ELMAR BONES / Milicos na política

O que  Bolsonaro está comprovando é aquilo que já ficou patente no regime de 1964.

Um país como o Brasil não pode ser comandado por um militar.

Não significa que não haja militar que possa ser político.

Castelo Branco era, foi defenestrado por seus pares, pelos generais que apostavam num poder militar livre dos compromissos da política, assentado na hierarquia.

Um país não é um quartel, ou um exército.  Impossível governá-lo dando ordem unida.

Os militares, com as honrosas exceções, acreditam na analogia da política como uma guerra.  É uma analogia pobre, mas eles acreditam e muita gente acredita.

Esquecem que quanto mais estiverem preparados para a guerra, para o uso da força, menos preparados estarão para a política, que é a busca da solução dos problemas sem as armas.

O militar é preparado para o confronto, tem que ter um inimigo, real ou imaginário.

O político se prepara para evitar o confronto, tenta ver, mesmo no adversário, um possível aliado.

O Brasil teve uma ditadura imposta pelas armas de 1930 a  1945, mas o líder era um civil, Getulio Vargas, que promoveu a grande conciliação nacional e atualizou o Brasil “no concerto das nações”, como se dizia na época.

Quando voltou, em 1950, sem a tutela militar, Vargas não chegou ao fim do mandato.

Seu suicídio conseguiu retardar o golpe militar por dez anos.

Em 1964, os generais que tomaram o poder tinham tudo a seu favor: a burguesia, a imprensa e, por indução, a classe média e mesmo setores populares.

Mas o líder,  o general Castelo Branco, acreditava na ideia da “revolução redentora”, que iria banir os comunistas e corruptos e devolver o poder aos civis,  que devem conduzir os governos democráticos.

Defenestraram Castelo  e quatro generais, governando com atos de exceção, ficaram  duas décadas no poder.

Saíram sob o clamor das ruas.

Bolsonaro tem cabeça de milico. Cabeça de milico serve pra mandar, não pra governar, que é outra coisa bem mais complexa.

Milico com cabeça de político deve haver, claro. Mas não está à vista.

 

 

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