Categoria: Geral

  • Mercado Público: futuro duvidoso

    O desejo do prefeito Nelson Marchezan Jr. de “mudar a gestão” do Mercado Público de Porto Alegre ouriçou a maioria dos comerciantes estabelecidos no ponto mais antigo da Capital, inaugurado em 1869 e reformado pela última vez em 1997.
    Desconfiada de que uma parceria público-privada (PPP) possa descaracterizar o lugar, a Associação dos Permissionários do Mercado defende a manutenção da sua atual configuração, em que se destacam a extrema variedade das mercadorias, o atendimento pessoal (o autosserviço é proibido) e o “astral século 20” gerado pela combinação peculiar de aromas, sons, luzes e temperatura.
    “Essa PPP é um fantasma”, diz Adriana Kauer, diretora-secretária e porta-voz da associação. Ela vem participando de reuniões com os representantes do prefeito, entre eles Bruno Vanuzzi, funcionário estadual cedido para dirigir a nova Secretaria de Parcerias Estratégicas, que vem articulando diversas parcerias, como a da iluminação pública, com o apoio do BNDES.
    Marchezan ainda não disse claramente qual o modelo de gestão pretendido para o Mercado. Em fins de maio, o secretário Vanuzzi disse ao JÁ que a inclusão do Mercado Público na lista das parcerias reflete a “vontade política” do prefeito, cujo projeto de modernização administrativa inclui a abertura de novas fontes de receitas.
    O Decreto 19.792, publicado dia 20 de julho no Diário Oficial de Porto Alegre, regulamenta o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) e a Manifestação de Interesse Privado (MIP), instrumentos utilizados para modelar empreendimentos que envolvam concessões públicas e PPPs. Há mais.
    Em ofício enviado à Câmara Municipal em 31 de julho passado, Marchezan informou que as secretarias da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico estão trabalhando para “estabelecer novos mecanismos de gestão e fluxos financeiros para o Funmercado”. Não disse muito, mas respondeu a um questionamento oficial da vereadora Sofia Cavedon, que marcara posição logo em fevereiro, quando publicou no seu blog: “O Mercado Público é um patrimônio cultural da cidade de Porto Alegre (…) Tal medida, também, poderá provocar a expulsão de comerciantes que há décadas servem a população de Porto Alegre, devido ao provável aumento de custos.”
    A partir do protesto de Cavedon e de outros vereadores, os funcionários das secretarias municipais envolvidos passaram a esclarecer que não se trata de privatização.
    Em meados de agosto, a saída do secretário Ricardo Gomes, do Desenvolvimento Econômico – vereador pelo PP, ele pediu demissão por discordar da revisão do IPTU – atrapalhou o andamento do processo, mas está previsto para o final de setembro o chamamento da consulta pública sobre o futuro do Mercado.
    Desde o início das discussões os comerciantes deixaram claro que, seja qual for o novo modelo, querem ser os gestores da PPP, preservando o atual formato PPD (plural, popular, democrático), no qual atuam desde microvarejistas até gigantes históricos – a Banca 40 e a Japesca, que possuem sócios comuns, vêm abrindo filiais em bairros da cidade e planejam continuar a expansão até fora da Capital.
    Embora não haja estatísticas sobre o movimento financeiro geral do Mercado, tem-se uma ideia dos valores envolvidos a partir dos relatórios do Funmercado (Fundo Municipal para a Restauração, Reforma, Manutenção e Animação do Mercado Público), criado em 1987 pelo prefeito Alceu Collares.
    O Funmercado é administrado por uma junta formada por representantes de cinco secretarias municipais, mais o representante da Associação dos Permissionários.
    Em 2016, o fundo arrecadou R$ 6,8 milhões (basicamente de aluguéis) e gastou R$ 6,9 milhões em despesas correntes como água, energia, impostos, INSS, limpeza e segurança – este, o item mais oneroso, quase R$ 1 milhão por ano. O maior gasto (R$ 3,2 milhões) foi com a Arquium, construtora responsável pela última etapa da recuperação após o incêndio de julho de 2013.
    Tirando os gastos com a reforma – agora só falta o plano de prevenção contra incêndio, com custo estimado em R$ 2 milhões –, o Funmercado deixa um saldo mensal médio de R$ 70 mil que, pela regra municipal, deve ser investido no próprio mercado. No momento, está sendo colocado numa conta única do município, o que deixa os permissionários incomodados, mas sem questionamentos explícitos.
    O presidente da Associação Comercial de Porto Alegre, Paulo Afonso Pereira, é favorável à criação de um condomínio privado para gerir o Mercado Público: “O prefeito já disse que a Prefeitura é incompetente para geri-lo”. Mas garante que não é intenção transformá-lo num shopping center.
    Aluguel estável ajuda a regular os preços
    Com 110 bancas que ocupam 7.896 metros quadrados no térreo – ainda estão sem uso os 5 mil metros quadrados do mezanino –, os permissionários depositaram no ano passado no Funmercado uma média mensal de R$ 568,7 mil, valor exigido para concluir a reforma pós-incêndio. Isso dá uma média mensal de R$ 71 por metro quadrado.
    Segundo Adriana Kauer, o valor médio do aluguel mensal, que varia de acordo com a localização e a metragem das bancas, gira em torno de R$ 50 por m², valor compatível com aluguéis da vizinhança, mas sem comparação com tarifas de shoppings privados. Aí está o X da questão.

