O Banco Central poderá encomendar a fornecedor estrangeiro a confecção de cédulas e moedas para abastecer o meio circulante nacional. A autorização está na Medida Provisória 745/2016, enviada ao Congresso Nacional e publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (16).
As aquisições obedecerão a cronograma fixado pelo Banco Central para cada exercício financeiro, observadas as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. O banco deverá realizar as contratações em conformidade com a Lei de Licitações (Lei 8.666/1993).
Para baixar a medida, o governo alegou “inviabilidade ou fundada incerteza” quanto à capacidade da Casa da Moeda do Brasil de atender a demanda por meio circulante. Para o governo, isso caracteriza “situação de emergência” prevista na Lei de Licitações.
Situação semelhante aconteceu em 1994, quando foi lançado o Plano Real.
O governo alega que o comércio enfrenta dificuldade de troco, devido à falta de cédulas e moedas. Mas circula em Brasília que o Banco Central deixou para a última hora para encomendar mais dinheiro à Casa da Moeda, e só o fez depois que Temer assumiu. Até agora ninguém desmentiu.
Categoria: Geral
Temer autoriza a importação de papel e metal para imprimir dinheiro
Prefeitura vai vender índices para construir acima do limite em 16 bairros
A Prefeitura de Porto Alegre vai leiloar mais 31 mil metros quadrados de “solo criado” em 16 bairros – Praia de Belas, Centro Histórico, Menino Deus, Petrópolis, Bela Vista, Auxiliadora, Higienópolis, Navegantes, Farrapos, São Geraldo, Três Figueiras, Partenon, Teresópolis, Cristal, Tristeza e Agronomia.
“Solo criado” é um artifício pelo qual o Município permite a empreendedores a construção na capacidade máxima permitida pelo Plano Diretor.
O leilão será realizado presencialmente, nos dias 21 e 22 de setembro, no auditório da Loja de Atendimento da Secretaria Municipal da Fazenda, na rua Siqueira Campos, 1.300, 1º andar – Centro Histórico. O edital com todas as informações está publicado no site da Secretaria Municipal da Fazenda.
Este é o terceiro leilão presencial realizado pela Secretaria Municipal da Fazenda. Somados aos realizados on-line totalizam seis leilões. Os trabalhos são conduzidos pela Central de Licitações da Secretaria Municipal da Fazenda – Celic.
A alienação por meio do leilão possibilita a aquisição antecipada, sem a necessidade de projeto do empreendimento no momento da compra. Segundo a Prefeitura, os recursos arrecadados nos leilões são aplicados nas desapropriações e nas obras de infraestrutura e de mobilidade urbana da cidade.Zoravia Bettiol mostra arte que reflete a realidade conturbada

O Golpe Veste Toga, pintura acrílica sobre papel, 2016
Sempre inquieta e ativa, a artista multimídia Zoravia Bettiol abre nesse sábado, dia mais uma exposição. “Foi uma imposição da realidade conturbada que está atingindo o Brasil há tempo e me senti motivada, como artista e cidadã”, resume.
A exposição “Opressão / Libertação – O Eterno Confronto”, montada no seu estúdio, na Zona Sul de Porto Alegre, é composta por 41 obras. A polarização opressão/libertação é um eixo temático que perpassa a sua obra e subdivide-se em cinco áreas: Comportamental (6 obras), Política (24 obras), Ecológica (4 obras), Mítica (mais 4 obras) e Religiosa (3 obras).
Abaixo a Terceirização do Trabalho, pintura acrílica sobre papel, 2016
Agressões à democracia como as que ocorrem no País atualmente, como a ruptura da ordem constitucional, deixam Zoravia perplexa, indignada e ainda mais produtiva.
É ela quem conta: “A instalação intitulada Artes na Rua Pela Democracia, criada por mim foi utilizada em apresentações e manifestações politicas em Porto Alegre. Essa instalação teve a colaboração do Marco Fronckowiak e do ator e diretor Marcelo Restori, e integrantes dos grupos Comitê Pela Democracia e o Estado Democrático de Direito, Cultura Pela Democracia e Artes na Rua Pela Democracia. A tendência positiva e negativa dos trabalhos que criei se alternam nas imagens e algumas vezes há o equilíbrio destas forças, como em algumas obras que estarão expostas”.
Abertura sábado, 17 de setembro de 2016 das 15 às 19h.
Visitação de 18 de setembro até 17 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 10 às 17h.
