A imprudência no trânsito urbano ou nas rodovias não se resume no não beber antes de dirigir.
A partir da primavera, a temperatura se eleva e o comportamento no trânsito passa, mais do que nunca, para o nível da imprudência, pois todos querem chegar a qualquer lugar, sempre na frente, para se refrescar. Grande parte dessas pessoas terminam nas geladeiras do necrotério. Sobre a imprudência, que é um tipo de violência da maior gravidade, veiculo aqui a mensagem do perito criminal do Departamento de Criminalística do IGP (Instituto-Geral de Perícias do RS), Clovis Santos Xerxenevsky, Como o próprio Xerxenevsky diz, se a leitura dessa advertência salvar uma única vida, ele – e este humilde marquês – daremos por cumprida uma parte da nossa missão. Sigam-me.
O cinto de segurança
“Nas 24h do meu plantão deste ultimo sábado para domingo (de 22/11 para 23/11, atendemos três acidentes com morte em que, em dois deles três jovens perderam a vida. Tais perdas poderiam ser evitadas mesmo que seus condutores estivessem com velocidades acima de 100km/h. Os acidentes nunca são fruto de uma única causa, mas de duas ou mais combinadas. Sem considerarmos se houve ou não o uso de álcool por parte dos condutores, mas o fato é que nenhum dos três jovens usavam o cinto de segurança. As tragédias que enlutaram as famílias ocorreram em Guaíba, na estrada do Conde, e em Novo Hamburgo, em direção a Dois Irmãos. Em ambos os casos o excesso de velocidade numa saída de curva determinou o capotamento e as vítimas foram arremessadas para fora dos veículos. Se estivessem utilizando a cinto de segurança com certeza absoluta elas não seriam arremessadas para fora dos veículos e os traumas seriam minimizados, vidas seriam poupadas.
Não entendo como os órgãos responsáveis pelo trânsito não dão ênfase em campanhas e fiscalização para o uso do cinto de segurança. Em acidentes que atendemos, 50% das vítimas morrem por não o estarem utilizando. O uso dos cintos não vai reduzir o número de acidentes, mas vai reduzir as mortes neste percentual absurdo. Quase sempre os acidentes deste tipo acontecem entre as sextas, sábados e domingos, quando até parece que não existe trânsito, pois os agentes em Porto Alegre e nas cidades da Região Metropolitana somem como que por encanto. Em verdade, trabalham de segunda a sexta no horário comercial.
Espero que as autoridades de trânsito tomem alguma providência a respeito, pois amanhã poderá ser um de seus filhos a vítima. Em estudo recente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo), constatou-se que 94% dos condutores utilizam o cinto de segurança; entre os passageiros ao lado do condutor 89% utilizam o cinto; e, entre os passageiros dos bancos de trás, somente 11% utilizam o cinto. É um grave engano de que quem está no banco de trás está protegido nos acidentes. Somente o cinto pode salvar sua vida. Não permita que seus familiares e seus amigos andem no seu veículo sem que antes coloquem o cinto de segurança, ele salva.”
Mortes
Onze pessoas foram assassinadas, nesse fim de semana, no Rio Grande do Sul. Este número não chega a alarmar ou, pelo menos, não assusta as pes-soas que estiveram longe dessas tragédias. A proximidade do fim do ano, no entanto, sempre é preocupante para os profissionais que trabalharam na área da violência e da criminalidade.
Ponto cortado
Segundo o presidente da Ugeirm/Sindicato, Isaac Ortiz, o chefe da Polícia Civil, delegado Pedro Rodrigues, informou ontem que 272 agentes terão o ponto cortado no mês de novembro, seja porque aderiram a paralisação de três dias da categoria, seja porque participaram da Marcha da Polícia Civil, na semana passada. A maioria dos policiais relacionados são do interior do Estado. Isaac Ortiz, acusa o governo de fraudar a efetividade dos policiais civis, apoiando-se em informação “sabidamente falsa”.
Descabelo
Os policiais militares estão enfrentando uma luta insólita que está sendo prioridade no trabalho do deputado Marquinho Lang. Ocorre que o governo esqueceu dos brigadianos no projeto de lei que amplia a licença maternidade e paternidade dos “servidores”. A posição do governo é um tando descabelada, pois é sabido que mulheres e homens da Brigada Militar ainda não são proibidos de terem filhos.
Categoria: Análise&Opinião
O cinto e as geladeiras do necrotério
O crime, o jogo e o nepotismo público
Parece-me crime jogar com o erário, sem o risco de perder, com o direito de sempre ganhar.
Conheci jogos de azar, ainda menino, em quermesses da paróquia São Judas Tadeu, lá no Partenon, onde, numa roletinha, era possível perder muitas moedas ao arriscar ganhar desde um patinho de plástico a um urso de pelúcia. Admiro, mas não invejo os experts do baralho, dos dados, das loterias ou de quaiquer outras destas atividades que são tão antigas quanto o homem civilizado. Ao mesmo tempo, entendo como indecente toda a legislação que proíbe os jogos de azar e, invariavelmente, suspeitas e hipócritas, não obstante legais, as campanhas ou ações isoladas contra a jogatina, que sempre, seguramente por acaso, levam livre as classes privilegiadas da sociedade.