    Adriana Kauer quer manter o modelo | Foto: Tais Ratier

    Quanto a isso, Adriana Kauer é clara: “Nosso maior temor é que o Mercado Público perca suas características como balizador de preços e centro de ofertas com um mix exclusivo de mercadorias”. Ela lembra que a proibição do autosserviço mantém permanentemente empregadas 1.200 pessoas, a maioria delas com muitos anos de carteira assinada, algumas já sócias das bancas.
    Além de sondar a Prefeitura sobre a PPP, a Associação dos Permissionários abriu uma agenda de conversações com o Sebrae para ver o que é possível fazer para melhorar a gestão do Mercado. É um movimento claramente defensivo.
    Um dos primeiros lances dessa parceria de ocasião será um levantamento sobre o perfil do público consumidor ou usuário do Mercado. Ignora-se o número. É comum ouvir que diariamente passam pelo Mercado 100 mil pessoas, número estimado há mais de uma década pela Brigada Militar, que fez uma ressalva: a maior parte “passa” pelo quadrilátero em função dos meios de transporte coletivo (trem e ônibus), não necessariamente para comprar, embora possa fazê-lo. Assim mesmo, por 12 horas corridas a partir das 7h30, é ali o maior formigueiro humano da cidade. Um autêntico pop shopping center.

  • Sartori vai apresentar seu Plano de Recuperação Fiscal esta semana

    O governador José Ivo Sartori afirmou, nesse sábado (16), que o objetivo do governo é entregar o Regime de Recuperação Fiscal ao governo federal nos próximos dias.
    “A conversa com a União já se estende há algum tempo. Queremos fazê-lo bem feito. As soluções precisam ser rápidas, pois saúde, educação, segurança, infraestrutura e políticas sociais são nossa prioridade e precisamos de recursos”, disse em entrevista ao programa Governo e Comunidade.
    A adesão ao plano de recuperação fiscal – que prevê ajuda federal com suspensão do pagamento da dívida por três anos e recursos financeiros – é a aposta do Estado para minimizar a crise econômica e impedir o colapso dos serviços públicos. Com a adesão, o déficit público de R$ 6,9 bilhões previsto para 2018 diminuiria para 3,1 bilhões.
    Para Sartori, é essencial a colaboração da Assembleia Legislativa para destravar questões importantes para a saúde financeira estadual, como o plebiscito da privatização de estatais (CEEE, Sulgás e Companhia Riograndense de Mineração). “Desde o início do governo a intenção é que a população pudesse decidir através de plebiscitos”, destacou.
    O aumento do PIB gaúcho e a abertura de novas vagas de trabalho na GM também foram assuntos durante o programa. Na avaliação do governador, a agropecuária mais uma vez teve papel fundamental. “O crescimento está ligado à agropecuária e à supersafra de 2017: crescemos economicamente 2,1%, enquanto no resto do Brasil ficou zerado”, comemorou.
    Já na GM, aproximadamente 1,7 mil novos empregos foram gerados. “Isso mostra que acertamos quando mexemos no setor automotivo com o projeto Fundopem”, ressaltou. “É um alento para muitas famílias que terão a oportunidade de voltar ao mercado de trabalho”, acrescentou.
    Melhorar o futuro
    Por fim, Sartori lembrou da apresentação do Relatório Anual 2016 RS Futuro, feita no dia 11 de setembro, marcando a comemoração de um ano de vigência do Plano de Previdência Complementar (RS Prev) dos servidores gaúchos. Desde agosto de 2016, o regime permite que os novos servidores civis efetivos do Executivo, Assembleia Legislativa, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública planejem suas aposentadorias.
    “Mesmo com as mudanças que implementamos, o equilíbrio na previdência só se dará no longo prazo, daqui a 25 ou 30 anos”, projetou. A previsão é de que, até o final do ano, quase 60% da folha de pagamento seja para aposentados”, finalizou.
    Com duração de cinco minutos, o programa Governo e Comunidade trata de temas que foram notícia durante a semana e dos principais assuntos envolvendo o Executivo. É gravado na Rádio Web Piratini e veiculado aos sábados por emissoras de rádio gaúchas.
    Com informações do Governo RS
  • Rio Grande do Sul perdeu 30 mil servidores na educação, saúde e segurança

