Autor: Análise & Opinião

  • ROBERTO AMARAL/ O dia depois da farsa

    Roberto Amaral

    O 7 de setembro de Jair Bolsonaro vai para a história como o 18 Brumário que não deu certo.  A farsa grotesca, pré-anunciada pelo desfile das relíquias da marinha no último 30 de agosto, afastou o temido trago da tragédia  prometida, mas não deve ser vista como ameaça de todo debelada: continuará conosco por um ainda largo tempo, pois durará enquanto não for alterada a presente correlação de forças e removido o atual polo hegemônico, em cujo diretório têm assento os fardados, os herdeiros da casa grande, os  procuradores do  grande capital e os delegados do império do norte: o 1% de brancos ricos e milionários que nos governa, sem alternância desde a remota origem colonial.

    Os generais, na realidade, são o braço armado de uma coalizão de interesses econômicos e políticos, nacionais e internacionais, em conflito com os interesses do país. A tutela que procuram exercer sobre a vida nacional, principalmente a partir do golpe de 1889, atende a essa missão a que se dedicaram. E, diga-se de passagem, trata-se de papel que vêm exercendo com lamentável êxito numa das sociedades mais injustas do planeta: somos, caminhando para o terceiro decênio do século XXI, a segunda província do mundo provedora de alimentos, em país no qual 124,6 milhões de habitantes, algo como a metade de sua população, vivem sob a angústia da insegurança alimentar. É a esse projeto que serve o bloco do poder, mesmo ao risco da fascistização do país, que pode ser o preço cobrado pela sustentação de Bolsonaro.

    As forças armadas, que já respondem perante a História pelos crimes cometidos durante o mandarinato de 1964-85, e pelos crimes presentes do bolsonarismo, poderão amanhã ser responsabilizadas por grave cisão nacional, destruindo o projeto de unidade construído a tão duras penas em quase cinco séculos de uma civilização ainda por afirmar-se.

    Se não  foi desta feita que se efetivou a promessa do Duce tupiniquim de “virada de mesa”, o projeto do golpe dentro do golpe, visando à opção autoritária, permanece de pé, pois seus articuladores seguem nos mesmos postos de mando, animados, até, pelas manifestações do dia 7 passado que revelaram a existência de apoio popular ao projeto protofascista do qual o capitão é o mais ostensivo pregador.

    O jogo está à vista e as cartas  na mesa: o  mandatário em conflito com a democracia avança passo a passo e, sempre que insinua recuar, termina subindo mais um degrau na escalada golpista.

    Assim tem sido desde a campanha de 2018, e assim será até alcançar seu objetivo, ou ser defenestrado.

    Nessa sua arte de “morder e assoprar” para em seguida morder de novo, qualifica de canalha o ministro Alexandre Moraes para, na sequência, mediante a intermediação do inefável Michel Temer, oferecer ao ofendido o “cachimbo da paz”,  que ele aceita pitar. E la nave va.

    Há sinais de fissuras no bloco de poder, temeroso de que o desastre político leve de roldão o projeto neoliberal, a verdadeira “joia da Coroa”. Assim são tidos os manifestos e o comportamento da grande imprensa. Setores do grande empresariado (ouvidos pelos fardados), estariam admitindo trocar de posto o capitão, contanto que tudo continue como está, isto é, mantida a natureza do mando.

    Em síntese, trocar Joaquim por Manuel, preferentemente sem qualquer infração constitucional, embora os militares, por diversas vezes, com o apoio do empresariado e do império, tenha fraturado a Constituição, sob o pretexto de defendê-la – como ocorreu em 1955, quando o general Lott, com o apoio do Congresso, deu um golpe para impedir que um  golpe fosse dado pela dupla Café Filho-Carlos Luz, sob as lideranças do brigadeiro Eduardo Gomes e do almirante Pena Boto.

    Posta de lado, portanto, a possibilidade de um “chega pra lá” no capitão, ou de sua renúncia, a alternativa constitucional possível é o processo de impeachment, em cima do qual, porém, se senta o presidente da Câmara dos Deputados, auferindo gordos dividendos. Ademais desse óbice, concreto, há, assustando liberais de última plumagem, os  temores da crise política e econômica  que qualquer processo de impeachment implica.

    Cabe, ainda, considerar que o capitão, no momento, ainda conta com os apoios que faltaram a Fernando Collor e a Dilma Rousseff.

    A questão é quase hamletiana: se será muito caro ao país o trauma de mais um processo de impeachment contra um presidente da república (embora se trate o caso presente de cassar o mandato de um perigoso delinquente), que não cobrará menos de seis meses, é mais certo ainda que o país, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista econômico, não suportará mais um ano e quase quatro meses de Bolsonaro no terceiro andar do palácio do planalto.

