Dilma rejeita “acordão”

Pinheiro do Vale
A presidente afastada Dilma Rousseff prepara-se para a última batalha. Nos bastidores trava-se um esforço derradeiro para o “acordão” que daria por encerrado o episódio político, distribuindo-se fatias de pizza a todos os famintos por poder. Falta o acerto final da teoria de Garrincha: combinar com os russos.
O plano fantasioso para dar por concluído o golpe está em gestação. O principal interlocutor, falando pelo PMDB, seria om presidente do Senado, Renan Calheiros. Como seria?
No seu pronunciamento de segunda-feira, diante do plenário do Senado, de viva voz, Dilma renunciaria à presidência, encaminhando a carta-renúncia irrecorrível. No dia seguinte, posta a votação, o Senado não completaria os 54 votos necessários à cassação.
Com isto o jogo ficaria empatado: Dilma não seria cassada, mas já teria renunciado. Portanto, o vice-presidente da República assumiria por vacância do cargo, e não por deposição da mandatária.
Em contrapartida lhe seria oferecida uma candidatura ao Senado em 2018.
Esta possibilidade já estaria negociada com o PDT, pois dificilmente o PT concordaria com a participação da, já aí, ex-presidente em sua chapa.
A volta de Dilma ao PDT seria necessária por dois motivos: 1) – ela seria candidata numa coligação com o PMDB. Isto seria uma manobra necessária, pois é impensável, neste momento, PT e PMDB marcharem juntos no Rio Grande do Sul; 2) – uma candidatura puro-sangue no PT no Estado seria derrota certa.
Uma outra saída alternativa: Dilma transferir seu domicílio eleitoral e ser candidata em outro estado onde um acordo envolvendo o PT, PMDB e outros inteigrantes da antiga Base Aliada pudesse ser efetivado. É bom lembrar que ex-presidentes que concorreram ao legislativo foram por outros estados que não os seus: José Sarney no Amapá, Juscelino Kubitschek por Goiás. Sem contar que Getúlio apresentou-se em vários estados, como era permitido em 1945 (tomou posse pelo Rio Grande, mas também foi eleito por São Paulo).
Dilma, porém, não concordou. Segundo pessoas próximas, ela nem quis considerar a hipótese. Em primeiro lugar porque está firme no propósito de enfrentar seus algozes até o último tiro.
Em segundo porque não acredita nas garantias de que será retirado o quórum para sua cassação. Ou seja, se renunciar estará se entregando e depois, tal como aconteceu com Fernando Collor, o Senado rejeita a renúncia por inepta e vota a interrupção do mandato.
Assim, não ganha nada: perde os direitos políticos e se desmoraliza ao apresentar a renúncia.
Assim e por tudo isto Dilma rejeitou o “acordão”.
Entretanto, como dizia a velha raposa mineira José Magalhães Pinto, a política é como as nuvens do céu, que conforme os ventos tomam uma forma. Até segunda feira muita água pode passar por debaixo da ponte.
Se nada acontecer, Dilma vai limitar sua participação às primeiras 10 perguntas. Depois então pedirá desculpas, agradecerá, e vai ser retirar. Para isto a senadora Vanessa Grazziotin negociou um acordo para elaborar uma lista prioritária de perguntadores para evitar tumultos e grosserias provocados pela bancada golpista.

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