    A constatação é de dois economistas, Róber Iturriet Ávila, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e João Santos Conceição, da Fundação Estadual de Estatística (FEE).
    Eles analisaram dados oficiais da Secretaria da Fazenda de 1991 a 2016 e concluíram que o quadro de funcionários do setor público estadual no Rio Grande do Sul encolheu 15% nesses 25 anos.
    Mais grave: mais da metade saiu nos dois anos do governo Sartori, entre janeiro de 2015 e dezembro do ano passado.
    Outro agravante: as áreas que mais perderam gente são as que prestam os serviços essenciais à população: educação, saúde e segurança. Nessas três áreas saíram, sem ser repostos, 30.122 servidores, quase a metade por exoneração.
    Nesse mesmo período a população do Estado cresceu 23,5%.
    E a tendência de diminuição se mantém. Dados divulgados até julho, referentes apenas ao Poder Executivo apontam para uma redução de mais 4,3 mil servidores nos primeiros seis meses de 2017.
    Os dados disponíveis, de 2002 até julho de 2017, mostram que nestes 15 anos, o quadro do Poder Executivo perdeu 34.705 funcionários.
    ————————————————————————————-
    PODER EXECUTIVO*  (Número de funcionários)
    2002       162.667
    2016       132.969
    2017**    128.662
    Saldo      (- 34.705)
    **Dados até julho
    *O executivo representa 85% do total de funcionários do poder público estadual
    ————————————————————————————–
    POR CATEGORIA        2002            2016
    Educação                   111.484          88.895 (-20,3%)
    Saúde                            6.394            4.038 (-36,9%)
    Brigada Militar             25.397           20.551 (-19%)
    Polícia Civil                    5.835            5.504  (-6,4%)
    TOTAL                        149.650          119.319
    ————————————————————————————–
    A diminuição de 27.902 servidores no conjunto do setor público, no período estudado, é menor do que a redução verificada na Educação, Saúde e Segurança porque em outras áreas do governo houve aumento de pessoal: o Judiciário, por exemplo, cresceu 19%. O ministério público mais ainda, 83%.
    Como são categorias com números menores, o impacto no conjunto é menor. O Judiciário tem menos de 10 mil servidores, o Ministério Público cerca de 3 mil. Mas têm as médias salariais mais altas.
    ————————————————————————————-
    QUADRO GERAL        2002              2016
    Executivo                     162.667         132.969 (-18,3%)
    Judiciário                         7.685            9.179  (+19,4%)
    MP                                   1.627            2.980 (+83,4%)
    Legislativo                        2.269           2.435  (+7,3%)
    Indireta                             9.514           9.089  (-4,5%)
    ————————————————————————————–
    Para os autores “a diminuição no contingente de servidores possui relação com o desalento monetário, uma vez que há maior saída do serviço público nas áreas com menores salários”.
    Outro dado relevante: as perdas maiores se deram nas áreas do poder executivo, exatamente as categorias que estão submetidas aos parcelamentos de salários.
    “Essas mudanças ocorrem no momento em que há uma crise nas finanças públicas e sinaliza uma possível piora dos serviços públicos devido à redução de servidores nas respectivas áreas”, dizem os autores.
    Os dados de dezembro de 2016 apontam que 84,9% de todos os servidores públicos ativos estão alocados no Poder Executivo (administração direta).
    A Secretaria da Educação foi a que mais reduziu o número de vínculos ativos em termos absolutos, tendo saído de 111.484 para 88.895 (-20,3%) entre 2002 e 2016.
    E em julho deste ano estava com 85.203 servidores ativos, mais de três mil a menos em seis meses.
    Na Brigada Militar, houve também uma variação expressiva no número de vínculos ativos, que saiu de 25.397, em 1991, para 20.551 (-19,1%) em 2006.
    No último levantamento, de julho de 2017, eram 20.108 brigadianos.
    Na Secretaria da Saúde, a queda foi de 37%, passando de 6.394 servidores em 2002 para 4.038 em 2016. Em julho deste ano eram 3.894 servidores.
    “É notável, registram os autores, a redução ocorrida a partir de janeiro de 2015, quando foram adotadas algumas políticas de cortes de benefícios e parcelamentos de salários”.
    Foram 16.021 servidores a menos entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016, mais da metade  da diminuição ocorrida nas três áreas – Educação, Saúde, Segurança – desde 2002.
    “As nomeações não foram suficientes para repor o quadro, sinalizando uma redução dos serviços públicos”, diz o estudo: Servidores  públicos ativos e inativos do Estado do Rio Grande do Sul, de 1991 a 2016: elementos  para o debate.
    Número de inativos é maior
    Em dezembro de 1991, eram 76.405 servidores inativos, em dezembro de 2016, já eram 162.684, ou seja, houve um crescimento de 112,9%.
    A partir de agosto de 2016, o número de servidores públicos inativos do Estado do Rio Grande do Sul passou a ser maior do que o de servidores públicos em atividade.
    Em dezembro de 1991, os ativos eram 59,7%, os inativos representavam 24,7%, e os pensionistas, 15,6%.
    O percentual de vínculos de ativos baixou para 42,8% em dezembro de 2016, enquanto o dos inativos passou a 44,5%, e o dos pensionistas, a 12,7% no mesmo período. Ressalta-se que, apesar de o número absoluto de pensionistas ser declinante, esses representam 29,7% do total de servidores do Estado do Rio Grande do Sul, em dezembro de 2016.
    “Saliente-se também que, nas categorias que não são tão afetadas pelos efeitos da crise financeira do Estado do Rio Grande do Sul, não houve diminuição significativa”.

  • Jornada de Iniciação Científica da FZB e Fepam tem 105 trabalhos qualificados

    cleber dioni tentardini
    A décima terceira edição da Jornada de Iniciação Científica-Meio Ambiente (XIII JIC), promovida pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB-RS) em parceria com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (Fepam), qualificou 105 trabalhos de 27 instituições de ensino e pesquisa.
    As atividades realizadas no Jardim Botânico de Porto Alegre encerraram na sexta-feira, 15 de setembro.

