Texto: Leonardo Radaelli
Fotos: Nicolas Chidem
Agência J de Reportagem | Famecos/PUCRS
Uma viagem remete à diversão e ao sossego. A estrada serve de fuga para a monotonia vivida por muitas pessoas, vendo no horizonte uma fonte de motivação para novos desafios. O que para muitos serve como lazer e escape da rotina desgastante da cidade, para outros representa um modo de viver. Para caminhoneiros, a estrada é uma velha companheira. Em um país de dimensões continentais, um trajeto entre regiões pode durar dias, até semanas. Para cumprir o ofício, motoristas abdicam da vida pessoal. Apesar da paixão pela estrada, para os caminhoneiros, viagem não é lazer. É obrigação. A relação com o asfalto é intensa. Para o bem. E para o mal. A estrada traz capítulos diferentes, história marcantes e amizades. Na via contrária, embala a solidão, a tristeza e a saudade.
No Brasil, conforme a CNT (Confederação Nacional do Transporte), mais de 60% dos motoristas são autônomos, com média de idade entre 30 e 40 anos. Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição em veículos registrados na CNT – só atrás de São Paulo e Paraná
“Nós pensamos em tudo. Passa um filme na tua cabeça. Penso na família, na situação, penso no dia a dia da profissão. Resumindo: você coloca uma música para esquecer tudo isso e vamos apreciando o caminho”, revela Jair Cezar. Com trinta e seis anos de estrada, ele já está acostumado com a companhia do asfalto. Jair tem 51 anos, nasceu em Terra de Areia e convive com caminhão desde os 15 anos. Casado, pai de dois filhos, tenta estabelecer um cronograma harmonioso entre família e trabalho. “Tenho oportunidade de fazer meu horário. Dependendo das minhas condições no momento, posso ficar uma semana ou um mês em casa”.
Mas nem sempre foi assim. “Quando era jovem, já passei final de ano e aniversário na estrada. Lá atrás, aconteceu muito isso. Hoje, não. Hoje é mais equilibrado. Antigamente era diferente. Trabalho tinha mais valor, era mais reconhecido”.
Para o profissional, a rotina da estrada pode ser vista como monótona. Mas os dias são sempre diferentes. Na tentativa de explicar, usa o futebol como metáfora. “É como ir ao estádio todas as semanas. Mas não é o mesmo jogo. A gente vai no mesmo lugar, mas não será a mesma partida. É mesma coisa a viagem. Sempre tem um capítulo diferente”, compara Jair, que acabara de voltar de São Paulo.
Depois de três décadas atrás do volante, Jair parece nostálgico: “Antigamente, a pista simples era melhor que a duplicada hoje. Duplicaram, mas triplicou o número de acidentes. As pessoas cuidavam mais, era diferente. Na profissão, tinha mais coleguismo, união e nós éramos mais valorizados”. Apesar das mudanças, Jair não se vê longe da estrada. O caminhão só perde espaço no coração para a mulher e os filhos. “Tirando minha família, ele é minha vida. Eu não me vejo fora dele com condição para trabalhar”.
A ideia de se aposentar é algo presente em suas conversas com a família. “Se hoje eu tivesse recurso, eu aprimoraria, melhoraria e não sairia da estrada. Isso é para quem gosta. E eu gosto do que faço”.
“Eu queria estar em casa, não queria mais viajar. E é só isso aí”. A frase resume bem o sentimento de Lauro dos Santos Cardozo. Com 25 anos trabalhando como caminhoneiro e enfrentando os contratempos da profissão, ele assume que o desgaste profissional atingiu um limite que o desmotiva a seguir dirigindo. Lauro, 49 anos, revela o sentimento que a estrada reflete para muitos motoristas. “É uma solidão. É brabo o cara ficar vinte dias fora de casa. Minha mulher é acostumada já, mas gera solidão. Fazer o quê? ”. Casado e com filhos, afirma que a profissão, em muitos momentos, o priva de seus momentos com a família. Chega a gerar um sentimento de frustração com a profissão.
