Fundo do poço

GERALDO HASSE
No auge do escândalo do chamado Petrolão, há cerca de três anos, as ações da Petrobras estiveram no fundo do poço, cotadas à média de R$ 8 cada uma.
Para os investidores mais inquietos, que mudam de posição como quem troca de roupa, a desvalorização das ações da nossa petroleira era a consequência natural dos prejuízos bilionários, que deixariam os acionistas sem dividendos por dois anos consecutivos.
Para quem aplica em ações com o viés de poupança de longo prazo, porém, a chegada das ações ao fundo do poço foi uma dica para ir às compras.
Foi o que fizeram muitos poupadores bem aconselhados, que souberam aproveitar uma das melhores oportunidades de investimentos dos últimos anos na bolsa de valores de São Paulo.
No momento as ações da Petrobras oscilam entre R$ 18 e R$ 20 nos pregões da Rua Boa Vista, na City paulistana.
Indiscutivelmente, são valores ainda muito baixos para uma empresa bem administrada e com alto potencial de produção e vendas, protegida pelo manto do monopólio estatal, só rasgado parcialmente no governo do presidente Fernando H. Cardoso.
É possível prever que dentro de um a dois anos as ações da companhia estarão num patamar acima de R$ 30. E, sem dúvida, o futuro é uma estrada larga e quase interminável para a Petrobras, que dispõe de grandes jazidas na plataforma continental, de onde vem tirando petróleo a US$ 8 por barril de 159 litros, a metade do custo médio de extração nos países que mais produzem no mundo.
É justamente aí que mora o perigo. Não é à toa que governos e empresas de outros países estão de olho na estatal brasileira.
O risco de alienação da maior empresa brasileira não vem apenas das pressões externas, mas da incrível disposição do governo brasileiro para entregar o óleo aos modernos bandidos.
Eles atuam à moda antiga, como faziam os trustes petrolíferos no tempo do presidente Vargas, criador da Petrobras.
Além de usar a diplomacia convencional, eles apelam para a espionagem e recorrem ao tráfico de influência, investem no aliciamento de cúmplices e na compra de consciências, e não hesitam em fazer chantagem tarifária, que virou norma no governo Trump, dos EUA.
Tanto as autoridades quanto os empresários brasileiros conhecem esses jogos e só embarcarão neles se quiserem. Ou se forem cumulados de vantagens inconfessáveis.
Para que isso não aconteça, o ideal é que sejam varridos da Esplanada por um tsunami eleitoral em 7 de outubro,
LEMBRETE DE OCASIÃO
O livro Que Sabe Você Sobre Petróleo?, escrito pelo jornalista carioca Gondim da Fonseca (1899-1977), é até hoje um marco da luta nacionalista. Lançado em 1955, teve 16 edições em dez anos. Em sebos, pode ser comprado por valor inferior a uma ação da Petrobras.

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