Em sua edição desta quarta-feira a Folha de São Paulo publica o artigo “Apocalipse do jornalismo”, do jornalista Mario Vitor Santos,
Santos foi diretor em Brasilia, secretário de redação e fez a crítica do jornal, como ombudsman, por duas vezes – de 1991/93 e em 1997.
Seu artigo soa como o primeiro ensaio de uma autocrítica que o jornalismo brasileiro está devendo a seu público.
Vale reproduzir:
APOCALIPSE DO JORNALISMO
Mário Vitor Santos
A ruptura institucional em via de ser completada no Brasil é resultado direto da degradação do jornalismo posto em prática por quase todos os meios de comunicação no país. Os cuidados éticos foram sacrificados a tal ponto que o jornalismo promove a derrubada de uma presidente até agora considerada honesta.
Jornalismo deve informar os fatos de pontos de vista diferentes e contrários, encarnar ideias em disputa, canalizar o entrechoque de versões, sublimar antagonismos.
Veículos brasileiros, ao contrário, quase todos em dificuldades financeiras e assediados pelos novos hábitos do público, uniram esforços na defesa de uma ideia única. Compactaram-se em exageros, catastrofismo e idiossincrasias. Agruparam-se de um lado só da balança, fortes para nocautear um governo, mas fracos para manter sua própria razão de existir, a autonomia.
Poderia ser diferente. As denúncias de corrupção da Operação Lava Jato deveriam mesmo merecer toda a atenção de uma imprensa aguerrida. Deveriam mobilizar controles e cuidados na mesma proporção. No entanto, se a justiça da Lava Jato tem alvo preferencial, o jornalismo não deveria ter. Quem defende o equilíbrio quando justiça seletiva e jornalismo discricionário se fundem?
Normas e técnicas jornalísticas não são meros enfeites para códigos ou lições esquecidas nos bancos da escola. São peças essenciais para a sobrevivência da democracia.
Na Lava Jato, o que deveria motivar uma custosa operação de checagem independente e edição autônoma derivou numa repetição inglória dos piores momentos do jornalismo do passado. A audição generosa e justa do chamado outro lado das denúncias, tanto na apuração das informações como em sua edição, não existiu.
O abuso de reportagens baseadas exclusivamente em fontes mantidas em sigilo tornou-se a regra. Vazamentos com objetivo manipulatório foram a tônica. Quando informações em “off” dão as cartas e o outro lado é uma formalidade, o jornalismo não existe senão como contrafação.
O que foi feito do esforço de convivência de tantos profissionais de ponta com outras culturas jornalísticas mais avançadas, tolerantes e variadas? Onde estão as intenções de controle técnico, equidistância, sobriedade e isenção?
Os ombudsmans, os rigores autonomistas das técnicas de investigação independentes e as autocríticas não serviram para nada. Virou pó o empenho de ao menos uma geração de profissionais para que o jornalismo, depois do infame apoio majoritário ao golpe de 1964, viesse a seguir melhores padrões.
Não pode haver fracasso maior para quem ao longo dos anos aspirou a se legitimar como instituição pilar de uma jovem democracia. Veículos de mídia cederam ao populismo que inflama os ódios de classe e leva o país a vivenciar mais um golpe contra as instituições.
Fica para conferir se a mídia terá no governo Temer a mesma obsessão higienizadora e incriminatória que exibe contra a ordem petista.
Já se diz que a queda do governo Dilma marca o ocaso do arranjo democrático da Constituição de 1988. Corporifica também o fim do breve ensaio de jornalismo surgido no bojo do movimento que levou à Nova República.
Parodiando o poema trágico de Murilo Mendes, essa mídia nativa, em busca da sobrevivência, nasceu para a catástrofe.
Categoria: Geral
Folha ensaia autocrítica por cobertura do impeachment
"Depois de Zé Dirceu será a vez de Dilma e Lula"
Mal foi anunciada a condenação do ex-ministro José Dirceu, poucos minutos depois da divulgação da sentença, nesta quarta-feira, um dos comentaristas da rádio Gaúcha já deu o tom da cobertura e seus desdobramentos.
“Zé Dirceu é, até agora, o único dos principais líderes petistas que está pagando o pato. E os outros? Se há razões para condenar o Dirceu, também pode haver para condenar Dilma e Lula”, foi o comentário imediato do jornalista David Coimbra, um dos ancoras do Timeline..
Dirceu foi condenado a 23 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, na operação Lava Jato por crimes corrupção passiva, vantagens indevidas, lavagem de dinheiro.