    Willian Piovesani apresenta a Composição florística de trepadeiras no Jardim Botânico

    O engenheiro agrônomo Alexandre Krob, do Instituto Curicaca, abriu o evento com a palestra “A Pesquisa Científica e a Gestão da Biodiversidade”.
    Apresentação de minipósteres / Foto Divulgação

    Estudantes e seus orientadores e coorientadores apresentaram em 22 sessões trabalhos inscritos nas categorias de Botânica, Ecologia, Ecotoxicologia, Educação Ambiental, Engenharia Ambiental, Microbiologia Ambiental, Genética Ambiental/Toxicológica, Geoquímica, Gestão Ambiental, Paleontologia, Química Ambiental e Zoologia.
    Gabriela Oliveira (à dir) fala sobre seu trabalho “Proposição de medidas mitigadoras para atropelamentos de quelônios no Campus do Vale da Ufrgs

    Segundo o biólogo Patrick Colombo, da FZB/RS, um dos coordenadores da Jornada, os trabalhos foram avaliados através na análise do seu resumo, mini-pôster e de sua apresentação oral.
    Kassiane Gonçalves mostra as Correlações ecológicas do uso de liquens para construção de ninhos por aves no RS

    “Alem da quantidade de trabalhos, o que nos alegrou muito foi o excelente nível deles. Ao longo dos anos da Jornada os estudos dos alunos e alunas vem mostrando uma ótima qualidade. Este ano, as bancas tiveram uma enorme dificuldade em escolher um destaque, em função disso. É gratificante pensar que as Fundações (FZB e FEPAM) estão capacitando cada vez melhor seus/suas bolsitas de iniciação cientifica, entregando para sociedade futuros profissionais cada vez mais qualificados”, ressaltou Colombo.
    Alunos e orientadores nas apresentações orais da JIC

    Além dos pesquisadores, orientadores, estudantes de pós-graduação, de iniciação científica, técnicos e demais funcionários da FZB-RS e FEPAM, também participaram da Jornada membros do Comitê Externo do CNPq, professores Larissa Rosa de Oliveira (Unisinos), Paula Beatriz de Araújo (Ufrgs/Biociências), Silvia Miotto (Ufrgs/Biociências) e Victor Pereira (Ufrgs/Geociências).
    Maiquel Rodrigo Müller fez o Levantamento florístico preliminar das dunas da Praia Grande, Torres, RS

    Mateus Zimmer com o miniposter do seu trabalho sobre padrões de atividade de graxains em parques nacionais dos Campos de Cima da Serra

    Os trabalhos envolveram também as instituições de ensino e pesquisa Ceclimar/Ufrgs, Embrapa Pecuária Sul, Feevale, Fepam, FZB, ICMBio, Instituto Federal do Rio Grande do Sul, PUC/RS, SEMA/RS, Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade de Porto Alegre, Teia Projetos Ambientais, UCS, Uergs, Universidade Federal de Goiás, UFPel, UFSM, UFV, Viçosa, MG, Ulbra, Unesp, Uniasselvi, Unilassale, Unipampa, Uniritter, Unisc, Univates, Urcamp e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões.
    Marina Zimmer Correa mostra a Fenologia de samambaias em borda natural, artificial e interior de Floresta com Araucária – uma análise parcial

    Júlia da Silva junto ao trabalho sobre a ocorrência de Contracaecum sp. na cavidade celomática de Butorides striata no RS

    Jéssica Neto D’Avila apresenta “Melhoramento genético frente à conservação de Chinchilla lanigera”

    Cauanne Machado apresentou a Influência da passagem pelo trato digestório de mamíferos no sucesso germinativo de sementes de espécies vegetais nativas do RS

    Thamara Almeida apresentoua “Variação intraespecífica na morfologia e tamanho do úmero de Ctenomys minutus em diferentes habitats: uma abordagem de morfometria geométrica”

  • Origem do gaúcho é em terras do Uruguai e do Rio Grande do sul, aponta livro de Fernando Cacciatore