Dentro deste mesmo raciocínio, entendo que o nepotismo no serviço público – na iniciativa privada não há nenhuma necessidade de prestação de contas à sociedade – é, simplesmente, independente dos parâmetros de ordem legal, uma questão de vergonha na cara. Quem não tem vergonha pratica e defende o nepotismo e, quase sempre, sai como vencedor. Nesse campo, a sociedade, indefesa, paga a conta perdendo sempre sem arriscar ganhar nada. No meu entendimento, o jogo, onde todos, democraticamente, podem perder ou ganhar, deveria ser legalizado e o nepotismo no serviço público, onde a premiação é exclusiva dos dirigentes das bancas, deveria ser criminalizado.
Quem quer ser PM?
O Comando-Geral da Brigada Militar está recebendo até o próximo dia 26, quarta-feira, as inscrições para o processo seletivo do Programa de PM Temporário. A seleção visa à contratação emergencial de 306 servidores sob o Regime Geral da Previdência Social e pelo prazo de dois anos, podendo ser prorrogada no máximo uma vez, pelo período de um ano. No site www.brigadamilitar.rs.gov.br poderão ser colhidas informações detalhadas.
Mulheres
Agentes da 2ª DP de Passo Fundo, coordenados pela delegada Claudia Cristina Santos da Rocha Crusius, apreenderam um tijolo de maconha, pesando mais de um quilo, na casa de uma mulher identificada como Dalvaci Eva Dias dos Santos, localizada no Bairro Vera Cruz. Essas mulheres são terríveis, tanto na lei como no crime.
Jornalismo
Encerram-se no próximo dia 3 de dezembro as inscrições para o Prêmio ARI de Jornalismo, sob o patrocínio do Banrisul, a mais tradicional e importante distinção dos trabalhos jornalísticos de cada ano, no Rio Grande do Sul. Por completar em 2008, 50 anos de existência, só sendo superado em antiguidade e abrangência, pelo Prêmio Esso, o concurso terá uma láurea especial de R$ 5 mil para a melhor reportagem entre todos os gêneros concorrentes.
Paternidade
O Grupo de Estudos de Direito de Família do Iargs (Instituto dos Advogados do RS), que tem a coordenação de Helena Raya Ibañez, promoverá, nesta terça-feira, dia 25, a palestra do advogado e historiador Fernando Malheiros Filho, sob o tema “A nova visão da investigação de paternidade.” O evento ocorrerá na sede da entidade, na travessa Acelino de Carvalho, 21, no centro de Porto Alegre.
Tiros
O sargento PM da reserva Volmar Jaques foi levado para carceragem do batalhão da Policia de Guarda da Brigada Militar, em Porto Alegre depois de ter sido detido, na noite passada de sexta-feira, em Viamão. Jaques é acusado de disparar tiros dentro de casa na Vila Jardim Estalagem.
Traficantes
Trinta policiais civis fizeram uma operação, na manhã de ontem, para desarticular uma quadrilha que distribuía drogas na Região Metropolitana. Dois homens e uma mulher foram presos em São Leopoldo, três carros, uma moto, três quilos de cocaína e uma arma foram apreendidos. As investigações apontaram que a droga vinha de avião do Mato Grosso do Sul. A droga era distribuída, principalmente, em Alvorada e no Campo da Tuca, em Porto Alegre. Os presos são de Santa Catarina e Paraná.
Cabeças
Como a governadora Yeda Crusius costuma trabalhar, nos fins de semana, tendo ao seu redor ou ao telefone apenas um “petit comitê”, tanto na Brigada Militar como na Polícia Civil, as cúpulas estão tremendo. Nesta segunda-feira, no entanto, acredito que as cabeças atuais continuarão prestigiadas.Conselheiro do TCE preocupado com investigação
Ex-chefe da Polícia Civil é acusado de fazer perguntas indevidas sobre uma casa de praia.
Uma suposta investigação no entorno de uma casa com 700m2 quadrados de área construída, piscina térmica com teto retrátil, sete suítes, a principal delas equipada com sáuna, tudo isso quase na beira da praia de Xangri-lá, no chamado litoral Norte do RS, que estaria no nome da esposa do conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), ex-deputado estadual João Osório Ferreira Martins, está convulsionando a Polícia Civil gaúcha e cabeças poderão rolar. Lembro que, na coluna de ontem, mencionei a fragilidade da posição do atual chefe de Polícia, delegado Pedro Rodrigues, cuja cadeira já tem candidatos a postos, entre eles, o diretor do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) Ranolfo Vieira Júnior e, digo, hoje, o diretor do Denarc (Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico), delegado Álvaro Steigleder Chaves. Sigam-me.
