Naira Hofmeister
Novamente os integrantes do Fórum Municipal de Entidades de Porto Alegre vão mostrar sua insatisfação com os rumos que a Camara Municipal está propondo à cidade. Justamente na véspera da eleição e num lugar de ampla movimentação popular: a Usina do Gasômetro.
O Forum é composto pelas 22 associações de bairro e ongs ambientalistas que participram do debate sobre o Plano Diretor na Câmara em 2007 e 2008.
A partir das 15h o grupo se reúne para protestar contra a alteração na lei 470 que tramita na casa – e já teve a votação adiada duas vezes em razão do período eleitoral.
O atual regime urbanístico de Porto Alegre proíbe a construção de empreendimentos residenciais e industriais ou de depósitos na beira do Guaíba.
A idéia de modificar a lei partiu de um empresário, sócio da BM PAR, que pretende contruir um complexo de seis prédios na área do antigo Estaleiro Só, na Zona Sul de Porto Alegre.
O Pontal do Estaleiro prevê o uso misto da área, ou seja, além de salas comerciais e de um hotel, o projeto terá apartamentos residenciais.
Uma grande área pública de mais de 32 mil m² – com esplanada para passeios à pé, ciclovia e uma rua para carros – também estão incluídas no projeto e são usados como justificativa do construtor, que garante que dessa forma vai “devolver a Orla à população, que hoje não pode usufruir da região”.
Os críticos defendem que a revitalização da área deve ser protagonizada pelo poder público e acusam prefeitura e vereadores de defenderem os interesses econômicos de poucos, já que um dos argumentos que a BM PAR usou para ingressar com a solicitação foi de que a atual lei excluiria a
possibilidade de lucro necessário para um bom negócio. A área aonde a BM PAR planeja construir o Pontal do Estaleiro foi comprada depois de 15 anos com sucessivas tentativas de leilão sem sucesso,
justamente pela proibição implicada na lei 470. A BM PAR arrematou a área há seis anos, por R$ 7 milhões (menos da metade do que o valor original). Com o dinheiro do leilão, foram pagas indenizações aos trabalhadores do estaleiro e outras dívidas da empresa falida. Os valores repassados aos antigos empregados também foram menores que o solicitado na justiça.
Como alternativa, o Fórum Municipal de Entidades de Porto Alegre propõe a urbanização da Orla através de um parque público. um grupo de arquitetos está preparando estudos sobre o trabalho.
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Nova mobilização em defesa da Orla do Guaiba
Fogaça e Maria do Rosário foram os mais atacados no último debate
Elmar Bones
O último e mais esperado debate entre os candidados à prefeitura de Porto Alegre, na RBS TV, foi decepcionante, como todos os outros. Os pontos polêmicos levantados ao longo da campanha continuaram sem esclarecimento, os problemas concretos da cidade foram escamoteados por versões contraditórias.
Era para ser uma grande discussão sobre propostas e idéias, como anunciou o apresentador Lasier Martins. Foi mais um cansativo torneio de frases feitas e de bordões de campanha, repetidos à exaustão.
Os poucos momentos de tensão foram patrocinados pela candidata do Psol, Luciana Genro, e por Onyx Lorenzoni, do Dem, ambos deputados federais, buscando o primeiro cargo executivo.
Eles parecem acreditar numa tendência revelada nas últimas eleições estaduais, quando candidatos que pelas pesquisas não tinham chance de chegar sequer ao segundo turno acabaram vencendo o pleito.
Caso de Olívio Dutra, em 1998, caso de Germano Rigotto em 2002 e caso de Yeda Crusius em 2006. Nenhum deles parecia ter chances quando começou a campanha.
De olho no eleitorado à direita, Onyx Lorenzoni, do Dem, aprofundou suas críticas à administração Fogaça. O prefeito, que busca a reeleição, aparece como favorito nas pesquisas com mais de 30% das intenções de voto.
Oscilando entre os 5 e 8% nas últimas pesquisas, Ônix concorre pela segunda vez com uma plataforma populista, cujas prioridades seriam um programa de “Bolsa Creche” e a passagem única no transporte coletivo.
