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  • O arroio Dilúvio, ilustre ignorado

    Por Felipe Prestes, especial para o Jornal Já
    Prefeitura vai levar 586 milhões do BID para despoluir o Guaíba, mas nada faz pelos 17 quilômetros do arroio mais sujo da cidade.

    Garças tem habitat no arroio Dilúvio (Felipe Prestes)
    “Ir até lá sozinho, sem a companhia de um guarda, é muito perigoso”, alerta um funcionário da prefeitura. Refere-se à nascente do arroio Dilúvio, no meio do mato, no Parque Saint-Hillaire, em Viamão. Longe da área de vivência do parque, em um lugar inóspito que serviria de acolhida para bandidos, tem início a trajetória de 17.605 metros do riacho que depois divide uma das principais avenidas de Porto Alegre.
    No parque, a água flui limpa para a superfície. Mas ali mesmo a falta de acesso da população à infra-estrutura básica se faz sentir. “As vilas próximas à nascente não possuem saneamento básico. Pequenos cursos d’água que não nascem no Saint-Hilaire acabam levando a poluição para o Dilúvio”, explica o biólogo da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente de Porto Alegre (Smam), Rodrigo da Cunha. Mesmo que apenas 10% da unidade de conservação façam parte do município, a secretaria é responsável pela preservação do local.
    Após se esconder embaixo de vias urbanas, canalizado, e depois se embrenhar nas matas do morro Santana, o Dilúvio reaparece espremido entre o pé deste morro e os fundos de oficinas, depósitos de ferro-velho, brechós, restaurantes e moradias localizadas na Avenida Bento Gonçalves, já em Porto Alegre. Ainda rodeado por mata densa, recebe sofás, colchões, todo tipo de saco plástico e restos de materiais de construção.
    Mais estreito, devido às estruturas de concreto construídas nos barrancos das duas margens, o riacho passa por baixo da Avenida Antônio de Carvalho e vira característica marcante da Avenida Ipiranga.
    Segundo o “Guia Histórico de Porto Alegre”, de Sérgio da Costa Franco, a canalização começa a ser pensada em 1905, por causa das constantes cheias. Entretanto, a obra só foi levada a cabo após a grande enchente de 1941.
    Até então, o Dilúvio saía da Azenha e percorria a Cidade Baixa. Naquela região, nas palavras do escritor, “começava a descrever extensos meandros, em terreno baixo e alagadiço, até alcançar a antiga Ponte do Menino Deus, que dava acesso à Av. Getúlio Vargas. Um destes meandros, imediato à Praça Garibaldi dava uma volta de tal modo acentuada, que quase encerrava uma ilhota no seu interior”. Foi nessa região, conhecida então como Ilhota, que nasceu, em 1914, o compositor Lupicínio Rodrigues. Conta-se que o pai de Lupi teve que buscar uma parteira de barco, devido a mais uma enchente.
    Para evitar fatos semelhantes, a obra que se arrastou por duas décadas tratou de fazer uma retificação, deslocando esta parte do arroio, formando um único curso reto, até o fim da Avenida Ipiranga. Deslocou também uma bifurcação que ia em direção ao Centro, e passava por baixo da Ponte de Pedra. E os porto-alegrenses já estão tão acostumados que muitos nem se perguntam por quê, afinal de contas, há uma ponte naquele pequeno espelho d’água.
    A última alteração se deu nos anos 70, quando o arroio se estendeu até o aterro criado para que surgisse o Parque Marinha do Brasil. Hoje, doze quilômetros do leito são canalizados.
    Cláudio Frankenberg, coordenador acadêmico da Faculdade de Engenharia e diretor do Instituto de Meio Ambiente da PUC-RS, explica que o Dilúvio recebe as águas de diversos pequenos córregos que a cidade foi soterrando para construir novas vias, novos bairros. Sua sub-bacia é responsável pelo escoamento de água em uma área de cerca de 83km2 – mais de oito mil campos de futebol – na qual vivem aproximadamente 446 mil pessoas, na capital e em Viamão.
    O que poucos sabem também é que o riacho não foi projetado para ser um grande recebedor de esgoto cloacal. Segundo o Departamento de Esgotos Pluviais de Porto Alegre (DEP), o arroio carrega este tipo de detritos de apenas três bairros de Porto Alegre até o Guaíba. Contudo, o mesmo problema de ligações irregulares de esgoto cloacal encontrado na nascente ocorre por toda a parte, nestes pequenos arroios que vão desembocar no Dilúvio, além de ocorrer diretamente no próprio.
    “O sujeito descobre que há um duto perto de onde vai morar, faz uma pequena obra e manda seus dejetos para lá, sem saber que se trata de algo que escoa a água da chuva”, relata Frankenberg. As dificuldades para se descobrir essas ligações são grandes, o que dificulta a ação do estado em reparar sua omissão no provimento de necessidades básicas. “Para testar se uma casa tem esgoto irregular é preciso entrar nela, jogar corante no vaso sanitário e ver onde ele vai parar. Precisa da autorização do morador, o que é complicado. Já há robôs que podem ser colocados na rede de esgotos e rastrear isso, mas é um labirinto muito grande, também é difícil”.

