Categoria: Geral

  • Sede própria e renovação, os desafios da Agapan

    FELIPE UHR
    “No principio, eram poucas pessoas imbuídas de um sincero desejo de preservar a natureza. Sentiam a necessidade urgente de agir, mas não tinham recursos nem patrocinadores”.
    “Não tinham nem onde se reunir e alguns, vistos como subversivos, tinham até ficha nos órgãos de segurança do regime militar. Mas seu maior desafio foi afrontar o medo e a indiferença da maioria dos seus contemporâneos”.*
    Algumas dezenas de pessoas, reunidas no auditório do INPS, no centro de Porto Alegre, assinaram a ata de fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Agapan, na noite de 27 de abril de 1971.
    Só um mes depois a imprensa registrou o fato e isso porque os líderes do grupo – José Lutzenberger e Augusto Carneiro – foram à redação do Correio do Povo  levar a notícia e ainda tiveram que redigir a pequena nota para ser publicada.
    “Éramos considerados loucos” lembra o ex-presidente, dirigente e associado desde aquela época, Celso Marques.
    O advogado Caio Lustosa, outro entusiasta  da causa ecológica, entrou na Agapan um ano depois da fundação lembra dos empecilhos e das barreiras dos primeiros anos:
    “Era um momento difícil, enfrentar o chamado desenvolvimento a qualquer preço, aquela história de criação de indústrias para gerar emprego, sem olhar os impactos”.
    A primeira campanha foi pela arborização de Porto Alegre e a imagem símbolo é a do estudante trepado numa tipuana para impedir sua derrubada para dar passagem a uma elevada.
    Mas o discurso ambientalista só ganhou audiência quando começou a funcionar em Guaiba a Celulose Borregaard.
    O mau cheiro exalado das chaminés atingia a capital e tornou-se prova concreta do que os ecologistas diziam quando falavam em poluição industrial.
    A associação não parou mais: desmatamentos, grandes empreendimentos, poluição dos rios e do ar. Onde houvesse uma ameaça ou agressão ao ambiente, a Agapan estava presente.
    Chegou ao ponto de influir na formulação de leis, como foi o caso da Lei dos Agrotóxicos, restringindo o uso agrícola de veneno, na época chamados de defensivos agrícolas.
    Pouco tempo depois, nove estados apresentaram leis semelhantes, baseadas na aprovada na Assembléia gaúcha.
    “Não somo contra o desenvolvimento, somos contra projeto sem discussão, sem o entendimento dos impactos ambientais” destaca o vice-presidente da entidade Roberto Abreu.
    Aos 45 anos, a Agapan vive uma outra realidade, assistindo inclusive um retrocesso na legislação ambiental que ela ajudou a criar.
    Internamente, as dificuldades começam na de idade de seus integrantes. A instituição está ficando velha e renovação ao longo dos anos praticamente não aconteceu.
    Seus atuais e ativos integrantes continuam sendo os mesmos de 45 anos atrás. “A juventude se identifica com a nossa causa, mas é menos regrada com essas coisas de normas de uma instituição o que dificulta a adesão” avalia um dos sócios fundadores e ex-presidente, Alfredo Gui Ferreira.
    Poucos sócios, que participam das ações da entidade, são jovens.
    Apesar disso o vice-presidente Roberto destaca os pontos positivos perante aos jovens: “Tentamos e estamos conseguindo uma aproximação e integração com outros movimentos que de uma certa forma estão do mesmo lado” apontou.
    Ele se refere a grupos como o coletivo “A Cidade Que Queremos” e ao “Movimento Cais Mauá de Todos” que hoje luta contra a construção de um shopping, com estacionamento, dois prédios comerciais e um residencial a beira do Rio Guaíba.
    O outro problema é uma sede. Sete meses sem um lugar para seus arquivos e reuniões, esse é um dos maiores desafios que a entidade tem no ano de 2016. “A necessidade de uma sede é imperiosa” avalia o presidente Leonardo Melgarejo.
    A entidade recebeu uma promessa de um espaço, cedido pela Prefeitura, mas a casa que foi concedida, no Bairro Petrópolis, não apresenta condições de habitação e necessitaria de uma reforma de valores altos. “É uma casa bem ampla, até mais do que precisamos, mas não há condições” argumenta Roberto.
    Mesmo com as dificuldades a Agapan continua pregando e agindo efetivamente naquilo que sempre se propôs a fazer: discutir e conscientizar sobre os efeitos que certas atividades podem produzir para o meio ambiente e na sociedade.
    *Do livro “Pioneiros de Ecologia”, de Elmar Bones e Geraldo Hasse, JÁ Editores, 2001.

