“Qualquer que seja o resultado continuarei lutando. Se eu tiver mais um ano de vida, mais dez, mais 15 ou apenas um dia, estarei nas ruas brigando. Estou com 72 anos, mas com energia de 30 e tesão de 20”.
Assim o ex-presidente Lula encerrou seu discurso na Esquina Democrática em Porto Alegre, pouco depois das 20 horas desta terça-feira, perante uma multidão poucas vezes reunidas na capital gaúcha para um ato político.
O ato foi organizado por duas frentes de esquerda para defender o ex-presidente que será julgado em segunda instância nesta quarta-feira pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Pelo menos 30 mil pessoas concentraram-se no centro histórico (os organizadores estimaram 70 mil pessoas).
A mobilização lulista foi ampliada com a presença de delegações de vários Estados e de muitas cidades do interior do Rio Grande do Sul. Só no acampamento da Via Campesina no Anfiteatro Pôr-do-sol estima-se em dez mil pessoas.
Lula mencionou o processo no qual se defende apenas no início de seu discurso: “Companheiros e companheiras, estou aqui no Rio Grande do Sul para conversar com vocês sobre um assunto que eu considero extremamente importante. Eu não vou falar do meu processo, não vou falar da Justiça. Primeiro, porque tenho advogados competentes que comprovaram minha inocência. Segundo, porque acredito que aqueles que vão votar vão se ater aos autos do processo e não a convicções políticas. Terceiro porque tenho vocês”.
Lula desembarcou de um voo fretado e, em um carro preto, saiu sem dar entrevista aos cerca de vinte jornalistas que o esperavam no local.
O ex-presidente chegou em Porto Alegre por voltas das 17h, onde foi recebido por militantes e colegas de partido como o ex-governador Olívio Dutra e o Deputado Estadual, Edegar Pretto. Os dois saíram antes de Lula e falaram breviamente com a imprensa. “Ele está otimista”, declarou Pretto.
Após uma hora, Lula saiu em direção à Esquina Democrática escoltado por batedores da Brigada Militar.
Pelo centro da cidade, um contingente policial anormal patrulha as ruas para garantir a ordem. Durante o trajeto, a reportagem ainda avistou quatro caminhões do exército lotado de homens carregando fuzis.
Lula saiu do comício direto para o aeroporto, para retornar a São Paulo, de onde acompanhará o julgamento, que começa às 8h30 desta quarta-feira.
Confira galeria de fotos do Ato na esquina democrática:
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Fotos Ricardo Stricher
Categoria: Geral
Lula em Porto Alegre: "Qualquer que seja o resultado seguirei lutando"
Defensor de Lula na ONU acompanhará julgamento
A pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima quarta-feira (24/01), na sala da sessão de julgamento do recurso contra a sentença do juiz Sérgio Moro, haverá um observador estrangeiro. Trata-se do advogado australiano, radicado na Inglaterra, Geoffrey Ronald Robertson.
Ele, além de especialista em Direitos Humanos, integra a equipe de advogados que atende à família real inglesa – os chamados Queen’s Counsel (QC). No passado ele integrou o Comitê de Direitos Humanos da ONU, junto ao qual hoje advoga assim como em outras Cortes Internacionais.
Junto com os advogados brasileiros de Lula, Robertson apresentou, em julho de 2016, ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, uma lista de supostas violações ao Pacto de Direitos Políticos e Civis que teriam sido cometidas pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato.
Em outubro passado, a assessoria de imprensa do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos explicou que a decisão sobre a denúncia da defesa de Lula deverá ser analisada na próxima reunião dos peritos do colegiado, em março deste ano.
O pedido da defesa do petista foi autorizado nesta sexta-feira (19) pelo desembargador Leandro Paulsen, que é presidente da 8ª Turma da Corte, responsável pelo julgamento.TRF4 absolveu menos de 10% dos condenados por Moro na Lava Jato
A julgar pelo histórico, a defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva terá uma missão difícil na próxima quarta-feira, 24/01, em Porto Alegre.