    Do pé do morro Santana até a foz, pode-se fazer uma imagem como esta em qualquer trecho do Dilúvio. (Felipe Prestes)
    Essa foi uma das causas da poluição no arroio apontadas por uma análise preliminar feita pelo Núcleo de Estudos do Dilúvio, chefiado por Frankenberg. Em 2007, um grande número de peixes apareceu morto na frente da PUC-RS, o que motivou a criação deste grupo. Entre os outros fatores, estão a sujeira que provém da própria água do esgoto pluvial, pela sujeira das ruas; e o lixo que é jogado diretamente no riacho. “Além disso, não sabemos, por exemplo, se um posto de gasolina não joga produtos químicos no arroio”.
    A grande quantidade de terra no leito colabora para a acumulação da sujeira, por isso há rotineiramente dragas na Avenida Ipiranga retirando este barro. “Um dos entraves para uma maior eficácia é que a Prefeitura de Porto Alegre não possui este equipamento, precisando alugar toda vez que vai fazer este processo”, lamenta o professor universitário. Ao todo, o córrego recebe anualmente 50 mil metros cúbicos de terra e lixo, o equivalente a dez mil caminhões-caçamba cheios.
    O pulso ainda pulsa
    Chama atenção que com tantos problemas o Dilúvio atraia cada vez maior população de aves, e ainda répteis e peixes, inclusive nas partes onde há mais selva de pedra no entorno. O biólogo da Smam, Rodrigo da Cunha, acredita que isso possa confundir a população e alerta que não é necessariamente um bom sinal. “Os animais que ali se encontram, como garças, bagres e lambaris, além de tartarugas, são altamente resistentes à poluição. O arroio não vai bem”.

    Tartarugas resistem à sujeira do Dilúvio. (Felipe Prestes)
    Muitas pessoas também usam as margens do riacho para descansar e fazem das pontes um teto para morar. Das sinaleiras da avenida, tiram o ganha-pão. Uso de drogas, conflitos com os familiares e incompatibilidade com o tipo de assistência oferecida pelo estado nos albergues, vão levando gente humilde a se juntar em verdadeiras repúblicas em torno do Dilúvio.
    Na esquina da Santana com a Ipiranga, Gabriel vende santinhos amassados para os motoristas. Mora com o pai, no bairro Glória, e lhe faltou apenas um ano para concluir o segundo grau. Como gosta de “tomar umas”, prefere evitar brigas com o velho, passando a maior parte da semana com um pessoal que dorme embaixo da marquise de uma loja de pneus localizada naquele entroncamento.