O crescimento nas pesquisas da última semana reforçou nele a crença de que pode ser “a zebra da vez”. Como sua possibilidade de agregar votos da esquerda é mínima, ele se voltou para o eleitorado de Fogaça, que vai do centro para a direita.
O principal ponto em que Onyx bate é o TRI, o cartão eletrônico para o transporte coletivo. Ele diz que o TRI é uma versão distorcida do projeto da passagem única, que foi uma das promessas de campanha de Fogaça na eleição anterior. “Levou três anos e meio para fazer e acabou implantando, um mês antes da eleição, um sistema que em vez de beneficiar o trabalhador, beneficia as empresas de ônibus”, ele diz.
Ele calcula que os 100 mil usuários que já adotam o TRI estão proporcionando uma antecipação de receita de R$ 8 milhões e.400 mil às empresas transportadoras, sem terem uma devida contrapartida.
Diferente da passagem única, em que o usuário paga uma vez para diversos trajetos complementares, o TRI dá um desconto de 50% no segundo embarque, desde que ele ocorra no máximo meia hora depois.
Ônyx diz também, para justificar o seu Bolsa creche, que Porto Alegre tem 40 mil crianças, filhos de mães que trabalham, sem acesso a creches.
Luciana Genro, do Psol, tem como bandeira o combate à corrupção e a moralidade no serviço público. Acusa Fogaça de ter sido conivente com fraudes em várias licitações (DMLU, Camelódromo, Araújo Viana) que exigiram intervenção do Ministério Público.
Ela bate também em Maria do Rosário e, menos, em Manoela. A ambas acusa de serem coniventes com irregularidades no Complexo Hospitalar Conceição, o maior do SUS no Estado, administrado pela deputada Jussara Cony, do PCdoB, com cargos loteados entre PT e PMDB. “Vocês são muito parecidas”, disse Luciana a Rosário e Manuela.
Ela reserva, porém, suas críticas mais agressivas à candidata petista, em cujo reduto tem mais chances, até pela sua condição de ex-petista, de colher votos.
A acusação mais grave que faz à Maria do Rosário é de ter se aliado ao ex-ministro José Dircey para vencer a prévia em Porto Alegre, contra toda a cúpula do PT que queria Miguel Rossetto como candidato do partido. “Todos sabem que quem está por trás da tua candidatura é o Zé Dirceu, o operador do mensalão”, disse nos debates.
Maria do Rosário e Fogaça pediram direito de resposta para rebater as acusações, mas foi negado. O debate da RBS teve apenas seis candidatos. O candidato do PSH, Carlos Gomes fez um acordo com a emissora e ganhou várias inserções no intervalo do programa. E Vera Guasso, do PSTU, como não tem representação parlamentar, não foi convidada.Grupo Rodoviário encontra cadáver na RS118
Na madrugada de 1º de outubro, quarta-feira o Grupo Rodoviário de Gravataí, localizou à margem da RS 118, Km 03 o corpo de uma pessoa, do sexo masculino, aparentando 39 anos, vestido com uma calça de brim e um colete de segurança. O corpo havia sido alvejado por cinco tiros de pistola calibre 38. O cadáver foi recolhido ao IML e não foi identificado por não haver documentos.
Candidato a Vice-Prefeito de Viamão, do PPS, ganha Box no Camelódromo de Porto Alegre
O funcionário público estadual e candidato à vice-prefeito de Viamão, Juarez Gutierres de Souza, pela coligação Juntos Para Fazer Mais, que tem como candidato a Prefeito Glademir Moura Sarico pela coligação formada pelos partidos do PMDB/PPS/PT do B/PCdoB/PSC e PSL, foi contemplado Fogaça com um Box (número 161) no Centro Popular de Compras (CPC), mas conhecido como Camelódromo. O nome de Juarez de Souza está na lista dos 800 camelôs e ambulantes “escolhidos” pela Prefeitura para se fixarem no CPC e tem um suposto registro na SMIC com o número 3515664.