    Como já foi observado, temerosos de banalizarmos o impeachment, estamos banalizando o crime de responsabilidade.

    Superada essa questão, que podemos considerar  instrumental, restará  outra, talvez mais grave, porque de fundo. É que Joaquim deve ser trocado por Manuel, ou seja, trata-se de uma troca sem mudança e só nesses termos é que será levada a termo.

    Fora um diktat da japona, não há como a direita governante, mais uma vez, e na sucessão de um governo desastroso sob todos os prismas (inflação, queda do PIB, alta do dólar, desemprego, expectativa de apagão), assegurar-se da eleição de seu delfim, que presentemente ela chama de “terceira via”, uma bandeira à procura de um candidato.

    Se o encontrar e se o fizer competitivo, a direita terá que correr o risco democrático de apostar no processo eleitoral, que o capitão de há muito tenta desmoralizar.

    É pagar para ver.

    Trabalhemos, portanto, com essa hipótese: com ou sem Bolsonaro, haverá eleições e elas serão respeitadas, como não foram em 2014, quando o PSDB se negou a reconhecer o resultado do pleito.

    Se as eleições fossem hoje, porém, tudo indica que o candidato eleito seria, com indicação de vitória no primeiro turno, o ex-presidente Lula. Mas a possibilidade de retorno do ex-presidente é vetada por generais insubmissos e pelos barões da Faria Lima, os mesmos que financiam os grandes jornais e a grande televisão em sua atual e bem-vinda defesa dos princípios democráticos jogados ao lixo nos idos preparatórios do golpe de 2016 e na campanha de 2018.

    Respeitadas as circunstâncias históricas, Lula ocupa hoje o papel que foi dado a Getúlio Vargas na campanha de 1950: não deve ser candidato (diz o Sr. Ciro Gomes); candidato, não pode ser eleito (para derrotá-lo a Faria Lima fará valer seus cofres); se eleito, não deve tomar posse (dizem as japonas insubordinadas) e, se tomar posse, deve ser deposto.

    Essa postura, felizmente, não conta com a unanimidade do empresariado, pois há os que, na categoria e nos partidos (é o caso do senador Tarso Jereissati), trabalham com a hipótese de um acordo que preserve a ordem democrática (que não comunga com vetos) e a soberania popular.

    Até aqui, terá observado o leitor, não aparecem as esquerdas como sujeito histórico. Todo o protagonismo está entregue à direita, seja a  empresarial, seja a  militar.

    E assim permanecerá o cenário, com as consequências que não precisam ser explicitadas, se faltar às nossas lideranças (partidos, movimento sindical, movimentos sociais) a capacidade de concertação em torno de um projeto comum que, tendo como eixo a preservação do processo democrático (que inclui a realização de eleições e o reconhecimento de seu resultado), fale ao conjunto da sociedade brasileira.

    Essa concertação  não anula, e talvez até a exija mais, a frente da esquerda socialista que, a partir do projeto democrático, pode avançar na busca de objetivos concretos, como as transformações radicais de nossa estrutura econômica, política e social.

    E, finalmente, a esquerda precisa encarar como estratégica a batalha ideológica, que abandonou desde pelo menos a campanha de 2002.

    Até lá, com a frente ampla, se possível, sem ela se esta for a contingência, caberá aos partidos e aos movimentos populares e sindicais a retomada da mobilização social, liderando movimento popular pró-impeachment. Diante dele nossos partidos, a começar pelo PT, não podem ter dúvidas. Dependendo de seu nível de organização, o movimento social poderá  retomar a direção do processo político. Para tal é fundamental compreender o óbvio: não haverá eleições se o projeto democrático não derrotar o projeto fascista, ou seja, não é esta a hora de privilegiar candidaturas, por mais legítimas que sejam.

  • ELMAR BONES/ O salame

    É atribuída ao marechal Costa e Silva a metáfora do poder como uma peça de salame: “Se você usa bem corta uma fatia, quando usa mal corta duas…em qualquer caso ele fica sempre menor”.

    Jair Bolsonaro usou seu poder presidencial para promover, estimular e participar dos eventos deste Sete de Setembro.

    Terá cortado duas grossas fatias para misturar os atos oficiais do Dia da Independência com dois comícios de candidato a ditador, que ameaça o STF e impõe condições para aceitar as eleições em 2022, que não admite perder.

    O golpe, explícito agora, é a alternativa que Bolsonaro busca para restaurar o poder que alcançou em 2018 e que vem fatiando prodigamente para se manter à frente de um governo sem rumo.

    A questão é saber se o que lhe resta do salame é suficiente para tanto.

