Ex-embaixador americano sugere que Bolsonaro se afaste da China

Em entrevista a Folha de S. Paulo, o ex-embaixador americano Thomas Shannon sugeriu ao governo Bolsonaro uma maior aproximação com os Estados Unidos, com abertura do mercado brasileiro aos produtos norteamericanos.
A abertura do mercado brasileiro para os EUA, segundo Shannon pode reduzir as barreiras americanas à entrada de produtos brasileiros, como aço e alumínio, hoje com tarifas restritivas
Shannon foi foi embaixador no Brasil durante quase quatro anos (2010-2013) e ocupava o terceiro mais alto cargo do Departamento de Estado dos EUA até o início deste ano.
A receita dele para estreitar as relações políticas e comerciais entre os dois países passa pelo reconhecimento a patentes, compras de armas, cerco à Venezuela e afastamento da China.
“As áreas que têm potencial de avanço continuam as mesmas. Uma delas é, obviamente o comércio. Brasil e EUA precisam focar em investimento e acesso a mercado. Transferência de tecnologia e proteção de propriedade intelectual também são prioridades. Há espaço para uma cooperação em segurança, envolvendo as Forças Armadas dos dois países. Podemos expandir programas de treinamento, desenvolvimento de tecnologia militar e de armamentos. No campo político, a Venezuela é certamente a questão maior e mais premente, mas é preciso falar sobre a China.”
Com relação à china a pressão é explícita: “Acredito que o presidente eleito e sua equipe entendem que, ainda que seja importante vender commodities para a China, o tipo de relação econômica que o país tem com os EUA oferece muito mais para o futuro do Brasil”. Ele sinalizou que quer o Brasil inundado por produtos ‘made in USA’: “O mercado brasileiro é relativamente fechado”.
Sobre a Venezuela, Shannon deixou claro que a intervenção no país será um tema da visita a Bolsonaro do assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, da ala “dura” do governo Trump.
Ele vem ao Brasil no próximo dia 29 para estabelecer uma pauta comum no tratamento da questão Venezuela: “A conversa entre Bolsonaro e Bolton será importante para isso. Tanto o Brasil como os EUA querem continuar pressionando o governo venezuelano a permitir a entrada de ajuda humanitária”.
Na entrevista, o ex-embaixador sugere sanções brasileiras à Venezuela: “Isso depende da estrutura de sanções do país, não sei até onde o Brasil pode ir nesse sentido. Mas o Brasil tem investimentos significativos na Venezuela e é um grande fornecedor de alimentos, ou seja, tem outras alavancas que pode usar”.

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