As denúncias foram feitas à vereadora Sofia Cavedon (PT), que aponta desde o início as inúmeras irregularidades que acompanham a construção do Centro Popular de Compras. Também foi denunciado a Vereadora que o candidato de Viamão é irmão do presidente do Sindicato Estadual dos Ambulantes,
Moacir Gutierres de Souza.
Para Sofia isso é mais uma prova que a lista para ocupar o Camelódromo não tem critério social, mas sim político. A Comissão dos Camelôs está estudando os 800 nomes – um a um, pois além desse, muitos outros que compõem a lista não são camelôs ou ambulantes – e levará a relação com os
destaques para a reunião do dia 07 de outubro (terça-feira), às 10h, com a secretária de Governança Local, Clênia Maranhão.Candidatos encerram campanha na tevê com apelos emocionais
Elmar Bones
Os oito candidatos a prefeito de Porto Alegre na eleição do próximo domingo se despediram dos eleitores/telespectadores nesta quarta-feira.
Não houve surpresa. Quase todos optaram por reforçar o discurso desenvolvido ao longo da campanha, apelando mais para adjetivos e para o imaginário do que para substantivos e realidade.
Fogaça falou de sua identificação com “essa cidade”. Mostrou fotos que testemunham sua trajetória de professor, deputado e senador.
Exibiu fotos ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Pedro Simon na luta pela redemocratização e, dos 16 anos como senador, destacou apenas o fato de ter sido “relator do Estatuto da Criança e do Adolescente”.
Num discurso decorado professou sua confiança na cidade e sua gente e “sua capacidade de enfrentar desafios”. Falou bem, com segurança e ênfase, mas disse apenas lugares comuns da linguagem política tradicional.
O seguinte foi Nelson Marchezan Júnior. “Acredito que muito pode ser feito para que a cidade seja mais viva e mais saudável”. “Acredito que construir é um ato de amor”. Repetiu o discurso de sua prioridade para a saúde e concluiu: Porto Alegre precisa de quem cuide bem mais dela.
O fenômeno Manuela não surpreendeu. Repetiu o programa que colocou no ar segunda-feira, com o discurso de terceira via: “A eleição não precisa ser uma escolha entre dois projetos”.
No mais, é ter “atitude”, conceito que a candidata colheu do marketing (e nisso ela se identificou com Onyx Lorenzoni, do Dem) e “recolher o que há de bom em cada um para o bem de todos”.
Disse que tem “dez anos de atividade política” e “uma equipe em que se combinam a experiência política e a qualificação técnica”.
E dá-lhe bordão: “Renovar a política é não perder a esperança”. “O segundo turno não pode ser igual a 2004”. “Eles já tiveram sua chance”. “Vamos fazer o que eles não fizeram”. “Transforme seu sentimento em decisão”.
E tome jingle: “Sou roxo por Porto Alegre…” E gente alegre e contente e bonita cantando, como nos filmes da Coca-Cola.
Aí, veio Carlos Gomes, do PHS, com seu projeto do trem que vai levar a classe média de Porto Alegre para morar no litoral, em Tramandaí, Capão da Canoa, Cidreira, Quintão… A idéia é tão boa que ninguém ousa acreditar nela…
O candidato seguinte é Vera Guasso, do PSTU, com sua profissão de fé de “não aceitar dinheiro das empresas”, de “não se vender à Gerdau”, para manter a pureza política e fazer “a verdadeira mudança que os trabalhadores precisam para escapar da espoliação capitalista. É preciso um combate permanente aos poderosos e a corrupção”.
O voto no PSTU é um voto de protesto para “construir o poder popular”, como disse o candidato a vice, Humberto Carvalho.
O espaço de Maria do Rosário, da Frente Popular, começa revelando a influência do marketing no jingle: “Eu escolhi”, um sucedâneo do “ eu oPTei” e, por coincidência, o mesmo mote de uma propaganda da Claro (“Eu escolhi ser independente…”) que repete à exaustão em todos os canais.
Depois do clip, com gente bonita, alegre, bem-vestida, cantando a musiquinha, entrou Maria em breve relato autobiográfico: “Eu cheguei nesta cidade com seis anos, me apaixonei…”
E seguiu descrevendo sua dedicação a Porto Alegre, musiquinha romântica ao fundo. Passou para os feitos da Frente Popular nos 16 anos em que governou a cidade, mas foi breve.