    Num período cheio de comemorações de façanhas – A Semana Farroupilha – um livro vem acrescentar uma polêmica no tema ‘a origem do gaúcho’. Ao contrário do que proclama o senso comum, sua origem não é na Argentina e sim em terras uruguaias e do Rio Grande do Sul. A tese é do embaixador Fernando Cacciatore e o lançamento do livro será na próxima terça-feira, 19/09, às 19h30, na Pinacoteca Rubem Berta. A obra, editada pela Buenas Ideias, é acompanhada de ilustrações de Bruno Junges e prefácio de Eduardo Bueno, o “Peninha”.
    Embasado em documentos e citações, o autor da obra coloca o gaúcho no que ele considera o seu verdadeiro contexto histórico e conclui que este nasceu não na Argentina, mas sim nas terras entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Ele sustenta também que a palavra “gaúcho” partiu do Brasil e se difundiu para o Prata.
    Pensamento argentino
    O autor revisou grande parte da literatura disponível sobre o gaúcho no Uruguai, na Argentina e no Rio Grande do Sul e, neste processo, se deu conta da pesada influência do pensamento argentino na visão que os rio-grandenses têm deles mesmos, porque sua história foi escrita segundo parâmetros argentinos. “O escritor uruguaio Fernando Assunção aprofundou muito a minha visão rio-grandense, mas eu fui além quando coloquei o berço do gaúcho na faixa que vai do Rio Cebolati, que desemboca na Lagoa Mirim à Serra do Caverá, sobre os campos do Jarau e do Quaraí”, comenta Cacciatore.
    Segundo ele, nessa região se concentravam muitos gaúchos e foi ali que se condensou esta cultura, pois eles usavam os mesmos trajes, tinham os mesmos costumes, hábitos, jeito de falar e modos.
    Já o registro mais antigo que se tem da palavra “gaúcho” é o texto em espanhol de Pablo Carbonell, comandante de Maldonado, direcionado a Juan José Vertiz, governador de Buenos Aires, em 1771. Escreveu que “tinha notícia de alguns gahuchos vistos na Serra”. O autor chama atenção para a pronúncia espanhola de haver então um hiato, “aú”, tal como em português. Ele mostra que a palavra “gaúcho” passou a ser usada na Argentina apenas entre 1806 – 1810 e que designava uma classe social pobre, de camponeses perseguidos pelas autoridades coloniais portenhas e montados a cavalo.
    Um fora da lei
    Para Cacciatore, o gaúcho de Buenos Aires não é o gaúcho que temos aqui. “O nosso gaúcho vem do livre e sem rei, gaúcho da campanha e que historicamente em 1875 deixa de ser livre por causa dos arames farpados”, pontua. No início, o gaúcho não era valorizado, era considerado um fora da lei e esse reconhecimento começou com Dona Leopoldina, que fez seu marido D. Pedro vestir um poncho na coroação, em 1822. Um imperador de todos os povos, culturas, raças e etnias, valorizando a identidade do brasileiro.
    “A imperatriz era divulgadora das ideias do iluminismo, de liberdade e este movimento também esteve presente na criação da Escola de Belas Artes de 1816, hoje Escola Nacional de Belas Artes”, esclarece o autor. Para ele, a escola acabou com resquícios medievais na arte brasileira e também da posição do artista na sociedade, deu identidade aos brasileiros, igualou a arte do Brasil à arte da Europa.
    A valorização do gaúcho, descrita no livro, continuou com José de Alencar, encaminhou-se com o trabalho do Partenon Literário de Porto Alegre, sobretudo Caldre e Fião e Apolinário Porto-Alegre, seguido de Simões Lopes Neto. “O gaúcho atual foi sendo construído pelos literatos da cidade”, conclui Cacciatore.
    Faca nos dentes
    Nessa formação ele também cita o papel importante de Oswaldo Aranha, que manifestava as qualidades do “gaúcho”; Erico Verissimo, com a publicação de O Continente, de valor internacional, e Paixão Cortes que, com seus colegas do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, fundou o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) em 1947.
    “Isso resultou na identidade do gaúcho hoje, no orgulho que nos dá em dizer o que somos, em tomar nosso mate nas tardes no Parcão e de montar verdadeiras ‘operetas guascas’ nos CTGs, para engrandecer Anita e Garibaldi”, finaliza Cacciatore que para tanto, segundo Eduardo Bueno: “…despiu-se das vestes da diplomacia, arregaçou as mangas e mandou às favas a polidez. Com o propósito de decifrar a esfinge – e cutucar o centauro –, entrou de cabeça na luta, com uma faca entre os dentes. Faca verbal, bem dito…”.
    Sobre o autor: Fernando Cacciatore é um diplomata brasileiro, nascido em Porto Alegre em 1944. Foi diplomata nas Embaixadas do Brasil em Londres, Bagkok, Bonn, Nova Délhi, Caracas e Berlim. Desde 2006 vive em sua cidade natal e se dedica a escrever. É autor de Fronteira Iluminada – História do Povoamento, Conquista e Limites do Rio Grande do Sul, a partir do Tratado de Tordesilhas – 1420-1920, Como escrever a história do Brasil: miséria e grandeza e O Ritual dos Pastores e A arquitetura neoclássica em Porto Alegre.
    SERVIÇO
    Lançamento e sessão de autógrafos do livro A Origem do Gaúcho e Outros Ensaios, de Fernando Cacciatore
    (editora Buenas Ideias, 128 páginas, R$ 50,00).
    Terça-feira, 19 de setembro, às 19h30. Onde: Pinacoteca Rubem Berta ( Rua Duque de Caxias – 973. Centro Histórico)

  • Com recursos do PAC retidos, Corsan atola no Vale do Sinos

    Geraldo Hasse
    Em depoimento na 5ª reunião plenária de 2017 do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, na quinta-feira, 14/09, em São Leopoldo, o engenheiro Luciano Marcon, chefe de obras da Corsan, fez um balanço pouco animador dos trabalhos da estatal pelo esgotamento sanitário dos municípios situados no vale habitado por 1,3 milhão de pessoas.
    Se não houve todo o progresso planejado, disse ele, foi por falta de liberação de recursos do PAC II (segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento), que hoje poderia ser chamado de Programa de Aceleração de Contingenciamento. Assim, no vale do Sinos, há um profundo descompasso entre o ideal planejado e o real executado: a Corsan ainda não chegou às 314,8 mil ligações de esgoto previstas em seus planos, mas já deixou para trás as 83 mil ligações existentes antes do início das obras. Entre o “antes” e o “depois”, muito esgoto há de correr para o rio classificado no nível 4, o grau máximo de poluição hídrica no país.
    Excluídas as cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo, que possuem serviços municipais de abastecimento de água e esgotos, a Corsan tem projetos concluídos em vários municípios, mas, sem obras em andamento por falta de recursos do PAC II. Em alguns casos, obras foram tocadas com recursos próprios ou obtidos junto ao BNDES ou ao FGTS; em outros mais, há redes de esgoto concluídas nas ruas mas não ligadas pelos usuários potenciais. “O fundamental no momento é ligar a rede”, disse Marcon, lembrando que, no momento, ninguém está sendo cobrado pela disponibilidade do serviço de esgoto. É na bacia do Sinos que se concentram os investimentos da Corsan, conforme uma “pizza” apresentada por Marcon.