Até hoje, dos 77 condenados pelo juiz Sergio Moro em 1ª instância na Operação Lava Jato, apenas cinco foram absolvidos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O índice de absolvição na 8ª Turma Criminal da Corte é de 6,5%.
A Turma responsável pelo julgamento é formada pelos desembargadores: João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Laus.
Absolvições
Até o momento, 98 decisões de Moro – um condenado pode ter mais de uma sentença – foram analisadas pelo TRF4 em 23 recursos. Desses, foram absolvidos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (duas vezes), os executivos da empreiteira OAS, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Augusto Stremel Andrade, o operador André Catão de Miranda e também Maria Dirce Penasso, mãe da operadora Nelma Kodama.
Vaccari foi condenado em cinco ações penais a 45 anos e seis meses, por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Três sentenças de Moro já foram analisadas pela Corte – uma de quinze anos e quatro meses, outra de nove anos; onde o ex-tesoureiro foi absolvido. E uma terceira, de dez anos, onde a foi aumentada para 24 anos.
No caso de Lula, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região avançou 7 ações para tornar possível o julgamento em tempo menor do que outras ações. Os sete processos chegaram ao tribunal regional entre os dias 9 de agosto de 2016 e 21 de agosto de 2017, sendo que do ex-presidente chegou dia 23 de agosto de 2017. O tempo médio entre a decisão em primeira instância e a o julgamento em segunda instância era de 14 meses. Com o processo de Lula o tempo foi de 5 meses.
Em junho passado, Lula foi condenado em primeira instância na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9 anos e 6 meses de prisão, e recorre em liberdade. O TRF4 julga os processos a Lava Jato em segunda instância. Caso seja condenado, caberá ao Supremo Tribunal Eleitoral decidir se Lula poderá obter registro da sua candidatura ao pleito do próximo outubro.
Os juízes:
João Pedro Gebran Neto, 52 anos
Tido como um juiz rigoroso, principalmente na relatoria dos processos da Lava Jato, o paranaense João Pedro Gebran Neto tem 52 anos, foi promotor de Justiça e juiz federal antes de se tornar desembargador federal, nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff em novembro de 2013.
Formado em direito em 1988 pela Faculdade de Direito de Curitiba e mestre pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2001, Gebran foi colega do juiz Sergio Moro na pós-graduação da UFPR. Questionado várias vezes por sua amizade com Moro, já ponderou que “eventual amizade entre julgadores de primeiro e segundo graus de jurisdição não provocam suspeição”.
Leandro Paulsen, 47 anos
Leandro Paulsen, 47 anos, é o mais jovem e na Lava Jato seus votos costumam acompanhar os dos outros julgadores.
Sua formação inicial é na área tributária, mas tem especializado como penalista. Único gaúcho da Turma, formou-se em direito na PUC-RS e também é especialista em filosofia e economia política pela mesma universidade, onde leciona. Ingressou no TRF4 ao lado de Gebran, em 2013, também nomeado por Dilma. Antes, foi juiz auxiliar da vice-presidência do TRF4 (2012-2013) e da ministra Ellen Gracie no Supremo Tribunal Federal, entre 2007 e 2010.
Victor Luiz dos Santos Laus, 54 anos
Considerado o mais severo dos desembargadores, Victor Luiz dos Santos Laus. Está no TRF4 desde 2003, oriundo do Ministério Público Federal, onde ele ocupava uma cadeira de procurador.
A fama de rigoroso do desembargador é compartilhada pelos advogados que atuam no tribunal. Considerado detalhista ao extremo, ele chega a interromper exposição oral de defensores quando topa com uma informação falada que não está nos autos.
De perfil conservador, Laus foi nomeado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao encabeçar uma lista tríplice feita pelo Ministério Público Federal. Tem 54 anos, é natural de Joaçaba (SC) e se formou em direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Foi promotor de Justiça e servidor do tribunal estadual.