Mais importante era falar que “a hora do Brasil chegou com Lula” e que a de Porto Alegre vai chegar com ela e Lula, porque ela está junto com ele e votar nela é votar nos dois. “Nós dois queremos seu voto”. E dê-lhe emoção: atores cantando, caras, gestos, atitudes… “Eu escolhi é Maria agora, é Maria aqui…”
Luciana Genro começou elogiando a “gente valente” de Porto Alegre que em 1961 resistiu à tentativa de golpe militar, em 1984 foi à rua pelas Diretas Já e em 1991, gritou “fora Collor!”.
Apresentou um breve currículo com suas lutas e duas denúncias (denunciou corrupção na Corsan, quando era presidida por Berfran Rosado) e reafirmou sua crença de que “é possível combater a corrupção e só combatendo a corrupção pode-se atender aos anseios da classe trabalhadora”.
Concluiu revelando sua fé na zebra: “Uma coisa são as pesquisas, outra e eleição. Até agora ninguém ganhou”.
Onyx Lorenzoni foi um dos que fez um programa especial para a despedida. Mostrou uma pesquisa em que ele aparece como “o candidato que mais cresce”.
Inseriu depoimentos de parlamentares e do vice-governador Paulo Afonso Feijó. “Onyx cumpre a palavra”, disse ele. O candidato lembrou que em 2004 chegou em terceiro lugar e que desde então a possibilidade de ser prefeito o apaixonou.
Quer ser um prefeito “que sabe cuidar das pessoas”. Guarda Municipal, Bolsa Creche, Passagem Única, Saúde sem fila… a angústia de um pai ou uma mãe que não encontra atendimento para seu filho… “Estou do lado de quem corre atrás do sustento… Os que mais sofrem”.
Apelou para as “forças ocultas”: “Muita gente grande, que ganha muito dinheiro e lucra com essa situação… Os que são contra a passagem única, contra o Bolsa Creche…Tenho pago um preço caro demais por defender os que mais precisam… Eu estou do teu lado, quero que venhas para o meu lado, quero ser o prefeito das pessoas e da cidade… atitude…”Inauguração do camelódromo será no segundo turno
Pela terceira vez foi adiada a inauguração do Centro Popular de Compras que está em construção no centro de Porto Alegre, como solução para um problema já histórico da cidade: os vendedores ambulantes que ocupam as ruas da área central.
Prometido para o início, depois para o fim de setembro, o prédio agora só ficará pronto no final de outubro, se tudo correr bem. “Ainda temos uns 20 dias em trabalhos de acabamento se a chuva não atrapalhar”, disse o engenheiro Roberto Moura, responsável pela obra.
A coordenadora da sessão de Licenciamento de Utilidades Ambulantes da Smic, Irapuama May, prevê no site da secretaria mais uns 15 dias de trabalho para o cadastramento dos camelôs.
São 20 mil metros quadrados de área construída em dois módulos (um com dois, outro com três andares) ligados por uma passarela sobre a avenida Julio de Castilhos. O prédio terá ainda um estacionamento que será explorado pela EPTC e postos de serviços públicos.
Os 800 boxes terão tamanhos variáveis desde dois metros de comprimento por um de largura até 8 metros x 3 metros. Os comerciantes pagarão R$ 24,96 por semana, por metro quadrado. Ou seja, o valor dos aluguéis mensais vão variar entre R$ 190,oo (para os boxes menores) e R$ 600 para os maiores.
A Verdicon Construtora é uma empresa de Erechim que ganhou a concorrência para construir, com o direito de explorar o camelódromo por 25 anos. A empresa vai completar dez anos e recentemente ficou conhecida com o lançamento de celas pré-moldadas para presos.