    O depoimento do executivo da Corsan desencadeou a manifestação de concordância do promotor do meio ambiente Felipe Teixeira Neto, presente na reunião: “Para mim, o problema número um do saneamento é a falta de ligação às redes”, afirmou, salientando que é preciso acabar com a história de “enterrar milhões de reais em canalizações que ficam sem uso porque os cidadãos não fazem sua parte”.
    Entre elogios e críticas ao trabalho da Corsan, a reunião virou um debate coordenado pelo presidente do Comitesinos, Adolfo Klein, que representa a Associação dos Curtumes. Para ele, a responsabilidade de obrigar a ligação dos imóveis às redes de esgoto cabe aos órgãos da Saúde. Depois de ouvir uns e outros membros do comitê, Klein induziu a uma votação que, teoricamente, deverá resultar numa cobrança junto a algum órgão do Executivo ou do Judiciário para que as redes de esgoto disponíveis sejam conectadas pelos usuários.
    Klein rejeitou uma sugestão para levantar a questão da privatização da Corsan pretendida pelo governo do Estado. “Se a gente começar a discutir isso, é aí que não saímos do buraco”, disse Klein ao autor da sugestão.
    Projeto parados
    O coordenador da Rede Ambiental Sinos do Ministério Público Estadual, Ricardo Schinestsck Rodrigues, anunciou que o órgão pode ingressar com uma Ação Civil Pública para conseguir respostas do Ministério das Cidades quanto à liberação de recursos de R$ 525 milhões para nove municípios. O dinheiro seria para obras que ficaram paralisadas nos municípios atendidos pela Corsan.
    Confira os valores dos projetos:
    Canoas – R$ 216 milhões;
    Estância Velha – R$ 71 milhões;
    Nova Hartz – R$ 5 milhões;
    Nova Santa Rita – R$ 29 milhões;
    Parobé – R$ 42 milhões;
    Portão – R$ 23 milhões;
    Santo Antônio da Patrulha – R$ 16 milhões;
    Sapiranga – R$ 34 milhões;Taquara – R$ 82 milhões.
    Tabela da situação de água e esgoto em municípios do Sinos:

  • Com 15 dias para aprovar revisão do IPTU, governo admite revisar projeto

    “Não podemos perder a chance de reavaliar a planta de valores. Já a questão fiscal e da alíquota, do tempo, podemos discutir mais”. Com essas palavras o secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto, sinalizou ontem na Câmara de Vereadores que podem ser feitas alterações no Projeto de Lei Complementar do Executivo nº 13/17, que propõe a reavaliação da planta de valores dos imóveis e o consequente aumento médio de 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
    Entre os vereadores, há uma posição majoritária de crítica à urgência do governo para a aprovação do texto. A proposta, para valer já no próximo ano, deve se tornar Lei até 29 de setembro.
    “Tem que haver correções, Porto Alegre tem o IPTU mais injusto do país”, assim começou a defesa do projeto pelo secretário Busatto, na audiência pública realizada na noite desta quinta-feira, 14/09. Pouco menos de 100 pessoas acompanharam o debate.
    Primeiro a falar, Busatto lembrou que a planta de valores dos imóveis da Capital possui um deficit histórico, desde 1991 não é revisada. Ele colocou que a atualização da planta é uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado. De acordo com o secretário, 36% dos imóveis cadastrados em Porto Alegre têm valor venal simbólico, com menos de R$ 50 mil, e também existem imóveis com valor venal milionário, com baixo IPTU lançado.
    Busatto ainda explicou que pela proposta original os aumentos serão graduais, divididos em quatro anos, e as isenções serão automáticas e atingirão um número maior de contribuintes do que atualmente. “Mais de 40% dos imóveis vão pagar menos ou serão isentos. Os imóveis de valor até R$ 60 mil terão alíquota zero e estarão automaticamente isentos”, disse.
    O governo diz que 142 mil contribuintes, que pagam até R$ 500 de imposto, terão redução. Para os aposentados, o projeto propõe um limitador de renda até três salários e que seja o único imóvel do contribuinte. Está previsto ainda uma ampliação de receita em no máximo R$ 70 milhões anuais, o que “corresponde à metade do aumento aos servidores concedido pelo governo anterior, de R$ 140 milhões” falou Busatto.
    O secretário municipal de Planejamento e Gestão, José Alfredo Parode, também reforçou a posição do governo municipal. “Temos um deficit na ordem de R$ 700 milhões para os próximos 3,5 anos, e o aumento de impostos é uma parte da solução para cobrir esse rombo”.
    Falta de debate foi questionada
    Henry Starosta Chmelnitsky, representando o Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre, destacou que é preciso calma para discutir um projeto que terá tanta repercussão. “Não é razoável e democrático que seja feito em regime de urgência”, ponderou. “Em um Estado e em um município onde os salários são parcelados, que não têm investimentos, os empresários, trabalhadores e a sociedade serão sufocados pela alta do tributo”, disse. Por fim, cobrou que a Prefeitura inicie a recuperação das suas finanças cobrando os inadimplentes.
    Paulo Roberto Fan, da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul, apresentou números que divergem dos demonstrados pelo Executivo. Disse que houve, sim, aumento da planta em 1999 e 2012, “quando 96% dos imóveis da cidade sofreram majoração”.
    Marcos Antônio Leal Gomes, morador da Vila Tronco, lembrou que, dentro da tese apresentada pelo secretário, de que os investimentos públicos valorizam áreas e que, então, o imposto deve ser maior, haverá um grande impacto nas famílias de baixa renda que vivem no entorno da Avenida Tronco. “Depois que for concluída a obra, como essas pessoas, de baixa renda, irão pagar o reajuste do IPTU?”, indagou. Gomes também pediu que a Prefeitura cobre os débitos dos “grandes latifundiários, que devem cerca de R$ 1 bilhão” e criticou um ponto do projeto que reduz o imposto para os terrenos que não têm edificação. “Isso beneficia o latifundiário e não o trabalhador”, lamentou.
    Só líder do governo defende projeto entre vereadores
    Na manifestação dos vereadores houve forte crítica em relação a urgência do projeto, que não passou por nenhuma comissão na casa. Roberto Robaina (PSOL), opositor do governo Marcehzan falou: “O governo trouxe o projeto muito tarde para a Câmara. Não há nenhuma investigação rigorosa para analisar o projeto. Entendemos que é correto reavaliar a planta de valores. Mas o governo passou o semestre inteiro estabelecendo conflito com os servidores, na questão do transporte. A Câmara, em vez de se debruçar de modo sereno para um debate importante como o do IPTU, passa se atendo a mediar conflitos e todo tipo de problemas criados pelo governo”.
    Sofia Cavedon (PT) afirmou que a cobrança da progressividade é uma bandeira histórica do PT, e destacou que “Não podemos assinar cheque em branco, e as pessoas pagarem a conta”, finalizou, cobrando maior diálogo por parte do Executivo.
    Mauro Zacher (PDT) disse que o governo não enfrenta os problemas da população, mas quer resolver os seus. Que o projeto apresentado é “perfumado e maquiado” com uma suposta justiça social, mas que se trata de uma política fiscal agressiva. Zacher disse que a meta da Prefeitura é arrecadar R$ 300 milhões, que vão sair do bolso do cidadão.
    Por sua vez, Moisés Barbosa (PSDB), o “Maluco do bem”, líder do governo Marchezan, elogiou o trabalho técnico dos servidores que elaboraram o projeto, que, para ele, “faz uma grande justiça a muitos porto-alegrenses que têm residências pobres, donos de moradias simples que pagam mais do que outros em áreas valorizadas”. Ressaltou que “é fácil fazer discurso para agradar eleitorado” e que ninguém gosta de aumentar impostos. Mas defendeu o Executivo ao afirmar que a atual gestão já fez uma economia de R$ 150 milhões em despesas de custeio. Foi o único vereador a defender a integralidade do projeto e sua aprovação até o final do mês.
    A proposta:
    O governo propõe uma atualização completa da Planta de Valores em Porto Alegre (revisão de todos os valores venal); além da revisão das isenções, clubes esportivos, por exemplo, o Grêmio e o Internacional, podem perder o beneficio; e trocar ainda a atual alíquota única, de 0,85%, para imóveis residenciais, por alíquotas progressivas:

    • – alíquota zero para imóveis com valor até R$60 mil;
    • – 0,4% para imóveis com valor entre R$ 60 e R$ 100 mil;
    • – 0,5% para imóveis com valor entre R$ 100 e R$ 300 mil;
    • – 0,6% para imóveis com valor entre R$ 300 e R$ 500 mil;
    • – 0,7% para imóveis com valor entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão;
    • – 0,8% para imóveis com valor de mais de R$ 1 milhão.

     

  • Michel Temer é denunciado por organização criminosa e obstrução de Justiça

    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou há pouco ao Supremo Tribunal Federal (STF) nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Nesta segunda denúncia, Janot acusa o presidente dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.
    De acordo com o procurador, Temer e parlamentares do PMDB, que também constam na denúncia, participaram de um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do partido na Câmara dos Deputados com objetivo de obter vantagens indevidas em órgãos da administração pública.
    Na acusação sobre obstrução de Justiça, Janot sustenta que Temer atuou para comprar o silêncio do doleiro Lúcio Funaro, um dos delatores nas investigações e que teria sido o operador do suposto esquema. A suposta interferência teria ocorrido por meio dos empresários da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, que também são acusados do mesmo crime.
    Joesley e Saud foram incluídos na acusação de obstrução porque perderam hoje (14) a imunidade penal após o procurador concluir que os acusados omitiram informações da Procuradoria-Geral da República (PGR) durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada.
    Durante a investigação, a defesa de Temer questionou os benefícios concedidos a Joesley Batista pela PGR no acordo de delação.
    Tramitação
    Com a chegada da denúncia ao STF, a Câmara dos Deputados precisará fazer outra votação para decidir sobre a autorização prévia para o prosseguimento do processo na Suprema Corte.
    O Supremo não poderá analisar a questão antes de uma decisão prévia da Câmara. De acordo com a Constituição, a denúncia apresentada contra Temer somente poderá ser analisada após a aceitação de 342 deputados, o equivalente a dois terços do número de deputados.
    A autorização prévia para processar o presidente da República está prevista na Constituição.  A regra está no Artigo 86:  “Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade”.
    O prosseguimento da primeira denúncia apresentada pela PGR contra o presidente pelo suposto crime de corrupção não foi autorizada pela Câmara. A acusação estava baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista também foi uma das provas usadas no processo.