ESTÚDIO ZORAVIA BETTIOL : Rua Dr. Possidônio da Cunha, 272 | Vila Assunção | Porto Alegre
Demarcação de Terras, Urgente!, pintura acrílica sobre papel, 2016 
Parem de Ameaçar o Prouni, pintura acrílica sobre papel, 2016
Defensoria Pública quer saber o que os gaúchos pensam dela
A Defensoria Pública contratou uma pesquisa de opinião para saber o que os gaúchos pensam da instituição. Os pesquisados percorrerão 40 cidades.A iniciativa faz parte do Projeto de Modernização Institucional (PMI), que tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além da percepção da população sobre a instituição, a pesquisa levantará dados que auxiliarão na melhor divulgação da Defensoria Pública, ampliando o acesso à Justiça.A pesquisa está sendo feita em visitas a residências e prevê ouvir dois mil entrevistados que responderão a 41 perguntas sobre seu perfil, sobre a Defensoria Pública e sobre como buscam informações.Os entrevistadores estão identificados com crachá e colete da Promáxima, empresa contratada para fazer a pesquisa, e vão portar uma carta de referência do Defensor Público-Geral do Estado. Para confirmação dos dados do entrevistador, a Defensoria Pública disponibilizou as linhas de telefone (51) 3210.9440 (horário comercial) e (51) 8494.2557 (plantão).Para a realização da pesquisa, o Estado foi dividido em sete mesorregiões, conforme estratificação do IBGE: Metropolitana, Nordeste, Noroeste, Sudeste, Sudoeste, Centro Ocidental e Centro Oriental.De acordo com o coordenador técnico da Promáxima, Raffael Escarpini, o nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro de 2,09%. De acordo com o cronograma dos trabalhos, os resultados da pesquisa serão divulgados ainda em 2016.Os principais objetivos da pesquisa são conhecer a opinião dos gaúchos, em especial dos que se encontram em situação de necessidade ou vulnerabilidade, sobre o papel da Defensoria Pública do Estado como instituição essencial e como instrumento de acesso à justiça e à cidadania; identificar oportunidades de aperfeiçoamento dos serviços prestados pela instituição, mediante a avaliação dos resultados da pesquisa; e possibilitar o melhor direcionamento da divulgação das ações da Defensoria nos canais de comunicação mais utilizados pelo público-alvo da instituição.Roteiro passará pelas cidades listadas abaixo:1. Alvorada
2. Bagé
3. Bento Gonçalves
4. Cachoeira do Sul
5. Canguçu
6. Canoas
7. Carazinho
8. Caxias do Sul
9. Cruz Alta
10. Erechim
11. Farroupilha
12. Gravataí
13. Ibirubá
14. Ijuí
15. Jaguarão
16. Lajeado
17. Marau
18. Nova Prata
19. Novo Hamburgo
20. São Leopoldo
21. Palmeira das Missões
22. Passo Fundo
23. Pelotas
24. Porto Alegre
25. Rio Grande
26. Santa Cruz do Sul
27. Santa Maria
28. Santa Rosa
29. Santana do Livramento
30. Santiago
31. Santo Ângelo
32. São Borja
33. São Gabriel
34. São Lourenço do Sul
35. Sapucaia do Sul
36. Teutônia
37. Tupaciretã
38. Uruguaiana
39. Vacaria
40. ViamãoCais Mauá: MP pede que Justiça suspenda "qualquer intervenção"
O Ministério Público de Contas voltou a cobrar esclarecimentos sobre o negócio envolvendo o Cais Mauá. Desta vez, pede ao Tribunal de Contas que suspenda, por medida cautelar, a autorização para qualquer intervenção na área, uma vez que o caso torna-se a cada dia mais nebuloso e os esclarecimentos pedidos há mais de um ano não foram dados.
O MPC já se manifestou a respeito em julho e dezembro de 2014 e novamente em julho do ano passado, quando apontou diversas questões pendentes e defendeu que “a autoridade competente promovesse a integral apuração das ocorrências contratuais e adotasse as medidas correspondentes”.
Agora, a promoção 166/2016, divulgada quarta-feira (14), destaca que a determinação do conselheiro-relator para que fossem adotadas as providências recomendadas em 2015 foi respondida com o mero envio do relatório do Grupo de Trabalho criado sob coordenação da Secretaria Estadual dos Transportes e Mobilidade.
“Todavia, referido grupo não tem caráter executivo ou deliberativo, constituindo-se, tão somente, em instrumento de apoio às decisões da Superintendência de Portos e Hidrovias – SPH, sendo que não se tem notícia nos autos de quaisquer providências posteriores.”
Mais de cinco anos depois da assinatura do contrato, “permanecem sem resolução questões com significativo potencial para comprometer a viabilidade do empreendimento”.
