram oriundas da vila do Resvalo, um casario que ocupava as encostas de um valão à margem do arroio Cavalhada.
    Com as obras do PISA, que canalizou o riacho, aumentou o risco de inundação e eles foram removidos. A liberação do dinheiro rendeu notícia, o reassentamento ficou pela metade.
    O PISA cadastrou 1.680 famílias de quatro vilas que seriam removidas.
    Pouco mais de 300 foram reassentadas na Vila Nova e na Vila Hípica. Os restantes receberam um insuficiente bônus moradia por seis meses, e muitos seguiram na    condição de ocupantes.
    O problema das remoções e reassentamentos, que geram sem-teto, tem raízes históricas em Porto Alegre.
    Foram manchetes em 1952 as remoções dos casebres do entorno da Doca das Frutas, para fazer o novo Cais. As manchetes eram favoráveis, mas os jornais não deixaram de registrar “atos arbitrários e desumanos”.
    Outro evento marcante foi o programa “Remover para Promover” que levou, em fevereiro de 1967, as primeiras famílias da Ilhota, na Cidade Baixa, para a então remota Restinga, na zona rural. Em quatro anos, os recursos deram para transferir 390 famílias. Estavam cadastradas mais de mil.
    A maioria dos moradores da Ilhota e de outras seis vilas removidas de áreas urbanizadas (atual Erico Verissimo), que resistiam em ir para um lugar ermo, sem nada, acabaram se dispersando, dando origem a outras ocupações.
    Cinco anos depois, em 1972, a Secretaria da Saúde registrava 124 núcleos e vilas irregulares, com quase 20 mil domicílios e quase 100 mil habitantes.
    Uma pesquisa de 2005 registrou 486 núcleos ou vilas que tinham 17% dos domicílios de Porto Alegre e abrigavam 21,4% da população “vivendo em situação de habitação irregular”.
    Dois anos depois, o Demhab foi incumbido de fazer o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social, o PMHIS-POA.
    Uma equipe de 30 pessoas de sete órgãos do Estado e do Município, coordenadas por Silvio Carpenedo, montou o Mapa da Irregularidade Fundiária: havia 75 mil domicílios, onda viviam 288 mil pessoas em áreas irregulares, muitas vezes em risco, sempre com total deficiência de serviços.
    Segundo o estudo, para resolver minimamente o problema seriam necessários R$ 2,5 bilhões, o que demandaria 64 anos se fosse mantida a média de investimentos em habitação na última década.
    O que é irregular
    Os  estudos da prefeitura falam “núcleos e vilas irregulares” para designar as áreas de ocupação precária, sem propriedade legalizada, sem serviços urbanos, muitas vezes nem água ou luz. A legislação municipal usa o termo “assentamentos autoproduzidos”, utilizado pelos movimentos sociais. Um núcleo pode ter de duas a 50 moradias. Acima disso é genericamente vila.

  • Bancários vão se reunir em São Paulo para definir rumos da greve

    Para se contrapor ao endurecimento nas negociações com a Federação Nacional do Bancos, o Comando Nacional dos Bancários decidiu se reunir na próxima segunda-feira, em São Paulo. Os dirigentes sindicais vão avaliar as paralisações e mobilizações da que eles consideram a maior greve da história da categoria e definir os próximos passos.
    A pauta de reivindicações foi entregue aos bancos no dia 9 de agosto, mas a Fenaban não apresentou proposta que contemple as reivindicações dos bancários. Houve oito rodadas de negociação sem sucesso. Mesmo após recordes diários de agências e locais de trabalho paralisados, os bancários reclamam que os bancos insistem em se manter em silêncio e tentam desestruturar o movimento grevista.
    Última proposta
    A última proposta da Fenaban foi de reajuste de 7% no piso e verbas salariais (vales e auxílios) e abono de R$ 3.300,00. Os bancários rejeitaram esta proposta na reunião de 12/9. Depois disso, não houve mais nenhuma sinalização de disposição para negociar por parte da Fenbaban.
    Em Porto Alegre e região metropolitana, área de abrangência do SindBancários, no 17º dia de greve, 297 agências ficaram fechadas, totalizando, 1.007 no Rio Grande do Sul. Em todo o Brasil, 13.159 agências foram fechadas.
    Nessa quinta-feira os bancários da capital gaúcha se integraram à agenda do Dia Nacional de Lutas e Paralisações, chamado pelas Centrais Sindicais. Eles percorreram também diversas agências de bancos, convocando maior adesão ao movimento
     