  • Mais de 100 filmes de 25 países no festival de cinema fantástico

    Entre 13 e 29 de maio, Porto Alegre vai respirar cinema: além de mais de 100 filmes entre longas e curtas-metragens provenientes de mais de 25 países, a programação inclui cursos, debates e mostra de cinema itinerante gratuitos.
    É a décima segunda edição do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
    Entre os filmes destacam-se 49 longas-metragens que serão exibidos pela primeira vez no Brasil.
    Desses, cinco terão sua primeira exibição pública no mundo, 25 estarão em première latino-americana e 19 em première brasileira.
    São três os homenageados do festival.
    O ator espanhol Antonio Mayans, com mais de 150 filmes em sua carreira. O diretor inglês Brian Trenchard-Smith, figura importante para a recentemente redescoberta e cultuada filmografia australiana de gênero.
    O terceiro é o brasileiro Guilherme de Almeida Prado, que realizou alguns dos filmes de gênero mais criativos e premiados do Brasil. Todos estarão presentes no evento e participarão de sessões comentadas com o público após as sessões. Antonio Mayans ministrará curso de atuação gratuito.
    O espanhol Luis de la Madrid, responsável pela montagem de filmes como “A Espinha do Diabo”, de Guillermo del Toro, e “O Operário”, atuado por Christian Bale, estará presente no evento.
    Além de apresentar “A Espinha do Diabo” e conversar com o público após a sessão, ministrará um curso de edição oferecido gratuitamente.
    Além disso, será oferecido um curso teórico, também gratuito, intitulado Aspectos Históricos do Horror Cinematográfico Moderno e Contemporâneo, ministrado por Hernani Heffner, Curador Adjunto e Conservador-Chefe da Cinemateca do MAM-RJ.
    O músico italiano Vince Tempera realizará um concerto no Santander Cultural, mesclando trilhas de filmes de sua autoria e de outros mestres, além de contar histórias sobre a Era de Ouro do cinema italiano.
    No Instituto Goethe de Porto Alegre, será realizada a tradicional sessão musicada com o clássico “As Mãos de Orlac”, de Robert Wiene, musicado ao vivo pelo multi-instrumentista Diego Poloni, que já tocou em projetos de diversos gêneros musicais, como punk (Campbell Trio), música brasileira (Apanhador Só) e música livre instrumental (Trompa).
    Além das salas Cine Santander Cultural e CineBancários, o novo Cine Capitólio integrará este ano a programação do XII Fantaspoa.
    Na nova sala do prédio recém-remodelado serão exibidos seis longas-metragens de gênero brasileiros, passeando por diferentes épocas da história do cinema nacional.
    Serão apresentados os filmes “Espelho da Carne”, de Antonio Carlos da Fontoura; “Fica Comigo esta Noite”, de João Falcão; “Finis Hominis”, de José Mojica Marins; “A Hora Mágica” e “Perfume de Gardênia”, de Guilherme de Almeida Prado; e “Prata Palomares”, de André Faria.
    As sessões serão comentadas por integrantes das equipes de realização dos longas-metragens e/ou especialistas em cinema de gênero.
    O Fantaspoa também apresentará dois longas-metragens em que assina a produção: “Kryptonita”, de Nicanor Loreti e que será exibido na abertura do festival; e “FantastiCozzi”, de Felipe M. Guerra, que conta a história do cultuado diretor italiano Luigi Cozzi, que estará presente com Guerra na exibição e conversará com o público após a exibição.
    (Da redação, com Acessoria)
    XIIFantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre
    De 13 a 29 de maio em Porto Alegre
    Nas salas CineBancários, Cine Santander Cultural, Cinema Capitólio
    Ingressos ao preço único de: R$10,00
     
