Categoria: Geral

  • Vereadores entram na Justiça para barrar projeto do IPTU

    Dois vereadores de Porto Alegre, Felipe Camozzato (Novo) e Mauro Zacher (PDT), entraram com mandado de segurança na justiça gaúcha para impedir a nova apreciação do projeto que prevê alterações no IPTU da Capital.
    “Aquilo que os parlamentares decidiram deve ser respeitado. A ação visa a defender nossa posição, já declarada pela rejeição do projeto”, argumenta o vereador Camozzato.
    Os processos se baseiam no princípio da irrepetibilidade, uma vez que a constituição estadual e a federal vedam ao executivo a prerrogativa de reapresentar projetos já rejeitados.
    “Precisamos debater o assunto, e não assim, sem discussão adequada”, diz o vereador Zacher.
    Na quinta-feira, 07/12, a prefeitura enviou novamente o Projeto de Lei (PL) de readequação do IPTU.
    Derrota na primeira votação
    Em setembro, após mais de quinze horas de sessão, a Câmara de Vereadores, por  25 votos contrários a 10 favoráveis e uma abstenção, rejeitou o projeto de lei que alteraria os valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A própria base governista recuou e não aceitou as mudanças. A derrota expôs a falta de diálogo de Marchezan e a Câmara.
    Estão em vigor as regras atuais do IPTU, com alíquota única de 0,85% sobre os imóveis residenciais. A atual planta de valores, que define o valor venal dos imóveis, e que está desatualizada desde 1991, também fica sem alterações.
    Câmara recomeçou a discutir projeto nesta segunda-feira
    O novo projeto encaminhado, segundo o Executivo, não incluiu a progressividade das alíquotas para não ferir um dispositivo constitucional que estabelece um prazo de 90 dias para o envio de projetos apreciados e rejeitados no mesmo período.
    De acordo com o governo, a medida é necessária para garantir justiça tributária, sob a alegação de que há grande disparidade na cobrança do imposto, entre imóveis semelhantes em diversas regiões da cidade.
    Entre as mudanças está a proposta de atualização periódica da Planta de Valores. Para isso, a prefeitura pretende adicionar um parágrafo ao art. 9º da Lei Complementar nº 07/73, determinando que o Poder Executivo encaminhe ao Poder Legislativo, até 1º de setembro do exercício referente ao primeiro ano do respectivo mandato, projeto de lei com proposta de atualização dos valores unitários de metro quadrado de terreno e de construção para efeitos de lançamento e cobrança do IPTU.
    Com isso, a cada quatro anos haverá abertura para nova atualização da Planta de Valores.
     
     

  • Valter Nagelstein assume presidência de Câmara de Vereadores em 2018

    A Câmara Municipal de Porto Alegre elegeu na tarde desta segunda-feira, 11/12, a sua mesa diretora para o ano de 2018. Presidirá a casa o vereador Valter Nagelstein (PMDB). A eleição seguiu o acordo firmado no começo da nova legislatura, quando líderes e vereadores da base do governo e do bloco independente já acordaram quem seriam os presidentes até 2020. Nagelstein derrotou o candidato da oposição (PT-PSOL) Marcelo Sgarbossa por 28 votos a sete.  Sgarbossa (PT) concorreu a todos os cargos, mas foi derrotado.
    Completarão a mesa diretora a vereadora Mônica Leal (PP) eleita 1ª vice-presidente, os vereadores Mauro Pinheiro (Rede) como 2ª vice-presidente,  Clàudio Janta (SDD), como primeiro secretario, Paulinho Motorista (PSB) na segunda secretaria e José Freitas (PRB) na terceira.
    Em 2018, projetos importantes e polêmicos como a revisão de isenções do transporte coletivo e alteração no IPTU da cidade estarão na pauta da casa. Nagelstein terá a missão de coordenar e mediar as ações entre legislativo e executivo. Prometeu seriedade e imparcialidade: “vou respeitar o regimento interno da casa, aprofundar as discussões sobre os temas que pra cá vierem e envolver a sociedade porto-alegrense”.
    Sobre a relação conflituosa do prefeito e vereadores, acentuada ainda mais no segundo semestre, o novo presidente da Câmara afirmou que cabe ao prefeito melhorar o quadro: “O governo deve tomar lições de 2017 pra melhorar sua relação com a Câmara, mas isso não cabe ao presidente da casa. A mim cabe manter a imparcialidade”.
    Valter Nagelstein está no terceiro mandato como vereador, sendo o mais votado de sua bancada, o PMDB em 2016, com 9,3 mil votos. Durante os governos Fogaça e Fortunati foi secretário de Indústria e Comércio e do Urbanismo.
    Na tarde desta segunda também foi eleita a nominata das seis comissões permanentes do Legislativo, com os seguintes vereadores:
    Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
    Adeli Sell (PT), Clàudio Janta (SDD), Dr. Thiago Duarte (DEM), Ricardo Gomes (PP), Márcio Bins Ely (PDT), Mendes Ribeiro  (PMDB) e Rodrigo Maroni (PODE).
    Comissão de  Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor)
    Airto Ferronato (PSB), Felipe Camozzato (Novo), Idenir Cecchim (PMDB), João Carlos Nedel (PP) e Mauro Zacher (PDT).
    Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab)
    Dr. Humberto Goulart (PTB), Fernanda Melchionna (PSol), Paulinho Motorista (PSB), Professor Wambert (PROS), Roberto Robaina (PSol) e Luciano Marcantônio (PTB).
    Comissão de Educação, Cultura, Esportes e Juventude (Cece)
    Alvoni Medina (PRB), Reginaldo Pujol (DEM), Cassiá Carpes (PP), Sofia Cavedon (PT) e Tarciso Flecha Negra (PSD).
    Comissão de Defesa  do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana ( Cedecondh)
    Moisés Maluco do Bem (PSDB), Comandante Nádia (PMDB) ,João Bosco Vaz (PDT), Marcelo Sgarbossa (PT), Mônica Leal (PP) e Prof. Alex Fraga (PSol).
    Comissão de Saúde e Meio Ambiente (COSMAM)
    Aldacir Oliboni (PT), André Carús (PMDB), José Freitas (PRB), Mauro Pinheiro (Rede), Cássio Trogildo (PTB) e Paulo Brum (PTB).
     