Antes de trabalhar atrás da direção, trabalhou como chapa – pessoa que ajuda os caminhoneiros nas descargas dos materiais transportados. Com essa relação direta com os profissionais do transporte, começou a dirigir. “Gostei da profissão e fiquei”.
Voltando de Belo Horizonte, Lauro relata sua relação emotiva com a estrada, sua velha companheira: “Sofrimento e solidão. Se fosse para pensar mesmo, hoje, se eu tivesse 18 e 19 anos, eu não iria para estrada”. Apesar do desânimo, parece tarde para mudar de profissão. E parar de trabalhar está fora dos planos. “Pensar em me aposentar, eu penso. Mas não vou, infelizmente. Não tenho carteira assinada”.
Enquanto toma um café no bar do posto Garoupa, Zona Norte de Porto Alegre, às margens da Freeway, Lauro prepara a próxima viagem. O destino é Belém, no Pará. A estimativa de um trajeto de aproximadamente cinco dias. Em meio à organização, lembra das dificuldades que poderá encontrar no caminho, especialmente os constantes assaltos e a precariedade de algumas estradas. Para Lauro, tudo isso, misturado com os sentimentos pessoais, ajudam a desenvolver o estresse na atividade. “Eu viajo, eu preciso trabalhar, não adianta. Não tem outro caminho”, suspira, conformado.
“Minha filha nasceu. No dia em que ela nasceu, eu estava aqui. Quando levamos ela para casa, meu caminhão já estava carregado. Eu saí para viajar e fiquei vinte e poucos dias fora. Quando eu voltei, ela já tinha um mês. Imagina isso”, conta Lucas Silveira Lucrécio. Com apenas 30 anos, viveu cinco deles como caminhoneiro. A estrada não era, exatamente, o seu lugar. Porto-alegrense, hoje experimenta uma rotina distante das constantes viagens, mas vivencia diariamente as experiências dos motoristas. Lucas trabalha com agenciamento de cargas, junto com o pai, no Posto Garoupa.
“Depois de um ano do nascimento da minha primeira filha, eu abandonei a estrada”. Para ele, a família foi fundamental para a escolha de abrir mão da rotina nômade de caminhoneiro para administrar um escritório junto com o pai. Apesar da desistência, algo do dia a dia de caminhoneiro faz o olhar de Lucas brilhar. Por vezes, gostaria de sentir o cheiro do asfalto de novo. “Faz falta a viagem, não ficar todo dia no escritório. Na estrada é bem melhor”.
Lucas transportava carga para todo Brasil. Sobre os sentimentos – e pensamentos – ao longo dos percursos, revela que a estrada pode ser uma ótima companhia em muitos momentos. Mas a ausência da base familiar é um fator que pesa na profissão. “Na estrada, você não tem solidão. Os caminhoneiros são muito unidos. Você sempre tem uma amizade em suas paradas pelo caminho. O problema, mesmo, é a saudade da família”.
Saudosista, relembra que no início da profissão tinha uma paixão pelo veículo. “Eu gostava. Para mim, era tudo. Eu não queria sair de dentro do caminhão”. Mas o tempo desvalorizou a profissão. Por isso, não voltaria a exercer o ofício que sempre o encantou. “Do jeito que o cenário está, eu não volto. Só se melhorassem muito as condições gerais da profissão e eu não tivesse outra atividade. Só se eu não conseguisse mais manter a minha família”.
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O horizonte solitário
Lauro diz que o desgaste atingiu um limite que o desmotiva a seguir dirigindo Lucas abandonou a estrada mas ainda sente saudade da vida no asfalto Petrobras vai rever contratos de gás com a Bolívia
A Petrobras tem quatro contratos de importação de gás da Bolívia, num total de 30 milhões de metros cúbicos por dia ( 30 mm3/d). Mas com a nova política da companhia, vai abrir mão desses contratos, transferindo-os gradativamente à iniciativa privada.