“Até o presente momento, não há comprovação de que tenham sido aportados ou garantidos recursos suficientes para a execução das obras, seja por financiamento, seja por qualquer outra forma”, o que é exigido no contrato. O conselheiro relator Alexandre Postal nota que é “duvidosa a capacidade financeira da arrendatária em executar o projeto”.
A Prefeitura também está em falta. O projeto está inserido em Área de Interesse Cultural – AIC, segundo consta do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre – PDDUA. A Prefeitura deveria ter encaminha à Câmara Municipal, em 2013, o regime urbanístico atualmente aplicável à área, o que ainda não aconteceu.
Além disso, se aprovado o projeto de lei que tramita na Câmara para tombamento do Armazém 7 do cais, situado na área prevista para a construção do centro comercial, alterará necessariamente os planos do empreendimento.
Na condição de arrendante, compete à SPH apurar as “ocorrências contratuais”, e adotar as respectivas medidas administrativas necessárias para a regularização.
Em 17/07/2015 o MPC já alertava: “em que pesem os consistentes elementos indicativos de enquadramento que poderiam resultar na rescisão do contrato firmado, pronuncia-se a necessidade de, em nome dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade – antes de se cogitar da adoção da medida extrema de fixação de prazo para a adoção de medidas voltadas à rescisão contratual –, o Tribunal oportunizar ao Gestor que providencie a verificação e os ajustes necessários quanto ao adimplemento contratual, mantendo-se o acompanhamento quanto aos desdobramentos”.
Se a situação não mudar, “há de se cogitar de retomar a alternativa manifestada pelas Áreas Técnicas, de rescisão contratual“.
Crise nas finanças do Estado: 2017 pode ser pior
O governador Ivo Sartori não alcançou o principal objetivo de sua viagem a Brasília esta semana: a indenização do Estado por obras em estradas federais, anunciada antes da viagem e, depois, esquecida.
É uma pendência de quase 30 anos, que remonta ao mandato de Pedro Simon, o primeiro do PMDB nesta série, que parece interminável, de governos que sucumbem ao déficit crônico.
Pelos cálculos da Fazenda estadual a dívida chega aos R$ 2 bilhões, mas com a metade disso o governo gaúcho se daria por satisfeito.
Sartori esteve com quem pode resolver, o todo poderoso chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro dos Transportes. Ao que tudo indica, a investida foi frustrada.
Em consequência acendeu-se a luz vermelha no caixa do Tesouro e em alguns gabinetes ganhou força a ideia de aprovar uma mudança na lei, estendendo para o dia 15 do mês seguinte a data limite para pagamento dos salários de cada mês.
Com isso o governo ganharia uma margem que permitiria até um mês de atraso no pagamento ao funcionalismo.
É mais uma gambiarra para fazer frente a uma situação financeira que, longe de melhorar, se agrava clamorosamente.
O comportamento da receita, apesar das boas safras, está a indicar que o tarifaço, em vigor desde o início do ano, está produzindo o seu efeito mais perverso que é aprofundar a recessão, com a consequente queda na arrecadação de impostos.
Isso num momento em que as possibilidades de receitas extraordinárias se esgotam – a última delas foi a venda da folha de pagamentos para o Banrisul – ao mesmo tempo em que as primeiras previsões para o ano que vem indicam condições climáticas adversas para a safra de grãos, que ainda é o principal motor da economia regional. (EB)
A repercussão internacional da denúncia de Dellagnol
A síntese da cobertura internacional sobre a “denúncia” a Lula, baseada em “convicções” de um procurador do MPF, é reproduzida do site Pragmatismo Político:
A imprensa norte-americana repercutiu ontem (14) a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As notícias sobre a denúncia foram acompanhadas de um perfil do ex-presidente Lula e de informações sobre o crescimento econômico ocorridos durante os dois períodos de seu governo.
Segundo o The New York Times, a instabilidade política dos últimos anos acabaram por provocar a saída de Dilma Rousseff, sucessora de Lula na Presidência da República, em agosto último, por meio de “um processo de impeachment controverso”.
O The New York Times diz também que as “denúncias e acusações mais amplas representam um duro golpe” para Lula, “complicando suas ambições de retornar à Presidência”.
Mas o jornal nota que as denúncias em si contra o ex-presidente são “muito limitadas” e que “a quantia de dinheiro da qual Lula é acusado de receber nas reformas do apartamento não é nada comparada ao que outros [políticos] foram acusados de receber nos últimos anos”.