    Quem disse que morador de rua não pode ter jardim? (Felipe Prestes)
    No barranco da mesma esquina, Rodrigo tem um jardim. O morador de rua recolhe plantas quase mortas que encontra no lixo, além de utensílios como vasos, e cuidadosamente trata de dar nova vida aos vegetais. Segue à risca os ensinamentos da mãe, com quem morava no Morro da Cruz, até a morte dela. “Um dia meu irmão me disse que três caras armados invadiram lá e eu nunca mais voltei. Tinha que ver o jardim que tinha lá”. Pretende sair da ponte e poder ser um jardineiro profissional.
    Embaixo das plantas de Rodrigo, num degrau que o concreto faz em cima do Dilúvio, Kátia e o marido usam uma lona como casa. Ela diz ter vinte e um anos, embora aparente menos idade. Jovem como a maioria por ali, a garota conta que veio de Uruguaiana no ano passado. Viciada em crack, diz com naturalidade que transa por cinco ou dez reais. “Vim de avião para Porto Alegre com a minha família. Um velho com quem eu ficava pagou a passagem para todos nós. Eu disse para ele que queria conhecer a cidade”.

    Kátia mora na rua para não vender seus bens
    que ficam na casa da mãe. (Felipe Prestes)

    Kátia tem um filho de um ano chamado Taison, em homenagem ao atacante do Internacional. A touca do Grêmio que usava havia sido emprestada por um amigo, por causa do frio. Quem cuida do menino é a avó. Os dois agora moram no bairro Bom Jesus. “Eu moro na rua por que não quero vender as minhas coisas por causa do vício. Tenho dvd, televisão”, conta.
    O marido não se importa com a profissão de Kátia. “Ele me ajuda e eu ajudo ele”, resume. Foi quem a tirou das imediações do Shopping Praia de Belas, para morar no bairro Santana. Kátia foi convencida por causa da sopa, que é servida por um grupo de caridade a quem dorme embaixo da marquise da loja de pneus.
    Gabriel conta que a relação entre os moradores de rua e o estabelecimento é boa, já que os primeiros só se instalam na frente do ponto de comércio após o fechamento deste. O problema maior é com a Prefeitura, que a qualquer vacilo recolhe os pertences de quem quer que viva na rua por aquelas bandas. A Prefeitura, aliás, começou em 2007 a fechar com concreto e tijolos a parte de baixo de todas as pontes que atravessam o Dilúvio. Somente as pontes históricas foram preservadas.
    Uma destas construções, na Avenida Azenha, é habitada por um grande grupo de jovens, que se revezam por ali. De dia há sempre alguns sentados em colchões na calçada, com vários cachorros, descansando, enquanto outros se viram no malabarismo para conseguir um dinheiro.

    Tiago dorme em um mocó embaixo de ponta histórica na Azenha. (Felipe Prestes)
    Tiago, de 25 anos, conta que é possível faturar cerca de R$ 40 por dia com apresentações na sinaleira, ou simplesmente pedindo. Não é de muitas palavras. Arrepende-se quando revela que dentro da estrutura da ponte tem bons locais para dormir. “Revelei o mocó do Batman”, sorri. Só em dias de muita chuva é que é preciso se deslocar até uma marquise próxima por que o arroio enche demais. Começou a viver no local há cerca de três anos, motivado pelo uso de drogas, e pelas brigas com a mãe, com quem morava na Restinga. “Aqui é todo mundo unido, é uma família”.
    Mais falante e sorridente, Glessias, de 21 anos, possui casa na Restinga, que comprou em uma área invadida. No entanto, freqüenta a região desde os dez anos, quando vinha buscar loló. Já teve visual punk, vestido sempre de preto e usando moicano, por isso ganhou o apelidado de “Sombra”. Foi nessa época que tatuou no braço os dizeres “Fascismo é uma merda”. Não costuma ficar muito tempo em casa, por não poder levar no ônibus o dálmata Beethoven.
    A história da amizade entre o bicho e o jovem é inusitada. Há cerca de quatro anos, o antigo dono do animal pagou para Glessias matá-lo. O guri pegou o dinheiro e o cachorro para si. Também na Restinga mora sua esposa, que está grávida. O “Sombra” diz que sempre quis ter um filho, e que a mulher não se importa com sua ausência. “Ela sabe que eu sou locão”.
    Passado e presente
    No que seria uma tarde comum de trabalho, alertado por um colega, o economista e fotógrafo amador Cilon Estivalet desceu às pressas da repartição na Borges de Medeiros e fez o registro de uma enorme mortandade de peixes. “Cadáveres dos bichos, que tentaram passar do Guaíba para o riacho, tomavam toda a extensão dele, da foz até a Avenida Praia de Belas”, relata.