Os candidatos a comprar o gás boliviano para distribuí-lo no Brasil terão que negociar diretamente com o país vizinho.
Em 2019, vence o maior desses contratos, que fornece ao Brasil 18 milhões de metros cúbicos por dia. Representa mais de 50% do gás boliviano importado pelo Brasil, todo ele controlado pela Petrobras.
A mudança vai começar por aí. No vencimento do contrato no ano que vem, a Petrobras vai rever o volume importado.
O diretor da ANP José Cesario Cecchi disse ao JÁ que dos 18 milhões de metros cúbicos/dia desse contrato que vence no ano que vem, a Petrobras vai inicialmente abrir mão de 20%, que serão licitados para a iniciativa privada. “Isso está sendo definido”, garante o diretor.
Outros especialistas estimam que a estatal vai transferir já para distribuidores privados todo o gás adquirido.
É esse contrato que garante o fornecimento de 2,8 milhões de metros cúbicos de gás adquiridos e distribuídos pela Sulgás no Rio Grande do Sul.Falta mel de laranjeira no final de 2017 devido a chuvas em excesso
GERALDO HASSE
Um cego acompanhado pela mulher encostou na banca do apicultor Anselmo Kuhn na feira-livre das segundas-feiras na Praça 20 de Setembro em São Leopoldo e pediu: “Tem mel de laranjeira? É o meu preferido…bem levinho…”
“Mel de laranjeira…Vou ficar devendo”, respondeu Kuhn, lembrando que tinha no estoque um último pote da safra do ano passado – levado minutos antes por outro freguês do Mel Lomba Grande. É que no fim da primavera cresce a procura pelo mel dos cítricos.
Anselmo Kuhn, presidente da Federação Apícola do RS
Presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul, Kuhn explica em tom casual que “este ano vamos ficar sem mel de laranjeira” já que as chuvas do final de inverno lavaram as floradas da maior parte dos cítricos cultivados em cerca de 25 mil hectares dos vales dos rios Caí e Taquari, “deixando as abelhas praticamente sem comida”.
Em consequência, muitos apiários como o de Kuhn, sediado no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, tiveram de remover suas colmeias dos pomares de cítricos para áreas alternativas na busca de outras floradas da felizmente pródiga primavera de 2017. Todos sabem que, havendo flor, desde que não chova demais, as abelhas se mantêm em atividade.
ESCASSEZ
Até o final de novembro as lojas apícolas ainda não haviam recebido mel de laranjeira de seus fornecedores. Segundo Rojane Ferronatto, proprietária da Casa do Mel, de Tabaí, no Km 385 da BR-386, “este ano a produção foi realmente pequena, mas já sabemos que está para chegar o mel das bergamoteiras dos fundões de Montenegro, Salvador do Sul e Brochier”.
Ricardo Bonetto, sócio-proprietário da Honig Haus/Casa do Mel de São Leopoldo, admite que o produto está em falta, mas tem esperança de formar um estoque proveniente de áreas cítricas emergentes na Campanha Gaúcha, de onde costuma receber mel de eucalipto e o silvestre.
A abelha-europeia em flor de laranjeira / Sidia Witter / Arquivo Fepagro/RS
Apesar do acidente climático responsável pela escassez de um dos méis mais procurados pelos consumidores – o mel de laranjeira é claro, fino e perfumado –, o ano apícola de 2017 não pode ser considerado ruim, como foi o ano de 2015, quando os apicultores perderam milhares de enxames por causa de uma trágica combinação de distúrbios climáticos diversos: chuvas, enchentes, seca, frio e falta de alimento para as abelhas.
Naquele ano, a queda da produção de mel no Rio Grande do Sul foi compensada, em parte, por importações do Uruguai, cuja flora se assemelha à da campanha gaúcha. No entanto, se a vegetação já se recuperou dos reveses de 2015, muitos apicultores ainda não se aprumaram, tanto que 30% das 90 associações apícolas do Estado estão inadimplentes junto à federação, naturalmente pobre, como é a maioria dos 30 mil criadores de abelhas gaúchos.
