O presidente interino Michel Temer afirmou que pretende nomear “representantes do mundo feminino” para cargos do segundo escalão do seu governo.
Temer concedeu entrevista ao Fantástico, da rede Globo, que foi ao ar na noite deste domingo.
Desde quinta montando o seu governo, ele afirmou que pretende ter mulheres em três áreas: Cultura, Cidadania e Ciência e Tecnologia.
Respondendo às críticas de que a composição de seu ministério é um retrocesso de representação do povo brasileiro, o presidente em exercício disse ainda que sua chefe de gabinete é mulher.
A repórter Sônia Bridi citou que nenhuma delas terá status de ministra e que é a primeira vez desde a redemocratização que um governo não tem mulher à frente de nenhum ministério.
Entretanto, o que chamou mais atenção foi o presidente em exercício ter se referido às mulheres como “representantes do mundo feminino”.
Logo que o presidente interino Michel Temer anunciou a composição do seu ministério, na última quinta-feira, 12, surgiu uma constatação e uma crítica: todos os cargos de ministro são ocupados por homens brancos.
Recentemente, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha afirmou que “em várias funções, nós tentamos buscar mulheres, mas não foi possível.”
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Temer quer “representantes do mundo feminino” no segundo escalão
Comitê repudia violência contra manifestações de rua
Desde o afastamento de Dilma Rousseff na quinta-feira (12), manifestantes fizeram protestos nos Estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.
Em Brasília e Porto Alegre, a repressão policial marcou as manifestações. Em Porto Alegre, atuação da Brigada Militar, que usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, mereceu uma nota de repúdio do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito.
Eis a nota:Desde 2013, vêm ocorrendo manifestações em inúmeras cidades do Brasil, inclusive em Porto Alegre, de diferentes setores da população e com diferentes visões políticas, levando suas reivindicações às ruas.
Na maior parte dessas manifestações, realizadas durante o governo da presidente Dilma Rousseff, houve garantia da segurança pública e ampla cobertura da grande mídia, principalmente das manifestações contrárias ao governo federal.
Nos dias 12 e 13 de maio, jovens foram às ruas em Porto Alegre manifestar sua discordância em relação ao governo federal interino que, entre outras medidas, nomeou para o Ministério da Educação um membro de um partido contrário às cotas nas universidades, além de outras conquistas importantes para a ampliação do acesso a esse nível de ensino, e, ainda, eliminou o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação e reintegrou o Ministério da Cultura ao Ministério da Educação, como fora outrora, quando ainda não existia a ampla rede de atividades e profissionais dedicados a esta área.
Frente a essas manifestações de jovens, a Brigada Militar agiu de forma repressiva, com desmedida violência.
Em sua ação de força, a Brigada usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atingiu também passageiros de ônibus, moradores e trabalhadores do comércio local, criando-se um conflito que resultou em jovens levados a hospital e Delegacia de Polícia.
Nessas ações participaram soldados a cavalo, a pé e em viaturas e foi dispensado um tratamento truculento a manifestantes, captado em fotos expostas nas redes sociais, e, segundo relatos de participantes, foram utilizados também gás de pimenta e armas de choque taser. Mudou, portanto, claramente, a atitude dos agentes de segurança frente a manifestações públicas realizadas nas ruas, após a posse do governo federal interino.
O PMDB, herdeiro da sigla do antigo MDB – partido que lutou contra a violenta repressão da ditadura militar -, utilizará no país o mesmo tipo de ação que outrora combateu, para calar os movimentos sociais que hoje se opõem às suas iniciativas como governo federal interino?
A sociedade brasileira, hoje, está dividida frente aos caminhos a trilhar como Nação e é absolutamente necessário garantir a democracia e a liberdade de manifestação das diferenças, para que elas sejam resolvidas por meio do diálogo, da palavra e não do conflito violento e da força.
