A morte de um coronel de paz

Prioridade é uma palavra que está perdendo o sentido quando aparece em discursos oficiais.
O coronel da reserva da Brigada Militar, Celso Sousa Soares, 64 anos, mor-to a tiros, domingo último, por bandidos que tentaram assaltá-lo, era um amigo de muitos anos. Apaixonado pela cultura de nosso Rio Grande sem-pre foi estimado por seus companheiros de farda e por todas as lideranças do tradicionalismo gaúcho. Sóbrio em todos os seus gestos, Celso era um homem de paz e, talvez por isso, não tenham sido certeiros os tiros que dis-parou contra os bandidos que o atacaram.
Leio que o secretário da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, quer prio-rizar o combate ao tráfico de drogas e assaltos para reduzir o índice de ho-micídios no Estado. Tanto quanto eu saiba, esta prioridade, no papel, existe há muito tempo. Como está só no papel, Celso, vítima de assalto, foi assas-sinado. Mas fatos semelhantes atingem a todas as categorias de cidadãos e os policiais estão submetidos ao mesmo cerco. Dentro deste diapasão penso que o vocábulo ‘prioridade’ deveria ser evitado nos discursos oficiais, pois ele está perdendo o sentido diante da falta de forças das organizações poli-ciais em combater a bandidagem. A palavra prioridade não significa ação. É preciso haja ação para que a sociedade sinta a existência da prioridade.
Identificação
O trabalho da Polícia Civil em torno do assassinato do coronel Celso foi ágil e bem sucedido. Os dois bandidos apontados como autores do crime foram identificados como Fabiano Luís Macedo e Emerson dos Santos. A ação dos investigadores provou, neste caso específico, a prioridade, o que não acontece quando se trata de estabelecer, pelo governo, a política da se-gurança para todos os cidadãos.
Emergência
Desde a noite de domingo, até ontem, em Viamão, houve oito assassina-tos e sete pessoas resultaram feridas e passa a liderar o rankig das cidades mais violentas do estado, posição que durante muito tempo foi ocupada por Alvorada. A série de homicídios teve como episódio de maior gravidade a chacina ocorrida no bairro Minuano, onde, domingo, três jovens foram e-xecutados a tiros num ponto de venda de drogas. Este quadro está motivan-do uma série de reuniões nas cúpulas da Brigada Militar e da Polícia Civil, as quais deverão resultar em providencias emergenciais, o que estará longe se significar uma solução.
Assassinato
Um homem foi encontrado morto, ontem, no bairro Navegantes, em Es-teio. Segundo a policia civil, o corpo, com marcas de tiros, foi localizado dentro de um valão na rua Beira Rio. A vitima foi identificada como Luiz Ricardo Gomes de Souza, 23 anos.
Droga
Agentes da DP de Vacaria prenderam uma quadrilha que realizava tráfico de crack e maconha naquele município. O grupo era formado por um ho-mem com 31 anos de idade e três mulheres com 41, 23 e 24 anos. Eles agi-am em vários bairros.
Motoqueiros
Quatro homens assaltaram o hipermercado BIG de Cachoeirinha, por vol-ta das 9h15min de ontem. Segundo a Brigada Militar o grupo invadiu a lotérica localizada dentro do hipermercado e levou R$ 20 mil. Em seguida, roubou mais R$ 1 mil de um dos caixas do mercado. De acordo com os policiais, a ação foi rápida e não deixou nenhum ferido. Nenhum tiro foi disparado. Os bandidos fugiram em duas motos.
DNA
A perita químico-toxicologista do IGP (Instituto-Geral de Perícias), So-lange Pereira Schwengber, fez a defesa pública de sua dissertação de mes-trado, na última quinta-feira, na Faculdade de Biociências, da PUCRS. Com o trabalho acadêmico, intitulado “Utilização de marcadores de cro-mossomo ‘Y’ como ferramenta visando a elucidação de casos de crimes sexuais na genética forense”, a autora teve o objetivo de contribuir para a formação de um banco de dados de DNA da população do Rio Grande do Sul.
Susepe
O atual chefe do gabinete da SSP-RS (Secretaria da Segurança Pública), coronel Paulo Renato Biachi, que foi homem da máxima confiança de José Francisco Mallmann, está cotado para assumir a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários). A indicação de Biachi, se acontecer, deverá provocar inconformismo entre os servidores da Susepe, que preferem um profissional de carreira naquele posto.

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