     

  • Eleições 2016: PTB também já definiu candidato

    Em matéria de ontem, 25 de abril, o JÁ informou que apenas três candidaturas à prefeitura de Porto Alegre estavam definidas, faltando quatro meses para o início oficial da campanha eleitoral.
    Na verdade são quatro candidatos lançados. O curitibano Maurício Dziedricki foi anunciado como pré-candidato do PTB na capital nos dias 8 e 9 de abril quando o partido realizou seminário em Porto Alegre.
    Aos 36 anos Dziedricki concorre pela primeira vez a um cargo no executivo. É a aposta de renovação da sigla.
    Foi eleito vereador em Porto Alegre pela primeira vez em 2004 e reeleito em 2008. Em 2010 conseguiu a vaga de suplente para deputado federal.
    Ocupou também a secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) no governo Fogaça. Em 2014 se elegeu deputado estadual, com 40.009 mil votos fazendo pouco mais de 10 mil votos na capital.
     

  • Secretário defende terceirização para suprir quadro da SMAM

    Matheus Chaparini
    O novo secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Leo Bulling, admitiu que o quadro da secretaria “não é o ideal” e defendeu a terceirização, caminho encontrado pela prefeitura para suprir as carências de pessoal e equipamento da secretaria.
    Após o temporal de janeiro, técnicos da secretaria lançaram uma nota denunciando o sucateamento do órgão. A principal crítica era em relação à falta de reposição de pessoal, além da falta de manutenção dos veículos e equipamentos. No texto, os técnicos criticavam a terceirização, que julgavam “ineficiente e subdimensionada.”
    Atualmente, equipes contratadas em caráter emergencial em função do temporal de janeiro engrossam a equipe com 22 operários, dois caminhões munck e dois caminhões cesto. “Eles estão fazendo este trabalho de recompor o vegetal, de dar o equilíbrio para que ele possa se recuperar e formar sua copa novamente”, afirmou o secretário.
    Secretário garante edital de terceirização no primeiro semestre
    O contrato das empresas encerra em junho e a prefeitura prepara um edital para contratação definitiva. O secretário não definiu uma data, mas garantiu: “o edital sai antes de encerrar o contrato emergencial.”
    Entretanto, a contratação de empresas de terceirizadas também não vem se mostrando uma saída simples, como constata o próprio Bulling: “Ao longo do ano passado tivemos algumas frustrações. As empresas se apresentavam, se habilitavam e no momento de assinar o contrato acabavam desistindo.”
    Segundo o secretário, o edital ficava “pouco atrativo ao empreendedor” em função das exigências de pessoal e equipamento. “Eram exigidos 5 caminhões cesto, 2 ou 3 caminhões muncks, mais pessoal qualificado: um técnico agropecuário por equipe mais um biólogo ou engenheiro agrônomo para coordenar o serviço. Isso aí praticamente inviabilizava.”
    Bulling é o quinto secretário da Smam nesta gestão
    Desde que Fortunati assumiu seu atual mandato, em 2013, Leo Bulling é o quinto titular da pasta do Meio Ambiente. Ele tomou posse na secretaria no início do mês de abril. Seu antecessor, Mauro Moura, deixou o posto para poder concorrer nas eleições de outubro.
    Em abril de 2013, o então secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Zachia, foi preso durante a Operação Concutare, que investigava suposta venda de licenças ambientais. Além de Záchia, foram presas 17 pessoas, entre empresários, funcionários públicos e políticos.
    Afastado, Záchia foi substituído por Marcelo do Canto, que ficou menos de um mês no cargo. Em maio de 2013, Do Canto deu lugar a Claudio Dilda, que havia presidido a Fepam durante o governo Rigotto.
    Dilda permaneceu à frente da secretaria até junho de 2015, quando foi sucedido por Mauro Moura. Os dois trabalhavam juntos há cerca de 40 anos na Fepam. Moura atuava desde 2012 no setor de licenciamento ambiental da Smam.
    Leo Bulling é coronel aposentado da Brigada Militar e foi comandante da regional de Porto Alegre do Corpo de Bombeiros. Antes da Smam, trabalhou na Defesa Civil, do Estado e do Município, e na Smic (Secretaria da Produção Indústria e Comércio).
    Lá também foi secretário por uma situação análoga à atual: em 2008, o então secretário Idenir Cecchim se licenciou para retomar o cargo de vereador e concorrer à reeleição.
    Na Smam, Bulling era supervisor de praças, parques e jardins há três anos. Agora passa ao comando, tendo a tarefa de cuidar da vegetação de Porto Alegre, reconhecida como uma das cidades mais arborizadas do país. Missão que se mostrou mais difícil no início do ano quando um vendaval devastou Porto Alegre e demonstrou o pouco preparo da cidade para lidar com situações extremas.
    Bulling confirma troca na administração da Redenção
    O novo secretário confirma: Regina do Patrocínio é a nova administradora do Parque Farroupilha. Ela substitui o engenheiro agrônomo Celso Copstein. Há mais de 20 anos na secretaria, a bióloga também coordena da Zonal Centro da secretaria e as equipes terceirizadas. “Colocamos ela no parque porque, como ela tem a manobra de pessoal da Zonal, ela consegue reforçar a equipe para dar um melhor atendimento à Redenção”, explica Bulling.
    Em março, a reportagem do Jornal Já conversou com o então secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura, que negou a substituição.