Quem mais será julgado
Além de Lula, recorreram contra a sentença de Sérgio Moro o ex-presidente da OAS, José Aldemario Pinheiro Filho (condenado em primeira instância a 10 anos e 8 meses), o ex-diretor da área internacional da OAS, Agenor Franklin Magalhães Medeiros (condenado a 6 anos) e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto (absolvido em primeira instância, mas requer troca dos fundamentos da sentença). O Ministério Público Federal (MPF) recorreu contra a absolvição em primeira instância de três executivos da OAS: Paulo Roberto Valente Gordilho, Roberto Moreira Ferreira e Fábio Hori Yonamine.Depois do julgamento, começa a campanha Sul do país
O ano da corrida eleitoral para presidente da república tem sua largada nesta terça-feira, 23/01, em Porto Alegre.
Esse, ao menos, é o cenário desenhado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ao anunciar a presença do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em Porto Alegre para participar de um ato na esquina democrática, Centro de Porto Alegre, no coração pulsante da Capital gaúcha.
Em entrevista coletiva na sede da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi-RS), nesta segunda-feira, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do partido, confirmou a presença de Lula no ato de terça-feira a tarde, 17h, pouco menos de 16 horas antes do início do julgamento do recurso de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).
A presença de Lula foi anunciada, mas não o horário de sua chegada e nem se ele poderá participar de outros eventos em Porto Alegre. A tática parece ser a de criar uma expectativa ainda maior da militância.
Nas palavras do vice-presidente do partido, Alexandre Padilha, a vinda de Lula é “para agradecer o apoio de todos aqui e para comemorar uma vitória política”. A vitória política é o cenário de união e força da militância que o PT pretende mostrar.
Ao realizar atos unidos com movimentos sociais, sindicatos e outros partidos de esquerda, inclusive com a presença de pré-candidatos, Manuela D’ávila do PCdoB, e Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que está na mira do PSOL para disputar o pleito, o PT pretender traçar a linha da esquerda, com Lula a frente da caminhada.
Lula falará em Porto Alegre, e retorna para São Paulo. Na quarta-feira, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), acompanhará o julgamento de seu recurso. Ele também já confirmou presença em ato petista que irá ocorrer após a decisão, na capital paulista, onde deve confirmar sua disposição em continuar na corrida presidencial. Na quinta, a cúpula do PT faz novo ato para reconfirmar que Lula é a única alternativa do partido.
Em fevereiro, Lula voltará ao Rio Grande do Sul para retomar suas caravanas, agora na região sul. Sem maiores detalhes, Padilha confirmou que o ex-presidente sairá do interior do RS e irá circular por Santa Catarina e Paraná.
As atividades desta segunda-feira em defesa de Lula em Porto Alegre incluíram a caminhada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e Via Campesina, com cerca de duas mil pessoas. Teve ainda a transferência provisória da sede das duas entidades estudantis – UNE e UBES – para Porto Alegre e culminou com o ato dos juristas, que superlotou e deixou pessoas de fora do auditório da Fetrafi.
Juristas defendem candidatura de Lula e atacam Lava Jato
No final da tarde desta segunda-feira, 23/01, juristas e intelectuais encerraram a agenda de atos em defesa do presidente Lula em encontro que contou com a presença mais de mil pessoas no auditório da Fetrafi-RS, no Centro de Porto Alegre.
Com a presença da cúpula do PT gaúcho e nacional, incluindo a presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann, e o ex-governador Olívio Dutra, o evento lotou o auditório e forçou a organização a trancar acesso de mais pessoas.
Durante o evento, que durou mais de duas horas, entre discursos contra os métodos da lava-jato e a favor da candidatura de Lula, foram lançados dois livros sobre o tema: Enciclopédia do Golpe, que apresenta verbetes de diferentes juristas sobre a ruptura democrática no Brasil, e Falácias de Moro, de Euclídes Mance, obra na qual o filósofo apresenta falhas lógicas presentes na sentença do juiz.
“Não há base probatória, de acordo com a leitura da fundamentação do magistrado, para a condenação de Lula. Onde não há provas, não pode haver certeza jurídica”, afirmou a advogada e professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)Vanessa Chiari Gonçalves.
Por sua vez, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère afirmou que “a cada agressão aparecem mais companheiros e companheiras para defender nossa história”, ao citar a presença de mais de 50 mil pessoas durante o depoimento de Lula diante de Moro em Curitiba no fim do ano passado. “Apoiamos instituições republicanas que sirvam ao país e não a golpistas que têm suas cabeças fora do país”, disse.