Segundo o juiz o caso de Dirceu foi agravado porque enquanto estava sendo julgado e condenado no mensalão ele continuava atuando no esquema de corrupção da Petrobras.
A sentença é no ambito da Justiça Federal. Cabe recurso.
Educação: sem avanço em reunião com o governo, greve e ocupações aumentam no RS
Pela demonstração de pouco interesse do governo estadual na reunião realizada nesta terça-feira, com o Comando de Greve do Cpers/Sindicato, o movimento de paralisação dos professores da rede pública terá muito trabalho para ter sucesso em alguma das 14 reivindicações da categoria.
Prevista inicialmente para o Palácio Piratini a reunião foi realizada na Secretaria de Educação e o principal interlocutor aguardado pelos professores, o secretário da Fazenda, Giovane Feltes, não compareceu. Só estavam presentes, o secretário interino da Educação, Luis Antônio Alcoba e o chefe da casa Civil, Márcio Biochi. No local, houve um princípio de tumulto já que a Segurança da Secretaria da Educação não permitiu a entrada dos representantes dos alunos na reunião.
Por isso, a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer fez questão de dizer que o encontro foi pouco produtivo e não teve avanços. Não ficou agendado novo encontro. “Mas não queremos ouvir intenções, queremos propostas concretas e a presença do secretário Feltes. O tempo que levará para termos uma nova audiência demonstrará o interesse do governo em resolver a greve dos educadores”, afirmou Helenir Schürer.
42 escolas ocupadas
Se no terreno das negociações os avanços não ocorrem, na novidade dessa greve- a ocupação de escolas por alunos- os ganhos são significativos. Até as 19 horas da terça-feira, 42 escolas estavam ocupadas, segundo levantamento do movimento Ocupa Tudo RS. Incentivador da ação estudantil, o Cpers/ Sindicato recomendou a pais de alunos e professores e a comunidade em geral a apoiar a iniciativa estudantil.
As escolas ocupadas estão recebendo apoio e doações da comunidade escolar. Durante o dia, os alunos estão participando de diversas oficinas com o objetivo de debater o momento pelo qual passa a educação pública no país. Outra oficina realizada é a de criação de cartazes e faixas utilizados nos portões das escolas.
O Comando de Greve do Cpers obteve do secretário interino da Educação a promessa que a ação dos estudantes será tratada como um caso da área de Educação, não da alçada policial, como é temor entre os pais, professores e alunos da rede pública. Para a presidente do Cpers, Helenir Schürer, o único ponto positivo da reunião foi a garantia que os alunos que ocupam as escolas não sofrerão repressões."Foi uma violência desproporcional", relatam as jovens detidas pela BM em manifestação
Foram quase nove horas desde a detenção, ocorrida entre a rua Lima e Silva e avenida Loureiro da Silva, até que as quatro jovens saíssem do IML, para onde foram encaminhadas após serem liberadas da 3ªDPPA, delegacia da Polícia Civil no Bairro Navegantes.
Carolina, Alexandra, Nicole e Julia foram agredidas pela Brigada Militar, durante a manifestação da última sexta-feira, no bairro Cidade Baixa. As quatro jovens, com idades entre 20 e 25 anos, foram vítimas de bombas de gás, balas de borracha, puxões, empurrões, asfixia e beliscões em várias partes do corpo, além de sofrer ameaças.
Seus relatos foram ouvidos em entrevista coletiva, no quinto andar da Sede da Ajuris no bairro Praia de Belas em Porto Alegre. Elas foram as únicas detidas do protesto. A BM alegou desacato, tentativa de agressão e resistência a voz de prisão.
Ao fim do ato, bombas e prisões
Ferimento de bala de borracha
A artista visual Alexandra Assunpção foi a primeira a se pronunciar. Ela disse que estava no protesto lutando pela cultura, que acredita “estar sendo destruída” pelo governo interino. Alexandra diz ter acompanhado quase todo o protesto, que até então seguia tranquilo, fazendo fotos e vídeos.
O pessoal já se dispersava quando de repente se depararam com bombas de gás e ação truculenta da cavalaria. Alexandra conta que se refugiou das bombas de gás em uma lancheria, onde lhe deram vinagre. Recuperada, voltou para a rua para filmar.
Ao olhar para o lado percebeu outra mulher jovem sendo carregada por dois homens de jaquetas pretas e calça jeans, aos gritos. Então, correu em direção aos três para tentar prestar ajuda à menina. Foi quando viu policiais vindo em sua direção. O alívio, por achar que estaria segura ao lado dos brigadianos que se aproximavam, foi desfeito rapidamente. Logo a separaram da jovem. Foi detida e arrastada pelos policias de quem esperava ajuda.