The Washington Post
O jornal The Washington Post diz que a denúncia do MPF, que envolve também sua esposa Marisa Letícia, e mais seis pessoas, coloca um sério risco para Lula de enfrentar um mandado de prisão de Sergio Moro, o juiz que está à frente da investigação.
“Se isso acontecer, seria uma queda extraordinária para o ex-presidente e seu partido. Durante 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, a economia do Brasil se expandiu, e ele montou um boom global das commodities”, afirma o TWP.
O jornal diz ainda que mais da metade dos 200 milhões de cidadãos brasileiros “se juntou a uma nova classe média baixa” no governo Lula, que saiu da presidência como o presidente mais bem avaliado de todos os tempos.
Chicago Tribune
Os promotores que apresentaram denúncia contra Lula fizeram uma “litania” de acusações, mas foram econômicos ao apresentar as provas –o que pode colocar em xeque o futuro da Operação Lava, escreveu o diário americano Chicago Tribune. Se as denúncias já eram esperadas, a linguagem utilizada pelos promotores foi “impressionante”, completou.
Para o “Chicago Tribune“, “o fosso escancarado entre as acusações verbais e as denúncias (formais) levantaram questões sobre o futuro da investigação”. Se por um lado as “acusações drásticas” podem ajudar os promotores a manter o caso em sua jurisdição, por outro, implicam “riscos” de que a investigação seja vista como politizada.
A rede de televisão ABC News, publicou em seu site que o chefe da força tarefa da investigação, Daltan Dallagnol, chamou Lula de “comandante máximo” do escândalo que agita a maior nação da América Latina.
Associated Press
A agência de notícias norte-americana Associated Press afirmou que a “discrepância” entre as declarações dos procuradores do MPF sobre o papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema de corrupção na Petrobras e as acusações de fato apresentadas contra ele levantam dúvidas sobre o futuro das investigações da Operação Lava Jato.
Segundo a matéria da AP, embora as acusações fossem esperadas, a caracterização do suposto papel de Lula no esquema, com apresentações de Power Point tentando explicar as denúncias contra o ex-presidente, foi “impressionante”.
A agência afirma que, apesar da “litania” (ladainha) de acusações, Lula está sendo acusado apenas de lavagem de dinheiro e corrupção, crimes que são negados pela defesa do ex-presidente.
“A discrepância entre as acusações verbais na quarta-feira [feitas pelos procuradores] e aquilo de que Silva foi realmente acusado levantaram muitas perguntas sobre o futuro da investigação”, diz o texto.
O artigo da AP cita o advogado Cezar Britto, ex-presidente da OAB, que afirma que “as duras palavras [dos procuradores] indicam que as provas [contra Lula] não devem ser tão sólidas”. “Parece que os procuradores estão querendo o apoio da sociedade em lugar de procurar mais provas”, diz Britto.
Europa
Para o francês “Le Monde“, um dos efeitos destas acusações será dividir ainda mais “uma sociedade brasileira já rasgada pela polêmica destituição de Dilma Rousseff”. “Aos que consideram Lula como um ‘bandido’, opõe-se uma parte dos brasileiros que veem nessas acusações uma manobra para calar a esquerda”, escreve o jornal.
A “BBC” relembrou uma entrevista feita com Lula no mês passado, quando o ex-presidente comentou sobre a iminência da denúncia. “Ele afirmou que preferia responder formalmente a todas as acusações do que vê-las pipocando pela imprensa. A investigação é de suma importância para o futuro de Lula e do PT. Pesquisas de opinião indicam que Lula ainda é uma força política que poderia tentar novamente ocupar a presidência”, registra a BBC.
Para o jornal britânico “The Guardian“, “a queda de Lula, e do partido de esquerda que ele fundou em 1980, é dramática”. O jornal lembra que sua sucessora no Planalto, Dilma Rousseff, foi impedida no fim do mês passado pelo Senado, encerrando 13 anos de governo petista.
Vigilância Sanitária reprova conservação de alimentos no Zaffari Ipiranga
Toda a carne embalada a vácuo no Zaffari Ipiranga, e boa parte dos fiambres, foi pro lixo na tarde desta quinta-feira. A rotisseria e a padaria também foram reprovadas pelos fiscais.
A pedido da Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Estado, uma equipe de Vigilância de Alimentos da Prefeitura foi fiscalizar, nesta quinta-feira, 15, o supermercado Zaffari Borbon da avenida Ipiranga, 3000.
A demanda investiga irregularidades no armazenamento e comercialização de carnes e produtos da padaria e fiambreria vencidos e reaproveitados, além da procedência dos produtos.
