Dilma não cai

Pinheiro do Vale
Maquiavel perde. Muita gente chama Aécio Neves de Tancredinho, numa alusão a seu avô, mas ele tem se revelado mais um Tancredão, pois adiciona uma dose de maldade política à celebrada esperteza do ex-presidente Tancredo Neves.
É isto mesmo: o rapaz mineiro revela uma capacidade inigualável de desnortear seus adversários, pois quando se pensa que ele está indo, já está voltando. É o caso de sua atuação neste caso do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Domingo a presidente vai levar um susto, mas não será defenestrada do Palácio da Alvorada. Escapa por pouco. Este é o plano, pois para o jovem tucano não interessa sua deposição. Pelo contrário: mantendo-a no Palácio do Planalto, tutelada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, ele sai da linha de fogo sem prejuízo político-eleitoral.
Primeiro: Dilma não é candidata, portanto não é adversária. Segundo, com suas manobras de vai não vai, enfogueira Michel Temer aqui, se afasta do PMDB ali, quando chegar domingo estarão frente a frente Lula e Temer, enquanto ele assiste de camarote a briga de faca dos paulistas.
Lula foi de certa forma encurralado, pois teve de entrar em campo aos 45 minutos do segundo tempo. Encontrou um jogo embaralhado no campo adversário: Marina Silva falando em eleições já, mas torcendo para deixar aos tucanos a pecha de golpistas; os tucanos patrocinando o processo de cassação, dão os votos no plenário, mas negam ao PMDB o apoio para o governo pós impeachment. Quer dizer, apostam no tumulto.
Temer está tranquilo, aparentemente. Vazou seu áudio, atribuindo o fato a uma barbeiragem no celular, mas já se coloca fora do governo, ou seja, em campanha como oposicionista. Ao mesmo tempo, seu partido poderá ficar dos dois lados, compondo a nova base aliada, apresentando-se como força dividida, para manter ministérios sem perder a imagem de independente com candidato próprio.
E o Eduardo Cunha? Isto é uma outra história. Como vítima, aglutina os evangélicos na rubrica da perseguição religiosa.
E o Lava Jato? Será o grande legado de seu governo, o combate intransigente à corrupção, não obstante os arrufos com o juiz Sérgio Moro por conta de seus vazamentos seletivos.
Está, portanto, feito o jogo. As cartas estão  na mesa: Lula, Temer, Aécio e Marina no ringue. Dilma sangrando, gritando, incomodada e imobilizada por um indemissível vice-presidente que não pode assumir interinamente, amargando uma oposição na base do quanto pior melhor. Ou seja: nada de novo.

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