     

     

     

     

  • GERALDO HASSE/ O militarismo vai pesar na balança em 2022

    Uma live sobre “os militares e a democracia” promovida na sexta-feira 13 de agosto pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – Cebrap (fundado em 1968 pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso com ajuda da Fundação Ford) resultou numa conclusão unânime de dois cientistas políticos convidados a expor seus conhecimentos acadêmicos sobre o protagonismo militar no atual governo e no Brasil em geral: os generais, os parlamentares originários de forças policiais, as polícias estaduais e os milicianos tendem a ser os fiéis da balança político-eleitoral de 2022, prevalecendo seu viés conservador.

    Fizeram análises e responderam a perguntas os professores Octavio Amorim Neto da FGV RJ e Anais Medeiros Passos da UFSC, ambos especialistas no estudo do comportamento das Forças Armadas.

    Três dias depois de dizer ao jornal El País que as manifestações do presidente Bolsonaro “são estridentes mas não têm efeito”, a veterana socióloga Maria Herminia Tavares, de 74 anos, perguntou a Octavio Amorim Neto e a Anaís Medeiros Passos se a presença de militares no governo significa uma mudança de padrão nas relações com os civis ou, mais grave ainda, representa uma ruptura que dificultaria a manutenção da democracia no Brasil.

    Amorim Neto, formado em 1987 na UFRJ, acredita que a militarização do atual governo (39% dos ministros têm origem militar) gerou uma indefinição política cujo desfecho deverá ocorrer no ano eleitoral de 2022.

    Anaís Medeiros Passos, com doutorado concluído em 2018 em Paris sobre a mística militar na América Latina, afirmou que “a ruptura já aconteceu”, o que está agravando nitidamente a qualidade da democracia no país. Estamos diante da perspectiva de uma transição complicada, pois “a volta aos quartéis não será simples”.

    Qual seria, então, o futuro previsível do exercício do poder no Brasil?

    Segundo o sociólogo carioca, tornou-se claro que o apoio das Forças Armadas é crucial para Bolsonaro, que não tem projeto para o país e age contra as instituições democráticas, estando na contingência de governar para algumas minorias, a quem cumula de favores e benesses, como é o caso dos pacotes pró-militares. Criou-se assim uma situação em que os militares, acumpliciados ao governo, são chamados a avalizar um mandatário discricionário que reencarna o salvacionismo anticomunista de 1935 e 1964 – isso, sem falar do alinhamento político-ideológico com os EUA e contra a China, Cuba e Venezuela.

    Ao explicar por que tem uma visão cética do processo político brasileiro, a portoalegrense Anaís, de 31 anos, diz que as eleições de 2018 marcaram a reorganização das forças políticas conservadoras após pouco mais de uma década de governos liderados pelo PT. Como parte das forças conservadoras, as Forças Armadas se dividem atualmente em três blocos: os bolsonaristas, os simplesmente conservadores e os democratas – isolados, no momento. Além dos membros das três armas da República, a pesquisadora da UFSC lembra que há movimentos mais ou menos conservadores organizados no âmbito das polícias militares dos estados; e, ainda, não se pode desconsiderar a fundação recente da Associação Brasileira de Praças Eleitos, uma inédita entidade formada por componentes dos baixos escalões de todas as forças militares.

    A live com apenas dois debatedores, no final da manhã de sexta-feira 13/8, parece não ter obtido grande audiência, mas aprofundou o conhecimento sobre o surto militarista que voltou a assombrar a sociedade brasileira e – está claro – tem potencial para se prolongar, ainda que a correlação de forças políticas já não favoreça Bolsonaro.

    Octavio Amorim Neto acredita que, apesar do fracasso do governo 2019-2022, a percepção popular ainda mantém os militares “num patamar de alto respeito”, embora o desempenho do presidente coloque as Forças Armadas numa “corda bamba” e o alto comando militar numa sinuca histórica semelhante à dos primeiros presidentes militares — Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto –, que traíram a democracia. Atualmente, segundo o sociólogo da FGV, “a cúpula militar segue comprometida com a governança democrática”, com a ressalva de que o entendimento militar sobre o que é democracia segue padrões especiais. Por isso, Amorim entende que as lideranças civis nacionais devem escrever o quanto antes “um livro branco” com as regras sine qua non do jogo político, de modo a enquadrar todo mundo, especialmente os militares.

    Como seria isso? Aí é que a porca torce o rabo. Aqui, para encerrar, volta o ceticismo de Anaís Medeiros Passos. Segundo a jovem professora, há dois fatores favorecendo o status quo militarizante:

    1 – o anticomunismo continua sendo ensinado nas escolas militares, o que fortalece o conservadorismo das forças armadas em geral

    2 – os políticos não têm interesse em contestar os militares; pelo contrário, a maioria joga no time do “tamo junto”.