  • Camara aprova solidariedade a PMs que mataram quatro

    A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou Moção de Solidariedade aos brigadianos envolvidos no tiroteio em frente ao Hospital Cristo Redentor, na última sexta-feira (22/4).
    Na troca de tiros, quatro homens foram mortos pelos policiais.
    O caso ganhou repercussão internacional após a circulação de vídeos que mostram um dos soldados assassinando um dos homens que estava rendido e deitado no chão.
    A Moção de Solidariedade ao 11º Batalhão de Polícia Militar foi proposta pelo vereador Delegado Cleiton (PDT) e aprovada por 24 votos.
    Apenas a vereadora Fernanda Melchionna (Psol) votou contra.
    Na moção, o vereador afirma que a ação foi “legal e legítima”.
    “A ação da Brigada Militar foi conduzida com muita técnica policial, agilidade e coragem, garantindo a integridade física de terceiros e dos próprios policiais militares”, afirma o vereador na moção.
    Comitê Carlos da Ré lança nota 
    O Comitê Carlos da Ré da Verdade e da Justiça lançou nota nesta terça-feira criticando a ação dos brigadianos e a decisão do comando de condecorá-los.
    O texto intitulado “Barbárie e Civilização” e assinado por Ramiro Goulart, condena a “prática brutal que foi a execução sumaria de um homem desarmado e em estado de rendição.”
    O texto cita o artigo 2º da Convenção Relativa ao Tratamento de Prisioneiros de Guerra, assinada em Genebra, em 1929, que diz que “os prisioneiros (…) acham-se em poder do governo inimigo, não em poder do indivíduo ou formações militares que os capturaram” e que devem “ser tratados humanamente e protegidos contra atos de violência (…)”.
    O texto afirma que, ao tolerar atitudes como esta, estamos “enterrando a civilização.”
    Goulart conclui: “Não estou aqui a defender que pessoas possam se associar a facções, cometer ilícitos e sair ilesas, mas apenas que o Estado Democrático e de Direito, como instrumento de promoção da civilização não pode aplaudir e muito menos condecorar atos de barbárie, sob pena de se tornar ele próprio um criminoso.”
    Policiais envolvidos serão condecorados
    Na última sexta-feira, os policiais abordaram um veículo Hyundai I30 prata e um Honda Civic preto na Vila Jardim.
    Os ocupantes teriam atirado contra os policiais, baleando dois deles, e fugido.
    Ao chegarem ao Hospital Cristo Redentor com os colegas feridos, os brigadianos se depararam novamente com os dois veículos e iniciou uma intensa troca de tiros. Foram pelo menos 30 disparos.
    Um brigadiano ficou ferido na mão, outro levou um tiro de raspão na cabeça. Os quatro ocupantes do I30 foram mortos.
    O Honda Civic fugiu. Segundo a Brigada, foram apreendidos um fuzil de uso restrito e quatro pistolas 9mm.
    A conduta dos policiais foi defendida pelo secretário estadual de Segurança Pública, Wantuir Jacini, pelo comandante-geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira e por entidades representativas dos profissionais de segurança pública.
    Além disso, Moreira afirmou que os policiais serão condecorados. A cerimônia deve acontecer na próxima quinta-feira, 28.
     