  • Sindjors repudia decisão de juíza de acusar jornalista

    O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) expressa sua indignação com a decisão da 9ª Vara Criminal do Foro Central. A juíza titular Cláudia Junqueira Sulzbach acolheu a denúncia contra Matheus Chaparini e outras nove pessoas presentes na ocupação da Secretaria da Fazenda do Estado, no dia 15 de junho.
    Desde o início da operação deflagrada pela Brigada Militar para desocupar o prédio da Secretaria da Fazenda, onde se encontravam estudantes secundaristas, o repórter do Jornal Já se identificou e, mesmo assim, foi preso juntamente com os estudantes e com o cinegrafista independente Kevin D’Arc, de São Paulo, que filmava em diversas cidades do país para um documentário sobre as ocupações nas escolas.
    Na ocasião, foram detidas 43 pessoas. Os 33 menores de idade foram liberados no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) e seus inquéritos foram arquivados pela Promotoria da Infância e da Juventude do Ministério Público. Os maiores foram detidos por cerca de 14 horas e, agora, se tornaram réus no processo por dano qualificado e desobediência.
    Chaparini estava no local a trabalho, cobrindo a ocupação para o jornal JÁ. Os vídeos gravados pelo repórter mostram que ele se identifica como profissional de imprensa diversas vezes, o que é ignorado pelos policiais. Também o advogado dos estudantes e a conselheira tutelar que acompanhavam a desocupação o identificam como jornalista. E ele já havia entrevistado oficiais do comando militar diversas vezes.
    Apesar das manifestações do jornal JÁ, do Sindicato dos Jornalistas, da Associação Riograndense de Imprensa, da Federação Nacional dos Jornalistas e de outras entidades da sociedade civil, que atestaram que o repórter estava no exercício de sua profissão, o boletim de ocorrência feito pela Brigada Militar enquadrou Chaparini como manifestante, o delegado que fez o inquérito manteve esse entendimento, assim como o promotor e, agora, a juíza.
    – O que incrimina o repórter Matheus Chaparini são as cenas que ele colheu com o celular, da truculência dos policiais com estudantes, a maioria menores de idade, sentados no chão em protesto pacífico. Os jatos de spray de pimenta no rosto das meninas, como se fossem baratas. Triste democracia essa em que um jornalista é incriminado porque não obedece à ordem de ficar longe dos fatos – manifestou-se Elmar Bones, editor do Jornal Já.
    Sindjors acompanha o caso
    Desde o dia da prisão de Chaparini, o sindicato tem acompanhado o caso. No Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado de 25 a 27 de agosto, em Goiânia, apresentou a moção de repúdio à prisão e ao indiciamento do jornalista gaúcho, que foi aprovada por unanimidade. O documento manifesta seu repúdio à posição do governador José Ivo Sartori, que, na condição de comandante em chefe da BM, autorizou a ação e não se sensibilizou mesmo após a divulgação dos vídeos que mostram as arbitrariedades cometidas pela polícia, e cobra o arquivamento do caso e um pedido de desculpas formal do governo do Estado.
    – O que está acontecendo no Rio Grande do Sul é um ataque à liberdade de expressão e de imprensa. As autoridades seguem negando o erro que cometeram, uma vez que Matheus estava no pleno exercício da função e se identificou. O governador José Ivo Sartori, que é pai de jornalista, deve um pedido de desculpas aos jornalistas gaúchos e brasileiros. Vamos nos manter atentos – comenta o presidente Milton Simas.
     