A construção de presídios e viadutos é a sua especialidade. No momento está construindo presídios em Minas, Maranhão e Espírito Santo, além de um viaduto em Guaiba. Os proprietários são dois irmãos Carlos e Henrique Deboni. O camelódromo é a primeira obra urbana da empresa em Porto Alegre.Uma empresa para cada 24 habitantes em 2015
Setor de serviços vai concentrar o maior número de negócios nos grandes centros
O país pode chegar a 2015 com uma empresa para cada 24 habitantes. Isso representa um universo de quase 9 milhões de pequenos negócios em 2015, para uma população em torno de 210 milhões de pessoas. Este é um dos dados apontados pela pesquisa Cenários para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) do Estado de São Paulo 2009/2015, realizada pelo Observatório das MPEs do Sebrae-SP.
A pesquisa, que mapeou as principais tendências econômicas nacionais e mundiais, faz um recorte do impacto do desenvolvimento econômico brasileiro neste cenário global e aponta as oportunidades e caminhos para os pequenos negócios em 2015.
O estudo identificou um aumento expressivo na relação empresas x habitantes, evoluindo de uma empresa a cada 42 habitantes, em 2000, para uma a cada 24, em 2015, aproximando o Brasil dos índices europeus registrados em 2000, quando Alemanha, França, Reino Unido e Itália apresentavam, respectivamente, 23, 24, 23 e 14 habitantes por empresa. A projeção é que, em 2015, o universo de MPEs passe dos atuais 5 milhões para 8,8 milhões, e que mais da metade destes negócios (4,8 milhões) esteja concentrada no setor de comércio (55%), em todo o país, seguido pelos serviços (34%) e indústria (11%).
Para o superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, o crescimento da relação empresas por habitantes no país pode ser atribuído em sua maior parte à estabilidade econômica originária do Plano Real, ao aumento da confiabilidade institucional, ao crescimento econômico e à consolidação do ambiente democrático. “Quando há crescimento econômico aliado a um ambiente institucional estável, há maior sensação de previsibilidade, o planejamento se torna menos difícil e o empreendedor se sente mais confiante em investir. O resultado é o aumento do número de empresas no país”, avalia Tortorella, que destaca ainda a sanção da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas no final de 2006 (Lei Complementar 123/06), como um dos marcos que contribuem para a melhora do ambiente institucional e de investimentos no país.
Crescimento dos Serviços
O Estudo aponta também os setores que devem ter maior índice de crescimento nos próximos anos. No comércio, os destaques são para os segmentos de materiais e equipamentos para escritórios e informática (crescimento de 12,5% a/a no número de MPEs), comércio de autopeças (7,7% a/a) e quitandas, avícolas e sacolões (7,1% a/a). No setor de serviços lideram: informática (12% a/a), transporte terrestre e atividades auxiliares de intermediação financeira empatadas, com 8,4% a/a. Na indústria, o destaque é para o ramo de fabricação de máquinas e equipamentos (7,5% a/a), edição e gráfica (5,6% a/a) e confecção de artigos do vestuário (5,0% a/a), este, um dos setores que historicamente vem puxando o bom desempenho da indústria nos pequenos negócios.
Mas esta tendência muda nos grandes centros, como na região metropolitana de São Paulo, onde o setor de serviços deve ultrapassar o comércio, em 2015, com 717 mil novas empresas (47%), contra 665 mil estabelecimentos comerciais (44%) e 134 mil na indústria (9%). Os segmentos de serviços que puxam este crescimento são os de aluguel de veículos, máquinas e equipamentos (15,5% a/a) e informática (14,8% a/a). As perspectivas também são positivas, porém mais comedidas para os serviços de alimentação e alojamento que registraram crescimento de 18% em 2000, e a projeção é de 12% em 2010.
Oportunidades
Além de destacar uma retomada do crescimento mundial a partir de 2010, com índice de 4,9% ao ano de variação projetada para o produto mundial (ritmo mais forte dos últimos 40 anos), o estudo também apontou segmentos que representam oportunidades para empreender, a partir de novas tendências na economia e na sociedade. São elas: educação on-line, lojas especializadas para população com mais de 60 anos, negócios voltados à preocupação com a saúde como cursos, lojas e atividades e centros de lazer e brinquedos, atendendo a forte emancipação do consumo das crianças.