     
     
     

  • Eleição em Porto Alegre tem apenas três candidatos definidos

    A menos de quatro meses para o início da campanha à prefeitura de Porto Alegre, apenas três candidaturas estão definidas.
    Luciana Genro, do PSOL, foi a primeira a anunciar sua candidatura, em fevereiro. Ela ganhou maior visibilidade ao concorrer à presidência da República nas eleições de 2014.
    Na última pesquisa, realizada em dezembro pelo Correio do Povo, Luciana Genro aparecia em segundo lugar, com 12,2% atrás da deputada estadual do PC do B, Manuela D’Ávila.
    Com a desistência da Manuela, Luciana ganha força com os votos da esquerda, ainda que o cenário seja difuso.
    Outro candidatíssimo é o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), que substitui o prefeito José Fortunati na maioria dos eventos públicos na capital.
    Sua visibilidade aumentou muito desde o ano passado, mas ainda não decolou já que nas mesmas pesquisas, em todos os cenários colocados, seu maior percentual foi 6,1%.
    O terceiro candidato já definido é o vereador Rodrigo Maroni, do Partido da República.
    Maroni foi eleito vereador-suplente ganhando a vaga com a eleição do titular, João Derly, para deputado federal nas eleições de 2014.
    Recentemente, saiu do PC do B para lançar-se candidato pelo PR. Desde 2015 na vereança da Câmara, ganhou destaque nas últimas semanas por apresentar um projeto que dá folga aos servidores que comprovarem o óbito de seus animais de estimação, mas ainda é um desconhecido.
    Busca apoio entre partidos para engordar seu tempo de TV e popularidade. Há pouco esteve reunido com a deputada estadual Any Ortiz (PPS) tratando uma possível aliança.
    Os demais partidos ainda não definiram seus canditatos.
    O PT,  que já governou Porto Alegre por 16 anos, tem três opções: Raul Pont, Maria do Rosário e Henrique Fontana. Pont e Rosário seriam os menos prováveis: ele por já ter dito publicamente que não quer mais cargos públicos, ela por ter uma rejeição alta.
    Pont, no entanto, já admitiu, que se for vontade unânime do partido, concorrerá.
    Henrique, que está no quarto mandato como deputado federal, seria a aposta do partido dos trabalhadores em Porto Alegre. Ex-líder do governo e atual vice-lider do PT na Câmara, tem-se destacado na defesa da presidente Dilma Rousseff.
    No PDT, existem duas possibilidades. Ou apóia Melo, e entra na chapa com o vice, ou assume candidatura própria.
    Três nomes circulam como pretendentes: Viera da Cunha, Lasier Martins e Juliana Brizola. Juliana seria a preferida de Melo para ocupar o lugar de vice em uma eventual coligação.
    Nos outros partidos também não há definição. O PSD, se concorrer virá com Darnlei, ex-goleiro do Grêmio, segundo mais votado para deputado federal em 2014.
    O PSDB, com o veto da direção nacional à ex-governadora Yeda Crusius, tem Nelson Marchezan Junior, como candidato.
    Beto Albuquerque (PSB), Marcel Van Hattem(PP) e Onyx Lorenzoni (DEM) são nomes que podem aparecer na disputa.
    Este ano, os partidos tem como limite até 48 dias antes do pleito para anunciarem oficialmente seus candidatos. O tempo de propaganda política foi reduzido para 45 dias.
    O primeiro turno das eleições acontece no dia 2 de outubro.