  • Pesquisadora monta mapa da contaminação por agrotóxico no Brasil

    Um pessoa morre no Brasil a cada dois dias e meio por doenças diretamente decorrentes do uso de agrotóxicos. A pesquisadora Larissa Mies Bombardi, professora de Geografia Agrária da USP, que montou um mapa da contaminação por agrotóxicos, diz que a realidade é muito mais grave do que ela conseguiu computar.
    Isso porque muitas pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) e muitos profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que se confundem com doenças corriqueiras. A projeção é de que, se houve registro de 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014, o número real pode chegar a 50 vezes mais, o que resulta em 1,25 milhão de casos em sete anos.
    Larissa leva em conta os registros do Ministério da Saúde para enfermidades agudas, ou seja, aquelas direta e imediatamente conectadas aos agrotóxicos. As doenças crônicas, aquelas provocadas por anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer e a depressão, ficam de fora dos cálculos. “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, diz ela.
    Ainda assim, mostram que o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos desde a década passada, quando superou os Estados Unidos. A cada brasileiro cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja.
    Em breve, todo o material reunido por Larissa será público. O livro Geografia sobre o uso de agrotóxicos no Brasil é uma espécie de atlas sobre o tema. Será um desenvolvimento do Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil, já lançado este ano, com dados atualizados e mais detalhados. No período abrangido pela pesquisa, 2007-2014, foram 1.186 mortes diretamente relacionadas aos venenos. Ou uma a cada dois dias e meio.
    “Isso é inaceitável. Num pacto de civilidade, que já era hora de termos, como a gente fala com tanta tranquilidade em avanço de agronegócio, de permitir pulverização aérea, se é diante desse quadro que a gente está vivendo?”, indagou a professora no programa De Olho nos Ruralistas.
    O papel do agronegócio
    Larissa fala de agronegócio porque é exatamente esse modelo o principal responsável pelas pulverizações. Os mapas mostram que a concentração dos casos de intoxicação coincide com as regiões onde estão as principais culturas do agronegócio no Brasil, como a soja, o milho e a cana de açúcar no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. No Nordeste, por exemplo, a fruticultura. A divisão por Unidades da Federação e até por municípios comprovam com exatidão essa conexão.
    A pesquisadora compara a relação dos brasileiros com agrotóxicos à maneira como os moradores dos Estados Unidos lidam com as armas: aceitamos correr um risco enorme. Quando se olha para um dos mapas, salta à vista a proporção entre suicídio e agrotóxicos. Em parte, explica Larissa, isso se deve ao fato de que estes casos são inescapavelmente registrados pelos órgãos públicos, ao passo que outros tipos de ocorrências escapam com mais facilidade. Mas, ainda assim, não é possível desconsiderar a maneira como distúrbios neurológicos são criados pelo uso intensivo dos chamados “defensivos agrícolas”, termo que a indústria utiliza para tentar atenuar os efeitos negativos das substâncias.
    Soja, milho e cana, nesta ordem, comandam as aplicações.
    Uma relação exposta no mapa, que mostra um grande cinturão de intoxicações no centro-sul do país. São Paulo e Paraná aparecem em destaque em qualquer dos mapas, mas a professora adverte que não se pode desconsiderar a subnotificação no Mato Grosso, celeiro do agronegócio no século 21.
    O veneno está na cidade
    A entrevista da pesquisadora ao programa De Olho nos Ruralistas foi numa gravação para o piloto de um programa de TV pela internet. Na mesma época, a Rede Globo destinou um de seus espaços mais nobres, o intervalo do Jornal Nacional, a uma campanha em favor do “agro”.
    No mesmo dia da entrevista, 27 de junho, o Diário Oficial da União trouxe a sanção, pelo presidente provisório, Michel Temer, da Lei 13.301. Em meio a uma série de iniciativas de combate à dengue e à zika, a legislação traz a autorização para que se realize pulverização aérea de venenos em cidades, sob o pretexto de combate ao mosquito Aedes aegypti. A medida recebeu parecer contrário do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, posição que foi ignorada por Temer.
    Larissa considera que a medida representa um grande retrocesso e demonstra preocupação pelo fato de a realidade exposta em seus mapas ser elevada a potências ainda desconhecidas quando se transfere um problema rural para as cidades. “O agrotóxico se dispersa pelo ar, vai contaminar o solo, vai contaminar a água. O agrotóxico não desaparece. Ao contrário, ele permanece”.
    (Com João Peres/ Do De Olho nos Ruralistas/ via Carta Campinas)
     