Ao ver Alexandra sendo agarrada por agentes do choque, a amiga Nicole saiu em sua defesa. Também foi carregada e detida. A tentativa de diálogo foi recusada com truculência e brutalidade. Bombas de gás, que foram disparadas pelo Batalhão de Choque, faziam do ambiente nada receptivo ainda mais viril.
agredidas, presas e algemadas
“Foi uma violência desproporcional”, relata Nicole. No caminho até o carro ouviram xingamentos, receberam apertões e foram algemadas. “Somente depois vi que a Nicole estava junto comigo”, relatou Alexandra. A violência psicológica era muito forte. Após saírem e entrarem diversas vezes do camburão entraram no carro para onde iriam para a Polícia. Dentro do veículo, nem o cinto de segurança foi colocado.
Seis policiais carregaram Carolina, afastada das outras duas. Ao vê-las no carro da frente, pediu para ir junto, o que lhe foi negado. A jovem, que é estudante de Jornalismo, estava no protesto manifestando seu repúdio ao machismo, ao fascismo e à homofobia.
Hematoma causado pelas agressões
Carolina conta que já estava indo embora quando começou a confusão e tentou se esconder do gás lacrimogênio e dos disparos de balas de borracha atrás de um contêiner. Dois homens “enjaquetados” vieram em sua direção e exigiram que ficasse quieta, enquanto a seguraram fortemente.
Quando Carolina começou a gritar, vieram seis homens do choque e a levaram. Antes disso, ela conta ter apanhado bastante da Brigada Militar. Um brigadiano apertou seu pescoço a deixando sem ar. Já dentro da viatura, algemada, foi ameaçada por um policial. “Se vierem te proteger vão tomar bala”, disse o homem. Logo depois foi encaminhada à delegacia.
Longe dali, a estudante de direito Julia procurava notícias das amigas, até então sem saber para onde haviam sido levadas. Julia não foi pega pela Tropa de Choque da Brigada, mas tomou dois tiros de borracha, que atingiram seu braço direito e joelho esquerdo. As bombas de gás também a fizeram ficar tonta e sem ar.
Já recomposta, descobriu o paradeiro das outras. Chegando na Delegacia, onde pretendia prestar queixa das agressões e saber o paradeiro das amigas, foi surpreendida. “De vítima passei a ser acusada” revela. Um policial deu voz de prisão e disse que sabia que ela estava na manifestação. Mesmo sabendo de seus direitos e de que aquilo não poderia se proceder daquele jeito, preferiu não fazer resistência. Foi algemada e levada junto as outras.
Advogados chegaram e tratamento mudou
Mesmo depois de dias, os hematomas permanecem.
Os advogados Darcy de Moraes e Lucemara Beltrami chegaram à delegacia, quiseram falar com as moças e após se identificarem, pediram que elas fossem desalgemadas. Não foram atendidos de imediato, pois, segundo os policiais que ficaram no local, as chaves estavam em poder de outro policial, que havia levado outras duas acusadas para atendimento médico.
Os dois advogados haviam participado da então manifestação pacifica e sem tumultos. Saíram antes do ataque da BM. Já em suas casas foram surpresos ao saber que uma jovem manifestante estava desaparecida. Apoiados pelas redes sociais eles conseguiram encontra-la e, por consequência, as outras três. A comunicação via redes sociais ajudou na procura.
“O tratamento humilhante só mudou com a nossa presença”, relatou a advogada. A partir de agora eles tratarão do caso juridicamente. “Vamos defender elas dessa acusação irresponsável”, afirmou Darcy. Os dois homens de jaquetas pretas relatados na entrevista coletiva eram da infiltrados da Polícia Militar. Um deles é Leandro Luz. O caso será denunciado ao Ministério Público Estadual.
Conselho Indigenista condena "retrocessos anunciados por Temer"
O Conselho Indigenista Missionário manifestou preocupação em relação à possibilidade de o presidente interino Michel Temer revogar os atos administrativos de demarcação de terras indígenas, publicados no governo Dilma. O Cimi lançou nota oficial nesta terça-feira.
O Conselho criticou também o governo Dilma, “o que menos demarcou terras indígenas desde a ditadura militar”, mas afirmou que Temer “parece disposto a ser ainda mais subserviente e serviçal aos interesses financeiros dos conglomerados empresariais.”