Investigação
O ex-chefe da Polícia Civil delegado Luiz Fernando Tubino, foi afastado do cargo de diretor da DAP (Divisão de Pessoal da Polícia Civil), acusado pelo conselheiro João Osório de estar investigando, com abuso de autoridade, a casa de Xangri-lá. Tubino, que não tem a simpatia da governadora Yeda Crusius, nega tal investigação, embora confirme que conhece a casa externamente, onde chegou a levar um amigo jornalista que estava interessado em fotografar detalhes sobre a propriedade com a devida autorização de João Osório. Pelo sim ou pelo não, Tubino foi designado para trabalhar no plantão da Área Judiciária, sob a ordens do delegado Alexandre Vieira, hoje homem de confiança do Piratini. Este imbróglio está sacudindo os principais gabinetes do Palácio da Polícia e algumas gavetas começam a ser esvaziadas.
Coelho
A governadora Yeda Crusius, na área da Segurança Pública, tem demonstrado perspicácia em tirar coelhos da cartola. Evitando errar pela cabeça dos outros, assume pessoalmente todos os riscos. Por isso, para suceder comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, está em alta nos bastidores do Piratini o nome do discreto coronel Sílvio Regis Rosa Machado, hoje no comando da Brigada Militar de Santa Maria.
Alto risco
O CRPO Sul (Comando Regional de Polícia Ostensiva Sul) realizou, ontem, a formatura da 6ª edição, e última do ano, do curso de Patamo (Patrulha Tático Móvel). O evento ocorreu no 4º BPM, com sede em Pelotas. Com o término do curso, chega a 136 o número de PMs formados para atuação de alto risco pelo CRPO Sul. Na oportunidade, o 4º BPM recebeu do subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel João Carlos Trindade, e do comandante do CRPO Sul, coronel Odiomar Luis Bitencourt Teixeira, duas viaturas Ford Ranger, modelo 2008, para atuação nos municípios de Pelotas e Canguçu. Também foram entregues, pelo promotor Paulo Charqueiro, doze computadores doados pelo Ministério Público para a Brigada Militar e Polícia Civil.
Quadrilheiros
A polícia poderá esclarecer outros assaltos com a prisão de onze integrantes da quadrilha que invadiu a empresa Transpaulo, na madrugada de ontem, no bairro São Luiz, em Canoas. Durante a operação, houve um tiroteio entre PMs e criminosos. Quatro assaltantes ficaram feridos e um funcionário da transportadora foi baleado na barriga. Durante o ataque dos quadrilheiros, 60 funcionários da empresa chegaram a ficaram como reféns.
Execução
Um PM foi assassinado, na manhã de ontem, no bairro Camaquã, Zona Sul de Porto Alegre. Daniel Silva da Silva de 37 anos estava afastado do trabalho desde outubro. O crime, com características de execução, aconteceu nas proximidades da Escola Estadual Otavio Mangabeira. O criminoso atirou duas vezes no policial, que estava à paisana, e fugiu num Santana. O veículo havia sido furtado em outubro no bairro Nonoai.
Carros roubados
Uma oficina de adulteração de veículos furtados foi descoberta pela 1ª DP de Canoas. Foram encontrados dois Fusca, um Escort e uma Parati, todos dos anos 80. O crime estava sendo investigado há um mês.
Um delegado aposentado da polícia civil foi baleado durante uma tentativa de roubo em Canoas, José Ernito Druta de 66 anos chegava em casa quando foi abordado por três bandidos eles queriam o carro do ex-policial que estava armado e reagiu mas acabou atingido por três tiros. Os bandidos fugiram, o delegado aposentado foi encaminhado ao HPS de Canoas e o estado de saúde é regular sem risco de vida.
Negros
Por sugestão do senador Paulo Paim, o Senado aprovou voto de aplausos ao professor e poeta gaúcho Oliveira Silveira, um dos fundadores do Grupo Palmares. Foi Oliveira quem sugeriu, em 1971, que a comunidade negra passasse a reverenciar o 20 de novembro, data da morte de Zumbi do Palmares, e não mais o 13 de maio, dia da abolição da escravatura. Sete anos mais tarde, a data foi oficializada pelo movimento negro como Dia Nacional de Consciência Negra.Dança de comando na área da segurança
Com a aproximação do Natal, sempre há os que esperam pelos melhores presentes.
Com a aproximação do fim do ano, são tidas como certas algumas alterações tanto na Brigada Militar como na Polícia Civil. Na Brigada, é discutida a possível indicação do atual comandante geral, coronel Paulo Roberto Mendes para o Tribunal Mili-tar do Estado, sendo seu substituto natural o subcomandante geral, coronel João Carlos Trindade, embora sejam ligeiros os que correm por fora.
Na Polícia Civil, as coisas começam a desanuviar. Caso houver a decisão de ser substituído o chefe da instituição, delegado Pedro Rodrigues, embora pouco mais de 50 delegados de 4ª classe tenham condições de postular o posto, há pressões na área política, junto ao Piratini, o que faz parte do jogo, em favor do titular do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), delegado Ranolfo Vieira Júnior, de vertiginosa carreira, que é filho do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado Ranolfo Vieira.