  • Salim Miguel: uma obra feita nas horas vagas

    Aos 92 anos, morreu na sexta, 22, Salim Miguel, escritor catarinense com mais de 30 livros publicados.
    Afetado por uma doença ocular, em seus últimos anos de vida lia com dificuldades, mas desfrutava de leituras feitas por sua companheira, Eglê Malheiros, mãe de seus cinco filhos.
    O texto abaixo foi escrito em 2011 por Geraldo Hasse, que atendeu assim ao pedido do editor de um livro organizado em Florianópolis sobre o autor de Nur, belíssimo livro de memórias.
    “MEU TIO LIBANOCATARINA”
    “Me interessei por Salim Miguel em 2000, quando fui morar em Florianópolis e comecei a me aprofundar na história da ilha e seu entorno. No meio século anterior eu tinha lido en passant sobre o escritor, mas não havia registrado as informações na memória.
    Lendo aqui e ali, descobri que Salim tinha uma biografia interessantíssima, a começar pela migração, em criança, do Líbano; a morada na pequena Biguaçu, um vilarejo de beira-rio, perto do mar; a ida para a capital do estado; a prisão em 1964; a migração para o Rio; e a volta para a querência, que é como os sulistas brasileiros, particularmente os gaúchos, chamam a terra natal.
    Em 1999, havia sido lançado Nur na Escuridão, seu livro premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como o melhor romance do ano.
    Comprei um exemplar e caí na leitura. Era um saboroso livro de memórias devorado em poucos dias.
    O passo seguinte foi conhecer pessoalmente o escritor, entrevistá-lo. Descobri um ser humano de primeira qualidade. Humilde, irônico, sem afetação. Afável, bom de papo.
    Como na escrita, sua fala guardava ainda um último resquício de sotaque libanês: aquela ligeira trava que sinaliza a hesitação diante da palavra estrangeira.
    A visita durou duas horas. Saí do apartamento dele e de Eglê, sua mulher, com dois ou três livros doados pelo próprio. Num sebo, dias depois, encontrei outros livros dele.
    Escrevi então um perfil de Salim Miguel para o caderno de fim-de-semana do diário Gazeta Mercantil. Foi publicado no caderno de 20, 21 e 22 de abril de 2001. Matéria longa, ocupou 2/3 de página standard de jornal.
    Título: “Mascate da Memória Familiar”. Ele gostou. Desde então nos falamos algumas vezes. Aos poucos fui descobrindo o quanto Salim Miguel é conhecido, querido e admirado.
    <em>Ele cultiva amigos em todo o Brasil, desde Porto Alegre até João Pessoa, na Paraíba, onde se mantém há mais de 50 anos como colaborador do suplemento literário do maior jornal local – colaborador não remunerado!
    Morando no Rio Grande do Sul desde 2005, não perdi o contato com “meu tio libanocatarina”.
    Em 2008, escrevendo um livro sobre a história da navegação no Rio Grande do Sul, dei-me conta de que cabia incluir um capítulo sobre as balsas de toras que outrora desciam o rio Uruguai, nas enchentes.
    Lembrei-me então do conto Ponto de Balsa, no qual Salim Miguel narra a aventura de dois ou três balseiros que se metem na correnteza, pilotando uma jangada-monstro, desde Chapecó até Uruguaiana, centenas de quilômetros de uma aventura única.
    Esse conto é a versão literária de uma reportagem feita por Salim Miguel quando se iniciava no jornalismo. Sinal de que toda vivência, por mais antiga que seja, pode ser transformada em ficção.  
    salim miguelEm agosto de 2011, Tio Salim me enviou seu último livro, Reinvenção da Infância, mais um volume de memórias calçado nas lembranças mais remotas de um guri vindo do Oriente.
    Desigual, mas com trechos deliciosos, como as 10 páginas do capítulo 23 – Lição Dois, em que o rapazote relata uma noite maldormida numa pensão fuleira da capital, onde perdera o último ônibus para sua pequena Biguaçu.
    Tenho comigo uma dezena de livros de Salim Miguel e acredito que conheço o essencial da sua obra, mas não o suficiente para fazer uma análise comparativa.
    Como muitos e muitos escritores, ele começou como jornalista, dividiu-se entre empregos privados e públicos, foi livreiro, meteu-se no cinema e encerrou sua carreira profissional como chefe na editora da universidade federal de seu estado.
    Sua carreira literária, mais de 30 livros, foi construída nas horas vagas, com a ajuda e solidariedade de sua companheira Eglê Malheiros, mãe de seus cinco filhos. “Nunca ganhei nada com meus livros”, disse-me o autor, na entrevista de 2001.
    Dez anos depois, pode-se dizer que ele ganhou, sim, fama, sem falar do cheque recebido há alguns anos em Passo Fundo, onde foi aplaudido como um dos mais antigos e fieis militantes das letras do Brasil”.    