Na nota, o Cimi presta solidariedade aos quilombolas, “golpeados por Temer que entregou a responsabilidade pela titulação de suas terras ao DEM.”
O Conselho Indigenista Missionário é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), criado em 1972, que atua junto aos povos indígenas.
Confira a íntegra da nota:
Nota do Cimi sobre os retrocessos anunciados por Temer contra os Povos
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifesta preocupação diante das informações veiculadas, por diferentes veículos de comunicação, nesta segunda-feira, 16, de que Temer pretende revogar atos administrativos de demarcação de terras indígenas publicados pelo governo Dilma.
Beneficiados inclusive com as “pedaladas fiscais”, usadas por eles próprios como subterfúgio argumentativo para decretar um verdadeiro golpe na frágil e limitada democracia brasileira, os setores econômicos vinculados ao ruralismo agroexportador não se contentaram em contribuir para que o governo Dilma seja o que menos demarcou terras indígenas desde a ditadura militar.
Temer parece disposto a ser ainda mais subserviente e serviçal aos interesses financeiros dos conglomerados empresariais, de capital nacional e internacional, representados pela bancada ruralista, pela Confederação Nacional da Agricultura e pelo Instituto Pensar Agro. Para estes, a Constituição e o povo brasileiro são o que menos importa. A revogação de atos que, embora tardios e insuficientes, reconhecem a povos originários o direito fundamental às suas terras se converteria em mais uma prova desse fato.
O Cimi presta solidariedade aos quilombolas do nosso país, golpeados por Temer que entregou a responsabilidade pela titulação de suas terras ao DEM, partido que questiona judicialmente, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a constitucionalidade do Decreto 4887/03 que regulamente a matéria.
O Cimi faz votos e se soma à luta para que os golpes e os retrocessos contra os direitos dos povos no Brasil sejam cessados.
Brasília, DF, 17 de maio de 2016
Conselho Indigenista Missionário – CimiExonerado por Temer, diretor-presidente da EBC recorre à Justiça
O jornalista Ricardo Melo foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O decreto, assinado pelo presidente em exercício Michel Temer, foi publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 17.O jornalista afirmou que tomará as medidas cabíveis para a garantia de seu mandato. Na última sexta-feira (13), a Diretoria Executiva da EBC se manifestou defendendo que o mandato de quatro anos é garantido por lei.
No sábado, 14, o Conselho Curador da EBC também se posicionou sobre a garantia do mandato de Ricardo Melo. O diretor-presidente foi nomeado por Dilma no último dia 3 de maio e tomou posse na última terça, dia 10.
Confira nota da Executiva da EBC:
1. O atual diretor-presidente, jornalista Ricardo Melo, foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff por meio de decreto publicado no dia 3 de maio de 2016, com base na Lei 11.652/2008, que autorizou a criação da EBC.
2. Em seu artigo 19 a lei prevê que o diretor-presidente e o diretor-geral sejam nomeados pelo presidente da República. O parágrafo segundo do mesmo artigo diz que “o mandato do Diretor-Presidente será de quatro anos”.
3. Ao longo do intenso debate público que levou à criação da EBC, firmou-se a concepção de que o diretor-presidente deveria ter mandato fixo, não coincidente com os mandatos de Presidentes da República, para assegurar a independência dos canais públicos, tal como ocorre nos sistemas de radiodifusão pública de outros países democráticos.
4. A EBC tem como missão fundamental instituir e gerir os canais públicos, sob a supervisão do Conselho Curador, composto majoritariamente de representantes da sociedade civil. A lei prevê que caberá também à empresa prestar serviços de comunicação ao governo federal, tais como a gestão do canal governamental NBR e transmissões de atos da administração federal, serviços estes prestados através de unidade específica, a diretoria de Serviços.
Em razão desses fatos, a exoneração do diretor-presidente da EBC antes do término do atual mandato viola um ato jurídico perfeito, princípio fundamental do Estado de Direito, bem como um dos princípios específicos da Radiodifusão Pública, relacionado com sua autonomia em relação ao Governo Federal.”Minuta de decreto reabre debate sobre restrição à arte na rua
Matheus Chaparini
Uma minuta de decreto distribuída pelo gabinete do vice-prefeito Sebastião Melo às secretarias da Prefeitura reabriu o debate sobre restrições ao trabalho dos artistas de rua em Porto Alegre. Pelo texto, “a realização de eventos nos logradouros públicos de Porto Alegre depende de prévia autorização.” A minuta prevê ainda pagamento pelo uso do espaço público e proíbe uso de instrumentos no Largo Zumbi dos Palmares.