  • Revogação de lei não ‘desbloqueia’ imóveis no Petrópolis

    Em 27 de novembro, a Câmara de Vereadores revogou, por 24 votos a 3, a lei que regrava o Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Município. Mas engana-se quem pensa que o veto irá clarear o cenário do listamento de imóveis, principalmente no Bairro Petrópolis, onde o processo está travado desde o começo de 2014.

    A Procuradoria-Geral Adjunta de Urbanismo, Domínio Público e Meio Ambiente informou ao JÁ que “os imóveis tombados e inventariados não podem ser demolidos sem a devida licença do município e que a Lei Complementar 601/2008, revogada pelos vereadores, consiste em uma legislação procedimental. Ainda que tenha sido revogada a lei, o interesse da preservação permanece, uma vez que está expresso na Constituição Federal de 1988 e no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre”. Em tese, para a PGM, a listagem no Petrópolis permanece.

    A proposta de revogação aguarda homologação do prefeito Nelson Marchezan Júnior. Ele ainda não anunciou se pretende sancionar ou não o veto. A direção da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) aguarda o posicionamento de Marchezan para se manifestar.

    350 imóveis permanecem bloqueados

    Além de casas, prédios também estão na lista para preservação / Arquivo Epahc

    Foram inicialmente listados 559 imóveis em Petrópolis, sem a concordância inicial dos seus donos, o que gerou o início do problema. Após a lista inicial já houve mais três revisões. Atualmente 354 casas e pequenos prédios, considerados com valor histórico, permanecem “bloqueados”.

    Por trás da disputa entre preservacionista x moradores que defendem o direito a propriedade privada, está o alto valor do bairro no mercado imobiliário.

    Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RS) comprovam – Petrópolis é o bairro com maior volume de empreendimentos de Porto Alegre.

    Alguns casarões já estão abandonados / Ricardo Stricher / JÁ

    Em 2015, foram lançados 41 empreendimentos representando 11,55% do volume total na cidade. Em 2016, o número subiu, 43 lançamentos, ou 13,4% do total. O valor do metro quadrado no bairro jamais saiu dos dez maiores da Capital gaúcha, acima dos R$ 7 mil.

    Moradores do bairro estão divididos

    Uma parte dos moradores do bairro Petrópolis concorda com a preservação do patrimônio arquitetônico. Outra, lamenta a desvalorização dos seus imóveis, enquanto os terrenos no entorno ficariam muito mais valorizados.

    “Para manter o imóvel, refazer uma pintura, os proprietários têm que pedir autorização da prefeitura. Fomos transformados em zeladores de nossas casas,” argumenta Fernando Molinos Pires Filho, professor aposentado e presidente da Associação de Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventário da Prefeitura (Amai), que mora no Petrópolis há 25 anos.

    Márcio Divino e Fernando Molinos, da Amai, querem que a prefeitura desbloqueie o bairro / JÁ

    O grupo surgiu após as primeiras notificações recebidas em 2014, e luta politicamente para ‘barrar a intervenção da prefeitura na propriedade privada e no bairro’. “Não são 350 imóveis, tijolos, como fazem parecer os tecnocratas do Epahc. São famílias, vidas atingidas”, diz o advogado Márcio do Amor Divino, integrante da Amai.

    Já Clivia Morato, proprietária de uma das casas na lista do inventário na Rua Dario Pederneiras, tem visão diferente. “Temos interesse em manter a história do Bairro, manter sua paisagem. Petrópolis já foi bem destruído. E esse inventário atinge menos de 400 casas, apenas 4% das moradias”, fala a integrante do Proteja Petrópolis, que conta com apoiadores do inventário.

    Enxurrada de ações para desbloquear imóveis pode ocorrer

    O imbróglio legislativo no inventário surgiu após moradores do Petrópolis contestarem judicialmente a lei 601. E tanto a Amai quanto o Proteja concordam que a lei possui erros desde a sua criação. A matéria foi proposta pela vereadora Sofia Cavedon, em 2008.

    Aprovada, a lei jamais foi regulamentada. Desde então, a Epahc já inventariou oito bairros. Quando chegou no Petrópolis o processo travou.

