À espera do decurso de prazo

As frações de petistas, do PCdoB e outros aliados da presidente afastada Dilma Rousseff que operam ativamente no projeto da volta, estão apostando no impasse técnico do processo de impeachment no Senado, que levaria o processo legislativo a ser extinto por decurso de prazo.
Para isto é preciso que a bancada de defesa da presidente afastada consiga levar o processo sem solução negativa até 12 de novembro, quando se completam os 180 dias regulamentares.
Outra opção, também em estudos, é a volta da presidente com a derrota do golpe no plenário do Senado.
Até este momento o decurso de prazo é o único movimento efetivo, pois conta com a aproximação do pleito de outubro. Aberta a campanha, deve configurar-se um semi-recesso parlamentar, com as bancadas deslocando-se para as bases nos estados, à procura de votos.
Uma diminuição significativa da intensidade da Comissão do Impeachment é esperada, pois a maior parte de seus integrantes mais ativos, golpistas e legalistas, são pré-candidatos a governadores em seus estados em 2018. A eleição de prefeito é a horta a ser plantada para colheita no próximo capítulo.
Isto deve baixar o ímpeto da Comissão, onde as câmeras da Tevê Senado e das transmissões das emissoras a cabo e abertas constituem-se, neste momento, na melhor vitrine para políticos em ascensão.
No campo político, tudo deve mudar: com a queda definitiva de Eduardo Cunha, o grande mentor do impeachment, o Centrão deve se desarticular, abrindo novas possibilidades de negociação para recomposição da antiga Base Aliada.
Descartado esse principal artífice do golpe, ou, melhor dizendo, desfeitas suas bases na Câmara Federal, muitos votos podem mudar o placar no plenário do Senado.
Há um pequeno grupo de senadores alinhados com o Centrão que pode definir o resultado em favor de Dilma. Na verdade, em tese faltam apenas oito votos para barrar o impeachment.
A presidente afastada precisa encontrar bases mínimas de apoio externo. Para isto ela pretende lançar uma nova Carta aos Brasileiros, como está sendo chamado um documento em discussão na sua equipe.
Ainda não há consenso sobre qual será a proposta: um grupo mais aguerrido propõe uma guinada à esquerda, nos termos do rascunho que vazou semana passada na coluna do jornalista Raimundo Costa, no Valor Econômico.
Outra facção defende o contrário disso: sugerem um documento conservador a ponto de sensibilizar o empresariado e convencer o Centrão de que Dilma vai se comprometer com projetos mais pedestres, como estabilização da economia e adiamento de propostas mais ousadas na área de direitos sociais, como aborto, casamento gay e outros nessa linha.
Quanto ao governo em si, sua estabilidade e viabilidade política, as duas frações concordam que não é impossível se manter mesmo com grande minoria parlamentar.
O exemplo a ser observado é o da Venezuela: no país vizinho, o presidente Nicolás Maduro sustenta-se unicamente com o apoio dos movimentos sociais, amargando uma minoria parlamentar assombrosa, muito pior do que Dilma teria na sua volta.
Nesse caso, como na Venezuela, o importante é observar a Constituição. Sendo assim, o Judiciário dá o respaldo e as Forças Armadas sustentam a decisão Supremo.
Esta neutralidade das casernas é uma novidade na América do Sul, mas vem se demonstrando no Brasil e também nos países vizinhos.
Os políticos aprenderam que o importante é não cutucar a onça com vara curta.
Mesmo em grande desvantagem nas câmaras, Dilma poderia levar seu governo por mais um ano. Daí para frente já teríamos eleições, ou seja: muda tudo e ela vai até 31 de dezembro de 2018 e passa a faixa no dia seguinte, como disse que iria fazer.
Não está morto quem peleja.

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