     

  • ALDO REBELO/ A Ferrogrão e os desorientados

    Circula a notícia de que na segunda quinzena de agosto integrantes de uma autodenominada Internacional Progressista desembarcarão no Brasil com o objetivo de, segundo seus porta-vozes “derrotar e enterrar” a Ferrogrão.

    A articulação global conta entre seus integrantes com o senador Bernie Sanders, ex-pré-candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, além de outras celebridades norte-americanas e europeias.

    No Brasil, o movimento tem o apoio de ONGs ligadas às questões indígenas e ambientais e de próceres de setores progressistas e de esquerda.

    É importante registrar que o anúncio da caravana acontece depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal provocada por ações judiciais do Ministério Público e de um partido político pretensamente de esquerda, interrompendo o processo para a construção da ferrovia.

    É de se notar que a campanha contra a Ferrogrão parte dos mesmos grupos que atuaram para inviabilizar a construção da hidrelétrica de Belo Monte e se dedicam a sabotar qualquer iniciativa para dotar a Amazônia da infraestrutura necessária ao seu desenvolvimento e à proteção do meio ambiente.

    O caso da Ferrogrão é exemplar porque é um projeto essencial para a redução do custo de transporte da produção agropecuária do centro-oeste para o porto de Miritituba, no Rio Tapajós, no estado do Pará, e daí para o exterior.

    A caravana só se explica pela desorientação de agrupamentos progressistas e de esquerda que perderam completamente os laços com os interesses nacionais, com o desenvolvimento nacional e com as necessidades do povo brasileiro.

    Da mesma forma, a interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil pode ser explicada pela desastrada política externa do governo.

    Hoje o Brasil é um país sem aliados no mundo, em conflito com o atual governo dos Estados Unidos, nosso mais importante vizinho de hemisfério, em hostilidade permanente contra a China, o nosso mais destacado parceiro e cliente da agropecuária, em arengas desnecessárias com os europeus, para não falar do mal-estar com vizinhos como Argentina, Bolívia, Venezuela e mais recentemente o Peru.

    Dividido internamente e isolado no mundo, nossa Pátria se converte em presa fácil para a cobiça geopolítica e comercial das aspirações hegemônicas do planeta.

    O Brasil e a Amazônia precisam de rumo, de união, de uma agenda voltada para a retomada do desenvolvimento, do crescimento da economia, da redução das desigualdades e da construção da democracia.

    O Brasil precisa da Amazônia para voltar a crescer e gerar esperança para a população, principalmente os mais jovens, desenganados com o País.

    E a Amazônia necessita do apoio do Brasil para proteger o meio ambiente e aproveitar as potencialidades de sua biodiversidade, de sua fronteira agrícola e de sua fronteira mineral, com hidrovias, ferrovias, rodovias, infovias e educação de qualidade para garantir o seu futuro.

    * Aldo Rebelo é jornalista, foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro de Estado da Defesa, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Esporte e da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais.

     

  • LOURENÇO CAZARRÉ/ É a Oceania, estúpido!

    Lourenço Cazarré

    A disputa mais acirrada dessa última Olimpíada foi, sem dúvida, a luta pela conquista do maior número de medalhas. Tradicionalmente, os Estados Unidos eram o vencedor sempre isolado dessa modalidade. Por décadas, tiveram como concorrente a União Soviética, até que essa foi desmilinguida por Gorbatchov.

    A batalha dessa disputa em Tóquio – travada agora contra a China, sua nova rival – só veio no último dia, quando os americanos ultrapassaram, por uma chapinha metálica de ouro, os asiáticos.

    A nossa cobertura jornalística desse evento, como de quase todas outras disputas esportivas, não primou pela objetividade. Ficou mais para o pachequismo, que é a torcida frenética, herança de nossa paixão futebolística. E para o furor patrioteiro, que nos leva a acreditar que nossos atletas, especialmente os de origem mais modesta, maioritários, são os mais dedicados do universo.

    Além da mera leitura numérica, o quadro de prêmio de uma Olimpíada poderia ser analisado, por exemplo, levando-se em consideração o PIB dos países ou sua população.

    No caso da relação com o PIB, darei apenas um exemplo: Cuba, que obteve 15 medalhas e acabou em décimo quarto da classificação geral. É de longe o mais pobre dos primeiros quinze maiores vencedores. Teve, claro, melhores desempenhos nos anos em que recebia ajuda econômica da União Soviética. Considerando o fato de ser um país de renda média muito baixa (uma das menores na pobretona América Latina), seu desempenho esportivo é excepcional. Superado apenas pelo paupérrimo Quênia, dos grandes corredores de longas distâncias, o décimo nono na classificação final.

    Ainda considerando o produto interno bruto, talvez se deva mencionar aqui o óbvio: as duas economias mais pujantes ocupam os dois lugares mais altos do podium medalheiro. Estados Unidos e China somaram 201 premiações.