UVA-DO-JAPÃO
Na feira-livre de São Leopoldo, depois de oferecer alguns esclarecimentos monossilábicos sobre a sujeição dos apicultores às variações do clima, Anselmo Kuhn apresentou ao freguês deficiente visual um pote de mel de uva-do-Japão, árvore exótica que prolifera na mata atlântica do Sul do Brasil, onde já estaria presente numa área equivalente a 1 milhão de hectares, segundo estimativas de alguns técnicos.
Também conhecida por seu nome científico (Hovenia dulcis Thunberg), essa bela árvore oriental foi introduzida no paisagismo urbano e tem sido semeada aleatoriamente por animais como o furão. Considerada “invasora”, floresce na mesma época dos cítricos.
Até agora identificado como “silvestre”, como são todos os méis provenientes de uma mescla de néctares de campos e matas, o mel da hovênia também é claro, mas sem perfume. “É parecido com o de laranjeira”, diz Kuhn, que identifica os potes com a sigla UJ. Sua produção é tão significativa e diferenciada que o mel de uva-do-Japão pode vir a figurar entre os poucos méis com nome próprio, como acontece com o de eucalipto, laranjeira, quitoco e o mel branco dos Campos de Cima da Serra.TJ decide que réus do caso Kiss não devem ir a júri popular
O 1º Grupo Criminal do Tribunal de Justiça (TJ/RS) acolheu nesta sexta-feira, 01/12, o recurso dos réus Elissandro Callegaro Spohr, Mauro Londero Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão e decidiu por não levar o caso da boate Kiss ao Tribunal do Júri.
Em 27 de janeiro de 2013, um incêndio na boate, no Centro da cidade de Santa Maria, resultou na morte de 242 pessoas, na maioria jovens, e deixou mais de 600 feridos.
O relator do recurso, desembargador Victor Luiz Barcellos Lima, desclassificou os fatos para outros diversos da competência do júri e foi acompanhado por três desembargadores: Manuel José Martinez Lucas, Luiz Mello Guimarães e Honório Gonçalves da Silva Neto. Conforme o relator, a conduta dos réus não pode ser considerada dolosa. Na investigação, a Polícia Civil considerou que os réus cometeram homicídio com dolo eventual.
“A prova examinada na sentença de pronúncia, não aponta para uma conduta dolosa por parte dos acusados, seguindo-se a assertiva de que o estabelecimento noturno em que se deu a tragédia funcionava regularmente, embora com algumas pendências, sem obstáculo das autoridades encarregadas da fiscalização (Ministério Público, Prefeitura Municipal e Corpo de Bombeiros), somando-se o fato de que o show pirotécnico já havia sido realizado anteriormente, sem qualquer incidente”, afirmou o desembargador Victor.
A polícia apontou mais de 20 irregularidades nos alvarás e licenças da casa noturna e os músicos usaram um artefato não indicado para locais fechados.
A desembargadora revisora, Rosaura Marques Borba, proferiu voto desacolhendo o recurso, mantendo a decisão de levar os réus para julgamento do Tribunal do Júri e foi acompanhada por outros três integrantes do Grupo, desembargadores: Sylvio Baptista Neto, Jayme Weingartner Neto e José Antônio Cidade Pitrez.
Como foram 4 votos favoráveis ao recurso e 4 contrários, a legislação estabelece que deve prevalecer a decisão que favoreça os autores do recurso. Assim, como os embargos infringentes foram interpostos pelos réus, fica mantida a decisão do relator, desembargador Victor Luiz Barcellos Lima de não levar aos réus a Júri popular.