    1972: família de pescadores contempla a mortandade de peixes no Dilúvio (Cilon Estivalet)
    Era o ano de 1972, e aquela cena acabou o ajudando a tomar uma grande decisão na vida. “O (José) Lutzenberger estava começando a alertar a cidade sobre o mau cheiro causado pela antiga Borregard, a gente lia muito marxismo, e eu acabei me tornando ambientalista”. Estivalet optou pelo engajamento e hoje esta à frente da Associação Ecológica Canela (Assecan), que criou no município serrano.
    A fotografia acabou sendo deixada de lado, mas o ensaio que fez naquela tarde se tornou um forte registro sobre o meio-ambiente em Porto Alegre e de pessoas que dependiam daquelas águas, sendo exposto em várias localidades no Rio Grande do Sul. Quando foi até a margem do riacho, o fotógrafo eternizou uma família de pescadores que tirava dali seu sustento, habitava uma ponte e se locomovia de barco pelo Dilúvio.
    Diferentemente dos atuais moradores de rua, o casal – com um filho – vivia do arroio e do Guaíba, não da avenida; e as drogas ainda não eram uma questão que coloca em xeque a saúde pública no Brasil. Curiosamente, o ambientalista acredita que a poluição era maior naquela época, com uma camada de espuma cobrindo o curso d’água, principalmente nas épocas de pouca chuva.
    O professor de matemática Milton Ribeiro morou na Avenida João Pessoa quase na esquina com a Ipiranga, do nascimento à juventude, entre os anos de 1957 e 1977. Ele se lembra da mesma camada de espuma e também de uma visão bem mais leve que a classe média tinha do Dilúvio e dos habitantes das redondezas. “Dava para atravessar por baixo da ponte sem ter de pisar na água, então era o melhor lugar para se brincar de esconde-esconde”.
    Gatos e funcionários de uma revendedora de carros eram os que mais sofriam com os piás. “Entre as brincadeiras preferidas estavam jogar os gatos ponte abaixo, e estourar rojões dentro da loja”, recorda.
    Volta e meia as crianças se deparavam com algum mendigo dormindo nas redondezas, mas os pais não demonstravam qualquer preocupação com a presença deles, ou com o fato de a garotada brincar perto daquela água poluída. “Nós éramos criados bem mais soltos em relação a como a classe média cria seus filhos nas grandes cidades hoje em dia. Muito pouco se ouvia falar em coisas como assalto e pedofilia”.
    Tal ingenuidade Porto Alegre foi perdendo ao longo dos anos. Manteve-se o descaso com a degradação da natureza e com a população. O arroio Dilúvio é um espelho de como a cidade cuida de si. A saúde do riacho se assemelha à dos atingidos pela epidemia do crack. Problemas como a falta de renda, moradia digna, instrução e saúde pública fazem com que as trajetórias do esgoto cloacal irregular e dos moradores das pontes se cruzem no início e no fim do percurso.
    As pessoas nos carros que voam pela Avenida Ipiranga raramente param pra ver a paisagem.

  • Levy diz que não retoma Gazeta Mercantil

    “A Gazeta Mercantil vai ser retomada pelo empresário Luiz Fernando Levy”. Essa é a manchete que circula nos bastidores da imprensa em São Paulo há dois dias, sem confirmação.
    Nelson Tanure, atual proprietário, que há cinco anos comprou o jornal de Levy, enfrenta dificuldades no projeto e quer devolvê-lo, segundo essas versões. Há até uma data para a mudança: 1º. de junho.
    Nós conversamos com Levy, por telefone, sexta-feira à noite. Eis um resumo do que ele disse:
    “Infelizmente está acontecendo, mas é bem complicado. O Tanure quer devolver, mas é uma coisa unilateral, por enquanto. No fundo a gente não desliga da Gazeta, mas pra mim é definitivo: a hipótese da minha participação não existe. É uma decisão pessoal, familiar. Não vou ter ações de uma empresa de comunicação!”
    Prossegue Levy:
    “Algum tipo de solução vai ter que ter. Nada comigo. Evidentemente há esse espírito de renascer, eu estou disposto a contribuir. Mas tem que ver o que vai ser, não pode ser pior do que já foi. Minha participação? Pode ser num conselho editorial, num projeto sério. Mas sem envolvimento financeiro”.
    Acompanhe nosso noticiário sobre o assunto.