Contrários ao uso da violência na manifestação das diferentes posições existentes em nossa sociedade, consideramos que é fundamental e urgente que o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, a quem a Brigada Militar deve obediência, exerça sua autoridade para impedir o uso indevido da força por essa corporação nas atividades de manutenção da ordem pública, garantindo o livre direito de manifestação a todos.
Porto Alegre, 14 de maio de 2016
Prefeitura corta mais R$ 64 milhões no orçamento
Enquanto o impeachment concentrava quase toda atenção da imprensa em Brasília, com os discursos da presidente afastada e o presidente interino, em Porto Alegre, o prefeito José Fortunati anunciou um corte de R$ 64 milhões no orçamento de Porto Alegre para 2016. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, embora a decisão já estivesse homologada desde segunda.
No inicio da janeiro, já havia sido anunciado um corte no orçamento. Somados, eles totalizam quase R$ 132 milhões que serão “economizados” ao longo de 2016.
O prefeito explicou que, com a queda na arrecadação, o corte foi feito para garantir o salário dos servidores. Fortunati garantiu também que as obras em andamento não serão afetadas.
Vinte e três áreas ou secretarias foram atingidas. O maior deles é na Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) onde o corte será de quase R$ 27 milhões. Na EPTC, o corte é de R$ 6,6 milhões, de verbas destinadas para construção de ciclovias.
Na saúde, o corte será cerca de R$ 9,5 milhões, que serão retirados do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (IMESF). Contudo, o governo nega que o corte irá prejudicar os serviços.
Abaixo um quadro com todos os cortes especificados:
Fonte: PMPA
Cpers anuncia greve e ocupa Palácio Piratini por quinze minutos
RAMIRO FURQUIM
O correu nesta tarde de sexta-feira 13 a Assembleia dos professores, realizada no Gigantinho com pelo menos três mil presentes , que decidiu pela greve da categoria por tempo indeterminado.
Depois o grupo rumou para o Palácio Piratini lá comando de greve do Cpers ocupou o gabinete da Casa Civil.
Mas foi uma ocupação relâmpago.
Cerca de quinze minutos depois saíram pacificamente pela porta principal do Palácio.
A presidente Helenir Schuler explicou o que o correu lá dentro: “viemos anunciar oficialmente a greve e pedimos uma audiência com o governador. Pessoal da Casa Civil disse que marcariam e então dissemos: ‘que bom, ficaremos esperando’ e anunciamos a ocupação até a marcação da audiência.Foi então que eles resolveram se mexer e está marcada, para esta terça”.
Os principais motivos indicados para essa paralisação são o parcelamento dos salários, pagamento do piso e não às OSs, plano de carreiras, sucateamento do IPE, e abertura de Mesa de Negociações.
A caminhada até a praça da Matriz contou com a presença de estudantes e foi comemorada ao microfone do carro de som: “Unificou, unificou: é estudante, funcionário e professor”, entoaram.
Dilma passará o final de semana em Porto Alegre
Após ser afastada da Presidência da República, Dilma Roussef que havia passado o último domingo dia das mães, em Porto Alegre, virá novamente à capital dessa vez para descansar.
No começo da manhã estava previsto que desembarcaria por volta das 18h no Salgado Filho. Ela acabou chegando por volta das 21h30min de sexta, desembarcando na Base Aérea de Canoas. Em seguida, seguiu para seu apartamento na zona sul de Porto Alegre.
Na manhã deste sábado, a presidente afastada pedalou em Porto Alegre. Acompanhada por dois seguranças, Dilma deslocou-se pela ciclovia desde o BarraShoppingSul até a Rótula das Cuias, retornando ao ponto inicial.
No percurso, de cerca de 45 minutos, Dilma abanou para pessoas que a cumprimentaram.
"Precisamos pacificar a nação e unir o Brasil", pede Temer
Horas após assumir interinamente o cargo de Presidente da República, Michel Temer falou oficialmente pela primeira vez. Durante quase 30 minutos pediu água, pastilha para voz e anunciou seus planos de governo.