    Tão interessante, sem dúvida, pode ser uma conta que considere a população de uma determinada nação em relação ao número de vitórias que ela conquista numa Olimpíada. Nesse aspecto, destaca-se de maneira espantosa a Oceania.

    Comecemos pela Nova Zelândia, que ocupou o décimo terceiro posto em Tóquio, logo atrás do Brasil, ao ganhar 20 medalhas. É um país de escassos 4,9 milhões de habitantes. Ou seja, sua população é quarenta e duas vezes menor que a brasileira. Quarenta e duas!

    Passemos agora ao segundo país mais atlético do mundo, quando se observa a relação entre medalhas e habitantes. É a Austrália, que tem 25 milhões de habitantes e obteve 46 medalhas. Destrinchando: com população oito vezes menor que a brasileira ganhou o dobro de medalhas.

    Mais um número: dividindo-se cada medalha conquistada pela Nova Zelândia por sua população, veremos que cada círculo de ouro prata ou bronze corresponde a 250 mil habitantes. Na Austrália, essa mesma relação seria de uma medalha para cada 540 mil cidadãos. No Brasil, a proporção seria de 10 milhões de pessoas por vitória.

    Os números aqui apresentados nunca são considerados pela mídia brasileira que prefere fazer comparações com as nações europeias, todas elas com maior tradição esportiva e renda média bem mais elevada, como Alemanha, França e Itália.

    Na velha Europa, talvez devêssemos nos concentrar no Reino Unido. Com uma população semelhante à de Itália ou França, e um pouco menor que a da Alemanha, o reinado de Elisabeth 2 faturou no Japão o dobro das medalhas obtidas por esses seus três vizinhos.

    Então, talvez possamos aqui avançar um comentário provocativo: esporte é coisa dos anglo-saxões. Somados, os britânicos – que criaram a maioria dos esportes hoje disputados – mais as nações colonizadas maciçamente por eles (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) ganharam 308 medalhas.

    Os três países orientais mais bem colocados em Tóquio (China, Japão e Coreia do Sul) conseguiram só a metade: 166 medalhas.

    Por fim, podemos refletir sobre a América Latina, na qual o Brasil se destaca com alguma luz de frente, como diria um gaúcho amante de corridas de cavalo. Os sete países de fala portuguesa ou espanhola faturaram 55 medalhas, sendo 36 de Brasil e Cuba. A ex-riquíssima Argentina – que na virada para o Século XX possuía renda maior que a das grandes nações europeias – ficou com o sétimo posto da região com apenas três medalhas, nenhuma de ouro.

    Será que, pensando em Paris, daqui a três anos, não deveríamos voltar nossos olhos para essa vizinha (fica no Hemisfério Sul) distante, a Oceania?

    Certa vez um jornalista amigo me disse que, se ganhasse na loteria, se refugiaria na Austrália porque lá vigora a cultura anglo-saxã, de pleno respeito aos direitos individuais, em um clima semelhante ao nosso. Um clima civilizado. Um clima que permite a prática desportiva ao longo de todo o ano sem os invernos selvagens que fustigam as nações do Norte.

    Como perguntar não ofende, não seria o caso de indagarmos de nossos dirigentes esportivos: vocês prestaram atenção ao que ficou bem claro no quadro de medalhas de Tóquio?

  • P.C. de LESTER/ Manchetes que não foram escritas

     

    Esta é a manchete do 247, site  de esquerda, na  noite desta segunda-feira, 19/07.  Uma manchete que seria saudada por Daniel Scola na Rádio Gaúcha.

    Essa tática do espelho – trabalhar com as pautas da direita trocando o sinal – funciona como tática. Quando passa a ser estratégia, acaba fazendo o jogo do inimigo.

    ***

    Artigo do Jilmar Tatto, coordenador nacional de comunicação do PT sobre a estratégia para enfrentar 2022  revela uma visão limitada da questão da informação/comunicação.

    Enaltece o alto indice de engajamento nas redes petistas e descreve medidas para ampliar as conexões do partido nas redes sociais e não vai além.

    Resumir o universo da comunicação social às redes entre grupos nos meios digitais é uma redução perigosa.

    Norbert Wiener, pai da Cibernética, abriu as portas do mundo digital quando colocou a informação no centro , o elemento que garante a estabilidade, tanto de uma pedra, ou organismo vivo, quanto de uma sociedade.

    Não há uma unanimidade sobre o que seja a informação, seria algo que  falta numa pedra quando ela vira pó.  Ou o que falta a uma sociedade quando ela se desintegra.

    Enfrentar o fogo cerrado que virá pelas redes, sem dúvida, é fundamental.