Ranolfo, o delegado, fez concurso em 1998 e, em 2000, no governo do PT, ainda em estágio probatório, foi promovido a 2ª classe. Em dezembro de 2003, chegou a 3ª classe por merecimento e, também por merecimento, em setembro de 2007, com menos de dez anos de carreira, chegou a 4ª classe, superando dezenas de colegas mais antigos.
Sem dúvida, uma invejável trajetória realizada, com certeza, passando muitas delegacias dos confins do Rio Grande. Nenhuma promoção mais poderá ser concedida a Ranolfo a não ser a Chefia de Polícia. Como diria a mamãe deste humilde marquês, ao que parece, são favas contadas.
Traficantes
Agentes da 4ª DP da capital prenderam, nesta quinta, 20, um traficante de 23 anos de idade, conhecido pelo apelido de Novinho. Segundo o delegado o delegado Nedson Ramos de Oliveira, que comandou a operação, Novinho, que já incendiou a casa de um de seus inimigos, encontrava-se foragido do regime semi-aberto desde outubro de 2006 e foi encontrado na rua 698 da Vila Mário Quintana, bairro Navegan-tes.
Em Cruz Alta, policiais civis em conjunto com a Brigada Militar, prenderam na rua Argentina, Vila Machado, o traficante conhecido como Pedro Bala, de 44 anos. Além de mais de 9kg de maconha, o bandido tinha em seu poder um revólver de calibre 38 com numeração raspada.
Artesanato
No presídio de Osório, agentes penitenciários encontraram quatro celulares escondidos numa correspondência enviada a um apenado. Os aparelhos chegaram por sedex e estavam entre duas tábuas coladas. A madeira costuma ser usada pelos detentos para trabalhos de artesanato.
Crime e castigo
Dez pessoas foram mantidas reféns durante assalto à residência, na madrugada de quinta, 20, no bairro Mato Grande, em Canoas. Três homens armados executaram a invasão e mantiveram as vítimas sob a mira de armas por cerca de uma hora.
O dono da casa foi levado pelos bandidos e libertado minutos depois. O trio fugiu com carro, equipamentos eletrônicos e jóias. A Brigada Militar foi acionada e localizou os assaltantes no bairro Matias Velho, com o auxílio do sistema de monitoramento do veículo. Houve tiroteio e os três bandidos foram presos, sendo que um deles foi ferido.
Greve
Dirigentes da Ugeirm/Sindicato, entidade de classe dos escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil, deverão ser recebidos, hoje, no Piratini, pela equipe econômica do governo Yeda Crusius. Na pauta de reivindicações, entre outros pontos, consta aumento salarial, aposentadoria, plano de carreira e pagamento de horas-extras atrasadas.
Os sindicalistas irão para a reunião com a pré-disposição de dar continuidade à preparação de um movimento grevista caso não um avanço nas negociações.
Carro-forte
Um carro-forte da STV foi atacado por assaltantes no Shopping Lindóia, Zona Norte da capital no fim da tarde de quinta. O veiculo seria abastecido quando funcionários da empresa foram abordados pó por quatro bandidos que estavam em um carro Fiat Palio, roubado. Um malote com dinheiro foi levado e ninguém teria se ferido.
Criança
Na tarde de quinta, 20, na Escola Municipal José Loureiro da Silva, avenida Capivari, bairro Cristal, um menino de 8 anos de idade, aluno da escola, estava em sala de aula com um revólver de calibre 38 em sua mochila. A arma estava com a numeração raspada.
Wander.cs@terra.com.brFato de 30 anos atrás deixa uma bomba na Feira do Livro
Elmar Bones
A 54a.Feira do Livro, que termina domingo, 16, deixará em Porto Alegre uma bomba de efeito retardado: o livro do jornalista Luiz Claudio Cunha, editado pela LPM, reconstituindo o “sequestro dos uruguaios” ocorrido em novembro de 1978, fato que abalou as ditaduras uruguaia e brasileira e que lançou seus primeiros estilhaços ali mesmo na Praça da Alfândega, em meio às barracas da Feira.
Na abertura da feira daquele ano, o governador Synval Guazzelli foi encurralado pelos repórteres para falar de um assunto do qual vinha fugindo nos últimos dias – a denúncia de que dois adultos (Universindo Dias e Lilian Celiberti) e duas crianças (Camilo, 8, e Francesca, 3, filhos de Lilian) haviam sido sequestrados em Porto Alegre e levados para Montevidéo por uma ação conjunta de policiais uruguaios e brasileiros.
O livro tem 472 páginas, e reconstitui os fatos num ritmo de reportagem, sem buscar isenção, nem distanciamento. O repórter está envolvido desde o primeiro minuto, quando numa tarde de novembro de 1978, acompanhado do fotógrafo J.B. Scalco, bateu num apartamento na rua Botafogo, no Menino Deus, e foi recebido por uma pistola. O autor do livro está do lado de cá da pistola, que como se descobriu depois, a partir do testemunho dele e de Scalco, estava a serviço de uma organização criminosa, que eliminava dissidentes à sombra das ditaduras do continente. Por isso, Luiz Cláudio é impiedoso com todos aqueles que estavam do lado de lá, o da pistola.