O procurador do de Justiça Silvio Miranda Munhoz , que defendeu a manutenção do júri popular na sessão, avisou que o Ministério Público vai recorrer da decisão. “Nós não nos conformamos com esta decisão do Tribunal de Justiça. Por isso, vamos percorrer todas as instâncias judiciais necessárias para revertê-la e levar os acusados a julgamento pelo tribunal popular”. A afirmação é do procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, logo após ser informado da decisão.
O 1º Grupo Criminal reverteu a decisão de uma das suas câmaras, que, em março, havia negado o mesmo pedido e determinado o início do júri popular. Se houver mesmo recurso, agora, ele deve ser levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confirmada a decisão desta sexta, o caso passa a ser julgado individualmente por um juiz em Santa Maria, como homicídio culposo, com pena prevista de no máximo quatro anos.
Alguns familiares de vítimas da tragédia da Kiss acompanharam a sessão no TJ/RS e saíram revoltados do local.Justiça determina que Estado remeta ao MP documentos sobre incentivos fiscais às empresas
A 7ª Vara da Fazenda Pública determinou que o governo do Estado remeta ao Ministério Público Estadual, Ministério Público de Contas e Tribunal de Contas do Estado todos os documentos solicitados em relação a incentivos fiscais concedidos. Conforme a sentença, não pode ser invocada a exceção do sigilo fiscal, já que a Constituição Federal determina a transparência dos atos governamentais aos órgãos de controle externo.
A decisão é no mesmo sentido da Segunda Câmara Cível do TJ de maio deste ano. Os desembargadores acolheram, por unanimidade, parecer do MP e negaram o agravo de instrumento interposto pela Procuradoria-Geral do Estado, determinando que a Secretaria Estadual da Fazenda disponibilizasse os dados.
Em dezembro do ano passado, a 7ª Vara da Fazenda Pública já havia determinado, em caráter liminar, a remessa de todos os dados solicitados pelo MP. A ação, ajuizada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, tem o objetivo de obter informações sobre empresas que receberam benefícios fiscais e financeiros.
Entre os documentos solicitados, está a relação das sociedades empresariais que receberam benefícios fiscais e financeiros (concedidos sob a forma de créditos tributários futuros), com informação sobre os benefícios fiscais então vigentes, valores, em qual programa de fomento foram enquadrados, desde quando foi editado o benefício, até quando eventualmente retroagiu e quantas vezes foi prorrogado, a previsão de término, cálculos individualizados de estimativa de impacto nas metas fiscais e correspondentes medidas compensatórias específicas. O MP também pediu uma relação das empresas que solicitaram prorrogação de prazo para entrega dos arquivos nos exercícios de 2010 a 2014, listagem das dez maiores devedoras de tributos, explicitando a situação dos débitos, se usufruíram de benefícios fiscais nos últimos cinco anos, sua natureza e valor. Ainda, o MP requereu documentos e relatórios de vistorias às empresas para fiscalização do cumprimento dos requisitos ou contrapartidas previstas na legislação, bem como os valores dos impactos financeiros de todos os benefícios fiscais e financeiros, transformados em créditos tributários e inscritos nas Leis de Diretrizes Orçamentárias dos últimos cinco anos.
Parte dos documentos que já haviam sido entregues ao MP estão sob análise do Ministério Público de Contas para que, com a sua auditoria, examine se as isenções e parcelamentos atenderam as contrapartidas e demais requisitos legais.Sartori fará convocação extraordinária para votar privatizações
O governador José Ivo Sartori pretende convocar extraordinariamente a Assembléia Legislativa, se até o recesso parlamentar os deputados não votarem os textos que autorizam o governo do Estado a privatizar três estatais – CEEE, CRM e Sulgás.
“Separamos os projetos que nos permitem federalizar ou privatizar. Se até o Natal não forem votados, vamos fazer convocação extraordinária”, disse Sartori a uma plateia de empresários e investidores num seminário da Fiergs esta semana.
As privatizações fazem parte das exigências para suspender por três anos o pagamento da dívida estadual, de acordo com o Programa de Recuperação Fiscal, que o governo gaúcho negocia com a União.