    Mas desconsiderar o jornalismo, tanto o dos meios de massa, quanto o dos alternativos, onde há experiências importantes e promissoras, pode ser um erro grave.

     

     

  • MÁRCIA TURCATO/ Eleição 2022, cheque a informação!

    Márcia Turcato, de Brasília

    O Facebook já removeu cerca de 850 mil vídeos com informações falsas no Brasil, onde 39% das pessoas que têm celular utilizam a plataforma como mídia de compartilhamento de conteúdo*.

    A desinformação, popularmente chamada de fake news, cresce no período eleitoral e se vale das redes sociais pela facilidade de manuseio, o que as tornou populares.

    Checar informação é um trabalho árduo frente a montanha de conteúdos falsos publicados nas redes sociais diariamente e mais ainda no período eleitoral.

    Não será diferente no pleito de 2022. Na verdade, a guerra informacional já começou e as estratégias de desinformação, com apoio da tecnologia, estão mais sofisticadas. Não basta mentir.

    Agora são construídas novas verdades. A partir de conteúdos autênticos, disponíveis na web, é possível construir cenários, incluir ou retirar pessoas de um contexto, gravar áudios com a voz de alguém valendo-se de vestígios de arquivos de voz originais.

    Essa desinformação sofisticada é chamada de Deepfakes, também utilizada no seu modo pornográfico para atacar reputações e fazer chantagem.

    Se em 2020 já foi difícil, imagine a batalha comunicacional que acontecerá em 2022, na eleição presidencial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está finalizando seu plano de ação para esse confronto e, no mínimo, manterá as parcerias firmadas na eleição passada.

    Em 2020, o Tribunal trabalhou com nove agências de checagem e formou a “Coalizão para Checagem – Eleições 2020”. Participaram do projeto: Agência France Press (AFP), Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-Farsas, Estadão Verifica, Fato ou Fake e UOL Confere.

    No mesmo ano, o TSE ampliou a estratégia para combater a disseminação de informação falsa, ampliando a parceria para mais 60 entidades da área de comunicação.

    As informações checadas estão disponíveis na página Fato ou Boato, no portal do TSE. Graças a uma outra parceria, feita com as operadoras de telefonia e o Conexis Brasil Digital, todos os sites do domínio da Justiça Eleitoral têm o chamado zero rating, ou seja, podem ser acessados sem cobrança ao pacote de dados do celular.

    Isso é muito importante porque, quando está sem acesso à internet, o usuário não consegue checar a origem da informação  publicada nas redes sociais.

    A iniciativa de checagem de fatos e de fornecimento de informações sobre o processo eleitoral do TSE integra o Programa de Enfrentamento à Desinformação, coordenado pela secretária-geral do Tribunal, Aline Osório.

    O Programa é permanente e é formado apenas pelo pessoal da Corte, não conta com participação de instituições convidadas, que poderiam oferecer um novo olhar à missão de proteger o processo eleitoral.

    Esse não é um ambiente da missão institucional do TSE, cujo quadro de pessoal é constituído por gente especializada em legislação eleitoral e pouco conhece do submundo das redes sociais como ferramenta de desinformação política, partidária e eleitoral.

    É imprescindível a parceria com as agências de checagem e a colaboração com instituições de defesa da democracia, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), por exemplo, que poderiam ser observadores convidados do Programa de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal.

    Memória

    No pleito de 2020, o Facebook e o Instagram removeram 140 mil posts com informações erradas intencionalmente sobre data e horário de votação e rejeitou 250 mil conteúdos que não informavam ser anúncio eleitoral ou quem estava pagando por eles. No mesmo período, o WhatsApp cancelou contas que dispararam mensagens em massa.

    Mais de 4.700 contas de WhatsApp haviam sido denunciadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas  a checagem da plataforma reconheceu apenas 1.004 como contas automáticas e elas foram bloqueadas.

    O TSE coloca à disposição do público para checagem da informação o número de WhatsApp 61.96371078.

    O enfrentamento à desinformação não é apenas um trabalho de checagem. É necessário também regular esse espaço, criar regras que disciplinem um ambiente que hoje é uma terra sem lei. A regulamentação do tema é da competência do Congresso Nacional.

    PL da Fake News

    Em 2020, o Senado aprovou o PL 2.630/2020  de combate às fake news, que cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, com normas para as redes sociais e serviços de mensagem.

    A intenção é evitar notícias falsas que possam causar danos individuais ou coletivos e à democracia. O texto está agora para na Câmara dos Deputados, aguardando  análise, mas não agradou.

    Mais de 40 entidades, como a Fenaj, a Abraji, e a OAB, e empresas como o Facebook e o Google, protestaram pela forma célere em que o texto tramitou no Senado em 2020, em plena pandemia, com sessões remotas.