O livro, lançado dia 7, com autógrafos na feira, detonou uma série de eventos em Porto Alegre e, de certa forma fez o mundo político local reviver os dias sombrios daqueles tempos “em que adversários eram punidos com a tortura, o desaparecimento e a morte”.
Lilian e Universindo vieram de Montevidéo para homenagens na Assembléia Legislativa, na Ordem dos Advogados, deram dezenas de entrevistas em rádios, jornais e tevês. Lembraram a prisão, as torturas, nominaram os algozes, repudiaram as ditaduras e reitararam sua gratidão aos jornalista, advogados, defensores de direitos humanos e parlamentares que alimentaram a campanha, que não só desvendou o sequestro. Também salvou a vida deles, dos raros que escaparam das garras da Operação Condor.
Luiz Claudio Cunha, que vive em Brasilia, voltou para casa. Lilian, Universindo, Camilo e Francesca voltaram para Montevidéo, onde vivem. O livro ficou como uma bomba silenciosa, demolidora de biografias que se reconstruiam sob a poeira do tempo.Mendigos na frente das prefeituras municipais
Homenagem aos invisíveis serviços de inteligência da segurança pública: “Para além da curva da estrada/ Talvez haja um poço, e talvez um castelo,/ E talvez apenas a continuação da estrada./ Não sei nem pergunto./ Enquanto vou na estrada antes da curva/ Só olho para a estrada antes da curva,/ Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.” De Fernando Pessoa em “Poemas inconjuntos” de Alberto Caeiro.
As lideranças das organizações policiais do RS não escondem as frustrações que se somam a cada encontro mantido no Piratini para a discussão das questões salariais. Este é um lado das rachaduras da estrutura da segurança pública que motivou um casamento inédito e, por isso, histórico, entre a Brigada Militar e a Polícia Civil cujos representantes deixaram de lado as arestas envolvendo rivalidades no campo operacional, para, juntos, lutarem por remuneração digna. No entanto, no âmbito da so-ciedade, que apóia os movimentos pacíficos e reivindicatórios dos policiais, o clamor maior é por uma polícia forte, coesa, atenta nas ruas e nas delegacias nas 24 horas do dia. Essa sociedade, hoje, apóia e, mais do que isso, ampara uma polícia falida e daria uma cobertura maior para uma polícia forte que não mendigasse nas portas das prefeituras. E o que causa espanto, dentro deste quadro, é que os governos, de Brasília aos municípios, estão absolutamente despreparados para a montagem sequer do embrião dessa polícia forte. Os policiais, por sua conta e risco, ainda que de uma forma desatrelada, discutem em suas corporações e entidades de classe essas questões, mas os governantes fogem das raízes do problema e trabalham com remendos sobre remendos. Como mero observador desse campo, por vezes, de forma equivocada, interpretado como especialista, continuarei a cultivá-lo.
Algemas
A posição da Polícia Federal gaúcha, que continuará a usar algemas – o que corresponde a uma proteção para os políciais como também para as pessoas eventualmente presas – é em favor da sociedade e contra a hipocrisia de uma elite que compõe uma minoria da magistratura que não ad-mite qualquer mágoa em pulsos que fedem a perfume francês.
Peritos
Com o apoio do IGP (Instituto-Geral de Perícias) começará. nesta segunda-feira, o 10º Seminário Nacional de Documentoscopia, o 2º Seminário Nacional de Perícia Contábil e o 5º Congreso De La Sipdo (Sociedad Internacional de Peritos en Documentoscopia), que acontecerão no Hotel Embaixador, em Porto Alegre. Os eventos ocorrem até o próximo dia 14 e são promovidos pela Acrigs (Associação Brasileira de Criminalística), Sociedad Internacional de Peritos em Documentoscopia e Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).
Herança
O Grupo de Estudos de Direito de Família do Iargs (Instituto dos Advogados do RS), coordenado por Helena Raya Ibañez, promoverá nesta terça-feira, dia 11, às 12h, a palestra “Renúncia e Cessão da Herança, que será proferida por Aldo Ayres Torres. O evento, com entrada franca, ocorrerá na sede do Iargs, na travessa Acelino de Carvalho, 21.
Política
O delegado Cleiton Freitas, da DP de Cachoeirinha, com quase três mil votos como candidato a vereador pelo PDT, em Porto Alegre, aparece como cotado para assumir uma função na próxima gestão de José Fogaça na prefeitura da Capital.
Sufoco
Uma informação que pode conservar acesas as luzes do Piratini além de manter ativa a ubiqüidade do comandante-geral da Brigada Militar, o indormido coronel Paulo Roberto Mendes, além de preocupar o deputado Cássia Carpes (PTB), idealizador legítimo do ainda não realizado projeto do manifestrónomo: as entidades das organizações policiais estão mantendo contatos com o Cepers-Sindicato. O objetivo é de que policiais e professores passem a realizar manifestações conjuntas por salários dignos. Esta união sempre pareceu impossível para professores e professoras que enfrentaram todo o tipo de repressão policial durante seus históricos movimentos classistas por salários e melhores condições de trabalho.