Nas tentativas que fez desde o início do ano, Sartori não conseguiu os votos necessários para alterar a lei que exige um plebiscito para privatizar as estatais.
Com o risco da derrota em plenário, o governo desistiu de levar o projeto à votação em outubro e anunciou que iria enfrentar o plebiscito, junto com as eleições do ano que vem, já que este ano não haveria mais tempo.
Nas últimas semanas, ante as dificuldades nas negociações com o governo federal, Sartori mudou de tática. Em vez de um único texto alterando a questão do plebiscito para as três estatais, o governo mandou três projetos, um para cada uma das empresas.APAEs gaúchas realizam Olimpíadas com onze modalidades e 1.200 participantes
De 4 a 8 de dezembro acontece a XX Olimpíadas Especiais Estadual das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do Rio Grande do Sul. O evento reúne mais de 1200 participantes entre atletas, juízes, coordenadores(as), familiares e diversos(as) profissionais. São 205 APAEs no Estado. O objetivo é estimular a ação participativa e integrada de atletas, profissionais, dirigentes e familiares, para inclusão na sociedade por meio de práticas esportivas.
O evento é realizado e promovido pela Federação das APAEs do Estado do Rio Grande do Sul (FEAPAES-RS), com apoio da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). São 11 modalidades esportivas: Atletismo, Natação, Handebol, Basquetebol, Tênis de Mesa, Futsal, Futebol Sete, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Capoeira e Bocha Paralímpica.
A abertura das Olimpíadas acontece às 18h do dia 4 de dezembro, na Ulbra Canoas, contando com a presença do governador, José Ivo Sartori.
A APAE
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) nasceu em 1954, no Rio de Janeiro. Caracteriza-se por ser uma organização social, cujo objetivo principal é promover a atenção integral à pessoa com deficiência, prioritariamente aquela com deficiência intelectual e múltipla. A Rede APAE destaca-se por seu pioneirismo e capilaridade, estando presente, atualmente, em mais de 2 mil municípios em todo o território nacional.
XX Olimpíadas Especiais das APAEs – Edição Regional
Data: 4 a 8 de Dezembro de 2017
Local: Complexo Esportivo da Ulbra Canoas (Av. Farroupilha, 8001 – Canoas/RS)
As competições acontecem das 8h30min às 12h e das 14h às 18h (com exceção do Atletismo, que ocorre no dia 6, das 15h às 19h).A festa tricolor nas ruas de Porto Alegre em fotos
“A terra é azul”, descreveu um dia o astronauta russo Yuri Gagarin, na primeira ida do homem ao espaço sideral, nos distantes anos 1960. Pois 57 anos depois desse enunciado, parte do Brasil, mais especificamente o Rio Grande do Sul, se tornou mais azul. A partir do momento que o Grêmio conquistou, pela terceira vez, o título de Campeão da América de futebol.
Nas redes sociais, nas ruas, ambientes familiares e profissionais, a “flauta” corre solta. As gozações, provocações, piadas, tiradas agressivas ou não, fazem parte do universo futebolístico entre duas paixões clubísticas, periféricas do centro do País, mas extremamente competitivas e bem sucedidas.
Quatro títulos da América, entre Grêmio e Inter, em 30 anos, é uma estatística respeitável.
A leveza do futebol praticado pelo Grêmio na Argentina na noite de quarta-feira, com Arthur e Luan comandando o desfile azul em terras portenhas, deu aos gremistas a sensação maravilhosa de alegria simples e bela, quase perfeita. E restou a festa, que festa.
O fotógrafo Ramiro Furquim fez um registro das emoções da torcida gremista e o impacto das celebrações nas pessoas e paisagens da cidade. Um outro ângulo, uma festa azul para os olhos.[envira-gallery id=”57808″]
Fundação Piratini anuncia demissão de 14 e servidores decretam greve
Onze meses após a Assembleia Legislativa extinguir por lei a Fundação Piratini, que veicula a TVE e a FM Cultura, foram demitidos os primeiros servidores. Nesta quinta, 30/11, 14 profissionais foram notificados que não fazem mais parte da instituição.
