As férias do chefe

Todo nós precisamos de um descanso. No entanto, os cargos públicos, se aceitos, devem ser exercidos de forma incansável
Estranhei e registrei na coluna de ontem a ausência do chefe da Polícia Ci-vil, delegado Pedro Carlos Rodrigues, e do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, num encontro da maior importân-cia de empresários gaúchos com o titular da pasta da Segurança Pública, Edson de Oliveira Goularte. Tanto Pedro como Mendes foram substituídos por competentes representantes e o único titular presente terminou sendo Goularte, o chefe de todos. Sobre minha estranheza, da Brigada, nada rece-bi. Minha observação passou batida. Mas sei que Mendes está trabalhando. No entanto, o chefe da área de Comunicação da Polícia Civil, comissário Newton Ramos, fez questão de explicar que o chefe da corporação, delega-do Pedro, se encontra em gozo de “férias regulamentares” desde o dia 11 de setembro até o dia 1° de outubro próximo. Pedro, portanto, curtirá, longe das mazelas ásperas da atividade policial, o finalzinho de inverno e os pri-meiros dias da primavera. Sigam-me.
Momento certo
A chefia de polícia é uma função sufocante. Tanto é que Pedro, pela se-gunda vez, desde que assumiu o cargo, tira férias. Por certo, voltará revigo-rado. Mas a sua ausência aconteceu no momento certo? Para ele, acredito que sim. E para os seus subordinados que estão empenhados em uma luta por melhores salários? E para o titular da Segurança, Goulart, que nem conseguiu montar uma equipe de trabalho? E para a sociedade que espera dedicação plena dos que comandam o combate à violência e à criminalida-de?
Assaltante
Agentes da Polícia Civil de Passo Fundo prenderam, na manhã de ontem, um homem de 26 anos de idade envolvido em dois assaltos contra proprie-dades rurais do município. O jovem capturado é membro de uma quadrilha que está sendo desmanteladas, pois oito de seus comparsas já foram presos.
Sucessos
A 3ª DPRM (DP Regional Metropolitana), sediada em São Leopoldo, que tem como titular o delegado João Bancolini, que faz parte de uma geração de policiais que atuam na linha de frente, tem sido, indiscutivelmente, um dos maiores destaques em operacionalidade da Polícia Civil do Estado. Em todas as áreas da criminalidade e da contravenção a equipe de Bancolini tem dado a resposta exigida pela comunidade do Vale dos Sinos. No entan-to, como acontece em outras áreas do Estado, a sustentação deste tipo de trabalho tem dependido, fundamentalmente, do apoio de prefeituras e de empresários. O estado permanece, no mais das vezes, contemplativo embo-ra participe dos festejos dos sucessos obtidos.
Execuções
Na noite de terça-feira foram registrados três assassinatos em Alvorada. Lázaro Garcia Nunes, de 30 anos, foi executado no bairro Salomé. No bair-ro Intersul um homem não identificado foi baleado na cabeça e nas costas. Outro homem não identificado foi executado com pelo menos 10 tiros, em via pública, no bairro São Pedro. Os crimes estariam relacionados ao tráfi-co de drogas. Trata-se de uma roda viva. A polícia não consegue conter a ação dos traficantes de drogas e, como conseqüência, é impotente para con-ter a onda de execuções.
Modelo
Os líderes das entidades que representam os profissionais da Brigada Mi-litar e da Polícia Civil, na próxima semana, terão um encontro com o presi-dente da Assembléia Legislativa, deputado Alceu Moreira. Há a possíbili-dade de todos se dirigirem ao Piratini para exigir do governo uma proposta que, pelo menos, inicie, de forma concreta, a retirada dos policiais gaúchos como medelo dos mais baixos salários do país.
Fenomenal
No condomínio Guaíba Country Clube, em Eldorado do Sul, um agente da Polícia Rodoviária Federal, conhecido como Nede, destaca-se como um xerife da área, com poderes que ninguém sabe de onde recebeu. Sem tomar conhecimento da Polícia Civil nem da Brigada Militar, Nede o homem chega a assustar quem discorda de suas idéias. Nede é um fenômeno.

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