  • Repórter fotográfico grava a própria detenção

    Ao final do ato que repudiou o encerramento de uma exposição no Santander Cultural na tarde de terça-feira, em Porto Alegre, a Brigada Militar deteve duas pessoas – um morador de rua e um repórter fotográfico, Douglas Freitas, que com uma câmera na mão registrava a cena.
    A BM ainda usou spray de pimenta para afastar do local outras pessoas e acertou uma borrifada no rosto de uma repórter da Zero Hora, Isadora Neumann.
    Douglas e o morador foram levados de camburão a um posto da BM no Centro e tiveram que assinar um termo circunstanciado para serem liberados, pouco depois das 20h. O jornalista foi acusado de desobediência civil.
    Douglas conta como tudo aconteceu: “Por que vocês estão prendendo ele? Qual o motivo da detenção? Para onde ele vai ser levado?” Estes foram os questionamentos que fiz, com a câmera em mãos, e que provocaram a ordem de prisão. Fui colocado no chão por 5 homens, recebi spray de pimenta no rosto (com toques de sadismo: o soldado do choque que lançou a borrifada, pediu para quem me segurava pelo pescoço me desmaiasse para que conseguissem me imobilizar e se postou na minha frente, calmamente, e esfregou o líquido nos meus olhos). No camburão, fui levado eu e o companheiro da rua que foi detido antes de mim. Foi ele que tentou me tranquilizar: “Já passei por isso, fica calmo e respira pela boca, vai passar”. Me concentrei nisso, mas não amenizou muito. Sou claustrofóbico, parecia que não encontraria ar dentro daquele camburão. Minha cara me agoniava, cheia de ranho e lágrimas. Ao chegar no cubículo da Companhia (com marcas de sangue nas paredes), não sabia o que esperar, mas esperamos. Só queria limpar meu rosto, não consegui por causa das algemas. Nos fotografaram frente ao banner da Brigada Militar, eu inchado, com a cara toda suja, sem conseguir abrir os olhos”.
    Acompanhe o vídeo feito por Douglas da sua prisão:


    “Eu não estava identificado como jornalista, mas repeti diversas vezes que estava trabalhando e que meu trabalho era acompanhar o trabalho da Polícia. Além de que é um direito de todo o cidadão filmar e registrar, direito à livre informação. Por que a polícia tem tanto receio de ter suas ações filmadas?”, relata Douglas. “É um agravo eu ser comunicador e ser detido por estar exercendo minha profissão”, lamenta.

  • Audiência pública nesta quinta debate revisão do IPTU na Capital

    A Câmara Municipal de Porto Alegre realizará, nesta quinta-feira, 14/9, às 19 horas, uma audiência pública para debater o projeto de lei complementar do Executivo municipal que propõe a reavaliação da planta de valores dos imóveis e o consequente aumento médio de 50% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na capital gaúcha.
    O encontro acontecerá no Plenário Otávio Rocha. Além dos vereadores e do secretário da Fazenda, Leonardo Busatto,  – que será o primeiro a falar e apresentará o projeto ao público- serão abertas 10 inscrições para manifestações de cidadãos que comparecerem e desejarem fazer uso da palavra. O horário previsto por lei para o encerramento é 22 horas.
    A população pode se manifestar durante o debate mediante inscrição no início do evento. São destinados pronunciamentos de cinco minutos a 10 representantes da comunidade e um para cada partido que tem cadeira no Legislativo.
    O governo propõe uma atualização completa da Planta de Valores em Porto Alegre (revisão de todos os valores venal); além da revisão das isenções, clubes esportivos, por exemplo Grêmio e Internacional, podem perder o beneficio; e trocar ainda a atual alíquota única, de 0,85%, para imóveis residenciais por alíquotas progressivas:

    • – alíquota zero para imóveis com valor até R$60 mil;
    • – 0,4% para imóveis com valor entre R$ 60 e R$ 100 mil;
    • – 0,5% para imóveis com valor entre R$ 100 e R$ 300 mil;
    • – 0,6% para imóveis com valor entre R$ 300 e R$ 500 mil;
    • – 0,7% para imóveis com valor entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão;
    • – 0,8% para imóveis com valor de mais de R$ 1 milhão.

    O secretário Busatto já classificou o atual IPTU de injusto . Há hoje em Porto Alegre, segundo os dados da Fazenda, 5,3 mil imóveis com valor venal de R$ 45 mil reais e que na realidade valem mais. “A cidade cresceu, imóveis valorizaram, outros se desvalorizaram. Há uma desatualização de 26 anos que precisam ser corrigidos. Trouxemos esse debate para dentro da Câmara, os técnicos estão à disposição” justifica Busatto.
    Governo enfrentas resistência de vereadores
    Em agosto, ao protocolar o projeto na Câmara, o governo do prefeito Nelson Marchezan Júnior já recebeu vários questionamentos quanto o aumento do IPTU e as revisões de isenções.
    João Bosco Vaz (PDT) criticou declarações do secretário que colocariam os clubes “como grandes vilões” pelas distorções no IPTU. Já Felipe Camozzato (Novo) considerou o IPTU progressivo “um crime”, pois “parte do princípio de que patrimônio e ganho de renda andam juntos. Pune ainda mais quem teve patrimônio valorizado.” justificou.
    A vereadora Sofia Cavedon (PT) defendeu o IPTU social, para quem mora na periferia e que terrenos usados para especulação urbana deveriam ter taxados diferentemente. Posição compartilhada por Fernanda Melchionna (Psol): “É preciso haver a taxação dos vazios urbanos e imóveis abandonados durante décadas esperando valorização imobiliária”.