  • Moro pede desculpas e libera Mantega depois da reação da opinião pública

    Até mesmo apoiadores de Michel Temer reagiram contra a prisão do ex ministro Guido Mantega na manhã de hoje, no Hospital Albert Einstein, onde ele acompanhava a esposa com câncer e foi detido pela Lava Jato.
    Ao voltar atrás e liberar Mantega, por volta das 14 hs, o juiz Sérgio Moro desculpou-se dizendo que não sabia que Mantega estava no hospital acompanhando a mulher, que se encaminhava para uma cirurgia.
    O juiz Sérgio Moro não disse o que imaginou que o ex-ministro estaria fazendo num hospital, ao não encontrá-lo em casa, às 6 horas da manhã.
    Senadores petistas ouvidos pela Agência Brasil após a revogação da prisão consideram que a revogação da prisão temporária do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pelo juiz federal Sérgio Moro no início da tarde mostra que a detenção foi “arbitrária”.
     

  • Consumidor reclama dos rótulos em alimentos industrializados

    Pesquisa de opinião do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), com participação de 2.651 internautas, identificou as dificuldades dos consumidores para entender as informações contidas nos rótulos de aimentos industrializados.
    A pesquisa mostra que para 93,3% dos entrevistados a informação na frente da embalagem ajudaria a compreensão. A proposta é uma das mudanças na rotulagem defendida pelo Idec e permite que o consumidor identifique a composição de produtos com mais rapidez.
    No levantamento, foram apresentados modelos de rótulos frontais e o utilizado pelo Equador obteve 71,2% de aprovação. Ele tem como base um semáforo e indica se o alimento tem teor baixo, médio ou alto (verde, amarelo e vermelho) de nutrientes críticos, como sódio, açúcar e gorduras.
    Outros países, como Reino Unido e Austrália, também já seguem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de inserir de forma fácil a informação nutricional na frente da embalagem.
    As características nutricionais como quantidade de calorias, teor de sódio, gorduras e carboidratos são informações obrigatórias, desde 2003, mas a regra atual obriga sua colocação apenas na parte de trás das embalagens, em uma tabela. Embora tenha o objetivo de informar o consumidor, apenas 39,6% dos entrevistados dizem compreender parcialmente ou muito pouco da rotulagem nutricional atual. Entre os fatores apontados que dificultam o entendimento estão o tamanho da letra (61%), o uso de termos técnicos (51%) e a poluição visual do rótulo (41,6%).
    De acordo com a pesquisadora e nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto, tais falhas dificultam o direito à informação clara e correta. “Algumas melhorias são cobranças antigas, como a inclusão do açúcar na tabela nutricional (apoiado por 98,3%) e a padronização da informação por 100g ou por embalagem e não por porção (defendida por 80% dos entrevistados)”, explica.
    Para o Idec, os resultados do levantamento demonstram a preocupação dos consumidores com a alimentação e seu apoio a melhorias. Além disso, servem de base para que o Instituto pressione a Anvisa no desenvolvimento de novas regras, seguindo o exemplo de países que utilizam rótulos frontais para destacar os riscos à saúde.
    Transgênicos

    A batalha judicial do Idec pela rotulagem de alimentos transgênicos ainda não acabou. Mais uma vez, o governo federal apresentou recurso para suspender a decisão judicial obtida pelo Idec que garante a indicação do uso de ingredientes transgênicos, independentemente do teor. A decisão foi mantida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin em maio.
    Na primeira semana de setembro, o Idec respondeu ao pedido nos autos do processo, rebatendo os argumentos da União e destacando que deve prevalecer o direito à informação. O STF ainda irá avaliar o recurso.
    A União, que é ré na ação, pediu a reconsideração da decisão do ministro Fachin ou a remessa do processo para o julgamento pela 1ª Turma do Supremo, composta pelos ministros Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello, Luiz Fux e Rosa Weber.
    Em sua manifestação, o Idec pediu que a decisão do ministro Edson Fachin seja mantida, argumentando que não houve “usurpação de competência”, como alega a União. O Instituto também reiterou que a população tem direito à informação. “O consumidor tem direito de saber o que está consumido. E a União, ao invés de protegê-lo, continua defendendo o interesse das empresas alimentícias”, ressalta Claudia Pontes Almeida, advogada do Idec.
    A União atua contra o interesse do consumidor em relação à informação de transgênicos, com a assistência da Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia). Ambas querem a aplicação do Decreto nº 4.680/2003, que prevê a exigência de rotulagem apenas quando o percentual de organismos geneticamente modificados for superior a 1%.
    Fonte: Idec
  • Guido Mantega é preso pela PF na 34a fase da Lava Jato