    De acordo com a Constituição, quem dispões de autorização pra elaborar as regras para um inventário é o Executivo municipal. Como a lei foi criada na Câmara, é inconstitucional. Há uma dúzia de ações na Justiça nesse sentido. Ainda, ao contrário da Lei para o tombamento, a do inventário não prevê nenhum ressarcimento ao proprietário que tenha sua casa listada.

    Escombros de um dos imóveis na rua Farias Santos / JÁ

    Em julho passado, uma construtora conseguiu liminar para retirar dois imóveis da lista. E mesmo sem autorização para demolição, nos terrenos da rua Farias Santos 220 e 234, só restaram os escombros e espigões irão fazer parte da paisagem futuramente. A construtora que ganhou a liminar ainda entrou com ação indenizatória contra o município para cobrir o prejuízo com o atraso do empreendimento.

    A Prefeitura também entrou na Justiça e pede indenização à construtora que demoliu os imóveis. Não há decisão ainda sobre o assunto.

    Leis aprovadas na Câmara ferem Constituição

    Com a pressão da Amai e a falta de critérios claros do Epahc para elaboração da lista, vereadores ainda propuseram outras duas leis complementares. Uma de autoria de Idenir Cecchin, lei 743 de 2014, que anulava a lista do inventário em Petrópolis.

    E outra, do vereador Mauro Pinheiro, a lei 804 de 2016, que prevê o reestudo completo do inventário da Capital e estabelece indenizações aos proprietários que tiverem endereços inventariados.

    Como as novas leis complementares caem no mesmo erro da original, foram todas feitas na Câmara e não partiram do Executivo, estão sob judice. “Na prática, as leis são uma tentativa de barrar o inventário – são legislações que não visam a preservação da cultura e história”, argumenta o advogado Álvaro Jôffre, integrante do Proteja Petrópolis

    Uma barbeiragem do MP no Tribunal de Justiça cria uma nova complicação. Ao pedir a anulação da 804, o MP citou a lei 601, mas não apontou que essa também é inconstitucional. O pleno do TJ/RS não acolheu o pedido de impugnação, e a lei 804, em teoria, está em vigor. O MP pode ainda recorrer.

    Como a norma 804 veio para alterar a lei que agora pode ser revogada, há novos argumentos para uma enxurrada de ações que visem desbloquear imóveis listados.

    Para o advogado Daniel Nichele – “todo o processo foi mal construído pela Prefeitura. Só o executivo, com ação decisiva para resolver isso”. Ele liberou as duas casas já demolidas em julho e lembra. “As casas foram adquiridas em 2013, com investimento superior a R$ 3 milhões”. Ainda de acordo com Nichele, que é conselheiro do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre, com a lei revogada, as ações já existentes caem, mas outras surgirão. “Não havendo legislação, há formas de contestar a inclusão na lista. Vou conversar com clientes meus. Mas há possibilidade de liberarmos mais imóveis”, avisa.

    O advogado da Amai, Márcio Divino, diz que só na última semana vários moradores o procuraram para saber se os imóveis estavam ‘livres’. A Amai tem a posição de aguardar novos desdobramentos. “Nunca entramos e não pretendemos entrar na Justiça, avisamos que a questão só se define com um posicionamento do Executivo. A Epahc tem que mostrar as regras e esclarecer, com as contrapartidas aos moradores. Mas há brechas pra ações – é um risco que o proprietário assume”, coloca.

    Álvaro Jôffre concorda com a revogação da lei de 2008, por ela ter “vício de iniciativa”, e vai além, para ele, a 804 também deve perder valor – “se ela alterava a lei revogada, perde-se o sentido”. Ele acrescenta que – “essa revogação não acaba com o inventário. Há previsão legal na Constituição Federal e no plano diretor da cidade para isso. E as outras legislações criadas na Câmara também caem, já que modificavam uma lei inconstitucional”.

    A atual proposta de revogação, da lei de 2008 , foi feita pelo vereador Dr. Thiago Duarte, e assinada ainda por Reginaldo Pujol, Mauro Pinheiro, Valter Nagelstein, Felipe Camozzato e Idenir Cecchim. “Queremos destravar o bairro, o poder público não pode intervir no direito privado”, argumenta o vereador Thiago Duarte.

    Paim perguntou a Amai: “O que vocês querem  para acabar com o problema?”

    Em agosto, numa reunião na Câmara de Vereadores, a arquiteta Ronice Borges, diretora da Epahc, anunciou a criação de uma comissão entre três secretarias (da Cultura, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Sustentabilidade) e o gabinete do vice-prefeito para discutir o problema. É a tentativa da atual gestão para destravar a listagem.

    Mas, após o anúncio, pouco foi feito. Oficialmente, as secretarias estão em processo de nomeação dos integrantes do GT que irá discutir as medidas a serem tomadas. Recentemente, Fernando Molinos e Márcio Divino se encontraram com o vice-prefeito, Gustavo Paim, e o diálogo foi inusitado. Paim foi direto – “o que vocês da Amai querem fazer pra acabar com o problema?”. Divino argumentou ao vice-prefeito que não caberia a Amai dizer o que fazer, mas sim, o Executivo. “Não podemos dizer isso, o Executivo tem que tomar essa posição”, falei. Paim ficou de analisar com cuidado, mas não apontou os rumos a serem tomados pela prefeitura.