  • Wal Mart aposta no consumo popular para crescer no Brasil

    O crescimento da renda nas classes C, D e E é a bússola que orienta os estrategistas do Wal Mart no Brasil.
    O grupo vai investir R$ 1,6 bilhões no país em 2009. Mais da metade será direcionada para atender a demanda nestes segmentos, principalmente na classe C, que abriga a “nova classe média brasileira”.
    Esse é no resumo da entrevista do presidente do grupo no Brasil, Héctor Nunes, nesta quinta, 21, em Porto Alegre.
    “Há uma nova demografia no Brasil. Essas faixas já representam dois terços da população do país, mas não há uma boa opção para esse consumidor de menor renda”, disse ele.
    Ele não revela números, mas diz que nos próximos cinco anos os investimentos serão pesados nessa direção.
    Uma pesquisa do Ibope, segundo Nunes, aponta que 21 do rendimento da classe C é destinado às compras em supermercados, mercearias e farmácias.
    Em sua estratégia para crescer nesses segmentos de mais baixa renda o Wal Mart adota dois formatos de loja: o Todo Dia, nascido no Nordeste e o Maxxi Atacado, desenvolvido no Sul. Ambos tem o mesmo foco: economizar no custo operacional para ter o melhor preço na gôndola.
    O Todo Dia é uma loja de 600 metros, de vizinhança para ser atendida por no máximo 50 funcionários. É um modelo de baixo custo operacional que surgiu no Recife. Já são 36 no Nordeste e, em 2008, chegaram a São Paulo, onde já são quatro.
    As primeiras chegam ao Rio Grande do Sul no segundo semestre – em Campo Bom, Canoas. Uma terceira ainda não tem local definido. É o primeiro teste do Todo Dia no Sul.
    O Maxxi Atacado surgiu em Porto Alegre, com o grupo Econômico, depois absorvido pelo Sonae, depois comprado pelo Wal Mart.
    Sobreviveu como uma experiência bem sucedida. É um atacado, com área entre 3 mil e 5 mil metros quadrados, para pequenos empresários mas também para consumidores de baixa renda.
    Hoje tem dez lojas Maxxi no Rio Grande do Sul. Uma nova será construída em Viamão, em todo o país serão 20 este ano.
    Outra experiência bem sucedida no Rio Grande do Sul que o Walt Mart está levando para os demais Estados é o Clube do Produtor. Já envolve 4 mil famílias de pequenos agricultores que produzem com orientação da empresa e já tem na Bahia e Pernambuco.
    Hoje a Wall Mart está em 18 estados brasileiros, com 346 lojas, 78 mil funcionários. Em 2008, faturou R$ 17 bilhões. Este ano vai abrir 90 novas lojas, metade para atender as faixas de mais baixa renda. Vai empregar mais 10 mil pessoas.
    No Rio Grande do Sul serão aplicados R$ 56 milhões para implantar cinco novas lojas: três Todo Dia (em Campo Bom, Canoas e um terceiro sem local definido), um Maxxi Atacado, em Viamão e um Nacional, no bairro Boa Vista, em Porto Alegre. Todas estarão operando no segundo semestre.
    Exalando otimismo, o presidente do Wal Mart Brasil falou também da crise. Disse que “o Brasil não é blindado mas os reflexos são leves”. O consumo foi pouco afetado. Na Páscoa as vendas cresceram 20% e no Dia das Mães cresceram 15% em relação ao ano passado. E a tendência, pelas condições estruturais do país, é de que seja menos afetado pela recessão mundial. “O país é estável política e socialmente, sólido economicamente. É mercado prioritário, estratégico para Wal Mart”.
    Tanto que é no Brasil o maior investimento do grupo este ano e o maior feito no país desde 1995, quando entrou no mercado brasileiro, comprando redes regionais.

