A entrega do Pré-Sal

GERALDO HASSE

O maior ativo da Petrobras está sendo leiloado às pressas
Todo mundo anda se queixando da passividade do povo brasileiro diante do massacre  praticado em favor da implantação do neoliberalismo na economia.
Da Esplanada dos Ministérios em Brasília aos prédios aos gabinetes do Judiciário, aos escritórios empresariais e  às redações dos jornais, prevalecem medidas, mensagens, sentenças e notícias alinhadas com a ideologia neoliberal, que defende os privilégios de quem tem dinheiro e menospreza os pobres, remediados e carentes – a maioria da população.
Salvo o alarido feito nas redes sociais por militantes e simpatizantes das causas da Esquerda, impressiona que ninguém antigoverno e antissistema entre em detalhes para explicar, por exemplo, o que aconteceu com a Petrobras.
Cadê Graça Foster, a única mulher a exercer a presidência da estatal do petróleo? Ela foi colocada no cargo pela presidenta Dilma e saiu em silêncio, sem sequer tornar público um relatório sobre sua gestão.
A própria Dilma, afastada da presidência sob a acusação de dar algumas “pedaladas fiscais” – práticas comuns em outros governos –, tem se limitado a dizer que o impeachment foi um golpe e que não praticou nenhum crime de responsabilidade previsto na Constituição. Basta?
Preso em Curitiba, o ex-presidente Lula alega ter sido condenado sem provas, mas não põe na mesa argumentos capazes de aumentar a convicção popular de que ele está sendo vítima de uma injustiça histórica.
No meio desse quadro de penitência para os petistas e seus aliados, a novidade veio  dias atrás pela boca de José Sergio Gabrielli, que presidiu a Petrobras na época da descoberta do petróleo do Pré-Sal, em 2006 – sempre lembrando aos desavisados que essa mina de energia achada no início do século XXI representa para o Brasil o mesmo que o ouro achado no início século XVIII.
Será que precisamos virar colônia novamente ou temos condições de administrar soberanamente nossos recursos naturais?
Falando pelas redes sociais – pois a imprensa só o menciona como suspeito de favorecer alguma jogada nos seus tempos de executivo da Petrobras –,  Gabrielli denunciou a conspiração em curso para transferir o controle das jazidas de petróleo do Brasil para outros países liderados pelos EUA.
Até aí nada de mais: é sabido que os trustes do petróleo conspiram no Brasil desde os anos 1930 e lutaram arduamente contra a fundação da Petrobras. A favor da entrega das riquezas nacionais, sempre atuam alguns bacanas brasileiros. O problema, agora, é que eles se tornaram mais numerosos do que nunca e estão perigosamente situados em postos do Poder.
Uma das novidades trazidas por Gabrielli é que os EUA não estão jogando sozinhos. A China está na parada após ter se tornado o maior parceiro da Petrobrás, informação que dá uma nova configuração geopolítica ao quadro de disputas sobre as reservas petrolíferas do Brasil e do mundo.
Dessa corrida, segundo o ex-presidente da BR, também não se pode descartar a Rússia, governada por Vladimir Putin, um perito em espionagem e especialista em petróleo.
Nesse quadro global, o Brasil tem poucas chances de escapar do cerco armado pelos EUA com ajuda do Canadá e de países da Europa, mas pode respirar se fizer parcerias com a China e a Rússia. Para isso, porém, não há disposição no atual governo, nitidamente pró-ianque.
Segundo Gabrielli, para assumir o controle sobre as jazidas brasileiras de petróleo, os EUA trabalharam metodicamente para desmantelar o projeto de desenvolvimento liderado pela Petrobras, que vinha operando como uma matriz de encomendas a diversos segmentos da indústria brasileira (de aço, naval, plásticos entre outros).
Aí estava uma grande chance de independência e soberania, inclusive porque fora decidido que os recursos obtidos com a exploração do Pré-Sal deviam ser obrigatoriamente para fortalecer a educação (75%) e a saúde (25%) da população.
O fato é que a locomotiva Petrobras é alvo de um desmanche considerável. E seu mais precioso ativo – o Pré-Sal – está sendo leiloado. Ficou aparentemente fácil porque os EUA e aliados passaram a contar com os entreguistas acomodados no Palácio do Planalto, no Congresso, nas Bolsas de Valores de SP e NY, e em instituições fundamentais do país – destaque para os meios de comunicação liderados pela TV Globo, jornais O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de Paulo.
Atuando em bloco, a Mídia privilegia a veiculação de mensagens a favor da implantação completa, no Brasil, do regime neoliberal atrelado às potências econômicas globais.
Faz parte dessa campanha a propagação de notícias sobre as gestões petistas na Petrobras, que teria “afundado” por ação de uma “quadrilha” de malfeitores, alguns presos, outros em fase de colaboração com a Operação Lava Jato.
Sobre esse item, José Sérgio Gabrielli esclareceu: “Dos cinco diretores petistas da Petrobras, nenhum foi preso pela Lava Jato”, lembrando que só foram pegos (e confessaram, passando a seguir a delatar empresários e políticos envolvidos em falcatruas) alguns altos funcionários que estavam na empresa desde o século XX – antes, portanto, da chegada do PT ao poder.
É de esperar que, a exemplo do que fizeram recentemente os engenheiros da Petrobras,  os petistas responsáveis apresentem argumentos defendendo-se a si e à empresa) de acusações injustas e mentirosas. Não basta alegar inocência ou colocar-se como vítimas de uma conspiração liderada por figuras do Judiciário.
A esta altura do jogo, o silêncio dos inocentes favorece os inimigos.
 

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