A vistoria detectou problemas em balcões refrigerados e quentes, incluindo falta de vedação nos balcões da rotisseria, fiambreria e padaria.
Foram inutilizados 162,2 quilos de carne exposta nos balcões refrigerados de autosserviço, com temperatura entre 11,5º e 18,5º, quando a rotulagem indicava necessidade de refrigeração entre 4º e 7º. Quase a totalidade era de carne embalada a vácuo.
O uso dos equipamentos inadequados está suspenso até que as irregularidades constatadas sejam sanadas.
Abuso de autoridade e violência policial devem ser denunciados sempre
Tortura sofrida pelo advogado gaúcho Mauro Silva dos Santos, de Caxias do Sul, foi relatada por ele em reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Uma médica de Brasília e outro advogado, do Paraná, também registraram abordagens violentas da polícia e detenções sem qualquer motivo.
Procuradora do MPF ressaltou a importância de que qualquer abuso por parte de policiais seja denunciado.
Hylda Cavalcanti, da RBA
Brasília – Parlamentares, cidadãos, representantes de entidades da sociedade civil e a procuradora federal dos direitos do cidadão junto ao Ministério Público Federal (MPF), Débora Duprat, destacaram hoje (14), em reunião da Câmara dos Deputados que analisou o aumento da violência policial contra manifestantes, a importância de as pessoas denunciarem todos os casos das quais forem vítimas. E, principalmente, de procurarem as procuradorias e tentarem combater esses procedimentos, tanto do ponto de vista jurídico, como também indo às ruas para defender direitos e evitar retrocessos.
A constatação foi observada durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), que ouviu, na tarde desta quarta-feira, três vítimas de violência nos atos observados nos últimos dias contra o governo Michel Temer no Paraná, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. Ouviu, também, o jornalista Fausto Salvatori Filho, que descobriu o agente do Exército Willian Pina Botelho infiltrado em meio a um grupo de estudantes em São Paulo.
Os depoimentos chocaram os deputados. Além disso, detalhes sobre a atuação do agente do Exército levou a uma percepção, ainda a ser comprovada, de que o acompanhamento e monitoramento de manifestantes e movimentos sociais por forças de segurança existem há muito tempo, devido às impressões e pistas deixadas pelo agente que foi descoberto. “Os relatos que vimos aqui são impressionantes. Mostram que, mais do que violência, estas pessoas foram torturadas, perseguidas e coagidas”, disse o vice-presidente da comissão, deputado Nilto Tato (PT-SP).
“Por outro lado, nos levam à certeza de que quanto mais pessoas estiverem na rua lutando pela democracia e para evitar a perda de nossos direitos, mais estaremos combatendo essas táticas”, afirmou Tato, depois de ouvir os depoimentos de três vítimas. Uma delas, a médica Maria Alessio, do Distrito Federal, contou sobre como foi abordada, parada e detida por policiais por demonstrar solidariedade, do seu carro, a uma manifestação realizada na Esplanada dos Ministérios, em 31 de agosto, dia da votação final do impeachment, por pessoas que gritavam “Fora, Temer”.
“Eu não estava participando da passeata, estava passando com o meu carro no local por acaso e demonstrei apoio aos manifestantes. Fui parada por uma viatura policial e levada para a delegacia. Recebi uma multa do Detran, sendo que não havia agente do Detran na área, e uma autuação por desobediência”, contou.
Maria Alessio disse ainda que no mesmo ato que culminou com sua detenção foram jogados, ao final, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo nos manifestantes, que durante todo o percurso se comportaram de forma pacífica. “Achei que essa ação policial foi praticamente uma emboscada contra os manifestantes. Foi uma tentativa de coação. O que se esperava de cidadãos num dia de comoção com o resultado final do impeachment? Que não se manifestassem?”, questionou a médica.
O advogado Mauro Silva dos Santos, torturado pela polícia em Caxias do Sul, é o negro à mesa. Ele teme pela segurança dos filhos. “Se um advogado é trato assim, o que sobra?” / Foto Midia Ninja
Mauro Silva dos Santos, de Caxias do Sul
Em proporções ainda piores foi registrado o caso do advogado Mauro Silva dos Santos, de Caxias do Sul (RS). Emocionado em alguns momentos, o advogado relatou que no dia 31 de agosto foi buscar um dos filhos que estava em área onde se realizava uma manifestação e, próximo do local, o filho lhe telefonou dizendo “pai, acho que estamos precisando de um advogado”.