Responsabilidade social e eco-soluções também são setores em relevância com créditos de carbono, comércio justo, reciclagem, construções e brindes ecológicos, assim como produtos e serviços voltados para busca espiritual e mística (retiros, livros) e para estética e aparência (cirurgias plásticas e serviços).
As oportunidades de negócio seguem a tendência de mudança de consumo da população. Os indicadores sociais do estudo ratificam o aumento da classe C e queda das classes D e E.
A redução das desigualdades e a melhora dos indicadores sociais apontam para uma maior escolaridade e aumento na renda das pessoas. Além disso, a pesquisa registra também um aumento da expectativa de vida e da idade média dos brasileiros (pessoas com mais de 40 e mais de 60 anos empreendendo). Para atender a estas demandas, os negócios voltados para pessoas que moram sozinhas e que passam mais tempo em casa tendem a estar aquecidos, como lojas e sistemas de segurança, serviços de leva-e-traz, entrega em domicílio, serviços para idosos, necessidades na área de saúde e artigos que proporcionem mais comodidade no lar.
Perfil do Empreendedor
O estudo apontou também uma mudança significativa no perfil deste empreendedor nos próximos anos. Ele terá mais escolaridade, maior expectativa de vida e aumento na renda média de pelo menos 12% em termos reais.
Os homens continuarão sendo a maioria dos empreendedores, apesar do forte avanço das mulheres, que representavam 32% em 2007 e deverão ser 36% dos empreendedores brasileiros em 2015. No estado de São Paulo este número deve chegar a 40%.
As previsões indicam ainda uma elevação no tempo de estudo nos dois tipos de empreendedores. De 6,2 anos em 2006 para 7,7 anos entre os que trabalham por conta própria, e de 9,7 anos para 10,7 anos para os empregadores, no mesmo período.
Internet e Informação
As fontes de informação do empreendedor também devem mudar. Ele utilizará de forma mais intensiva a internet, computadores e celulares. Hoje, a principal fonte de informação dos empresários de pequenos negócios ainda é o contador (87%), seguido pelas pessoas ou empresários do mesmo ramo (72%) e a internet (62%). Mas a expectativa de utilização da internet para busca de informações deve crescer ainda mais nos próximos anos com aumento do número de computadores e das redes de acesso de alta velocidade.Brasil produziu 351 milhões de livros em 2007
O mercado editorial brasileiro cresceu 6,4% em 2007 e seu faturamento anual foi de R$ 2,28 bilhões, ante R$ 2,14 bilhões no ano anterior. As editoras venderam no período um total de 200.257.845 exemplares, 8,2% a mais que em 2006, quando foram comercializados 185.061.646 exemplares. O número de livros produzidos no País, um dos oito maiores produtores de livros no mundo, cresceu ainda mais: 9,5% (351.396.288 exemplares, ante os 320.636.824 de um ano antes). Os dados foram anunciados hoje (1/10), em São Paulo, pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) e fazem parte da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2007, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Já a quantidade de novos títulos editados no País caiu: foram lançados 18.356 obras, enquanto que no ano anterior esse número chegou a 20.177. A quantidade de livros impressos em 1ª edição supera, no entanto, em 37,9% a de 2006: foram produzidos 112.248.282, ante 81.374.917. O total de títulos editados no ano, o que inclui as reedições, também foi menor. De acordo com o levantamento, 45.092 títulos foram editados em 2007 (26.736 eram reedições), contra 46.025 (25.848 reeditados) de 2006.
Religiosos e infantis – O maior aumento foi registrado na categoria de religiosos. Em 2007, foram editados 5.570 títulos desse gênero no País, 27% mais que em 2006, quando foram editados 4.383 títulos. Na outra ponta, a maior queda se deu no setor de Científicos, Técnicos e Profissionais. Em 2007, foram editados 9.780 títulos desse gênero no País, 19% menos que os 12.081 de 2006. Os religiosos também foram responsáveis pelo maior aumento percentual no faturamento das editoras. Em 2007, a venda desses livros pelas editoras foi de R$ 273,1 milhões, 12,8% maior que os R$ 242,1 milhões de 2006.