O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse poucas palavras. “Não vou rivalizar com juristas que já demonstraram que esse processo não tem o menor cabimento. A sentença tem falhas. Quero 3 a 0 pela absolvição de Lula. Fui servidor do Estado e estudei a democracia. O básico da democracia é a soberania popular. Então, qual é a pretensão de um homem de ir contra milhares de brasileiros que consideram Lula o maior presidente de todos os tempos? É muita arrogância”, sintetizou.
A sede da Fetrafi-RS foi transformada nesta segunda no QG da esquerda na Capital, Ali, passaram nesta segunda mais de três mil pessoas e cerca de 400 jornalistas se cadastraram para participar dos atos pró-Lula.PT terá "segurança militante" para evitar infiltração em manifestações
Nas negociações com a Secretaria de Segurança, os organizadores das manifestações lulistas em Porto Alegre disseram que vão formar uma “segurança militante” para impedir a infiltração de provocadores entre os manifestantes.
Foi acertado também entre as duas partes que não serão permitidos manifestantes mascarados. Os que aparecerem usando máscaras serão abordados pela polícia e terão que ficar com o rosto a mostra.
São providências negociadas para evitar depredações no curso das manifestações de rua que estão programadas para os próximos dois dias.
O esquema de segurança para o julgamento de Lula começou a ser montado há um mes e envolveu 23 órgãos da área de segurança a nivel estadual e federal.
Barcos, helicópteros e até drones serão utilizados para garantir o bloqueio completo do perímetro definido no entorno do PRF4.
Não foi revelado o número total de homens mobilizados para o policiamento. As estimativas feitas pela imprensa calculam entre 2 e 4 mil policiais, da Brigada Militar, Policia Civil, Polícia Federal, Policia Rodoviária Federal.
Até atiradores de elite estarão postados no alto do prédio para garantir a entrada do Tribunal.22 linhas de ônibus serão afetadas por causa de julgamento em Porto Alegre
Vinte e duas linhas de ônibus terão suas rotas alteradas a partir de amanhã, 23/01, em Porto Alegre por conta do julgamento do ex-Presidente Lula na próxima quarta-feira, dia 24. A informação foi dada pela Prefeitura na manhã desta segunda-feira.
O bloqueio de ruas e avenidas começa ao meio-dia desta terça-feira pela Avenida Edvaldo Pereira Paiva, sentido centro/bairro, entre a Presidente João Goulart e Ipiranga. Também será bloqueada a Avenida Augusto de Carvalho, entre a Loureiro da Silva e Aureliano de Figueiredo Pinto.
No dia 24, a partir da meia-noite, o bloqueio será feito na Avenida Mauá com Bento Martins. Às 5h, estará bloqueado o acesso da Legalidade para a Mauá. Desvio pelo Túnel da Conceição, Sarmento Leite, Loureiro da Silva.
Veja os mapas
Linhas afetadas
Dia 23:
T1,
T1 Direto
e C1.
A partir do dia 24, meia-noite: 397 Bonsucesso,
376 Herdeiros/Esmeralda,
360 IPE,
394 MAPA,
R32 Rápida – Bonsucesso,
R32.1 Rápida – Bonsucesso/Parada 13,
349 São Caetano,
273 Belém Novo/Hípica,
255 Caldre Fião,
282 Cruzeiro,
272 Moradas Da Hípica,
282.1 Pereira Passos,
178 Praia De Belas,
244 Santa Tereza,
244.1 Santa Tereza / M. Mattos,
346 São José,
176 Serraria/Rodoviária,
188 Assunção,
429 Protásio/Iguatemi (sentido bairro-centro).
As linhas de ônibus T1 e T1 Direto terão o seguinte itinerário: Praia de Belas, alça do Viaduto dos Açorianos e Loureiro da Silva. O C1 seguirá pela Loureiro da Silva, alça do Viaduto dos Açorianos, Antônio Klinger Filho e Loureiro da Silva.