O documento foi distribuído para as secretarias municipais, mas vazou e foi publicado em uma pagina de artistas de rua, onde gerou um intenso debate. Até o próprio Melo apareceu na página para se explicar. “Reitero o compromisso, assumido no ano passado, de não regulamentação da Lei dos Artistas de Rua”, afirmou o vice-prefeito. Melo garantiu que o objetivo do decreto é agilizar o processo de autorização dos eventos.
Mas os artistas acreditam que o texto seja uma reedição da minuta publicada em agosto de 2015, porém mais abrangente, pois não se refere a “artistas de rua”, mas a “eventos em logradouros públicos.”
Para o músico Ricardo Bordin, coordenador da Associação de Músicos da Cidade Baixa (AssoM-CB), a situação é semelhante à de agosto de 2015. “Novamente foi uma iniciativa do gabinete do Melo, feita na surdina, sem ninguém ficar sabendo. Demos a sorte de alguém nos repassar o documento. Do contrário, acredito que o decreto ia passar”, afirmou.
Documento semelhante foi criticado no ano passado
Em agosto de 2015, uma minuta semelhante gerou uma grande discussão na cidade, motivou um cortejo de artistas em protesto e a realização de uma audiência pública. O texto regulamentava a Lei dos Artistas de Rua, lei 11.586 de 2014, e foi considerado um retrocesso nos direitos da categoria.
Na ocasião, o texto de apenas uma página obrigava os artistas a pedirem autorização prévia para suas atividades, impedia que comercializassem seus materiais e proibia o uso de instrumentos percussivos e amplificadores no Centro Histórico e em praças e parques da capital. Em um primeiro momento, Sebastião Melo admitiu que o documento saiu de seu gabinete, porém sua anuência. Após os protestos, pediu que o texto fosse desconsiderado.
O novo texto tem treze páginas, data de 4 de maio, com previsão de entrar em vigência no dia 1º de julho. A minuta foi divulgada no último domingo, 15, em uma página de artistas de rua no facebook. A postagem gerou um debate na rede social e até Melo apareceu para se justificar.
O gabinete do vice confirma o envio do documento, mas garante que a iniciativa não visa os artistas de rua, mas eventos de comida de rua e feiras de animais. A assessoria do gabinete informou que a ideia é centralizar o processo de liberação destes eventos. Informou ainda que, este ano, foram feitas 1500 solicitações à prefeitura e que a descentralização das informações dificulta o processo de liberação.
Bordin vê com desconfiança a explicação do gabinete. “Esta justificativa não se aplica, temos que nos ater ao texto. Em nenhum momento ele se restringe a atividades comerciais. Fala em atividade em logradouro publico, então é qualquer atividade, artistica, política, religiosa.
Para o músico Márcio Petracco, que toca na rua com o Conjunto Bluegrass Portoalegrense, a situação é ainda mais preocupante. “Se não fala em arte na rua, é até pior, porque pode restringir todo tipo de manifestação”, concluiu.
Os artistas já estão se articulando e querem se reunir com vereadores ainda esta semana para tratar sobre o tema.
Documento prevê cobrança pelo uso do espaço público
O texto da minuta prevê ainda a cobrança pelo uso do espaço público. Para eventos realizados na região central da cidade, o valor é de 80 Unidades Financeiras Municipais, o que totaliza R$ 292, a cada 18m² de área utilizada por um período de 4h.
Nas demais regiões da cidade, o custo fica em 20 UFMs, para a mesma área e período.
Texto proíbe instrumentos musicais no Largo Zumbi
No Largo Zumbi dos Palmares, fica proibido o uso de qualquer instrumento musical ou equipamento sonoro, exceto em eventos organizados pelas associações de moradores locais, direcionados à luta contra qualquer discriminação racial e eventos da Semana da Consciência Negra.
O texto determina também o horário para a realização de eventos entre as 8h e as 22h, salvo eventos tradicionais como natal e ano novo.Escolas ocupadas e greve do Cpers são a marca da crise na educação do RS
Higino Barros
Marcada por uma novidade – a ocupação de escolas por alunos – começou nessa segunda-feira, dia 16, a greve geral, por tempo indeterminado, dos professores da rede pública estadual do Rio Grande do Sul. A greve foi decretada em assembléia geral do Cpers/Sindicato, no último dia 13. Até o início da noite, há 19 escolas estaduais ocupadas no RS, segundo a página Ocupa Tudo RS, no facebook: em Porto Alegre, Passo Fundo, Pelotas e Rio Grande.