    “Estamos há quatro anos nessa luta, não queremos propor leis, quem somos nós, apenas lutamos pelos nossos direitos. A prefeitura não toma posição firme”, analisa Divino.

    O contato com a gestão Marchezan começou ainda com o secretário adjunto de Cultura Eduardo Wolf. “Ele nos garantiu que não aceita intervenção pública no privado”, lembra Molinos. Mas Wolf saiu do cargo em julho, deixando uma dica a Amai. “Quando conseguirem chegar ao Marchezan aproveitem, é quase impossível ir até ele, até para quem trabalha na prefeitura – Ele nos falou isso”, lembra Molinos.

    Fortunati – “não serei lembrado como o prefeito que liberou Petrópolis à especulação imobiliária”

    Os conflitos entre a Amai e a Epahc vem desde a primeira lista, ainda em 2014. Os moradores alegam que receberam notificações no começo de 2014, época de férias, e que muitos souberam que seus imóveis estavam listado quando o prazo de 30 dias para pedir impugnação já tinha vencido. “É sempre assim, as listas aparecem na época de férias”, argumenta Molinos.

    Organizada, a Amai juntou abaixo-assinado com 1500 assinaturas e conseguiu apoio na Câmara, que propôs as normas 743/14 e 804/16. Houve até visitas ao bairro de técnicos da prefeitura, vereadores e o então vice-prefeito, Sebastião Melo, em 2015, o que acabou por revogar a primeira lista. Logo após a visita, o prefeito José Fortunati declarou a membros da Amai – “não serei lembrado como o prefeito que liberou Petrópolis à especulação imobiliária” e colocou o bairro em estudo. As listas sucederam-se. Na quarta versão, há 354 imóveis bloqueados.

    Há casas que já entraram e saíram do inventário. Na esquina da Borges do Canto com a Protásio Alves havia uma, que saiu de uma das listas; o proprietário derrubou e hoje é um estacionamento. Na última lista a ‘casa’ voltou ao inventário. “Não há regra alguma”, lamenta Molinos.

    “É preciso diálogo, a legislação federal exige participação da sociedade na definição dessas políticas. Não é o que ocorre, O Tombamento exige indenização, inventário não, jogam a preservação para o colo dos moradores – é cômodo para a prefeitura. Não somos contra o patrimônio cultural, mas quero que me mostrem 20 casas no Petrópolis de real interesse cultural. Desafio – e mais de 300 então, um absurdo”, completa o professor aposentado.

    “A revogação da lei é uma vitória dos moradores. Mas é preciso peito de Marchezan. Ele chamou o legislativo de cagão, mas não pode se esconder, depende de uma ação do Executivo”, finaliza Márcio Divino, 50 anos, nascido e criado no bairro.

    A favor do inventário, Álvaro Jôffre diz que não confia nos vereadores e que não vê necessidade do Executivo propor alguma nova lei. “Ao chegar na Câmara, nossos vereadores vão novamente deturpa-la. É preciso que o Executivo siga com o inventário. Há legislação estadual e federal suficiente. Basta ‘tocar o barco’.”,

    Em 2014, grupo organizou manifesto a favor do inventário / Arquivo JÁ

    O Inventário não retira o direito de propriedade de um bem; apenas impede que ele venha a ser destruído ou descaracterizado. Há dois tipos de imóveis que entram na lista, os considerados de estruturação, que devem ser preservados, sem modificação de fachada, e outros de compatibilização, que têm relevância pela composição do entorno, não podendo sofrer alterações que descaracterizem a ambiência do bairro.

    Antes do inventário, agora parado, haviam somente 11 bens relacionados como de interesse cultural no Petrópolis:

    – Caixa Dágua da Praça Mafalda Veríssimo, tombada em 2008 a pedido dos moradores.

    – Oito casas na avenida Felipe de Oliveira, entre elas a casa do escritor Érico Veríssimo.

    – Restaurante Barranco, antiga sede de uma chácara.

    – Casa Estrela, na rua Camerino, 34.

    Abaixo mais exemplo de imóveis listadas para entrar no Inventário.

    Fotos Ricardo Stricher / JÁ

  • Servidores comemoram 45 anos da FZB com exposições, bolo e resistência

    Cleber Dioni Tentardini
    O anúncio da demissão de alguns funcionários da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, programada para janeiro, tornou menos festiva a realização no domingo (10/12) do Projeto Ciência na Praça, que comemorou o aniversário de 45 anos da FZB. Mas o tempo bom, a disposição dos servidores e estudantes e o interesse do público garantiram mais um sucesso do evento, coordenado pela educadora ambiental Laura Tavares.
    Durante todo o dia, pesquisadores e estagiários passaram informações sobre a flora e fauna nativa riograndenses. No final, teve bolo, servido inclusive aos visitantes, e o tradicional grito de guerra ”Não à extinção”, que há dois anos demonstra a resistência dos pesquisadores, técnicos, jardineiros e demais servidores para não deixar que acabem com toda a estrutura de conservação do meio ambiente. Confira as fotos do evento, tiradas por Rosana Senna e Mariano Pairet:

  • Servidores comemoram 45 anos da FZB com exposições, bolo e resistência

    Cleber Dioni Tentardini
    O anúncio da demissão de alguns funcionários da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, programada para janeiro, tornou menos festiva a realização no domingo (10/12) do Projeto Ciência na Praça, que comemorou o aniversário de 45 anos da FZB. Mas o tempo bom, a disposição dos servidores e estudantes e o interesse do público garantiram mais um sucesso do evento, coordenado pela educadora ambiental Laura Tavares.
    Durante todo o dia, pesquisadores e estagiários passaram informações sobre a flora e fauna nativa riograndenses. No final, teve bolo, servido inclusive aos visitantes, e o tradicional grito de guerra ”Não à extinção”, que há dois anos demonstra a resistência dos pesquisadores, técnicos, jardineiros e demais servidores para não deixar que acabem com toda a estrutura de conservação do meio ambiente. Confira as fotos do evento, tiradas por Rosana Senna e Mariano Pairet:

  • Câmara vota projeto que retira isenções do ISSQN

    Está na ordem do dia, para ser votado nesta segunda-feira, o projeto do prefeito Nelson Marchezan Júnior que altera e retira isenções de ISSQN (o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) no município de Porto Alegre.
    O novo projeto faz 16 alterações para adaptar a legislação municipal à nova lei federal, que regulamenta o ISSQN.
    Segundo o secretário da Fazenda, Leonardo Bussato, a diferença será mínima para o contribuinte. Para os cofres da prefeitura, a mudança vai representar R$ 8 milhões a mais por ano.
    Apesar do empenho do governo não será fácil de aprovar a proposta. Alguns vereadores, inclusive da base, já se pronunciaram contrários ao PLCE 016/17. Outros justificaram a falta de tempo para uma discussão mais ampla já que a matéria está em regime de urgência.
    A retirada de isenções fiscais sobre entidades esportivas, estudantis, culturais, recreativas, beneficentes, assistenciais, educacionais, sindicais e classistas, também é um dos empecilhos.
    O secretário garantiu que as isenções para as entidades sem fins lucrativos e para clubes não serão alteradas, pois as atividades desenvolvidas por estas instituições não são de prestação de serviços. “Só serão cobrados tributos daquelas entidades que promoverem eventos com cobrança de ingresso. Quaisquer atividades que forem ordinárias da instituição não serão tributadas”, garantiu.

  • Ato pelo Dia Mundial dos Direitos Humanos teve homenagem à luta dos Mbya Guarani

    Em um local que sempre foi palco para atos, protestos e manifestações em favor da diversidade, da justiça, da igualdade e outras ações humanísticas, a Redenção viu neste domingo, 10/12, uma celebração especial: o Dia Mundial dos Direitos Humanos. Com homenagem especial ao povo Mbyá Guarani que em 2017 recuperou uma área mítica e legítima de sua história, em Maquiné.
    Dezenas de pessoas de vários movimentos, partidos políticos, ativistas de causas de Direitos Humanos e outros grupos, se reuniram próximos ao Monumento dos Expedicionários, à sombra de frondosas árvores da Redenção, para comemorar a data e dar visibilidade à uma causa cada vez mais presente no Brasil atual, segundo o deputado Jeferson Fernandes, presidente da CCDH, da Assembleia Legislativa, uma das apoiadoras do ato show.
    “A palavra mais definidora do que estamos vendo aqui é resistência”, definiu o parlamentar. “Resistência para trazer o tema da luta indígena, invisível nos meios de comunicação, para a sociedade. Ao mesmo tempo mostra os diversos grupos que acreditam em humanismo e na dignidade humana em torno em uma causa comum, dos Mbyá Guarani”.
    Estiveram no evento, entre outros representantes de entidades, sindicatos e partidos políticos, a deputada Stela Farias (PT), o deputado Pedro Ruas (Psol) e a deputada Manuela D’Avila (PCdoB), “numa demonstração que a causa dos Direitos Humanos é supra partidária e cada mais necessária no Brasil de hoje “, afirmou Fernandes.
    O presidente da CCDH da Assembleia Legislativa explicou que a ideia é tornar a data do 10 de dezembro como oficial no calendário estadual, havendo sempre uma celebração e um ato como o ocorrido nesse domingo em datas futuras.
    Participaram do evento com suas presenças Mbyá Guarani das aldeias Anhetenguá (Lomba do Pinheiro), Cantagalo e Pindó Mirim (Viamão) e Kaa’guy Porã, de Maquiné.
    ATO SHOW
    O ato show abriu com Canto Coral dos jovens Mbyá Guarani, de Maquiné, teve música dos tambores do Alabê Ôni, música de raiz popular de Mimmo Ferreira e Carolinne Caramão, jazz e blues de Nicola Spolidoro, MPB de Marcelo Delacroix, Nelson Coelho de Castro Três, Marias e Lila Borges. Os grupos Toque de Comadre e Bloco no Mundo da Lua encerraram a celebração musical.