  • Pesquisa: maioria prefere nova eleição para sair da crise

    O Ibope divulgou há pouco uma pesquisa concluída no dia 18, um dia após a votação do impeachment na Câmara.
    A pergunta principal colocada aos entrevistados: qual o melhor caminho para superar a atual crise política. A resposta de 62% foi a seguinte:
    – Dilma e Michel Temer saírem do governo e ocorrerem novas eleições para presidente,
    Para outros 25%, a saida é Dilma continuar seu mandato com um novo pacto entre governo e oposição
    Apenas 8% acham que a saída é  Dilma sofrer impeachment e o vice-presidente Michel Temer assumir a presidência.
    A campanha por novas eleições gerais junto com as eleições municipais de outubro ganha adeptos entre os apoiadores da presidente e, segundo alguns analistas, a própria admite que esta pode ser uma saída, mesmo na hipótese remota de que ela ganhe a batalha no Senado e permaneça no cargo.
    O Ibope também perguntou com qual das frases o entrevistado está mais de acordo:
    40% – A democracia é preferível a qualquer outra forma de governo
    34% – Para as pessoas em geral, dá na mesma se um regime é democrático ou não
    15% – Em algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível a um governo democrático
    11% – Não sabe/não respondeu
    Questionados sobre o grau de satisfação em relação ao funcionamento da democracia no Brasil, os resultados foram os seguintes:
    49% – Nada satisfeito
    34% – Pouco satisfeito
    12% – Satisfeito
    3% – Não sabe/não respondeu
    2% – Muito satisfeito
    Segundo o Ibope, as perguntas cujas somas das porcentagens não totalizam 100% são decorrentes de arredondamentos ou de múltiplas respostas. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.
    Processo de impeachment
    O plenário do Senado elege nesta segunda-feira (25) os 21 membros titulares e 21 suplentes da comissão especial que analisará as acusações contra a presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. A partir desse momento, o relator terá 10 dias úteis para elaborar um parecer pela admissibilidade ou não do processo de impeachment. O relatório é votado na comissão e depois submetido ao plenário. A oposição quer concluir a votação no plenário entre os dias 11 e 15 de maio.
    Se houver voto favorável da maioria – 41 dos 81 senadores, o processo é instaurado e Dilma é afastada temporariamente do cargo. Se isso ocorrer, inicia-se a fase de coleta de provas. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, assumirá a condução do processo e Dilma terá direito de apresentar defesa. Para cassar o mandato da presidente, o quórum exigido é maior – dois terços, ou 54 dos 81 senadores.