  • Manifestantes realizam “velório” de Yeda

    Cerca de 1,5 mil pessoas se encontraram às 19 horas dessa quinta-feira em frente à sede do CPERS para, através de um velório simbólico, pedir a renúncia da governadora do Estado, Yeda Crusius. O protesto foi organizado pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais (FSPE) e marca os “860 dias de agonia para o Rio Grande do Sul que representa o governo Yeda”.
    Sob gritos de “fora Yeda”, refrão que já ganhou às ruas e os muros da cidade, os manifestantes caminharam da rua Alberto Bins até o Palácio Piratini levando velas e faixas com palavras de ordem. Para Antônio, aluno de letras na UFRGS, o protesto teve um ar de mea culpa. “Essa vela aqui é também de vergonha, porque votei na Yeda nas últimas eleições”.
    A marcha, formada principalmente por estudantes, militantes e funcionários públicos, foi puxada por uma corrente de sindicalistas e avançava rápida ao ritmo de instrumentos de percussão. Em meio à multidão, além de bandeiras do PSOL e do PSTU, havia até mesmo vendedores de pipoca e sorvete. Durante todo a trajeto, a procissão foi acompanhada pela Brigada Militar, que bloqueou as vias transversais.
    Estudantes cantavam “não tem dinheiro pra educação, mas tem dinheiro pra comprar uma mansão”, referência ao negócio da casa da governadora, investigado pelo Ministério Público. Alguns reivindicavam que Yeda “voltasse para São Paulo”, outros gritavam “um dois três, Yeda no xadrez”.
    Ao fim do percurso, os manifestantes colocaram suas velas no chão formando a palavra impeachment. Para as entidades que fazem parte do FSPE, o governo Yeda não tem mais legitimidade para continuar, muito menos encaminhar projetos que retirem direitos dos servidores públicos.

  • Vacina contra o câncer: pesquisador apresenta estudo

    Entre os dias 14 e 18 de junho Porto Alegre recebe o 36º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas. O evento será realizado na FIERGS, paralelamente ao 9º Congresso Brasileiro de Citologia Clínica, e tem entre as suas principais atrações a palestra do médico Fernando Thomé Kreutz que trabalha há mais de dez anos no desenvolvimento de uma vacina contra o câncer.
    Kreutz, professor da Ulbra e pesquisador associado ao Centro de Biotecnologia do Estado do Rio Grande do Sul e do Departamento de Biofísica da UFRGS, apresentará os novos resultados dos seus estudos. Ele deve enfatizar os tipos de câncer em que a vacina poderá ser aplicada e a sua forma de ação.
    O congresso tem como objetivo a capacitação e atualização dos profissionais ligados a área laboratorial como farmacêuticos-bioquímicos, biomédicos, médicos patologistas entre outros. Até o momento, estão previstas cerca de 95 palestras com foco nos temas Hematologia, Imunologia, Bioquímica, Microbiologia, Gestão Estratégica e da Qualidade, Biologia Molecular, Parasitologia e Especialidades Diversas.

  • Índios do Morro do Osso aguardam decisão do governo federal

    Por Paula Bianca Bianchi

    Liminar vai, liminar vem e os índios caiguangues do Morro do Osso continuam no Morro do Osso. O grupo, que ocupou a área em 2004, espera por uma decisão do governo federal sobre a autenticidade do local como território indígena. Enquanto isso, parece fazer pouco caso das ações de reintegração de posse da prefeitura, que no começo de maio perdeu mais uma vez.
    Na manhã desta quinta-feira algumas índias podiam ser encontradas tranqüilamente tecendo cestas de vime à sombra das árvores, conversando e apreciando a vista do Guaíba. A aldeia fica no topo do bairro Tristeza, entre o Sétimo Céu e a entrada do Parque Natural do Morro do Osso – uma das áreas mais visadas pelos especuladores imobiliários de Porto Alegre.
    A prefeitura argumenta que os índios causam um grave dano ambiental ao parque, um dos restinhos de Mata Atlântica na cidade. Os caiguangues, que também ajuizaram uma ação na Justiça requerendo a posse da área de 127 hectares, alegam que o local já teria sido ocupado por seus antepassados.
    Para o juiz federal Márcio Rocha, que analisou o recurso do Ministério Público Federal, a remoção não leva em conta qualquer estudo antropológico, de sustentabilidade ou qualquer aspecto de defesa dos interesses da comunidade caiguangue. “A relocação não é feita para uma área tradicionalmente ocupada pelos índios, sustentável e adequada, mas para qualquer área, desde que não seja o Morro do Osso”, afirma.
    Em novembro os caiguangues acamparam em frente à sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Passo Fundo para ver se alguém tomava alguma providência. A ação resultou em um compromisso da Funai nacional de criar um grupo de trabalho (GT) para averiguar a situação do parque e da comunidade até o fim de julho.
    Por enquanto ninguém se manifestou sobre o GT e mesmo a Funai gaúcha não tem muitas informações do andamento do caso em Brasília. “Eles se comprometeram em fazer um estudo para ver se essa área é ou não indígena”, explica o administrador regional do órgão, João Alberto. “Espero que façam.” E os índios caiguangues do Morro do Osso continuam no Morro do Osso.