Temer pediu confiança ao povo brasileiro. “Precisamos urgente pacificar a nação e unir o Brasil”, clamou. O presidente interino foi enfático em seu discurso, falou das reformas que o país precisa, de equilibrar as contas, de enxugar os gastos. Para isso, já começou cortando Ministérios.
Para contornar a crise, falou em abertura ao mercado internacional. “É preciso resgatar a credibilidade do Brasil.”
Entre medidas para retomar o crescimento, Michel falou em combate à inflação, autonomia do Banco Central e um projeto de “empregabilidade”
Pelo tom do discurso, já deu indícios de que deve fazer privatizações: “saúde, segurança e educação não devem sair das órbitas públicas, o restante deve ser compartilhado com a iniciativa privada.”
Quanto às investigações da Lava-Jato, falou que não irá interferir em nada.
Michel Temer garantiu ainda que irá manter os projetos sociais como Bolsa-Família, Pronatec, Minha Casa Minha Vida, entre outros. Ressaltou a importância da agricultura familiar e de apoio aos micros e pequenos empresários.
O presidente em exercício lembrou que o mundo observa o Brasil: “Daqui dois meses teremos Olimpíadas um momento raro em que seremos olhados por todos” salientou.
Entre suas próximas medidas, sinalizou uma mudança no Pacto Federativo entre estados e municípios junto à União.
Já no final, declarou solidariedade e respeito institucional à presidente Dilma, mas preferiu não julgar o mérito de seu afastamento. Temer ressaltou a importância da harmonia entre os poderes e sugeriu uma mensagem de otimismo para combater a crise: “A partir de agora não podemos mais falar em crise, trabalharemos”, disse, citando uma placa que disse ter visto e um posto de combustíveis.
Michel Temer concluiu seu discurso falando em fazer um ato religioso no país. “Queremos fazer um ato de religação em toda sociedade, um ato religioso.” Por fim, pediu a benção de Deus para ele, seus ministros e população e encerrou sua palavra.Crise na educação: mais uma escola ocupada em Porto Alegre
Depois do Colégio Emílio Massot, mais uma escola foi ocupada no início da tarde em Porto Alegre: Escola Estadual Agrônomo Pedro Pereira, localizada na avenida Bento Gonçalves, zona leste da cidade.
Mais escolas no RS devem fazer o mesmo. A informação vem dos líderes da ocupação no Emílio Massot. O movimento fala em vinte escolas ocupadas até segunda-feira em todo Rio Grande do Sul.
A Presidente do Cpers, Helenir Schürer comemora o momento. “Estou muito feliz”, disse a professora por telefone à reportagem do JÁ.
Segundo Helenir, as ocupações que estão ocorrendo em todo o país são resultado de um avanço da sociedade. “Nós realizamos oito audiências desde o ano passado com pais, alunos, professores e funcionários e sempre alertamos que precisávamos da ajuda de todos pra mudar o quadro”, ressaltou.
Também criticou o governo Sartori e denunciou o descaso da atual gestão. “Temos escolas sucateadas, os professores com salários atrasados e sem valorização, isso é muito triste”.
O Cpers prepara uma Assembleia Geral, para a próxima sexta-feira,dia 13, onde a greve será deflagrada. “Não há outro caminho”, confirmou a presidente da categoria.Estudantes no Emílio Massot : "Só sairemos quando resolverem os problemas"
Matheus Chaparini
Os alunos que ocupam o Colégio Estadual Afonso Emilio Massot, desde a manhã do dia 11, se reuniram no final da tarde, com o secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Educação, Luís Antônio Alcoba de Freitas. O representante do governo se comprometeu com as exigências mas o grupo garantiu que a ocupação segue enquanto os problemas não forem resolvidos.
As principais reclamações são o atraso no repasse de verbas pelo Governo do Estado desde o novembro de 2015, a falta de professores e funcionários na escola e o parcelamento dos salários.