  • Vereadores lançam frente a favor de privatizações e PPPs

    Foi lançada na tarde desta sexta-feira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre a Frente Parlamentar da Desestatização. Encabeçada pelo vereador Ricardo Gomes (PP), e composta por nove vereadores, a Frente quer reforçar no legislativo sobre privatizações, concessões públicas e ppp’s (parcerias público privadas).
    Dmae, Carris, praças, parques, mercado público, equipamentos culturais, saúde e educação estão entre os temas que entraram nos debates.
    Para o vereador Felipe Camozzato (NOVO) a Frente é uma boa iniciativa e que pretende discutir serviços que o poder privado pode fazer no lugar do poder público. “Nem tudo é privatização, isso tem que ficar claro. Geralmente o serviço público faz muito pouco e faz mal”, comentou o parlamentar.
    Já estão marcada seis audiências públicas para o ano de 2018. Cada uma irá discutir um tema diferente.
    Secretário diz que “Porto Alegre é uma vanguarda do atraso”
    Um serviço para o público não precisa, necessariamente, ser executado pelo serviço público – é a opinião do secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Bruno Vanuzzi, que apoia a iniciativa da Câmara.
    Para Vanuzzi, Porto Alegre “é uma vanguarda do atraso. Precisamos que o setor público capture a eficiência do privado”, afirmou. Sobre o que chamou de desestatização, elencou três eixos de trabalho, a transferência de serviços públicos de inferência social, a mobilização dos ativos imobilizados e a diminuição da intervenção pública na esfera econômica. “Precisamos de instituições sólidas, estabilidade política, estudo com viabilidade econômica e serviço de qualidade”, concluiu.

    Vanuzzi: “Precisamos que o setor público capture a eficiência do privado”.

    “A Frente abre uma luz sobre Porto Alegre para que possamos passar essa energia para o Brasil”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Leandro de Lemos. Para ele, a questão da privatização deve ser tratada com mais radicalismo, visto a situação econômica atual do país.
    Participam da Frente de Desestatização também os seguintes vereadores:
    João Carlos Nedel (PP), Mendes Ribeiro (PMDB), Valter Nagelstein (PMDB), Professor Wambert (PROS), Mônica Leal (PP), Comandante Nádia (PMDB) e Idenir Cecchim (PMDB).

  • Após 94 dias, professores encerram greve no RS

    Em Assembleia Geral realizada na tarde desta sexta-feira (08), no Gigantinho, em Porto Alegre, professores e funcionários de escola do Rio Grande do Sul decidiram pela suspensão da greve, que nesta sexta completou 94 dias.
    Esta foi a segunda maior paralisação do magistério estadual desde 1987.
    Durante a manhã, o Conselho Geral do CPERS, através de votação, já havia apontado pela suspensão da greve. As assembleias regionais do Sindicato, realizadas nos dias 06 e 07, demonstraram que dos 42 Núcleos do Sindicato, 30 apontaram pela suspensão da greve, 10 pela continuidade e 2 decidiram acatar com a decisão da Assembleia Geral.
    “Temos muitas lutas pela frente como a questão da reestruturação do IPE. Suspender a greve não é suspender a luta, é preservar a categoria para os enfrentamentos que virão”, afirmou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.
    A partir de segunda, as escolas irão formular o calendário de recuperação da aulas, que será encaminhado e analisado pelas coordenadorias regionais da Secretaria de Educação.

  • Viagem ao berço destruído da apicultura gaúcha   

    Geraldo Hasse
    “Isso me entristece profundamente”, disse o professor Anselmo Kuhn, presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul (FARGS), diante das ruínas do Parque Apícola de Taquari, criado em 1929 e fechado por falta de recursos há cerca de cinco anos pela Fundação de Pesquisas Agropecuárias (Fepagro), extinta este ano pelo governo do Estado.
    A última vez que Kuhn esteve lá foi há uns 15 anos, quando guiou ao local uma turma de alunos da Escola Técnica Agrícola de São Leopoldo, onde lecionou até se aposentar.
    Recebido pelo agrônomo Caio Efrom,  diretor do Centro de Pesquisas Emilio Schenk, Kuhn visitou o local na última quinta-feira, 7/12, para avaliar a possibilidade de reativar o parque apícola por sua importância na história do desenvolvimento da tecnologia da criação de abelhas.
    “A FARGS tem interesse em recuperar o parque por razões culturais, mas só poderemos fazê-lo por meio de parcerias porque não temos recursos financeiros”, diz ele, lembrando que o local possui inegáveis atrativos como ponto de turismo agrocultural, já que Taquari é considerado o berço da apicultura racional no Rio Grande do Sul.
    Pioneirismo 

    Emilio Schenk foi fundador e ensinou técnicas de apicultura por mais de 40 anos / Reprodução

    Foi nesse reduto cercado por cítricos, eucaliptos e vegetação nativa que o apicultor alemão Emilio Schenk ensinou técnicas apícolas a milhares de pessoas ao longo da primeira metade do século XX.
    Num esforço pedagógico que se estendeu de 1903 a 1946, Schenk ministrou cursos, distribuiu mais de um milhão de abelhas-rainha e difundiu um modelo de colmeia que leva seu nome.
    Bastante usada por apicultores amadores por ser adequada para o clima frio, a colmeia Schenk foi superada pela americana Langstroth, que se tornou padrão mundial.
    O parque apícola ocupa pouco mais de um hectare. Já se desmanchou o rancho de pau-a-pique onde tudo começou no início do século XX, quando Schenk acampou no local e iniciou seu trabalho como apicultor disposto a dividir seus conhecimentos com a vizinhança.
    Já em 1923 ele publicou a primeira edição do livro O Apicultor Brasileiro, largamente difundido no Brasil.
    Foto antiga do casebre original de Emilio Schenk; com mais de 100 anos, a casinha desabou, não existe mais / Reprodução