  • Chaminé de Candiota chega a 198 metros


    A altura total do duto da chaminé será de 200 metros, sendo que o último trecho de 1,25 metros, que constitui o anel de coroamento do duto, será concretado utilizando forma convencional – a instalação será realizada assim que a forma deslizante seja desmontada. A duração da execução está prevista para três semanas.
    Posteriormente à concretagem do anel de coroamento, será iniciada uma nova etapa importante da construção, que é a concretagem da laje de fundo da chaminé, localizada na altura da entrada dos dutos dos gases, e, na sequência, a concretagem dos diversos consoles estruturais que irão apoiar o revestimento interno com tijolos refratários.
    A construção da chaminé começou no dia 12 de maio de 2008, com a execução da estrutura de fundação. O trabalho de concretagem do duto utilizando formas deslizantes iniciou em 25 de fevereiro.
    CURIOSIDADES
    O volume total de concreto a ser utilizado na chaminé será de 4.042 metros cúbicos, o equivalente ao carregamento de cerca de 600 caminhões betoneira, ou ainda, ao volume de uma piscina de 100 metros X 40 metros, com um metro de profundidade.
    A armadura de aço utilizada na estrutura da chaminé totaliza 445 toneladas, equivalentes ao carregamento de cerca de 20 carretas.
    Diâmetros do duto: na base, 12,96 metros e no topo, 5,83 metros.
    Espessura do duto: variável, de 55 centímetros, na base, a 25,7 centímetros, no topo.
    A chaminé contará com escada metálica externa que terá patamares intermediários a cada 6,5 metros, para mudança de direção, e será pintada na face externa, para sinalização aérea, nas cores branca e laranja, conforme estabelecido na legislação.

  • Cinco gatinhos em perigo

    O telefone tocou insistentemente na redação. Eram moradores de um edifício da rua Paisandu querendo que alguém vá resgatar cinco gatinhos – é a tão perseguida interatividade do leitor com o seu jornal favorito.

    Nossa reportagem foi lá. Deu pra constatar que alguém sem coração anda por aí. Alguém com coragem para abandonar cinco gatinhos no meio de um monte de lajotas frias no estacionamento do edifício 305 da rua Paisandu, no Partenon.
    Os bichos estão lá desde que nasceram, quase no início de maio. Veio o frio, e os cinco gatinhos ali, aninhados em si mesmos, entre as pedras. Foi a empregada de um morador que descobriu a ninhada – ouviu o choro e mandou o patrão, seu Erno, conferir.
    Em todos estes dias desde a descoberta da ninhada poucos viram a mãe dos bichanos: a velha gata mãe deles é uma vadia que aparece de vez em quando pra lhes oferecer as tetas. Bem ou mal, não dá pra dizer que eles estejam abandonados, porque estão gordinhos.
    Seu Erno botou apenas um pedaço de pano branco do tamanho de um guardanapo para que eles fiquem em cima. A filha dele se condoeu dos bichinhos e apenas uma vez em 15 dias levou pra eles um pires de leite – sua única refeição humana neste início de vida.
    Nossa repórter não conseguiu apurar o sexo dos gatinhos – não foi possível levantar nenhum deles pra saber se tinha pipi. Ela notou as cores. Um é branco, outro é preto, dois malhados cinza com preto e o último é cinza.
    Na visita da nossa repórter hoje à tarde deu para notar que o branquinho não se mistura com os irmãos – e os quatro, mais espertos, se encostam uns nos outros pra ganhar calor.
    Um depoimento sobre a mãe, dada pelos moradores do prédio: ninguém conhece a gata pessoalmente. Sabem que ela é arisca, que rola pelos muros da redondeza em busca de comida. O pai, ninguém sabe quem é.
    Os gatinhos parecem gostar de ficar atrás das pedras – pra tirar uma foto deles foi preciso meter a mão no buraco.
    Seu Erno quer que alguém de alguma entidade defensora de animais passe por lá e recolha a bicharada, antes que a vizinhança de canse deles e jogue tudo na calçada pro caminhão do lixo. (Com reportagem de Daniela de Bem)