Em resposta, os servidores da TVE e FM Cultura decretaram greve geral nas emissoras e divulgaram uma nota em que colocam, que “a decisão (pela greve) ocorre diante do início efetivo do desmonte da TVE e da FM Cultura, com o aviso de demissão de 14 colegas que trabalhavam nas emissoras há mais de 30 anos. A eles expressamos nossa solidariedade, bem como a outros 11 que se encontram também em situação de possível demissão.
A ausência destes profissionais não apenas nos entristece como colegas, mas nos impede de seguir realizando nossas atividades. Um quadro já enxuto, trabalhando desde o início do governo Sartori com condições técnicas mínimas, agora torna-se absolutamente insuficiente, fazendo com que o desempenho de nossas funções e a manutenção das programações da rádio e da TV seja inviável”.
Segundo a direção da Piratini, os servidores demitidos não tinham estabilidade funcional reconhecida pelo Estado porque entraram sem concurso público antes da Constituição de 1988. A assessoria de imprensa da entidade pública confirmou que todos eles atuavam na TVE, no entanto, não divulgou nomes. Para o presidente Orestes de Andrade Jr as programações da emissora de TV e da FM Cultura seguirão normalmente.
Foram as primeiras demissões na Fundação Piratini, extinta conforme a Lei Estadual 14.982/2017, que ainda autoriza o fechamento das fundações Zoobotânica (FZB), Ciência e Tecnologia (Cientec), Economia e Estatística (FEE), Desenvolvimento e Recursos Humanos (FDRH) e Metroplan.
O chamado “Plano de Modernização do Estado (PME)” prevê que os serviços e as atividades desses órgãos sejam incorporados por secretarias ou absorvidos pelo mercado.
Os servidores demitidos não estavam protegidos por liminares que impedem demissões nas fundações.Outubro registra aumento no desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre
A taxa de desemprego subiu de 10,3 em setembro para 12% em outubro, segundo dados da PED-RMPA divulgados nesta quarta-feira, 29/11, pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
Essa intensa elevação do desemprego deveu-se à queda na ocupação de -2,7%. Ou seja, a redução no número de trabalhadores ocupados resultou em um aumento de 29 mil pessoas desempregadas em relação ao mês anterior.
Em outubro, o número total de desempregados foi estimado em 222 mil pessoas. No setor privado, registrou-se retração do emprego com carteira assinada (menos 30 mil, ou -3,3%) e aumento do sem carteira (mais 7 mil, ou 8,4%).
Para a economista da FEE, Iracema Castelo Branco, a mudança que se identificou nos números precisa ser compreendida, comparada e acompanhada. “Uma das hipóteses possíveis é considerar um cenário de ajuste no mercado de trabalho a partir da reforma na legislação trabalhista, que entrou em vigor no início de novembro. Mas esse é um dos fatores que devem ser observados junto aos demais condicionantes do mercado de trabalho”.
Com referência aos setores de atividade econômica, houve redução nos serviços (menos 26 mil ou -2,9%), na indústria de transformação (menos 16 mil ocupados, ou -5,3%), e no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (menos 7 mil ocupados, ou menos 2,1%).
O setor da construção foi o único em que se registrou aumento (mais 4 mil ocupados, ou 3,2%). A economista do DIEESE, Virgínia Rolla Donoso, explica que o setor da construção é muito vinculado ao trabalho autônomo. “O resultado positivo nesse segmento pode estar associado a uma estratégia de sobrevivência, quando não se consegue espaço no trabalho formal”, avalia.
De agosto para setembro de 2017, a massa de rendimentos reais aumentou para os ocupados (2,1%) e para os assalariados (0,9%).