Ao chegar e tentar interferir na ação policial contra os jovens, Santos foi preso, algemado, levado à delegacia e sofreu tortura. “Sofri horrores, humilhações que prefiro não descrever aqui, inclusive o tal do pacotinho”, disse – ao descrever a forma como é chamada a prática em que algemam a pessoa pelas costas e colocam as suas pernas para dentro do corpo, de forma que a pressão das algemas provoque fortes dores.
“Mas isso não é o que mais importa. A gente vê o que é o poder do Estado numa situação dessas. Quando clareou o dia os contatos e recados que chegaram aos telefones dos meus filhos eram todos de conhecimento dos policiais. Se um advogado, que é o profissional que defende as pessoas, é tratado dessa forma, o que sobra de cidadania no país? O que sobra do Estado democrático de direito?”, indagou.
O advogado Renato de Almeida Freitas Júnior, do Paraná, passou por situação parecida. Morador da periferia de Curitiba, ele estava no seu carro ouvindo música com dois amigos, no centro da cidade. Ao ser abordado por policiais, disse que era advogado, nada tinha feito e mostrou todos os documentos. Escutou dos policiais que “neguinho com cara de dingo não pode ser advogado”.
“Fui algemado, levado até a viatura, mas eles esqueceram de me tirar o celular. Na mala da viatura, fiz vários malabarismos e consegui postar uma mensagem no Facebook contando que estava sendo preso. Eles descobriram, pararam o carro, me tiraram o celular, me esmurraram e me pisotearam, inclusive no rosto. Na cela, me deixaram absolutamente nu diante de outros policiais por aproximadamente quatro horas.”
De acordo com o advogado, o que mais o estarrece é o que ele chamou de “retorno aos tempos da barbárie”. “Não vou deixar esse episódio passar em branco e vou procurar fazer justiça não apenas em relação ao que aconteceu comigo, mas em relação ao que acontece todos os dias com os meus amigos”, afirmou.
Para o presidente da comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Padre João (PT-MG), o país não pode ficar calado. Por isso, os parlamentares estão se programando para fazer reuniões país afora com o objetivo de discutir os vários casos observados e convocar outras vítimas para novas audiências públicas. A CDHM também vai pedir esclarecimentos às prefeituras e governos estaduais de todos os locais onde moram as pessoas que prestarem depoimentos.
Os integrantes da comissão vão votar, na próxima reunião, requerimentos convidando representantes do Executivo federal para dar explicações sobre o caso: os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes, e da Defesa, Raul Jungmann. “Quando a gente tem uma avaliação no Brasil de que os movimentos sociais são uma conquista, saber de casos como esses é revoltante, mostra a necessidade de reagirmos”, afirmou Padre João.
O jornalista Fausto Salvatori Filho, do coletivo Ponte Jornalismo, que descobriu a participação do sargento do Exército infiltrado num grupo de estudantes em São Paulo, há poucos dias, afirmou que foi o fato de a prisão dos estudantes ter sido feita de forma qualificada por ele como absurda – com uma lista de material apreendido que, em sua opinião “chega a ser risível” – e, em contradição a isso, o forte aparato policial armado, que levou os próprios estudantes a começarem a desconfiar da pessoa identificada como Malta entre eles.
“A detenção deles foi feita por dez viaturas, um ônibus e um helicóptero da polícia. É claro que não se tratava de uma ação de policiais que estavam passando pelo local”, disse. De acordo com Salvatori, depois de confirmar que Malta era, na verdade, o sargento do exército Willian Pina Botelho, ele descobriu que o agente procurava se aproximar dos jovens por meio de redes sociais, inclusive aplicativos de paquera. Primeiro, tentando uma conversa. Depois, puxando a conversa para o lado do ativismo político e perguntando se as pessoas não iriam participar de alguma passeata ou ato público.
“Descobrimos que esse tipo de iniciativa vinha sendo tomada, por parte do sargento, desde 2014. Ou seja, é um monitoramento que começou a ser feito antes de toda essa turbulência política no país”, destacou.
A procuradora Débora Duprat pediu que as pessoas denunciem casos como esses nas procuradorias do MPF em todos os estados. Débora afirmou que está sendo alvo de representações por parte do Ministério Público de São Paulo com o argumento de que tenta se intrometer numa esfera que não é da sua alçada, por ter pedido explicações sobre o caso. Mas destacou que não vai se abalar em relação a isso, até porque entende que é sua função tratar de questões como essas.
Débora observou que muitas dessas ações violentas são resultado da falta que faz uma política de transição no país, o que leva, a seu ver, a um atraso histórico. “Temos de ter força, todos nós, porque estes procedimentos remetem-nos à prática da ditadura”, acentuou.