O levantamento também mostrou que o maior aumento na produção de livros se deu na literatura infantil. Em 2007, foram produzidos 14.753.213 de exemplares em 3.491 títulos, contra 12.808.625 e 3.031, respectivamente, um ano antes, o que significa um aumento de 15,1%.
Livrarias – As livrarias continuam sendo o canal mais importante para o escoamento da produção, com quase metade dos negócios, mas houve um pequeno recuo na sua participação: 49,1% para 47,6%. O maior aumento se deu nas vendas para a internet, que saltaram de 0,4% para 1,7%. Embora pequeno em números absolutos, o crescimento na participação foi de 285%. Outro aumento significativo se deu nos segmento de venda de livros porta a porta. Em 2007, a participação do setor foi de 9,6% no total de livros vendidos pelas editoras, o que representa uma evolução de 91,3%. Em tempos de internet, quase 20 milhões de exemplares foram vendidos pelas editoras a vendedores porta a porta, o que faz dele o terceiro canal de vendas mais importante para as editoras, ficando atrás apenas das livrarias e dos próprios distribuidores (21,5% de participação).
Participação – A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro 2007 consultou 545 editoras, mas apenas 59 delas responderam. Uma das razões apontadas pelos realizadores da pesquisa para a pouca disposição das empresas está no temor com relação à divulgação de dados. Entretanto, segundo os coordenadores do estudo, o baixo número de respondentes não comprometeu a representatividade da amostra se levado em conta o faturamento. Isso porque a tabulação dos dados dos questionários foi feita a partir de uma classificação das empresas de acordo com intervalos de faturamento. Para se ter uma idéia, no grupo A, onde foram classificadas 417 editoras com faturamento de até R$ 1 milhão por ano, apenas 11 empresas responderam. Por sua vez, no grupo D, onde foram enquadradas 13 editoras com faturamento superior a R$ 50 milhões anuais, 10 enviaram suas respostas.
Por Alexandre Malvestio, da agência Brasil Que LêUniversidade estabelece primeira linhagem de células-tronco no Brasil
Grupo de pesquisadores, coordenados pela cientista Lygia Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo, estabeleceram a primeira linhagem de células-tronco embrionárias adultas no Brasil. O resultado alcançado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) será apresentado para a comunidade científica nesta quinta-feira (02/10), durante o III Simpósio Internacional de Terapia Celular, que está sendo realizado na cidade de Curitiba, no Paraná.
As linhagens de células-tronco embrionárias são células indiferenciadas e têm como principal característica sua pluripotência, ou seja, quando implantadas novamente possuem capacidade de retomar o desenvolvimento normal e colonizarem diferentes tecidos derivados dos três folhetos embrionários existentes e sua diferenciação pode ser induzida para tipo celulares específicos como células precursoras hematopoiética, neuronal, endotelial, cardíaca e muscular.
“Outras linhagens de células tronco embrionárias humanas já foram descritas fora do país desde 1998 e vêm sendo utilizadas em pesquisas sobre biologia do desenvolvimento humano e terapia celular, se revelando um importante modelo experimental. Porém não há nenhuma garantia da qualidade das mesmas e existe uma série de restrições quanto ao seu uso e a produção de patentes de produtos derivados das mesmas. Além disso, as linhagens disponíveis foram estabelecidas e cultivadas na presença de produtos animais, o que impossibilita seu uso terapêutico em seres humanos”, explica a pesquisadora Lygia Pereira.
Buscando autonomia para a pesquisa brasileira com este material e a geração de linhagens adequadas para o uso em seres humanos, o projeto reuniu pesquisadores do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, do Instituto de Biociências da USP, com pesquisadores do Laboratório de Neurobiologia Celular, do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenados pelo cientista Stevens Rehen, do Biotério de Experimentação da USP, coordenados pela pesquisadora Silvia Maria Gomes Massironi, em parceria com o Centro de Fertilização Assistida (Fertility), de São Paulo, o Centro de Reprodução Humana Prof. Franco Jr, de Ribeirão Preto, e o Instituto Mara Gabrilli.