Os ônibus com terminais na Cassiano Nascimento e Uruguai seguirão pela Mauá, Cap. Montanha, Siqueira Campos, Júlio de Castilhos, Cel. Vicente, Alberto Bins, Dr. Flores, Salgado Filho, Borges de Medeiros, Antônio Klinger Filho, Loureiro da Silva, José do Patrocínio. No sentido bairro / centro, os ônibus das linhas 178, 188 e 429 seguirão pela Loureiro da Silva, Paulo Gama, Túnel da Conceição, Gen. Câmara, Siqueira Campos, até os terminais da Uruguai e Júlio de Castilhos.
Porto Alegre será a capital política do Brasil nesta semana
Os primeiros a chegar são integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Santa Catarina, de onde são esperados 80 ônibus nos próximos dias.
— Teremos 5 mil catarinenses aqui. Muita gente também está vindo por conta própria, de carro e de avião — disse uma das organizadoras.
Conforme a Frente Brasil Popular, que reúne organizações sociais e partidos de esquerda, pelo menos 225 caravanas estão confirmadas. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, Claudir Nespolo, estima que 50 mil pessoas venham à Capital para se solidarizar a Lula.
No entorno do TRF4, dezenas de policiais militares já estão posicionados e acompanham a movimentação de longe, inclusive por helicóptero. A Brigada Militar transformou o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho em QG — um dos gazebos inclusive está sendo utilizado para abrigar os cavalos usados no policiamento.
Na semana em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) julga o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Porto Alegre terá sua rotina alterada. Além de um grande esquema de segurança, estão previstas uma série de eventos e manifestações, tanto a favor quanto contra Lula, nos próximos dias.
Confira os principais atos previstos:
Segunda-feira (22)
6h30min
Marcha da Via Campesina
Local: início na frente do antigo posto da Receita Estadual, na BR-116, próximo à ponte do Guaíba, com destino ao Anfiteatro Pôr do Sol
9h
Diálogos internacionais sobre a democracia
Local: auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi), na Rua Coronel Fernando Machado, 820, Centro
11h
Conversa com Ana Buarque de Hollanda
Local: Nossa Cara, na Rua Felipe Camarão, 677
13h30min
Ato da Juventude em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato e de transferência da sede da UNE para Porto Alegre
Local: DCE da UFRGS
18h
Ato de juristas e intelectuais em defesa da democracia. Nomes confirmados incluem Celso Amorim (ex-ministro da Defesa) e Eugênio Aragão (ex-ministro da Justiça)
Local: auditório da Fetrafi
20h
Sarau das juventudes
Local: Acampamento dos movimentos sociais, no Anfiteatro Pôr do Sol
Terça-feira (23)
9h
Mulheres pela democracia e pelo direto de Lula ser candidato. Nomes confirmados incluem a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann
Local: Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa
10h
Inauguração da Tenda da Liberdade de Expressão e Diversidade Cultural com Lula. O espaço abrigará, ao longo do dia, manifestações culturais de diversos artistas, como a cantora Ana Cañas e o cantor Chico César.
Local: Largo Glenio Peres
14h
Ação global anti-Davos _ Contra o ataque neoliberal
Local: Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa
16h
Concentração para marcha e ato político cultural. Caminhada até o Acampamento da Resistência, no Anfiteatro Pôr do Sol. Lula é esperado, mas a presença não está confirmada
Local: Esquina Democrática, no Centro, até o Anfiteatro Pôr do Sol
Noite
Início da vigília para o julgamento, no Anfiteatro Pôr do Sol
Quarta-feira (24)
Todo o dia
Vigília e ato público no Anfiteatro Pôr do Sol
Contra Lula
Terça-feira (23)
18h
Ato em defesa da Justiça, promovido pelo Vem pra Rua
Local: Parque Moinhos de Vento
Quarta-feira (24)
18h
CarnaLula, organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), com a Banda Loka Liberal
Local: Parque Moinhos de Vento
Manifestantes pró e contra Lula disputam a avenida Paulista
A Policia Militar de São Paulo não conseguiu até agora obter um entendimento entre as entidades que planejam manifestações na quarta-feira, quando o ex-presidente Lula será julgado no TRF4 em Porto Alegre.