Segundo ela, o que mais a preocupa hoje é o que definiu como “certa imunização da polícia”. “A Constituição de 1988, que é nosso grande instrumento emancipatório, nos garante o direito de nos manifestarmos e o direito de reunião. O direito à crítica e a manifestação é o oxigênio das democracias. A tentativa de coibir isso está na contramão de fóruns de direitos humanos internacionais e de orientação do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive”.
A procuradora afirmou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) estabeleceu que movimentos sociais não podem ser monitorados, porque isso fere o direito à livre manifestação das pessoas. De acordo com Débora, o Brasil tem, atualmente, dois instrumentos considerados perversos e antidemocráticos em relação à coibição das manifestações: a lei antiterrorismo (Lei 13.260) e a lei que combate organizações criminosas (Lei 12.850).
“Uma simples garrafa de álcool ou uma caixa de fósforos podem ser considerados por policiais como produtos que serão usados para um ato terrorista”, reclamou. Para a procuradora, os tempos são difíceis, mas é preciso que as pessoas estejam preparadas para enfrentá-los em todos os setores – no Judiciário, nas ruas e junto a entidades e instituições que ajudem na defesa dos seus direitos como a CDHM.
DEPOIMENTOS DAS VÍTIMAS:
Maria Alessio, médica – Moradora de Brasília (DF):
“Estava passando com meu carro por uma passeata que estava sendo realizada na Esplanada dos Ministérios, logo após o resultado final do impeachment. As pessoas gritavam ‘Fora, Temer’. Eu não estava participando da passeata, mas diante do engarrafamento, como estava próxima, comecei a buzinar e apoiar os manifestantes e entoar o coro de ‘Fora, Temer’ também. Fui de imediato abordada por policiais que tiraram várias fotos do meu rosto, da placa do meu carro e disseram que eu saísse imediatamente do local porque estava atrapalhando o trânsito. Argumentei que não estava, pois outros carros estavam parados também, aguardando para passar, mas em seguida fui embora. Quando saí da Esplanada e estava próxima da rodoviária do Plano Piloto, alguns metros depois, fui abordada por um carro da polícia que encostou no meu, mandando que parasse. Eles me pediram todos os documentos e disseram que eu precisava acompanhá-los até uma delegacia. Reagi dizendo que era uma trabalhadora, uma cidadã, que não tinha atrapalhado nada e tinha o direito de me manifestar. Tive de ficar na rua aguardando por dez minutos eles se comunicarem com outros policiais e fui conduzida para a delegacia entre duas viaturas policiais. Recebi uma multa do Detran e uma autuação por desobediência. Enquanto eu estava com o carro parado, o pessoal da passeata estava se aproximando do local e vários manifestantes, que me reconheceram como a pessoa que os apoiou anteriormente, pegaram seus carros e me seguiram até a delegacia. Pouco tempo depois desse episódio, o que se contou que houve foi o lançamento de bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os manifestantes, sem que houvesse necessidade para isso. Não tinha sido visto um único ato de violência na passeata. Um dia antes, estive no Palácio da Alvorada ao lado de amigos para prestar homenagem à presidenta Dilma Rousseff. Cheguei atrasada e, diante de um pequeno tumulto observado no local, com muitos policiais tentando impedir a entrada dos manifestantes, perguntei a um deles o motivo pelo qual estavam ali quando deveriam ficar dentro do Palácio, cuidando da segurança da presidenta. Ouvi em resposta: ‘presidenta? que presidenta? Dilma? Quem é essa mulher? Ela já tem segurança suficiente lá dentro’”.
Mauro Silva dos Santos, advogado – Morador de Caxias do Sul (RS)
“No dia 31 de agosto fui buscar um dos meus filhos, como fazia sempre. Ele estava numa área onde havia uma manifestação e antes de chegar lá, meu telefone tocou. Era ele dizendo ‘pai, acho que estamos precisando de um advogado por aqui’. Quando cheguei no local vi meninos muito jovens sendo abordados de uma forma violenta e sem motivo por policiais. Num momento desses você não é um advogado, é um pai. Encontrei uma situação difícil e poderia pensar: ‘vou pegar meu filho, dar as costas e ir embora’. Mas preferi interferir e correr o risco, fazendo meu papel de cidadão. Fui preso, algemado, levado à delegacia e sofri práticas de tortura que prefiro não detalhar aqui. Sofri horrores, humilhações que não quero descrever, inclusive o tal do pacotinho, que é a prática em que algemam a pessoa pelas costas e colocam as pernas para dentro do corpo de forma que faz a pressão das algemas machucar muito. Ainda estou sem movimento na mão esquerda por conta disso. Mas isso não é o que mais importa. A gente vê o que é o poder do Estado numa situação dessas. Quando clareou o dia os contatos e recados que chegaram aos telefones dos meus filhos já eram todos de conhecimento dos policiais. Se um advogado, que é quem defende as pessoas, é tratado dessa forma, o que sobra de cidadania no país? O que sobra do Estado democrático de direito? Acho que o cidadão não pode ser visto como um inimigo e a legislação deixa claro que o papel das Polícias Militares é proteger, não tratar as pessoas dessa forma. A melhor forma de se combater tais práticas é seguir lutando. Não podemos nos acovardar neste momento, ficar em casa e evitar denunciar o que sofremos. Vamos continuar lutando pelos direitos humanos acima de tudo e seguir. Porque não há outro caminho”.