“Estamos trabalhando no projeto desde 2006, após ser seleçionado no edital do CNPq. Descongelamos em torno de 250 embriões. Destes, 50 chegaram até o estágio de blastocistos e foram utilizados nos experimentos. Destes, conseguimos uma linhagem, a BR-1”, conta a pesquisadora Lygia Pereira.
Após ser estabelecida esta primeira linhagem, os pesquisadores poderão multiplicá-la indefinidamente e suprirem a necessidade de pesquisa em vários grupos de pesquisa brasileiros. “Poderemos fazer a transferência da tecnologia para fomentarmos a área de pesquisa com células tronco embrionárias humanas no Brasil e termos autonomia nesta área”, completa Pereira.
Marco da pesquisa no Brasil
O projeto faz parte do primeiro edital lançado pelo CNPq, no ano de 2005, que apoiou pesquisas com células-tronco. Este edital foi um marco para os investimentos brasileiros nesta área, inicializando a pesquisa com células tronco embrionárias humanas no país. Foram aprovados 45 projetos, num total de R$ 10,5 milhões. Destes projetos, seis estudaram células tronco embrionárias humanas.
No segundo semestre de 2008, o CNPq lançou novo edital para apoiar pesquisas que busquem o desenvolvimento de procedimentos terapêuticos inovadores em terapia celular, utilizando células tronco embrionárias, células tronco adultas derivadas da medula óssea, células tronco derivadas do cordão umbilical e células tronco derivadas de outros tecidos. Para este edital serão investidos o total de R$ 10 milhões.Arte Africana na Galeria Bublitz por mais duas semanas
Devido ao sucesso de público, a galeria de arte mantém até 18 de outubro a mostra de peças trazidas da parte ocidental da África
São cerca de 180 objetos recém-trazidos de diversos países da chamada África Negra, conhecida também como África Subsaariana, que estão em exposição até o próximo dia 18 de outubro na Galeria de Arte Bublitz, em Porto Alegre. A exposição intitulada II Mostra Bublitz de Arte Africana apresenta um pouco do modo de vida, dos costumes e das tradições daqueles povos.
As peças mostram, mais especificamente, trabalhos de lugares localizados na parte ocidental do continente, como Costa do Marfim, Gana, Guiné, Togo, Mali, Burkina Fasso, Gabão e Congo, pertencentes às etnias dan, bagas, bambara, baule, dogon, bobo e ashanti, entre outras. São pentes, tecidos, esculturas, máscaras, cestos de palha, além de bancos e potes de madeira. “Há peças com valor de uso por terem participado em alguma atividade das aldeias africanas”, explica os marchands e organizadores do acervo da exposição, Adilson Falcão e Bernardo Amado Figueiredo.
A II Mostra Bublitz de Arte Africana revela a diversidade e vitalidade da arte africana, com peças produzidas em um passado recente. Entre elas, algumas se destacam, como janelas de celeiro da etnia Dogon que vivem no Mali e as calabaças em madeira feitas pelos wolof do Senegal. Outro objeto que chama atenção são os denominados bonecos-marionetes Bambaras, originários do Mali que são usados nos teatros infantis da região. Há ainda os tecidos conhecidos por Cubas, originários do Congo, que durante muito tempo foram usados como moeda de troca no comércio da região, e que são de beleza ímpar.
A arte africana, resultado de uma grande influência de etnias e culturas presentes naquele continente, caracteriza-se por ser totalmente funcional, ou seja, voltada para a utilização do objeto. As máscaras, por exemplo, representavam para os africanos um disfarce que permitia a incorporação de espíritos e também a aquisição de forças mágicas e místicas, utilizadas em benefício da comunidade para a cura de doentes, em rituais fúnebres etc.
A exposição ficará aberta à visitação Av. Neusa Brizola, 143, por mais 15 dias, até 18 de outubro, de segundas às sextas-feiras, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 16h, telefone 3029.0109.
Mais informações, assim como entrevistas, podem ser obtidas com o galerista Nicholas Bublitz através do telefone 51.8444.8901 ou com o marchand Adilson Falcão no telefone 11-8626-3170.