De um lado estão os representantes da Frente Brasil Popular, defensores de Lula, que querem ocupar a avenida Paulista para acompanhar num telão o julgamento que começa às 8h30min.
De outro lado estão o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Revoltados On Line, que pedem a prisão de Lula e também reivindicam ocupar a avenida, no coração financeiro da capital paulista, desde as 9 horas da manhã até às 20 horas.
Em comunicado divulgado à imprensa, a Frente Brasil Popular diz que as entidades que a compõem “não abrirão mão da caminhada democrática na tradicional avenida”. Segundo integrantes que participaram da reunião, a Polícia Militar teria sugerido realizar os dois atos na Paulista, um em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp) e outro em frente ao prédio da Fiesp.
A estratégia já foi utilizada em outros casos: após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, entidades da Frente Brasil Popular protestavam contra o governo interino de Michel Temer enquanto militantes do MBL e outras entidades comemoravam a saída do PT do Palácio do Planalto.
Agora, no entanto, os grupos não chegaram a um acordo nas primeiras negociações.
Marcello Reis, do Revoltados On Line, diz que o grupo planeja levar quatro bonecos infláveis de Lula para a avenida, os chamados “pixulecos”, e uma faixa pedindo a prisão do ex-presidente.
— Se a CUT for para a Paulista, a confusão estará decretada, diz Reis.
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Julgamento é um "primeiro turno" da eleição presidencial
O julgamento de Lula nesta quarta-feira, 24 de janeiro de 2018, é uma espécie de primeiro turno da eleição geral que se realiza em outubro, quando a Presidência da República e todo o poder político do país nas esferas estaduais e federais estarão em disputa.
Dos cargos eletivos no país, apenas vereadores e prefeitos não passarão pelo crivo das urnas este ano. Mesmo o terço do Senado, que não precisa de votos desta vez, estará com as barbas de molho nas urnas.
Neste julgamento, em Porto Alegre, está em jogo a candidatura do líder absoluto em todas as pesquisas de opinião nos últimos dois anos, o ex-presidente Lula.
Já condenado em primeira instância, Lula poderá ficar inelegível, enquadrado na lei da Ficha Limpa, conforme o voto de três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, que julgam seu recurso nesta histórica sessão em Porto Alegre. Se ele for absolvido…
Ou seja: por mais “técnica” que seja a decisão dos desembargadores do TRF4, ela será “politica” por seus efeitos.
Derrubada Dilma Rousseff, empossado Michel Temer, responsabilizado o PT pela crise e pela corrupção, restou Lula com sua popularidade como o principal obstáculo ao grande ideal das forças que tomaram o poder em agosto de 2016: legitimar o golpe parlamentar pelas urnas.
Este quadro político deu sentido ao discurso do ex-presidente: está sendo perseguido porque pode ganhar as eleições.
Quando foi condenado em julho pelo Juiz Sérgio Moro, ele ficou quase sem saída: nove anos e maio de cadeia por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio… o chefe da quadrilha que assaltou a Petrobrás durante os governos petistas.
As Caravanas do Lula, que ele iniciou em outubro por bases eleitorais no Nordeste, foram sua resposta. Percorreu seis estados e depois ainda fez Minas Gerias, Espirito Santo e Rio de Janeiro.
Para não fazer campanha de um “franco candidato”, a mídia não deu cobertura às caravanas…O líder das pesquisas eleitorais percorre o interior e em muitos lugares é aclamado, mas isso não é notícia, seria propaganda de um notório candidato fora de hora. As caravanas enfrentaram muitos percalços, mas não houve cobertura.
O roteiro bem sucedido rendeu a Lula 200 horas de imagens em contato com o povo, falando a multidões, dizendo que nunca roubou uma maçã. Com as caravanas ele levou o seu julgamento para as ruas, o tribunal já não é o único protagonista nesta cena, desde então.

João Pedro Gebran Neto, 52 anos
Leandro Paulsen, 47 anos
Victor Luiz dos Santos Laus, 54 anos