Azar
Foi aprovado pela Comissão de Justiça da Câmara Federal o projeto de lei que criminaliza a exploração dos jogos de azar, apresentado pela CPI que investigou de 2004 a 2005 as relações do jogo com o crime organizado (a CPI dos Bingos). Transformado este projeto em lei, a Caixa Federal, mais do que nunca, será a austera incentivadora e mantenedora dos jogos de azar no país, pois seus eventuais concorrentes terão a cadeia como primeiro prêmio.
Wander.cs@terra.com.brA impossível unificação das polícias
A falência da segurança pública do país exige a tomada de novos rumos, mas as utopias devem ser evitadas.
Em todos os congressos, seminários e eventos assemelhados de estudiosos ou profissionais da segurança pública, invariavelmente, figura na pauta de discussões a unificação das organizações policiais – que é impossível – e o ciclo completo do poder de polícia para as policias civis e militares estaduais – ora em pleno processo de maturação e que, em alguns casos, está sendo implantado na marra, especialmente no Rio Grande do Sul. Isso não foi diferente no 2º Congresso Nacional de Oficiais Militares Estaduais, realizado em Brasília, na semana que passou. Sigam-me
Atraso
O titular da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), professor Ricardo Brisolla Balestreri, ao descartar de forma absoluta as probabilidades de unificar as organizações policiais, aponta o ciclo completo (da investigação a lavratura de flagrante) para as policias militares e civis como um avanço inevitável. Mais do que defender este processo, Balestreri entende que esta é uma das principais, se não a principal providência para tirar a segurança pública do país do estado de falência em que se encontra. A estereotipada divisão das atribuições das organizações policiais, se não for quebrada agora, ontem, provocará um atraso de, pelo menos, 30 anos na evolução do sistema de segurança do país, segundo o entendimento de Balestreri. A gravidade do tema, fará com que eu volte a ele durante alguns dias.
Ensaio
Pareceu-me inédito o ensaio e/ou treinamento realizado pela Brigada Militar, que mobilizou centenas de PMs, no parque Saint-Hilaire, muito utilizado para atividades de escoteiros, precedendo uma mega operação detonada ontem em Porto Alegre. Com certeza, num primeiro plano, a preservação do parque foi garantida.
Assalto
Dois caminhões roubados do depósito de uma rede de farmácias de Canoas foram encontrados vazios, na manhã de ontem, em Campo Bom, no Vale dos Sinos. O assalto ocorreu no fim da noite de terça-feira. Um grupo fortemente armado invadiu empresa, no bairro Matias Velho e levou uma carga avaliada em mais de 1 milhão de reais.
Assassinatos
Um jovem de 20 anos foi encontrado morto, na madrugada de ontem, no bairro Mathias Velho em Canoas. Ronilson Francisco Paula de Lima, baleado na cabeça, estava caído na rua do Sindicato esquina com a rua Zumbi. Em Novo Hamburgo, na vila Quefas, Paulo Cesar Meri Meneses, de 25 anos, foi morto com dois tiros. Em Bagé, o presidiário João Carlos Faria da Silva, 46 anos, matou a sua companheira, Rosane Godói Costa, de 18 anos, no bairro Floresta. Segundo a Brigada Militar, o apenado cumpria pena no regime semi-aberto. Ele matou a vítima com três tiros nas costas. A mulher estava com o filho de um ano e seis meses no colo. João entregou a criança para a mãe da vítima e fugiu. Em Cruz Alta, a polícia apura o assassinato de mãe e filha, ocorrido na manhã de ontem, no bairro São Francisco. Dalva Martins da Silva, e a filha adolescente, Camila Tomás da Silva, foram mortas a tiros. Celso, também filho de Dalva, sofreu um fe-rimento superficial a bala.
Moleza
A Polícia Civil de Esteio liberou um homem que fora preso por PMS ao praticar um assalto contra um posto de combustível. O crime, ocorrido terça-feira, foi registrado pelas câmeras de segurança, mas o delegado Paulo Florentino Machado avaliou que assaltante deveria ser libertado por considerar pequena a quantia de dinheiro roubada, que não passava de R$ 300,00 e providenciou apenas na abertura do inquérito. O ladrão, que saiu caminhando da delegacia de Esteio, segundo os brigadianos, estava em liberdade provisória e possui antecedentes por homicídio.
Fazedor de leis
A criação do manifestódomo, proposto pelo comandante-geral da Brigada Militar, o indormido coronel Paulo Roberto Mendes, trouxe à tona mais um dos talentos desse homem que, pela sua ubiqüidade, provoca sonhos e pesadelos na socie-dade gaúcha. Ele se mostra um legislador, ainda que à moda antiga, mas um legislador. É preocupante isso, pois Mendes é o coronel que desponta como principal candidato a cadeira de juiz da Justiça Militar do Estado que se encontra vazia naquela corte. Com a toga, através de jurisprudências, Mendes poderá tentar desenvolver seu talento de fazedor de leis antigas.