    Da Carta Capital
    Guido Mantega, ex-ministro do Planejamento e da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, foi preso nesta quinta-feira 22 pela Polícia Federal, em meio à Operação Arquivo X, a 34ª fase da Operação Lava Jato.
    Mantega foi preso em São Paulo, no hospital Albert Einstein, onde acompanhava sua mulher, que passaria por uma cirurgia, e será transferido para Curitiba. De acordo com a PF, Mantega foi procurado em sua casa e, como não estava, foi acionado pelo telefone. Ele então informou que estava no hospital e combinou um local de encontro com os agentes.
    A prisão, assim como a deflagração da operação, foi autorizada pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Lava Jato em primeira instância.
    Do que se trata a Operação Arquivo X?

     A nova fase da Lava Jato investiga fraudes cometidas contra a Petrobras na construção de dois navios-plataforma, o P-67 e P70, ambos usados para a exploração de petróleo na camada do pré-sal na Bacia de Santos.

    Por que a operação se chama Arquivo X?
    Porque ela envolve o grupo empresarial do ex-bilionário Eike Batista, que costumava nomear todas as suas empresas com siglas terminando na letra X, segundo ele uma indicação de prosperidade e riqueza, uma vez que a letra remete à multiplicação. No caso, a Polícia Federal investiga irregularidades supostamente cometidas pela OSX, que atua na área de construção naval.
    Qual seria a irregularidade?
    De acordo com a Polícia Federal, a empreiteira Mendes Junior e OSX se associaram na forma de consórcio (chamado Integra Offshore) para obter os contratos de construção das duas plataformas “muito embora não possuíssem experiência, estrutura ou preparo para tanto”. Segundo o Ministério Público Federal, a vitória na licitação, de US$ 922 milhões, foi viabilizada mediante o repasse de valores a pessoas ligadas a agentes públicos e políticos.
    Entre esse valores estariam R$ 7 milhões transferidos, entre fevereiro e dezembro de 2013, pela Mendes Júnior para um operador financeiro ligado ao PMDB e à Diretoria Internacional da Petrobras, já condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Estariam, também, R$ 6 milhões repassados em 2013 pelo consórcio Integra Offshore à Tecna/Isolux. Esse valor, diz o MPF, foi transferido no interesse do ex-ministro José Dirceu e de pessoas a ele relacionadas.
    E qual teria sido o papel de Guido Mantega?
    Em 2012, o ex-ministro, afirma a PF, teria atuado diretamente junto ao comando de uma das empresas para negociar o repasse de recursos para pagamentos de dívidas de campanha do PT. De acordo com o MPF, o próprio Eike Batista revelou, em depoimento concedido na condição de testemunha, que foi procurado por Mantega, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, para repassar R$ 5 milhões ao PT.
    Em 2013, Batista teria firmado um contrato fraudulento com uma empresa de publicidade e repassado a ela US$ 2,3 milhões. Esse repasse teria sido feito no exterior, entre uma empresa de Eike Batista, e a Shellbill Finance, pertencente a Mônica Moura, mulher de João Santana. O casal era responsável pelas campanhas políticas do PT.

  • Sete centrais sindicais mostram união contra retrocessos

    Protesto acompanhado por tropa de choque, mobilização dispersada por bombas de gás em frente às garagens de ônibus, lentidão no trânsito e ônibus atrasados no início da manhã são os efeitos da manifestação das centrais sindicais destacadas pelo noticiário.
    O que move os sindicatos, porém, não aparece nos jornais, nem os dirigentes conseguem explicar direito ao cidadão comum que aguarda no ponto de ônibus as razões da manifestação.
    Findas as caminhadas da manhã, os dirigentes das sete centrais sindicais estarão se revezando na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, para explicar sua longa pauta, que passa por combater a reforma trabalhista, abrindo espaço para ampliação da terceirização dos serviços, a reforma da Previdência que o governo pretende apresentar ao Congresso em 2017, a PEC 241, que congela investimentos públicos em áreas básicas como saúde e educação.
    Os manifestantes também protestam contra as políticas do governo Sartori, denunciando o parcelamento de salários dos servidores públicos estaduais, a violência e o caos na segurança pública, a precarização dos serviços públicos e a tentativa de privatização de empresas estatais.