Renato de Almeida Freitas Júnior , advogado – Morador de Curitiba (PR).
“Estava sentado no meu carro com dois amigos ouvindo música no centro da cidade. Chegaram uns policiais nos abordando. Expliquei que era advogado, mostrei todos os meus documentos, mas eles deram a entender que achavam que se tratavam de documentos falsos. Escutei deles que ‘neguinho com cara de dingo não pode ser advogado’. Dingo é a forma como chamam mendigos na minha terra. Fui algemado e levado até a mala da viatura. Quando percebi que eles tinham esquecido de me tirar o celular, fiz vários malabarismos e consegui postar uma mensagem no Facebook contando que estava sendo preso. Eles descobriram, pararam o carro, me tiraram o celular, me esmurraram e me pisotearam. Reagi dizendo que não diria deixar isso em branco e eles pagariam pelo que estavam fazendo. Foi nesta hora em que um deles pisou no meu rosto. Na cela, me deixaram absolutamente nu diante de outros policiais por aproximadamente quatro horas. O que mais me estarrece nisso tudo é perceber que está havendo um retorno aos tempos da barbárie. Não vou deixar esse episódio passar em branco e vou procurar fazer justiça, não apenas em relação ao que aconteceu comigo, mas em relação ao que acontece todos os dias com os meus amigos. Por viver em áreas de periferia, ser filho de pais nordestinos que migraram para o Paraná, ter origem humilde, estava acostumado a saber de coisas desse tipo. Mas acho que o fato de ser advogado e atualmente fazer mestrado, por meio de políticas de inclusão social, já pode ter sido visto como uma forma de chamar a atenção desse pessoal para a agressão a mim.Afinal, sou fruto das políticas de inclusão dos últimos governos, que permitiram a várias pessoas pobres o acesso à universidade e melhoria de vida. A impressão que tudo isso passa é que o que era visto como um direito do cidadão antes desse golpe, agora passou a ser entendido como uma caridade. Não podemos nos calar”.Termina sábado inscrição para exposição de fotos Mosaicografia
A meta é ambiciosa: reunir ao ar livre, durante 12 dias, cerca de 500 fotografias, no Centro Histórico de Porto Alegre. Acervo inclui trabalhos enviados por grandes nomes da fotografia brasileira e mundial, além de amadores e praticantes diletantes de fotografia.

Imagem noturna captada pela argentina Lena Szankay As fotos serão expostas na Mosaicografia, de 3 a 15 de novembro, no Largo Glênio Peres, onde transitam uma média de 200 mil pessoas por dia.
No próximo sábado, dia 17, encerram-se as inscrições gratuitas para essa mega exposição, cujo tema é sustentabilidade, vista em todas as suas possibilidades.

Contribuição de Walter Firmo, lenda viva da fotografia A curadoria é dos fotógrafos Gilberto Perin, Otávio Teixeira e Marcos Monteiro. As fotografias ficarão em painéis de compensado naval, resistente a chuva, frente e verso, com nove metros por 1,60 m cada.
Segundo os organizadores, a temática se refere “à preservação da memória, das águas, dos rios, do planeta, de gente e bichos, dos amores e da gentileza, do patrimônio histórico, das relações e valores, da ética e cultura, dos grandes e pequenos gestos dignos e tudo o que se pode recuperar e tornar o mundo melhor e possível”.

Copacabana pela lente da argentina Lorena Marchetti Tanto a inscrição como a ampliação das fotografias será gratuita para os participantes. Mais informações sobre inscrições, prazos e outras questões são encontradas no site mosaicografia.

Leopoldo Plentz viu sustentabilidade na escultura de sucata 
Francisco Mata Rosas, do México 
Fernando Bueno, do Brasil