  • Noticia falsa é a mais compartilhada na internet

     
    Fonte: Portal Imprensa
    Um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da USP apontou que três das cinco reportagens mais compartilhadas por brasileiros no Facebook entre a última terça-feira (12/4) e sábado (16/4) são falsas.
    De acordo com a BBC Brasil, que obteve acesso ao estudo, as matérias que ocupavam o topo do ranking de acessos haviam sido desmentidas em notas oficiais ou reportagens publicadas pela imprensa.
    O grupo de pesquisa, criado pelos professores da USP Marcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, analisou o desempenho de 8.290 reportagens, publicadas por 117 jornais, revistas, sites e blogs noticiosos. As estatísticas são divulgadas na página “Monitor do debate político no meio digital”.
    Na lista dos “top 5” boatos compartilhados, estão: “Polícia Federal quer saber os motivos para Dilma doar R$30 bilhões a Friboi”, do site Pensa Brasil (3º lugar no ranking geral da semana, com 90.150 compartilhamentos)
    “Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: ‘Atirar para matar’”, do site Diário do Brasil (4º lugar, com 65.737 compartilhamentos).
    “Lula deixa Brasília às pressas ao saber de nova fase da Lava-Jato. Seria um mandado de prisão?”, do site Diário do Brasil (5º lugar, com 58.601 compartilhamentos).
    À BBC, o Diário do Brasil afirmou que a reportagem sobre o suposto presidente do PDT “não era exclusiva”. Disse ainda que a notícia é real, mesmo após ser desmentida.
    Sobre o suposto mandado de prisão contra Lula, o veículo alegou que o texto foi publicado em 10 de março, às vésperas da Operação Xepa, que não teve qualquer mandado contra o político. O Pensa Brasil não se pronunciou.
    O PDT desmentiu boatos campeões de audiência da semana. A reportagem falsa, repetida mais de 60 mil vezes, apontava que um homem chamado José Silvio dos Santos seria o presidente do partido no DF e teria convocado militantes para atirarem em parlamentares no último domingo (17/4).
    “O PDT torna público que este cidadão, por não ter nenhuma autorização para se manifestar em nome da instituição, foi expulso do quadro de filiados do partido”, informou a sigla, em nota assinada por seu presidente no Distrito Federal, Georges Michel Sobrinho.
    A matéria sobre a “doação de R$ 30 bilhões” pelo governo à Friboi foi desmentida em entrevista à BBC pelo próprio presidente da empresa, que controla o frigorífico. Ele não havia sido contatado pelo site.
    Os pesquisadores também promoveram pesquisas de opinião em atos na avenida Paulista, em São Paulo.
    “Cada lado dessa disputa construiu narrativas mais ou menos simplistas para defender suas posições. Tanto os boatos como as matérias produzidas foram muito compartilhados quando se adequaram a essas narrativas”, disse Marcio Moretto.
     

  • Dengue já tem ocorrências em 32 bairros de Porto Alegre

    Desde o início do ano até a última atualização da Secretaria da Saúde, já foram confirmados 217 casos de dengue em Porto Alegre.
    Desses, 172 foram contraídos na capital em 32 bairros. Vila Nova e Chácara das Pedras dominam as ocorrências com 67 e 45 casos confirmados respectivamente.
    Das 1.296 suspeitas, 692 foram descartados e 387 casos ainda estão em investigação. A tendência é que o número de casos confirmados aumente.
    risco é alto em 20 bairros
    Em janeiro a  Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS) realizou o Liraa,(Levantamento rápido do índice de infestação por Aedes). É uma pesquisa que indica o risco de contaminação em cada região.
    A vistoria realizada em 57 bairros da cidade, em mais de 7 mil domicílios, apontou um índice de infestação predial (IIP) de 2,3% médio na cidade, o que é considerado uma situação de risco médio.
    No entanto 20 bairros entraram em situação de alto risco.
    Um novo levantamento, previsto para março, ainda não foi realizado. Segundo assessoria da Vigilância Sanitária toda equipe e esforços estão concentrado em ações de dedetização em áreas consideradas de risco.
    Não há informação de quando o novo levantamento será feito.