    Senador Paulo Paim receberá Mérito Farroupilha / Foto CUT
    Senador Paulo Paim receberá Mérito Farroupilha / Foto CUT

    Movimentação se repete em várias cidades do Estado e do país.
    Às 17h, o senador petista Paulo Paim, que acompanha os protestos, receberá, na Assembleia Legislativa, a Medalha do Mérito Farroupilha.
     

  • A dez dias das eleições, 19% dos eleitores continuam indecisos

    Mais de um terço do eleitorado de Porto Alegre continua sem candidato definido para prefeito, de acordo com a mais recente pesquisa do Instituto Methodus/Correio do Povo. São 19% os que se declaram indecisos e 16,7% os que indicam voto em branco.
    Mais uma vez, os indecisos é que vão decidir, na última hora, seguindo critérios que as pesquisas eleitorais não identificam.
    Entre os que já escolheram candidato, segundo aferição do Methodus, o atual vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) recebeu 21% das intenções de voto. A disputa pelo segundo lugar estaria entre Nelson Marchezan Júnior (PSDB), com 13,7%, o ex-prefeito Raul Pont (PT), com 11,8%, e Luciana Genro (PSol), com 11,5%, o que configura empate técnico. Em quinto lugar aparece Maurício Dziedricki (PTB), com 5%, e nenhum dos demais chega a 1%.
    Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista fechada, a ordem dos candidatos é a mesma: Melo (18,2%), Marchezan (9,7%), Raul Pont (9,5%), Luciana (8,5%), Maurício (3,4%) – os demais não somam 1%.
    Nas estimuladas de segundo turno, o Methodus já prevê Melo vencendo qualquer dos adversários com ampla margem.
    A pesquisa apontou os maiores índices de rejeição para Pont (38,4%) e Luciana (32,8%), seguidos de Melo (20%) e Marchezan 1(9,3%).
    A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (21) no jornal Correio do Povo, foi realizada entre os dias 15 e 19 de setembro, com mil entrevistas.
    A margem de erro anunciada, de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança, de 95%, pode revelar resultados surpreendentes depois de contados os votos.

  • OAB entra na Justiça do Trabalho para abrir agências em greve

    Em meio à greve dos bancários que já passa de duas semanas, com grande adesão da categoria, a OAB entrou com uma liminar na Justiça do Trabalho, na terça-feira, solicitando que agências bancárias de foros se mantenham abertas para atender advogados. A primeira a tomar a iniciativa foi a seccional da OAB no Mato Grosso, que obteve liminar na Justiça regional para a presença de pelo menos 30% dos funcionários nas agências dos foros. A OAB gaúcha foi uma das que seguiu o exemplo.
    Nessa quarta-feira, (21/9)  assembleia de organização da greve definiu o calendário de atividades até a segunda-feira. Nesta quinta-feira, 22/9, a partir das 4h, haverá saída de piquetes móveis da frente da Casa dos Bancários para participação dos bancários no Dia Nacional de Lutas, Protestos e Paralisações, chamado pelas Centrais Sindicais, entre elas a CUT e a CTB.
    Conjunto de ataques
    Para o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, inúmeros projetos de lei que já estão tramitando no Congresso Nacional ou que já foram aprovados, como o PLC 030, o da Terceirização, que aguarda votação no Senado, ameaçam direitos dos trabalhadores.  Segundo ele, a reforma trabalhista que aparece nas redes de TV como modernização das relações do trabalho é outra questão que preocupa o movimento sindical.
    “Esse conjunto de ataques está em fase de aceleração após o impeachment. O resumo disso é a retomada do projeto de redução de tamanho de Estado combinado com redução de direitos. O negociado sobre o legislado, por exemplo, é o guarda-chuva do retrocesso. Os trabalhadores podem perder até férias e 13º salário se os patrões quiserem impor isso na mesa de negociação”, alertou Gimenis.
    O 16º dia da greve dos bancários teve almoço coletivo e a palestra de um ilustre bancário: o ex-governador e ex-presidente do SindBancários Olívio Dutra proferiu a aula pública “A Organização das Lutas dos Trabalhadores”, na Praça da Alfândega, em frente à Agência Central do Banrisul, banco em que Olívio trabalhou.