  • Morre José Onofre

    Morreu na tarde desta terça feira por volta das 14 horas o jornalista José Onofre, de 66 anos. Ele estava há 45 dias no Hospital São Francisco da Santa Casa de Porto Alegre após sofrer uma crise decorrente da diabetes. A situação se agravou em abril, quando Onofre teve uma parada cardiorespiratória. Desde então, ele era mantido sob observação.
    O corpo está sendo velado na capela 8 do cemitério João XXIII. O enterro será às 15 horas da quarta feira,20.

  • As santas da creche Santa Terezinha

    Por Ana Lúcia Mohr
    Quem passa na frente da Creche Santa Terezinha, na Avenida Venâncio Aires, não pode imaginar que ela surgiu como um local para as empregadas domésticas deixarem seus filhos. E muito menos que isto aconteceu há 31 anos.
    A Santa Terezinha foi criada pela Fundação CAPED (Centro Arquidiocesano de Promoção da Empregada Doméstica), em 1978, que até hoje a mantém com a ajuda das mães (as que podem pagam uma mensalidade de 90 reais, as demais não pagam), as senhoras Amigas da Creche, Sesc Mesa Brasil, Banco de Alimentos e doadores anônimos.
    Funcionando inicialmente na Ramiro Barcelos, em maio de 1985 mudou-se para sede atual, adquirida pelo Governo do Estado e pela organização de Ajuda Miseror do Episcopado da Alemanha. Ali funcionam o CAPED e a Creche.
    Em 1988, porém, com a nova constituição, o estatuto teve de ser modificado. Com a proibição da diferenciação, o atendimento passou a ser universal para crianças oriundas de famílias de baixa renda.
    Administrada exclusivamente por professoras aposentadas (todas voluntárias, as quais, além de tudo, arcam com pequenas despesas), a creche funciona somente com 7 funcionários pagos: as 5 atendentes, a cozinheira e a copeira; os outros são todos voluntários.

    A entidade possui um amplo espaço físico com profissionais qualificados para atender 60 alunos de 3 anos e meio a 6 anos das 8 às 17h, cujas mães trabalham, em sua maioria, como empregadas domésticas ou no comércio. As turmas são de 15 alunos e vão do Maternal 1 ao Jardim 2, como explica Estela Lopes Testa, que há dez anos é voluntária.
    As crianças recebem atendimento especializado: nas segundas-feiras, têm aulas de Educação Física com estagiários da PUCRS, nas sextas, de música, com um professor. Também há acompanhamento médico e odontológico. Sempre que dá, as crianças da Santa Terezinha são levadas para passear. No dia 12 de maio, na semana de aniversário da creche, por exemplo, as crianças do Jardins 1 e 2 foram levadas ao teatro.
    Segundo Estela, a comunidade ajuda bastante, “a gente não tem do que reclamar”. Tanto é que conseguem fornecer quatro refeições diárias, “alimentos não faltam nunca”, conta Estela. Já a doação de brinquedos costuma ser maior que a demanda. Quando isso acontece, eles são doados para uma creche da Ilha da Pintada, “pobre tem que ser solidário”, brinca a secretária. A única dificuldade enfrentada pelas administradoras é pagar funcionários na data correta. Apesar disso, segundo Estela, o pagamento nunca foi atrasado.