O grupo ocupou o colégio às 7h. O movimento, que foi organizado pelo Grêmio Estudantil da escola, conta com adesão de diversos alunos e apoio de alguns professores. Segundo o presidente do Grêmio Estudantil Marcos Anderson da Silva Mano, no turno da manhã cerca de 300 alunos manifestaram apoio ao movimento, à tarde, foram mais 200.
A escola tem pouco mais de mil alunos ao todo. No turno da manhã, estudam os alunos do ensino médio, à tarde, os de ensino fundamental e à noite os estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Parcelas atrasadas já estão sendo pagas
O secretário afirmou que as parcelas relativas aos meses de novembro e dezembro foram depositadas no mesmo dia da ocupação. Freitas garantiu o pagamento da parcela de março para esta quinta-feira.
Em relação a janeiro e fevereiro, o secretário adjunto afirmou que as parcelas não foram pagas, pois a nova direção da escola ainda não havia aberto a conta e que esta situação deve ser regularizada nos próximos dias. A parcela referente a abril deve ser paga no final do mês de maio.
Reposição de professor não tem previsão
Os alunos reclamam da falta de um professor de geografia do ensino médio. O secretário adjunto afirmou que a falta do professor de geografia foi comunicada à secretaria em 5 de maio e que a substituição já está sendo providenciada, mas não deu prazo.
Freitas afirmou que há carência de mais um professor, mas que não consta no sistema, pois a saída não foi formalizada, o que impede a contratação de novo professor.
Colégio também tem carência de funcionários
Os líderes da ocupação avaliaram positivamente a reunião com o secretário-adjunto, mas a escola deve permanecer a ocupada até que as reivindicações sejam atendidas. “A nossa decisão é que vamos continuar aqui até que as garantias sejam cumpridas”, afirmou o presidente do Grêmio Estudantil, Marcos Anderson da Silva Mano.
Segundo Marcos, a falta da verba de autonomia da escola está dificultando até mesmo a aquisição de materiais de limpeza. Outro problema apontado é a falta de funcionários.
“Eu estudo aqui há dez anos e todo este tempo não tem monitor de manhã nem de tarde e o funcionário da limpeza tem que fazer as duas funções”, reclamou o jovem, queixando-se também da ausência de pessoal até nos refeitórios.
Henrique Malet, diretor financeira do Grêmio Estudantil, explica que parte da motivação dos alunos vem da falta de resposta do governo às manifestações dos professores: “A situação passou dos limites. Os professores se mobilizam, vão pra rua e não adianta nada.”A primeira noite da ocupação do colégio Emílio Massot
Matheus Chaparini
Em torno das 21h começam a chegar os colchões à escola ocupada e os alunos passam a ajeitar as salas que servirão de dormitório: uma para gurias, outra para guris. Os alunos homens são maioria na ocupação. A refeição da noite foi preparada pelo refeitório da própria escola.
A ocupação não interrompe as atividades da instituição. Os ocupantes garantem que os professores que quiserem, podem dar suas aulas normalmente. Grêmios Estudantis de outras escolas e entidades como Cpers e Assurfgs contribuem com alimentos e equipamentos, como um fogareiro.
No interior da escola, permanece um grupo formado por cerca de 30 alunos e quatro professores. Alguns deles estão na escola desde as 7h, quando iniciou a ocupação. O cansaço é visível. A noite é fria e o cobertor sobre os ombros se torna o traje da ocupação, principalmente entre as meninas.
Quem controla o portão sao os próprios alunos. Quando estão em reunião, os professores assumem / Ramiro Furquim / Jornal JÁ
Na entrada da escola, um cartaz anuncia “em luta pela educação”, outro exige: “fora Sartori.” Algumas fotos penduradas no teto mostram o envolvimento dos estudantes do Emílio Massot em manifestações em defesa do ensino público.
Por volta das 22h30, dois estudantes chegam ao portão fechado e querem entrar. Uma professora que cuida da porta enquanto os alunos estão em reunião recomenda que voltem pela manhã. Os horários de acesso e de atividades da ocupação foram definidos entre estudantes e direção da escola.