Comando de greve chegou a anunciar ocupação do Piratini | Caco Argemi/Cpers
Nessa terça-feira, às 9 horas, o comando de greve do CPERS se reúne no Palácio Piratini com o secretário interino da Educação, Luis Antônio Alcoba de Freitas, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes e o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi.
Na pauta da reunião, as principais reivindicações dos professores em greve: o fim dos atrasos no pagamentos dos salários, a correção da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, que causa perdas salariais ao funcionários públicos, e a questão do reenquadramento salarial dos professores que recebem também por difícil acesso. Ao todo, a pauta de reivindicações inclui 14 itens, entre eles o reajuste imediato de 13,01% referente a 2015, e mais 11,36%, referente a este ano.
Ocupações de escolas se espalham pelo estado
A ocupação dos estabelecimentos de ensino estaduais começou na semana passada, com os alunos da Escola Emílio Massot. Outras escolas aderiram à iniciativa, com motivações semelhantes para o ato, a maioria em apoio ao movimento de paralisação do corpo docente e contra as más condições de infra estrutura dos estabelecimentos.
Mas a ocupação não foi consenso, já que na Escola Paula Soares, ao lado do Palácio Piratini, grande parte dos professores não aderiu a greve. Os alunos trancaram os portões, manifestando apoio aos grevistas e impediram a realização das aulas.
Alunos do Massot desocuparam colégio após anúncio de greve | Ramiro Furquim/Jornal Já
O governo estadual alega que as más condições financeiras não permitem o atendimento às reivindicações dos grevistas e diz que a adesão ao movimento é fraca no interior. O sindicato, no entanto, considera a paralisação expressiva e promete um balanço para esta terça-feira.
Governo ordenou corte do ponto dos grevistas
No mês passado, o sindicato entrou com uma ação de improbidade administrativa no Ministério Público contra o governador José Ivo Sartori. “ O governo estadual gasta dinheiro fazendo propaganda de suas realizações, mas alega não ter dinheiro para pagamento dos professores”, afirma a presidente do Cpers, Helenir Schuler.
O secretário titular da Educação, Vieira da Cunha, está de férias no exterior e há comentários de que teria pedido demissão do cargo, não aceita pelo governador Sartori. A greve segue por tempo indeterminado. O peemedebista já ordenou o corte do ponto do grevistas, mas pode rever a posição, desde que as aulas paralisadas sejam recuperadas.Presidente da Gerdau encabeça lista de indiciados na Zelotes
A Polícia Federal encaminhou à justiça o indiciamento de 19 pessoas envolvidas no esquema de Corrupção do Carf, alvo da operação Zelotes.
O relatório é fruto da sexta fase da operação, ocorrida em fevereiro, quando a PF cumpriu 18 apreensões e 20 conduções coercitivas em cinco estados (São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e no Distrito Federal). Na época ninguém foi preso.
O alvo da ação era a empresa Gerdau suspeita de tentar se livrar de ações no CARF que somam R$ 1,5 bilhão. O diretor-presidente da empresa, André Gerdau, foi um dos que prestou depoimento na oportunidade e está entre os indiciados.
A Gerdau diz que só se manifesta publicamente após receber notificação oficial.Uber voltar a ser discutido na Câmara Municipal
Operando irregularmente desde novembro em Porto Alegre, o Uber volta à pauta no legislativo porto-alegrense.
Na manhã desta segunda-feira, o prefeito José Fortunati enviou à casa o projeto de regulamentação do serviço. O presidente da Câmara, Cassio Trogildo (PTB) , já anunciou que pedirá uma audiência pública para discutir a matéria com a sociedade.
“Esperamos aprovar esse projeto até o fim do ano, mas isso quem vai determinar será a demanda que a sociedade apontar.” afirmou.
O projeto é fruto de reuniões de um Grupo de Trabalho formado ainda no ano passado.
Estão incluídos no projeto alguns pontos como: o carro deve ter no máximo cinco anos de circulação, deve ser entregue o cadastro dos veículos e dos motoristas para a prefeitura. Vistorias aos automóveis de seis em seis meses também estão previstas, bem como o pagamento de uma taxa mensal de cerca de R$ 180,00.
O serviço não é legalizado na capital e foi proibido oficialmente uma semana depois de estrear através de projeto de lei do vereador Claudio Janta, que foi aprovado por 22 votos a favor e nove contra.