    Em nota enviada aos senadores, os signatários alegam que “em um contexto em que o Senado realiza deliberações por meio do sistema remoto, sem a existência de comissões, o debate aprofundado sobre o tema se mostrou comprometido desde o início.

    Em função disso, pedimos que o Projeto de Lei 2630/2020, seja retirado da pauta do Senado, a fim de que seja aperfeiçoado e amplamente debatido com a sociedade brasileira, da forma que uma lei desta envergadura requer”.

    Estamos a pouco mais de um ano da eleição majoritária no Brasil e o cenário de disputa está aberto. Não sei vocês, mas eu recebo posts todos os dias sobre os possíveis presidenciáveis, quase tudo é desinformação.

    Alguns posts são grosseiros, outros são construídos com muito recurso. É preciso checar. Se você tem dúvida sobre algum conteúdo, não compartilhe e envie para alguma agência de checagem. Exerça sua cidadania.

    *Dados do Pew Research Center e do Digital News Report da Universidade de Oxford

     

     

     

     

  • ENIO SQUEFF/ O dilema dos militares

    “Será aceitável que todos os militares acordem que o Brasil tem de entregar o que temos de mais de precioso? Será que querem mesmo criar um fosso intransponível entre eles e nós?”  (Desenho de Enio Squeff)

    Enio Squeff

    Na época em que trabalhei no Estadão, isto é, em plena ditadura militar, comentava-se que o brigadeiro Eduardo Gomes, ainda em vida “Patrono da Força Aérea Brasileira” e golpista de 64,  teria interrompido uma reunião do  alto comando da FAB, presidida por João Paulo Burnier, também brigadeiro, alertando-o que se levasse a cabo seu plano de eliminar algo em torno de 50 mil brasileiros, iria denunciá-lo à imprensa internacional.

    Ao que se comentava, Burnier pretendia imitar os militares argentinos nos famosos  “voos da morte”:  poria milhares de opositores da ditadura civil militar em aviões,  e os jogaria no mar. Eduardo Gomes o teria advertido, que se ele quisesse criar uma ruptura definitiva entre o povo brasileiro e suas Forças Armadas, ele que prosseguisse com seu plano criminoso. Burnier recuou.

    Nunca li essa história em jornal ou livro. Mas é possível que tivesse acontecido. O desvario de alguns chefes militares da época – justamente os que mantiveram muitos de seus discípulos nas academias militares e que hoje comandam as tropas brasileiras – nunca foram punidos pelo que cometeram. Burnier teria feito escola.

    Este talvez seja o problema de alguns generais, brigadeiros e almirantes seguidores dos algozes daquele período. Não foi ao léu que Jair Messias Bolsonaro prometeu que o Brasil só se salvaria se fossem mortos 30 mil brasileiros. Na época (isso não é novidade), acrescentou: “Vão morrer inocentes, lamento, mas e daí?”.

    O resto da história todos o vivenciamos. O atual presidente eleito do Brasil, contudo, deve-se admitir, foi  modesto em seus propósitos. Quinhentos mil brasileiros mortos depois, ele pode ostentar o título de o maior “Pagador de Promessas” da direita brasileira.

    Ao não comprar vacinas deliberadamente, ele coalhou os cemitérios do Brasil de centenas de milhares de cadáveres.

    Numa certa medida, portanto, o que Burnier não fez, por respeitar o velho Eduardo Gomes com a sua bengala, o ex-capitão expulso do Exército, talvez faça: o divórcio definitivo dos militares com a população que os sustenta com os seus impostos.

    Não se duvide, em suma, que o presidente e seus seguidores, principalmente  no Exército, estão pouco se lixando para a mortandade que, a essas alturas, está apavorando o mundo.

    Daí às manifestações do dia 04 do corrente, quando centenas de milhares de brasileiros foram às ruas protestar contra tudo isso; e que, no fundo, define este governo, como o pior que o Brasil já teve.

    O que os professores das escolas militares devem ter repetido aos hoje generais, brigadeiros e almirantes,  discípulos do velho Burnier, foi sustado pelo imponderável, já que a Covid lhes fez o especial favor, de nos matar antes.

    Delírio?

    Gostaria que o fosse, embora os membros do alto oficialato sugiram a toda hora e sempre, que eu, por desgraça, possa estar certo.

    Ora, Eduardo Gomes, reacionário, golpista, direitista inveterado, sabia o que dizia quando alertou Burnier e seus asseclas, de que as Forças Armadas nunca poderiam criar um fosso abissal entre elas e o povo. Não se trata da dívida que eles têm conosco por lhes pagarmos o soldo e, mesmo assim, termos  de aturá-los no papel que nunca lhes demos, de serem os tutores do Brasil.