Às 22h50, tem início o Cine Ocupação, com um vídeo sobre a Marcha Mundial de Mulheres. Mas a chegada de uma câmera de tevê à escola cria um burburinho e dispersa as atenções. Um grupo de alunos se junta em frente ao cinegrafista, pulando e cantando: “Não tá tranquilo, nem favorável, esse governo é imprestável.”
Um pequeno grupo de alunas manda um recado para um apresentador da emissora, através da câmera. Elas criticam o atraso no repasse de verbas à escola e o parcelamento dos salários dos servidores públicos estaduais. O cinegrafista grava algumas cenas espontâneas dos alunos, outras montadas artificialmente. E a professora consegue concentrar o foco das atenções no vídeo.
Após exibição do vídeo, a professora Vanessa, de sociologia, propõe um debate sobre organização / Ramiro Furquim/Jornal Já
A atividade foi proposta pelos professores e o ambiente na sala lembra uma aula. Ao fim da sessão, a professora de sociologia usa suas experiências de militante para falar da importância da organização e da divisão de tarefas para a continuidade do movimento e cobra mobilização dos estudantes.
“Quem vai fazer o café da manhã? Quem vai cuidar da infraestrutura? Quem vai falar com a imprensa? Eu não vou dirigir o movimento de vocês, vocês precisam se organizar, precisam exercer a democracia com participação.”
Um estudante pondera: “ô sora, a senhora tem que entender que é o nosso primeiro dia, tá ligado?”
Às 23h30, os professores se retiram da sala: “a ocupação é de vocês.” – e os alunos iniciam uma assembleia. Na pauta, o café da manhã da quinta-feira, a divisão das tarefas e os próximos passos do movimento que realizou a primeira ocupação de escola pública no Rio Grande do Sul.
Fogareiro foi emprestado pela Assufrgs / Ramiro Furquim/Jornal Já Esquerda busca unidade para enfrentar o pós-Dilma
“O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo!”
Não era uma multidão cantando, eram no máximo dois mil os manifestantes reunidos em torno de um carro de som.
Mas o coro, afinado, reverberava pela parede dos edifícios que cercam a Esquina Democrática e enchia o centro de Porto Alegre com o velho bordão da esquerda.
O ato, para denunciar o golpe, foi convocado por duas frentes: “Brasil Popular” e “Povo Sem Medo”. A primeira mais ligada ao PT, a segunda a partidos à esquerda do PT.
Mais do que o protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff, o que parecia animar os manifestantes era a possibilidade de união das forças de esquerda para enfrentar o inimigo comum, agora representado pelo governo Temer.
Em cima do caminhão, o orador falava em socialismo, em “mexer na sociedade privada” e que os prédios públicos sem uso devem ser tomados pelos sem teto. Os cartazes denuncia o golpe: “O golpe veste toga”, “Fora Bolsonaro”. “Resistência democrática”. “Patrões financiam o golpe”.
Mas entre o público, nas rodinhas que reuniam velhos militantes da esquerda democrática, o assunto dominante é o desafio de retomar a luta.
“Agora temos que fazer o enterro, curtir o luto e recomeçar”, dizia o advogado Mário Madureira.
É claro o consenso: um ciclo se encerrou. Toda a esquerda foi derrotada com a queda do PT.
O desafio agora é construir a unidade, reunindo num só movimento sindicalistas, intelectuais, estudantes, agricultores.
Os atos de protesto que ocorreram nesta sexta-feira durante o dia em 17 Estados, foram o primeiro ensaio. O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação contra o Golpe, convocado pelas duas frentes – Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, tende a ser um ponto de partida.
As manifestações foram pacíficas, mas em Vitória houve confronto com a polícia.
Pelo menos três jornalistas foram agredidos durante a manifestação. Um homem deu socos e pontapés nos profissionais, foi identificado e levado para a delegacia.[envira-gallery id=”32737″]