Wander.cs@terra.com.brDelegado denuncia tentativa de intimidação dos policiais em greve
O labirinto em que se encontra a segurança pública do país tem uma saída que poderá ser bloqueada pelos líderes corporativistas.
Quando abordei, ontem, a falência do sistema de segurança pública do país, denunciada, na semana que passou, em Brasília, pelo próprio titular da Senasp (Secretaria Nacional da Segurança), órgão do Ministério da Justiça, o professor gaúcho Ricardo Brisolla Balestreri, que há 20 anos trabalha em pesquisas e ações de campo sobre o tema, não esperava qualquer tipo de reação ou tentativa de resposta de nenhuma autoridade de nosso estado sobre tal escândalo. De um lado, não há tempo para esboçar qualquer depoimento quando o RS está enfretando uma paralisação dos agentes da Polícia Civil e do sistema penitenciário por melhores salários, que será encerrada amanhã. De outra banda, este silêncio não significa insensibilidade hanseaniana e, sim, a dolorosa angústia de não ter e de não saber o que dizer. O sistema está falido e deve ser, pelos recursos existentes, remendado. E os lançamentos de remendos, invariavelmente acompanhados de discurseiras palacianas e, mais recentemente, com banda de música, estão levando ao estresse uma sociedade que dorme ao som de balas perdidas. Sigam-me.
Labirinto
Terá o professor Balestreri um projeto que possa conter esse flagelo, além de sua consciência do processo decadente da segurança pública do país e dos porosos recursos de sua secretaria para enfrentar os incêndios de primeira grandeza que assustam os nossos principais centros urbanos?
Balestreri tem um projeto que será inviável se partir da iniciativa de cada estado, ou seja, de baixo para cima. No entanto, poderá ser implantado de cima para baixo – do governo federal para os estados – com inevitáveis enfrentamentos com lideranças de corporativismos arcaicos, mas poderosos. O professor acredita que há apenas uma saída deste labirinto e, se não for encontrada agora, a segurança pública sofrerá um atraso de, pelo menos 30 anos. O tema é vasto e estará nesta coluna durante os próximos dias.
Força
O presidente da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), delegado Wilson Müller, em nome de sua categoria, reafirmou para este humilde marquês o apoio à paralisação em desenvolvimento pelos agentes da Polícia Civil e do sistema penitenciário, mas entende que o diálogo com o Piratini nunca deixou de acontecer e que não será interrompido. Dentro desse imbróglio, a indignação de Müller é contra o aquartelamento em Porto Alegre de um enorme contingente de policiais militares do interior numa “indisfarçável e inútil”, sic, tentativa de intimidar a manifestação pacífica da Polícia Civil. O presidente da Asdep também manifestou sua certeza de que a quase totalidade dos PMs, silenciosa e solidariamente, repudia esta forma de demonstração de força.
Brigadianos
A Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar, segundo seu presidente, Leonel Lucas, está apoiando a greve dos servidores da Polícia Civil. Segundo Lucas, “essa é uma atitude que reafirma a união das categorias da segurança pública em busca de salário digno.”
Vales
Um homem de 37 anos foi detido, ontem, no aeroporto Salgado Filho com 40 mil vales-transporte falsificados. O criminoso foi capturado durante ação do Deic. Ele viajava em avião da TAM procedente de São Paulo.
Carro-forte
Uma quadrilha assaltou um carro-forte da empresa Brinks, ontem, no km 348 da BR-116, em Tapes. Os criminosos utilizaram quatro automóveis e interceptaram o carro-forte com tiros de fuzil e explosivos. Após retirar três funcionários do veiculo, levaram dois malotes de dinheiro que seriam transportados a Camaquã. Ninguém ficou ferido.
Execução
Um homem morreu baleado e três ficaram feridos num casebre em Guaíba. Segundo testemunhas, três desconhecidos chegaram atirando e fugiram num carro. O morto foi identificado como Giovani Henrique da Silva Romeira, 37 anos. Os feridos foram levados a um hospital de Guaíba.
PMs temporários
A Brigada Militar registra baixa procura pelas vagas de PMs temporários. Apenas 261 candidatos se inscreveram, até o dia de ontem, para as 306 vagas. O prazo de inscrição termina na quinta-feira, mas será prorrogado.
Wander.cs@terra.com.brA falência da segurança pública do país
Os órgãos policiais estão cercados pelo clamor da sociedade, pelas suas próprias contradições internas, pela indolência dos governos e pelo poder do banditismo rico e organizado.
Distante da minha torre, em Brasília, mas nunca longe das questões mais graves vividas e discutidas pela sociedade, ouvi um pronunciamento que poderia ser considerado como repetitivo e atirado no Guaíba como palavras perecíveis e não poluidoras, tivesse ele somente a assinatura deste humilde marquês e não a do titular da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), professor Ricardo Brisolla Balestreri. “O sistema de segurança pública do país está falido”, disse Balestreri no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, quinta-feira última, 30 de outubro, no 2º Coname (Congresso Nacional de Oficiais Militares Estaduais) diante de, pelos menos, 800 oficiais das polícias militares do país, além de personalidades convidadas.