    Respeitado, ele arranjou recursos para construir o que ainda hoje se configura como um complexo de ensino e pesquisa de apicultura.
    Constituído por uma casa de centrifugação de mel, uma casa de laminação de cera e um laboratório de criação de abelhas-rainha, o parque foi incorporado ao Centro de Pesquisas da Fepagro em 1994, quando este era dirigido pelo professor Aroni Sattler, da UFRGS, que permanece em atividade como a maior referência científica da apicultura no Rio Grande do Sul.
    Parque apícola está abandonado
    Antigo laboratório de criação de abelhas-rainhas. Abandonado / Tânia Meinerz / JÁ

    Na casa originalmente usada pela administração do parque apícola, chegou a ser montado um museu que não resistiu ao gradual abandono – ultimamente se tornou refúgio de corujões e morcegos.
    O que resta do acervo de livros e revistas jaz numa sala com goteiras, teias de aranha e ninhos de cupins. Não há funcionários para zelar pela conservação do material. Alguns equipamentos foram danificados ou desfalcados por ladrões do patrimônio público.
    Na casa originalmente usada pela administração, chegou a ser montado um museu que não resistiu ao abandono / Tânia Meinerz / JÁ


    O efetivo do centro de pesquisas de Taquari, que já foi uma ativa colmeia lotada por 100 pessoas, está reduzido a 14 funcionários colocados pelo atual governo estadual num quadro de pessoal em extinção, ou seja, não podem ser sequer substituídos, caso resolvam sair por aposentadoria ou renúncia aos seus cargos.
    Na prática, o pessoal da Fepagro está num regime do “salve-se quem puder”.
    Na apicultura, mantém-se ativa apenas a bióloga Sidia Witter, que estuda as abelhas nativas, que produzem pequenos volumes de mel mas são fundamentais na polinização da flora.
    Na quarta-feira, 6 de dezembro, o pessoal remanescente do centro de pesquisas de Taquari passou o dia ajudando a Brigada Militar a desalojar um pequeno contingente de pessoas que, em nome do MST, havia montado barracos dentro do perímetro de 460 hectares.
    A prefeitura de Taquari, que prometeu ajudar na ingrata tarefa de expulsar os invasores, não enviou o apoio esperado. Recentemente, mandou um ofício pedindo a devolução de sua parte na área compartilhada com o Estado. Segundo Caio Efrom, essa parceria é tão antiga que ninguém sabe a quem exatamente correspondem as duas áreas – uma de 199 ha, a outra de 261 ha.
    No fundo, esse detalhe burocrático é um dos fatores capazes de complicar qualquer nova iniciativa para reativar o parque apícola.
    Além disso, há outras questões bem mais densas. Por exemplo, qual o custo da eventual restauração dos prédios deteriorados? Os equipamentos ainda poderiam ser usados ou perderam a validade? E, mais, como manter tal patrimônio histórico? “A FARGS pode organizar cursos e eventos aqui, mas não tem recursos para manter sequer um guarda nesse local”, admite Kuhn.
    Assembleia discute planos de recuperação

    Líder nacional na produção de mel, com 30 mil apicultores ativos, a maioria pequenos “tiradores de mel” – amadores também chamados de “gigolôs de abelhas” -, o Rio Grande do Sul possui um grupo de apicultores de alto nível profissional que, além de abastecer o mercado interno, têm condições de exportar.
    Falta-lhes, porém, a união necessária para empreitadas como a recuperação do berço de Taquari, um dos assuntos da pauta da assembleia geral da FARGS convocada para este sábado, dia 9, nas dependências da UFRGS em Eldorado do Sul.
    A federação representa 90 associações apícolas municipais ou regionais.
    Destas, apenas 60 estão com as prestações em dia, situação que ainda reflete a crise conjuntural que atingiu a apicultura há dois anos, quando metade das 400 mil colmeias existentes no estado morreu por causas associadas ao clima. Hoje se acredita que a infraestrutura apícola já se recuperou, mas a atividade vive naturalmente de altos e baixos determinados pelo comportamento da Natureza.
    Este ano, explica Kuhn, caiu a quase zero a produção de mel de laranjeira, por excesso de chuvas na época da florada dos cítricos. Em compensação, a região que mais produziu mel na temporada 2017 foi justamente a região de Taquari, onde há milhares de capões de eucaliptos de diversas idades e variedades.
    Embora não haja um levantamento fidedigno sobre a contribuição de cada espécie vegetal para a produção de mel no estado, Kuhn afirma que os eucaliptos respondem por cerca de 60% do total: seriam 5 mil toneladas anuais de um total de 8 mil toneladas/ano, volume que representa cerca de 20% da produção nacional (40 mil t/ano).  .
    Apicultor residente em Novo Hamburgo, onde envasa o Mel Lomba Grande, Kuhn possui 400 colmeias espalhadas entre Butiá (nos eucaliptais da Celulose Riograndense), Montenegro (em pomares de cítricos) e Cambará do Sul (matas nativas dos Campos de Cima da Serra). É um profissional de médio para grande. Entre os maiores costuma ser citado Gerson Ferstenseifer, produtor do Mel Tio Gerson. Originário de Arroio do Meio, ele tem mais de duas mil colmeias na região de Bagé, onde passou a trabalhar há 30 anos.
    A região da Campanha é a mais próspera produtora de mel do RS, atualmente. Destacam-se Santiago, Santana do Livramento, Dom Pedrito, São Borja e São Gabriel, que sedia a Cooperativa de Apicultores do Pampa (Coapampa).
    Aposentado como professor de técnicas agropecuárias, Kuhn ocupa pela primeira vez a presidência da FARGS – seu mandato vai até o inverno de 2019. No congresso em que foi eleito, em agosto, em São Gabriel, a reativação do parque apícola de Taquari já provocou alguns debates entre os associados.
    Kuhn acredita que recuperação do centro em Taquari pode ser estopim para retomada da apicultura gaúcha / Tânia Meinerz