    Isso, porém, vem desde há muito. A rigor, desde o golpe em que os militares derrubaram o Império.

    Claro que a monarquia é uma excrescência, mas daí às Forças Armadas se comportarem ainda hoje como tropas de ocupação de seu próprio país, vai uma distância que o brigadeiro Eduardo Gomes teria antevisto, e que, mesmo assim, anima muitos fardados brasileiros.

    Será que é preciso ter mais que bom senso ou o velho patriotismo para  que as Forças Armadas se comprometam com um governo genocida, responsável pelo maior morticínio já perpetrado contra o povo brasileiro?

    Será aceitável que todos os militares acordem que o Brasil tem de entregar o que temos de mais de precioso, o seu petróleo, as suas hidrelétricas, suas florestas, e tudo mais que Bolsonaro, Guedes, Salles e os demais se esforçam por doar? Será que querem mesmo criar um fosso intransponível entre eles e nós?

    O dilema é deles.

  • ELMAR BONES / Eleições 2022: o fator Eduardo Leite (2)

    A atitude do governador Eduardo Leite ao declarar-se gay em rede nacional de televisão tem muitas implicações, mas o que interessa a todos são os efeitos políticos, de uma decisão motivada por interesses políticos, uma vez que o governador como ele mesmo diz nunca teve problemas em assumir a sua orientação sexual. Não a proclamava porque “não era o caso”. Agora é.

    Pré-candidato a candidato tucano à Presidência da República, o governador  sabe que não tem como entrar numa campanha eleitoral cruenta como a que se avizinha, tendo uma questão como essa nas sombras.

    Ao tomar a iniciativa de declarar (ele não esperou nem o Pedro  Bial perguntar), certamente está considerando os dividendos eleitorais de uma atitude que se alinha com uma das causas  emblemáticas do Século 21,  a diversidade de orientação sexual.

    Eduardo  Leite é um dos quatro pré-candidatos a candidato do PSDB para a eleição de 2022, disputando com  João Dória, Tasso Jereissati, Arthur Virgílio.

    Foi sua assessoria que procurou Pedro Bial acenando com a  manchete que podia render?

    Ou foi iniciativa da Globo, ao perceber Eduardo Leite como a tão sonhada terceira via, capaz de alijar Bolsonaro, barrar Lula e, sobretudo, manter o projeto neoliberal em andamento?

    Os desdobramentos dentro do sistema Globo indicam que há uma clara aposta no governador gaúcho. Farta cobertura no jornal O Globo, o  farol ideológico do grupo, inclusive o furo na coluna da Patrícia Kogut, que antecipou a revelação da entrevista.

    E, no dia seguinte à entrevista, uma análise no Globo,  dizendo que  Eduardo Leite “tornou sua vida privada uma não-arma para ser explorada por adversários no jogo sujo das disputas políticas”.

    “Não há mais como dizer que Leite esconde algo de seus eleitores”, diz o texto, taxativo.

    Depois discorre sobre a gestão de Eduardo Leite que ” assumiu o governo de um estado marcado por divisões políticas prolongadas e finanças arruinadas”.

    Não chega a dizer que ele equilibrou as finanças do Estado, mas insinua: “Conseguiu construir um apoio na Assembleia estável o suficiente para tentar pôr ordem no Caixa do estado”.

    Numa matéria do início de maio O Globo já tinha destacado a fé de Eduardo Leite no ideário liberal.

    Seja como for, o gesto deu outra envergadura à pré-candidatura do governador gaúcho, no momento em que ele precisa se viabilizar  dentro de seu próprio partido.

    As prévias do PSDB estão marcadas para 17 de outubro e os pré-candidatos devem inscrever-se entre 01º e 10 de agosto, para iniciar a propaganda intrapartidária a partir de 01º de setembro.

    Leite está pelo menos dois meses à frente.

     

  • ELMAR BONES/ Galvani, um jornalista

    Perder Walter Galvani nesta altura do campeonato é como perder um grande epidemiologista no meio da pandemia.

    Basta mencionar a revolução que ele produziu, em plena ditadura, ao abrir as portas da vetusta Companhia Jornalística Caldas Júnior para os jovens jornalistas que estavam saindo da universidade e eram discriminados pelos “chapa branca” que dominavam as redações.

    Foi bom em tudo o que fez: coluna social, reportagem, editor, chefe de redação e, depois, escritor.

    Sempre com aquele faro de repórter que o levou a descobrir, às vésperas dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, que não havia, nem aqui nem em Portugal, uma biografia de Pedro Álvares Cabral.

    Informação que ele guardou até ter toda a pesquisa feita para o livro que editou pela Record.

    No meio da pandemia de desinformação que nos assola,  uma mente lúcida como a de Walter Galvani é uma perda irreparável.