Não se tratava de uma platéia passiva, pois ali estavam lideranças de entidades que representavam 800 mil policiais militares brasileiros entre ativos e inativos. Um dia antes, no mesmo local, abrindo o evento, esteve o ministro da Justiça, Tarso Genro, cujo discurso não teve o mesmo descortínio, pois a sociedade, em termos de segurança, não aceita mais teses que fujam da realidade crua vivida por todos os cidadãos e que, ao invés disso, escorregam para a retórica puramente oficialista prenhe de roteiros corretos dirigidos a um destino perfeito, porém com estacas postas em areias movediças. Sigam-me.
Paralelos
O professor Balestreri não contestou o ministro Tarso, até porque a Senasp é órgão do Ministério da Justiça. No entanto, são discursos paralelos. Tarso fala do Planalto para as massas – no caso específico da segurança – e, nesse plano, traçado de cima para baixo, o contraditório é praticamente inviável. Balestreri fala das massas para o Planalto, aceita debater o contraditório e faz questão de dizer que não tem e nunca teve nenhum compromisso político partidário. Isso vai dar certo?
Diálogo
Os agentes Polícia Civil e os agentes penitenciários, a partir de hoje e até quinta-feira entram num processo de paralisação cumprindo apenas o serviços absolutamente essênciais em suas áreas. O movimento tem o apoio dos profissionais do IGP (Instituto-Geral de Perícias) e da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS). O delegado Wilson Müller, presidente da Asdep, em contato com o titular da pasta da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, não descartou a possibilidade da sua categoria também aderir à paralisação. Segundo as lideranças dos policiais, a impossibilidade de diálogo com o Piratini, repetidas vezes tentado, terminou sendo o estopim para a tomada de medidas extremas.
Enfrentamento
A presença em Porto Alegre de mil PMs, convocados de unidades do interior pelo comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, está sendo interpretada pelo presidente da Ugeirm-Sindicato, Isaac Ortiz, e pelo delegado Wilson Müller como uma tentativa de intimidação e, até mesmo, de criar um clima de enfrentamento semelhante ao ocorrido em São Paulo entre policiais militares e civis. Este enfrentamento, no entanto, é considerado fora de cogitação, pois os PMs, segundo Isaac e Müller, estão conscientes de que são iguais as reivindicações de todos os profissionais da segurança.
Falência
Quando o próprio secretário nacional da Segurança Pública entende que o “sistema de segurança do país está falido”, o quadro que se estabelece hoje no RS está absolutamente dentro da realidade. Nele nada há de artificial, a partir, inclusive, da falta de visão do governo para buscar o simplismo do caminho das pedras, que é o diálogo. Quem está se apresentando como voluntário para mediar o episódio é o ouvidor-geral da Segurança Pública do RS, Adão Paiani. É certo que o ouvidor ouve. Ouvirá o Piratini?
Wander.cs@terra.com.brNavegar é possível
Embora tenha o próprio nome ligado à abundância de águas que tem, o Rio Grande do Sul invariavelmente evoca uma imagem terrestre, que se confunde com a vida no campo, no manejo do gado, a tropa, a carreta, o Pampa onde nasceu o mito do campeador. É comum ouvir-se, sem ressalvas, dizer que o Rio Grande do Sul foi conquistado “a pata de cavalo”.
É tão comum que soa estranho dizer que foram as águas que determinaram, desde o início, o rumo e o ritmo da conquista e da ocupação do território.
Foi a costa inacessível que retardou por dois séculos a ocupação portuguesa. Em 662 quilômetros de costa, só há três “entradas”: o rio Mampituba e o Tramandaí, onde só podem entrar pequenas embarcações, e o sangradouro que liga a Lagoa dos Patos ao Atlântico, no local onde hoje está o porto de Rio Grande. Só quando foi vencida a barra em Rio Grande, a povoação se propagou, seguindo o curso d’água e se fixando junto aos portos naturais. O caminho das águas foi fundamental em todos os ciclos econômicos, desde o início da formação do Estado.
Nas últimas décadas, as vias navegáveis foram substituídas pelo asfalto. Os caminhões e ônibus passaram a ser preferidos na movimentação de cargas e pessoas. Embarcações como os trens quase sumiram da paisagem. Foi um ciclo.
No presente, a rede fluvial e lacustre volta a ganhar atenção, por conta de grandes projetos em andamento, envolvendo bilhões de dólares. São milhões de toneladas, desde a matéria-prima para as indústrias até o produto final para exportação, que precisam ser transportadas.
A decisão do governo federal de apostar no porto de Rio Grande como uma porta para a Ásia completa o quadro. Há portanto um renascer da navegação no Estado. Neste livro queremos demonstrar que isso é tão possível quanto necessário.
Texto de introdução do livro Navegando Pelo Rio Grande