    Na visão de Kuhn, a reativação do parque apícola de Taquari pode ser o estopim de uma arrancada profissionalizante na apicultura do sul do país. Ele mesmo acredita na perspectiva de se montar no âmbito da FARGS um grupo técnico para dar cursos sobre a apicultura racional. “O mel está num bom momento, com bons preços ao produtor”, diz ele, lembrando que há diversas outras questões que precisam ser tratadas com muito cuidado. A mais delicada é a convivência da apicultura com os venenos usados por agricultores submissos aos pacotes tecnológicos dos trustes do agronegócio. Em Santiago, existe um grupo de apicultores que vem convivendo harmoniosamente com produtores agrícolas. Quando estes programam pulverização tóxica em lavouras, os criadores de abelhas são alertados a tempo de remover seus apiários dos locais perigosos.
     
    Um dos maiores entusiastas da reativação de Taquari é o biólogo Flavio Silva, apicultor em Bagé e membro da comissão científica da FARGS. Ele foi um dos produtores que há dois anos fizeram uma visita de surpresa ao Centro de Pesquisas da Fepagro em Taquari com a intenção de avaliar o estado dos equipamentos de manipulação de mel e cera deixados ali por Emilio Schenk, que morreu em 1946, quando revisava a terceira edição de seu livro O Apicultor Brasileiro.
    Para alguns associados da FARGS, como o próprio presidente, não há melhor lugar no Rio Grande do Sul para difundir a apicultura, que se desenvolveu ali também porque Taquari foi um polo de citricultura, de onde os cítricos se espalharam para outros municípios situados nos vales dos rios vizinhos. Houve um momento no final dos anos 1920 em que Taquari chegou a ter uma faculdade de agronomia, fechada por falta de recursos do governo estadual. Emilio Schenk foi um dos cabeças desse momento fugaz.
    Foi ele quem montou a primeira laminadora de cera a operar no Estado, lembra Kuhn. Até cinco anos atrás, a máquina era usada em benefício de apicultores da região, afirma Caio Efrom. Qualquer iniciativa depende da vontade da Secretaria da Agricultura, herdeira das estações experimentais da Fepagro. O problema é que, no momento, a Secretaria só tem recursos para a manutenção básica de suas operações.
    Mais antiga do que o legado técnico e espiritual de Emilio Schenk em Taquari, segundo Kuhn, é a herança cultural e material deixada em Rio Pardo por Frederico Augusto Hannemann, mestre apicultor alemão considerado o pioneiro da apicultura rio-grandense. Em sua Fazenda Abelina, Hannemann montou em 1865, com peças importadas da Alemanha e complementos feitos por ele com madeira, a primeira centrífuga de mel a operar no Rio Grande do Sul. Era uma máquina manual acionada por uma prosaica corda. Esse e outros equipamentos são conservados em Rio Pardo, o primeiro berço da apicultura.
    Bem ou mal, Schenk e Hannemann ensinaram a chacareiros, sitiantes e fazendeiros os segredos da criação das abelhas e da extração de mel, própolis e cera. De Schenk, falecido há 70 anos, ainda se ouvem histórias deixadas por seus discípulos ou parceiros.
    Apicultores veteranos citam nomes de líderes da apicultura como José Muxfeldt (Porto Alegre), Eduardo Vidra (Taquara) e de Bruno Schirmer, editor do jornal A Colméia, que nasceu em Santa Maria e morreu em Canoas, onde também operava o russo Roberto Grunupp, imigrante excêntrico que importava abelhas-rainha de várias partes do mundo e se tornou popular por ser… avô da atriz Elke Maravilha (1945-2012).
    Um dos nomes que permanecem na memória dos praticantes da apicultura é o de um criador de abelhas-rainhas da Vila IAPI, em Porto Alegre. Todos o conheciam por Trainini. Parece lenda, mas a lembrança tem fundamento: o sobrenome Trainini consta como fabricante de antigos aparelhos apícolas ainda existentes em perfeito estado no parque de Taquari.
    Não seria esta uma boa razão para pensar no restauro do berço da apicultura rio-grandense?